De: Eros
Para: Caos
"O poeta romano Ovídio foi o primeiro a atribuir a noção de desordem e confusão à divindade de Caos. Todavia, Caos seria para os gregos o contrário de Eros. Tanto Caos como Eros são forças geradoras do universo. Caos parece ser uma forma mais primitiva, enquanto Eros uma força mais aprimorada.
Caos significa algo como "corte", "rachadura", "cisão" ou ainda "separação", já Eros é o princípio que produz a vida por meio da união dos elementos
(masculino e feminino).
Enquanto Eros gera-se através da união ou fusão destes elementos, Caos por sua vez nasce da separação e distinção dos mesmos."
"Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não conseguirás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro o cheiro preciso dele".
(Autor Desconhecido)
"Descer mais rápido, mais rápido!" Adela se ordenava ouvindo o som dos seus passos baterem e refletirem pelas escadas. Não sabia por que, mas tinha pressa em sair dali, muita pressa. Talvez, se ela corresse entre as escadas que descia, pudesse salvar alguma coisa, ou então não fosse envolvida, nem engolida por seus pensamentos. Repetia aquela frase para evitar que outras tomassem conta de sua mente, mas não foi o suficiente. "Filho... mulher... O que eu estava pensando? Que ele gostava de mim? Falta de massa cinzenta, sua idiota!"
- Ai, merda! – falou tropeçando em uns degraus, segurando firme no corrimão, sua mala escapou de suas mãos e seguiu sozinha pela escada.
Olhou para trás, seu salto tinha quebrado.
– Era só o que faltava. – disse continuando a descer, com dificuldade já que havia uma diferença de altura em seus sapatos. "Eu não tenho tempo de pegar outro. Rápido, rápido! Onde eu estava com a cabeça quando rasguei o cheque?"
Ela não se conformava de tal ato imprudente. "Ta vendo o que aconteceu, sua imbecil? O que você tem agora? Nada! Nada vezes nada!" Ela olhou a pequena mala no chão. "Ainda bem que não tinha nada frágil." Foi abrir a pesada porta de emergência que dava para rua, puxou com força, mas as mãos escorregaram e caiu sentada a um degrau, sentiu na coluna a dor do choque. Massageou um pouco, doía expressivamente, fechou os olhos. "O que eu vou fazer? O QUE EU VOU FAZER?" Ela pensava apertando a cabeça com as mãos.
Tremia levemente, aquele estado de desespero começava a instalar-se por todo seu corpo em carne e espírito. Havia o sentimento de estar sendo jogada aos leões, sabia que tinha que lutar, mas não havia mais armas, era de uma total impotência. A sala das portas abertas havia se fechado para ela, presa e sem saída ela se encontrava agora. Por que tudo isso estava acontecendo? Em que ponto ela havia parado de ser a prostituta e passara a ser uma mulher com sentimentos por seu cliente?
"Alguém me responda!" Pensou tentando achar uma resposta exata aquelas dúvidas. "O que eu vou fazer?" Repetiu.
"Corra..." Alguém lhe falou.
Não, não tivera sido alguém a dizer aquelas palavras, aquilo era o que um homem havia lhe dito num sonho há alguns dias atrás.
"Corra..." Repetiu-se o timbre de voz masculino dentro do seu cérebro.
"Não fique aqui pensando ou se lamentando, isso só trará a tortura. Corra..." Agora era a voz da razão, aquela voz que lhe insistira tanto para ir embora, antes que o que ela tivera previsto acontecesse. Aquela voz a ajudava agora. Em verdade, aquela voz a ajudara sempre. "Não devia ter a ignorado."
Ela se levantou, ajeitou a roupa amassada, não era tão humana assim para se sentir em completo desespero, sempre houvera nela a frieza e a indiferença para raciocinar de forma lógica nas piores horas e ela conhecia bem as piores horas, não era nenhuma menina mimada para ficar num canto escondido pensando com temor dos problemas, não havia passado por nada assim, nem similar, mas coisas ruins por coisas ruins ela tinha uma coleção delas dentro de si. Uma coleção infinitesimal de humilhações, de medos, de autodesprezo, e tudo isso ela havia superado parcialmente ou completamente, nada mais natural do que seguir a mesma lógica na situação atual.
Abriu a porta de ferro pesada, pegou sua mala e saiu.
As ruas de Berlim estavam consideravelmente desertas às duas horas da manhã. Estava frio, muito frio, uma névoa pairava com a tamanha friagem da madrugada. Adela, relutante em tirar os sapatos e andar descalça, caminhava com dificuldade. Parou a frente de seu portão e ficou a contemplá-lo, como era grande e visto assim de perto parecia que lhe oprimia. Olhou para o prédio do hotel e tentou ver a sacada que a abrigara, não era fácil dizer qual era, havia muitas e uma do lado da outra, um aperto no peito e a vontade de voltar para o quarto quente, e para o homem que ali estivera foi imensa.
"Vá lá, volte e faça o que você quer!"
Deu uns passos de volta, seu corpo cambaleante tinha uma ansiedade estrondosa de voltar e isso ela vinha tentando conter correndo na direção oposta, mas na verdade queria voltar e ia fazer isso. "Bom, se ele está ao seu lado mentindo, o que sabe fazer muito bem, Ok! Mas diga-lhe que o filho dele está nascendo." A loira parou. "Prostituta!" Uma dor invadiu-lhe, ela mordeu os lábios, fechou as mãos com força, machucando-as com as unhas, tentando controlar seus pés e evitar que mais um passo fosse dado. Só voltaria, só faria aquilo, se pudesse regredir o tempo e não atendesse o celular. Virou-se, voltou pelo mesmo caminho, atravessou o portão e, como todos diziam, sentiu aquele frio na espinha percorrer-lhe tamanho a imponência que ele irradiava. Olhou para trás e seu olhar parou novamente no portão, dessa vez para a dourada deusa Irene em sua biga. "Quando voltarei a vê-lo novamente?" Pensou melancolicamente, mas aquela frase formada em seus pensamentos, talvez, sem que ela percebesse, não fosse destinada ao portão. Fixou seu olhar para frente. "O que passou, passou."
Atravessou a avenida Unter den Liden, engolindo a seco tudo, o gosto, era levemente amargo.
Acenou do outro lado para um táxi.
-Endereço? – perguntou um homem de meia idade, com cabelos grisalhos, quando ela entrou no veículo.
- HausFrau Zumach. – ela falou.
Ele hesitou um momento, como se ponderasse as palavras que ela havia dito. Depois acelerou o carro.
- Esse não é um bom lugar para uma moça. – disse o homem chegando à frente do endereço.
- Talvez, eu não seja uma moça. – ela respondeu. – Quando deu?
- 30 euros. – ele respondeu.
Ela lhe entregou a única coisa de valor que tinha, o celular roubado.
- Mas...- o homem virou para fitá-la.
- Aceite, é a única coisa que eu tenho pra pagar. – ela falou. – E vir aqui, a essa hora, vale o que estou lhe dando.
O homem hesitou, mas acabou convencido de que era melhor ficar com o celular.
A loira saiu do táxi, ficou parada na calçada escura olhando a única luz que se fazia presente: o letreiro em néon azul, Haus Frau Zumach, falho nas letras "a" Ainda estava igual, se não pior do que dá última vez que estivera ali. Uma casa quadrada de dois andares sem janelas, com uma pintura roxa desbotada, que ninguém percebia tamanha a escuridão, apenas uma escada de concreto com cinco degraus e ao fim uma porta de ferro, que se apresentava como a única opção para entrada.
"Não faça isso." Ela pensava. "Eu preciso de dinheiro, eu preciso chegar à Itália, e não será tão ruim assim, afinal eu já estive aqui."
Ela? Aquela mulher ali na frente parada e contemplativa nunca estivera ali, se perguntasse ela diria certamente que nem sabia o caminho, aquilo parecia pertencer a uma outra vida, a uma outra mulher, mas não uma outra vida passada, e sim, uma vida que caminhava juntamente e paralela a esta nova, que ela ainda não percebia estar acontecendo.
- Olhe quem está aí. – disse um homem alto de cabelos compridos e negros, saído do escuro.
Adela levou um susto, virou-se pra fitar o causador daquilo.
- Quero falar com Madame Zumach. – ela disse sem oscilar e andando até a porta.
- Espera aí. – ele disse a segurando pelo braço. – Você acha o que? Que pode ir embora gritando aos sete ventos que nunca voltaria a pisar aqui e depois voltar com toda essa autoridade? – ele perguntou.
- Me largue, seu imundo. – ela tentou desvencilhar-se. - Eu quero falar com ela, é algo do interesse. – ela disse tentando parecer calma.
Ele riu alto e debochando dela.
- Ok, então. – ele a puxou, subindo a escada, abriu a porta, e entrou atrás dela em uma pequena sala que vinha antes da boate, destinada ao controle dos seguranças. Indicou uma porta logo à esquerda da entrada. – Suba. Eu vou avisar que você está aqui, Marie. – ele disse fechando a porta rindo.
A loira subiu as escadas em caracol. Chegou a uma sala, uma mulher ao telefone a indicou para uma porta. Ela entrou.
A mulher de extensos cabelos loiros cacheados e desalinhados, que ela esperava encontrar, estava ali, sentada tentando acender um cigarro. A sala, até bem iluminada, tinha entranhado aquele cheiro de nicotina.
- Quando Halder me falou, eu não acreditei. – disse uma mulher atrás de nuvem de fumaça. – Então, quer dizer que a puta voltou ao seu lugar? Oh! Desculpe-me, esse não é o seu lugar, não é? – ela perguntava ironicamente, com um sorriso nos lábios tentando deixar claro isso. - Então, o que uma vagabunda de luxo vem fazer aqui na classe média e baixa? – a mulher loira e velha soltou uma baforada para cima e a encarou.
"Maldita, vagabunda. Está caindo aos pedaços e acha que pode me tratar assim? Precisa de tanta maquiagem nessa cara velha que parece um travesti, eu sei que se tivesse escolha cuspiria em você, sua puta." Pensou Adela ao ouvir as palavras que Madame Zumach lhe proferira.
