O que se quer?

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem...

...Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso nada é inteiro
.

(Fernando Pessoa. Nevoeiro)

Um som, distante e repetitivo, foi o que despertou a mulher loira deitada na cama. Ainda nessa posição, ela passou a mão pelo rosto e cabelo, olhando para o teto. Tentava lembrar onde estava. Sentou-se na cama e mirou suas pernas, mas não conseguiu enxergá-las, já que uma longa camisola cor-de-rosa as cobriam.

"Ah! Sim..." Foi o pensamento que lhe veio ao olhar a camisola. E escutando mais atentamente, ela pode reconhecer o som que lhe acordara: era de água caindo. O estranho homem devia estar no banho.

Saiu do quarto. Na verdade, a mulher loira estava em busca de comida. Viu-se em um pequeno corredor, seguiu para a direita e alguns passos depois estava numa pequena e branca cozinha, com uma magnífica mesa posta. "Só resta saber se é boa comida, nem sempre comida de hotel é boa."

Pegou uma maçã, mas a soltou repentinamente, com o susto que levou quando o estranho homem apareceu a sua frente, aparentemente do nada.

- Com fome? Podes pegar o que quiser. - foi o que Draco falou, sentando na cadeira de ferro.

Ela pegou novamente a maçã e se sentou na pia.

- Tens um nome? - Draco perguntou.

- O meu nome está em qualquer veículo que você usou para me contratar. - ela respondeu.

- Um verdadeiro nome? - o loiro perguntou novamente.

- Precisas de um nome? Não vejo necessidade disso. - ela respondeu mordendo a maçã. – Na verdade... – ela desceu da pia e caminhou até ele. – Nada é preciso. – a loira se sentou de pernas abertas no colo dele e lhe sussurrou ao ouvido. – Muito menos um nome.

Ele a afastou delicadamente.

- Estou atrasado para o trabalho. – foi o que disse. – Quanto lhe devo? – perguntou.

- 1650 euros. – ela falou já em pé.

Draco foi até o cofre que tinha no seu quarto, pegou o dinheiro e voltou à cozinha entregando o dinheiro para a mulher. Esta, já com o dinheiro, seguiu para o quarto. Chegava ao fim mais uma "noite" de trabalho.

- Não marque nada pra hoje, vou precisar de você novamente. - ele disse.

Ela concordou com a cabeça.


- Guten Morgen, Bertha! - ela cumprimentou sua amiga.

- Guten Morgen, Adela. - Bertha respondeu. - Seu banho já esta pronto.

- Danke. – agradeceu, indo para o banheiro.

Relaxando na banheira de água quente e deixando que aquela sensação de conforto se espalhasse por seu corpo, Adela pensava na incomum situação da noite anterior. Aquele cliente havia pagado muito, mas não fizera nada. Na verdade, não absolutamente nada, mas era, de certa forma, intrigante e estranho ela não ter que fazer sexo com ele.

Mas, não era só isso que lhe era estranho. Havia, também, uma sensação que a acompanhava: a impressão de que ele não lhe era desconhecido, mas não sabia se era por conhecê-lo ou por ele ser parecido com alguém que, talvez, ela conhecesse e não quisesse lembrar.

- Adela? - disse Bertha lhe tirando dos pensamentos.

- Sim?

- Um cliente ligou...

- Dispense todos hoje, por favor. Eu já tenho compromisso. - foi o que ela respondeu.

- Ja. (Sim.)


Então, o mesmo som da noite anterior, aquele que fez Draco Malfoy não sentir nada, repetiu-se. O "Ding dong" da campainha, retornou a acontecer e o loiro se levantou para abrir a porta.

Lá estava ela novamente. Ele deu um passo ao lado, dando passagem. Ela entrou e, como se dissipasse frescor, seu perfume se espalhou pela passagem. Doce, apenas isso, doce.

