A Irônica dádiva de Eros

"Hesíodo, na sua Teogonia, considera-o filho de Caos, portanto um deus primordial. Além de o descrever como sendo muito belo e irresistível, levando a ignorar o bom senso, atribui-lhe também um papel unificador e coordenador dos elementos, contribuindo para a passagem do caos ao cosmos."

"O apavorar geralmente acontece quando há um confronto direto ou indireto com aquilo que é extremamente ruim para quem o recebe, digo-lhes de passagem que o apavoro é a sensação de medo constante, diante do fato- tragédia, nessa história, a tragédia dá sua luz sutilmente, com um aroma delicado e um gosto quase doce..."

Draco acordou lentamente, a preguiça parecia ter-lhe escolhido como corpo para dominar naquela manhã. Coçou o pescoço e pôs a mão sobre os olhos, a luz do sol que vinha de trás da cama incomodava, com um feitiço fechou as cortinas e o quarto ficou em penumbra. Deu um leve bocejo e virou para o lado, queria dormir mais uns cinco minutos, apenas isso. Pôs a mão a frente sua face e tocou finos fios de cabelo.

Abriu os olhos novamente, e ficou a olhar desconfiado para a loira a sua frente, que parecia dormir profundamente, mas depois de tudo que já tinha acontecido, ele não afirmava com absoluta certeza de que ela estivesse dormindo. Como isso aguçava sua curiosidade. Existiam coisas que ele passara a noite pensando antes de cair no sono, coisas que martelavam em sua mente, e que se repetiam como o insistente badalar do sino de domingo. "De onde você veio? Quem de verdade você é: a prostituta ou alguém totalmente diferente? E como, como você consegue se esconder tão bem de mim? Por que oclumência não funciona em você?" Então uma idéia tentadora ganhou vida na mente curiosa de Draco Malfoy. "Oclumência talvez não, mas Veritasserum nunca falhará". Ele deu um obscuro sorriso. "Há certo perigo em aplicar em trouxas é verdade, pode haver morte, loucura, coma ou esquecimento..." esse pensamento o invadiu logo após. "Mas nada acontecerá com você, eu acho." Ele pensou continuando a olhá-la de maneira discreta. Lembrou da noite anterior, não podia negar que ela era uma mulher ousada, havia o enfrentado, chamando-o até para certa "guerra", mas ele havia vencido, porém era tentador o jeito que ela jogava. Mas então a lembrança de outra mulher dentro daquela a sua frente lhe surpreendeu, o relato da noite anterior mexera com ele, "Não, sempre fiz sexo como prostituta, nunca antes disso." Era certo que havia algo por trás daquela mulher, o que? Era algo que ele gostaria de saber.

Draco tinha uma leve sensação de lidar com duas mulheres, e daquelas duas, existia a prostituta, vã e inescrupulosa, que dominava, e a outra, que entre brumas tivera dado o ar de sua presença tímida.

Lançou seu olhar pelo corpo dela.

- Porque fazes isso se não há mais necessidade? – ele perguntou com um olhar de suplica e por mais chateado que estivesse não ousava levantar a voz.

- Há coisas que eu não posso explicar... ainda. – respondeu distraindo o olhar para qualquer outro ponto descontínuo que não fosse os olhos dele.

- Entendes o que está fazendo? – ele perguntou querendo poder convencê-la a voltar atrás.

- Não há entendimento, há a necessidade, acho melhor colocar nesses termos. – ela respondeu.

- O que foi isso? – ele virou para trás seguindo o barulho.

- Não sei. O que será? – ela o seguiu.

- Corra, corra! - ele ordenou. – Sabes onde nos esperar, não sabe?

- Sei. Mas...

-Me espere aparecer por lá, e se não aparecer é provável que nem mais aqui esteja. – deu-lhe um beijo na testa. – Corra...

Draco desviou o olhar quando uma insistente campainha começou a tocar. "Mas quem será essa hora?" Ele pensou. Olhou o relógio do criado mudo. "Seis da manhã? Dormi demais essa noite". Ele pensou. A insistente campainha continuava a tocar e proporcional ao seu barulho, a irritação de Draco crescia. "Já não se faz serviços de quarto como antigamente, esse está deixando muito a desejar".

- Já vai! – ele falou alto, abrindo a porta.

- Guten Morgen, Herr. Frederich Herman. – um adolescente de cabelos ruivos lhe falou como uma voz sorridente. Sinceramente, ele parecia vindo de programas infantis para retardados.

- O...

O rapaz não deixou o loiro sequer começar uma frase.

- Por acaso sua irmã, Fraülein Kribellein, está acordada? – ele perguntou.

"Irmã? Da onde ela tirou isso? Desde quando somos parecidos para sermos irmãos?"

- Não, não está. – ele disse o mais secamente possível, porém a extrema simpatia do menino não se dissolveu.

- Então, Herr, entregue isto a ela. – ele lhe repassou uma sacola. – Ela pediu que a entregasse.

- Essa hora? – ele perguntou.

- Exatamente. Guten Tag! (Bom dia).

Draco fechou a porta e pôs-se a analisar a sacola em sua mão, era preta e seu conteúdo era de médio peso. "O que terá ai dentro?" Ele pensou. Colocou em cima da mesa. "Não seria educado olhar o que tem, além do mais não me importa o que é."

Foi até a cozinha ver algo para comer "Será algo sobre a identidade dela? Será alguma bomba? E se ela for uma terrorista? Eu posso está correndo risco de vida... Não! Para de pensar idiotice! Terrorista... Essa é boa".

Abriu o frigobar.

- Não há comida nesse apartamento. – ele falou. "Hoje entro tarde no escritório, posso ir a um supermercado."

Foi até a sala procurar a chave do carro, e lá se deparou com a sacola. E dessa vez a curiosidade lhe falou mais alto do que a educação Malfoy.

"Eu vou ver, ninguém precisa ficar sabendo." Ele pensou espiando, mas nada era visto, abriu um pouco, ainda era impossibilitado de ver algo. Pôs sua mão e sentiu algo macio, parecido a algodão. "O que ser...

Ele gritou, puxou a mão e um cachorro veio com ela.

– Que merda é essa? Larga minha mão, seu vira-lata! – ele dizia balançando a mão, mas o cachorro parecia apertar cada vez mais. – Larga! Larga! – Draco ia bater-lhe com a mão livre, porém entendendo, o cachorro pôs-se a correr pelo apartamento.

- Vem aqui, seu pulguento. – Draco foi atrás dele.

O cão, por sua vez, entrou no quarto e pulou na cama, em cima da loira ali deitada, latindo para acordá-la. Draco logo chegou e avançou para pegá-lo, porém tropeçou no fio do abajur e caiu em cima das pernas de Adela.

"Corra..."

Adela acordou com o susto, olhou em volta e viu Herman em cima de suas pernas, olhou para o lado seguindo um latido.

- Vem aqui pra ver o que eu faço com você.

E o latido se tornava cada vez mais intenso.

- O que está acontecendo? – ela perguntou.

Draco se libertou do cabo e se jogou em cima do cachorro, que só fez esconder-se em baixo do travesseiro, enquanto Draco, este caiu para o outro lado da cama.

- Puta merda! – foi o que Adela ouviu.

- Oh! Você está aqui? – ela pegou o cachorro, esquecendo dos gritos de dor que Draco dava. – Que coisa linda, você está tão cheiroso, tão macio.

Draco se levantou.

- Você pode fazer o favor de tirar este animal da minha cama? – ele pediu delicadamente, porém havia um timbre mortal em sua voz.

O cachorro latiu pra ele.

- Não sei se você reparou, mas ele não está em cima da sua cama, está em cima de mim. – ela respondeu o olhando.

- Então, faça o favor de sair também e sumir com este animal. – ele tentava manter-se calmo.

-Qual dos dois? – perguntou, parecendo irritada. - Que nome lhe vou dar, garotão? – ela continuava a balançá-lo no ar, ignorando totalmente seu cliente. – Ballack? Kam? – o cachorro latiu. – Você não gosta de futebol? – ele latiu de novo. – Ok. Ok. Quem sabe então um nome de um cavaleiro... Rei Arhutr? Não, não, muito comum, que tal...

Aquele ignorar enfureceu o loiro, que se deslocou para o outro lado da cama e arrancou o cachorro das mãos de Adela.

- Me devolva o Lancelot. – ela pulava. – Não quero que ele volte para rua.

Draco a encarou.

- Eu ouvi bem? RUA? – ele arregalou os olhos.

- Sim, eu o encontrei machucado, e o trouxe pra cá. – ela respondeu. – E você está apertando o local...

Adela falou tarde de mais, Lancelot já havia mordido Draco novamente e na mesma mão. Como reação, Draco o jogou no chão, e o pequeno cavaleiro pôs a correr novamente e o mesmo fez o loiro, dessa vez acompanhado por Adela.

- Dá pra parar com isso? – ela falava de um lado da mesa tentando pegar Lancelot antes de Draco.

- Eu odeio animais, e nenhum vai dividir o meu teto comigo, você entendeu? – disse do outro lado conseguindo puxá-lo pelo rabo.

Encaminhou-se até a porta, abriu-a, deixando o cachorrinho no corredor e depois fechou a porta.

Adela foi ao seu encontro, mas Draco se pôs entre ela e a porta.

- Me deixe pegá-lo de volta! – ela tentava alcançar a maçaneta.

- Você é surda? Não ouviu o que eu disse? – ele perguntou.

Ela parou irritada a sua frente. "Que mimado de uma figa! Argh! O que eu faço?" pensou a loira.

Momentaneamente ela mudou de expressão, Draco ficou receoso com o que ela poderia fazer.

- Você não pode reconsiderar a questão? – ela perguntou com uma voz delicada.

- Como assim? – ele se fez de desentendido.

A loira tocou-lhe o ombro e passeou lentamente com seus dedos pelo braço bem torneado de Draco.

- Reconsiderar, você não sabe o que é isso? - falou chegando até a mão do loiro, a que não estava na maçaneta da porta, fazendo seus dedos roçarem nos dele, pegou-lhe a mão e pousou em sua cintura, ela já tinha reparado que algo estremecia quando ele a encostava.

"Tudo o que ela quer é abrir essa porta." Ele pensou. Mas diferentemente das reações que geralmente tinha, ele a apertou contra si, fazendo-a subir nos seus pés e tornando, assim, a distância menor.

- O que você espera que eu reconsidere? – ele falou tirando a mão da maçaneta e pousando-lhe junto à outra.

- O que você quiser. – em um movimento lento ela foi se aproximando e lhe beijou a bochecha.

Os pêlos do corpo de Draco se arrepiaram, e estranhamente ele sentiu o suor percorre-lhe as costas. Foi de tal forma inesperado o que ela fez que nem reação imediata ele teve.

- Você acha que vai me excitar assim? – ele falou rindo debochadamente.

Adela não se deu por vencida com tal comentário, continuou a lhe despejar beijos pelo pescoço, pelo colo, e quando inevitavelmente sentia a pele dele em seus lábios, a cobiça e o desejo se apresentavam, causando-lhe um estado fantástico. Talvez, então, a pele dele fosse capaz de transportá-la para o lugar mais distante, e era a mesma que lhe dava aquela sensação de excitação prolongada, de surrealidade.

O sangue Malfoy, frio e indiferente, agitava-se e o motivo eram as carícias daquela perfídia. Envoltas a cintura dela, as mãos grandes se apertaram, o suor lhe surgiu a nuca e os beijos lhe chegavam ao corpo como um ritual de encantamento. "Prostitu..."

Perdido em pensamentos, só reparou no "Clic". Ela aproveitou seu pensamento distante e abriu a porta, fazendo-o cair com força bruta no chão, mas levando-a junto.

- O que você acha? Que sou estúpido? - ele falou para ela que estava ao seu lado.

- Lancelot!! – ela se pôs a levantar. – Entre! – ela ordenou, e ele obedeceu.

Mas Draco a puxou para cima dele.

- Deixe-me ficar com Lance. – ela fez uma cara de pena.

- Como você é dissimulada. – ele falou rindo e ela tentando se libertar. – Só se você reconsiderar. – ele disse.

- Aqui? No meio do corredor? – ela perguntou para ele.

- Por que não? – ele respondeu.

Ela olhou para os dois lados e depois olhou para ele. "Não me desafie." Arrumou-se, ficando sentada em cima dele. Levou as mãos para trás e desabotoou o sutiã.

O elevador parou e começou a abrir a porta.

Draco arregalou os olhos. "O que vão pensar?" Ele levantou, ficando sentado, com ela ainda em cima dele. Adela apenas riu da cara de desesperado dele. Empurrou-a para dentro, entrando logo depois.

- Você é maluca mesmo. – ele falou, fechando a porta ainda no chão.

- Era o que você queria, e o que eu estou aqui para fazer? Não é isso? – ela respondeu ainda sentada, e batendo nas coxas, chamando pelo novo amigo.

Draco tinha certeza que ela zombava dele com aqueles comentários de servidão cega. Ela não estava ali para os caprichos dele, estava ali pelo dinheiro dele. Olhou com aquele olhar cético e pétreo para a pequena pródigo do fingimento que tinha a sua frente, seus olhos, porém, bateram na alça caída do sutiã frouxo e rosado, e na forma sensual que uma parte da aureola do seio, meio exposta, meio coberta se mostrava para ele. Que belo quadro aquela cena daria, a menina quase mulher, acariciando um cão, e o sensualismo do seio amostra. E o homem, ele no caso, observando a cena, altamente envolvido no sortilégio inocente dela, e com pensamentos nada inocentes em sua cabeça. Hormônios se liberaram em avalanche no interior daquele corpo, apenas humano, e vontades primitivas lhe chegaram aos olhos. "Porque não fazer com ela 'o que se deve'?". Ele pensou. Viu-se avançando contra ela e arrancando-lhe qualquer peça que esta usava, os músculos cardíacos se intensificaram entre sístole e diástole, o corpo ansiava pelo o que ele via, e dava sinais disso, a respiração desejante, que é compassada, que é rarefeita, acontecia. O calor, o suor, estavam ali, todos presentes. E o orgulho, o mais cruel de todos, também se fazia presente, impedindo que qualquer desejo do loiro se realizasse.

