Doce Crepúsculo

"Crepúsculo: A decadência; o declínio de qualquer um. Então... por que será que é tão doce?"

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Capítulo 1

Branco. Era a única cor que se via. Mesmo com a pequena abertura da janela, onde os raios de sol entravam timidamente. Era um quarto médio e ligeiramente confortável. Nada de muito chique.

Os braços arranhados, cortes no rosto, o corpo não respondia quando queria se mexer. Apesar disso, não sentia dor e não sabia porquê. Os olhos azuis viram o momento em que um senhor alto entrou no quarto sussurrando algo para uma enfermeira. Franziu o cenho. O cabelo eram todo prateado, mas ele não aparentava ter essa idade toda.

- Deve estar com dor de cabeça... – a voz era grave, mas amigável.

- Na verdade... Na verdade, apenas um zumbido. – tentou elevar sua mão até sua testa, mas percebeu que um fio em seu dedo a prendia na cama. Ela não se lembrava daquele lugar. Não se lembrava de como foi parar ali ou porque motivo estava ali. Tudo estava... diferente.

- Verdade? – ele parecia surpreso. Talvez Kagome tivesse que ter dito que sentia uma tremenda dor de cabeça. – Bem... Melhor pra você...!

A morena sorriu levemente. Não queria demonstrar mais tanta tranqüilidade. Afinal, aquele homem que estava a sua frente não parecia uma pessoa qualquer.

- Bem... – sua voz soava fina e calma. – Eu sei que provavelmente não deveria estar perguntando, mas... onde eu exatamente estou?

- No hospital. - ele virou para a enfermeira mandando-a sair com um simples olhar. - Vocês bateram contra uma árvore, o carro derrapou e bateu em outra.. - ele tinha ficado sério. - Você lembra quem é?

Seus olhos passaram do rosto do homem a sua frente para suas mãos e de volta ao rosto do ser de cabelos pratas.

- Não... – umedeceu seus lábios à procura de palavras exatas. – Quem estava comigo?

- Seus pais... - ele suspirou. - Tivemos de operar sua cabeça por causa da batida. Você deve ter perdido parte da memória, mas é temporário... Seria bom que você começasse a tentar se lembrar... - Kagome levantou a mão com muita dificuldade e sentiu a pequena elevação no final do seu couro cabeludo. Estava raspado ali. Parece que ela iria ficar sem usar rabo de cavalo por um bom tempo.

- O que aconteceu com eles? – logo sua mão foi puxada pelo fio dos aparelhos. Incrivelmente seus olhos não paravam de piscar. Pareciam que eles involuntariamente já sabiam de alguma notícia ruim.

- Eles... Não conseguiram chegar ao hospital...

- Por quê? Foram para algum outro lugar? Eles desapareceram? – não sentia nenhuma angustia. Só estava fazendo o que seu corpo mandava fazer. Era automático. Como se fosse para ela realmente fazer aquilo.

- Não... Eles faleceram... – não esperava essa reação por parte da menina na sua frente. Ela simplesmente piscou absorvendo a informação. Ajeitando-se na cama, ela voltou a olhar para ele com os olhos levemente úmidos.

- Morreram...? – incrível como aquela palavra saltava de sua boca tão facilmente. Começou a fitar o chão a procura de respostas, mas não as encontrava. – Eu... não sei o que dizer... o que fazer.

- Tudo bem... – sorriu para a garota tentando não transparecer o espanto. – De acordo com sua identidade, você é Kagome Higurashi e faz dezessete anos daqui há um mês.

A menina continuou estática. Os olhos sem vida e o corpo igualmente assim, não sabia o que poderia fazer depois de tudo aquilo que o... médico contou para ela.

- Qual é o nome do senhor? – agradecimento era uma coisa que jamais iria se esquecer.

- Inu no Taishou... A propósito... Tenho que lhe perguntar... Tente lembrar de algum parente...?

Kagome fechou os olhos como se quisesse revirar tudo o que restava da sua memória, que agora estava distante.

- Não... nada... eu só enxergo o branco. Não há luz. – abriu os olhos novamente para encarar o rosto do médico tão educado a sua frente.

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- Tá saindo cedo hoje cara de cachorro! – revirou os olhos. Não havia ser mais irritante no mundo do que aquele lobo.

- E daí lobo? – juntou as coisas e levantou. Sua mãe estava desesperada com alguma coisa que seu pai tinha feito e isso parecia ser mais desesperador ainda para Inuyasha.

O youkai lobo, Kouga, resmungou mais alguma coisa, mas ele não deu ouvidos. Só teria que correr antes que sua mãe explodisse. A redação não ficava assim tão longe de casa. Inuyasha, um jornalista não tão conhecido, mas que deixava seu trabalho com uma marca própria e isso era sua marca no mundo jornalístico.

Do lado de fora da casa ele conseguia ouvir os berros da mãe. Suspirou cansado, tudo que menos precisava era uma dor de cabeça. Abriu a porta e se deparou com o seu irmão, já em casa, seu pai e sua mãe. Logo depois, viu o motivo da discussão. Uma morena dos olhos claros olhava avoada para os lados. Era difícil enxergar alguma parte do corpo dela que não estivesse arranhada.

- Inuyasha! A meu filho! Diz pro seu pai que ele é louco!

A moça ergueu os olhos para o ser que acabara de entrar. Era muito parecido com o médico. Quer dizer... Inu no Taisho. Apenas... era mais jovem. E, é claro. Tinha duas orelhinhas no topo da cabeça.

