Doce Crepúsculo

"Crepúsculo: A decadência; o declínio de qualquer um. Então... por que será que é tão doce?"

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Capítulo 2

Desceu tentando ajeitar o cabelo com as mãos. Por mais que penteasse, ele precisava mesmo era ser lavado. Mas esqueceu de perguntar se podia.. Talvez, se jogasse só uma água ele melhorasse. E o pior, não podia prendê-lo. Ahh! Ela ia ficar feia dos dois jeitos. Fez um meio rabo de cavalo e deu um nó. A franja voltou a cair no rosto pouco tempo depois.

Agora estava com um simples vestido até as coxas. Nada de muito anormal. Ele era lilás e foi uma das roupas que mais gostou. Correu para a cozinha, e quando entrou por ela, teve a mesma sensação de quando entrou de manhã.

- Caiu bem em você. - Seshoumaru disse, a diferença, foi que, desta vez, Inuyasha rolou os olhos.

- Por que você não chega e senta? - desviou a atenção da lasanha.

- Tudo bem... – ela logo foi se sentar, mas dessa fez ao lado do Sesshoumaru. Até porque o lugar vago ao lado do Inuyasha logo foi preenchido por Izayoi. – Obrigada... – murmurou sorrindo para o youkai ao seu lado.

Com receio, Kagome pegou um pedaço para si. Ela achou esquisito que saísse fumaça da comida, mas ninguém da mesa parecia se incomodar, então aquilo era.. normal. Talvez..Bem, pelo menos parecia ser bom. Notou que Seshoumaru estava prestando atenção em seus movimentos apesar de estar fingindo comer normalmente. Ela nem achava que era tããão desastrada assim.

Pegou seu garfo, assim como todos estavam fazendo. Espetou com precisão o meio de seu pedaço de lasanha e a fumaça passou a sair mais rapidamente. Puxou uma pequena parte, que por sinal ficou um pouco grudada, e enfiou completamente na boca.

Soltou o garfo instantaneamente. O barulho agudo fez com que todos olhassem para ela. A língua.. ardia? O que fosse! Estava ardendo tanto que seus olhos umedeceram. Não era dor, mas incomodava! Bastante!! Ela olhou Inuyasha rindo e o olhar reprovador que Seshoumaru lançava pra ele.

- Está quente! - Izayoi disse.

- O que é quente? – ergueu uma sobrancelha. – Eu só fiz o que todos estavam fazendo... e-eu... – naquele momento ela se sentia perdida. Completamente perdida. E o pior. Estava sozinha.

- Definitivamente, uma coisa onde a gente não deve se aproximar ou tocar. Que nem o fogo. – olhou para Seshoumaru prestando atenção. Por que não disseram antes? Era para ela se fogar mesmo?

- Foi engraçado..! – nem se intimidou com o olhar de Seshoumaru, já estava mais que acostumado com isso.

- Vou tomar mais cuidado Sesshoumaru. Obrigada. – sorri timidamente só para ele e voltou a comer. A fumaça já tinha se dissipado. Poderia comer sossegada agora.

- Quando a comida estiver quente, você assopra! - sorriu pra ela.

- Acho que é o normal... – Izayoi suspirou enquanto comia.

- Aham. – depois daquilo, Kagome decidiu não dar nenhum pio. Quanto menos falasse, menos desastres iriam ocorrer.

- Mãe, o que tem de sobremesa? - Inuyasha terminou de comer e abriu a geladeira.

- Bem... Inuyasha, eu não fiz nada de diferente, mas eu acho que tem um pote de sorvete de creme por aí. – sorriu para o filho. – Vou retirar a mesa. – se levantou e começou a retirar os pratos.

- Eu vou para o quarto. – Kagome murmurou de cabeça baixa, já se retirando.

- Não vai comer a sobremesa? - Inuyasha roubou o lugar do irmão quando levantou para ajudar a mãe.

- Inuyasha, não acha o saco da menina.

Kagome não deu muito ouvidos as discussões deles. Só queria subir as escadas, entrar no quarto, deitar na cama e ficar olhando para o teto como todas as noites. Fez isso, mas ao invés de ficar olhando o teto, pegou o caderno que Inuyasha lhe dera e tentou escrever mais alguma coisa. Nada vinha a sua mente. Ficou longos vinte minutos assim, até que a porta foi aberta.

- O que foi? – já estava se acostumando com aquela voz quase rouca do Inuyasha.

- Nada... – continuava fitando o caderno. – Estava tentando escrever mais alguma coisa. – murmurou. Sua voz a partir do jantar não passava de murmúrios.

- Vai escrevendo as coisas que você gosta.. E depois, as que não gosta... Gosta de sorvete? – deitou do lado dela já que o colchão não os separava. Olhou a folha. Estava só o nome dela escrito.

- Acho que sim. – seu olhar estava perdido na folha com seu nome. – Eu não me lembro Inuyasha... de nada! – colocou o caderno de lado e abraçou os joelhos como se quisesse se sentir protegida.

- Você vai lembrar! - sentou na cama também e botou a mão no ombro dela. - Uhm.. olha, eu vou falar uma palavra e você fala a primeira que vier na sua cabeça.. Talvez ajude.

- Tudo bem... – respirou fundo, aceitando o desafio. – Pode começar. – ela se virou para ele e cruzou as penas, esquecendo-se que estava de vestido. Afinal, Kagome se sentia uma menina. Não uma mulher com seus 18 anos por isso, não entendeu muito bem o porque dele jogar um travesseiro em seu colo.

- Sol.

- Amarelo.

- Pedra.

- Duro.

- Macio!

- Um abraço? – ela pendeu sua cabeça para a direita, fazendo a alçinha de seu vestido cair junto.