- Vou... Vou... Vou para o trabalho. – ele falou tentando evitar certas reações de seu corpo humano, apenas isto. Ele havia baixado a guarda.

- E Lancelot? – ela perguntou, lançando-lhe um olhar manhoso, e fazendo uma carinha tristonha.

Com a guarda abaixada, aquilo lhe atingiu como um trovão.

Ele começou a responder, porém oscilava seu olhar entre ela e seu seio.

- Fique com o pulguento, mas quando eu estiver aqui nesse apartamento ele estará ou no pet shop ou na cozinha trancado. Nunca, nunca em cima da minha cama, entendido? – ele falou rápido, sem encará-la, retomando em partes o controle da situação.

- Obrigada. – ela disse, apoiando a mão no chão, se aproximando do loiro e dando-lhe um beijo na bochecha, levantando-se logo depois e indo a cozinha.

- Viu, Lance? Você tem que se comportar. – ela falava.

Draco foi para o quarto, podia ouvir a voz dela ainda na cozinha. Tomou uma ducha fria e rápida, depois disso limpou e enfaixou o lugar mordido pelo cachorro.

- Pequeno Lance. Pega! – ela jogou uma bolinha que havia vindo juntamente com ele na sacola.

- Agora a minha sala vai virar um caos. – ele falou, mas não a olhava, ele ainda estava um pouco desconcertado com o que ocorrera alguns minutos antes. Certas sutis vontades estavam deixando sua mente levemente confusa.

- Não. Eu prometo! Nada vai ser quebrado ou danificado. E se for eu pago. – ela falou.

- Ou seja, eu pago. – ele disse. – Vou trabalhar. – disse saindo.

- Ok. "Ou seja, eu pago." – Adela fez uma careta repetindo o que o loiro acabara de dizer. – Até parece que eu não faço nada. – ela parou um pouco. – Realmente, eu não faço muita cois...

O toque distante do seu celular a fez correr para o quarto.

"Onde eu coloquei o celular? Merda! Eu sempre esqueço onde eu coloco esse troço! Debaixo da cama? – ela abaixou para olhar. – Não, o som vem daqui... – abriu umas gavetas do criado mudo a sua frente. – Calma, ouve o som."

Seguindo o barulho, acabou por achá-lo dentro da mala.

- Alô! – atendeu depressa.

- Mar... - falou do outro lado uma voz conhecida.

- Renné! – ela ficou aliviada de ouvi-la mesmo com um incessante chiado do telefone.

- Quando você vem para I... - ela perguntou.

- No final dessa semana estou aí. Por quê? Acabou a grana? Precisa de alguma coisa? – ela perguntou.

- Não... – ela respondeu.

- Alô? Alô? Alô? – a loira falava, mas a ligação havia caído.

Ninnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnde. Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

A janela do programa para conversação piscava de cor laranja berrante, o ar-condicionado derrubava algumas folhas no chão e agitava outras tentando dar-lhes o mesmo destino, a xícara de café estava esfriando lentamente e Draco nem sequer tinha provado um gole.

Havia uma pilha de CDs com os mais diversos assuntos para que ele analisasse, mas ele estava virado de costas para tudo isso observando a cidade de Berlim, é talvez fosse isso, mas ele não olhava nada, nem aquele belo e radiante dia de céu azul que fazia.

Levou a mão à bochecha e pode reviver a sensação que sentira há uma hora. Saíra tão rápido de "casa", não queria que ela percebesse que ele tinha ficado tentado a algo. Tentara ocupar sua mente com o trabalho, mas reviver a sensação lhe pareceu ser o que mais queria fazer naquele momento. A lembrança do seio também fazia parte daquilo. Riu de si mesmo. "Patético..."

Ninnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnndeee. Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

- Lance, mais devagar, menino. – dizia Adela, que corria com ele na praça. – Não agüento mais, vem cá. – ela segurou o cachorro no colo e se sentou em um banco.

"O que será que Renné queria? Morri de ligar para ela e nem sequer atendeu. Nem deve ter recebido as chamadas... Do jeito que tava ruim a ligação nem deve ter completado..."

Um menino de cabelo loiro platinado sentou ao seu lado. A loira sorriu, lembrou de seu cliente, deveria ter sido parecido com aquele menino quando criança. Mas logo tentou afastar aquilo de sua mente, a noite anterior lhe mostrou o perigo que corre com ele, perigo para ela que era uma mulher que se vendia e que nunca cedeu coisa alguma sem ter dinheiro envolvido.

Então, aquele sentimento de amargura lhe invadiu. Que vida vazia que ela tivera todos esses anos, indo para a cama na maioria das noites com homens desconhecidos ou até clientes fixos que eram um pouco conhecidos, mas nada que a fizesse sentir a vergonha que sentia com ele. Antes de dormir, ela tivera desejado não ser uma prostituta, desejou por um momento ser o tipo de mulher que Frederich pudesse se interessar mesmo que por uma noite só. Riu de si mesma. "Devaneios sem nenhuma lógica. Eu sou isso e não tenho porque me envergonhar! É a prostituição que me alimenta. Além do mais, sou uma profissional, estou há muito tempo nesse ramo para me deixar envolver por uma atração. Se eu não pensar bem no que vou fazer daqui por diante pode me custar esse dinheiro e toda a minha vida."

E ficou com o olhar parado, até que Lancelot latiu.

- O que foi, príncipe? – ela perguntou. – Quer ir pra casa?

Ele latiu.

- Então vamos.

No seu escritório, Draco demonstrava claramente estar irrequieto, apertava a caneta fazendo um barulho parecido com "tic-tlac" que é, para algumas pessoas, simplesmente insuportável. Resolveu assinar os papéis, a caneta falhou, jogou-a longe. "Arghhh! Não consigo me concentrar, quase assino sem ler direito!" Rodou a cadeira, e levantou. "Calma, Malfoy. Calma." Pensou colocando o antebraço no vidro e encostando sua testa, e ouvindo o mesmo "tic-tlac" da caneta em sua cabeça.

O que se passava com aquele homem? Draco Malfoy, que sempre tivera uma opinião sobre-humana de si, sentia-se em brasa, mas não só em corpo, sua mente parecia fervilhar. Pela causa de um seio? Não, é claro. O seio fora apenas um estalo. O seio que nem inteiro chegou a ver... Fora aquele pequeno detalhe para fazer-lhe perceber tudo que ela vinha lhe causando e que antes ele subjugava. Sendo, então, por este pequeno detalhe que a sensação de ansiedade lhe parecia absurdamente desconexa.

O celular tocou. Ainda com os pensamentos insistentes na cabeça ele foi atender.

- Alô!

- Herr Herman! – disse alguém na outra linha.

- Sim, Hübner. – ele respondeu.

- Herr. Tenho más notícias. O papel da solicitação da fusão foi negado pelo governo alemão.

- O QUE? – Draco perguntou irritado. – COMO?

- Parece que o governo observou algo errado em seu pedido de naturalização, estão pesquisando algo de quem Herr. era antes de querer ser alemão.

- MAS EU DEI TODAS AS INFORMAÇÕES! – "Maldito governo trouxa!"

- Sim, é verdade, mas é necessário primeiro ser naturalizado para que ocorra algo dessa maneira.

- COMO ISSO? ESTAMOS NA UNIÃO EUROPÉIA! SOU UM CIDADÃO EUROPEU!

- Mas sendo que não temos ainda uma constituição única, é essa lei que rege atualmente. – respondeu.

- VOCÊ NÃO PODE FAZER NADA? SEU ADVOGADO IMCOMPETENTE! PARA QUE O CONTRATEI? E ME DIZENDO QUE ERA O MELHOR! NA INGLATERRA ATÉ OS ADVOGADOS PORTA DE CADEIA SABERIAM DISSO E NÃO ME FARIAM PERDER TEMPO E DINHEIRO PARA DAR ENTRADA EM UM PROCESSO ILEGAL! VOCÊ ESTÁ DEMITIDO E EU FAREI QUESTÃO QUE NÃO ARRANJE NENHUM EMPREGO NESSA GALÁXIA SE FOR POSSÍVEL! – desligou e jogou o celular na parede. – ARGHHH!!! MALDIÇÃO! MALDITA CONSTITUIÇÃO!!!

O telefone tocou, Draco apertou o viva-voz.

- O QUE FOI, FRAÜLEIN JONHATEIN? – ele perguntou gritando.

- Herr. Belshoff quer falar com o senhor. – ela disse.

- Mande-o entrar. – ele disse.

- Que contratempo, caro Frederich. – disse Belshoff entrando, e até se espantando com tamanha vermelhidão do rosto de Draco.

- Eu não acredito nisso! Que lei é essa? – ele perguntou.

- Hübner não lhe explicou? – ele perguntou.

- Explicou. Estou possesso, Jacob. Como um advogado deixa passar isso? – ele perguntou.

- Não sei, mas esse não vai achar outro emprego, não nesse continente. – observou sério o velho senhor.

Draco sentou-se e passou a mão no rosto, dando um grito.

- Acalme-se, não é o primeiro negócio que me sai errado, além do mais nem tudo está perdido, quanto tempo ainda falta para chegar sua nova nacionalidade?

- Uns três meses, talvez. – ele respondeu.

Belshoff ficou pensativo.

- Eu esperarei, não há nada a perder com este curto tempo. – ele respondeu.

Draco lhe deu um sorriso muxoxo.

- Um tempo longo para mim. – falou.

- Você é jovem, tem pressa, sendo longo ou curto ainda assim é válido. – o senhor respondeu.

- Ah! Adela já marcou a data do jantar, disse que é na quinta, tudo bem? – Draco inventou aquilo na hora, precisa agradar Belshoff e nada parecia agradar-lhe mais do que a prostituta.

O senhor deu um sorriso iluminado.

- Claro, diga a futura Fraülein Herman que estarei lá. Que horas?

- 21:00? – Draco perguntou.

- Perfeito! Bom, agora preciso ir, o banco precisa muito de mim.

- Algum problema, Jacob? – perguntou já que o homem não era muito de ir ao banco, administrava mais as micro-empresas que nasceram do banco, pois este já estava na mão de sua filha.

- Nada que eu não possa resolver, eu acho. – ele levantou e estendeu-lhe a mão. – Nós falaremos amanhã com mais calma, até Frederich.

Draco se levantou e a apertou.

- Até.

"Três meses! Que grande azar ter de esperar tudo isso... Advogados sempre são uma merda".

Não havia mais nada para se fazer na empresa naquele dia. Desligou o computador, pegou a pasta e o celular.

- Já vai, Herr. Herman? – perguntou Fraülein Jonhatein.

-Não, estou indo passear no elevador. - ele respondeu grossamente. - Compromissos de amanhã?

A mulher enrubesceu. E logo depois ficou espantada.

- Herr. Herman amanhã é três de Outubro.– ela falou como se fosse óbvio.

Draco lhe lançou um olhar como se falasse: "E daí?".

- Tag der Deutschen Einheit? – ela continuou já que ele não tinha se pronunciado.

Draco lembrou.

- Lógico! Feriado da unidade alemã. – ele disse. - Hübner deve passar por aqui hoje, dê a ele o que é de direito a todo homem que é demitido. – ele falou.

- Mas Herr... - ela começou a falar.

- Uma palavra a mais e você receberá o mesmo que ele. – disse entrando no elevador.

- Sim, Herr. Herman. – a mulher voltou-se ao computador.

Chegou ao térreo.

- Herr. Herman... – começou o motorista.

- Não, vou a pé hoje. – ele disse ao motorista. "Preciso caminhar".

- Ok. – respondeu o chofer.

- Malfoy! Malfoy! – gritou alguém do outro lado da rua.

Draco olhou discretamente, "Quem é o desgraçado que me chamaria por esse nome aqui?".

Olhou e viu. "Só pode ser brincadeira." Ele continuou a andar e apressou o passo, mas não foi o suficiente para despistar o homem.

- Você não precisa fingir que não me conhece. – ele falou chegando ao seu lado.

- O que você quer aqui? Como me achou? – perguntou sem encará-lo e desviando das pessoas que andavam na rua.

- Isso não importa. Você precisa voltar para Inglaterra. – ele disse.

Draco riu, o dia estava se tornando tão irônico.

-Voltar? Para quê? Para atrapalhar sua vida? – ele perguntou.

- Você não sabe a história toda. – ele disse.

- Não, eu não sei. Eu vi, Zabini, eu vi! – ele virou em uma rua sem saída.

- Temos que conversar. – ele falou o seguindo.

- Fale com a parede, ela lhe dará os ouvidos que merece. - respondeu aparatando.

"Não adianta fugir, eu ainda te encontro, Malfoy."

"Como foi que me acharam aqui? Deve ter sido minha mãe, ela consegue tudo num só estalar de dedos. Estava achando até estranho ninguém ter me encontrado ainda. Voltar pra Inglaterra? Nunca mais piso naquela terra." Ele pensava chegando ao hotel.

"Que filho da puta aquele Zabini vim falar comigo, se não estivesse perto da empresa, teria dado o que ele merece, o que não é pouco."

Ninnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnde. Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

- Au, au, au. – latia Lancelot para Adela.

- Calma! Eu já vou lhe dar comida, deixa só eu fechar essa janela. – ela respondeu, mas o cachorro continuou a latir. – Pronto! Nossa que chuva! – ela falou o pegando no colo e levando a cozinha.

Ouviu-se um trovão, Lancelot se escondeu em sua casinha de pano.

- Venha cá, seu cachorro bobão, não vai acontecer nada. – Adela o chamou.

Mas não houve qualquer movimento do pequeno animal.

- Ok, seu medroso. Fique ai. – ela disse colocando a ração em seu pote e indo a direção a sala. Caminhou até a porta da sacada, a chuva desabava com violência em Berlim, tocou no frio vidro da porta.

"Onde ele estará? Já são duas horas da manhã, será que aconteceu alguma coisa?" Pensou apreensiva. "Se eu tivesse o telefone do local onde ele trabalha. Ah! Mas eu tenho o dele!" Lembrou que ele havia lhe ligado na primeira vez e o número ainda deveria estar gravado em seu celular. "Como não pensei nisso antes?"

O telefone tocou.

- Alô. – ela atendeu rapidamente. Era tarde, devia ter acontecido alguma coisa.

