O Desejo de Citereia

Vejo as duas vidas que tu olhas; e
das duas não sei qual escolher. Tiro-te
do espelho; e à minha frente és
o reflexo que imagino, num pedaço
de realidade. Mas se tento tocar-te,
é o vidro que me impede de passar
para onde estás, e de onde me chamas,
num eco de desejo.

Pudesse eu partir o espelho,
e ver em cada estilhaço os fragmentos
de vida em que nos encontramos! Ou
colar ao vidro a minha boca, e encontrar
úmidos os teus lábios! Porém,
nada desvia a tua atenção; e
no rosto que olhas vês o rosto
que o vê, pensando em todos aqueles
que te hão-de ver.

by Nuno Júdice

(Inspirado no quadro espelho de Vênus de Velásquez)

Aquele estágio de total dormência, no qual não se sabe em que ponto deixamos de estar acordados, este preciso estágio, Adela não chegou a alcançar aquela noite. Perturbava-lhe a lembrança do que havia ocorrido anteriormente, e o principal, perturbava-lhe estar perturbada.

Não havia mais sentido pedir a clemência de Onírus (deus do sono) aquela noite, então, resolveu se levantar. Delicadamente retirou o braço de Herr. Herman de sua cintura, esperou um pouco, ele não acordou, então ela saiu do quarto.

Descobriu que não era mais noite e sim que os primeiros fracos raios de sol tentavam iluminar as ruas de Berlim. Abriu a porta da sacada e ficou a olhar o tímido alvorecer do dia germânico. Ali, sentindo a frieza das grades de ferro em sua pele, admirava o belo portão de Brandeburgo. Para Adela, não havia nenhum monumento tão imponente e que inspirasse tanto poder do que aquele majestoso portão, nem a torre Eiffel, o arco do triunfo ou sequer o Big Ben e as Stonerengs lhe traziam aquela languidez. Seguindo este raciocínio, lembrou da primeira vez que o tinha visto, deveria ter sido há quase um ano e meio e como ela e René, ficaram sem palavras.

"René... Tomara que ela esteja bem na Itália, amanhã ela me ligará, quer dizer, hoje com absoluta certeza ela me ligará". Pensou.

Lembrou também da decisão de retirar a responsabilidade da amiga de qualquer trabalho. Ela sozinha enfrentaria a prostituição na Alemanha, não queria que René tivesse que passar novamente por aquilo, pois ela era apenas uma menina, e Adela se compadeceu do destino de René. "Há pessoas que não conseguem se libertar de suas próprias correntes, não obstante, conseguem libertar os amigos". Entendeu o que essa frase que havia lido há muito tempo significava, havia entendido naquele momento.

A fome foi o que a fez sair da sacada e ligar para o serviço de quarto.

Sentou-se em uma cadeira e esperou até que o café-da-manhã chegasse.

Mas aquela sensação de perturbação não lhe deixava em paz. "Afinal, o que eu estou fazendo aqui? Devo estar me perguntando isso pela milésima vez. Mas, por que isso me importa? Estando eu recebendo, absolutamente nada importa".

Não, não era a questão de incerteza do que seu cliente queria que a deixava inquieta. O que estava lhe deixando daquele jeito era ela ter quase o beijado. Era incompreensível em sua mente tentar achar uma explicação para tal ato. O seu grande receio era de que Herr. Herman tivesse notado esse momento de fraqueza, esse lampejo de vontade nela, tinha medo do que esse conhecimento poderia ocasionar.

A campainha tocou.

Já com a mesa posta, e a admirar o sol que vagarosamente nascia, ela voltou a se questionar, mas não sobre o que aconteceu, mas sim sobre como iria se portar dali pra frente. "Aparentemente, ele não quer sexo, então eu vou parar de me insinuar, vou fazer exatamente o que ele ordenar e daqui a quatro dias sair com o dinheiro para poder me sustentar na Itália". Foi o que a loira decidiu.

Logo depois, Draco acordou e se dirigiu até a mesa de café-da-manhã posta desta vez na sala. Com o celular na mão e cara de poucos amigos, ele se jogou na cadeira a frente de Adela.

- Sente-se bem? – ela perguntou.

Ele demorou a responder, parecendo que doía-lhe até falar naquele instante.

- Com muita dor de cabeça e demais de enjôo. – ele respondeu.

- Você tomou o remédio? – ela perguntou.

Ele balançou a cabeça negativamente, evitando falar.

- Quer que eu o pegue? – ela perguntou novamente.

Ele afirmou.

"Trimm, trimm, trimm" Começou um barulho dentro da mente de Draco, piorando sua dor de cabeça. Olhou para os lados, sacudiu-se tentando acabar com aquele zumbido estranho, porém logo depois ele percebeu que não era de dentro de sua cabeça que aquele barulho vinha, era da bolsa de Kribelein. Querendo que aquele barulho insuportável parasse, ele abriu a bolsa e pegou o celular e atendeu.

- Marie, Marie onde você está? – perguntava uma voz feminina do outro lado da linha, a ligação estava péssima. – Você precisa vir pra cá rápido, Jean Pierre está querendo lhe ver urgente.

Ouvindo que ela se aproximava, Draco rapidamente fez um feitiço e tudo voltou ao seu lugar.

- Está aqui. – ela lhe estendeu um copo e dois comprimidos.

Ele aceitou sem falar nada. "Ela é Marie? Quem será Jean Pierre?". Ele começou a se perguntar.

Ela se sentou a sua frente na mesa, e o loiro se pôs a observá-la sutilmente. Olhava de canto de olho para ela, não queria demonstrar qualquer alteração em seu comportamento, ao contrario, ela perceberia a centelha de curiosidade que se instalou nele.

- Dormiu bem? – ele perguntou depois de tomar as pílulas.

- Perfeitamente. – ela respondeu tentando ao máximo fazer com que ele acreditasse.

"Será mesmo?" Ele se perguntou "Afinal, quando eu acordei já eram quase 04h30min e ela já não estava mais na cama. Duvido muito que tenha dormido tão bem quanto aparenta". Ele concluiu.