- Você tá me perguntando? – ele riu. – Alguém.

- Você... – ela sussurrou.

- Eu? - sua voz não chegou a ser um sussurro, mas foi baixa.

- Sim... – a voz dela continuava no mesmo tom.

- Kagome..

- O que foi? – a meiguice, mas ao mesmo tempo rouquidão na voz de Kagome, fez o hanyou balançar a cabeça por algum momento.

- Nada.. Esquece! – ajeitou a alça que continuava caída. – Vai querer continuar?

- Eu quero uma coisa. – a menina se aproximou mais do hanyou. – Será que você pode me dar?

- O que?

- Isso... – colocou sua cabeça calmamente no peito do hanyou. A respiração dele, que antes parecia calma, agora começou a acelerar um pouco.

Meio hesitante, passou os braços ao redor dela fechando-os cada vez mais. Subiu a mão para a nuca e sentiu a gaze que cobria o ferimento. Suspirou e ajeitou a menina em seu colo. Ela parecia tão miudinha e quebradiça que dava para ser uma boneca. A boneca com o melhor cheiro.

- Tá tudo bem..

- Obrigada Inuyasha. Você não sabe o que me fez sentir agora. – a respiração da menina acompanhava a do hanyou. Afundou mais no peito dele e seu nariz sem querer, esbarrou no pescoço dele.

- A ponta do seu nariz está gelada.. - soltou um riso.

- A minha mãe dizia que eu parecia um cachorrinho. Só a ponta do nariz gelada. – riu ainda mais, e não notou a parada brusca de Inuyasha.

- Quem..?

Ela ergueu a cabeça do abraço, mas ainda estava muito próxima do rosto dele.

- A minha mã... – ela parou de repente e colocou a mão na boca. – Eu me lembrei... – os olhos brilhantes seguiram os olhos dourados de Inuyasha. – Eu me lembrei!

- É!! Escreve no caderno!

Kagome rapidamente pegou o caderno que já estava ao seu lado. Sua mão escrevia freneticamente, enquanto seu sorriso se abria ainda mais.

- Pronto! Sua primeira memória! – sorriu enquanto ela olhava o caderno. Nem ela parecia estar acreditando que veio tão fácil. – A primeira de muitas..!

Deixou o caderno no chão junto com a caneta. Voltou seu olhar para Inuyasha emocionada.

- Você fez isso acontecer. – sorriu sincera.

- Eu não fiz nada! Pra falar a verdade, nada do que eu fiz ajudou..! – franziu o cenho. Aquela brincadeira tinha sido a mais idiota. Como alguém iria lembrar de alguma coisa por causa da cor 'amarela'?

- Você me fez lembrar sim. Você me deu um abraço. O que eu precisava naquele momento. Obrigada. – ela sorriu em agradecimento. – Eu prometo não pedir mais nada para você, se isso o deixar bravo.

- K-keh! – cruzou os braços sentido as bochechas arderem. Por que diabos isto estava acontecendo? Já tinha passado dessa fase. Desviou o olhar não querendo mais ver o pequeno sorriso bobo no rosto dela. Levantou e se preparou para ajeitar o colchão no seu devido lugar. Antes não o tivesse tirado dali.

Kagome observava todos os movimentos de Inuyasha ajeitando o colchão na "falsa parede". Ficou sentada até ele colocá-lo por completo em pé.

- Será que eu posso visitar seu lado da cama? – Kagome murmurou para que só ele escutasse. Mesmo não tendo ninguém no quarto, ela sempre utilizava esse tom.

- Uhm..? - ele saiu um pouco de trás do colchão e Kagome viu as orelhinhas se mexendo. - Ahn.. Tá.

Ela saiu da cama e deu a volta no quarto, chegando na parte dos lençóis. Pulou graciosamente nele e percebeu o olhar de Inuyasha recair sobre ela. Voltou a andar, e parou em frente a ele.

- Eu vivo escorregando nessa droga e você pula em cima deles...

- É tão fácil... – riu para ele. Parou por um momento colocando a mão nos joelhos e abaixando seu rosto até o dele, ficando muito próxima. – Posso te abraçar mais uma vez?

Sentiu-se ficar estático por um momento. O que devia fazer em uma situação dessas? Mal conhecia a garota! Se fosse outra mulher julgaria que estava dando em cima dele, mas ela mal lembrava que não se deve sentar com as pernas cruzadas quando está de vestido! Isso até ELE sabia.. Ela parecia mais uma garotinha...

- Uhn.. Tá... – não sabendo bem como, ele se sentou na cama e abriu os braços.

Ela se ajoelhou devagar na cama e o olhou nos olhos com pureza. Levantou sua mão com delicadeza e colocou no pescoço dele. Ela percebeu que, mesmo ele não retirando os olhos do dela, ele estremeceu um pouco. Fechou os olhos e pousou calmamente sua cabeça no peito de Inuyasha. Apenas assim.

- Eu não conheci muitos lugares depois da batida de carro... – ela sussurrou. - ...mas eu tenho certeza que aqui é o melhor do mundo. – suspirou.

- uhm.. Obrig.. ado... – aquilo parecia ter soado mais como uma tinha parado de se mexer. Parecia uma perfeita estátua.

- Eu que tenho que agradecer... – somente o sussurro foi ouvido. Kagome parecia completamente extasiada em ficar ali. E Inuyasha poderia dizer o mesmo..

- uhm.. – inteligente.. Só sabia soltar monossílabas ou resmungos. Talvez o idiota do Seshoumaru estivesse cer.. Bah! Ele que se dane! – Você vai to.. mar banho antes.. antes de dormir?