- Fraülein Kribelein? – perguntou uma voz.

- Sim, quem deseja? – ela perguntou.

- Aqui é Herr. Linsenbröder. – o homem falou. – Seu irmão está altamente alcoolizado no bar, achei que era bom avisá-la.

- Eu já desço. – ela respondeu. "Mas por que isso? Em plena segunda-feira..."

Adela entrou no bar, estava escuro, na verdade apenas a banda, que tocava uma música antiga dos Beatles, era verdadeiramente iluminada, deixando assim o resto do ambiente na penumbra.

Tinha posto apenas um robe de cetim por cima da camisola, não havia muitas pessoas ali naquela hora, Adela contou 10, mas não tinha certeza do número.

Lançou o olhar e reconheceu Frederich sentado ao bar.

- É um pouco tarde, você não acha? – ela perguntou sentando na cadeira ao seu lado.

Ele se encontrava meio curvado com um ar soturno, tinha o olhar fixo no espelho que ficava detrás das bebidas. Não parecia estar ali, estaria aonde então?

Ela esperou ele dizer algo, mas ele apenas continuou a beber, parecia não ter a notado.

- Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou ignorando o fato do loiro não ter lhe dado a mínima atenção.

Ele deu um gole, repetindo a ação anterior.

"Paciência." Ela pensou respirando fundo.

- Você está bem? Precisa da alguma coisa? – ela perguntou novamente sem se dar por vencida.

Nada, nenhuma palavra.

"Por que eu me sinto uma palhaça?"

- Ok. Parece que você está bem. – ela falou descendo da cadeira.

Sentiu a mão forte do loiro em seu braço, trazendo-a de volta.

Ele fixou o olhar nos olhos dela. Levantou-se e ainda a segurando a arrastou. Ela tinha uma expressão confusa. "O que ele vai fazer?" Ele deixou o copo em uma mesa ali próxima e a levou para o meio do salão.

Uma música lenta começou.

He said I'm going to buy this place and burn it down

(Ele disse que eu vou comprar este lugar e o destruir)

I'm going to put it six feet underground

(Eu vou enterrá-lo)

He said I'm going to buy this place and watch it fall

(Ele disse que eu vou comprar este lugar e vê-lo cair)

Stand here beside me baby in the crumbling walls

(Esteja aqui ao lado de mim baby nas paredes

desintegrando-se)

Ele posou sua mão na dela, segurando-a, levantou até o alto da cabeça da loira, que afinal de contas nem era tão alta assim, e a fez girar no ritmo lento e melancólico da música.

Depois do quinto giro, talvez sexto, ela parou meio zonza e tropeçou em seus próprios pés perdendo assim, o pouco equilíbrio que lhe restava. Ela caiu e Draco a segurou entre os braços, a balançando seguindo o ritmo da música...

Oh! I'm going to buy this place and start a fire

(Oh eu vou comprar este lugar e iniciar um incêndio)

Stand here until I fill all your heart's desires

(Esteja aqui até que eu encha seu coração de desejos)

Because I'm going to buy this place and see it burn

(Porque eu vou comprar esse lugar e vê-lo queimar)

Do back the things it did to you in return

(Suporte as coisas que lhe fez no retorno).

...Mas ele não só a segurou, não havia sido de maneira fria e distante, ele a aninhou como se fosse uma criança a qual ele protegia. Adela teve um estremecimento sutil, pousou sua cabeça e suas mãos no peito dele, e por mais que o cheiro da bebida estivesse presente em seu hálito e em sua roupa e se misturasse com seu forte perfume masculino, ela ainda podia perceber em meio tudo aquilo, o cheiro dele, o cheiro da pele dele, e para ter tudo aquilo gravado e mais intenso, foi que a loira, apoiada a ele, fechou os olhos...

Ah, ah, ah

(Ah, ah, ah)

He said Oh I'm going to buy a gun and start a war

(Ele disse Oh eu vou comprar uma arma e iniciar uma

guerra)

If you can tell me something worth fighting for

(Se você me falar de algo que valha a pena lutar)

Oh and I'm going to buy this place, that's what I

said

(Oh eu vou comprar esse lugar, isso que eu disse)

Blame it upon a rush of blood to the head to the head

(Responsabilizem-no em cima do arremetidas do sangue à cabeça à cabeça)

And) honey

(E) Querida

All the movements you're starting to make

(Todos os movimentos que você está começando fazer)

See me crumble and fall on my face

(Veja-me desintegrar-me e cair em minha cara)

And I know the mistakes that I made

(E eu sei os erros que eu fiz)

See it all disappear without a trace

(Veja tudo desaparecer sem um vestígio)

And they call as they beckon you on

(E eles chamam enquanto eles acenam para você)

They said start as you mean to go on

(Eles disseram comece e você começou)

Start as you mean to go on

(Comece como você acha que começa)

Acolhida junto ao seu peito, Draco sentia-se como um próprio guardião. Beijou-lhe o cabelo e passeou as mãos pelos fios sedosos, o cheiro dela, deveria ser um cheiro difícil de explicar e quase impossível de definir, talvez fosse de rosas, talvez de incenso misturado ao hidratante de erva-doce, mas Draco não sabia distinguir cheiros de erva-doce entre os de rosas ou canelas, ele só sabia que aquele era o cheiro único e exclusivamente dela.

So meet me by the bridge, meet me by the lane

(Então encontre-me na ponte, encontre-me no beco)

When am I going to see that pretty face again

(Quando eu irei ver aquele rosto lindo de novo)

Meet me on the road, meet me where I said

(Encontre-me na estrada, encontre-me onde eu disse).

- Senhoras e senhores, terminamos por hoje. – disse o cantor da banda que acabava de cantar.

Houveram algumas palmas pingadas.

Draco e Adela ainda permaneceram por alguns minutos em total entorpecimento, mas logo depois como se acordado as pressas de um sono, Draco se espertou e distanciou-se.

- Acho melhor subirmos. – ela disse permitindo até que um sorriso meigo formasse em sua face.

- Suba você, eu vou ficar. – ele falou frio.

O sorriso se desfez completamente.

- Acho melh...

- Você não ouviu o que eu disse? – ele perguntou gélido.

Ela abaixou os olhos e se virou. Indo para onde ele havia mandado.

Ninnnnnnnnnnnnnnnnnnnde. Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

"Idiota! Imbecil! O que você tem na cabeça? Você chegou a sorrir que nem uma adolescente! Ridícula! Ponha-se no seu lugar e acabe de vez com tudo isso!" Gritava uma voz dentro da mente de Adela, era a sua própria e consciente voz que lhe dizia aquelas palavras, era a parte sensata de tudo aquilo que lhe falava o mais correto a fazer.

"Acabar de uma vez com tudo?" Ela se perguntou, bateu a cabeça na parede do elevador.

"Eu estou pelo dinheiro, eu preciso desse dinheiro!" Pensava quando o elevador chegou ao andar.

"Mentira! Há muito tempo você não esta mais nisso pelo dinheiro, você está por causa..."

- Não! – ela falou com a voz na sua mente. – Estou pelo dinheiro, isso é verdade.

"Dinheiro? Você arruma com qualquer um essa quantidade e até mais se quiser." Falou a "voz".

- Sim, é verdade, mas o que ele pensaria de me ver indo embora às pressas? Eu tenho orgulho próprio, não vou arredar um pé até que tudo esteja terminado. O que não vai demorar muito. – falou entrando no apartamento e batendo com força a porta.

"Uma sala... homens... O que é isso? Onde estou?" Gritou, mas ninguém ouviu. Apenas risos chegavam a sua mente, risos de deboche, risos de escárnio, mas ela não tinha sequer um vestígio de medo... Até que um deles se aproximou e tocou-lhe a face, ela cuspiu em retribuição. Ele não falou nada, apenas apertou seu pescoço entre as mãos."

A loira deu quase um salto da cama, meio ofegante, e suada, tentava controlar o nervosismo do sonho, ou melhor, pesadelo.

"O que está acontecendo comigo? Eu tive um sonho estranho desses ontem... Estou dormindo demais, não sou acostumada a dormir assim de noite."

O celular tocou. Olhou para trás, Frederich parecia dormir, levantou e foi até o banheiro trancando a porta em seguida.

- Alô! – ela falou atendendo, dessa vez o celular estava em cima do criado mudo.

- Marie, você está certa de quando vai voltar? – Renné perguntava.

- Não, não estou. Pode ser sexta também, por que essa impaciência? Precisas de algo? Eu mando se puder.

- Não, é que além de ter de ir buscá-la no aeroporto, Jean Pierre quer saber. – ela falou.

- Eu ligo quando estiver indo. Quinta ou sexta. – ela falou.

- Ok. – disse desligando.

Saiu do banheiro, o homem estava dormindo, sentou na cama. Devia haver algo errado para Renné ligar assim dois dias seguidos para saber a data exata de sua volta, não era comum aquele comportamento. "Jean Pierre deve estar pressionando-a."

- Maus sonhos? – perguntou, com uma voz arrastada, o homem que estava deitado atrás dela.

Adela levou um susto. Virou a cabeça.

- Não, apenas acordei cedo, quero aproveitar o dia. – ela respondeu.

- Hum... – ele falou colocando os braços para trás da cabeça.

- Vou fazer o café. – ela disse se levantando.

"Maus sonhos?" Veio à mente dela.

Entrou na cozinha, Lancelot dormia profundamente na sua casinha de pano. Abriu a geladeira, iria fazer um belo café da manhã, quem sabe assim tiraria as preocupações da cabeça.

- Pronto. – ela disse terminando de por a mesa.

- Bela mesa. – ele falou, como sempre aparecendo do nada.

Ela o olhou, ele estava todo arrumado, nem de longe parecia o homem da noite anterior, e sem aviso se sentiu arrebatada pela sensação que aquele homem de ontem tinha lhe causado, corou, porém muito discretamente para ele perceber. Adela tinha se sentido tão bem entre os braços dele que desejou e ainda desejava que aquilo se repetisse, ou então que ele pudesse esquecer quem ela era e dar o que ela queria. Mas o que era isso? O que ela desejava dele?

Ela se sentou.

- Obrigada. – deu um sorriso discreto. - Pode comer.

- Não, obrigado, não estou com fome. – ele falou com um ar esnobe, esnobe talvez fosse pouco pelo tom que ele usou, nojo seria o termo perfeito.

Ela não respondeu nada, por trás de todo aquele esforço de ter preparado uma mesa tão vistosa, ela tivera a esperança que depois da noite passada ele se sentasse ali, com ela. Entretanto, a volta da sobriedade lhe fazia voltar o homem que era, e que lhe entristecera com o comentário.

Ouviu a porta bater, ele tinha ido, e ela estava só como em todas as tardes.

Ouviu um latido. Olhou para o pequeno vira-lata branco. "Não tão só assim..."

Ninddddddddeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee. Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

- Malfoy, tenho algo sério a lhe dizer. Você...

- Segurança! – ele chamou o homem loiro, corpulento e alto, semelhante a um bárbaro.

- Herr. Herman? – ele perguntou.

- Pode tirar esse homem de perto de mim? – ele pediu.

O moreno ficou assustado. O segurança pegou-lhe pelo braço e o arrastou para fora.

"Eu não me importo com que ele tenha a me dizer, absolutamente tudo que venha da maldita ilha que é a Inglaterra, é porcaria, minha nova vida é na Alemanha, longe de tudo aquilo."

Entrou no pequeno apartamento, estava tudo apagado, apenas uma luz no corredor se fazia presente, e vinha do quarto.

- E então? Estou bonita? – ele ouviu Adela dizer. E um latido responder a pergunta feita. – Será que arranjo um namorado hoje? – outro latido respondeu.

- Quer se apegar agora? Deixar da vida? – ele perguntou ironicamente aparecendo à porta.

Ela se assustou como era de costume, ele tinha essa mania irritante de aparecer do nada e assustá-la.

Lancelot avançou nele e mordeu sua calça.

- Larga! Larga! – ele dizia.

- Lance, larga. – disse Adela.

O cachorro não obedeceu. A loira pegou-lhe pelo corpo e o puxou. Rasgando assim a calça de Draco.

- VOCÊ VIU O QUE ESSE PULGENTO FEZ? – ele gritou.

- Ai, que drama, é só uma calça. – ela respondeu revirando os olhos.

- UMA CALÇA? VOCÊ TEM NOÇÃO DE QUANTO CUSTA ESSA CALÇA? Nem em todas as noites do ano você conseguiria ganhar o suficiente para ter uma. – ele ficou olhando para ela.

- Não, e nem quero ter! – ela disse irritada com as ofensas. "Ele não era assim... O que eu estou falando? Eu nem sequer sei quem ele é! Sempre foi meio grosso mesmo."

- Como pedir que alguém assim compreenda o que é o esforço do trabalho pra comprar algo? – ele retrucou debochadamente.

Ela apertou Lancelot no colo. Sentiu-se humilhada com aquele comentário. Aquele cliente estava conseguindo feri-la de tal forma que começava a ter tanta vergonha que não ousava retrucar, porque tudo aquilo que ele falava era de certa forma verdade.

– Vamos, Lancelot? – ela perguntou olhando para o cachorro ao seu colo, queria ir para longe dele.

- Pra onde? – ele perguntou.

- Como pra onde? Hoje é a noite do festival do Tag der Deutschen Einheit. Todos os alemães vão à praça principal com velas para homenagear os mortos que tentaram ultrapassar o muro de Berlim e bandeiras para que nunca mais se divida algo que é e sempre será um só. – ela falou indo até a cama, onde havia umas sacolas e de uma sacola tirou a bandeira alemã.

- Eu não sou alemão. – ele falou.

- Sim, mas eu sou e eu vou. E não me lembro de tê-lo convidado. – ela falou perdendo a paciência.

Draco olhou-a.

Ela passou por ele, com Lance logo atrás, Draco a puxou pelo braço.

- Você não vai se eu não quiser. – ele disse lhe encarando. – Afinal, eu pago, eu mando.

Ela ficou vermelha. "Eu pago, eu mando." Ele já tinha falado certas coisas parecidas, mas nunca com aquela expressão de intenso desprezo para o que ela era. Afinal, era, acima de tudo, uma pessoa.