Ele sentou no sofá e ela no bar, um de frente para o outro. A loira deixou a bolsa no balcão, ajoelhou-se na frente dele e começou a tirar-lhe os sapatos.

- Pode parar. – ele disse de forma imperativa.

Ela o encarou.

- Hoje, nós vamos sair. – ele deixou o copo de wisky no criado mudo e a pegando pelo braço, levantou-a como se erguesse uma pluma.

Ela o acompanhou e quando Draco abriu a porta do apartamento, tocou com a mão, ainda gelada do copo, na costa de Adela, conduzindo-a. Aquele sutil toque em sua costa desencadeou uma onda de arrepios, que foi percorrendo seu corpo. Ela tentou não se importar com aquela sensação, continuou a andar na direção do elevador, mas em todo esse percurso, continuou sentindo a gelada mão dele em sua costa.

Saíram pelo saguão do hotel e no lado de fora, um manobrista esperava com um carro na porta.

Se pararmos um pouco e olharmos o, talvez, insignificante manobrista, veríamos que este mirrado garoto, ficou estático. Ele talvez já tivesse visto mulheres mais bonitas que aquela dama loira que se apresentava a sua frente. É claro que ele já havia visto... mas nunca pessoalmente.

Ela era de uma beleza comum: loira, com pequenos olhos azuis, assim como ele. Mas, qualquer um poderia notar que ela possuía algo diferente. Esta parecia deslizar em sua direção, e aquele vestido preto, parecia ir se desmanchando enquanto ela deslizava. O cabelo loiro era tão iluminado que, talvez, até na completa escuridão, ele irradiasse luz.

- Danke. – Draco respondeu ao jovem que lhe oferecia a chave.

Por um instante, o loiro reparou que o rapaz parecia apático e tinha toda sua concentração no rosto da mulher que lhe acompanhava. Ele sorriu mentalmente. "Por 150 euros ela faz o que você quiser." Foi o pensamento que lhe ocorreu.

Adela percebeu os olhares do manobrista apenas quando este lhe abriu gentilmente a porta. Ele aparentava ter 17 anos, era loiro com belos olhos-azuis. Ela sorriu amistosamente para aquele gentil menino, que se enrubesceu desviando o olhar para o chão.

Entrou no carro.

- Então, você é alemã? – Draco perguntou, enquanto dirigia.

- Sim. – ela respondeu. – E você?

- Não, sou inglês. – ele respondeu.

Ela arregalou os olhos.

- Jurava que também eras alemão. – foi o que ela respondeu;

- No, no darling. I´m British and I hate the Germany's traffic. – ele se queixou do engarrafamento.

- Yes, it's horrible. – ela respondeu.

- So, do you speak english? – ele a olhou meio espantado, não tinha nem noção de que prostitutas possuíam mais de uma língua.

- Sure, and french too. – ela respondeu.

- Nunca foi à Inglaterra? – ele perguntou.

Ela começava a achar estranho aquele questionamento.

- Não, e não tenho vontade de ir. – ela respondeu.

- Não sabes o que está perdendo, a Inglaterra é maravilhosa.

- Imagino... - ela sibilou melancolicamente.

- E um nome? Tens? – ele perguntou novamente.

- Aposto que Herman, também, não é o seu nome. – ela respondeu, querendo simplesmente acabar com aquele assunto.

- Cada um com seus segredos. – Draco disse.

- Não é uma questão de segredo, a profissão exige. – ela respondeu.

- Ok. Fraülein (Senhora) Kribelin, - ele disse de maneira irônica.

Chegaram, finalmente, em uma boate. Não precisaram entrar na fila, Draco apenas olhou para o segurança, que lhe abriu o caminho. Lá dentro, Draco a conduziu até o bar.

- Espere aqui. Eu já volto. - Draco falou, retirando-se.

Ela concordou com a cabeça.

- Alguma coisa pra beber? - perguntou o bar-men.

- Não, obrigada. – Adela respondeu.