- Não... eu tomei antes do jantar, lembra? – e como lembrava. O cheiro dela não parava de impregnar suas narinas, e o pior... tudo ao redor.

- É, eu.. Esqueci! – idiota! Idiota, idiota, idiota, idiot..

- Bem... acho que vou para o meu lado. – Kagome levantou sua cabeça e o olhou. – Já estou incomodando você demais, não é mesmo?

- Ahn.. - incomodando não seria bem a palavra certa. - Não..!

Definitivamente, incomodando não era a palavra certa.

- Não está..! – apreçou-se em dizer. Precisava de uma desculpa agora e nunca arranjava uma convincente. Por sorte, ela falou antes.

- Boa noite..

-'noite. – desabou com as costas para trás livrando-se da tensão. O que foi burrice, ela estava rindo do outro lado e já deve ter deduzido que estava realmente incomodando.

Ambos fecharam os olhos e novamente embarcaram em um sono profundo. Não tão profundo assim para Inuyasha e ficou pensando durante um bom tempo.

OoOoO

A casa estava agitada naquela tarde de sexta feira. Bem, pelo menos não para a mãe. Izayoi não parava quieta ao ajeitar cada canto da casa e olhava constantemente para o relógio. A qualquer momento, os Yiruma iriam chegar e NENHUM dos filhos estava em casa como ela tinha mandado.

Só seu marido, exemplo de pessoa, estava tomando banho depois de ter ajudado a menina Kagome a lavar a cabeça. Aquele cabelo dela brilhava de tanta oleosidade e isso a deixava nervosa.

Kagome estava comportadinha sentada no sofá olhando para a TV. Algumas coisas não muito úteis passavam e ela não prestava atenção. Ela se lembrava que o Senhor Inu no Taisho havia comprado um vestido e um par de sandálias muito bonitas para ela. Parecia que aqueles visitantes eram de grande importância.

Seu vestido era preto e, assim como o seu lilás ia até a metade das coxas. Só que esse era uma coisa mais apertada. Tanto que a incomodava. Só a partir da cintura que a saia se abria. O decote, não muito ousado, mas ainda sim, a incomodava. Aquele grande V não deveria estar ali. O que tinha realmente adorado eram as sandálias. Tão altas, mas tão belas.

- Vou tomar um banho querido.. – os passos de Izayoi se aproximaram e logo depois passaram a ficar distantes conforme subiam as escadas. Inu no taishou sentou ao seu lado. Ele parecia estar mais relaxado. Tinha sido seu primeiro dia de folga depois de quase três plantões.

- O senhor parece feliz... – Kagome comentou. Ainda estava receosa pelas visitas e pelo sua roupa. Toda hora olhava para si mesma para ver se alguma coisa estava errada.

- Sim! Receberemos visitas hoje. Eles são amigos antigos nossos.

- Deve ser muito bom receber amigos tão antigos assim... – estava sorrindo, quando a porta se abriu.

- Eu sei, eu sei! Não enche meu saco! - foi a primeira coisa que Inuyasha disse quando entrou. Tinha dito para sua mãe que, graças a deus, não estava na sala.

- Você está atrasado! - Inu no Taishou disse achando graça.

- Ele deve ter trabalhado muito, não é Inuyasha? – Kagome se virou para vê-lo e seu costume de tirar o casaco e pendurá-lo não ocorreu. Não ocorreu porque Inuyasha deixou o casaco cair quando olhou para Kagome.

Não passou absolutamente nada em sua cabeça enquanto olhava para ela, os três segundos mais longos e memoráveis de sua vida. Sentada e com a postura perfeitamente ereta, dava-se para notar que ela não queria amassar o vestido e tentava, meio que sem jeito, esconder o decote que não mostrava nada e tudo ao mesmo tempo.

Abaixou e pegou o casaco do chão para pendurá-lo. Que ela não viesse com aquela história de abraços com essa roupa como na noite passada.

- É, ela ficou bonita né Inuyasha..?

- Caiu bem em você. – juntou forças para não soltar mais nenhum comentário. Ahh, o decote...

- Obrigada Inuyasha. – ela abriu um sorriso lindo. Era o que faltava para Inuyasha sentir que precisava urgente de um pouco de ar. De preferência, sem o cheiro dela.

- E Seshoumaru? – o pai perguntou e Inuyasha deu de ombros já no terceiro degrau da escada.

- Está com Rin. Ele não vem.

- Tudo bem. Vai se arrumar antes que sua mãe tenha um ataque cardíaco em te ver assim. Kagome... se não se importa vou até a cozinha ver com estão algumas coisas. – Inu no Taisho se levantou e rumou para lá. A menina tinha ficado sozinha.

Passado 25 minutos, Inu no Taisho não tinha voltado da cozinha, mas Kagome pôde ouvir passos descendo as escadas. Se levantou e, quando se virou, viu um Inuyasha diferente. Estava despojado com a roupa social. Tinha... caído bem nele. E parecia que ele achava a mesma coisa dela.

- Lembrou de alguma coisa hoje? – sentou ao lado dela, menos perto.

- Não... é mais difícil estando sozinha. – Kagome repetiu o mesmo gesto dele e se sentou, próximo a ele.

- Mas já temos duas páginas, certo?

- Certo... – ela sorriu e tocou delicadamente a mão estendida do hanyou. – Acho que eu preciso ficar mais perto de você para me lembrar das coisas.

- Isso não faz sentido. – prendeu o dedo dela entre os seus. Ela não conseguindo soltar, riu. – Eu não faço parte das suas memórias..!

- Mas faz parte do meu presente... um presente muito bom até aqui. – sorriu para ele. – Eu nem sei como agradecer por tudo o que você tem feito. Os abraços...