- Você nunca foi de fazer isso!! Como é que... agora... Como?! Nunca vi essa garota na minha vida!! Sabe-se lá o que ela pode fazer! – Inuyasha franziu o cenho. Sua mãe estava despejando palavras.

- O que ela pode fazer? Ela mal se mexe! – Inu no taishou defendeu a garota que fazia questão de não se fazer presente na discussão. De repente, era até melhor assim.

- Mãe... Calma! – Inuyasha tentou.

- Calma? Você me pede calma INUYASHA TAISHO? Seu pai enlouquece e EU sou a louca? – a mulher de aparência jovem apesar da idade, se movimentava constantemente para cá e para lá.

- Eu acho... – a moça começou a soltar algumas palavras com sua voz cálida. Todos voltaram seu olhar para a figura estranha na casa. – Acho... que vou tentar ir para algum orfanato, não sei.

- Não mesmo! – o pai se precipitou. – Você está machucada demais até para ficar em pé! – Kagome teve que segurar para não soltar um "não sinto nada". Um incômodo sim.

- Mas eu consigo... me virar. – Kagome se apoiou no sofá com uma mão e se levantou, meio sem jeito. Inuyasha, que assistia tudo de longe, rapidamente se aproximou da menina e a segurou pelo pulso cuidadosamente para ela não cair. Coisa que iria acontecer se ele não viesse a tempo.

- Izayoi, deixemos ela aqui até se recuperar... Depois, a tiramos de casa. – Seshoumaru sugeriu. Nem o médico nem a mãe pareceram gostar muito da idéia, mas era o meio termo entre o que ambos queria.

- Eu concordo. – Inuyasha disse.

A morena ergueu os olhos para Inuyasha, que estava em pé mais uma vez depois de tê-la posto sentada. Os olhos dele se encontraram com os dela e um tímido sorriso surgiu nos lábios de Kagome.

- Obrigada. – ela sussurrou ainda muito calma.

- De nada. – sorriu de volta. Rápido, mas sorriu.

- Resolvido! Ela fica! – o youkai comemorou.

- Até semana que vem. – a mulher completou.

- Deuses... – Seshoumaru resmungou.

- Eu realmente... – a moça surpreendeu a todos quando levantou sem nenhum esforço e sem nenhum murmúrio de dor. – Não queria dar trabalho... mas como vocês estão oferecendo um lugar tão bom para mim, eu fico, mas só por alguns dias. Não quero incomodar. – sorriu tímida, principalmente para a dona da casa.

- Não se preocupe. Não vai incomodar. – Sesshoumaru olhou os pais em uma indireta. Tinha simpatizado com a garota.

Izayoi sentiu a pena bater. Suja com as roupas rasgadas estava machucada e, muito provavelmente cansada. Perdeu os pais e metade da memória. Resolveu começar de novo com o pé direito.

- Quer tomar um banho?

- Seria uma ótima coisa. – abriu o sorriso mais um pouco, tentando de alguma forma agradecer.

- Você precisa de roupas novas, por isso pedi para uma enfermeira do hospital comprar algumas coisas. – Inu no Taisho ergueu as mãos cheias de sacolas, que até aquele momento estavam escondidas.

- Inuyasha, ela vai ficar no seu quarto e você dorme no de Seshoumaru. – aquilo não parecia uma pergunta aos ouvidos do hanyou.

O meio-youkai iria argumentar, mas não conseguiu quando seus olhos bateram mais uma fez na morena de olhos azuis brilhantes. Ele nunca tinha vacilado antes, principalmente quando o assunto era Sesshoumaru.

- Bah! No final, eu pago o problema. – opa..! Duas burradas de uma vez só. Ele a chamou de incômodo e de problema.

- Ele não precisa mudar de quarto por minha causa... eu durmo no sofá mesmo. – e ela lançou seu dedo indicador para o sofá em que estava sentada.

- Não, sério! Por mim tanto faz! – corrigiu-se. Tá... Não era bem tanto faz, mas... – Pode ficar no meu quarto.

- Ahh... – a menina levantou-se, tentando dar uma idéia. – Então... já que vocês não se dão bem, porque o ehh... Inuyasha... – ela olhou para o meio-youkai, recordando o nome. - ...não continua no quarto dele e eu... bem... durmo lá também, mas é claro, em no chão. – a sugestão da menina não veio recebida com lados maldosos por ela.

- Ela já está dando em cima do meu filho! – a mãe exclamou.

- Boa noite. – Kagome viu o outro youkai subir a escada desinteressado. Riu.

- Boa noite... ah... Sesshoumaru. – sorriu de volta para ele, apesar do youkai não corresponder com o mesmo gesto. Só um meio sorriso. – Eu não quis dizer... – Kagome começou a piscar freneticamente para a dona da casa. – Eu só... quis ajudar.

- Então o Inuyasha dorme no sofá! - vez do Inuyasha dar o chilique.

- COMO É?

- Não... não! – a menina, como se quisesse proteger o ser de cabelos pratas mais novo, foi para perto dele. – Ele não pode deixar o quarto dele só por minha causa. Ele pode ficar lá... eu acho ótimo.... o sofá.

- Não mesmo! Você não era para estar em pé! Tem oito pontos na cabeça! – a menina, inconscientemente, botou a mão no lugar. Nunca ficara tão agradecida pelo cabelo ser longo.