O tempo passou, e quando a loira olhou o relógio: "Uma hora! Uma hora! E eu aqui esperando!" Ela pensava, começando a ficar transtornada. Olhou ao redor e tentou achá-lo, mas ele não parecia estar em lugar algum.

"Uma hora e meia!" Adela pensava. Um transtorno, agora ainda maior, subia-lhe a cabeça. "As pessoas acham que porque me pagam, eu sou obrigada a agüentar ficar sentada uma hora e meia em um bar!"

"Uma hora e quarenta e cinco..." Já olhava com desesperança para o relógio.

"Duas horas..."

- Posso lhe pagar uma bebida? - perguntou um belo homem que sentou ao seu lado.

Ela se assuntou.

- Claro. - respondeu. Não era do seu feitio aceitar qualquer coisa de outra pessoa quando estava em serviço, mas aquele sumiço de seu cliente estranho havia a deixado muito irritada.

- Uma marguerita, por favor. - ele pediu ao bar-men. - E você? - ele perguntou.

- O que você tiver de mais forte. - ela respondeu.


Adela ria exageradamente da história que Henry lhe contava.

- Mais um? - perguntou o bar-men.

- Com certeza. - ela respondeu.

- Mas, você ainda não me respondeu o que está fazendo sozinha aqui? - Henry perguntou.

- Na verdade... eu não estou sozinha. - ela respondeu. - Algum babaca me esqueceu aqui plantada.

- Sorte a minha então. - ele disse passando a mão no rosto dela.

Ela sorriu de canto.

- Vamos dançarrrr!!!! - Adela disse dando um salto da cadeira e puxando o homem.

Oh snap, oh snap, oh snap (Oh droga! Oh droga! Oh droga!)

Hey, are you ready for this?(Ei, você está pronto para isso?)

You see... Fergie (Veja... Fergie)

Ok! (Ok!)

When I come to the clubs, step aside (Quando eu chegar nas boates, afastem-se)

Pop the seeds, don't be hating me in the line (Podem explodir, mas não me odeiem na fila)

V.I.P because you know I gotta shine (Sou VIP, porque você sabe que eu tenho que brilhar)

I'm Fergie Ferg (Eu sou Fergie Ferg)

Give me love you long time (Me dê amor por muito tempo)

A loira o levou até o meio da pista de dança e acompanhando o ritmo vagaroso e sensual da música, sendo também levada pela tequila que havia bebido, encostou seu corpo ao dele, que a agarrou pela cintura e começou a beijar seu pescoço, enquanto ela rebolava, deixando-o louco.

All my girls get down on the floor (Todas as minhas amigas estão na pista)

Back to back drop it down real low (De costas rebolando até o chão)

I'm such a lady but I'm dancing like a ho (Eu dou uma dama, mas estou dançando como uma vadia).

Because you know what, I don't give a fuck (Porque, sabe, eu não dou a mínima)

So here we go! (Então vamos lá!).

De costas e rebolando, Adela continuava a se esfregar naquele homem, dançando de forma altamente vulgar. Acabou por dar alguns passos à frente, e subir em uma mesa e, não perdendo o contato visual com Henry, ela continuava a provocá-lo.

Quando começou a dançar, em cima da mesa, boa parte da boate se virou para ela e, exclusivamente, a parte masculina gritou.

- Ok, eu lhe ligo. - Disse Draco saindo de uma sala.

When I come to the clubs, step aside......(Quando eu chegar nas boates, afastem-se).

A música era alta e Draco foi até o bar à procura de Kribelin, porém não a encontrou. "Onde ela está?"

Pop the seeds, don't be hating me in the line... (Podem explodir, mas não me odeiem na fila).

- Licença. Por acaso você viu uma mulher loira por aqui? - perguntou ao Bar-men.

..V.I.P because you know I gotta shine... (Sou VIP, porque você sabe que eu tenho que brilhar).

- Sim, sim...