Respirou fundo.
- Não tem língua? – ela perguntou com aquela voz esganiçada.
- Quero uma noite. – ela falou dura e esperando os comentários.
A mulher riu longamente, até ficar com o rosto vermelho como se nunca tivesse ouvido piada melhor, perguntou:
- E o que te faz pensar que eu lhe daria isso depois de como você desprezou esse lugar quando foi achada por aquele "olheiro"? – ela falou tossindo e acendendo mais um cigarro.
- Eu era a menina mais bonita dessa por... – ela parou. – desta casa, e rendia o que você não conseguia com três meninas, ainda posso fazer isso, quero esta noite. – Adela terminou decidida.
A mulher soltou outra uma baforada. E mais outra, parecendo pensar seriamente na proposta.
- Metade é meu. – ela disse séria.
- O que? – Adela arregalou os olhos.
- Metade e nada feito! – a mulher a encarou com aqueles imensos olhos azuis.
- Mas...- ela tentou argumentar.
- Pegar ou largar. – ela tossiu novamente.
- Feito. – ela disse contrariada.
- Pode ir fazer o que sabe de melhor. – ela disse.
Adela saiu da sala, não desceu a escada, a mulher ao telefone lhe indicou a porta do seu lado que dava a um corredor empoeirado cheio de outras portas. Abriu a porta do seu antigo quarto, a poeira levantou chegando-lhes as narinas fazendo-a espirar. Acendeu a luz que de tão fraca não conseguia iluminar todo o quarto, que por sua vez não era nada grande.
Não havia quase nada ali, apenas uns móveis velhos e com o cupim a lhes devorarem as vigas, a cama sem lençol, um armário à frente e um criado mudo, com espessas camadas de poeira. Abandonou a mala em cima da cama, espirou mais uma vez.
"O que eu vou vestir?" Pensou abrindo a maleta. Decidiu por um minúsculo vestido tubinho preto. Tirou o sapato quebrado e o jogou em um canto, e pôs um preto envernizado com um belo salto agulha.
Foi até o guarda-roupa e olhou-se num espelho quebrado que tinha dentro.
"Que olheiras horrendas! Preciso dar um jeito nisso, assim não consigo nem 20 euros." Pensou.
Olhando-se ali naquele espelho, não teve como evitar que o pensamento atravessasse Berlim e ela lembrasse do espelho que ela se olhara por vários dias.
"Frederich..."
Toda a semana começou a passar pela mente dela.
"-Aceita algo pra beber? (...)"
Ela podia vê-lo perfeitamente, transfigurado a sua frente, como na noite em que ele disse aquelas primeiras palavras. Lembrava de cada expressão do rosto dele, do formato e da cor dos olhos, nada parecia lhe escapar a memória.
"(...) Eu quero que tire a roupa pra mim."
E como ela desejava estar fazendo aquilo agora, tirando a roupa para ele, só para ele.
"Para! Para de pensar nisso! Já está tudo muito difícil, assim vai ficar mais complicado!" Ela berrava para dentro de si, tentando evitar a avalanche de lembranças. Fechou os olhos e apoiou a testa ao espelho.
"Tens um nome?" A voz dele lhe perguntava como se ele estivesse na sua frente.
"Não, não tenho, não lhe interessa!" Ela se respondia tentando afastá-lo de sua mente, precisava afastar aquelas lembranças, se não, não conseguira dar um passo para fora daquele quarto mofado.
"E você sempre finge?" Ela voltou-se a olhar no espelho. "E você sempre finge?" Estava séria, era como se estivesse realmente conversando com ele. E dessa vez sua resposta não foi tão igual.
"Não, eu nem sempre finjo."
Arrepiou-se toda depois de pensar isso.
O beijo... O toque... Os suspiros quentes no seu pescoço... O corpo, o cheiro e a voz dele... Os arrepios do corpo... E ele lhe acariciando...
"So meet me by the bridge, meet me by the lane" A música apareceu em seus pensamentos.
- AHH! – Ela gritou puxando os cabelos. – Para! Para! Eu não quero mais saber disso!
A visão dele meio despenteado com a blusa amassada. "Não saia daqui, eu volto o mais rápido que puder." A última frase que ela ouviu da boca dele
E Adela mirou-se no espelho.
"Para! Para!" Ela apertava sua cabeça tentando pensar em outra coisa.
"Eu lembro de ter pensado algo como... Sim, eu já devia ter visto uma primeira vez aquela mulher, embora eu não lembrasse, assim como não lembro das outras vezes, também primeiras, porém certamente houve. Lembrava, porque eu tinha uma vaga lembrança daquele tipo de sorriso..."
"Isso não existe!" Falava tentando ordenar seu cérebro a parar com aquilo.
-PARA, PARA! – gritou – Volte à realidade, volte à re-a-li-da-de.
Voltou seu olhar ao espelho.
- Agora, vamos dar um jeito nessa cara.
Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Chegou ao fim do corredor, suspirou fundo, precisava de no mínimo 400 euros, isso queria dizer uma noite como há muito tempo não tinha.
Desceu a escada em caracol, aquele cheiro de mofo, causado pela falta de circulação, empestava-se ali, e juntamente com o cheiro excessivo de cigarro, causaram-lhe enjôo. Segurou firme no corrimão, esperou uns segundos e voltou a descer.
Lançou o olhar para o salão, havia muita gente ali, as cadeiras repletas de homens e algumas mulheres conversando, bebendo e fumando, uma luz azul que não iluminava nada, uma névoa de fumaça pairando sobre todos e uma mulher fazendo stripper com vários homens ao redor jogando dinheiro. "Deprimente." Ela pensou fazendo cara de nojo.
Atravessou e foi ao bar.
- Nossa, nunca imaginei que voltaria a vê-la aqui. – disse o bar-men.
Ela lhe deu um sorriso nada simpático.
- Pelo jeito, não é tão bom assim me ver. – ele riu. – Então, o que vai ser? Leite?
- Que tal ser assim, você faz o seu trabalho que é me dar um copo do que você tem de mais forte aí. – ela disse.
- Lembro que quando você saiu daqui, não tomava nada. – falou.
- Eu era outra. – ela disse.
Ele lhe estendeu um copo.
Adela tomou em um só gole.
- Mais um. – ela pediu.
Outro gole.
- Você... você... – ela olhou para ele. – Você tem pacotes? – ela perguntou.
Ele arregalou os olhos.
- Realmente, você é outra. – ele disse, e pegou do bolso da calça um saquinho branco.
Ela avançou para pegar.
- Calma, Marie, calma. – ele falou segurando a mão dela. – Pagamento antecipado, se não nada feito.
"Maldito dinheiro."
Ela tentou pegar de novo dele com a outra mão.
- É melhor você não tentar isso. – ele falou apertando-lhe o pulso.
- Eu não tenho dinheiro. – ela disse.
- Então, vai ter que ficar se divertindo com o álcool. – ele disse enchendo o copo dela.
"Não, eu preciso me drogar, se não, não vou agüentar metade dessa noite! Eu preciso!".
- Eu posso lhe pagar de outra forma se você quiser. – ela propôs.
- De que forma? – ele perguntou.
Ela não pode evitar lembrar-se de Frederich, que sempre fazia aquele tipo de jogada. Apertou a mão, era por isso que precisava da droga, por causa dele. Maldita fraqueza que ele lhe impunha, perdera o controle sobre suas vontades e tudo que fosse alheio a Frederich não lhe interessava, mas o paradoxo estava contido ali, a ausência de Frederich lhe deprimia, mas à distância dele era necessária.
- Da forma que você quiser. – ela disse. Pegar um instrumento pontiagudo e cortar a pele lentamente e queimar dinheiro em praça pública lhe pareceu mais fácil e menos doloroso do que pronunciar aquelas palavras.
- Ei, Sisterhen. – ele chamou um outro bar-men que estava ao seu lado.
- Oi? – perguntou o jovem loiro.
- Segura as pontas pra mim, eu tenho um compromisso. – ele pediu sem o olhar, pois este estava fixo na loira a sua frente.
O loiro olhou para os dois desconfiado.
- Você me deve essa. – ele disse concordando.
- Valeu, irmão. – eles bateram as mãos.
- Vamos lá pros fundos. – ele disse para ela.
Adela tomou um gole e junto também coragem, imaginando ter que fazer tudo aquilo limpa, isso sim seria uma tortura.
Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
O homem de cabelos cacheados castanhos a levou para os fundos do bordel, bateu na porta antes de abrir, não havia ninguém no quarto.
Empurrou-a para dentro, fechou a porta a trancando.
- Cadê a coca? – ela perguntou.
Ele lhe mostrou o saco e deixou em cima do criado mudo.
Ela foi até o pacote, ele a interceptou no meio do caminho e a jogou na cama.
- Primeiro o seu serviço, depois o meu. – ele disse.
- Eu quero o saco todo. – ela disse.
Ele riu alto.
- Você acha que uma transa vale um saco todo? – ele perguntou debochadamente. – Meio saco e só.
Adela ajeitou os cabelos para o lado, os fios dourados, cobrindo uma parte do colo, brilharam mesmo com a pouca luz. Olhou para o homem a sua frente, aproximou-se alguns passos, o suficiente para que os corpos se tocassem, acariciou-lhe a barba por fazer com os delicados dedos, pode sentir a respiração dele mais compassada, mordeu-lhe a orelha e sussurrou, com um tom de menina em seus ouvidos:
- Eu sempre quis estar com você. – terminou dando-lhe um beijo no pescoço.
O homem tremeu.
- É verdade? – ele perguntou com os olhos fechados sentindo os beijos dela em sua pele.
- Sempre. – ela sussurrou novamente. – Abra os olhos, olhe para a mim. – ela pediu.
Ele obedeceu.
- Por que você não me toca? – ela perguntou pegando-lhe as mãos e levando ao seu colo. – Não é macia? – ela perguntou.