Draco riu de canto.

- Ok. – ela disse se libertando dele. – Vou ficar então. – se sentou na cama. – Vamos fazer o que essa noite? Contar as estrelas? E você ainda me paga pra isso. – ela riu sarcasticamente quando acabou de falar.

- Você é a única garota de programa que eu conheço que reclama por não fazer o seu trabalho, acho intrigante, por que isso? – ele perguntou se aproximando.

Adela ficou em silêncio por um tempo.

- Eu não estou reclamando, estou apenas querendo provocá-lo.

Já perto, Draco tocou em seu queixo e a fez levantar os olhos, encontrando os dele.

- E já deve ter descoberto que as suas provocações de nada me afetam, não é? – ele empurrou o rosto dela para direita.

"E já deve ter descoberto que as suas provocações de nada me afetam, não é?"

Então, era isso, nada do que ela fazia o afetava. Os jogos de sedução, ter-lhe enfrentado, nada disso o atingia e mesmo que ela tentasse, ele iria sempre a olhar como a prostituta que ele paga, não se sabe por quê, Adela nunca quis tanto não ser o que era. "E se eu não fosse? E se eu tivesse trilhado outro caminho? Mas qual é o sentido disso? Eu com certeza nem o teria conhecido. Não o conhecer? Se isso tivesse acontecido, eu continuaria a ser e ter a mesma vida, isso seria fantástico. Mas não teria conhecido outras coisas que andam acontecendo comigo, e isso seria péssimo..."

"Saia daqui, você quer o que dele, afinal? Vá! Continue sua vida! Você estava tão bem..." Era aquela outra voz novamente, a voz da razão, a voz realista que dizia que era melhor ela ir embora e esquecer que alguma vez ela tivera vontade de estar exatamente onde estava.

"Bem? Eu nunca estive bem, eu comecei a enxergar tudo isso quando ele me rejeitou... O que eu quero dele? Eu não sei."

"Você quer que ele não a veja como você é: a prostituta!" Pensou se auto-respondendo.

"Não é isso! Por que ele é tão cruel? Joga comigo como se eu fosse um objeto! Ontem... ontem eu pensei que talvez... ele me deu esperanças!"

"Você é um objeto. Tudo que se pode pagar vira objeto. Ele tem o dinheiro, ele tem o poder de querer fazer a você o que bem entender, mas todos foram assim, Adela, todos mandaram e você fazia, outros lhe falaram coisas muito piores e você continuou fazendo seu trabalho sem se abalar, agora por que lhe fere tanto quando ele a insulta? Esperanças? Você mesmo se deu, achando que ele cairia no seu jogo de sedução, o que você achava que ia acontecer, mas ele entra no seu jogo, porém continua a rejeitando com uma aversão que nem você mais consegue se suportar. Você vê a gravidade da situação? Você já não se suporta. E qual é o sentido disso? Você se apegou a este homem. Bem-vinda aos pesadelos das prostitutas, nunca leu a Dama das camélias?"

- Ok. Você e eu iremos, mas o cachorro fica. – ele disse quebrando o silêncio que tinha se estabelecido.

Ela se virou para ele.

- Eu não vou sem ele. – ela retrucou.

- Então, você fica. – ele falou indo até o armário trocar de roupa.

- Ok. Aí você explica a Jacob por que sua adorável noiva, a qual ele falou esta tarde convidando para irmos ao festival, não foi. – ela falou séria.

Draco parou um instante. Abriu a gaveta.

- Ok. Nessas condições, ele vai então.

Fogos de artifícios de todas as cores pintavam o céu de Berlim naquela noite, Adela adorava aquela comemoração, as "Alemanhas" unidas e o nunca mais a segregação. Lancelot latia muito por causa do susto que os rojões lhe causavam e o loiro ao seu lado olhava para cima com um olhar curioso.

- Nunca tinha vindo? – ela perguntou.

- Não. – ele respondeu.

- Dá pra ver que então está há pouco tempo na Alemanha.

Ele não respondeu a pergunta. Apenas balançou a cabeça em sinal de afirmação.

Depois das orações e dos fogos, abriam-se barracas e apresentações.

O celular de Draco tocou.

- Alô.

- Frederich, você está no festival? – perguntou Jacob.

- Sim, Jacob e você? – perguntou.

- Chego em 5 minutos.- respondeu.

- Ok. – ele falou.

- Jacob está vindo. Vamos comprar cerveja. – ele falou.

- Oh! Herr. Belshoff? – ela perguntou meio avoada.

- Você conhece outro Jacob que me conheça? – ele perguntou seco. – E trate de ficar com a boca calada, não vá estragar nada.

Lancelot grunhiu para ele.

- E você também, seu vira-lata. – ele atacou.

"Grosso."

Ele começou a procurar um lugar para se sentar, pegou a mão da loira e a puxou com ele, não ia querer se perder dela ali.

Era nessas horas que a loira se via envolvida pela fantasia, pois quando ele tocava-lhe a mão, ela podia jurar que tudo era verdade, que ele era seu noivo e que ela se chamava Adela Kribelein, sendo assim a futura Fraulein Herman. Precisava parar com aquilo, precisa ouvir a sua voz racional, precisa rapidamente ir embora.

- Desculpa. – ela disse para quem esbarrou.

Olhou para o homem um pouco mais alto que ela e com uma enorme corrente dourada com um crucifixo. Em qualquer lugar do mundo reconheceria aquele colar.

- Algum problema? – perguntou Draco vendo que ela tinha parado. Olhou para o homem que logo começou a tomar seu rumo.

- Nenhum, por que teria? – ela perguntou a ele.

Draco olhou novamente para o homem que já estava distante.

O celular tocou novamente.

- Jacob, estamos perto do começo da praça. – ele respondeu. – Em uma barraca... Isso, isso mesmo. –falou Draco.

Desligou.

- Você já sabe, né?- virou sério. "Quem era aquele homem?" Pensou. - Três cervejas, por favor. – ele pediu à garçonete que veio os atender.

- Eu não bebo cerveja. – falou Adela. – E você devia saber disso já que é meu noivo. – ela atacou.

Ele riu de canto.

- Falso noivo. Duas então. – repetiu.

"Jean Pierre, aqui? Mas ele não estava na Itália com Renné?" Adela ficou assustada. "Não, ele não está lá, está aqui, mas hoje de manhã ele estava lá, foi isso que eu entendi. Há algo errado nessa história, muito errado."

- Frederich. – o homem alto e loiro lhe abraçou. – Adela. – pegou na mão dela e a beijou.

- Vamos sentar. – falou Draco.

- Então? Gostando do festival Tag der Deutschen Einheit? – perguntou a Draco.

- Sim, nunca imaginei que fosse assim tão colorido. – ele falou.

- É preciso comemorar este dia. Você não era nascido quando o Berliner Mauer foi construído, 1961, nem gosto de lembrar desse dia. – ele falou perturbado.

Adela estremeceu.

- Você viu a construção? – ela perguntou.

- Vi. 66,5 km dividindo uma nação por causa de interesses políticos de outros países. – ele tornou seu olhar sombrio. – Não sei dizer o que foi pior, se isso ou a guerra, para mim a guerra foi pior, porque minha família era muito pobre, e com o pré-guerra, com os juros altíssimos e a inflação comendo os salários, ficamos miseráveis, o dinheiro não era suficiente pra comprar meio pão. Logo que meu pai perdeu o emprego, fomos para a Inglaterra, minha mãe era filha de ingleses, e minha tia pagou a viagem. Foi uma sorte para uma família descendente de judeus. Mas já o muro... o muro foi humilhante.

Adela nunca havia imaginado que Herr, Belshoff havia sido pobre alguma vez na vida, era tão elegante, principalmente com a bengala dourada que estava usando. E se assustou um pouco até. "A guerra, o muro ser construído e derrubado, quantos anos deve ter Jacob?"

- Quantos anos você têm, Jacob? – ela perguntou não contendo a curiosidade. – Estou sendo indelicada? Se sim, não precisa responder. – Adela completou meio corada.

O loiro riu.

- Tenho 72 anos. E você não está sendo indelicada. – ele a tranqüilizou.

Draco nunca pensara que Jacob pudesse ter essa idade. Ele não aparentava nem físico, nem mentalmente, era tão jovial, seus cabelos ainda loiros bem amarelados, era verdade, que havia alguns fios brancos, mas nada que o envelhecesse demasiadamente. Era comum Draco saber muito pouco sobre a vida pessoal das pessoas e Herr. Belshoff não escapava a regra. Chegou até a ver Fraülein Adela Belshoff viva, porém não em seu melhor estado, e não sabia que ele vinha de origem tão humilde. Geralmente, Draco não se interessava pela vida das outras pessoas, a não ser quando o assunto era daquela loira ao seu lado, que vinha o intrigando.

- Mas vamos falar da festa! – ele voltou a se alegrar. – Contei-lhe, Frederich, que minha filha Anna vai casar? – ele falou.

- Não, com quem? – perguntou.

- Com o filho de Krüger. – respondeu.

Kruger era a família detentora da maior concorrente de Belshoff.

- E você aprovou isso? – perguntou Draco. – Não tem medo de que algo aconteça? – perguntou Draco achando a união perigosa.

- Pelo jeito, Frederich, algo já está acontecendo. – ele respondeu com sua expressão tornando-se soturna.

Draco se assustou. O que seria aquele algo?

- O...

- Não vamos falar de negócios. – ele falou. – Adela com certeza irá preferir uma conversa mais agradável. – ele disse. – Opa, cerveja. – falou quando a garçonete as trouxe.

- Não me incomodo, Herr. Belsh... Jacob. – ela riu.

Não havia prestado atenção em nenhuma palavra que eles haviam trocado, apenas a imagem de Jean Pierre lhe vinha à cabeça, de uma hora para outra ele apareceria, isso ela tinha certeza e aquele aperto no coração e a aflição lhe eram os sentimentos mais presentes.

- E quem é esse novo amigo? – perguntou Jacob.

- Lancelot. – ela respondeu.

- Deixe-me ver. – ele pediu o cachorro. – Que beleza de animal! Lancelot? Porque esse nome? – ele perguntou.

- Gosto das lendas que cercam esse cavaleiro. – falou.

- Lendas inglesas... Não foi em homenagem ao noivo? – ele perguntou.

- É claro que foi! Ela só está se fazendo de durona. – Draco respondeu.

- Que belo casal, não gostariam de tirar uma foto? – perguntou um moço com uma câmera que foi a mesa.

- É claro que sim. – falou Draco, querendo manter as aparências de casal apaixonado para Jacob.

Puxou a cadeira de Adela para mais pra perto e passou seus braços envolta da loira.

- Pronto. Aqui está. – disse o moço.

Draco o pagou.

- Tire uma de nós três. – falou Adela chamando Jacob.

E a foto foi tirada.

- Dunke. – ela falou.

- Ficaram ótimas. – disse Jacob e Draco concordou.

Adela as pegou e sorriu.

- Realmente. – foi o que disse. – Mas eu saí horrível.

- Você nunca é horrível. – Draco disse.

Ela o olhou.

- Você nunca é e sabe disso. – repetiu lhe acariciando a face.

"Se ele não fingisse, se eu não fingisse, isso seria o mais próximo de um conto de fadas."

- Não mesmo. – disse Jacob.

O celular dele tocou.

- Preciso ir. – ele disse.

- Mas já? – perguntou Draco. – Algum problema?

- Não, não. – respondeu meio tenso. – Apenas Anna... Sem a mãe, ela não sabe que bolo, convite escolher. E tendo este feriado livre está cheia de catálogos. Quinta está certo? – ele perguntou a Adela.

Ela levou um susto. "Quinta?"

- Claro. – respondeu Draco.

- Então nos veremos. – disse Jacob indo embora.

Adela virou-se para ele.

- O que tem quinta? – ela perguntou.

- Como o que? Você não o convidou para jantar? – ele arqueou uma sobrancelha, e voltou com o tom de voz frio e seco.

"Fingimento..."

- Vamos embora, amanhã alguém precisa trabalhar nessa história toda. – ele falou indo pagar a conta.

Ela respirou profundamente, não ia perder a paciência e por tudo a perder, e também ia controlar o que estava acontecendo internamente, era ou não era uma profissional? Daqui a três ou quatro dias ela estaria livre e pronta para voltar a sua rotina comum.

Entraram no carro, e nenhuma palavra foi dita no caminho.

Chegaram ao apart-hotel, e a loira foi colocar Lance, que dormia profundamente em seu colo, em sua casinha.

Draco foi se deitar. De dia, mesmo sendo feriado, ele havia trabalhado igual a um louco, porque naquela tarde tivera um compromisso inadiável, também precisava rapidamente achar outro advogado que conseguisse burlar essa cláusula da constituição, precisava se reerguer sozinho sem nenhuma ajuda e Jacob tinha se apresentado no momento mais preciso, oferecendo-lhe uma sociedade milionária e um detalhe estava lhe fazendo perder a oportunidade. Sim, Jacob tinha prometido esperar e confiava na palavra dele, mas Draco achava que quanto antes aquilo estivesse feito melhor seria.

"Dormindo. Como é melhor assim, pelo menos essa noite ele não irá me..." Ela não ousou acabar a frase, era preciso afastar pensamentos de noites anteriores.

Virou-se para o espelho, tirou a blusa e a saia e jogou em cima de sua pequena mala que ficava ao lado, tirou os brincos, o colar e pegou a camisola que ele exigia que vestisse, deitou-se e tentou adormecer, seu último pensamento foi "O que Jean Pierre está fazendo em Berlin?"

A loira entrou no quarto, Draco fechou os olhos fingindo que estava dormindo, ela sempre acreditava naquilo, tinha ouvido a conversa dela com a tal de Renné. Seria esse o nome? Draco não lembrava ao certo, quinta ou sexta, essa era a data dela ir, alguém necessitava mesmo daquele dinheiro. Espiou sorrateiramente o que ela fazia, tirava a roupa, e mesmo querendo, ele não desviou o olhar e observou tudo o que ela fez. E a curiosidade de saber quem ela era lhe voltou mais forte.

Seis horas da manhã era o horário que apitava o despertado quando Draco abriu os olhos. Foi até o banheiro, escovou os dentes, e voltou para o quarto, olhou para o criado mudo, ainda estava ali o celular dela. Parou um momento e pensou, por fim o pegou e foi as chamadas.