- Mas, eles nem estão incomodando. – sorriu sem graça.

- Tudo bem... – finalmente Izayoi resolveu ceder. – Você... você.... pode dormir no quarto do meu Inuyasha, PORÉM... eu estou de olho em tudo!

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No final, acabou por tomar o banho sozinha. Que o "Taishou pai" não soubesse. Ela não precisava de um espelho para ver que estava ridícula. O short e a blusa não davam nela. No fundo, achou que o Inu no Taishou a achasse gorda... Sua aparência ainda era abatida e, obviamente, continuava arranhada.

O bady doll tinha uns bons dois números a mais. Estava completamente largo, mas não importava, contando que estivesse confortável. Saiu do banheiro e deu de cara com uma cama dividida com um... colchão?

Inuyasha tropeçou por causa da colcha jogada no chão e praguejou algo antes de perceber que ela estava no quarto.

- É o máximo que eu posso fazer!

A menina observa o que o hanyou fez no quarto. A cama estava dividida no meio por um colchão. O resto do quarto tinha virado uma zona, já que lençóis e edredons estavam amarados, como se formassem uma barreira. O cômodo, apesar de não parecer, estava dividido em dois.

- Para que tudo isso? – Kagome tinha uma voz muito calma. Nunca, depois que acordou até agora, elevou sua voz sequer uma vez.

- Por que todas as mulheres dão chiliques. Pelo menos, no seu caso, você deveria.

- Bem... não sei o porque do chilique. – a moça se aproximou do lençol que separava os dois no quarto. O olhar misterioso e doce ao mesmo tempo dela hipnotizou Inuyasha. – Você não faria nada contra mim.

- Você é esquisita. - admitiu.

- Esquisita? – o olhar dela foi para baixo. Ela tocou o pano com sua mão pequena e delicada. – Acho que nunca me chamaram assim... pelo menos, não esses dias depois do acidente.

- Bah! Tanto faz! - pegou a roupa que iria vestir pra dormir e saiu do quarto. Era difícil para ele manter algum tipo de conversa com ela. Principalmente porque ela parecia não querer falar com ele.

Kagome ficou um tempo estática. Logo depois andou vagarosamente até a beirada do "seu" lado na cama. Sentou-se e fitou seus pés. Provavelmente a única parte do seu corpo que não estava arranhada. Esticou suas pernas sobre a cama e deitou sua cabeça. Fitou o teto, por um bom tempo na expectativa de rever o ser de cabelos pratas mais novo.

Estava se sentindo meio fora do mundo. Não que isso importasse. Pra falar a verdade, ela mal ligava. Mas alguma coisa dizia que ela deveria estar se sentindo... Alguma coisa. Devia estar sentindo qualquer coisa, menos normal. Não fazia a mínima idéia de que dia era, ou dia da semana. Não lembrava dos pais, nem da infância. Das coisas que aprendeu, e não arriscaria escrever... Estava tendo sorte por saber falar.

Mexeu-se sentindo um incômodo nas costas. Deveria estar machucado lá. Como será que ela tinha se machucado tanto assim?

A porta se abriu depressa a despertando de seu transe. Inuyasha, já com uma calça e uma camiseta de dormir, pulou a corda de lençóis que separava o quarto. Jogou a toalha em um canto qualquer, enquanto se aproximava da cama.

- Você sabe que dia é hoje? – Kagome murmurou, olhando para Inuyasha.

- Quinta-feira. - ela soltou um riso baixo quando a cama se mexeu. Provavelmente, Inuyasha tinha se jogado em cima dela.

- Eu perguntei o dia do mês... – riu. Não podia mais ver os longos cabelos pratas que tanto a encantavam, porque o colchão tampava toda a sua visão.

- Primeiro de outubro.

- Nossa... nem sei quanto tempo fiquei desacordada. – ela queria manter uma conversa saudável com Inuyasha. Afinal, ela não conhecia ninguém. Um amigo seria uma ótima coisa. – Você trabalha?

- Trabalho e voc... - a pergunta morreu na boca. Se ela trabalhava ou não, com certeza, não iria lembrar. Provavelmente não trabalhava em nada. No máximo, quase estourando, a garota parecia ter dezoito anos.

- Eu? Bem... a minha memória não me permite responder, mas... eu acho que não. – ela riu um pouco. Sabia da pergunta dele.

- Você lembrava quem era? – resmungou depois da pergunta. Era esquisito falar com alguém quando não via a pessoa.

- Não... eu nem sei como era minha vida. Se eu estudava, se eu tinha amigos... isso não é uma coisa muito boa de se sentir, sabe? – ela virou o rosto para o colchão, como se estivesse vendo nele o rosto de Inuyasha.

- Não imagino a sensação de não lembrar de nada... - disse sinceramente. Deve ser horrível. Apesar de não admitir, detestava ficar sozinho, mesmo que fosse para comer.

- É tão... vazio. Acho que essa é a palavra. – voltou seu olhar para o teto, enquanto piscava vagarosamente. – Eu acho que não desejo isso para ninguém. Porém, eu agradeço por ter conhecido uma pessoa tão boa como seu pai, e é claro... seu irmão, sua mãe e... bem... você.

- Acho que vai mudar de idéia, pelo menos sobre meu MEIO-irmão.

- O Sesshoumaru... – Kagome ouvi um resmungo do outro lado, quando pronunciou esse nome. - ... me parece um homem muito bom. Tudo bem, é frio. Mas, tem um coração bom. Ele me passou tranqüilidade.