I'm Fergie Ferg....Give me love you long time...(Eu sou Fergie Ferg/ Me dê amor por muito tempo)

- Ela está ali. - ele apontou para a pista de dança e Draco a viu, dançando vulgarmente em cima da mesa.

All my girls get down on the floor.....(Todas as minhas amigas estão na pista).

Adela dançava como se estivesse em outra dimensão. Os homens, que se aglomeraram em vota dela, davam-lhe tapas nas pernas e na bunda e ela rebolava mais, pouco se importando, parecia até gostar... Olhou para um deles e o puxou pelo braço, trazendo para cima da mesa também.

Back to back drop it down real low.... (De costas rebolando até o chão)

Draco empurrava todos a sua frente, não estava nada contente com o que via, e gostou menos ainda quando a viu puxar um homem para cima da mesa. Empurrou algumas pessoas e a puxou pelas pernas.

...I'm such a lady but I'm dancing like a ho... (Eu sou uma dama, mas estou dançando como uma vadia).

Adela sentiu ser puxada, e olhou para quem fazia isso. Não houve tempo, ele a colocou nos ombros e saiu dali. Ninguém ousou impedir aquele homem, grande e furioso, de fazer o que queria.

- ME SOLTAAA! - ela gritava batendo em suas costas, aquela posição de cabeça pra baixo, estava lhe deixando enjoada.

Ele a pôs no chão da calçada, onde não havia ninguém passando.

- O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTAVA FAZENDO? - ele gritou.

- ESTAVA DANÇANDO! - ela respondeu gritando também.

- DANÇANDO? EU PEDI PRA VOCÊ ESPERAR NO BAR! - ele retrucou. - ALÉM DO MAIS, EU ESTOU PAGANDO, ENTÃO É BOM ME OBEDERCER.

- VOCÊ NÃO É MEU DONO, PORQUE ME PAGA! - ela disse para ele, mas começou a se sentir mal e correu para o lixeiro mais próximo, vomitando.

Draco parou um segundo e pensou no que havia escutado e foi até ela.

- Você está bem? - perguntou, estendendo-lhe um lenço.

Ela pegou e se limpou.

- Quer saber? Eu não preciso do seu dinheiro. - largou o lenço e andou até a esquina, parando ali.

Draco ficou observando. "O que ela quer?"

Um carro parou depois de um cinco minutos, baixando o vidro. Ela se curvou e começou a conversar.

- Precisa de companhia? - ela perguntou ao homem dentro do carro.

Draco, um pouco distante, observava tudo incrédulo. Pôs-se a ir ao encontro dela, quando chegou puxou-a pelo braço.

- O que você está fazendo? - ele perguntou.

- O que você acha? Conseguindo dinheiro! Como você acha que eu comecei? - ela lhe encarou.

Ele parou e a fitou por uns segundos, depois voltou a arrastá-la em direção ao seu carro.

- Entra no carro. - ele falou, quando chegaram onde o carro estava estacionado.

- Não entro! - ela respondeu.

Ele abriu a porta de trás e a empurrou para dentro com força. Depois entrou e começou a dirigir.

- Para com esse carro! Eu quero descer. - ela batia no banco que ele estava sentado.

-Você está bêbada e passando mal, eu não vou parar porra nenhuma, então fique quieta que eu vou a uma farmácia comprar um remédio. – Draco falou calmamente.

- Eu não preciso da sua ajuda! - ela gritou, mas logo outro ataque de enjôo a pegou.

"Vomitou no carro, que maravilha..." Ele pensou.

- Pronto. Agora fique quieta. - ele falou.


Ele estacionou em sua vaga na garagem do hotel, pegou a sacola de remédios e se virou para olhá-la: Adela estava dormindo. Delicadamente, ele a pegou e a carregou, não queria acordá-la, não agora.