Sven tinha o olhar arregalado, se era macia a pele? Era a mais macia que ele já tinha tocado e não tinham sido poucas. Tinha que admitir, aquela mulher era linda demais, não valia nada, mas era linda, e fazendo aquela cara de menina estava o deixando louco e nervoso, e até mesmo sem reação.
Adela pegou-lhe as mãos e as levou para dentro do vestido, fazendo-o tocar em seus seios, fechou os olhos como se a excitação estivesse lhe chegando. Na verdade, fechou os olhos tentando imaginar Hermam tocando-lhe, assim ficaria mais fácil.
Adela o empurrou para cama, que era encostada lateralmente a parede, e se ajoelhou no chão entre as pernas de Sven, abriu-lhe o zíper, abaixou a calça e acariciou-lhe o órgão delicadamente por cima da cueca, ficou ali, tocando-lhe com calma, enlouquecendo-o.
Sven suava, estava com uma vontade doida que ela tirasse-lhe logo a cueca e com um olhar exprimindo essa vontade, Adela fez-se demorar mais um pouco e acatou, deixando-o nu e continuando a acariciá-lo com as mãos.
A repulsa, o nojo, eram suas autoflagelações, se aquele homem imaginasse que ela preferia se jogar a fogueira a tocá-lo, talvez ele não entendesse, talvez ninguém entendesse, era amarga a repugnância, e se já era ruim de outros quiçá a auto, o que há depois disso? O que fazer uma pessoa que sente isso? Como conviver consigo? Não sabia, por isso os sentia, mas ia contra para não se deixar dominar, e com a vontade desesperada de sair dali gritando que preferia virar mendiga ao fazer aquilo lhe dominando e antes que a dominasse por inteira, ela pegou-lhe o sexo e colocou na boca.
Foi aí que veio vergonha de si, e aquele desprezo que Frederich tinha parecia ter se transportado para ela. Seu corpo fazia aquilo, mas algo parecia lhe empurrar contra, mandava-lhe para fora dali, ordenava-lhe desesperadamente que parasse, mas ela era profissional, não podia parar. Seria tudo aquilo racional?
- Isso, isso. – ele forçava a cabeça dela contra o sexo. – Assim, assim.
Ela continuava, chupando-o com avidez, evitando pensar ou pelo menos querendo evitar o pensamento, mas como evitar algo que não se tem controle? A loira jogava um jogo estúpido, enganava-se tentando não ter pensamentos de horas atrás. Na verdade, ela não fingia para os outros, ela sempre fingiu para si.
- Vai! Mais rápido. – ele forçava a cabeça com mais força.
Adela obedeceu, com mais rapidez fez os movimentos auxiliada pelas suas mãos.
- Para! – ele disse. – Vem aqui pro papai, vem.
A loira levantou, e sentou em cima dele com uma perna de cada lado.
O homem sentado na cama e com suas costas tendo apoio na parede, levantou-lhe o vestido, e arrancou-lhe a calcinha. Envolveu seus braços na cintura dela e acariciou-lhe com a boca.
A loira não conseguia sentir prazer, sentia raiva, sentia um enorme desconforto e uma vontade alucinada de socar aquele homem desprezível como se dele fosse a culpa de todos os seus pesares, como odiava aquilo agora. Agora? Ou sempre odiara? E como se sentia tão alheia. Entretanto, não foi nada daquilo que ela aparentou estar sentindo e seguiu o conselho de Madame Zumach, fez o que sabia fazer de melhor. Fingiu.
Gemidos fracos, ofegantes, que se intensificaram quando foi invadida por aquele homem. Nada era real nela, tudo era imaginário.
O homem e ela, dissimuladamente, chegaram ao fim.
A prostituta saiu de cima de Sven, e sentou-se ao seu lado, podia ouvir a respiração forte dele.
- Fique com tudo, você merece. – ele disse.
- Você tem um canudo? – perguntou a loira.
Ele apontou para o bolso da calça.
Com impaciência ela abriu o saco com pó branco, e despejou uma fileira no criado mudo, colocou o canudo em cima, apertou um lado do nariz e aspirou. Levantou a cabeça para cima, e voltou a repetir o ato mais duas vezes.
- Ei cuidado, assim ninguém vai te querer aqui hoje, seu nariz já está vermelho. – ele.
Ela encostou-se na cama, e esperou a droga fazer efeito.
Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Levantou-se com dificuldade, conseguindo sair daquele quarto. Tropeçou em uma depressão que havia no corredor do caminho de volta para o salão e acabou caindo, pôs-se a rir. Não lembrava mais de muita coisa, só de que tinha que ter 400 euros no mínimo.
Voltou ao salão e foi caminhar por ele, não demorou muito para um homem lhe puxar o braço.
- Você não quer me fazer companhia? – perguntou um homem gordo.
- É claro que sim. – disse se sentando ao lado dele.
- Aceita algo para beber? – ele perguntou enchendo o copo.
"Alguém já me disse isso..." Ela pensou tomando um gole. "Era um num quarto... Não, não, era num bar."
- Então, bonitão, o que lhe trás aqui? – ela perguntou colocando uma perna em cima da dele.
- Uma companhia feminina. – ele disse acariciando-lhe a coxa.
- E agora que achou uma, o que você prefere? – ela disse tomando outro gole.
- Não sei, o que você me sugere? – ele a encarou.
- Que você suba mais essa sua mão e veja se eu estou de calcinha. – ela o encarou séria.
E ele seguiu a sugestão.
Não há nada de poético no comércio da carne, tão similar e proporcional à guerra. Os autores contam, a propaganda feita dignifica, causa ás vezes até vontade de se ver, provar, testar, mas ao torna-se real nada de digno há.
A semelhança se faz tão presente, que se houver uma percepção mais apurada, nota-se que há sempre alguém por trás se aproveitando do sacrifício alheio. Ora, mas a prostituição é uma escolha, e o serviço militar não o é? Adela era um soldado, assim como os aliados e nazistas eram prostitutas, só que não sabiam disso.
O homem gordo a acariciava, ela sentia certas coisas aumentadas pelo seu estado de intorpecência. Sua mente perturbada em certos momentos não sabia nem onde se encontrava, e em outros, uns clarões lhe voltavam à realidade.
- Que tal irmos lá pra cima? – ela perguntou ao pé do ouvido dele.
O homem assentiu a pegando pela mão e a puxando.
Chegaram ao quarto e, com extrema brutalidade, ele voltou à mão ao lugar de antes e com a livre abaixou o vestido e começou a lhe lamber o seio. Adela dava uns gemidos. O homem a empurrou na cama e tirou a própria calça.
- Vira, vagabunda. – ele falou. – Fica de quatro.
Ela obedeceu.
As mãos gordas e pequenas ele colocou nas nádegas, tentando abrir mais o sexo feminino, e após isso penetrando.
Adela sentiu revolta, infelizmente era uma hora de certa lucidez para ela, como se o efeito da droga a tivesse deixado, ela teve consciência de onde estava e do que fazia. Um homem gordo e fedido transava com ela.
Repulsa. Um gemido falso dela. Aversão ao seu corpo. Gemidos contínuos e mais falsos ainda. Não ouvia ainda nada dele, só sentia seu sexo dentro dela em movimentos contínuos, e tapas que ele lhe dava.
"Merda, esse homem não vai ..."
Continuou no movimento, e com os sussurros e gemidos falsos. Até que ouviu ele:
- Assim, isso, vai. – intensificando o ritmo. – Isso, isso.
E a parada aliviante.
Adela sentiu o corpo pesado, deformar o colchão ao seu lado. Virou-se para ele.
- 600 euros. – ela disse.
O homem riu alto.
- Eu não vou pagar isso. – ele disse.
Ela subiu em cima dele, colocando uma perna de cada lado.
- Você acha que eu não mereço? – ela falou-lhe mordendo o ouvido.
Sentada em cima daquele corpo imperfeito, ela tirou o vestido que estava preso em sua cintura, ficando completamente sem roupa. Passou os dedos pelo rosto vermelho do homem, e ficou a acariciar-lhe os lábios, este abriu a boca chupando-os.
Adela curvou-se novamente, um pouco mais acima ofertando-lhe os seios, e o homem agiu da mesma maneira dos dedos.
- Diga-me seu maior desejo. – ela sussurrou em seus ouvidos.
Ele contou-lhe em um sussurro e ela o fez.
O homem levantou-se da cama e pôs-se a vestir, Adela nua observava. Ele abriu a carteira e lhe deu o dinheiro, e a quantia que ela havia pedido.
- Você é nova aqui? – ele perguntou.
- Sou. – ela respondeu mentindo.
- Então nos veremos mais vezes. – ele disse abotoando a camisa e rindo. Era mais que uma risada comum era uma risada que escondia algo por trás.
A risada... aquela risada lhe lembrava alguém, tentou lembra-se mas não veio a mente com facilidade. Hermam, uma pontada atingiu-lhe. "Essa porra dessa coca deve estar adulterada."
Quando se viu sozinha no quarto, Adela com desespero contou o quanto ele havia lhe dado.
"600 euros!" Pensou rindo, afinal ainda era a melhor que conhecia naquele serviço.
Mas não pode evitar a lembrança do cheque que havia rasgado, que péssima escolha. "Essa droga realmente não é boa." Ela pensou novamente.
Pegou sua bolsa e colocou o dinheiro, de lá tirou o saco de cocaína. Não queria se lembrar mais quem era e o que tinha acontecido, dessa vez então, aspirou tudo.
Desceu as escadas cambaleante, sua visão era turva, e o que ela via eram espectros de pessoas andando e de luzes que se juntavam e tornava as coisas coloridas, foi até o bar. Sentou-se do lado de um homem que logo se virou para ela.
- Me conte algo sobre você. – ele perguntou ao seu ouvido.
Ela virou assustada, e viu, era Herman a sua frente. O belo Herman com seus olhos de césio e de poucos sorrisos.
- Você aqui? – ela perguntou assustada. – Você veio me buscar? – eufórica se pôs a abraçá-lo. – Eu pensei que nunca mais o veria, eu pensei que você fosse desistir de mim. – ela falava rápido, e olhou para ele novamente.
- Aceitam algo para beber? – perguntou o bar-men.