Kagome esperou uma resposta que não veio. Será que era para ela mudar de assunto? Inuyasha não parecia gostar do irmão. Mas perturbar um ao outro devia ser coisa de irmão, afinal... Você convive com ele quase que por toda a sua vida.

- Bem... você... – ela resolveu falar bem dele também. – É um pouco fechado também, não tanto quanto o Sesshoumaru, mas... também. Só falta alguém descobrir a verdadeira pessoa que existe dentro de você. Dá para ver em seus olhos. – não sabia de onde tinha tirado aquilo. Só falou o que sentiu naquele momento.

- Isso foi um elogio? – elogio? Essa palavra fugiu de sua cabeça, não sabia do que ele estava falando.

- O que é um elogio? – arqueou as sobrancelhas.

- Uhm... É tipo... Uma coisa boa que você fala da pessoa.

- Então, pela minha parte, sim. Você é uma ótima pessoa, Inuyasha. Só ainda não descobriu isso. – queria mais do que tudo focalizar os olhos dourados dele naquele momento.

- Uhm..

- É sério. – riu um pouco. – Você só precisa encontrar uma pessoa que o mostre isso. Ou será que já encontrou? – murmurou a última frase. Talvez ele nem tenha ouvido.

- Não.

- Mas vai encontrar... eu aposto. – piscou um pouco.

- Eu estou realmente com sono..

- Desculpe... eu estou aqui falando como uma louca. Boa noite. – Kagome tentou se aconchegar um pouco no seu lado da cama.

- Boa noite...

A menina se aquieta e não ouve mais nenhum resmungo do outro lado. Provavelmente o hanyou já deve ter dormido. Mas ela não. Continua olhando para todos os lados curiosa. Como uma criança que acaba de aprender as coisas. Seus olhos perderam a força depois de longos 30 minutos e logo foram fechados.

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- Kagome..? – abri os olhos com dificuldade quando ouviu seu nome ser pronunciado pela segunda vez. Viu os mesmos olhos dourados de Inuyasha, mas era Seshoumaru. – Meu pai disse pra você ir ao banheiro para que ele troque o curativo.

- Tudo bem.... – a moça piscou um pouco os olhos, enquanto Sesshoumaru afastava seu rosto, porém ficou parado próximo a cama. – Obrigada. – sorri para ele, e ela se levantou sem dificuldade.

- Você..? - suspirou e balançou a cabeça. Aquele não era o tipo de pergunta para se fazer. Não agora. - Esquece. O café já está pronto.

- Café? – ela arqueou as sobrancelhas, assim como no dia anterior, quando não se recordava de nada. Sesshoumaru a segui até o banheiro, como se quisesse mesmo ter certeza de que tudo estava bem.

- Quando comemos de manhã, nós chamamos de café-da-manhã. Como é longo, resumi-se a café. – a morena reconheceu o médico da noite anterior dentro do banheiro.

- Seria melhor se tomasse um banho antes? Quer que eu chame Iza...

- Não... eu sei me virar. Tudo ótimo. – os dos youkais estavam parados a porta do banheiro olhando para Kagome. – Obrigada por me explicar Sesshoumaru... acho que eu... tenho uma leve impressão que já fiz um... café. – sorriu.

- Todos. – ele sorriu menos gelado do que Kagome via.

Tirou as roupas e se enfiou debaixo do chuveiro. Resolveu não molhar cabelo, não sabia se podia. De repente, podia até infeccionar os pontos dela. Saiba que isso não era uma boa coisa, ou não devia ser. Ajeitou novamente os cabelos em um nó antes de deixar Inu no Taishou entrar. A falta de cabelo naquela parte estava começando a incomodar.

Um banho rápido e ruim, diga-se de passagem. Se enxugou e colocou uma roupinha melhor do que a do dia anterior. Era uma saia rodada verde escuro com uma blusa de alças branca. Simples, mas pelo menos servia na pequena. Desfez o nó do cabelo e tentou ajeitá-lo da melhor maneira possível.

Abriu a porta do banheiro e procurou o Taishou mais velho com os olhos. O corredor estava vazio. Desceu devagar para procurá-lo na cozinha, não sabia bem o porquê de estar com vergonha de aparecer no café.

Quando chegou na porta, observou que a família inteira estava sentada à mesa. Tirando Izayoi, que ainda estava de pé, colocando uma cesta de pães. Ficou estática, quando todo os olhares se desviaram para ela. Era meio assustador.

- Caiu bem em você. – Seshoumaru foi o primeiro a falar.

- Bom dia..! – Izayoi disse.

- 'dia.

- Obrigada. – sorriu para Sesshoumaru. – Bom dia senhora Izayoi. Bom dia Inuyasha. – embora tenha ficado um pouco mais segura, continuou de pé no mesmo lugar.

- Eu só vou terminar de tomar o meu café e ver como está ok? - concordou com Inu no Taishou. - Tem sentido alguma ardência?

- Não... estou muito bem. – sorriu para o youkai mais velho.

- Pode sentar Kagome..! - o hanyou sugeriu.

- Ok... – Kagome seguiu o conselho do Inuyasha e se sentou ao seu lado. Não sabia o que fazer. Apenas esperou todos começarem, para poder repetir os gestos.

- Você toma leite ou café? - Izayoi perguntou.