"Itália? Essas chamadas são da Itália. Então é pra lá que ela vai depois daqui. É lá que existe essa mulher que ela se corresponde, mas por que ela vai embora da Alemanha? Por que vai deixar seu país de origem e por que precisa de tanto dinheiro para isso? Isso é o que nós vamos descobrir essa manhã, Draco Malfoy."

Ele colocou o celular de volta ao lugar, foi até sua pasta e pegou um pequeno vidrinho, saiu do quarto cantarolando e foi até a sala, abriu a porta da sacada e se espreguiçou. Há tempos não se sentia tão bem, há tempos queria saber quem ela era e iria descobrir com um golpe tão baixo. Na verdade, há tempos não se sentia tão Malfoy.

Pediu o café ao serviço de quarto, e ligou a televisão. Olhou para o vidro em suas mãos e lembrou o sacrifício que fora achar um daqueles, tivera que se meter em becos que nem ele imaginava existir. Voldemort podia ter sido derrotado, mas nem todos os seus seguidores o foram, ele tivera que gastar muito dinheiro e muito tempo, mas conseguira.

- Levantou cedo hoje, não foi? – ele falou quando a viu indo à cozinha.

"Pensei que ele já estivesse ido trabalhar".

Ela continuou indo a cozinha, precisava comer estava com muita fome.

A campainha tocou.

- Vamos comer na sala hoje. – ele disse.

Ela apareceu, estava descabelada e com o um hobby.

"Que sorriso é esse na cara dele?"

- Alguém esta com um excelente humor hoje. – ela se sentou, pegando um pedaço de pão doce.

- Você não sabe o quanto. – ele serviu o café, e ocultando com a mão enquanto despejava o liquido negro na xícara dela, a Veritasserum ia junto.

Ela continuou comendo o pão sem tocar no café.

- Esse café está muito bom. – ele falou tentando induzi-la a tomar.

- Deus sabe como eu estou precisando de um. – ela falou pegando a xícara e tomando um gole.

Logo depois, um susto, Frederich havia batido com tanta força na xícara, que ela voara e se espatifara no chão derrubando café para todo lado. Batera também na sua tentado evitá-la de pensar que tivera posto qualquer coisa ali.

- Você está louco? – ela perguntou se levantando e limpando a pouca porção que lhe caiu nas vestes. – Eu podia ter me queimado se estivesse muito quente. Que deu na sua cabeça?

Ele arregalou os olhos, e se levantou não falando nada.

Ela foi atrás dele.

- Você não vai me explicar o que você quis fazer? Você é maluco? Algum tipo de psicopata ou algo parecido? – ela perguntava o seguindo.

A única resposta que teve foi a porta do quarto fechando com violência na sua cara.

Foi à cozinha e pegou um pano, limpou toda a sujeira que ele havia feito. Depois voltou a comer. "Maluco."

Meia hora após ele saiu do quarto, passou pela sala, ela estava lá, nem sequer a olhou, apenas pegou a cafeteira, levou até a cozinha e despejou todo o liquido negro na pia.

- Mas o café não estava maravilhoso? – ela perguntou quando ele despejou.

- Você é paga pra fazer sexo ou perguntas? – ele retrucou estupidamente.

"Porque você não vai para muito longe? Tipo pra put..." Ela se controlou.

- Você poderia me responder, já que sexo eu não faço, então, pela sua pergunta já se deduz uma resposta. – ela respondeu não se agüentando de fúria.

Ele não respondeu nada, apenas passou por ela e foi embora.

"O que deu nele, afinal? Que merda tinha naquele café? Talvez ele não seja só um simples... O que ele é mesmo?"

- Lancelot, vamos passear? – ela falou para cachorrinho e obteve um latido como resposta.

"Porque eu fiz aquilo? Eu ia saber de tudo sobre ela!" Ele pensava saindo do elevador com uma cara vermelha de fúria.

"Que tipo de covar..."

- Você poderia entregar esse bilhete a Fraullein Kribelein? – perguntou um menino ao recepcionista. – Em mãos, por favor.

Draco escutou e num momento parou de andar.

- Claro, e seu nome é? – ele perguntou ao menino.

- Jean Pierre Saint Blanche. – ele disse.

Draco arregalou os olhos. "Jean Pierre?" Era um nome que já tinha a ouvido falar.

- Algo mais Heer. Saint Blanche? – perguntou.

- Não. Dunke. – disse o menino indo embora.

Draco olhou-o, devia ter uns 12 anos, não podia ser quem dizia ser, foi até o balcão.

"Imperius" ele falou mentalmente.

- Herr... - ele olhou a placa dourada. – ,,,Linsenbröder! – ele falou sorridente.

- Sim, o que posso ajudá-lo, Herr. Herman? – perguntou.

- Poderia ver o bilhete que está endereçado ao meu apartamento.

O homem ia dizer que não, pois teria que entregar em mãos a irmã dele. Teria dito se não estivesse dominado pela Imperius, e dominado fez o que Draco lhe ordenou.

"Encontre-me no café Liebe. Urgente. Ás 21:00.

J.P "

Draco sorriu, mesmo que ele não quisesse, algo hoje lhe seria revelado. Entregou o papel a Herr. Linsenbröder e fez um feitiço de memória.

- Sim. O que lhe posso ajudar, Herr. Herman? – perguntou o homem.

- Há algo para mim? – ele perguntou com uma expressão serena, e se o gerente fosse mais astuto, perceberia que não era serenidade e sim um grande cinismo.

- Não, há apenas um bilhete destinado a sua irmã, para entregar em mãos. – o homem acrescentou.

- Ok, então, Gutten Morge, Herr. Linsenbröder. – disse Draco.

- Gutten Morge, Herr. Herman. – ele respondeu. - Beilke! – ele gritou ao homem que estava no meio do salão de entrada.

- Sim, Herr. Linsenbröder? – o jovem chegou.

- Assuma meu lugar aqui. Não sei por quê, mas de repente me deu uma dor de cabeça. – o senhor falou.

Ninnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnndeee. Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

Adela não podia acreditar no que seus olhos liam, sabia que isso ia acontecer, e a palavra urgente não lhe saia da cabeça. "O que Jean Pierre quer comigo? Por que é tão urgente se faz tanto tempo que não o vejo?"

Aquela aflição e o aperto no coração lhe voltaram, estava nervosa e nem tinha se tocado que Lancelot estava se atracando com outro cachorro.

"Não é nada bom, eu sei disso."

- 20:30! Aonde aquele maldito loiro se meteu? – ela perguntava, já pronta pra sair. – Não tem como esperar, Lancelot. – ela o pegou e levou a cozinha. – Você vai ficar sozinho e nada de aprontar. Ok? – ela perguntou.

Ele cruzou as patinhas e se deitou no chão frio da cozinha.

- Juro que demorarei o menos possível. – ela falou mais como um desejo do que como uma certeza.

Chegou ao café exatamente no horário marcado. Sentou-se em uma mesa, um garçom veio até ela.

- Deseja alguma coisa, Fraülein? - perguntou.

- Um refrigerante, por favor. – ela respondeu, precisava ficar sóbria para o que vinha.

Uma mulher de cabelos curtos e negros, de pele morena se sentou a sua frente.

Ela se assustou.

- Desculpe-me Fraülein, mas estou à espera de alguém. – falou a loira.

- Eu sou quem você espera, ela mostrou o colar com o crucifixo.

- Como assim? – ela perguntou, poderia ser alguém que tivesse roubado isso de Jean Pierre.

- Você precisa confiar em mim, vamos lá em cima, não há ninguém lá, Jean Pierre me mandou para falar com você, ele está no celular, quer falar com ele? – ela lhe estendeu o aparelho, ela subiu as escadas, uma mulher de cabelo verde foi atrás, mas o segurança lhe barrou. Entraram numa sala a prova de som, que o dono usava para os ensaios das bandas.

- Alô? – falou Adela se sentando.

- Marie, esta a sua frente é uma amiga, não se preocupe. – disse a voz sempre atrapalhada de Jean Pierrre.

- Como não vou saber que você não tem uma arma na cabeça, para me dizer isso? – perguntou a loira desconfiada.

- Confie. – ele disse.

- Ok. - ela falou se sentando.

- Me deixe no viva-voz. – ele pediu.

Adela encarou a mulher, o refrigerante chegou.

- Algo para, Fraülein? – ele perguntou a mulher morena.

- Não, obrigada. – ela disse. – Bom, vamos ao assunto, Jean Pierre não pode vir porque está sendo perseguido, há dois capangas sempre atrás dele por aonde ele vá.

- E o que isso tem haver comigo? – ela perguntou.

- Esses capangas querem achar você, são mandados pelo homem que se chama Stuart Elsing.

Adela derrubou o copo que estava ao seu lado.

- Ele veio atrás de mim, aquele homem achou meu endereço, e eu fugi. – ela falou com a voz nervosa.

- Nós sabemos, foi Jean Pierre que lhe disse onde você estava. – ela falou fria.

- Como? - ela perguntou não acreditando.

- Ele estava ameaçando minha família. – respondeu no viva-voz. – Ia matar meus pais se eu não dissesse. Teria lhe avisado se ele não tivesse colocado esses dois atrás de mim. Marie, eu rezei tanto para que ele não lhe achasse.

- Seu desgraçado! Por que não deu seu jeito? Você sabe o que ele é capaz de fazer se me achar!

- Acalme-se. – a mulher pousou sua mão na dela. – O pior está por vir, ele está na Itália, junto com a sua amiga Renné. – ela falou com tamanha calma que parecia estar dando felicitações.

Adela encostou-se a cadeira, suas mãos trêmulas passaram por seus cabelos. "Renné. Mas ela me ligou... Oh! Não era Jean Pierre que queria saber quando eu volto, era ele!"

- Acalme-se. Ele foi atrás dela e a achou, ninguém sabe como, o importante é você saber qual é o plano dele, que era pegá-la na Itália, quando chegasse ao hotel em que Renné está hospedada.

- Mas por que ele não vem à Alemanha me pegar? Por que quer que seja na Itália?

- Ele não sabe onde você está, e Renné recusa a dizer, e ele não vai matar a isca que trará você a ele. – ela respondeu.

- E agora o que eu faço? – Adela tremia.

- Você chegou a ligar praa alguém com esse celular, depois que ela viajou? Porque ele está grampeado.

Adela pensou.

- Não. – falou agradecendo os céus por Herman ter lhe ligado antes de que Renné tivesse viajado, porque se não, ele saberia o endereço em que ela se encontrava.

- Ótimo. – a mulher pareceu dar um suspiro aliviado. – Tome este e quando chegar à Itália ligue para mim, eu estarei a sua espera. Não vá com o passaporte italiano, ele detém conhecimento disso, vá com esse aqui. – ela lhe estendeu um passaporte Polonês.

- Mas por que toda essa preocupação comigo? Qual é o interesse de vocês em me ajudar? Eu bem sei que Jean Pierre não é santo. – ela falou.

- Alto lá. – ele respondeu. – Quem lhe abrigou quando precisava de comida, hein?

- Belo abrigo você me deu. – ela respondeu.

- Não é hora de discutir. – a morena falou. – Temos nossos interesses em acabar com este homem e você e a sua amiga Renné irá nos ajudar. Afinal, que alternativa você tem?

Adela pensou.

- Ok. Mas por que Jean Pierre não me ligou? – ela perguntou.

- O celular está grampeado. – ela respondeu.

- E de onde ele fala? – ela perguntou.

- Do telefone público. Vestido de velha, ali. – ela apontou para fora.

Era Jean Pierre! Pelos deuses! Era a única coisa engraçada em meio a tudo aquilo.

- E também quis que você conhecesse Paola, pois ela vai lhe acolher em Roma.

- Agora, vá e finja que nada aconteceu, Renné deve ligar amanhã e você deve confirmar o dia de sua chegada, você dirá que o seu cliente quer mais um tempo e que você provavelmente demorara mais uma semana.

- Isso o deixara furioso, ele pode se revoltar contra Renné e obriga - lá a falar onde eu estou.

- Ele não vai fazer isso, ela não falou e se falar já lhe disse que dirá o endereço errado. Ela já falou que morre, mas não dirá onde você está, e ele não quer machucá-la e ela toma o maior cuidado e não come nada do que ele oferece. De qualquer modo ele não quer se comprometer. Afinal, um corpo é um corpo e a Interpol não perdoa.

- Ok. Eu já vou, meu cliente me espera.

- Bis bald. (até logo). – a morena lhe disse.

Ela pegou o celular, desceu as escadas e saiu, a morena depois de um tempo foi embora e se dirigiu até Jean Pierre.

- Chegando a essa hora? Estava trabalhando por fora? Eu não lhe pago o suficiente? – ele falou quando ela apareceu no quarto.

Aquelas ofensas não! Era tudo do que ela não precisava naquele momento! O mundo parecia ter caído aos seus pés e ele vinha a ofender.

- Me desculpe. – ela falou se deitando.

Ele desligou o notebook e virou-se para ela.

- Alguém precisa alimentar o cão. Ele estava latindo. – ele falou.

Ela saiu do quarto e ele sumiu com as roupas de segurança. "Porra! Não ouvi nada! De pouco adiantou meu sacrifício, de pouco adiantou um monte coisa que eu fiz, eu ainda sou um ignorante completo nessa história!"

Ela voltou, ele estava deitado, apenas de calça. Olhou por um momento, e realizou em sua mente que ela havia entrado no quarto, deitado ao seu lado e ele teria acariciado seus cabelos igual à noite da dança, depois a beijado. E todas as sensações que ele conseguia provocar nela voltavam e a faziam esquecer o que estava acontecendo, e o perigo que estava correndo.

"Doce ilusão."

Ela parecia muito abatida, não tinha o vigor que ele apreciava, nem a máscara que sempre sustentava. Pela primeira vez, sem ter feito nenhum sacrifício, ela se mostrava como realmente estava.

"O que será que aquela mulher falou para deixá-la assim?" Ele pensou.

Ia perguntar se ela se sentia bem, mas resolveu não fazer isso, não lhe importava o que ela sentia.