- Por que está vendo Barney? – resolveu mudar de assunto.

- Barney? – ela arqueou uma sobrancelha. – O que é isso? – fez um bico.

- Isso que você está vendo.. É um programa para crianças.. Lerdas..

Ela riu pela cara que ele fez.

- Eu não estava assistindo. Nem estava prestando atenção... fiquei bem quieta aqui, pensando. – ela se levantou. Como aprendeu com Izayoi hoje, ajeitou o vestido de uma forma que o deixasse mais bonito. – Vou dar uma volta no jardim. Quer vir junto?

- Eles pod... – bah! Quem ligava? – Aham..

Ela estendeu a mão para ele segurá-la quando fossem andando. Inuyasha se levantou, olhando para ela e ela permaneceu esperando.

- O que é? Não vou te morder... – ela murmurou.

- Eu não disse isso! – falou ofendido. Pegou a mão dela e foram para o jardim pela porta da frente.

Kagome logo quando colocou as sandálias, achou um pouco estranho de se acostumar, mas logo ela as tinha nos pés como um peixe tinha nadadeiras. Passeando ali com o Inuyasha, se sentia ela mesma, mesmo ela não sabendo quem ela era. Ele perto dela a fazia se sentir calma. Ele não parecia muito bem ao seu lado. Na verdade, em certas horas ele estremecia. Nada por se preocupar.

- Inuyasha... – tentou começar uma conversa. – Você já se sentiu vazio e de repente alguma coisa veio e começou a colocar... ahh... Chocolate na sua vida? – sorriu com seu exemplo. Não tinha um melhor.

- Ahn.. Não entendi.. Chocolate?

- Olha... – ela parou de andar e foi para a frente dele, o olhando nos olhos dourados profundos. – Quando você vê que tudo está estranho... vazio. Você mente para os outros que está feliz, mas no fundo está completamente só. E então... alguém vem e lhe dá vida. Te enche de chocolate. – ela riu.

- Ok.. – riu da metáfora dela. – Talvez uma vez.. Ou duas..

- Nossa... você tem sorte. Existem pessoas que nem mesmo sentem isso uma vez na vida de verdade. – olhou para a grama abaixo de seus saltos. – Será que eu posso saber quem foi?

- Eu prefiro não comentar. – Kagome entendeu aquilo como um não. Será que o chocolate dele era amargo? Melhor deixar quieto.

- Uma coisa que eu quero muito me lembrar são os meus sonhos. É claro que eu vou ter mais agora... – olhou para o hanyou. -...com essa vida... vamos dizer nova.

Kagome observou as orelhinhas se mexendo. Adorava quando elas faziam isso. Era tão fofo! A vontade que tinha de tocar nelas era enorme e tinha pouco tempo pra fazer isso, afinal.. Essa semana ela teria de ir embora.

- Eles chegaram..!

- Acho melhor que a gente entre, não é? – os olhos dela de repente ficaram tristes, assim como transparecia a sua voz. Alguma coisa dizia que aquele jantar não a traria segurança. Inuyasha não pareceu notar.

OoOoO

- né Inu!!!?? – aquela morena perguntou novamente. O tom animado da voz dela parecia contagiar todos da mesa. As histórias que ela contava eram todas engraçadas e eram todas com Inuyasha.

Kagome estava de frente para ele e, ao lado dele, a morena. Agarrada no braço esquerdo do hanyou, os dois riam. Os outros da mesa, acompanhavam acrescentando umas coisas e contando outras. Kagome estava começando a se sentir meio excluída.

- Isso não conta! Você fez de propósito!

- Mas é claro que não fiz! Você sabe muito bem que é verdade. – os olhos castanhos da morena, Kikyo, esse era o nome dela não paravam de brilhar.

- Ahh... eu sempre soube que vocês dois seria o casal mais perfeito do mundo. – Izayoi sorria como se estivesse no melhor lugar do mundo, ao contrário de Kagome. Ela se mantinha quieta varrendo sua visão de um canto ao outro da sala de estar. Nada de interessante.

- Tudo bem, tudo bem! – o velho, pai de Kik..you? falava risonho ainda. Kagome não fazia a mínima idéia do que falavam. – Aposto que a Higurashi também já aprontou algumas não? – foi ai que percebeu que falavam com ela.

- Ahh..? – Kagome ergueu a cabeça e percebeu todos os olharem da mesa em cima de si. Tentou ao máximo não corar. – Provavelmente muitas... pena eu não me recordar delas. – sorriu fraco.

- Como assim? - Kikyou perguntou.

Abriu e fechou a boca várias vezes, teria sido melhor se tivesse se limitado a dizer 'sim' e inventasse alguma coisa depois. Mas Inuyasha ia ficar feliz demais e fazê-la escrever no caderno. Não queria dizer que era mentira.

- Ela está sem memória, mas é temporário. - Inu no Taishou respondeu por ela. - Então, vamos a sobremesa?

- Mas é claro! – Izayoi se levantou como se estivesse nas nuvens e foi preparar pratos para a sobremesa. Kagome continuou estática. Se ela pudesse fugir, aquele momento seria o mais propício de todos.

- Eu acho que vou dar uma volta. – se ergueu da mesa e anunciou a menina. – Estou um pouco tonta... mas nada para se preocupar. – sorriu e a passos largos "fugiu" para o jardim mais uma vez.

Sentou na grama emburrada. Não sabia o porquê do bico, mas estava. Olhou a grama razoavelmente molhada pelo sereno. Sereno.. Alguém falava alguma coisa sobre isso. Desconcentrou completamente quando alguma coisa voou para perto de si. Ele brilhava. Era até bonitinho.