Chegando ao apartamento, ele a deitou na cama, sentou ao seu lado e começou a olhá-la. Deitada ali, dormindo, com os longos cabelos loiros bagunçados e alguns fios lhe caindo ao rosto, ela tinha uma aparência de ninfa, sim, uma bela ninfa. As feições delicadas que Draco só vira antes em sua mãe, agora lhe apareciam naquela mulher deitada na sua cama. O nariz fino, a boca pequena e rosada, e algumas sardas, pequenas e claras no rosto, e outras espalhadas pelos ombros, mas ele tinha a impressão de que elas não combinavam com o todo, aquelas sardas não combinavam.

Ela abriu os olhos, eram azuis, sim, suas feições e, principalmente, seu cabelo loiro lhe lembravam vagamente sua mãe, Narcisa Malfoy, e uma melancolia tomou conta de Draco.

- Tome o remédio. - ele lhe estendeu uma pílula e depois um copo com água.

Ela se sentou na cama e tomou. Depois disso, foi até o banheiro, limpou-se e voltou para o quarto. Lá estava o estranho homem deitado e ao seu lado a camisola que ela vestira na noite passada. Tirou o vestido e colocou a camisola, deitando ao lado dele e como na noite anterior ele se abrigou nela.


Acordou e olhou para o relógio, 4 horas da tarde! Levantou-se depressa, mas uma pontada na cabeça e desequilíbrio a fez voltar pra cama.

- Boa tarde. - ele entrou no quarto lhe esticando uma caneca. - Tome, vai ajudar a você se sentir melhor.

Ela o olhou apreensiva, e flashes vieram do ocorrido na noite passada, Ela preferia não ter que se lembrar do que aconteceu. Voltou para a caneca e tomou, aquilo era muito ruim, devia ser algum chá maldito que ela tanto odiava.

Ele sentou na escrivaninha esquerda e começou a trabalhar em seu notebook. E ela observava de canto de olho.

Deixou a caneca no criado mudo, e engatinhou até o outro lado da cama, ficando perto dele.

- Me desculpe por ontem, eu me excedi. - ela falou. - Eu não costumo a fazer aquilo, afinal, você está me pagando.

- É, acho bom você se desculpar e, também, acho bom você lembrar que eu lhe pago. – ele respondeu sem desviar o olhar da tela do notebook.

Se tinha uma coisa que ela odiava era aquilo, odiava ter que simplesmente aceitar aquela humilhação, odiava aquela insistência em: "Pago-lhe, seja minha escrava." Mas, infelizmente ela precisava do dinheiro e tinha que suportar toda hora esse tipo de insinuação.

-Tenho uma proposta pra você. - começou Draco.

- Sim, sou toda ouvidos.

- Quero que fique a semana inteira comigo. - ele falou. – Que passe o dia inteiro aqui.

- Não posso. - ela respondeu rapidamente.

- Por quê? - ele perguntou.

- Porque eu tenho compromissos. - ela falou.

- Eu pago bem. - ele retrucou.

- Não há como. – ela continuou.

- Ok, se você prefere assim. – ele deu com os ombros.


- Adela! Adela! - Bertha vinha até ela assustada.

- O que foi, Bertha? – a loira perguntou.

- Você não sabe o que aconteceu. Ontem a noite quando eu cheguei, Fraülein Aurich me disse que um senhor veio a nossa procura...

Adela percebeu na hora do que Bertha falava. Sua feição tornou-se séria, levou a mão à testa com extrema preocupação, tentou se manter o mais calma possível, para poder pensar melhor.

- Ele nos achou, Adela, ele nos achou! - disse Bertha. - O que nós vamos fazer? O que nós vamos fazer?

- Calma, René, calma. - disse Adela.

- Não, esse nome não! - disse Bertha.

Adela e Bertha não se conheceram na Alemanha, mas foi ali que começaram uma nova vida. Quando se conheceram, não possuíam esses nomes e muito menos os visuais recentes. Quando as duas amigas se conheceram, eram Marie e René, duas jovens perdidas por Paris, sem saber o que fazer da vida.