- Estou cansada. – ela disse se sentado de costas para ele.

- O outro cliente deu-lhe o que você tanto queria? – ele perguntou debochando. – Ainda bem que eu não sou ciumento. – ele riu.

Era assim, e sempre seria assim que ele a veria. "Por que não pergunta como eu estou me sentindo? Eu sei que a minha cara está péssima!"

- Você me responde quando eu falar com você. Ok? – ele a puxou pelo braço brutalmente, e com a força a fazendo deitar em seu peito.

Ela se virou, passou seus braços pelo pescoço dele e o abraçou.

Ficou um tempo assim, apenas ela abraçada a ele, pois este não havia se movido.

- Pelo jeito, não. – ele riu se desfazendo dos braços, virando de costas para ela.

Ela sentiu os olhos enxerem de água, mas engoliu seco, abriu sua bolsa e de lá tirou um saquinho transparente, indo disparada até a cozinha. Se Draco a tivesse seguido, e não pensado presunçosamente que ela iria chorar, teria entendido quando ela havia lhe falado que tivera chegado a um orgasmo, mas não em seu estado normal.

Adela acordou com o toque do seu celular.

- Renné? – ela atendeu nem abrindo os olhos.

- Adela quando você volta? – ela repetiu a insistente pergunta da semana.

- Sobre isso, preciso lhe dizer que meu cliente me pediu mais uma semana, a grana é em dobro, vou ficar. – ela falou, fazendo exatamente como lhe fora aconselhado.

- Uma semana? – a outra falou assustada.

- É pela grana. – falou Adela.

- Ok. Então quando?

- Na próxima sexta de manhã. – ela confirmou.

- Beijos. – Renné falou.

O loiro apareceu vindo do corredor e a olhou.

- O que foi? – ela perguntou altamente sonolenta e ainda deitada, sem encará-lo.

- Hoje é o jantar com Jacob. – ele falou. "Deve ter chorado a noite inteira."

- Eu sei, eu já falei com o pessoal do restaurante. As mesas já estão reservadas, o cardápio é o mais fino que existe em toda Berlim. – ela respondeu.

- Ok. – ele falou.

- Amanhã é minha última noite, espero que você me pague.

- Está com medo de não receber? – ele perguntou.

Ela não respondeu nada.

A noite chegou e Adela, com um belo vestido azul-marinho, esperava Draco no restaurante, como ele havia mandado.

Draco chegou, ela acenou e este foi até seu encontro. Olhou-a por um instante e se sentou.

- Estou adequadamente vestida? – ela perguntou com muita ironia na voz.

- Um pouco demais de maquiagem, mas sendo o que é não podia esperar que se arrumasse como uma dama. – ele falou.

Ela abaixou os olhos. "Essa é a penúltima ou última noite, agüente por mais que doa essas ofensas."

- Jacob! – ele falou levantando, apertando a mão e dando um abraço no sócio-amigo.

- Frederich! – ele o abraçou. – Está mais bela que da última vez que nós vimos, minha querida Adela. – ele pegou e beijou-lhe a mão.

Adela deu um sorriso luminoso.

- Du bist sehr süsser (você é muito doce), Jacob, e o mais galanteador, acho que não irei resistir. – ela brincou.

- Ora, você ousa brincar com os sentimentos puros de um velho. – ele falou sentando. - Que mulher cruel.

Todos riram.

- Faz lembrar minha Adela. – os olhos azuis claros do senhor brilharam.

- Jacob, posso fazer uma pergunta? – Adela falou.

- Mas é claro! – ele se pôs a ouvir.

- Como você conheceu sua esposa? – ela perguntou.

Ele sorriu para ela.

- Eu era o caixa do banco que hoje sou dono. – ele parou um instante. – Ela era uma recém-contratada, e ficava ao meu lado. Não entendia nada de banco, e o gerente sempre brigava com ela, gritando que era de uma incompetência extrema. E uma dessas vezes eu tomei-lhe o partido e disse ao gerente que não era honrado tratar uma dama daquela forma. Ele me olhou como se fosse me fuzilar naquele momento, senti que o próprio Hittler olhava para mim. Era guerra, todos que se deixaram convencer pela existência da raça ariana, eram daquele jeito, estúpidos e ignorantes. Eu era descendente de judeus, meu bisavô o era, mas não minha bisavó, portanto não tinha o direito de ser judeu pelas "regras" do judaísmo, se alguém descobrisse me mandaria para o inferno que era os campos de concentração e justamente quando estava me estabilizando. Irritei-me com ela porque era a causa daquilo, mas ele foi embora e não me disse uma palavra. Lembro de ter fechado a cara e ao olhar para ela pela primeira vez, olhar realmente, ela estava sorrindo para mim com aqueles lindos olhos negros que eu nunca mais cansei de olhar.

"Ela agradeceu, de uma forma tão meiga que eu também sorri e naquele dia não consegui me concentrar em nada que não fosse ela ao meu lado, tenho certeza que dei Marcos (Antiga moeda alemã, antecessora ao Euro) a mais e a menos para as pessoas que vinha descontar cheques.

Ela ficou por último aquela noite e esperei lá fora para pedir se podia acompanhá-la até sua casa. Quando saiu ela disse que não, mas aceitaria se eu a acompanhasse até a parada do bonde. E assim foi por várias noites, eu fazia o serviço tão rápido quando tinha que sair mais tarde que ela, justamente para não sair e poder esperá-la.

Então numa noite, quando eu a levava a parada, tomei coragem e pedi um beijo. Ela disse não, porque beijos não se pediam. Adorava aquele tipo de brincadeira, me fazer sentir como a pior pessoa do mundo dizendo um não ao que eu pedia, e logo depois me dando algo muito melhor."

- Que lindo. – Adela pronunciou.

A entrada foi servida.

- Então, num desses dias em que eu saia mais tarde e fazia o serviço apressado, o gerente veio ter comigo, eu havia dado mil marcos a mais para um cliente na pressa, e o chefe queria me ver. Pronto, era meu fim e eu que queria me casar com ela, tinha pedido-lhe a mão e agora perdendo o emprego? Ela tomou a minha defesa e disse que tinha sido ela que atendera o cliente. Eu não permiti, ela falou que tinha sido ela e pronto, então, o gerente que só queria uma desculpa para demiti-la, fingiu que acreditou e a demitiu.

Não a vi naquele dia, pensei estar tudo terminado.

- O jantar. – disse Draco, que até estava gostando da história.

- Sim, estou com fome. – disse Jacob. – Essas entradas cada vez mais sofisticadas, não forram o estomago.

Todos riram.

O Jantar chegou.

- Sim, continue, Jacob. – disse Adela.

- No outro dia, o mesmo gerente falou que o chefe queria falar comigo. Subi o elevador tremendo, devia ser algo sobre o dia anterior, ele devia ter descoberto que eu tinha cometido o erro e ia me demitir e seria humilhado por ter colocado uma mulher na minha defesa. Quando cheguei ao andar, Adela estava na porta, me deu um beijo e entrou comigo. Falou assim: "Papai, esse é Jacob."

- Ela era filha do dono do banco? – Draco perguntou se interessando verdadeiramente pela história.

- Era, e eu nunca soube de nada.

- Que fofo. – Adela comentou. – E aí?

- Então, aquele senhor gordo, com barba e bigodes negros me olhou e falou: "Rapaz, minha filha me falou que você a propôs. Adela, deixe-nos a sós." e ela saiu.

- Então, sei que você é apenas um funcionário e não é de nenhuma família distinta, mas eu aceito que você se case com Adela.

- Eu fiquei surpreso, era pobre, morava num quarto de pensão. Perguntei o por que disso. Ele me olhou e disse: "Eu não sou um pai que quer ver minha única filha casada com um homem rico que não goste dela e sim do meu dinheiro, eu sou um pai que quer que ela case com quem gostou antes dela do que do dinheiro, e se você a defendeu e fez o que ela me disse que fez, você é o rapaz certo." Minha vida mudou completamente, e foram 55 anos de casamento.

- Que bela história, Jacob. – disse Draco.

- Verdade. – Adela disse.

- Agora, vamos comer. – ele falou.

Passaram-se horas até que Jacob perguntou.

- E vocês? Conte-me agora a sua história. – ele olhou.

Os dois se olharam constrangidos e agora? O que fazer?

- Ah! Nos conhecíamos há muito tempo. – Adela começou. – Digo, conhecíamos apenas de vista. – ela virou para Draco com um olhar terno e um sorriso doce como se estivesse recordando de toda a sensação antes de ter se tornado noiva daquele homem, e quem olhasse diria que as palavras que saiam da boca dela eram a única verdade existente na história dos dois.

- Nossas famílias eram amigas de uma longa data. – ele disse complementando e tomando-lhe as mãos.

- Eu sinceramente nunca havia reparado nele. – disse querendo provocá-lo. –Porque, na verdade, é a minha tia que é amiga da avó dele, então eu não ia muito aos chás e festas, ia apenas quando minha tia insistia. – ela falou.

- E você, Frederich, não deixou passar essa bela mulher, não é? – ele perguntou.

- Eu tinha uma namorada na época em que ela apareceu... - respondeu não querendo dar-lhe muita moral.

- Sim, e era feia Jacob, como era. – ela disse revirando os olhos e fingindo aquela pontada de ciúme que toda mulher tem da ex do seu atual.

Jacob riu.

- Não era assim. – disse Draco querendo reverter à situação. "Eu não fico com mulher feia."

- Era sim. – ela reafirmou largando a sua mão e batendo na mesa para dar melhor veracidade ao fato falso. – Mas sim, vamos ao que importa, em um desses chás, minha tia conversava com a avó de Frederich e eu estava distraída, quando senti uma mão me puxar, era a da minha tia, é lógico, então fomos apresentados. Nem cheguei a o reconhecer, só lembrei depois que ela falou-lhe o nome.

- Tinha que ver o olhar que essa mulher lançou pra mim. Como se nunca tivesse visto um homem na vida. – ele falou rindo.

- Isso é verdade? – perguntou Jacob.

- Jacob vai acreditar nele ou em mim? – ela perguntou despeitada. – Até parece, primeiro que eu sempre preferi os morenos, a cara que você pensou que fosse de admiração, era de espanto por você ser tão pálido. – ela retrucou meio bicuda.

Ele a abraçou rapidamente.

- Mas vou-lhe falar a verdade, Jacob. – ele parou um momento tentando arranjar palavras, tomou a mão da loira e olhou para ela, ela lhe retribui com um olhar sorridente. – Quando eu fui apresentado a Adela... – ele tornou seu olhar mais sério, a loira também, ele parecia querer dizer algo que nunca havia dito, se ela fosse realmente sua noiva teria tido a mesma reação. – Eu lembro de ter pensado algo como... Sim, eu já devia ter visto uma primeira vez aquela mulher, embora eu não lembrasse, assim como não lembro das outras vezes, também primeiras, porém certamente houve. Lembrava porque eu tinha uma vaga lembrança daquele tipo de sorriso. – Adela sentiu as faces corarem de tal forma que não pôde se reconhecer naquele momento. - E todas as lembranças, a do sorriso, as das covinhas, e as dos olhos me pareceram vagas, como uma lembrança distante, naquele momento. Então, quando ela falou, eu pensei: havia tido um tempo em que não nos conhecíamos, e esse tempo em que passávamos desconhecidos e insuspeitados um pelo outro, esse tempo sem você eu lembro. Porque ele nunca havia sido preenchido como foi quando eu a olhei.

Jacob bateu palmas.

- Não sabia que tinha o dom das palavras, Frederich. – ele falou ainda batendo palmas.

Eles continuavam se encarando seriamente e com suas mãos firmes umas nas outras, Adela sabia que ainda estava corada e tinha um pouco de raiva disso. Mas tudo parecia se dissolver em banalidades ao que tinha acabado de acontecer, os olhares, o toque das mãos e as palavras de sincronia perfeita, como quis e implorou que fosse aquela a maneira que eles tivessem se conhecido, deveria ter sido aquela, ela quis ter uma tia, uma família e um chá para ir ao final do outono, tudo isso poderia ter acontecido. Mas não aconteceu.

- Parece que nossa dama perdeu a voz com essas palavras, sou seu fã, Frederich. – ele levantou o copo em homenagem a Draco.

Este então voltou o olhar para ele.

- Então, Adela, que belas palavras hein? – o velho senhor observou. – E vejam como esta corada.

- Eu nunca imaginei isso. – ela falou deconcertada. - Ele não tem o hábito de ser assim... - ela não conseguiu terminar a frase.

- Assim, como? Romântico? – Jacob perguntou.

- Na verdade Jacob, essa mulher é muito arisca, não tem muito espaço para romantismo com ela. – respondeu Draco.

- É, mas parece que a sua "Adela" foi domada, Petruccio. – Jacob falou rindo.

- Não é assim também. – ela falou tentando disfarçar o abalar que aquelas palavras haviam lhe causado.

- Mudando de assunto rápido. É tão engraçado essa diferença de povos, vocês não acham? – ele perguntou.

- Como assim? – perguntou Draco.

- Vocês dois vindos da Inglaterra tem um sotaque tão carregado ao falar o alemão, lembro que minha mãe, sendo filha de ingleses tinha algumas dessas entonações. – ele observou.

Draco olhou para ela, ela não estava o olhando. "Sotaque? Que sotaque? Ela não é alemã?" Ele pensou rápido.

- Como assim? – perguntou Draco novamente. "- Então, você é alemã? - Sim. – ela havia respondido. – E você? - Não, sou inglês." Ele lembrou do momento em que ela havia dito que era alemã. Ela havia até feito uma estranha feição quando ele falara que era inglês. "- Nunca foi à Inglaterra? – ele havia perguntado - Não, e não tenho vontade de ir." Ele lembrou o que ela respondeu.Tudo parecia se encaixar perfeitamente, aquela mulher devia ser inglesa, nascida e criada na Inglaterra. "Como eu não pensei nisso antes?" Voltou a prestar atenção na conversa.

- Ora, os ingleses já têm um sotaque levemente carregado ao falar o inglês.... Opa, opa, opa esperem estou cometendo um engano, você é alemã não é Adela? Disse-me isso na festa enquanto dançávamos. – ele se voltou para ela.

"Por que fazer um comentário desses?" Ela pensou.