- Eu acho que... leite? – Kagome, ainda meio incerta preferiu a bebida branca. A aparência escura do café não a impressionava tanto.

- Quer provar? – Inuyasha estendeu a xícara para ela. – Café é mais amargo que leite.

- Eu vou querer leite mesmo. Muito obrigada! – a menina queria passar a melhor impressão possível para Izayoi. Apesar de aparentar ser uma mulher muito boa, ainda não tinha confiança em Kagome.

Todos ficaram quietos enquanto comiam e Izayoi continuava a olhá-la daquele jeito. Parecia que, a qualquer momento, ela iria pular em cima de Kagome e torcer seu pescoço.

- Seshoumaru ou Inuyasha.. um de vocês dois tem que voltar mais cedo. Hoje eu fico para o turno da noite. – Inu no Taishou disse.

A menina, por mais amedrontadores que fossem os olhares de Izayoi, não ficava assustada. Levantou a cabeça para ver quem se pronunciava a vir para casa mais cedo.

- Eu vou estar em casa Inu! – a mãe disse. Inuyasha prendeu o riso. Sua mãe parecia que iria acabar afogando Kagome nos pães.

- Eu sei disso Izayoi, entretando eu queria que um homem estivesse presente. Nada de sério, só uma precaução. – Inu no Taisho olhou sugestivamente para Kagome. Ele sorriu, a tranqüilizando por tudo aquilo.

- Eu vo.. – não podia ser tão direto. Ele mal conhecia a garota e não podia demonstrar nada. – Vou tentar sair mais cedo.

- Ótimo Inuyasha... – ia dizendo Inu no Taisho, quando Sesshoumaru o impediu.

- Eu chego mais cedo. Sei que Kagome precisa de mais companhia... talvez eu possa tentar ajudá-la em alguma coisa. – olhou para a menina, que tinha mordido um pedaço de pão e que abriu um sorriso cintilante para ele.

- Ela NÃO precisa da SUA ajuda. - o hanyou enfatizou bem o não. - Eu vou chegar cedo..

- Inuyasha... – o pai escondeu um pouco o riso que deveria mostrar. – Qualquer ajuda é muito bem vinda para a Kagome. Ela, além de se esquecer de seu passado, não tem idéia de algumas coisas básicas, como o estudo.

- Além de tudo, eu posso muito melhor do que você ajudar a Kagome. – Sesshumaru disse isso despreocupado, enquanto terminava sua xícara de café.

- Quem te disse? – de longe, Seshoumaru ganhava no autocontrole.

- Meninos, vocês vão se atrasar!

- Obrigada. – foi a primeira palavra de Kagome à mesa. Todos se viraram para ela. – Quer dizer, pelo café. – olhou para Sesshoumaru rindo. – E por vocês quererem me ajudar.

- Feh!

- Estou vendo o quanto você pode ensinar... - Seshoumaru espetou com o riso escondido pela xícara. Escutou o meio-irmão o mandando ir para os infernos antes de bater a porta e ir embora.

- Bom dia para todos. Kagome, cuide-se. – Inu no Taisho também se levantou e foi em direção à mulher depositando um beijo em sua cabeça. Foi até a Kagome e a examinou por alguns segundos. Depois, tocou seu rosto, como um pai faz com uma filha, e se retirou do cômodo.

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Batia o pé impaciente. Sentada no sofá, mau via a hora de um dos dois filhos chegarem. Aquela mulher fazia questão de trocar as palavras necessárias. Ela não estava sendo grossa com ela, mas incomodava Kagome. Nenhuma conversa.

A porta soou de repente. Graças aos Deuses alguém havia chegado. Tanto Kagome, quanto Izayoi agradeciam por isso.

A garota tinha até chegado a se levantar, mas foi tão rápido que acabou por ficar meio tonta. Sentou no sofá com a mão na cabeça e viu Seshoumaru passar pela porta enquanto a mãe o recebia calorosamente.

- Ah... meu querido Sesshoumaru! - pelo canto do olho, Kagome viu a senhora Taisho receber o youkai. - Como foi o dia?

- O de sempre. - pendurou o sobretudo perto da porta e encarou Kagome. - Olá.

- Oi Sesshoumaru. - a pequena sorriu alegremente para ele. Os cabelos estavam desarrumados para frente, graças a sua tontura repentina.

- Aquele hanyou já chegou? – Seshoumaru parecia ter soltado a pergunta no ar, mas Kagome achou que ele estivesse falando com Izayoi, afinal, não sabia de quem estavam falando.

- Inuyasha ainda não chegou. - Sesshoumaru soltou um riso de deboche. - Vou para cozinha preparar o jantar. - disse isso como se fosse a como se fosse e melhor coisa para se fazer naquele momento. Longe de Kagome.

- E então? O que fez?

- Bem... nada de interessante. - a moça viu o ser de longos cabelos pratas se sentar a sua frente a observando cuidadosamente. - Eu ajudei a senhora Izayoi em algumas coisas na cozinha, mas eu acho que ela não gostou muito. Então eu fui para o jardim e aproveitei o sol. Peguei algumas flores e coloquei em um vaso.

- Como a mulher é teimosa. E os pontos? Estão bem?

Kagome involuntariamente tocou com os dedos a sua cabeça. Ainda não estava contente com os cabelos raspados em uma pequena área.

- Estão sim... só não gostei muito do meu cabelo. - sorriu sem graça. - Seu dia foi bom?