Ele parou razoavelmente perto dela. Ficou alguns minutos fazendo companhia, enquanto a fornecia luz. Depois foi embora. Pensou um breve momento sobre isso. Inuyasha era parecido com esse bichinho. Ficava algum tempo perto dela a oferecendo luz. Luz para se lembrar do passado. Mas depois, ele sumia. Provavelmente para correr até aquela... como é mesmo o nome daquela enxerida do jantar que não desgrudava dele?

Ah sim, Kikyou. Mais alta, mais bonita. Mais viva, mais sorridente, mais engraçada. Ela bem que podia ser assim também. Mas, não lembrava piadas. Nenhuma.. Ela bem que podia tentar lembrar.. Inuyasha tinha a risada gostosa..

Ouviu o roncar de um motor se afastando e percebeu que tinha perdido a noção do tempo estando ali pensando. Voltou a se levantar, sacudindo o vestido e retirando algum pedaço de grama. Com passos de gato, voltou a sala e subiu as escadas, procurando refúgio no quarto de Inuyasha. Por sorte ele não estava lá. Sentou na cama e olhou as sandálias. Elas era tão bonitas, mas deixaram seus pés vermelhos. Sentia-se cansada. Riu. Inuyasha se jogava na cama, será que era bom mesmo? Resolveu tentar.

- Posso entrar? - bateu na porta, ela poderia estar trocando de roupa.

- É claro... o quarto é seu. – continuava respirando calma, mas se levantou da cama. Era claro que o seu cabelo deveria estar completamente bagunçado. Diferente da linda e exuberante cabeleira de Kikyo.

- Por que foi embora? - os olhos dele pareciam estar rindo ainda.

- Não fui embora... estava me sentindo mal. Uma tonteira... só isso. – se levantou sem sorrisos. Ele, ao contrário dela, se sentou. Calmamente ela com seus dedos delicados, foi retirando a sandália que tanto gostou e que estava deixando marcas em seus pés.

- Ton.. ta? - ignore. Ignore, ignore, ignore, ignore.. Procurou pelo colchão quase que com a cabeça, se pudesse estava virado. Mas não conseguia.

- Sim... – a suave voz de Kagome o entorpecia. A sandália direita já fora. Agora os dedos escorregavam vagarosos pela perna em busca do pé esquerdo.

- Vo-cê não c-comeu muita coisa.. - olhou desesperadamente para o teto. Puxou todo o ar que podia antes de prender a respiração. Deuses! Por que faziam isso com ele? Por que ELA fazia isso com ele?

- É... Na verdade eu perdi a fome. – ela voltou o olhar para ele. Agora ele não conseguia parar de olhar. Kagome já tinha retirado as sandálias. Agora sua mão fez questão de ir direto ao fecho na lateral do vestido nas suas coxas. O pegou e foi puxando. Subindo calma. Não tinha pressa.

Suas costas encostaram-se à parede. Inuyasha prendia seus pulsos acima da sua cabeça. Estava quase grudado nela e Kagome deduzia que a testa dele estava também encostada na parede, já que um ar quente banhava o seu pescoço.

- Vamos esclarecer uma coisa.. Você NÃO é uma menininha sim?

Ela ergueu os olhos fitando os dourados. Eles estavam diferentes. Um brilho voraz. Não entendeu de início.

- Mas eu... – ela teimava em permanecer com aquela voz suave, irritando o hanyou. – Eu só estava tirando o meu vestido.

- Em outro lugar, por favor.. – a voz dele saiu mais rouca que o normal. Idiota. Desencostou-se dela e ficou de costas. – Você não tira a roupa na frente de outras pessoas na sua idade..

- Na minha idade... – ela pronunciou aquelas palavras calmamente. Depois ficou olhando para si mesma. Talvez tenha ligado as coisas. Mas ergueu a cabeça rapidamente e viu que Inuyasha a estava evitando. – Me desculpe.

- Vou tomar banho.. – juntou o pijama e saiu do quarto em silêncio. Ainda não conseguiria falar com ela como uma pessoa normal.

Pelo jeito como ele estava, Kagome julgou que o que fez estava muito errado. E brigou com sigo mesma por isso. Agora que tinha conseguido estar próxima de uma pessoa que ela achava estar ficando amiga. Resolveu mudar de roupa antes que ele voltasse e colocou um baby-doll preto com flores de sakura. Pelo menos ela achava que aquela roupa não o iria deixar tão zangado.

O colchão não estava no lugar, estava encostado na parede. Resolveu tentar botá-lo no lugar. Tentou levantar, mas percebeu que não via nada fora que ele era meio pesadinho demais pra ela simplesmente levantar quase que na cintura. Talvez, se ela fosse rodando o colchão desse certo. E estava dando! Até chegar na cama.

Desistiu e o deixou no chão. Com a sorte que estava naquele dia, Inuyasha iria expulsá-la do quarto e ela dormiria no sofá. Se sentou e abaixou a cabeça, se sentindo triste. Não só por tudo aquilo no quarto. Mas, por tudo aquilo do jantar. As risadas gostosas entre as famílias. Principalmente entre Kikyou e Inuyasha. Deviam realmente ser um casal.

- Kagome.. O que foi? – nem percebeu que Inuyasha já tinha voltado. Ele ainda parecia estar irritado.

- Eu só estava esperando você voltar para pedir desculpas de novo. – continuava de cabeça baixa, remexendo nas pontas do seu cabelo. – E dar Boa Noite. Eu tentei coloca o colchão... mas não consegui.

- Tá, não se preocupe.. – rapidinho ele ergueu o colchão do chão e o encaixou no 'lugar'. Agora estava se sentindo culpado! Por que ela tinha que ficar com aquela droga daquela cara?