Adela percebeu que seu cliente estava lhe encarando, resolveu lhe encarar também.

Ambos se olhando, Draco sutilmente tentou invadir a mente dela, mas quando estava quase conseguindo...

"Trimm, trimm, trimm"

- Você pode passar a minha bolsa? – ela pediu calmamente.

Ele lhe fez o favor, mas o jogo de olhares não se encerrou, passou a bolsa olhando profundamente para ela, e ela com o pescoço um pouco elevado, também lhe encarava. Parecia que algo realmente sério estava prestes a acontecer, havia aquele silencio, quebrado apenas pelo toque do celular. Por segundos que pareceram se desintegrar com lentidão, ele e ela ficaram segurando a bolsa e se olhando. Na verdade, ele ainda tentava invadir-lhe a mente, porém o contato visual foi perdido e Adela atendeu o celular.

- Alô. – ela disse.

- Marie, caiu a outra ligação. - "Que outra ligação?" ela pensou instantaneamente. – Você precisa vir rápido pra cá, Jean Pierre quer falar com você.

Draco continuou a observá-la, ela não mudava a expressão, continuava calma, como se do outro lado da linha ninguém falasse.

- Estou no hotel La belle Itália. Quarto 13... – Adela reparou que a ligação havia caído.

Ela guardou o celular sem falar nada ou sequer mostrar um sentimento de preocupação, Draco achou aquilo curioso, já que a mulher do outro lado da linha parecia extremamente abalada, e talvez beirando o desespero.

"Jean Pierre, o que ele quer comigo?". Ela pensava, fazia muito tempo que não escutava aquele nome.

- Podemos acertar o preço? – ela perguntou.

"Será Jean Pierre o cafetão dela? E o tal assunto a tratar é dinheiro? Esse telefonema tem haver, direta ou indiretamente, com dinheiro, não precisa ser gênio para adivinhar. E, talvez, isso tenha a feito mudar de idéia quando ela voltou para aceitar o 'trabalho' antes recusado, essa necessidade de dinheiro". Pensou o loiro.

- Bom, vamos ver um dia tem 24 horas, sete dias tem 168 horas. 168 vezes 150 que é o seu preço por hora, equivale a 25.200 euros.

Ela se impressionou com a rapidez no cálculo.

- Eu pago 20 mil. – ele falou.

- 24.500. – ela retrucou.

- 21 mil. – ele fez uma proposta.

- 23? – ela tentou aumentar.

- 22 mil, minha última oferta. – ele esperou.

- Ok. – ela acabou por decidir.

- Vou tomar banho. – ele falou se levantando e dirigindo-se ao quarto.

"Mas é lógico que é isso que a fez voltar. – Draco pensava indo para o quarto. – Marie Kribelein, estranho nome, é lógico que não é seu nome verdadeiro. Por falar em Marie, preciso ligar para Jacob".

Foi aí que o loiro percebeu que não estava com seu celular, que havia cometido o mesmo erro que a mulher na sala, havia-o esquecido em cima da mesa.

Adela observou ele entrar no quarto, calmamente e com extremo cuidado ela deu alguns passos na ponta do pé até o corredor para ver se ele havia fechado a porta, e pelo que aparentava, ela estava fechada.

Correu para a mesa e pegou seu celular. Estava desesperada com aquela ligação. Procurou rapidamente o número da chamada de René, acabou por discar o errado, desligou e chamou o certo. Enquanto Adela esperava a amiga atender, foi se encaminhando para a sacada. "Que outra ligação?". Ela pensava.

- O que houve? – ela perguntou quando René atendeu.

- Jean Pierre quer falar com você, mas não quer ir a Berlim por causa daquele homem. Você precisa vir pra cá Marie, rápido. – ela falava nervosa.

- Preciso de dinheiro, o que você acha que eu estou fazendo em Berlim ainda? – ela perguntou. – Você sabe que eu não posso ir.

Logo após Adela falar isso, Draco chegava à sala, ela não o viu, estava de costas, e ele escutando o que escutou, pôs-se no corredor e com um feitiço de ampliação auditiva, ficou ali, ouvindo a estranha conversa.

- René, você ligou antes para cá? – ela perguntou desconfiada que Herman tivesse atendido.

- Lógico, agora pouco quando falei com você e..

- E mais o que? – ela perguntou rápido.

- E mais uma vez.

- Alguém atendeu? – Adela perguntou pondo a mão na testa com sinal de muita preocupação.

- Não sei, falei, mas ninguém disse nada, e a ligação estava péssima, Marie. Acho que seu teclado estava desbloqueado e "atendeu sozinho".

Adela duvidava muito disso.

- O que você falou, Bertha? – ela perguntou. – Você falou alguma coisa?

- Falei o que disse na anterior: Marie o Jean Pierre queria falar com você e que você tinha que vir pra cá.

- Merda!! –ela começou a andar na direção do corredor, para verificar se o cliente ainda estava no banho. – Você tinha que dar nomes, René? Tinha? Não se faz uma coisa dessas! – disse Adela agora mais nervosa.

Draco percebeu essa aproximação e aparatou silenciosamente para o seu quarto.

- Alguém atendeu? – perguntou à amiga.

- Não, nada. Ligo-te mais tarde. – disse desligando.

A loira se jogou no sofá e passou a mão na cabeça, se ele tivesse atendido isso não seria nada bom.

Draco foi para debaixo do chuveiro. "Quem é essa mulher?" ele se perguntou. "Ela desconfia que eu atendi, é muito mais esperta do que eu imaginava. Quem é Marie, Bertha, René, Jean Pierre? Para onde ela deve ir? Ela estava falando com duas pessoas para chamar por dois nomes diferentes?".

Se antes havia apenas uma centelha de curiosidade em Draco Malfoy, agora havia a mesma mais de forma latente. Ela não era comum, sabia fingir muito bem e se demonstrou muito esperta, todo esse mistério estava se revelando para ele algo sutilmente tentador.

Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

"Maldição, Maldiçããoo!!! Tenho quase certeza de que ele atendeu, minha bolsa estava do lado dele!! Não me agrada nem um pouco a idéia de ele ter ouvido qualquer coisa" pensava Adela deitada no sofá.

Levantou-se e pôs-se a caminhar pelo apartamento, tentando imaginar de quantas formas o que Herman havia ouvido lhe seria comprometedor. "E se ele mandar investigar minha vida? Eu tenho uma leve desconfiança de que ele não me é estranho e se eu também não for estranha a ele? A última coisa que eu quero é alguém investigando a minha vida e a primeira coisa que eu quero é esse maldito dinheiro".

Foi até a cozinha tomar água com açúcar. Estava muito nervosa, precisava urgentemente se acalmar, pois não queria que ele percebesse esta agitação. A inquietação era evidente em sua perturbação corporal, mexia constantemente os braços e ficava a rodar de um lado para o outro. Respirou fundo. "Calma Adela, calma... Pode não ser assim tão comprometedor". Ela tentava se convencer.

Pegou um copo, foi até o frigobar e o encheu de água. "Onde deve ter açúcar, onde?". Ela pensava. Olhou para o armário em cima da pia, o abriu.

- O que você procura? – aquela voz repentina novamente a fez assustar, bater no copo e este se estilhaçar no chão. – Te assustei? – ele perguntou.

Adela pôs a mão sobre a pia, sentiu aquele frio metálico e desejou que aquela frieza lhe domasse o corpo, para poder encará-lo de forma natural. Talvez seus pedidos fossem atendidos.

- Estava procurando açúcar. – ela se virou encostando a costa na pia. – Mas pelo jeito, não há açúcar neste apartamento. – finalizou cruzando os braços e o olhando.

Ele estava meio escorado a porta de uma maneira desleixada, deu um riso abafado, como se estivesse lidando com a tolice de uma menina. E na verdade, ela lhe pareceu uma menina com aquela ação. Caminhou.

Ajoelhou-se a frente da loira, porém de lado.

- Pena ter quebrado esse copo. – ele disse tocando em alguns cacos.

Ela não entendeu aonde ele queria chegar.

- Só tinha esse? – ela perguntou olhando para baixo, ainda de braços cruzados. "O que ele quer dessa vez?" – Se for o caso compro outro, com o seu dinheiro, é claro. – ela finalizou rindo.

- Não é isso. – ele começou. – Você não acha engraçado que mesmo quebrado, ele pode ser colado como um quebra-cabeça? – ele perguntou.

"Aonde você quer chegar com isso?" Ela pensou.

- Adoro quebra-cabeças.

"Você escutou, não foi? Eu sabia que o tinha feito" – ela pensou nervosa.

- Eram minha diversão favorita na infância. Lembro de minha mãe que sempre que eu completava um, perguntava-me o que eu havia aprendido com aquilo. – ele ainda falava agachado, tocando nos cacos.

Adela continuava sem expressão, como se a conversa fosse banal e sem sentido. Mas não era uma conversa desse tipo, ele queria assustá-la, e estava conseguindo.

- Então, eu olhava. – ele pousou uma das mãos no pé da loira. Ela arregalou os olhos rapidamente. – E dizia algo óbvio, como: A Monalisa é um belo quadro de Da Vinci. – Draco foi subindo os dedos lentamente pelas canelas até chegar aos joelhos. – Então, ela me encarava seriamente, e falava... - Mais ousadamente, ele percorreu com suas gélidas mãos pelo interior das coxas de Adela. Ela não pode evitar que sua calcinha ficasse úmida. – Quebra-cabeças não são óbvios, eles são um mistério... – acaricio-lhe a virilha, Adela semicerrou os olhos, e controlou-se para não soltar um gemido. Então, tomando o rumo da lateral do corpo, ele segurou firme sua cintura e a carregou para deixá-la sentada na pia. – Olhe mais e analise. - Deslizou suas mãos pelas coxas, na direção contrária, ou seja, de volta ao joelho, abriu-lhe as pernas. – Você tem que procurar melhor, procurar o que está implícito. – terminou, estendendo-lhe um pote de açúcar, tirado de uma gaveta, que ela não conseguiu o ver abrindo. Na verdade, ela não conseguiu ver nada.

- Obrigada. – ela disse pegando o pote.

Abriu-o e jogou um pouco em sua mão, deixou o pote de lado e espalhou o açúcar pelos ombros do loiro e pôs-se a lambê-lo.

Draco sentia a língua dela, em seus ombros e em seu pescoço, colocou a mão novamente em sua cintura e a pressionou, aquilo era bom. E ela continuava agora do outro lado e depois a morder-lhe o pescoço. Ele, com os olhos fechados, aproveitava a sensação.

- Depois de achado, sempre é bom provar, para não se enganar com o que o pensamos que achamos. Às vezes o açúcar pode ser sal. – ela falou no pé de seu ouvido.

Ele riu de canto e ficou a encará-la, ainda muito próximos, ele entre suas pernas com a mão em sua cintura e ela envolvendo seu pescoço. Ela retribuiu o olhar com um riso doce. "Você pensa que eu não entendi aonde você quer chegar, seu cretino? Quer descobrir quem eu sou? Tente. Você se considera bom demais, não é? Ainda não pegaste alguém do teu tamanho". Ela continuou a olhá-lo com doçura.

- Você quer que eu prepare algo pra você? – ela perguntou.

Ele pareceu voltar. "Como pode ser tão impossível ler a sua mente? Quem é você, afinal?"

- Não, como no trabalho.

- Trabalho no domingo? – ela arqueou a sobrancelha.

- Até parece que você não trabalha esse dia. – ele retrucou.

- Na verdade, é um dos melhores. – ela respondeu.

Ele largou-lhe a cintura e saiu da cozinha.

- Vou ter que tomar outro banho. – ele falou já de costas com certo ar de desprezo.

- Eu também. – ela respondeu.

NIndeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

Ela ouviu quando ele saiu do apart-hotel. Talvez agora sozinha ali, pudesse respirar, às vezes tinha a sensação que esse sutil ato poderia condená-la. Jogou fora as partes quebradas do copo no lixo e depois foi para o quarto.

Abriu sua mala, revirou as roupas e achou um traje mais parecido possível com o que geralmente se usa para praticar esportes, "Uma mulher da noite nunca faz esportes de manhã, esse é o tempo que ela dorme". Foi o que ela pensou.

Pegou o elevador e na recepção deixou o cartão do quarto e deu orientações ao recepcionista caso Herr. Herman perguntasse por ela.

"Problemas, problemas... O que Jean Pierre pode querer comigo? Faz quase um ano e meio que não o vejo. Tenho aquela estranha sensação de que algo bom não pode ser. E esse maldito Herman que faz esses joguinhos querendo me assustar, por favor, olha o meu tamanho, olha a minha profissão. tsc tsc... Ele quer saber quem eu sou? Quer montar o meu quebra-cabeça? Pois nunca vai descobrir". Ela pensava enquanto fazia uma corrida pela praça principal de Berlim.

"Não que Jean Pierre seja portador de más notícias, mas o que ele pode querer comigo de tão grave que não possa me ligar ou sequer vir à Alemanha? Será..."

- Ai! – foi o que a loira gritou ao tropeçar em alguma coisa e cair, com tudo no chão.

Com um pouco de dor, resolveu ver o que lhe havia feito cair. Estava pronta para amaldiçoar até a milésima geração de qualquer pedra, casca de banana, graveto, ou qualquer outra coisa que tinha sido responsável por sua queda. Mas o lindo cachorrinho que viu fez essa raiva se dissipar.

Sentou-se na calçada e pegou o cachorro, estava machucado parecia ter saído de uma briga, ou talvez tivesse sido de certa forma atropelado.

- Oh! Que coisa fofa. – ela disse para ele. Que lhe respondeu latindo. – Coisa rica, parece tão abandonado. – ela o virou para verificar mais os danos no pobre animal. – Venha comigo, vamos pra casa. – ela disse se levantando. Seu cotovelo machucado não tinha mais tanta importância.

Chegando ao hotel foi até o balcão.

- Por acaso aqui tem um pet shop? – ela perguntou.

- Com certeza, Fräulein. Antes da piscina. – respondeu o recepcionista. – E Herr. Herman veio a sua procura, porém como a Fräulein me recomendou, disse-lhe que tinha saído para fazer exercícios. Então, ele lhe deixou este envelope. – o homem entregou um envelope azul para Adela.

Ela pegou, mas antes de fazer qualquer coisa, levou o seu novo bichano ao pet shop, ele precisava de uns cuidados, como ela também.

Depois de tomar um belo banho e curar seus arranhões, a loira pegou o envelope deixado. "O que será dessa vez?" pensouabrindo-o. O envelope continha dois bilhetes. O primeiro dizia:

"Herr Belshoff, convida Herr. Herman e acompanhante para a festa de seus 60 anos".

Adela pegou o segundo bilhete.

"Às 21 horas uma limusine irá lhe buscar no hotel, dentro do envelope há dinheiro para comprar um vestido e para as demais necessidades.

Herr.Herman".

Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

"Atrasada... Deve haver alguma boa explicação para isso e se não houver é bom então que haja uma ótima desculpa". Pensava irritado dentro da limusine. "Liguei há 20 minutos, como é irritan..." parou o pensamento quando a porta se abriu.

- Você está atrasada. – foi o que ele falou.

- Desculpe, não era minha intenção lhe atrasar. – Adela respondeu.

- Pelo jeito só isso não foi o bastante. – ele disse fazendo questão de dar destaque a sua irritação.

- Já lhe pedi desculpas, quer o que? Que eu vá embora? – ela perguntou.

- Hotel Rubezahl. – ele falou ao motorista, ignorando a pergunta da loira.

- Vamos ao que realmente interessa. – ele disse virando-se para ela pela primeira vez. – Tome. – ele lhe estendeu uma caixinha preta. – Essa noite você irá fingir que é minha noiva.

Ela abriu a caixa e colocou o anel no dedo anelar direito.

- Mas...

- Tenho algo importante para resolver nesta festa, e ir acompanhado com uma prostituta de luxo muitos fazem, mas não eu. Porém, como hoje a noite será muito importante, acho conveniente levar minha noiva.

- E se me perguntaram algo do tipo: como nós nos conhecemos? Ou qual seu prato favorito? – ela perguntou.

- Não irão perguntar. A atração maior sou eu e o dono da festa, você é apenas uma questão de ornamento. – ele respondeu frio.

Ela respirou fundo. "Esse é um dos motivos por qual eu nunca aceito compromissos de longo prazo, os homens não tem educação. Se eu não precisasse do dinheiro...".

– E, por favor, finja muito bem.

- É para isso que sempre fui paga. – ela retrucou com tom elevado.

Chegaram ao hotel, o motorista abriu a porta. Adela saiu primeiro e Draco veio logo atrás.

De mãos dadas, os dois entraram no luxuoso salão de festas do hotel. Era muito iluminado, a decoração de lírios e panos dourados caindo das colunas, faziam com o que a luz se multiplicasse no ambiente. O mestre de cerimônia os acompanhou até a mesa.

- Frederich! – uma voz masculina lhe chamou.

- Jacob! – ele cumprimentou o anfitrião da festa. – Minhas felicitações!

- Pensei que não vinhas mais. – ele disse.

- Bom, a culpa não foi exatamente minha. – ele respondeu o mais agradável possível, porém Adela notou aquele timbre de irritação em sua voz.

- Imagino, então, que a culpa deve ser desta linda mulher. – ele se virou para Adela.

- Desculpe-me, Herr. Belshoff, não era minha intenção. – Adela respondeu ao velho senhor.

- Mulheres sempre se atrasam. Você ainda vai ter que aprender muito sobre as mulheres, caro Frederich. – Belshoff bateu a mão no ombro de Draco e sorriu.