- O de sempre. - Kagome franziu o cenho como se estivesse perguntando 'o que é o de sempre?' - Os mesmos casos de sempre.

- Casos? - a menina fez um bico em dúvida.

- Muito bem... Isso sim vai ser uma coisa difícil de explic...

- Seshoumaru! -Kagome ergueu a cabeça mais uma vez na direção da porta. O hanyou havia chegado.

- Foi realmente surpreendente o quão cedo você chegou. – Seshoumaru desviou dos olhos azuis para ver os dourados.

- Bah! Cale a boca!

Kagome olhava de um irmão para o outro percebendo o quão parecidos fisicamente eram. Porém, eram tão diferentes no que se diz de personalidade.

- Oi Inuyasha. - Kagome sorri tão alegre para ele quanto para Sesshoumaru quando havia chegado.

- Oi. – ele repetiu o ato de Seshoumaru pendurando o casaco. Logo depois, sentou do lado de Kagome. – Onde está mamãe?

- Ela está fazendo o jantar. - a menina respondeu antes de Sesshoumaru. Não que ele por acaso se desse ao trabalho de responder. - Seu dia foi bom? - os olhos azuis fitaram os dourados do hanyou com curiosidade e mistério.

- Você..! - Inuyasha lembrou. O acidente que publicaram no jornal há dois dias atrás era o de Kagome. - Você sobreviveu a um acidente bem feio!

- Mesmo? - os olhos passaram para uma curiosidade muito maior. - Como sabe disso? - Sesshoumaru também pareceu interessado, já que se aproximou mais para ouvir.

- Foi o do jornal de anteontem. - Seshoumaru arqueou as sobrancelhas levemente para não transparecer o espanto. - O carro de vocês, na hora de fazer a curva, bateu em uma árvore, deslizou e bateu em outra fazendo com que vocês capotassem!

Kagome, que antes olhava para Inuyasha, passou a fitar o chão. Colocou a mão na cabeça como se tentasse se lembrar. Seus olhos foram fechados bruscamente e apertou com tanta força e parecia que iria derrubar lágrimas a qualquer momento.

"- Acha que consegue?

- ...não temos escolha..

Uma figura estranha sorriu para mim. Eu não lembrava dele lá."

A menina começou a arfar desesperadamente. Sua respiração estava rápida e suas mãos tremulas tentaram tocar em algo para dar sustentação. Mas, outra mão foi mais rápida e acolheu a mão da menina. Foi Sesshoumaru.

- Não se esforce.

- Tudo bem com você...? – Inuyasha parecia mais preocupado do que Sesshoumaru. Ou não.. Sesshoumaru controlava mais.

- T-tudo... – a menina logo ia voltando a sentir tudo normal em sua volta. – Eu só tive uma.. leve lembrança.... da batida.

- O que era? - perguntou curioso.

- Inuyasha, não se pergunta esse tipo de coisa.

- Keh! - cruzou os braços na frente do peito e emburrou. Ele tinha que ter justo Seshoumaru como MEIO, MEIO irmão?

- Tudo bem... ele pode perguntar. – Kagome virou seus olhos e sorriu leve para Inuyasha, que com aquele sorriso, frouxou os braços. – Eu só vi um vulto. E uma conversa entre meu pai e eu. Pelo menos eu acho que aquele era meu pai. Mas, depois... – seu olhar ficou mas uma vez perdido. - ...tudo não passou de um vulto.

Sesshoumaru se levantou e rápido pegou a menina no colo, o que fez com que ela se assustasse com a atitude repentina. Mas quem se manifestou primeiro foi Inuyasha.

- Ei, ei, ei, eeeii! O que pensa que está fazendo? – Seshoumaru já estava ao pé da escada quando Inuyasha levantou do sofá.

- Estou levando Kagome para o quarto. Ela precisa pensar um pouco. Descançar, caso você não tenha notado. – Sesshoumaru voltou seu olhar para Kagome. – Me desculpe por isso, mas acho que você precisa de um tempo só seu.

- Obrigada Sesshoumaru. – o sorriso da moça contagiou tanto que ela pôde notar o canto dos lábios frios do youkai se torcerem em um sorriso.

- Não deixei você entrar no meu quarto! – Kagome conseguia ver o irmão mais novo por cima do ombro de Sesshoumaru. Subia a escada de olhos fechados, com os braços cruzados e o cenho franzido, um bico de emburrado o deixava mais... fofo?

- Sesshoumaru... – Kagome murmurou. – Você poderia me deixar no lado da cama que eu estou dividindo com o seu irmão, por favor?

- Vocês estão me ignorando!! - ele praticamente gritou. Kagome se controlava para não rir. Inuyasha era completamente diferente de Seshoumaru.

- Grande descoberta hanyou..

- Inuyasha... – Kagome murmurou. – Pode me fazer um favor? – ela percebeu que Sesshoumaru já tinha terminado de subir as escadas e que ele estava andando devagar sobre o corredor que a levaria ao quarto.

- O que?

- Fica comigo. – ela voltou seus olhos tão azuis quando o céu para o rosto do hanyou que ficou estático por alguns segundos. – Eu sei que é pedir muito... mas eu acho que não vou conseguir ficar sozinha hoje.

- Bah! Tá! – ia soltar um bem feito pro irmão, mas, pensando bem, ia fazer papel de infantil e ele ia acabar perdendo por causa disso. Há! Mas agora, ele pensou antes de falar! Espera... Isso não soou bem.