Ela virou-se e era Herman quem oferecia a bebida.
"O que está acontecendo comigo?" Pensou piscando os olhos repetidas vezes tentando achar alguma lógica.
Olhou para o lado, e viu a verdade: não era Herman quem estava ali, era um homem negro de olhos forte e aparência galante. Mas logo depois essa visão lhe deixou e Herman voltou a aparecer.
- Você bebe alguma coisa? – ele perguntou.
- NÃO, eu não bebo, eu estava com tanta saudade de você. – ela disse o abraçando novamente.
O homem riu.
- Essa puta é doida. – comentou com o amigo que estava ao lado.
O amigo riu.
- É verdade, mas é muito linda, não sabia que nessas espeluncas havia uma coisa dessas. – observou levantando-se e indo para o outro lado dela.
- Você não estava com saudade de mim? – perguntou o amigo do homem pousando a mão atrevidamente em sua coxa.
Ela virou-se, olhando para ele profundamente e abrindo-lhe um sorriso. "Frederich você veio me buscar, eu pensei que você não gostasse de mim, mas você veio até aqui me buscar..." pensava vendo o loiro em sua frente.
- É claro que estava. – ela disse.
Sua visão turva voltou ao normal e percebeu-se estar falando com um homem bem diferente de Frederich, não era loiro, tinha na verdade cabelos negros e olhos castanhos.
"Aonde estou? Quem é esse homem?" pensava olhando para ele.
Sentiu uma mão por trás tocar-lhe o ombro, virou rápido assustada. Frederich voltava aos seus olhos e lhe falava com aquele tom de voz grave:
- Que tal nós dois subirmos para o seu quarto? – perguntava o homem de ar galante e pele de ébano.
"Meu quarto? Frederich estamos no seu apartamento, mas se você prefere assim."
- É claro, eu vou com você. – ela respondeu passando-lhe a mão na face.
- Posso levar meu amigo? – ele perguntou.
Sem sequer olhar novamente para o lado ela assentiu.
- Qualquer coisa que você quiser. – ela disse.
Como viera parar no quarto? Quem eram aqueles dois homens a beijar-lhe o corpo? Ela sentia coisas, mas não conseguia defini-las, seu cérebro estava em um completo entorpecimento.
Via-se nua em uma cama. Havia um homem entre as suas pernas, ele tinha olhos fechados e ela sentia que ele segurava com força suas coxas. E havia outro homem, bem a sua frente com a boca em um de seus seios e a mão apertando o outro.
"Quem são eles?"
Logo após arregalou os olhos, era Frederich, ela estava no apartamento e ele estava com ela, ela havia escolhido ele e estavam na cama. Ele a tocava delicadamente, como ela tanto havia imaginado nas noites em que dormia ao seu lado, mas agora ela não queria pensar nisso, ela só queria sentir as mãos de Frederich em seu corpo, e ele lhe olhando daquele jeito que estava.
Sentiu excitação, sentiu cada pêlo de seu corpo de eriçar. "Frederich, como é bom estar com você." Ela pensava rindo.
- Já acabou cara? – perguntou o homem de cabelos negros.
- Já. Quer ir? – ele perguntou.
- Mas é claro, acha que eu vou pagar essa puta pra quê? – respondeu o outro.
"Mas é claro, acha que eu vou pagar essa puta pra quê?" Adela seguiu a voz ao seu lado que formara essa frase.
"Puta pra quê?"
Não era o apartamento de Frederich, era o quarto empoeirado de Madame Zumach, com aquelas cortinas vermelhas de veludo cobrindo a cama.
Sentiu várias mãos no seu corpo, pareciam milhares e estavam por toda parte, haviam a virado? Ela achava que sim.
Haviam a virado, se estivesse em condições normais, saberia que estava de lado e que havia um homem de cada lado seu e eram deles as mãos que sentia.
- Frederich? – ela perguntou, não enxergava quase nada na luz fraca.
- Estou aqui. – um dos homens respondeu rindo, mas Adela não percebeu o riso.
- Ainda bem. – ela disse, vendo ele a sua frente.
Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
- Me escute! – falou com a voz dura, que Draco vira poucas vezes usar. – Draco, seu filho está nascendo - Blaise disse.
Draco parou um momento. O que era aquilo? Algum tipo de conspiração de Voldemort? Algum tipo de ironia de Narcisa? Ou as maldições de Lucius? Porque ele podia ver tudo isso se manifestando naqueles poucos minutos e em cada palavra. Passou a mão pelos cabelos, riu, ou pelo menos tentou rir.
Viu seu reflexo no piso resplandecente do salão do hotel, sempre se olhava no espelho, mas fazia muito tempo que não via Draco Malfoy ao olhar-se. E naquele instante ele viu.
- Sua mãe exige você lá. – disse Zabine.
Draco deu uma gargalhada, o balconista e outras pessoas que estavam perto se voltaram para ele.
- Zabine, cala a boca e vem comigo. – disse Draco tomando a direção da porta giratória de saída do hotel.
- Pra onde estamos indo? – perguntou Blaise entrando no carro.
- Não sei. Eu estou indo para o inferno e acho que você está me acompanhando. – disse acelerando o carro.
- Não fale merda, Malfoy. Você não faz estilo desse tipo de gente. – disse Blaise.
- Eu mudei, Zabine, eu mudei. – ele disse acelerando o carro ao máximo e entrando na contra-mão.
Blaise assustou-se um pouco, não estava acostumado com aquelas coisas trouxas, mas mesmo não acostumado, sabia que Draco estava passando dos limites, ora, havia um caminhão vindo em direção oposta e Draco estava em alta velocidade.
- Vamos ver quem desiste primeiro. – ele falou com uma voz meio afetada.
- Vá lá, eu aparato na mesma hora. – disse Zabine.
- Tão típico seu, não é? Abandonar um suposto amigo numa hora dessas ou pior...
- Caralho, Malfoy, desvia logo! – ele falou pegando o volante e jogando o carro pro acostamento. – Você está maluco, cara? – perguntou Blaise.
Draco não o olhou, apenas abriu a porta do carro e saiu em disparada para o outro lado da rua. Blaise se apressou em ir atrás.
- Pra onde estamos indo? – perguntou chegando ao seu lado.
- Cala a boca, Zabine. CALA ESSA MALDITA BOCA! – ele gritou na rua.
Blaise observou o rosto de Draco, estava altamente preocupado, havia algo sério que ele não queria contar, estava o afetando de tal forma que ele não parecia ter muito controle sobre aquilo. Blaise resolveu que era melhor ficar calado e não complicar as coisas.
Seguiram todo o caminho em completo silencio, quebrado por alguns carros que passavam pela rua. Draco entrou em um estabelecimento e pediu uma carteira de cigarros e um isqueiro.
"Draco fuma agora? O que lhe aconteceu Malfoy?" Pensava Blaise.
Acendeu um cigarro e atravessou a rua, ignorava totalmente a presença de Blaise.
Parou num portão de ferro com as iniciais A e J entrelaçadas bem ao meio. Tocou no portão, gelado, gelado como a noite que fazia. Tocou a campainha eletrônica, e o portão se abriu, os dois homens deformando a névoa entraram passando pelo jardim e antes que chegassem à porta da casa o mordomo lhe a abriu.
- Gute Nacht. – disse.
"O que está acontecendo?" Pensava Blaise totalmente perdido.
- Onde ele está? – perguntou Draco.
- Acompanhem-me. – o mordomo falou.
Subiram a escada de madeira escura, chegaram a um grande salão, no qual as janelas abobadas, com suas cortinas verdes, deixavam as luzes dos postes entrarem e marcar os tapetes, em cada tapete havia três cadeiras e uma mesa de centro, contando ao final cinco tapetes, havia uma falta de móveis ali, espaços vazios num grande salão deixavam isso óbvio. De uma poltrona, uma mulher que tinha o rosto inchado veio ao seu encontro. E o homem ao lado dela acenou-lhe com a cabeça.
- Herr. Herman, obrigado por ter vindo, ele está ali no escritório e já tentamos de tudo e ele não sai, e o pior, não diz uma palavra. Só ele tem a chave desse maldito escritório. Já chamamos um chaveiro, vamos entrar a força e uma ambu.. – ela não conseguiu terminar a frase, as lágrimas terminaram por ela.
"Herman?" – pensou Zabine. "Quem está trancado?"
Draco olhou para a filha de Belshoff, era loira de olhos azuis, a beleza típica alemã, mas outra mulher lhe veio à cabeça. "Adela."
- Vou fazer o que for possível. – ele disse para a mulher.
Dirigiu-se a grande porta de carvalho, apagou o cigarro no caminho em um cinzeiro em cima de uma das mesas de centro. Bateu várias vezes: nem um som em resposta.
"Esteja vivo Jacob, esteja vivo." Ele pedia em seus pensamentos.
- Jacob? Jacob? Aqui é Frederich, você está bem? – perguntou.
"Esteja vivo." Pedia desesperadamente.
Olhou para Blaise profundamente. "Aloromora." Blaise ouviu em sua mente.
A porta se abriu.
Ana Belshoff correu antes mesmo que Draco pudesse dar um passo.
- Vater! – ela correu para a poltrona virada para janela. – Vater! – em desespero virou a poltrona.
Draco entrou neste momento.
"É por isso que eu não acredito em Deus." Pensou, puxando outro cigarro do bolso da calça, e olhando o corpo de Jacob sem vida jazendo em uma cadeira de veludo vermelha.
Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
- Acorda, vagabunda! – dizia uma voz. – Acorda! – disse novamente.
Adela abriu os olhos e voltou a fechá-los.
Acordou ao sentir água gelada cair sobre seu corpo.
- Filha da puta! – xingou. – Que foi? – falou tossindo.
- Coloque uma roupa pelo menos. – disse a mulher loira que exalava tabaco.
Adela voltou a se situar, estava nua, molhada e sentada na cama.
- Nossa, Jesus, Maria und Josef! Que cara péssima. – a loira falou. – Cadê o dinheiro?