- Vamos ter que ir embora o mais rápido possível. – disse Adela. – Onde estão os passaportes italianos? – perguntou.

- Guardados no cofre. – a outra respondeu.

- Ok. Então, hoje você pega o primeiro vôo pra Itália. – ela parou e abriu a bolsa. – Tome esse dinheiro. – ela entregou o que havia recebido minutos antes. – Deve ser o suficiente para ficar sem preocupação em Roma.

- E você, Marie? – perguntou a morena.

- Eu vou ficar aqui e conseguir mais dinheiro pra nós recomeçarmos na Itália. – ela falou.

- Não, você não pode ficar aqui! E se ele lhe achar? – ela perguntou angustiada.

- Eu não vou ficar aqui, eu vou passar a semana com um cliente, ele vai pagar bem e esse dinheiro vai ser bom para nós. – ela falou. – Agora, vamos arrumar nossas coisas, pagar Fraülein Aurich e ir ao aeroporto. – finalizou Adela.


Adela desceu do táxi na frente do hotel que havia visitado nas últimas duas noites, segurando sua mala.

Ela foi até a recepção.

- Herr (Senhor) Herman, por favor. – ela disse.

O recepcionista ligou.

- Ninguém atende. – ele respondeu. – Fräulein deseja deixar algum recado?

- Poderia verificar se ele saiu ou está apenas dormindo? – ela pediu educadamente.

- Sim, claro. – ele pegou novamente o telefone e ligou para o ramal da garagem.

- Herr Herman está ausente. – ele respondeu.

- Vou aguardar então. – foi o que Adela decidiu.

E aguardou por muito tempo...

- Fräulein, Fräulein. – uma voz a acordou.

A loira abriu os olhos rapidamente, havia adormecido o esperando.

- Sim? – ela perguntou.

- Fräulein tem certeza que deseja continuar esperando? – ele perguntou.

Não foi necessária uma resposta. Entrando pelo saguão, o "Herman" vinha sorridente, sendo praticamente carregado por outra mulher.

Adela levantou e foi até eles, parando-os no meio do saguão. Observou seu antigo cliente, ele sibilava coisas desconexas, a mulher que o carregava devia ser a nova prostituta contratada. Ela arqueou a sobrancelha, infelizmente, a outra não conseguiria cumprir o acordo, já que aquele dinheiro lhe pertenceria.

- O que significa esta cena? – ela perguntou cruzando os braços e batendo os pés. – Quem é você? – ela a encarou.

- É... – ela começou.

- Não precisa responder, eu imagino quem você seja. – ela mediu a mulher dos pés a cabeça.

- Quem é você? – ela perguntou.

- Sou irmã dele. – foi o que lhe respondeu.

A mulher não ousou contestar, ela era tão loira quanto ele e possuía o mesmo porte e aparência refinada.

Ela abriu a bolsa e lhe deu dinheiro.

- Agora vá. – ela disse.

- Mas...

- Você é surda? – ela perguntou encarando ferozmente a mulher morena.

A outra apenas virou e saiu.

- Poderia me ajudar? – ela perguntou para o recepcionista, segurando o pesado homem loiro.

- Claro. – respondeu.

Quando foi posto na cama, Draco adormeceu instantaneamente. Adela olhou, respirou fundo, tirou-lhe os sapatos e com muito sacrifício a camisa. "Belo homem você, heim." Ela pensou discretamente.


Draco abriu os olhos, levantou-se rápido e sua cabeça girou. Estava em seu quarto, mas como chegara até ali? Não houve tempo para pensar, um enjôo lhe veio do estomago e correu para o banheiro, passando por cima da loira deitada ao seu lado.

Assustada, Adela se levantou e o seguiu até o banheiro.

Agora era ele quem vomitava.

Quando acabou, ele se sentou no chão e encostou a cabeça na parede olhando pra cima.

Adela entrou no banheiro e lhe ofereceu o remédio que ele havia lhe dado na outra noite.

Ele aceitou.