- Sou. – ela afirmou com convicção.

- Mas passou algum tempo na Inglaterra não? – ele perguntou.

- Minha avó era inglesa, morei um tempo com ela. – ela respondeu desconfortável.

- Um tempo considerável já que você e Frederich falam iguais. – ele riu. – Até nisso combinam.

Só e apenas Jacob Belshoff riu àquela última frase. "Por que entrar e fazer um comentário desses, seu velho idiota?" pensou Adela, mas logo depois se arrependeu pelo pensamento, gostava de Herr. Belshoff, mas que ele fora triste no comentário isso era inegável.

- Bom, eu já bebi demais e está tarde preciso ir embora, amanhã cedo tenho que caminhar, recomendações do cardiologista. – ele falou se levantando da cadeira do restaurante.

Draco e Adela se levantaram.

- Até amanhã, Herman. – eles apertaram as mãos. - E até o mais breve possível, Adela. – ele pegou a mão da loira e deu um beijo.

- Até, Jacob. Espero lhe ver novamente em breve também. – ela falou com um tom meio triste, já que duvidava muito que o veria novamente. "Que desculpa Frederich dará? Com certeza que nos separamos, que eu o trai, ou então que eu não era a mulher certa."

- Eu lhe acompanharei até o salão do hotel. – Draco disse. Olhou para Adela.

- Eu vou subir, estou exausta. Gute Nacht! (Boa Noite), Jacob. – ela falou indo à porta do restaurante.

- Na conta do 1004. – disse Draco ao garçom. – Vamos, Jacob.

- Ah! Que noite agradável! Lembro-me das noites em que saia com meus amigos quando era novo, ou quando eu e Adela íamos aos restaurantes franceses e aproveitávamos a sedução de Paris. – ele disse a Draco quando já estavam fora do hotel. – Garoto, não perca essa mulher de vista, ela é uma jóia rara. – ele disse.

- Pode deixar, Jacob. Eu não a perderei. – ele respondeu.

- Quando é o casamento? – perguntou enquanto seu chofer lhe abria a porta do carro.

- Ainda não temos a data. – respondeu.

- Case na primavera, é sempre bom casar na estação onde tudo nasce. Gute Nacht!. – ele disse.

- Gute Nacht!. - Respondeu Draco.

Adela abriu a porta do pequeno apartamento em que estava havia seis dias, encostou a porta sem trancá-la, tirou os sapatos que estavam acabando com seus pés e se dirigiu a sacada para olhar a noite.

"...Desconhecidos e insuspeitados um pelo outro, esse tempo sem você eu lembro. Porque ele nunca havia sido preenchido como foi quando eu a olhei..." essa frase lhe veio a mente. "Que bela frase, que belas palavras, que maravilhosa mentira." Pensou. Estava irritada, irritada com o jeito que reagira ao que ele falara, parecia ter fingido, ele devia acreditar nisso, mas sabia que no fundo aquela reação era a verdade, porque em algum momento dos olhares trocados ela acreditou que o que ele estava falando era para ela, a prostituta, não para a falsa noiva. "Deixe de devaneios Adela." Que raiva que sentiu, também, de sem querer Herr. Belshoff ter acabado com aquele clima, sentiu o olhar de Frederich pesado em cima dela quando o velho homem falara sobre o sotaque britânico no jeito dela falar alemão, e no pior, o sotaque ser igual ao dele.

"Ela é inglesa? Por que isso me surpreende? Não devia me surpreender já que não sei nada dela." Ele pensava dentro do elevador. Mas o que deixava Draco Malfoy frustrado era que sempre que ele a achava a simplória prostituta que se vende por dinheiro, algo acontecia e mostrava que aquela mulher não era nada do que ele pensava, ou sequer imagina, e o que aumentava ainda mais seu grau de frustração era saber que com ela, ele não era capaz de deduzir, ou seja, não arriscava dizer o que ela pensava ou por que mentia. Era tão bem treinada, era tão dissimulada aquela mulher que dormia em sua cama e ao seu lado, que ele não podia afirmar com absoluta certeza coisa alguma.

E isso atiçava sua curiosidade, quanto menos sabia ou deduzia, mais queria saber, queria saber o que ela escondia, o que ela mentia, e qual era a sua verdade. Tivera a chance de fazer isso, mas não o fizera, por quê? Qual seria a graça em saber tudo por causa de uma poção? Nenhuma. Preferia acreditar nisso.

E como era bonita! Ela vinha perturbando seu sono e povoando seus desejos e aquele dia da dança... Aquele dia! Ele chegara a baixar toda a defesa pra fazer uma coisa que almejara tanto, tê-la em seus braços! "Que pensamentos estranhos, não é, Malfoy?" Pensou. E tudo o que havia sido dito, tinha um fundo de verdade mesmo naquela grande farsa.

Abriu a porta. "Quem é você menina?" Ele pensou vendo-a na sacada e indo a sua direção.

- Pensei que estivesse cansada. – ele falou se escorando.

- Um pouco apenas. – ela falou.

- Gostas? – ele apontou para o portão de Bramdeburgo, no qual ela tinha olhos fixos.

- Sim, é o meu preferido. – ela disse.

- Prefiro o Big Ben, é um símbolo para todo inglês. – ele comentou com várias segundas intenções. – Se você o visse iria gostar, ou talvez mais do parlamento.

Ela fechou os olhos em irritação e se virou, estava tomando o rumo do quarto, mas parou em três passos e virou-se para ele novamente.

- Vou-lhe dizer uma coisa. – ela parou um momento, não sabia se devia, mas resolveu falar. – Quando você quiser saber algo sobre a minha vida pessoal, pergunte DIRETAMENTE, não rodeie, pois isso é patético! – ela terminou, mas logo depois continuou. – Quer DIZER NÃO PERGUNTE NADA SOBRE A MINHA VIDA PESSOAL, EU NÃO SOU PAGA PRA ISSO! – toda a irritação de dias com ele foi à tona. – AFINAL, PARA QUE EU SOU PAGA? É NORMAL ME PAGAREM POR SEXO E PRONTO, MAS NÃO, VOCE FICA NESSE JOGUINHO BABACA, PARECE UM MENINO BRINCANDO COM UM NOVO BRINQUEDO, EU NÃO SOU UM BRINQUEDO, MERDA! SOU UMA PROSTITUTA! ME PAGAM PARA TRASAREM COMIGO, E NEM ISSO VOCÊ FAZ! – ela parou ofegante de tanto gritar, encostou-se na mesa, de costas para a mesma, e ficou olhando para o chão. Pronto havia falado. Agora sim, era melhor ir embora dali.

Draco se assustou com o que ela disse, não esperava por aquilo. Saiu da sacada, ela estava encostada à mesa com o olhar parado e uma mecha de cabelo loiro esvoaçante. Deu poucos passos e se encostou a ela.

Adela o sentiu perto, na verdade colado a seu corpo, fechou os olhos.

Ele tocou-lhe a face, aproximou-se e colou sua bochecha na dela, sentindo todo o perfume delicado de seu pescoço e ela o mesmo dele. Ele tocou com a ponta dos dedos o colo e muito devagar subiu até a alça fina do vestido que ela usava e a fez cair para os braços. A respiração dela tornou-se mais compassada, e Draco percebeu isso.

Quando sentiu o toque em seu ombro, Adela mordeu os lábios para não dar um sussurro de prazer. O que havia naquele homem? O que havia na constituição genética dele que só de relar nela deixava-a assim? Por que ele conseguia liberar nela sensações que em oito anos de vida e oito anos de noites de luxuria nenhum outro conseguira?

- Você quer que eu a toque? – ele perguntou mordendo-lhe a orelha, mas não era o tipo de pergunta na qual se deve dar uma resposta.

Ele começou a passear com a ponta do nariz pelo pescoço dela, até depositar-lhe um beijo no início do seio e depois passou os dedos delicadamente por cima do vestido. – Você quer ir para a minha cama? Deitar-se comigo? – ele beijava-lhe o colo.

Ela tinha a cabeça para trás, tentando evitar responder ou suspirar qualquer coisa que dissesse sim, mas seria inevitável se ele continuasse.

Ele a deitou na mesa, sem qualquer resistência dela. Levantou-lhe o vestido e lhe deu um beijo na barriga.

Ela não podia agüentar.

Então ele se distanciou.

- Mas eu não pago por sexo. – falou. – Você já devia ter prestado atenção nisso.

"Não, não. Eu estou cansada desses jogos, o que ele quer agora?" Ela pensou sentando novamente a mesa.

- Eu sou bonito, rico, tenho a mulher que eu quero, na hora que eu quero, não preciso pagar por sexo. – ele falava a olhando. – Se você quiser, realmente, isso, então vai ter que fazer de graça todo o serviço.

Ela arregalou os olhos. "O que?? Você está maluco? Como assim todo o serviço? Tudo?"

- Isso mesmo o que você deve estar pensando. Nada de 22 mil euros, eu não vou pagar para levá-la para a minha cama, já que milhares fariam de graça. – ele retirou um cheque da carteira. – Tome. – ele lhe estendeu. – 22 mil euros, está aqui, a escolha é sua. Estarei no quarto esperando. – ele se virou e a deixou lá.

Quando fechou a porta do quarto. Draco caiu em si. "O que você tem na cabeça, Malfoy? Você quer aquela mulher tanto quanto ela te quer, por que fazer isso? Que tipo de jogo macabro é esse?" Ele pensou se jogando na cama.

Passou a mão na cabeça. "Você não quer ferir o seu orgulho não é isso? Maldita criação Malfoy que lhe impôs esse bando de preconceitos. Esta fazendo isso com ela para deixar seu orgulho intacto, não é?"

Abriu uma gaveta da mesa em que ficava seu notebbok e tirou um cigarro, Draco não era de fumar, fumava quando estava excessivamente tenso.

"Que drama, é lógico que ela vai entrar por aquela porta e você vai ter o que quer, mas e se não entrar? E se ela for embora e não voltar? Como vou achá-la de novo?"

Ele levantou e começou a andar de um lado para o outro. Já não tinha muito tempo em que ela estava lá? Teria ido embora?

"Você tem que parar com isso, ela vai vir." Ele pensou sentando na cama e olhando fixamente a maçaneta dourada.

"Você tem que parar com essa criancice isso sim, ela tem razão quando o chamou de criança." Ele deixou o cigarro na cigarreira e correu para a sala.

Adela ficou olhando ele se afastar e quando não podia mais o enxergar voltou seus olhos para o cheque em suas mãos. "Que crueldade comigo. Eu preciso tanto desse dinheiro, o que eu tenho não dá pra viver nem um mês na Itália, por quê? Por que eu tenho que escolher?"

"Estarei no quarto esperando." Lembrou.

Ela pousou novamente os olhos no cheque, tentando não cair em tentação. "Você nunca mais vai ter tanto dinheiro assim na sua mão, com esse dinheiro você pode viver um bom tempo sem ter que se vender. – falava uma voz em sua mente. - É uma oportunidade única."

Sim, Era o certo a se fazer, aquele dinheiro não ia garantir só a vida dela, tinha Bertha, também, que dependia dele.

Suspirou profundamente, fechou os olhos. Estava destroçada com a decisão que tomara, mas não queria pensar mais, se pensasse com certeza desistiria e iria para os braços daquele homem, e não podia ser assim, ele é quem ditara as regras, ela só estava fazendo o que era certo para ela e para os que dependiam dela. Pegou os sapatos e saiu.

"...Desconhecidos e insuspeitados um pelo outro, esse tempo sem você eu lembro. Porque ele nunca havia sido preenchido como foi quando eu a olhei..." foi a última coisa que lembrou antes de sair. "Isso para mim é estranhamente uma verdade."

Quando chegou a sala, Draco não encontrou ninguém. "Puta que pariu! O que foi que eu fiz?" Ele se perguntou. Mas rapidamente a educação e orgulho Malfoy tomaram conta dele e não o fizeram abrir a porta e pedir que ela esquecesse a proposta. "Era mesmo uma vagabunda, é lógico que o dinheiro era o mais importante." Pensou.

A porta se abriu rapidamente, era ela. Draco sentiu o sangue correr mais rápido em suas veias. Não houve reação imediata, eles ficaram se encarando sem fazer sequer um movimento, um esperando ansiosamente por qualquer movimento do outro.

Ela mostrou-lhe o cheque e o rasgou despejando os miúdos pedaços de papel no carpete.

Correu a encontro dele e pulou, segurando em seu pescoço. Draco a segurou pelas coxas. Ela tomou-lhe o rosto entre as mãos e encostou sua testa na dele, a respiração era compassada, lenta... E se beijaram, como a muito queriam e há tempos evitavam.

O loiro sentiu os lábios dela em sua boca em avalanche, estalos, suspiros ofegantes do anelo, a língua, a saliva, eles tocavam e trocavam, beijá-la era prová-la de maneira primordial. Sentiu-se tomado de desejo de cobri-la com beijos curtos, e depois perder um tempo quase absurdo com beijos longos. Beijos doces iguais aos dela.

Ainda a segurando pelas coxas, ele a empurrou contra a porta a fechando, o impacto doe-lhe um pouco a coluna, mas aquilo não tinha menor importância. Largou-a, fazendo-a deslizar. Em nenhum momento pararam de se beijar, não havia como e o mais importante não havia por quê. O que queria era beijar-lhe o corpo todo.

E a loira que não sabia o que era tocar lábios há tanto tempo, recordou a sensação de calor e desejo da melhor forma possível. De onde vieram os beijos? Perguntava a sua mente, ela não sabia responder, só queria poder agradecer ao criador de tamanha fonte de prazer.

Ele parou, encaminhou sua boca para o ombro dela enquanto sua mão lhe descia a alça fina do vestido, ele ardia com a vontade de vê-la sem este, virou-a de costas, achou então o zíper e o abriu. Ele sentiu o perfume delicado, que ele não sabia distinguir, ficou um tempo ali sentindo aquele cheiro que lhe excitava levemente, mordeu-lhe a orelha, o pescoço, as mãos voltaram às alças, as fazendo declinar para os braços, e o vestido ao chão. Passou os dedos pelas costas estreitas e macias dela, o corpo da loira se arrepiou, e ele percebeu.