Adela coçou a cabeça, que doía horrores. "Dinheiro, onde está o dinheiro?"
Tentou levantar, mas a dor foi maior, impedindo-a.
- O que foi? Desacostumou? – riu a velha soltando uma baforada no ar.
"O que está acontecendo comigo?" Ela se perguntou, sentia dores fortes que a impediam de andar.
- O dinheiro? – perguntou a velha.
Adela se arrastou até o criado mudo, abriu a gaveta e pegou sua bolsa.
- Tome a porcaria do seu dinheiro sua imunda. – ela jogou na cama 300 euros, achando estranha aquela quantia.
A mulher pegou.
- Só isso? – falou chegando perto. – Você já me rendeu mais, Dirne (prostituta). – terminou. – Arrume-se, vou voltar daqui a 10 minutos, se você ainda estiver aqui, vou jogá-la no meio da rua.
- Não se dê ao trabalho, sua porca velha, eu sei bem a saída. – terminou cuspindo nela.
A mulher deu-lhe um tapa com sua mão pequena, gorda e cheia de anéis que lhe cortaram o lábio.
- Deviam ter lhe dado mais educação. – ela falou. – Agora são cinco. – disse saindo.
Adela ficou um tempo deitada naquele colchão duro, sentindo o gosto de sangue em sua boca, sentia dor de cabeça, dores em suas pernas e principalmente em seu sexo. Tentou levantar, pisou no chão gelado, mas suas pernas fraquejaram e caiu. Tentou novamente, escorando-se na cama, gritou de dor. Apoiando-se pelo o que via na frente, conseguiu chegar até um banheiro nojento que tinha em seu quarto.
Olhou-se no espelho. Não se reconhecia, ninguém conseguiria tal proeza.
Em seu rosto estava estampada a noite anterior, as olheiras que sombreavam seus olhos, a cor que lhe faltava a face, deixando-a pintada de palidez, fazendo que o sangue que escorreu de sua boca com o tapa se tornasse mais intenso do que era. Levantou o cabelo, lá estavam o que esperava ver, as marcas roxas em seu pescoço, e observando melhor havia também em seu colo e em seus seios.
Sentia como se tivesse sido rasgada, e fora. Restava pouco dela naquela manhã. Sentou-se com enorme dificuldade no vaso e fez sua higiene pessoal, o melhor que pode devido à dor. Que horas seriam? Voltou ao espelho, lavou o rosto. Voltou a olhar seu reflexo, podia sentir o nojo dele, do seu próprio reflexo para com ela.
- Diga-me algo sobre você. – perguntava seu reflexo.
- Eu sou uma prostituta. – foi o que ela respondeu. – E tenho que ir para a Itália, alguma sugestão? – perguntou ao seu reflexo.
- Use seu passaporte Polonês, Minka Kowalewski.
- Diga-me algo sobre você? – o reflexo lhe perguntou novamente.
Então Adela teve um estalo. "A noite passada! Merda, porra!" Começou a ter um acesso de raiva.
- Alguém não me pagou. É por isso que eu só tenho 300 euros! Filhos da puta!
- Não se irrite! – pediu.
Adela, ou melhor, Minka Kowalewski, pegou o espelho e espatifou no chão. Depois de observar cada pedaço que refletia uma parte de seu rosto deformado pelos inchaços e vermelhões, ela saiu e foi ao quarto, olhou para a janela, havia um sol escondido em meio à nublagem.
Colocou uma bota, uma calça jeans e uma blusa preta de gola alta, foi até o espelho quebrado do armário, passou toda a maquiagem que pode para esconder as olheiras, e o machucado na boca, pôs um óculos escuro e agradeceu por estar fazendo um dia frio em Berlim.
Não foi preciso ninguém jogá-la na rua. Ela mesma saiu, sozinha. Seu destino agora era Roma, pegou o celular e discou o único número existente.
- Pronto (alô em italiano). – disse uma voz feminina.
- Paola? – perguntou Adela.
- Adela? Onde você está? – perguntou a italiana.
- Indo pra estação de trem.
Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhh
- O que está acontecendo aqui? – perguntou Blaise a Draco olhando o corpo de Jacob inerte e a mulher loira chorando por cima.
- Um homem morto, Zabine. Achei que você era inteligente o suficiente para interpretar essas coisas. – ironizou Draco, acendendo o terceiro cigarro da noite.
Blaise não falou nada, Draco não estava nada bem. Quem quer que fosse aquele senhor, devia ser importante para o loiro.
O homem que acenou para Draco foi até a mulher loira que chorava abraçada ao cadáver.
- Josef, papai... papa... está mort... – ela dizia em soluços. O homem a pegou e a abraçou, aninhando-a em seus braços e a balançando.
- Calma, querida. – ele disse.
Draco se lembrou de Adela novamente, não sabia se era pela cor do cabelo ou se era sua vontade de estar com ela que estava fazendo isso acontecer, procurou seu celular, não que fosse ligar, não faria isso nunca, e descobriu que não estava com ele.
- Herr. Krüger. – disse o mordomo à porta. – A ambulância chegou.
- Mande que transportem o corpo para o hospital. – disse o homem de olhos negros.
O mordomo assentiu.
"Krüger? É claro! O noivo de Anna." Pensou Draco. "É o meu fim."
Blaise, que devido sua total falta de familiaridade com a família, pôs-se a observar a mulher loira chorando nos braços de seu marido e os dois cadáveres dentro daquela sala, sim dois, o senhor morto na cadeira e um homem com uma aparência tão igual ao seu lado, Draco. Ele não parecia estar entendendo muita coisa, tinha um olhar parado e opaco, sua palidez habitual estava piorando a cada momento.
O loiro encarou Josef Krüger. Depois olhou o corpo de Jacob sereno na cadeira, que mais parecia estar em profundo sono. Observou cada detalhe daquele escritório, a mesa de madeira bem talhada, um fax grafite na sua ponta direita, um telefone na ponta oposta, e vários papéis, uns voando com o vento que entrava pela janela detrás de Jacob e outros impedidos de voar por terem pesos em cima. Podia ver uma parte de sua bengala dourada caída no tapete. Ouvia o choro e os soluços de Anna Belshoff. Tinha o cheiro e o gosto de cigarro impregnado em si, mas não sentia nada, ou havia algo lhe impedindo de sentir, talvez fosse a rapidez que tudo estava acontecendo. "Jacob morto... filho nascendo e a mulher..."
O celular de Blaise tocou.
- Já estamos chegando, Tia. – disse Blaise.
- Vejo que tem compromissos, Herr. Hermam. Pode ir embora, se assim preferir. – disse Anna Belshoff com profunda tristeza.
Draco teve uma reação, foi até ela e pegou-lhe a mão muito fria.
- Se você precisar de mim, não deixe de ligar. – ele falou olhando seriamente.
Ela afirmou com a cabeça, voltando a chorar.
Draco encarou novamente o genro de Belshoff e saiu.
- Vamos, Zabine.
Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
"O que está acontecendo? Tudo de ruim parece ter escolhido o dia de hoje pra acontecer! Porra de vida! O que eu vou fazer? O que eu vou fazer? Eu não sei o que FAZER!"
Blaise tentava acompanhar Draco, mas este andava com a rapidez do seu pensamento.
- Malfoy. – ele tocou no seu ombro.
Draco parou.
- Vamos para Inglaterra da maneira bruxa das coisas. – ele falou.
Draco não falou nada, Blaise desconfiava que ele sequer tivesse ouvido o que ele disse, mas Draco havia ouvido.
Blaise lhe mostrou um chaveiro. Ambos o tocaram.
Uma luz branca, ofuscante, doeu em seus olhos, uma mulher de branco quase camuflada pelo ambiente passou correndo na direção oposta a dele.
"St. Mungus." pensou. Fazia meses que não pisava, tocava ou lembrava qualquer coisa que fosse do mundo bruxo, havia o deixado e ingenuamente pensara que fosse pra sempre. Os seres humanos bruxos ou trouxas tendem a tomar decisões finitas, Draco assim o fez quando saiu do mundo que fora criado pra nunca mais voltar, segundo seus pensamentos e palavras, mas o que o loiro não sabia é que antes de tomar esta atitude a sua vida já havia tomado outra, anteriormente.
Coçou a testa, havia algo nela lhe incomodando. Draco estava apático e não parecia reagir, só sentia o braço de Zabine lhe puxando para onde sua suposta mulher deveria estar.
Ele viu um homem com duas poções na mão, depois a curandeira que ficava no balcão apontar para frente do corredor cheio de portas iguais e brancas.
"Jacob está morto." Ele pensava repetidas vezes. "Jacob... morto." "Case na primavera, é sempre bom casar na estação onde tudo nasce." lembrou da última frase que o amigo havia lhe dito. "Jacob... morto..."
Entrou numa sala e viu a pessoa que menos queria ver no mundo.
Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Tão erroneamente quanto Draco, Adela tomou decisões, e um pouco diferente, as dela sempre haviam sido para seu mal, era comum várias de sua categoria reclamar horas e horas sobre a imposição e a falta de oportunidades na vida, sobre algum tipo de violência sofrida na infância, ou a pobreza. Adela não se queixara nunca para ninguém, odiava a vida que levava, mas era essa a vida que lhe dava o luxo que gostava de viver, e o principal: de maneira fácil e rápida. E por mais forte que fosse, por mais controlada que exprimia ser, nada exigira tanto de sua frieza do que girar a fechadura do 1004.
Entrou na estação ferroviária, o chão encerado brilhava. Gente indo, gente chegando, correndo, todos demais de preocupados com suas vidas para reparar na dos outros. Adela olhava em todas as direções procurando em cada rosto a fisionomia de Hermam, mas nada achou.
Seu estômago reclamando por comida a levou a uma lanchonete. Comeu rapidamente, e com dificuldade, pois sua mão tremia um pouco.
- Uma passagem pra Roma, por favor. – pediu ao homem.
- Passaporte? – ele pediu.
O homem ficou a observar a foto e a mulher na sua frente.
- 70 euros. – ele disse.
Ela pegou uma nota de 100 e lhe deu.