"Frederich, esse então é o seu nome" pensou Adela.

- Mas então não vai apresentar-me sua bela, deixe me ver... oh! Noiva? – disse olhando para o anel recém posto no dedo da loira.

- Sim. – respondeu Draco com um belo sorriso aos lábios. – Esta é...

- Adela. – ela respondeu tentando camuflar a parada de pensamento de Herman.

Então, a feição jovial e sorridente daquele simpático senhor tornou-se melancólica.

- Mas sim, vamos aos negócios? – perguntou Draco tentando mudar o assunto.

- Sim, claro que sim. – respondeu Herr.Belshoff voltando ao seu estado jovial.

Draco e Belshoff se encaminharam ao escritório. Mas antes de sair ele virou para sua suposta noiva.

- Adela, não suma. – falou baixo, como um aviso sobre a história da boate e se foi.

"Adela, Adela" ele pensou. "Maldito nome"

- Ok, então tudo certo. Amanhã eu levo os papéis do acordo e encerramos de vez esta questão. Essa fusão só tem a nos fazer crescer, Jacob. – terminou Draco num aperto de mão.

- Com absoluta certeza, Frederich. Nada como dois homens de sucesso para fazer com que a empresa se expanda pela união européia. – o senhor respondeu. - Mas onde está a sua Adela? – acrescentou.

Draco virou-se e lançou o olhar no salão, estava lá no mesmo lugar em que ele a tinha deixado.

- Engraçado. – Jacob deu um suspiro melancólico. – Sua Adela é tão parecida com a minha. O mesmo cabelo loiro, educação e elegância, por mais parecidas... Perdoe este velho, caro Frederich. Estou tomando seu tempo.

- Não, não. Continue, por favor. – pediu Draco.

- Ela tem um ar, algo diferente da minha. – ele observou.

- Como assim? – perguntou Draco curioso.

- Ora, como assim? Não olhas para tua noiva? – ele perguntou. – Licença, jornalistas. – Jacob se afastou um pouco.

"Não olhas para tua noiva?" A frase se repetiu na mente de Draco, lançou os olhos para aquela mulher que o acompanhava havia cinco dias. "Não olhas para tua noiva?" Não, ele não olhava para sua suposta noiva, ele nunca havia, realmente, olhado para ela. Estava fazendo isso naquele exato instante pela primeira vez.

Ela tinha o cabelo preso a um coque e um pouco da franja lhe caia para o lado esquerdo do rosto, o vestido era branco, tomara que caia colado até o joelho e depois se abria. Então, Draco lembrou que sua mãe, Narcisa Malfoy, gostava muito daquele tipo de vestido. Em várias festas, quando Draco ainda era pequeno, ela aparecia vestida assim e se lembrou, também, de Snape dizendo que vestida daquele jeito, sua mãe parecia uma sereia.

Draco riu mentalmente, aquela mulher ali não se parecia com uma sereia. Vestida de branco e com aquelas milhares de pedrinhas que brilhavam ao longo do vestido podia dizer que ela se parecia mais a um diamante.

- Mas sim, voltando ao assunto. – disse Jacob ao seu lado, roubando-lhe os pensamentos. – Existe um ar em sua noiva, não consigo capitar...

Draco a analisou. Olhou tentando enxergar o que o faltava...

- De mistério. – Draco respondeu.

- Exato! – o velho senhor respondeu.

- Herr Belshoff, por favor, queria dar uma declaração. – outra jornalista pedia.

"Tédio, muito tédio! É também por isso que eu odeio serviços de longo prazo. E o que me deu na cabeça em falar meu nome? Ainda bem que esse é um dos meus nomes, às vezes nem me lembro do meu real nome." "Adela, não suma". Aquela frase se repetia em sua mente.

- Pensando em que? – Draco perguntou a ela lhe oferecendo uma taça de champanhe.

- Em nada muito importante. – ela falou dando um sorriso singelo e aceitando a taça.

- Herman? – perguntou uma mulher loira.

- Berz! Onde está Julien? – perguntou o loiro.

- Já está chegando. – ela respondeu.

- Deixe-me apresentar a minha noiva. – ele pegou a mão de Adela e a levantou.

A mulher de sobrenome Berz ficou no mesmo instante tensa, mas tentou disfarçar o máximo possível. Adela agiu naturalmente.

- Que bela noiva, Frederich. – disse Julien que acabava de chegar.

- Danke. – Adela respondeu.

- Então Julien, como estás? – perguntou Draco,

- Estou muito ocupado, preciso ir agora falar com Belshoff e voltar pra o escritório. – ele disse.

- Então vou com você, estou cansada. – respondeu a mulher. – Foi ótimo revê-lo, Frederich. Prazer. – ela disse essa última palavra a Adela.

- Até mais, Frederich. – respondeu Julien.

- Até. – respondeu Draco.

Voltaram à mesa. E de repente Adela caiu em uma gargalhada discreta.

- Do que você está rindo? – perguntou Draco meio irritado.

- Me responda uma coisa. Aquela mulher que você chamou de Berz... é isso? – ela perguntou.

- Sim. – ele respondeu não entendendo.

- ...É casada com aquele homem? – ela perguntou.

- Certamente. – ele respondeu. – Por quê? – perguntou curioso.

Ela continuou a rir.

- Mas qual é a piada? – ele perguntou.

- Aquela mulher morava no mesmo bordel que eu na França. – ele respondeu.

- Então, você esteve na França? – ele perguntou.

Adela ficou séria. "Que bandeira, o que eu tenho na cabeça?"

- Quem não esteve? – ela levantou uma sobrancelha.

- Mas Arlir não pode ser... - ele evitou falar.

- Mas é, ou era. – Adela respondeu.

- Como assim? Como pode? – ele perguntou.

- Ela sabe fingir, todas sabem. – a loira respondeu.

Draco se sentiu inseguro com essa afirmação. "Se Arlir é tão boa assim que conseguiu enganar Julien, do que você é capaz?" Ele se perguntou.