- Você podia melhorar seus hábitos, pelo menos na frente da Kagome. – Seshoumaru deitou a garota na cama que agradeceu logo depois. – Não encha o saco dela com perguntas idiotas hanyou.

- Obrigada Sesshoumaru. Você é uma pessoa muito boa. – sorriu para ele. – Eu espero um dia poder agradecer de uma forma melhor o que você tem feito por mim.

- Não foi nada, acredite.

Ele logo se retirou o quarto, deixando apenas Kagome e Inuyasha.

- Obrigada você também Inuyasha. – sorriu mais uma vez, só que agora para ele. – Se você quiser voltar lá para baixo, pode ir. Eu só queria me sentir mais... protegida, sabe?

- Uhm... – retirou o colchão que ainda dividia a cama. Ia dar trabalho para botá-lo no lugar de novo, mas não saiba porque, queria que Kagome preferisse ficar com ele do que com Seshoumaru. – Eu não tenho mais o que fazer... – deu de ombros.

- Que bom. – se encolheu um pouco. – Você sabe alguma forma de me sentir mais protegida?

- Como assim? - virou o rosto para poder vê-la, mas não conseguiu mirar nos olhos azuis.

- Eu não sei... de repente eu senti falta de alguma coisa importante. – estava olhando fixamente no hanyou. – Pode se sentar ao meu lado?

- Você não sente falta de seus pais? - ele fez o que ela pediu. Às vezes, era meio esquisito estar perto dela. O cheiro era tão fraco assim como a presença. Se ela estivesse há três metros dele e ele estivesse de costas, nunca adivinharia que ela estava lá.

- Sinto... mas de uma forma muito estranha. Eu sinto que está faltando alguma coisa. Está vazio aqui dentro. – a moça pegou a mão do hanyou e colocou no coração dela. Foi apenas fazer isso que, foi como se um trovão tivesse cortado o céu e estivesse dado um terrível choque nele.

- A-ah.. De-eve ser temporá-ário.. - puxou a mão de volta. - Aahm.. Dev-e ser só até v-você voltar a leeembrar das coisas..

- Provavelmente... – virou e viu que o hanyou estava um pouco desconcertado. – Eu posso fazer alguma coisa por você? Você não está com uma cara muito boa. – os dedos suaves da moça roçaram rapidamente no rosto dele.

- É só impressão sua! - se endireitou rapidamente e balançou a cabeça. - Nada vai acontecer com você!

- Eu sei que não. Enquanto você estiver próximo a mim, nada vai acontecer de errado. – Kagome aproximou a cabeça para perto da dele. – Tem alguma coisa no seu rosto.

- O-o que? – se ela estivesse um pouco mais perto, o cheiro ficaria mais forte... Era tão doce.

- Acho que é um pedaço de... não sei... um pouco de areia. – os lábios dela se aproximaram vagarosamente do rosto dele a milímetros. E, de repente, um vento saiu da boca dela. Inuyasha levantou de súbito quase a derrubando da cama. Será que ela tinha perdido a noção das coisas junto com a memória?

- O que você fez? – passou a mão pelo rosto para ver se encontrava onde estava sujo.

- Eu disse que seu rosto estava sujo... eu só assoprei um pouco para sair. E saiu. – sorriu para Inuyasha que estava nervoso em pé.

- Uhm.. Você não está cansada?

- Não... eu só queria a sua companhia mesmo. Mas... pode descer. Você deve estar bem cansado, quer comer talvez... – Kagome se ajeita na cama, não se deitando totalmente.

Fome? Estava morrendo de fome, principalmente hoje que seria lasanha. O cheiro quente estava subindo as escadas e entrando pela fresta do seu quarto. Tentador. Mas o jantar só era às 20:00. Faltava quase uma hora. Não ia dizer que estava com fome, iria enrolar.

- Ainda falta muito para o jantar. Você podia tentar lembrar de alguma coisa. Não do acidente... Mas se... Ei! Por que não tenta escrever?

Inuyasha vai até ao guarda roupa, provavelmente procurando alguma coisa.

- O que você está fazendo? – ela novamente ficou curiosa.

Ele não respondeu. Tinha certeza de que havia um caderno ali dentro. Nunca usou porque nunca prestou mesmo atenção nas aulas de inglês. Pegou um lápis na escrivaninha e voltou a sentar ao lado dela.

- Vamos, tente escrever seu nome.

Kagome pegou o caderno e o colocou em seu colo. O lápis logo estava entre seus dedos e ela olhava fixamente para as linhas e o papel em branco a sua frente. Logo, sem nenhuma dificuldade um muito belo "Kagome Higurashi" estava escrito em letras perfeitamente redondas e bonitas.

- Você lembra como se escreve... - jogou os braços pra trás. - Você não deve ter perdido tanta coisa assim afinal...

- Isso deve ser muito bom. – ela ainda olhava para seu próprio nome, escrito por suas mãos. – Eu só não lembro do que eu preciso mais lembrar... Inuyasha.. – ela largou o caderno e se sentou de forma para fitá-lo. – O que eu mais preciso é saber sobre o meu passado. É só com ele que vou me sentir segura. Eu sei que eu preciso saber de alguma coisa. Uma coisa muito séria.

- Bem... Você não roubou ninguém, nem matou... – ele riu, mas Kagome continuou séria. – Você acha... que...?

- Eu não tenho certeza de nada Inuyasha... eu não sei como eu era a alguns meses atrás. Quem poderia me garantir que eu não passasse de uma qualquer? – ela continuou fitando os olhos dourados profundos.