- Boa viagem. – disse. – Sai daqui a 3 minutos.
Adela, agora Minka, andou depressa até sua plataforma, uma mulher gritava a saída do trem para Roma. Entrou e foi procurar sua cabine, olhou para trás, sentia ser seguida desde que saíra do bordel, havia uma mulher lhe seguindo, ela sabia desde o início. A tremedeira em seu corpo aumentou.
Entrou na cabine rapidamente e se jogou no assento, não conseguiu se controlar. Tremia cada vez mais, o maxilar batia, viu o chão ficar em forma ondulante, caiu no chão e seus músculos começaram a dar espasmos.
"Não posso ter isso agora, se tiver, vou ter que ficar aqui na Alemanha." Tremendo, conseguiu abrir um bolso externo da mala, e tirou de lá o saquinho, pensara que havia acabado, mas ainda continha um resto, muito pouco de pó branco.
Após ingerir a droga conseguiu se controlar um pouco e sentou, ainda tremendo. Tentou com dificuldade aspirar o pó, se não fizesse aquilo ficaria tremendo o dia inteiro, conhecia aquilo, era a abstinência. Conseguiu por fim, ficou deitada no chão da cabine, tendo alguns espasmos esporádicos e esperando a droga fazer efeito.
Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Ele a encarou por um tempo, só aquela visão o faria cair na realidade da qual estava ausente antes de entrar ali, só aquela visão maldita na face de uma bela mulher.
Ela sorriu em vê-lo, não um sorriso amistoso, um sorriso irônico.
- Olha quem resolveu dar as caras depois de meses. – falou cruzando os braços e lhe encarando petulantemente.
Draco riu um riso sem nenhum som.
- Olá, Narcisa Malfoy. Como vai o seu mundo fútil e solitário? – ele perguntou.
- Melhor do que o seu covarde e falido. – ela respondeu.
Ele riu novamente.
- É deve ser. – foi o que disse.
- Como você ousa, seu moleque, deixar sua esposa grávida? Sumir do mapa? É o maldito sangue Malfoy que corre em suas veias! O maldito sangue do seu pai, aquele covarde de merda! Você sabe o que nós passamos? Você sabe, seu mimado? Sabe quantas notas saíram no profeta, no feiticeiros, e em mais todas as revistas do mundo bruxo?
- É por isso que você está assim, Sra. Malfoy? Por que não me surpreendo?
- Não me interrompa! E pare de me chamar de Malfoy! Eu não tenho esse sangue maldito do seu pai. Como você tem coragem de abandonar sua mulher nesse estado e deixar seu filho como se fosse um bastardo? Não há bastardos nos Blacks, apenas nos Malfoys.
- Você está dizendo dos filhos fora do casamento de Lucius, mamãe. – disse com um alto teor de ironia essa última palavra.
A mulher o encarou incrédula, avançaria nele se pudesse.
- Oh! Pensou que eu não sabia? Mas para piorar, eu sei o que você fazia para nenhum deles nascer. – ele respondeu.
A expressão dela se endureceu totalmente.
Blaise procurava qualquer desculpa para sair dali, mas sabia que nenhum dos dois iria o deixar fazer isso.
- E você caminha para o mesmo lugar, com uma fila de bastardos, mas esse não! Esse é seu filho e você vai assumir e vai voltar para a sua mulher e para Inglaterra agora! – ela ordenou. – Blaise sabe o quanto nós sofremos, o quanto foi ridícula a situação, não sei o que eu faria sem Blaise. – ela sorriu amorosamente para o moreno.
Draco se jogou na poltrona e apoiou a cabeça nas mãos. Levantou-se e olhou para Blaise rindo.
- Blaise Zabine, o maravilhoso, o anjo de todos, o salvador dos Malfoys. – virou-se para sua mãe. – Vou-lhe dizer uma coisa, Narcisa Malfoy, sobre o seu querido Blaise Zabine. – ele parou um momento.
-Draco nã...
- Ta com medo, é? – perguntou Draco.
- Você sabe que a tia tem uma saúde delicada...
- Ah! Você está preocupado com a Tia Narcisa, não é? Ótimo! Então, conte você a ela. – ele sentou de novo na cadeira.
- Contar o que? – perguntou Narcisa olhando para os dois sem entender.
Blaise ficou calado.
Draco se levantou novamente.
- Olhe para o pai do seu neto bastardo. – disse Draco apontando para Blaise e cuspindo as palavras com prazer.
Narcisa arregalou os olhos, tocou em seu peito e caiu na poltrona branca atrás de si.
- É isso ai, mamãe, seu neto querido e tão almejado não é um Malfoy e nem um Black, é um Zabine, um nobre Zabine e mais o lixo do sangue da mãe dele. Mas a história não acaba ai, vocês vão me deixar contá-la inteira, não é muito longa, eu prometo.
"Chegava eu de viajem, e quem estava na minha cama, com a minha suposta esposa? Quem, mamãe? Quem? QUEM? – ele gritou olhando para Narcisa. – Seu querido afilhado, Blaise Zabine, comendo a minha mulher, e eu atrapalhando. Desculpa, Blaise, vocês podiam ter me avisado pra eu chegar mais tarde.
E quem?Quem aparece grávida um mês depois disso? QUEM? Não precisa se esforçar muito pra saber quem é, pois então, eu não a comia a mais de um ano, curioso não? Como apareceu grávida? – ele pôs a mão no queixo como se pensasse.
Está ai a verdade, Sra. Malfoy, seu querido neto não irá herdar seus belos olhos azuis, nem sua cabeleira loura, deve nascer de cabelos pretos. Aí, eu deixo a parte de explicar isso à comunidade bruxa pra vocês, porque já fiz demais papel de ridículo."
Tirou o chaveiro da mão de Blaise.
Narcisa Black não acreditava nas últimas palavras dita pelo filho. "É isso ai, mamãe, seu neto querido e tão almejado não é um Malfoy e nem um Black, é um Zabine, um nobre Zabine mais o lixo do sangue da mãe dele."
"Um Zabine? Um ZABINE?"
- Tia...- ouviu a voz de Blaise a chamando.
Ela o encarou com aqueles olhos frios e Blaise jurou ver Draco a sua frente.
- Saia daqui, Blaise. – ela disse fria.
- Mas...
- SEM "MAS"! SAIA DAQUI! – ela gritou histérica.
Blaise obedeceu.
Ninnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnndee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Parte II – A primavera de Perséfone e Hades
"Sei que despertei e que ainda durmo
O meu corpo antigo, moído de viver diz-me que é muito cedo ainda
Sinto-me febril de longe.
Peso-me não sei por quê.
Num torpor lúcido, pesadamente incorpóreo, estagno, entre um sono e a vigília, num sonho que é uma sombra de sonhar."
(Pessoa, Fernando).
Quase Sem querer
Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso.
Quantas
chances
desperdicei
Como um anjo caído
Fiz
questão de esquecer
Que mentir p'ra si mesmo
É
sempre a pior mentira.
E eu sei que você sabe
Quase
sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Palavras repetidas
Mas quais são
as palavras
Que nunca são ditas?
Me disseram que você
estava chorando
E foi então que percebi
Quase sem
querer
Que eu quero o mesmo que você.
Pensamentos... Pensamentos repetitivos rodavam a cabeça do loiro enquanto ele acabava de fixar os pés no chão de um jardim, respirou aquele ar úmido. "Jacob está morto." Ele continuava a repetir para tentar se convencer, precisava se convencer que o amigo-sócio havia morrido. Convencer-se não, Draco precisava acreditar.
Deu uns passos para a rua, virou e olhou a mansão Belshoff, suas janelas de vidro pareciam chorar a morte do dono de muito tempo, as plantas pareciam mais curvadas e ele... O que ele parecia? O que ele sentia? Draco sentia-se anestesiado, não havia tido reação alguma. Talvez, tudo isso fosse culpa da criação Malfoy, toda essa "falta", na verdade, devia-se aquela criação.
"Não há nada tão forte, nem tão cruel que um Malfoy não possa suportar, ou então anteceder o ato com outro antes que aconteça consigo."
A lembrança da inscrição abaixo do quadro de seu bisavô lhe veio à memória. E devido isto, ele não conseguia sentir nada.
"Nada... para mim isso basta." Ouviu a voz de Adela em sua mente, fechou os olhos tentando enxergá-la, o cheiro dos lírios do jardim adentrou em suas narinas, abriu os olhos, o sol começava a nascer, não deixou de notar e achar meio patético como as coisas voltaram a ter certo brilho depois de uma simples lembrança daquela mulher. Draco precisava voltar pro hotel, aquela madrugada tinha sido desgraçada, Adela era a única coisa boa que lhe restava, já que tudo parecia ter-se ido.
Precisava ver-lhe os olhos. Sim, os olhos. Havia algo neles que lhe intrigava, eles pareciam segredar-lhe, e este segredo parecia rondá-la por todo o corpo, e se os olhos eram mesmo as portas da alma, então era por ali que Draco começaria.
Era difícil admitir que ele queria voltar para vê-la, mas naquele momento apenas o pensamento nela lhe acalmava. O loiro, ainda parado, começou a lembrar do rosto dela, do cheiro, "Ah! O Cheiro." Fechou os olhos novamente, viu Adela na porta sem dizer uma palavra, jogar papéis picados no chão e correr para ele.
"Case na primavera, é sempre bom casar na estação onde tudo nasce." A voz de Jacob lhe disse mais uma vez aquilo, e o entorpecimento foi o deixando. "Ela está lá."
Procurou novamente o celular entre os bolsos, por que o procurava se não ligaria? Descobriu novamente que não estava com ele, um táxi passou, ele fez sinal.
- Hotel Berlim, por favor. – ele pediu.
O homem assentiu.
- Você tem um celular? – ele perguntou ao motorista.
O motorista riu.
-Não. – respondeu.
"Que azar." pensou Draco, com uma ansiedade crescente, queria vê-la logo, e terminar o que haviam começado principalmente.