- Na verdade. – ela continuou. – É o que melhor fazemos. – ela disse.

- Vocês fingem em tudo? – ele perguntou querendo tirar informações dela.

- Em tudo que é melhor fingir do que mostrar. – ela respondeu.

- Até... - ele continuou sem completar a frase.

- Principalmente. – ela respondeu entendendo.

Ele se assustou um pouco.

- Como você consegue fazer isso? – ele expressou certa frustração na voz. "Fingir orgasmos?"

- Homens nunca se preocupam com a mulher, e isso se torna uma regra geral quando ela é uma prostituta. Somos procuradas para aliviar tensão, frustração dos homens, aí é só gemer um pouco, gritar como uma desesperada e depois cair ofegante na cama, e dizer: Isso foi ótimo. – ela falou.

Draco observou o modo em aquelas palavras saiam da boca dela, frias como se fosse algo automático.

- E você sempre finge?

- O que você acha? Que eu sinto prazer trabalhando? Todo mundo sabe que trabalho quase nunca se relaciona com prazer, trabalho é obrigação. – ela terminou e lançou um olhar a ele.

"Trabalho é obrigação" essa frase se instalou na mente de Draco.

- Mas como é? Você não sente nada? – ele perguntou cético. – Nunca sentiu nada, nem uma vez?

- Depende do que você conceitua como prazer. – ela respondeu. - Se você conceitua como chegar a um orgasmo, claro que já. Mas, geralmente, não estou no meu estado normal quando isso acontece, então, não me lembro. – ela disse assumindo um olhar desfocado. – Se você conceitua como uma vontade de ambas as partes e com todo um ar de sensualismo em volta... Bom...

- Você já fez sexo sem que alguém pagasse por isso? – ele perguntou dominado pela curiosidade.

Ela virou a face e tentou não olhá-lo.

Depois daquela pergunta, instalou-se entre eles aquele silêncio incomodo, perturbador, no qual o simples bater de taças da mesa ao lado se torna um barulho notável, ou então, aquele tipo de silêncio em que se tenta procurar na mente algo para simplesmente dissipá-lo, mas nada lhe aparece.

Draco se sentia altamente desconfortável, e em seu consciente ao invés de perguntas de qualquer outro assunto corriqueiro, como: "Que festa bonita não?" ou "A comida está muito boa" ao invés disso, sua mente era bombardeada por outros tipos de perguntas como: "Ela nunca fez sexo com alguém que não pagasse por isso? Com quantos anos ela entrou nessa 'profissão'? E como é viver assim? Que maluca."

"Mas, geralmente, não estou no meu estado normal quando isso acontece". "O que exatamente você quis dizer com isso?". No fundo Draco sabia o que ela estava dizendo, porém ele não teve coragem de sequer pensar naquilo, e muito menos perguntar.

"O que aconteceu com a minha boca hoje? Que ele tem haver com isso? Estava tentando explicar o que acontece comigo, mas que lógica tem isso? Você quer que ele tenha pena de você? Você escolheu isso, nada pode mudar agora, e ninguém tem haver se eu tive ou não prazer, ou se já fiz sexo antes de ser prostituta. Mas se você quer tanto saber..."

- Não, sempre fiz sexo como prostituta. Nunca antes disso. – ela respondeu com um olhar sem expressão.

Draco não pode evitar o desconcerto em que ficou, ela havia confessado. Ele tentou formar frases, tentou formar uma pergunta qualquer, uma risada, até um consolo, e Draco não era homem de consolos, mas nada saiu, ele estava chocado.

Adela não achava noção para o que dizia. "Por isso que odeio trabalhos de longo prazo". Ela não cansava de repetir isso. Não havia justificativa, ela havia se exposto muito aquela noite, e aquele silêncio com a sua ultima afirmativa se era desconcertante a Draco, aparentava-se seguro para ela.

- Com licença, Fräulein Adela. – disse Belshoff aparecendo na mesa.

Ela rapidamente tornou sua expressão serena.

- Com licença, também Frederich, mas você me coincidiria a honra de dançar com a sua noiva? É claro, se ela também assim quiser. – pediu o alto homem loiro.

Draco observou a face soturna de segundos atrás, iluminar-se de uma forma inexplicável, antes o que era aquela falta de expressão, tornou-se um radiante sorriso.

- Mas é claro, Jacob. – ele disse. No seu íntimo estava louco por ver aquilo. – E você? – ele perguntou a Adela.

- Seria uma grande honra, já que Frederich fala tanto de Herr. Belshoff. – ela falou, com aquela voz simpática.

- Espero que bem. – o senhor falou brincalhão.

- Pode ter certeza que é. – ela respondeu com um belo sorriso.

Draco analisou ela ser guiada ao centro do salão por seu sócio, e aquela leveza ao acompanhá-lo na valsa. "Não, sempre fiz sexo como prostituta. Nunca antes disso". O loiro nunca encontrou palavras, nem pensamentos que pudessem explicar a sensação daquela declaração, só havia em sua mente a repetição daquela frase, nunca qualquer exclamação dele. Porém, por mais que não conseguisse dizer ao certo que sensação era essa, ele nunca conseguiu esquecê-la.

Voltou seu olhar para a valsa e tentava descobrir um ponto de tensão, um tropeço, uma contração na face, ou qualquer rastro do olhar parado e sem vida que ela tinha a pouquíssimo tempo atrás, mas nada lhe foi perceptível, "Será possível adivinhar o que ela pensa agora?" Ele não arriscava. O que parecia deixá-lo eufórico era aquela incrível capacidade que ela tinha de não mostrar quem era e, que ele teve que concordar, era muito melhor que a sua. "Existem coisas em você que ninguém deve imaginar. Afinal, de que buraco você saiu?"

- Mas que ótima dançarina. – Jacob falou quando voltaram da dança. – Realmente, és um homem de muita sorte, Frederich. – ele finalizou.

Todos riram, mas apenas o dele foi um riso sincero.