- Você não é uma qualquer..

- Quem te garante? – os belos olhos azuis céu piscavam de uma maneira incrivelmente hipnótica.

- Eu não preciso que ninguém me garanta... Eu sei! – Inuyasha piscou para quebrar o "encanto hipnótico".

Kagome abriu um sorriso de encantar qualquer um que a estivesse olhando.

- Obrigada por confiar tanto assim em mim... uma completa desconhecida que invadiu seu quarto. – riu um pouco, mas sem desviar o olhar do dele. O dourado forte ia escurecendo conforme chegava à pupila. E agora que os azuis também estavam nos dourados, era possível ver umas quinhentas cores nos olhos dele.

- Você devia assistir TV. – ele quebrou o silêncio. – Pode ajudar a te lembrar de algo... Que tenha feito ou que goste.

- Se você diz... – ela se levantou e foi para perto dele. – Você vai descer?

- Vamos...! – parou no corredor esperando que ela passasse a sua frente e descesse as escadas depois dela.

Ambos desceram as escadas. A sala estava vazia, mas Kagome pôde perceber que tanto Sesshoumaru quanto Izayoi estavam na cozinha.

- OI MÃE! – Kagome riu. Ele tinha se jogado no sofá e ligado a TV.

- Olá meu filho. – Izayoi pareceu contente em ver o filho todo jogado no sofá. Inuyasha era um folgado, verdade. Mas, naquele jeito, ele parecia mais um modelo fazendo posse vários flashes.

- Oii! – ele sorriu para a mãe parecendo realmente feliz em vê-la. Kagome não conseguia parar de encará-lo. Todos os atos dele pareciam tão espontâneos. – Quer que eu bote a mesa?

- Não precisa... Já está quase tudo pronto. Sesshoumaru me ajudou. – tanto ela, quando o youkai estavam na cozinha. O despojado Inuyasha no sofá observou Kagome. Ela ainda estava vestida como de manhã. Uma saia verde e uma blusa branca.

- O que?

- O que o que? – Kagome sorriu e olhou para si mesma, procurando alguma coisa de errado. – Há alguma coisa de errado com a minha roupa?

- Não... Você que estava me olhando!

- Desculpe... – ela corou rapidamente e olhou para baixo.

- Kagome, por que não vai tomar um banho? – sugeriu. Estava se sentindo meio trocada. Seus dois filhos pareciam dar mais atenção à menina do que a ela.

- Ahh... acho que vou fazer isso. – não levantou os olhos para ele mais uma vez e seguiu direto para as escadas.

Das escadas, podia ouvir que os dois continuavam conversando. No fundo, sabia que ela só havia sugerido aquilo para despachá-la. Afinal... Ela teve o dia todo pra sugerir um banho. Suspirou alto. Por que será que Izayoi não simpatizava com ela?

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Oláá minna!!

Fic de férias! Fic de férias! #dá um pulo# Pois é... estou muito feliz com ela. Acho que não só eu, como a Kaori também. Nós estamos bem empolgadas, somos empolgadas em todas, na verdade. Agora sim eu acho que você podem ter uma opinião completa, pelo menos de início da fic. Foi um capítulo beeeeem longo. Algumas meras páginas... xD

Esperamos ouvir suspiros, gritos, ou até exclamações de raiva #autoras #$$#%$¨que atrasam os posts#, mas tudo o que nós queremos é ouvir a opinião sincera de todos vocês. Pode xingar, pode espernear #é brincadeira tá gente!# que a gente tá aqui para ouvir. xD

Por enquanto é só! Esperamos ansiosas as reviews!! E esperamos merecê-las!

Kissus

Aline Higurashi

Respostas das Reviews:

Nane-chan: Gostinho de como vai ser o próximo capítulo? Hauahuhuahua, adorei! xD Espero que tenha gostado do primeiro capítulo de verdade! =D Nós sabemos, eles são grandinhos... Hehehe *sorrisinho sem graça* Continue lendo! Bjokas!

Agome-chan: Menina, 'cê lê todas as nossas fics!! Nhaii que feliz! *pulando até bater a cabeça no teto* Bom, ai está o seu 'mais'! Esperamos que tenha gostado.. xD Bjiin!!!

que te importa, boca torta *censurado*: Bem.. críticas são bem vindas, quando são construtivas. Seria de bom agrado se você dissesse o que ficou ruim no prólogo, não temos como adivinhar o que se passa na sua cabeça, porque, afinal, Deus que é Deus não conseguiu agradar a todas, imagine nós? Pessoas comuns? Espero que tenha achado esse capítulo melhor. Bjos.

Nathi Rossetti: Ai menina, não liga para o boca torta não..! Não merece sua atenção, mas obrigada por nos defender! *-* A nossa fic promete? Well, espero que sim! Huahuahuahua.. Graças a Deus, não devemos demorar tanto a postar, temos alguns caps prontos já! xD Espero que gosta da fic! Bjokinhas pa ti!!

Quer um pedaço de chocolate? #leitor balança a cabeça dizendo que sim# Pois é... eu tenho um pedaço grandão na minha mão! #desculpe a rima infeliz# O que você faz para ganhá-lo? #leitor arregala os olhos prestando atenção# Deixe uma review! #leitor abre a boca com indignação e saí da cadeira do computador para pegar o resto da barra de chocolate da geladeira#