O caminho da casa de Jacob para o hotel parecia se estender por quilômetros inexistentes, ou então o mundo resolvera andar em câmera lenta. Draco olhava pela janela, o táxi parecia não sair do lugar, deveria estar acontecendo algo errado, já deveria ter chegado.
Não esperou o motorista dizer quanto ficou, logo quando parou o carro já tinha lhe dado 20 euros e a corrida valia 10 apenas, não esperou troco, nem sequer deu-se o trabalho de fechar a porta do táxi, havia pressa nele, pressa corrente que pulsava em suas veias, acelerava seu peito. Passou pela porta giratória do hotel em disparada ao elevador. Draco podia ver ela na sua frente, desnuda, sentia o corpo dela em suas mãos, podia sentir o toque dela em sua pele e só isso já lhe eriçava. Apertou várias vezes o botão chamando o elevador, odiou as invenções trouxas, até a porta se abrir e ele apertar o botão do seu andar.
Chegou ao corredor, foi até a porta com passos rápidos, quase correndo. Porém parou ao encarar a porta, por que sentia tal ansiedade? Não sabia por que, mas sabia que não precisava demonstrá-la, não havia necessidade para tanto.
Abriu a porta calmamente, e entrou.
A sala daquele apartamento continuava igual, a porta da sacada estava aberta e a cortina voava com o vento em um movimento contínuo de sobe e desce, o tapete no início do corredor estava meio dobrado, o bar e o sofá continuavam os mesmos.
Draco andava normalmente, ouvindo seus passos se propagarem e observando todos os aspectos, queria chamar pelo nome dela, mas conteve-se, entrou no corredor, deu alguns passos e chegou ao quarto.
Não soube descrever o que sentiu, talvez, o melhor fosse rir do seu ignóbil destino.
Roupas espalhadas por todos os cantos, gavetas abertas e reviradas, tanto as do guarda-roupa, quanto à do criado mudo. Havia gravatas, blusas, calças e cuecas pelo chão e pela cama, tudo estava jogado. Esta foi a cena que teve ao chegar à porta do seu quarto. Esta foi a cena que lhe deixou sem palavras e ação. Na verdade, não sabia se estava, realmente, sem palavras ou sem ação, pois sentia as palavras presas em sua garganta e a ação atrofiada em seus músculos.
Pisando em suas vestes, foi até o banheiro. Não havia ninguém lá, andou até a cozinha, apenas um cão e o resto dos utensílios domésticos era o que se encontrava. Voltou ao quarto, olhou de novo para a bagunça a sua volta. Suspirou como se pudesse aliviar o peso que a madrugada colocara nele e a manhã parecia duplicar. Sentou na cama, apoiou a cabeça nas mãos.
Vazio. Era o que sentia? Ainda não sabia, realmente. Se se sentia vazio, por que as palavras entaladas em sua garganta se faziam tão presentes? Mas que palavras seriam? Também não sabia, se soubesse com certeza não estariam presas. Jogou-se na cama com desleixo.
"Mas o que eu estava esperando de alguém como ela? Afinal, era uma vagabunda mesmo e todas são iguais. Eu sempre estou certo e dessa vez então não me enganei. A fingida fez toda uma cena pra me roubar depois." Finalmente, as palavras pareciam chegar à sua mente.
"O apartamento todo revirado... Idiota! Pensava o que? Que tinha algo de valor aqui pra roubar? Acha que eu sou estúpido de deixar qualquer coisa de valor em um apart-hotel? Tinha certeza que ela era um pouco mais inteligente, afinal passou uma semana aqui devia ter reparado que eu não tinha nada de valor."
Draco fechou os olhos, tinha coisas mais importantes para pensar.
"O que eu vou fazer agora? Jacob está morto, dificilmente aquele Krüger vai me querer na empresa, vai querer é a fusão das dele com as de Anna, preciso pensar em alguma coisa, preciso achar outra forma de ganhar dinheiro."
Levantou-se e foi para sala, de lá foi até o bar e pegou uma dose se vodca. Jogou-se no sofá.
"O Krüger pode até não me querer, mas Anna tem até uma simpatia por mim, quem sabe não sobra algo? Não é bom contar com isso, mas de repente, vai que acontece. E se eu voltar à Inglaterra? Não, não. Não há nada de vantajoso lá, apenas uma mãe maluca, um amigo traidor, um filho e uma mulher que não são meus, não há como tirar proveito de nada da Inglaterra."
Levantou e pôs outra dose de vodca em seu copo. Pôs-se a andar pelo apartamento. Olhou para algo curioso no tapete, um cheque em pedaços. Parou um instante e ficou a contemplá-lo.
"Mas... mas se ela queria dinheiro, por que não pegou esse e foi embora? Por que voltou? Por que rasgou um cheque de 22 mil euros, se era isso que ela queria? Ela pensou que eu tinha mais escondido? Seria estupidez tremenda uma ação dessas, quem precisava de dinheiro como ela precisava não rasgaria um cheque desses por nada. Tem algo que não bate nessa história."
"Deixa de ser ingênuo, Malfoy, ela revirou seu apartamento pra achar uma foto sua de sunga? Não! Ela queria jóias, dinheiro qualquer coisa de valor. Você quer prova maior de que ela queria roubar? Um bilhete, talvez, dela dizendo isso? Mas por que rasgar um cheque se queria dinheiro? Não tem lógica uma ação dessas. O que faz chegar à conclusão de que ela não fingiu, mas por que foi embora então? (...) Tenho coisas mais importantes pra pensar. Como: o que eu vou fazer agora?"
Caminhou até a sacada, o dia seria frio. Eram perceptíveis as grandes nuvens que deixariam o dia nublado. Nublado, essa palavra se encaixava bem com ele. Escorou-se nas grades da sacada, o frio do ferro lhe eriçou os pêlos do corpo, levou a mão ao queixo.
"Vamos Malfoy, pense em algo, qualquer coisa, você precisa reagir." Falava-lhe a razão.
Mas Draco caminhava para a letargia, os acontecimentos o pegaram em cheio e sem nenhuma prevenção e ele não conseguia reagir, só conseguia pensar e mesmo assim não chegava a lugar algum, não conseguia passar do "O que eu vou fazer?".
Olhou para a cidade de Berlim, que lhe parecia agora tão insossa quanto Londres nos dias que antecederam sua partida. "Talvez, eu devesse ir embora." Ir embora para onde? Fazer o que? Trabalhar igual a um desgraçado para conseguir um emprego, sacrificar noites e noites esperando os riquinhos malditos decidirem se era apto ou não ao cargo? Fazer tudo isso de novo? Para quê? Pra acabar assim, todo o sacrifício em vão, tudo acabado em algumas horas. Não, ele não queria mais isso para si, não queria mais nada daquela vida.
"Não foram dias, foram meses de dedicação, cada hora era única e tudo isso pra terminar assim?"
O abalo tinha sido forte demais até para um Malfoy bem educado, Draco teria suportado melhor a morte de um ente querido, bem melhor, pois não tinha entes queridos. De quem ele gostava realmente? Não havia ninguém que ele tivesse gostado, Jacob era a única pessoa que ele tivera boas afeições, e Blaise, mas esse o havia traído e gostaria que ele estivesse morto no lugar de Jacob, seria-lhe mais útil.
"Jacob morto..."
Estava sozinho, mais uma vez a solidão parecia gostar de fazer-lhe companhia. Além de sozinho era um homem sem idéia nenhuma do amanhã, sem perspectiva. Não se lutava tanto para perder tudo assim, isso era injusto, demais de injusto.
"E agora, o que eu vou fazer?" Repetia a frase que ficaria um bom tempo em sua mente e proporcionalmente sem respostas.
Ninnnndeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
O caos é a lei natural das coisas. Isso não foi dito por um filósofo, por mais que vários pensadores defendam esta idéia. Na verdade, tudo tende ao caos e isso é chamado de entropia. E esta lei, que explica porque um rio deságua no mar e não ao contrário, ocorre pelo simples fato de o rio seguir a regra entrópica, tendendo a ficar em um estado mais espalhado, desorganizado e caótico. Adela não sabia disso, talvez não tivera a oportunidade de estudar tais coisas, mas em sua completa ignorância, vivia esta tendência.
- Svegliati, Signorina. (Acorde, senhorita) – uma mulher de cabelos castanhos bem esticados para trás que cutucava Adela.
Ela levou um susto. Onde estava? Quem era aquela mulher?
- Benvenuta l'Italia. (Bem-vinda a Itália). – disse a mulher sorrindo.
"É claro, Itália." Ela compreendeu entendendo apenas quando a mulher falou "Itália".
A mulher, observando que Adela já tinha acordado, saiu de sua cabine.
A loira sentou-se, arrumou os cabelos com as mãos, tinha um gosto amargo na boca, sentia-se suja, o que acontecera com ela? Sua cabeça dava pontadas tentando lembrar alguma coisa.
O celular tocou. O que piorou consideravelmente sua dor.
- Alô? – perguntou.
- Adela? Estou aqui na estação e você? – perguntou.
- Estou saindo do trem, espere um pouco. – falou.
Adela avistou Paola na estação.
- Buon Giorno, Signorina. – disse um menino de cabelos pretos.
- Andrea, ela não entende italiano, fale inglês como eu lhe disse. – Paola pediu.
- Good Moring. – ele disse erradamente.
Adela sorriu, o primeiro sorriso de uma madrugada horripilante.
- Você não parece nada bem, o que lhe aconteceu? – perguntou Paola.
- Muitas coisas. – ela respondeu vagamente.
- Vamos para casa, você precisa descansar. – disse Paola pegando sua mala e a conduzindo para fora dali.
Adela chegou a um apartamento pequeno no centro de Roma, Paola lhe mostrou seu quarto e a deixou sozinha.
A primeira coisa que a loira fez foi ir tomar um banho. Abriu o chuveiro, e a água quente tocou o corpo dolorido, aliviando-a. Sentou-se no chão de azulejos azuis e deixou que a sensação perdurasse.
Saindo do banho, apenas colocou uma camisola e deitou-se, dormindo por 2 dias.
- Madre, la signorina dormire (Mãe, a senhorita dormiu). – disse Andrea.