- Amor, convidei Herr. Belshoff para almoçar lá em casa. – disse Adela meigamente. Mas em seu intimo queria que ele pagasse por fazê-la se expor tanto, expondo a própria vida dele.

- Como não tive essa idéia antes? – pensou Draco.

- Não há necessidade de incomodá-los, um casal recém-noivado.

- Não estamos em lua de mel. – respondeu Adela.

- Então, se não irei incomodar, aceito de bom gosto. – disse Jacob. – Quando?

- Não se preocupe, nós ligaremos para combinarmos a data. – ela falou

- Ótimo. – Belshoff respondeu empolgado.

- Agora, não os incomodarei mais. – disse se despedindo.

Foi a vez de Draco assumir uma expressão de completa frieza. "Não gostei do que você fez, moça".

- Vamos. – ele disse se levantando.

Ela obedeceu.

Esquecendo de qualquer convenção, Draco foi à frente com passos pesados, tentando descontar sua frustração no chão. Sequer olhou para ela dentro do carro.

Em seu íntimo Adela se divertia com tudo, mas sua expressão era de completa normalidade.

Chegaram ao apart-hotel. "Bom, o pior que pode acontecer é ele me xingar" Ela pensava, na expectativa que ele começasse a estourar. Como ela queria isso, queria que ele se revelasse como, anteriormente, ela havia feito. Ele andou até o quarto e ela o seguiu como ele queria.

Ele ficou um tempo em pé olhando a noite, como se pensasse em como começar.

Ela, também, ficou ali em pé, esperando.

- Adela... - ele falou.

Ela esperou. "É agora! Vai! Mande-me embora, grite, me xingue, me dê logo esse dinheiro!"

- Você pode, por favor, me passar aquele fio? – ele pediu com calma e educadamente.

Por melhor fingida que a loira fosse, não conteve o semblante de dúvida. "Que? Que merda de fio que você quer? Vamos! Libere a raiva que você tem! Eu sei que tem".

- Claro! – ela respondeu pegando o fio de perto do chão do espelho e lhe entregou. Esperou qualquer reação, mas nada aconteceu. Nada não, porque ele conectou o fio ao seu notebook, ligou-o e começou, aparentemente, a trabalhar.

E a loira ficou ali, parada, esperando uma reação de ira, soberba, mas nada disso aconteceu. Não irritá-lo, irritava-a muito mais. Desgostosa, virou-se para o espelho, dando as costas ao seu cliente maldito. "De nada funcionou, talvez o tenha até ajudado, burra, burra, burra!!! Quis dar uma de esperta e se ferrou, porque só falta ele me agradecer!!!" ela pensava.

Tirava o vestido com certa impaciência, querendo logo acabar com aquilo e dormir. "Maldição de zíper, malditos sejam todos os zíperes!".

- Você não quer que eu a ajude? – ela escutou a voz dele ir vibrando por seu pescoço.

Ela teve um pequeno susto. "Ok. Você quer jogar? Então, vamos jogar".

- Você quer me ajudar? – ela respondeu entrando no jogo.

- Se você quiser. – ele falou encostando a boca no pescoço da loira.

- Eu? Eu estou aqui para fazer a sua vontade. – respondeu com os olhos fechados.

Ele pôs as duas mãos no pescoço de Adela, deslizou-as pela pequena parte das costas amostra, e ela sentia aquela vontade de que ele continuasse aquilo por todo seu corpo.

Abriu-lhe o zíper numa incrível rapidez, o vestido então, obedecendo às leis da gravidade, caiu-lhe aos pés. Ele se aproximou do corpo dela, podendo assim sentir toda a pele e o perfume que aquele corpo emanava. Deslizou suas mãos pela cintura, com as pontas dos dedos ele invadiu a parte lateral da calcinha e ficou a jogar de excitá-la.

"Céus! O que isso significa? Eu... eu... eu estou com calor?" – ela arregalou os olhos e podia ver aquele homem, aquele homem que a estava fazendo arder.

Ele tirou as mãos do lugar e puxou delicadamente o prendedor de cabelos dela, e fios loiros, caindo em sincronia, espalharam-se até o meio das costas da mulher.

Um cheiro doce e suave invadiu as narinas de Draco, que teve uma reação imediata de seu corpo, aquele arrepio que te faz ficar mais sensível a qualquer coisa que se manifeste e junto ao arrepio a alastrar-se pelo corpo veio ondas de calor em partes como a face e outros lugares...

"Continua" diria a boca dela, se a mente permitisse.

"Que pele" diria a boca dele, se, todavia, sua mente permitisse.

Num movimento rápido, ela se sentiu lançada à cama. Já tinha a respiração rarefeita, aquela vontade crescendo de tê-lo dentro dela, algo que era, impressionantemente, novo para Adela. E ao vê-lo tirar o paletó, teve certeza que algo entre eles iria se consumar. Um frio na barriga lhe tomou os pensamentos. Era algo entre o querer e o não querer, não sabia explicar, mas tinha receio de tudo que viesse acontecer depois daquilo, não entre eles, mas com ela, no seu interior.

Olhou para ele, que estava tirando a blusa e aquela visão em câmera lenta tomou conta de tudo o que ela via, ela o desejava.

Pronto, ela tinha assumido esse sentimento. E agora o que restava?

Draco tirou o paletó e a blusa, estava de pé ainda, encarando a mulher deitada em sua cama. Ela levantou para ajudá-lo a tirar a calça, mas ele com força, a fez voltar a ficar deitada. Pegou-lhe as pernas e as abriu depois as puxou para si.

- Você vai satisfazer a minha vontade? – ele perguntou.

- Não é pra isso que eu sou paga? – ela lhe respondeu com o olhar desafiador

- Então... – ele parou e tirou algo do bolso. – Tome. Você fica bem melhor com isso. – disse lhe jogando a camisola.

A sensação foi como se ela tivesse acabado de se jogar no mar do ártico. Foi isso que Adela sentiu, mas não foi isso que ela demonstrou ter sentido.