- Boa noite. – Kagome se encolheu toda na cama e virou seu rosto para o outro lado. Como queria um abraço dele naquele momento!

- Você tá chorando? – ele continuava falando daquele jeito emburrado.

- Não... que isso. – ela não estava chorando. Estava? Pois se estava nem sentiu. Tocou a face e percebeu que estava úmida. Ele continuava a olhando e esperando a resposta. Os olhos dele estavam preocupados, mas, ao mesmo tempo, curiosos. E, pela primeira vez na presença dele, sentiu-se corar.

- Me desculpe. – tentou esconder seu rosto entre o travesseiro e suas mãos.

- Keh! Você estava chorando por uma coisa dessas?

- Eu não estou chorando por nada de importante. – de repente sua voz se ergueu algumas oitavas. Não pretendia aquilo, mas saiu contra sua vontade. – Eu só quero dormir Inuyasha... Daqui a dois dias não vou estar mais aqui para chorar ou te atrapalhar.

- Uhm.. Tinha esquecido disso. – ótimo! Agora que ele tinha se acostumado com esse cheirinho fraco e viciante que vinha dela, ela simplesmente, ia embora! Sorriu meio torto quando ela tirou a mão da frente só para ver se ele ainda estava ali.

- O que foi? Pára de me olhar! – ela disse isso, não como uma ordem, mas sim sorrindo. Mais rindo do que sorrindo.

- Por que? Eu tava quieto! – riu também.

- Vai dormir... – o empurrou devagar para o lado dele na cama. O mero contato da mão de Kagome com o braço forte de Inuyasha, o fez tremer.

- E eu preocupado com você..! – levantou. – Dramática!

Estranhou quando percebeu que ainda estava no quarto. Engraçado.. Pra ela, ela estava dormindo. Sentou-se na cama e olhou ao redor. Não estava com sono, mas estava de noite.

- E então.. Quando começa a lembrar das coisas? – soltou um grito de surpresa ao reconhecer a mesma pessoa que lhe sorriu antes do acidente. – Você tem um prazo!

- Ahh..? – só pôde soltar isso. O quarto, onde antes tinha um Inuyasha adormecido, agora não tinha mais. Só aquele ser estranho em pé, enquanto ela permanecia sentada. – Prazo?

- Você ainda não se lembrou.. Sabe, você é que nem eu! – ele sorriu novamente. – Eu vou te dar uma ajudinha. Estou meio cansado, é difícil aparecer nos sonhos das pessoas, mas.. – os dedos quentes que encostaram em sua testa passaram a ficar gelados e a sua cabeça começou a rodar. Uma seqüência de imagens aparecia. Não conseguia ver nem entender, mas.. Sentia que estava.. Enchendo?

Era como um filme. Uma casa. Um casal. Uma pequena menina com um poder. Obscuro. Flashes dos anos que passaram e tornaram essa menina mais velha. Com os seus 15 ou 16 anos. E lá estava ela. Completamente camuflada em sua roupa preta de cima abaixo. E seus olhos. Azuis. Em vez de passarem serenidade e proteção, passavam medo aos olhos negros a sua frente. E uma forte luz irradiou a fazendo voltar ao quarto.

- KAGOME!! – abriu os olhos. Estava suada e principalmente, assustada. – O que foi? Tudo bem?

Estava ofegando como nunca. Respirava rápido com todas as forças.

- Eu tive um sonho... – sussurrou. Se ele não estivesse tão perto, mesmo com a sua audição apurada, não ouviria a moça.

- Engraçado.. Parecia mais um pesadelo! – parecia? Deviam estar matando a garota! Ela se mexeu tanto que o colchão, no meio da noite, caiu em cima dele!

- Eu me lembrei... De algumas coisas. Um homem... Eu me lembro dele no acidente... – Kagome falava devagar, para não se esquecer de nada do que tinha visualizado.

- Um homem? – franziu o cenho. - Mas você não estava só com seus pais?

- Estava... mas, na hora da batida, antes de eu ficar desacordada, eu me lembro vagamente de um vulto... e era com a face desse homem. – fechou um pouco os olhos alguns segundos. Depois os abriu novamente. – E foi só isso.

- Você o conhece?

- Não... nunca o vi... só no dia do acidente. Mas... Inuyasha eu não quero mais falar nisso, ok? Me deixa... cansada e tonta sem motivo algum. – ergueu os olhos para ele.

Ele pareceu meio relutante, mas concordou e se levantou. Kagome voltou a se deitar e o acompanhou com os olhos até.. o colchão? O que estava fazendo virado? Sentou-se na cama novamente.

- Boa noite de novo Inuyasha. E eu prometo não me mexer tanto. – riu um pouco.

- Nem chutar.. – completou.

- Nem chutar... – sussurrou e novamente ajeitou os travesseiros para tentar dormir.

OoOoO

Aquele programa estava realmente chato. Além de estar sozinha naquela enorme casa, a TV não tinha nada a oferecer para ela. Resolveu, como Sesshoumaru havia lhe ensinado, pegar o controle remoto e passar os canais até achar alguma coisa que realmente merecesse sua atenção. Izayoi passou de novo pela sala. Sim, ela estava em casa, mas como continuava a evitá-la, resolveu não contar com ela.

Estava feliz por ter recuperado.. uhm.. dois terços da sua memória. Não lembrava de tudo.. Por exemplo, seu aniversário de treze anos e também o que aprendeu na quinta série. Resolveu que estava na quinta série com treze anos. Pra falar a verdade, suas memórias paravam aos 16 e iam raleando. E bem, ela ia fazer 18... A mais recente, tirando a do acidente, claro; era uma de um piquenique num parque. Era estranho, às vezes, ela ainda ficava meio avoada.. Do jeito que ela estava quando chegara na casa.