Adela estremeceu quando sentiu os dedos dele em sua costa, era delirante aquilo, era diferente, e sentiu-se enlouquecida quando ele começou a morde-lhe a mesma. Gemia baixo, parecendo até não ter forças para o ato.

Virou-a, olhou seus seios, aquele pequeno, rosado e perfeitamente redondo seio, que tivera o atormentado tanto. Curvou-se e roçou os lábios e beijou-lhes delicadamente, com movimentos circulares, até passarem do rosado ao rubro. Ela deu um sorriso afetado, juntamente com um sussurro mais forte.

Ela puxou-lhe os curtos cabelos para cima, tentando fazer-lhe beijá-la, mas não adiantou, ele continuava a lhe beijar o seio, e com a mão estimulava o outro. Aquilo excitava tanto que tinha as pernas ligeiramente mais abertas, queria logo ele, mas poderia esperar um pouco.

Ela puxou-lhe o rosto dessa vez, e o beijou. Grudados como estavam, Draco sentia-lhe cada dobra do corpo, cada detalhe por menos sutil que fosse, ele podia sentir.

- Vo...

- Não fale nada. – ela pediu tocando-lhe os dedos nos lábios. Draco pousou uma mão em cima dos dedos e envolveu-os, começou a se distanciar, e segurando sua mão a levou para o quarto.

Ela deitou na cama. Ele em pé ainda tirou os sapatos e ia tirar a blusa.

- Deixe que eu faço isso. – ela se colocou de joelhos no colchão e iniciou o desabotoar. A cada botão, ela depositava um beijo em sua pele, chegando ao final, Adela voltou a beijar-lhe a boca e o queixo forte, mas suas mãos tiraram-lhe o cinto, e calça, e depois por cima da cueca, acariciavam-lhe as partes íntimas.

Foi à vez de Draco sussurrar, apertando-a contra seu corpo.

Ele fez força e ela se deitou, fez o mesmo ao lado dela, e a puxou para cima dele. O loiro estava agora entre suas pernas, tudo nela estava excitado e nele também, resolveu morde-lhe um pouco no final do abdômen, a reação foi imediata do corpo dele, ele deu um gemido forte e arqueou a costa. Ela, vagarosamente, tirou-lhe a boxer, agora lhe beijando o sexo. Ficou ali, lambendo a ponta, Draco gemia, sussurrava, o suor e o calor aumentavam, e a boca dela o envolveu todo.

Draco a pegou pelos braços com força e passou a ficar por cima.

- Me diga algo sobre você. – ele pediu dando beijo estalado e ofegante na boca delicada dela, ela chegou a rir do jeito que ele estava vermelho.

"Qualquer coisa, me diga." Ele pensou precisava disso precisava de qualquer coisa que fosse dela.

- O que você quer saber? – ela falou, mas gemeu quando sentiu seu seio dentro da boca dele. – Me diga você... – um gemido interrompeu.

Houve um toque distante de um celular, que foi se tornando cada vez mais forte.

Ele nem sequer chegou a ouvir.

- O que você quer saber? – ele perguntou mordendo-lhe o seio.

O som "apareceu" novamente.

- Nada... para mim isso basta. – ela respondeu com dificuldade e ele voltou a beijá-la e a olhou, ela deu-lhe um sorriso terno. Draco passou-lhe a mão pelo rosto.

O celular voltou a tocar.

Olhando-a ele levou a mão por dentro da calcinha, estimulando-a com movimentos de ida e vindas dos dedos.

O celular tocou pela terceira vez.

- Que merda! Quem é uma hora dessas? – ele falou esticando a mão para o criado mudo e atendendo.

Em cima dela, atendendo o celular, Adela ficou o olhando com um ar leve e radiante, estava admirando a beleza dele.

- Alô? – ele atendeu irritado.

- Herr. Herman? – perguntou.

- Sim? Quem é? – ele perguntou.

- Espero não estar incomodando, aqui quem fala é Anna Belshoff. – disse a mulher na outra linha.

"O que a filha de Jacob iria querer comigo a essa hora?"

Adela o beijava enquanto ele falava ao telefone.

- Largue isso. – ela disse.

- Não, não está. - ele mentiu olhando a loira que o beijava e correspondendo. - O que foi? – ele perguntou.

- Papai descobriu um rombo enorme na empresa, está trancado no escritório há uma hora mais ou menos, tenho medo que ele faça alguma besteira, ele tem um revolver lá dentro! – disse a mulher desesperada. – Não conseguimos abrir a porta e nem arrombá-la, pensamos em você que é muito amigo dele.

Draco fechou os olhos. Sua expressão tornou-se séria.

- Ok! Eu irei. – ele falou desligando.

- O que foi que aconteceu? – Adela perguntou percebendo a mudança de expressão.

"Vai aonde?" Ela pensou.

Ele comprimiu os lábios.

- Jacob vai cometer suicídio. – disse saindo de cima dela e sentando na cama meio curvado, passando a mão do rosto.

- O QUE? – ela perguntou assustada tocando-lhe as costas.

- Um rombo na empresa, trancou-se no escritório e tem um revolver lá, a filha me ligou desesperada. – ele a olhou, esperando qualquer coisa, não queria ir embora, mas não queria dizer que tinha que ir.

Não podia ser verdade aquilo, na melhor parte da sua vida algo assim acontecia.

- Vá. – ela falou sem acreditar. - Jacob precisa de você. –beijou-lhe o ombro.

- MERDA! Quem foi que fez isso? – ele jogou o celular.

- Vá logo. – ela disse antes que a razão fosse embora e ela o obrigasse a ficar ali.

Ele se levantou, pegou a cueca e a calça, colocando-as em seguida. Depois, pegou a camisa, ela levantou e ajudou a abotoar.

- Não saia daqui, eu volto o mais rápido que puder. – disse a beijando.

- Eu não vou sair. – ela disse.

Ele saiu correndo.

No salão dourado da entrada do hotel, havia um homem esperando o balconista poder lhe dar atenção, enquanto isso não acontecia, ele reparava no piso tão reluzente daquele hotel, enquanto outro homem, apressado, esbarrou nele.

- Desculpe. – respondeu sem olhar para trás.

O homem o pegou pelo braço, Draco não teve dúvida e virou com um soco.

- Maldito, Zabini! O que está fazendo aqui? Me larga, porra! – ele falou.

- Você precisa voltar para Inglaterra, Malfoy. – ele disse.

- Estou no meio de uma situação urgente. Me larga. – ele se desvencilhou das mãos de Blaise.

Blaise correu atrás. E o puxou novamente.

- Me escute! – falou com a voz dura, que Draco vira poucas vezes usar. – Draco, seu (...) - ele falou.

"Ahh! Eu nem acredito que isso está acontecendo." pensava Adela deitada na cama com um enorme sorriso no rosto, rolou sobre o colchão cheirando o lençol, que tinha o cheiro dele, como ela estava feliz.

Lembrou que por pouco perdera a chance de viver aquilo, estava na porta do elevador, quando pensou que ia ter aquele dinheiro por algum tempo, mas logo se venderia novamente, aquilo não era uma oportunidade única, o que estava acontecendo agora o era.

Levantou-se da cama, e viu-se refletida no espelho. Deu um belo sorriso.

Tudo estava diferente. Tudo estava mais bonito, mais tocante.

"Sua boba!" Ela pensou não conseguindo evitar o sorriso que se formava sem pensar em seu rosto.

Ouviu um som, era o do celular, não o dela, o de Frederich.

"Ele esqueceu! Será que aconteceu alguma coisa com Jacob?". Ficou receosa em atender, não queria ouvir que o velho senhor que se afeiçoara tanto tivera cometido suicídio.

- Alô. – disse com uma voz amedrontada.

- Quem fala? – perguntou uma mulher em inglês. – Não precisa responder, deve ser alguma mulher que ele arranjou pela Alemanha. Pode passar para o meu filho, por favor? – a mulher ordenou imperativamente com aquele pesado sotaque britânico.

"Filho?"

- Esse loiro que está ao seu lado. – ela meio que gritou ao outro lado da linha.

- Ele saiu e não levou o celular. – ela respondeu meio confusa.

"Mas o que estava acontecendo?"

- Bom, se ele está ao seu lado mentindo, o que sabe fazer muito bem, Ok! Mas diga-lhe que o filho dele está nascendo.

Adela sentiu congelar-se. "Filho? Que filho? O que?"

- Alô? - perguntou a mulher. – Ele com certeza não deve ter-lhe contado, não acredite na palavra dele, eu sei o que eu criei, fale apenas que a mulher que ele deixou na Inglaterra há nove meses está entrando em trabalho de parto e que é bom ele aparecer. Obrigada. – desligou.

A loira não teve a reação de sequer desligar o celular, apenas o deixou cair no chão. "Filho? Mulher? Inglaterra?" Piscou os olhos diversas vezes tentando voltar no tempo e saber em que momento havia perdido a felicidade que tinha há dois segundos antes. "Mulher em trabalho de parto? Oh! Eu não acredito! Um filho e uma mulher na Inglaterra? O que eu estou fazendo? Eu não posso me deitar com esse homem, se eu fizer isso vou me envolver demais com ele, e depois não restará mais nada para mim, porque eu sei que se o fizer não vou conseguir me desvencilhar dele nunca mais. – puxou os cabelos. – O que eu vou fazer?"

Lembrou do cheque rasgado, com absoluta certeza o que era há segundos uma coisa boa, passara a ser naquele momento a pior escolha da sua vida.

"Preciso ir embora, preciso sumir do mapa, eu não posso ficar sabendo que ele tem um filho e uma esposa e que eu sou realmente a prostituta. Não! Não! Por que eu atendi o celular? Eu sabia! Tinha alguma coisa me dizendo pra não fazer isso. Preciso ir embora, mas como? – ela pensava andando pelo quarto, indo e voltando. – Não tenho dinheiro, não tenho nada, deve ter algo de valor aqui."

A loira lançou o olhar pelo quarto, abriu as gavetas do armário, revirou-as, jogando longe as roupas dele. "Cordões, carteira, euros? Cadê?" – ela continuava a procurar. Foi até o criado mudo. "Nada! Nada!" Ela correu até o criado mudo do outro lado da cama e abriu a gaveta. Nada. Voltou ao armário. Nada de valor considerável. Sentou-se na cama. Desesperada. Olhou a única coisa de valor que ele tinha, e que ela tinha vontade de passar com um trator por cima, o celular. Pegou-o."Isso não vai me render nada, esse celular é demais de antigo!"

Confusa, discou o número de Paola, ela talvez lhe emprestasse dinheiro.

- Alô? – perguntou a mulher.

- Paola? É Adela, você está na Alemanha? – falou. "Por favor, esteja! Por favor!"

- Não, estou na Itália lhe esperando. Por quê? Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou.

- E Jean? – ela perguntou como uma última esperança. "Jean tem que estar!"

- Está comigo. – ela respondeu.

"Merda, estou perdida!" Pensou em desespero total.

- Nada, só pra lhe avisar que devo chegar sábado de manhã. – ela falou desligando.

Havia um peso em cima dela, pegou um vestido preto de sua mala, vestiu e a fechou. E foi saindo do quarto. Não raciocinava ao certo o que estava acontecendo, parecia um pesadelo, aonde ela se via tendo que sair de um apartamento, tinha que sair, e ir para onde? Isso ela não sabia. Sabia sim, tinha que ir para Itália, mas como? Com que dinheiro faria isso?

Parou e olhou novamente no espelho. Há um minuto era uma mulher diferente e que ela não conhecia que se espelhava ali, agora era a mesma mulher que ela via todos os dias.

Foi até a cozinha.

- Tschüss (Adeus), Lance. – falou ao cachorro.

N/A: Bom, galera amada, mais um capítulo e como eu prometi cheio de revelações, mais e mais problemas e mistérios. Gente eu preciso falar que eu fiquei muito feliz com as reviews que me mandaram, mas também confessar que fiquei muito triste com as que não me mandaram. Escrevi esse capítulo para os que me mandam sempre reviews e por causa da minha amiga Paula que é fã de carteirinha da Intocável. Pra vocês terem uma idéia, fui pra casa dela e fiquei cinco horas escrevendo pra terminar o capítulo, mas a minha satisfação em vê-lo pronto foi grande.

Respondendo reviews:

Kelly Malfoy: Perfeita? Isso empolga pacas autoras, sabe? Nossa, valeu mesmo. Uma autora gosta muito de ouvir esses maravilhosos comentários, mas não sei se a minha fic é tão perfeita assim, prefiro acreditar que é. Hauahauhaau.

Biazinhah: Obrigada pelos seus elogios, agora Gina fugir? Gina? Você tem certeza que é ela? Olha lá, hein! Bjuss.

Panda BR-101: Panda!!!! Tenho que lhe falar que suas reviews são super empolgantes! Não sei se a minha fic lhe empolga mais, ou sou eu que me empolgo mais com as suas reviews... hauahaua. Há muitas perguntas suas, hein! Bom, o que eu posso adiantar é que alguns caminhos de resposta estão nesse capitulo e algumas surpresas também, o próximo lhe garanto que pelo menos três perguntas suas serão respondidas.

Sobre a sua pergunta sobre Onírus, bom, eu procurei no google hauahaua e não achei nada sobre ele, mas tirei de um livro em que é o Deus do sono e do sonho. O livro é: O primeiro relato da queda de um demônio, Marcela Godoy, vale a pena ler, é um dos meus preferidos. E se você for a um dicionário e procurar a palavra Onírico, terá lá algo relativo ao sono. Bjusss

Onde diabos é a BR- 101? xP

Bjuss.

Mah Lima: Valeu pela primeira review, agradeço por mandar uma e espero que mande outras. Hehehehe. Bjusss

Bella M: Obrigado pela sua, também, primeira review, mande outras a partir de agora!!! Hauahaua. As citações são ótimas, eu adoro poemas e poesias, acho que dão um ar de mistério a fic.

N/A²: Galera amada, o que acharam? E o filho? Revoltante? Não tenho culpa se o Draco não se previne... hauahaua Não se desesperem, muita coisa ainda vai rolar, isso se houver reviews. XP Pra quem quiser saber a música do capítulo é A rush of blood to the hear (Cold Play). Até a próxima!!