Adela pegou a camisola e riu. Riu muito até conseguir irritá-lo.

- O que é engraçado? – ele perguntou.

- A sua cara de quem estava acreditando que eu estava excitada. – ela falou sentando na cama e lhe encarando.

Draco conseguiu ficar confuso. Seria aquilo o que ela disse verdade? Ou não? "Calma, Draco. Não caia no jogo dela".

- Que bom então que você estava fingindo, porque sabe, eu não transo com prostitutas.

"Maldito, sempre que não sabe o que responder apela para isso".

- É assim que eu ganho dinheiro fácil. – ela retrucou.

"Vamos, responda algo" ela pensava.

- Quando você não ganha, não é? – ele respondeu.

"Não se meta comigo" ele pensava.

- Quando eu tenho que aturar homens carentes de atenção feminina, que só pagam por companhia. O que eu acho um tédio.

"Não tente me vencer". Pensou Adela.

- Mas não é assim que você ganha o dinheiro fácil? – ele ressaltou a contradição a que ela havia caído.

Ela ficou calada. Ele entendeu que ela não tinha resposta.

- Ok, garotão. Você venceu. – ela falou. – Ta muito quente hoje, você não vai se importar se eu não usar isso, vai? – ela lhe jogou a camisola de volta.

- ...

Draco ia dizer só pra irritá-la que exigia que ela vestisse a camisola, porém ela virou e ficou de bruços na cama, e ele teve que concordar que aquela calcinha branca era muito pequena.

Não tendo mesmo o que retrucar depois daquela visão, ele voltou ao trabalho.

"Cara Fräulein. Brundah Ahnert. – ele começou a escrever.

"Ops!" pensou.

"Cara Fräulein Brendah Ahnert. – ele recomeçou. – Gostaria que Fräulein arranjasse um horário..."

"Mas como está calor". Draco pensou abrindo a janela a sua frente.

"...Arranjasse um horário..."

Nada vinha a sua mente, passou a mão pelos cabelos bem curtos. Na verdade, não era porque nada passasse a sua cabeça que ele não continuava o trabalho era porque não conseguia se concentrar na tela de seu notebook.

"Calma, Calma! É só mais uma mulher deitada na sua cama de calcinha e sutiã". Outra parte de sua mente lhe respondeu. "Mulheres não ficam na sua cama de calcinha e sutiã, geralmente ficariam sem ambos".

Tentou volta-se para tela, o cursor piscando parado na mesma frase.

"Mas realmente está calor". Ele pensou novamente.

Não havia passado cinco minutos e desistiu completamente de terminar o e-mail. Virou a cadeira e ficou a admirar o corpo de sua prostituta.

Ela estava agora deitada de peito pra cima, as pernas levemente abertas, pernas que eram muito bem torneadas, mas na medida exata, não eram aquele tipo pernas super grossas que destoam do resto do corpo.

Draco observava cada milímetro, por mais "insignificante" que este fosse, com aquele típico olhar masculino, no qual qualquer mulher se sente mais uma presa.

Subiu lentamente o olhar, sardas, as mesmas do rosto ali presentes na barriga, talvez ele pudesse até estar contando em sua mente quantas sardas ela tinha espalhadas, se ele não contasse isso, talvez então contasse seus respirares. E seios pequenos, tão perfeitamente redondos.

Levado pela sensação instintiva, e por todo aquele calor do ambiente que o estava fazendo derreter, ele se deitou de lado na cama. A cobiça, caracterizada pela vontade de ter, Draco sempre cobiçou as coisas, e agora seu corpo, não sua mente e muito menos seu coração, cobiçava. Deliciava-se com a idéia de tocar na pele aromatizada daquela mulher, mas Draco nunca realiza desejos que sua mente não aprovava. "Eu não durmo com prostitutas". Pensou. Virou-se admirando o teto, pôs as mãos para trás da cabeça. "Preciso me levantar cedo amanhã". Pensou fechando os olhos.

N/A: Bom, galera amada, mais um capítulo. Agora agradecendo e respondendo as reviews:

Biazinha Malfoy: Não Bia, eu nunca li Anastácia de Colin Falconer, entretanto depois que você tocou no assunto desse livro e fui atrás para saber do que se tratava, me parece ser um ótimo livro. Espero lê-lo um dia.

Agradeço a sua review, que me inspirou muito, adorei sua citação sobre a minha fic ser imprevisível. Agradeço e espero que este capítulo tenha satisfeito suas expectativas. Bjão.

Lolita Malfoy: Espero que sua ansiedade tenha sido satisfeita. Bjão e agardeço por suas duas review, é bom quando a gente tem leitores contínuos.

Kelly Malfoy: Obriga também pela sua segunda reviews, isso mostra que você acha que essa fic vale a pena, brigadona. Realmente, o poema do Pessoa é lindo, na verdade o Pessoa é lindooo... hauahua... Gostei muito do seu comentário sobre a personalidade do Draco, eu sempre gosto quando ele tem uma personalidade duvidosa e de certa forma oscilante. Odeio Draco bonzinho!

Bjão.

Fer Malfoy: Muito agradecida pela sua review. Sua pergunta, que não é só sua, será respondida no decorrer dos capítulos, será respondida com certeza. Bjão.

Thaty: Obrigada por sua segunda review, mostra que você gosta dessa fic e isso me deixa muito contente, sua pergunta será respondida em uns capítulos mais a frente. Obrigada mesmo. Bjão.

Panda BR101: Cara, sua review me deixou muito alegre, égua muito mesmo, eu tava até meio com preguiça de continuar a escrever, mas depois que você deixou sua review fiquei super animada. Brigadona. Suas perguntas têm explicação sim. Lá na frente você vai ver. Mas se é a Gina, quem garante? E o beijo?

Bjão.

Bom gente esse foi o terceiro capítulo da Intocável, críticas, elogios, tudo é bem aceito... O quarto capítulo promete, pelo menos, eu acho, se nada mudar até lá... Desculpa a demora, é que a Universidade me mata.., Valeusss!! Até a próxima.