Percebeu que estava a alguns minutos mudando de canal, até que parou em um que parecia um filme. Era um filme. Mas foi aos comerciais logo quando ela virou. Resolveu esperar; quem sabe não valia a pena? E parece que valia, já que o título era "Como se fosse a primeira vez." Parecia interessante.

Estavam mostrando um vídeo para a garota loura. Depois de um tempo, foi percebendo que a história dessa 'Lucy' era parecida com a sua. Mas mil vezes pior. A memória curta dela não era convertida em memória longa e o seu problema era temporário.

Durante o filme passava muita propaganda, porém, não desistiu de ver. Ele era engraçadinho. Estava começando a simpatizar com os personagens e então, depois de um pique pega entre o casal eles se abraçaram e.. Não lembrava a palavra...

- Nada como um primeiro beijo! – Kagome pendeu a cabeça para o lado imaginando se era bom ou não esse primeiro beijo. Lucy tinha soltado uma risada gostosa depois disso.

Ela parecia muito feliz. Depois do beijo, sorria a vontade, sem que ninguém a rotulasse ou falasse qualquer coisa. Ela estava radiante. Kagome queria se sentir assim. Com a personagem do filme. Ficou vendo e perdeu a noção do tempo quando ele chegou ao fim. Queria mais. Mas, infelizmente as letrinhas começaram a subir.

Descobriu que o filme era baseado em fatos reais, então primeiro beijo existia! Levantou a mão até os pontos em sua cabeça. Podia dar certo. A garota era idêntica a ela.. Como a mesma história da memória. Queria tentar agora! Mas quem? Só Izayoi estava em casa e com certeza ela não a ajudaria.

Esperaria até a noite. Depois pensaria nisso. Quem sabe alguém não poderia ajudar?

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Já havia jantado. Já havia tomado seu banho e estava arrumada para dormir. Um outro badydoll como o de ontem, só que esse era branco com diversas borboletas. Ela ainda não tinha pensado em como ser feliz como a personagem daquele filme.

Mas, de acordo com Seshoumaru, ela estava mais sorridente. E ela teve a felicidade de contar que lembrou de algumas várias coisas. Não estava tão orgulhosa de si mesma porque.. O sonho foi tão estranho.. De repente aquele homem realmente tivesse sido o culpado por fazê-la lembrar..

Deitou na cama e abriu o caderno que Inuyasha deu. Ele estava no banho, mas já tinha visto o quanto ela escreveu no caderno. Não escreveu tudo, mas escreveu bastante. Sorriu para as folhas.

Agora já tinham muitas. Não só aquela com seu nome. Estava progredindo. Ouviu a porta se abrir e Inuyasha entrando para se acomodar na cama. Primeiro ele foi guardar sua toalha. Então, se sentou do lado que lhe pertencia. O colchão ainda estava ali.

- Inuyasha... – ela tinha acabado de ter uma idéia. Talvez, uma coisa boa. Não sabia. – Será que você pode tirar o colchão?

- Ahn?

- É... bem... hoje eu queria conversar um pouco com você. Se não se importar, é claro. – estava ajoelhada olhando para o colchão como se estivesse olhando para Inuyasha.

- E precisa tirar o colchão? – riu. – Você pode vir para o meu lado!

- Precisa! Nós vamos ter mais espaço! – ela ficou um pouco brava. – Se você não quiser, é só falar que não quer e pronto!

- Credo.. - ele ficou em silêncio, mas Kagome sabia que ele estava tirando o colchão. Principalmente porque colchões não voavam.

- Obrigada. – ela lhe deu um sorriso, quando voltou para a cama depois de retirar o colchão da cama e colocar no chão. – Bem... - ele ergueu a sobrancelha.

- E..?

- Hoje eu estava assistindo TV... e comecei a ver um filme. – ficou olhando o tempo todo para os olhos dele. – E a personagem principal estava muito feliz Inuyasha. Eu queria me sentir tão feliz quanto ela. – sorriu. – Só que... para ficar feliz, ela fez uma coisa.

- O que? - devolveu um olhar curioso para o dela. Ela não pedia mais para dar abraços, então.. Não fazia a mínima idéia do que era.

- Ahh... você pode me ajudar? – os olhos passavam o pedido de uma forma suplicante.

- Fala o que é, ué!

- Eu preciso que você diga sim... por favor! – piscou um pouco os olhos. Aquele poderia ter sido o feitiço. E é claro... a sua voz doce e um pouco rouca.

- Tá! O q..

Inuyasha parou de falar quando os delicados dedos de Kagome tocaram seu rosto. Ela ficou olhando um bom tempo dentro daquele mar dourado. Um mar que provavelmente queria se afogar. E então, ela foi aproximando seu rosto vagarosamente. Como se fosse errado o que iria fazer.

- O que... você.. vai fazer..? - pausadamente, as palavras saíram baixinhas.

- Eu só quero me sentir feliz... – sussurrou essas palavras calmas. Se aproximou mais até encerrar com o espaço que restava entre os dois encostando seus lábios um pouco frios nos quentes e convidativos de Inuyasha. Um beijo leve. Calmo.

As duas mãos que haviam parado do no ar, desceram devagar até a cintura dela e, o que era um toque, virou um abraço. Confessava que não esperava por essa vinda da parte da menina, mas era extremamente extaseante sentir a boca dela sobre a sua.

Ela foi parando com o beijo e ele não gostou muito. Lutou para a menina permanecer em seus braços, mas ela só continuou com os lábios sobre os dele alguns segundos a mais. Depois, ela se afastou sorrateira, ainda de olhos fechados.