- O que você está fazendo aqui? – ele perguntou, levantando-se e indo a pia se lavar.

- Eu resolvi aceitar a proposta. – foi o que ela respondeu.

Ele a encarou.

- Que eu me lembre você havia recusado e eu tinha contratado outra. – ele lhe lançou um olhar esnobe.

- Bom, a outra que você contratou lhe deixou no saguão e foi embora com sua carteira. – ela cruzou os braços e lhe olhou desafiadora.

- Duvido muito. Minha carteira não tinha nem a metade do dinheiro que havíamos combinado. – ele retrucou.

- É a verdade. – ela disse como se não se importasse com que ele pensasse. – E agora você tem a mim.

- E como você vai me convencer a aceitá-la de volta?– ele a desafiou.

Ela pousou suas mãos no peito dele, aproximou sua boca e encostou seus lábios no ombro dele, espalhando beijos sobre sua pele. Draco fechou os olhos e aproveitou tal sensação, aproveitou o contato da suave boca dela em sua pele, e o avassalador arrepiar que isso lhe causava, aproveitou quando as mãos dela começaram a descer por seu tórax e lhe submeter a uma respiração mais rarefeita, e despertou quando essas mesmas mãos ultrapassaram o limite.

Ele apertou seus braços e a prensou contra a porta, em um movimento rápido e brusco.

Eles se olharam.

O homem loiro foi se aproximando lentamente e, ao final, apenas o corpo dele a prensava contra a porta. Ela podia sentir cada músculo dele no corpo dela. Ele pousou sua testa na de Adela, que sentia o hálito quente dele invadir seu pescoço. Ele lhe tocou a face delicadamente, e depois passou a tocar-lhe os lábios, Adela abriu um pouco a boca e ele continuou a passar os dedos por ela.

Ele estava muito próximo, em todos aqueles anos ela nunca quis beijar um cliente, mas naquele momento, aquele homem parecia querer que ela desejasse um beijo dele e se era isso que ele queria, estava conseguindo.

Ele roçou seu nariz no dela e seus lábios ficaram a milímetros de distância, não era necessário nem mesmo um passo para que se encostassem. Os dedos dele ainda permaneciam estáticos no mesmo lugar, o único movimento que existia entre os dois era o do respirar. Com o olhar focado nos lábios dele, ela sentiu aquela onda de desejo tomar seu corpo, sim, ela queria beijá-lo e como queria. Moveu-se para isso. Mas, antes que ela pudesse chegar a concretizar esse movimento, ele se afastou.

- Ok. Você pode ficar, afinal, são todas iguais mesmo. – ele disse voltando para cama.

Ela não soube dizer quanto tempo ficou olhando ele, simplesmente, deixá-la ali e ir se deitar. Só soube dizer que a sensação de calor ainda permanecia em seu corpo e ele estava deitado, deitado e provavelmente com vontade de dormir. "Afinal, o que aquele doente queria? O que ele queria?"

Draco virou de lado e a olhou ali, parada no banheiro.

- Você não vai se deitar? – ele perguntou.

Ela, como se nunca tivesse tido vontade própria e altamente abalada, obedeceu. Ele se aproximou e, como nas noites anteriores, adormeceu. E ela ficou acordada, tentando, em vão, achar uma explicação para aquilo.


N/A: Bom, primeiro quero agradecer pelas reviews.... Obrigada Thaty, Musa-Sama, Marielou, Lolita Malfoy e também Kelly Malfoy e Kelly suas perguntas serão respondidas mais a frente, pode deixar que absolutamente tudo nesta fic tem uma explicação... Valeu gente!!

Esse capítulo me deu muito trabalho, muuuuiiito mesmo. Escrevi um que não ficou nada bom, depois escrevi esse que pra mim ficou bem melhor. Obrigada pela paciência e espero que vocês gostem do capítulo. Críticas? Idéias? Elogios? Reviewsss plissssssss! Façam uma autora feliz!!! xD