- Obrigada por me fazer lembrar o que é ser feliz, Inuyasha. – sua voz, ainda doce como o beijo tinha sido o melhor dos doces para Inuyasha, sussurrou para o hanyou.

Soltou um sorriso. Era melhor do que no filme.. Era muito melhor do que no filme! O nariz fino dele encostou no seu e o sorriso aumentou.

- Onde..? De onde.. Tirou isso?

- Do filme... eu já te disse. – só agora abriu os olhos e respirou fundo. Estava confusa. Sentia um turbilhão de coisas ao mesmo tempo. Era inexplicável.

- Uhm... Você não pode fazer tudo que vê em filmes tá?

- Me desculpe. Só não... resisti. – murmurou a última palavra. Como ela não fazia questão de se soltar, não era ele quem iria soltá-la.

- Tudo bem..

- Você está muito bravo comigo, não é? – as safiras que eram seus olhos não desviavam de Inuyasha.

- Não! – riu leve.

- Devia estar... Eu fiz uma coisa errada. – abaixou a cabeça. – Afinal, eu não devia dar um beijo em alguém que já tem alguém com quem dar beijos.

- Ahn..? - tá. Essa realmente não entendeu.

- Você... – continuava com o rosto abaixado. – Já tem alguém para dar beijos.

- Não tenho não. – enroscou nos dedos uma mecha do cabelo dela antes de botá-la no lugar.

- Claro que tem... aquela... aquela... que veio aqui naquele dia... K-ki-... eu não lembro. – balançou a cabeça em sinal de confusão.

- Ela é só uma amiga que eu conheço há muuuito tempo.. - riu baixo pra tentar descontraí-la.

- Não parecia... ela é alta, linda, engraçada, divertida. – ergueu os olhos de novo. Tinha dito tudo o que pensou naquela noite.

- Acredite, você é muito mais engraçada com esse seu jeito de criança do que as histórias que ela conta da infância. É muito mais bonito ver os seus olhos azuis do que os castanhos dela. E eu prefiro você baixinha.. Parece uma boneca.

Kagome não agüentou e soltou um sorriso lindo. Ele estava falando aquilo para ela. Ele.

- Obrigada. – se ela tivesse com um espelho em mãos, poderia ter visto seu rosto corado.

- Keh!

- Você precisa dormir, não é? E eu aqui... – mesmo contra sua vontade ela vou retirando suas mãos do ombro dele. Mas antes, ela as passou calmamente no rosto do hanyou.

Ele deu de ombros.

- Eu não preciso dormir muito.

- Mas eu estou atrapalhando de qualquer jeito. – sorriu. – Boa noite. – apesar do "Boa Noite", sequer se mexeu.

- Boa noite..!

Deitou sua cabeça no peito dele, como se quisesse um abraço. E ele entendeu, passando os braços em volta dela. Mal percebeu quando dormiu ali. Nos braços dele.

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Nhaiii pessoinhas! Tudo baum?? Pois é... eu estou MUITO feliz. Sei lá... não era para eu estar, graças a incrível viagem que eu tive, com direito a ficar empolada graças aos mosquitos, um raio cair em cima de mim, um canivete assassino quase arrancar meu dedo, e um enfermeiro tarado na cantando enquanto eu estava doente levando uma injeção pelos mosquitos citados acima. Mas.... nadaaaa vai me abalar! Afinal, 2008 está acabando e eu estou junto, porque estou dando uma geral em casa. Limpeza... exatamente agora, enquanto falo com vocês, caros leitores que eu amo. E quem disse que eu não deixo de ser feliz? Hein? Sacanagem... hauhauhauhauauah

Três fics juntas e a gente ainda tem IDÉIA para mais. Estamos escrevendo outra fic, que será postada quando acabarmos pelo menos de postar uma, se não a gente não dá conta, sabe como é. Escreve, escreve e esquece de postar, e acaba levando bofetadas e esporro dos leitores! *Aline dá um sorriso sem graça*

Eu queria desejar mesmo para todos vocês um ótimo ano novo, com tuuudo de muito bom, e que papai do céu nos proteja de tudo e que nos dê mais idéias ainda para mais fics loucas e que vocês possam gostar delas!! Adoro muito todos vocês!

Beijos imensosss!

Aline Higurashi

Respostas das Reviews:

Nane-chan: Eiii! Mas um capítulo! xD Séério? Caps grandes são os melhores, ainda bem..! Porque a maioria dos nossos caps são assim! =D Tem vezes que eu tenho que lembrar a Aline pra parar de escrever, a gente não consegue parar de escrever! Haeuhueahuhea, bjiin Nane! Agradecida estamos nós! Kaori-sann

Agome-chan: \o/ Weeeeeeeeee!! Você gosta das nossas fics! *--* É, ela perdeu tudo, tadiiinha.. ú.u E o pior é que a izayoi não vai melhorar... Antipática a mãe do Inu! Hueahuhaeuea, mas fala sério, quem precisa da Izayoi quando tem o Inuzão e um seshy bem na tua cola? Bem, eu não preciso dela não! xD Cara, você não tem noção de como euf iquei quando você disse que não tem como não ler as nossas fics! *---* Heauhuaehuaeea, continueM logo! xP Bjooks! Kaori-sann

LeticiaM: Sim, sim! Muitos mistérios! Hauhuahua, esse é a nossa primeira fic dramática.. Porque, eu AMO escrever comédia! Não tem nada melhor! xD E é mesmo! Kagome não tem muito do que reclamar não! Casa, comida, uns enfermeiros lindos de prontão! Huaehuea, teve um jogo que eu vi um médico liiindo ali.. Hauhuauha, muito engraçado, as meninas falando que queriam se machucar! xD Bjiin Lelii! Kaori-sann