- Deixe-a, meu filho, ela precisa disso.
Ninnnndeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
As preces em hebraico chegavam aos ouvidos de Draco, ele tinha os olhos fechados tentando suportar a tristeza e a decepção de perder o amigo.
A manhã era bonita, o sol brilhava bastante, o gramado tinha uma cor verde vibrante que se espalhava para além da vista. Draco sabia e via tudo isso, mas o sábado não seria um bom dia, não depois dessa morte.
Havia várias pessoas naquele enterro, nenhuma Draco conhecia a não ser Anna e Krüger, todos vestidos de branco em luto pelo falecido que enrolado em um lençol da mesma cor, descia para a sua cova forrada de pedras.
- As pedras exprimem a saudade que ele vai deixar. – disse-lhe Anna que veio lhe cumprimentar com um sorriso falho e um rosto inchado.
- E há de ser enorme. – respondeu Draco.
- O médico disse que ele não sofreu, que foi um ataque fulminante do coração. – as lágrimas voltaram a cair quando ela terminou.
"Amanhã cedo tenho que caminhar, recomendações do cardiologista." Draco lembrou imediatamente da frase que ele havia dito no jantar. Não deixava de ser irônico, a ironia se vingava de Draco, a mesma ironia que ele gostava tanto de usar com os outros, até ela se virara contra ele.
Draco tocou em seu ombro tentando confortá-la, era a única forma que ele conseguia exprimir o pesar que sentia.
A mulher o abraçou, e ele pode sentir as lágrimas molharem sua blusa e umedeceram sua pele. Acariciou-lhe o cabelo. A lembrança de Adela se fez em sua mente.
"Ela nunca choraria assim." Ele pensou. "Ou choraria? Eu nunca a conheci realmente, só sei que foi embora sem nenhuma explicação."
As preces voltaram aos seus ouvidos, Anna foi até perto da cova se despedir do pai, logo depois começaram a fechá-la.
O tempo mudou, nuvens começaram a se formar e com o término do funeral, muitos se foram logo que os primeiros pingos de chuva começaram a cair.
Anna teria ficado se Krüger não tivesse insistido que estava fraca e que ficaria muito doente se pegasse uma chuva daquelas que prometia o céu, o que não deixava de ser uma verdade.
Mas Draco não, Draco não estava se importando para a chuva que caia, se ficasse resfriado ou se morresse disto, seria até melhor, já que evitaria acordar todas as manhãs e ver seu reflexo no espelho lhe estampar a derrota, morto não havia derrotas nem vitórias, não havia nada.
Lembrou da dificuldade que passara chegando à Alemanha com pouco dinheiro. De quanto trabalhara duro e incansavelmente para conseguir um emprego na bolsa de valores e o quanto fizera o triplo do sacrifício para conseguir chamar a atenção de Jacob, e como tudo isso parecia ter sido em vão e acabara em uma madrugada. Uma madrugada... Não deixava de ser engraçado.
A chuva se intensificara e estava o deixando ensopado, olhou para o túmulo simples que os judeus faziam, havia um ao lado. Adela Belshoff.
Ele riu, afinal Jacob e ele eram mais parecidos do que ambos imaginavam.
"O que eu vou fazer?" Não cansava de se perguntar.
Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
- Andrea!
Adela acordou com uma voz chamando este nome, ficou vários minutos ainda deitada na cama, seu corpo doía muito em algumas partes.
- Buon Giorno, Signorina! – disse o menino sorrindo para Adela, que apareceu na cozinha.
Adela deu-lhe um sorriso fraco, não por não gostar ou estar irritada, na verdade não tinha acordado por completo e a fraqueza também contribuíra.
- Vejo que acordou. – falou Paola. – Sente-se bem? – perguntou, acompanhando Adela até a sala.
Adela sentou no sofá e fez uma careta de dor.
- Estou com muita fome. – disse quase como um sussurro.
Paola assentiu e foi à cozinha buscar comida.
- What is your name? – perguntou o pequeno que estava sentado à mesa comendo um grande prato de salada.
Adela virou e o encarou. Aquele menino era tão parecido com Paola, mas havia algo nele que lhe era familiar, eram os olhos, os incríveis olhos azuis dele lhe lembravam alguém.
A pergunta dele era tão simples, porém, Adela não tinha uma resposta exata, já fora tantas mulheres que nenhuma parecia lhe pertencer.
- Minka. – ela respondeu.
- I´m Andrea. – ele estendeu a mão para ela e Adela pode ver que o que ele segurava era um dicionário Italiano-Inglês.
- Nice to meet you, Andrea. – respondeu.
O menino ficou confuso, com certeza não entendia o que ela falava.
- Ela disse que é um prazer conhecê-lo. – disse Paola entregando à Adela um prato com frutas. – Você ficou muito tempo sem comer, não é bom lhe dar um prato da macarronada.
- Obrigada. – respondeu.
- É melhor você aprender o básico do italiano, afinal, temos uma mulher para resgatar. – ela disse em inglês.
Adela balançou a cabeça afirmativamente.
- Esse menino é filho de Jean? – ela perguntou.
Paola se enrubesceu.
Adela entendeu como um sim.
- Eu era uma das garotas, e fiquei grávida, depois disso ele me tirou da vida e voltei pra Roma. – ela disse.
- Pelo menos você saiu. – respondeu mordendo uma maçã. – Eu nunca vou sair.
- Não fale isso, há sempre um homem que se apaixone por moças como nós. – ela disse segurando uma de suas mãos.
Adela riu.
- Qual é o plano? – perguntou.
- Andrea vá brincar no seu quarto. – a mãe ordenou.
O menino obedeceu.
- Eu trabalho de camareira no hotel que Renné esta hospedada, não por coincidência, entrei lá desde que ela veio, existem dois seguranças na porta do quarto e mais dois dentro do apartamento e mais o tal de Stuart. O plano é o seguinte: você e eu, de camareiras, entramos no apartamento quando esse tal de Stuart não estiver e resgatarmos Renné.
- Mas como vamos fazer isso? – Adela perguntou tomando um gole de suco.
- Vamos matar os dois seguranças da porta, e aí Jean e Paul, amigo de Jean, ficarão no lugar deles, assim se Stuart voltar alguém nos avisará.
- Mas ele não reconhecerá os seguranças? – perguntou Adela.
- O recepcionista foi comprado pra nos avisar quando ele sair e quando ele voltar, qualquer coisa Jean e Paul são acionados e nos avisam.
- E os seguranças de dentro? – perguntou a loira.
- Esses nós vamos ter que dar um jeito, o nosso objetivo é resgatar Renné, e saindo de lá um carro estará pronto pra levar vocês para a Polônia.
Adela parou e pensou.
- É necessário matar? – ela perguntou.
- Se não matarmos será mais homens que nos conhecem atrás de nós.
"Eu nunca matei ninguém."
- Eu também não. – ela respondeu lendo sua face. – Mas... - A mulher de pele morena se levantou e foi até um armário e tirou duas armas, jogando-as na mesa. - Fica fácil com essas aqui, são leves e silenciosas.
Adela pegou em uma delas. Ficou a observar a arma em sua mão.
- A propósito, que dia é hoje? – ela perguntou.
- Segunda- feira. 24 de novembro. – ela disse.
"Dormi dois dias." Pensou.
- Quando vamos resgatá-la? – perguntou.
- Quarta. – ela respondeu. – E uma coisa, hoje e amanhã você vai comigo ao trabalho e depois vai treinar o tiro, ta certo que não vai ficar expert nisso, mas já ajuda.
- É verdade.
- Agora, venha ao meu quarto, você precisa deixar Adela e se tornar Minka.
Ninnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnde.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
"Concentre-se."
- Ei, você aí de cabelo preto! Como é seu nome mesmo? – perguntou o professor de tiro.
- Minka. – respondeu.
- Por que está demorando tanto pra atirar? – perguntou o homem moreno chegando mais próximo. – Você está pegando errado na arma.
Ele retirou a pistola de suas mãos, verificou o cartucho e atirou bem no meio da cabeça do boneco de papelão.
Minka se assustou.
- Agora faça você. – ele lhe devolveu a arma.
Minka sentiu novamente o peso da pistola em suas mãos, não era tão pesado assim, mas era algo totalmente alheio a ela.
- Vamos lá, posicione seus braços e foque. – ele disse.
Ela lançou seus olhos para o boneco que agora tinha um furo na região da cabeça.
"Foque! Vamos lá, você consegue atirar!"
- Vejo que não está adiantando muito. – ele se posicionou atrás dela, tocou em seus braços. – Pense em algo odioso, algo que lhe dá raiva ou alguém, mas não uma raiva comum, uma raiva absurda.
"Raiva. Stuart! Ele está com sua amiga, ele vai matá-la se puder e fará o mesmo a você. Não tenho raiva dele, tenho medo. De quem eu tenho raiva?"
- Vamos você consegue. – falou em seu ouvido.
"Raiva, daquela velha maldita!"
Cinco tiros seguidos, um no ombro, e quatro fora do limite do boneco.
- Nada mal para primeira tentativa. – disse o instrutor pegando a arma e recarregado. – Vamos de novo, mas dessa vez foque.
Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Quem dera o dia não tivesse aquele sol. O que explicaria aquele sol grandioso e radiante? Afinal de contas, não era um dia para tal magnificência do astro-rei. O dia seria completo se, ao invés dele, reinasse nos céus aquela nuvem pálida dos dias nublados, chuvosos e raivosos.
Havia duas semanas que Draco acordava e amaldiçoava o sol, tentando esquecer-se da sua maldição. Quem dera Draco fizesse outra coisa, além disso.
Foi até o banheiro, no caminho pisou em algumas roupas que continuavam espalhadas no chão desde a ida de Adela. Encarou-se no espelho, havia uma barba mediana e disforme em seu rosto, os cabelos estavam altamente desgrenhados.
"Quem se importa com a minha aparência agora? Sou um futuro falido e atual desempregado."
Coçou a barba, abriu o armário, tirou a pasta e escova de dente, apertou com dificuldade a pasta quase no fim, tentando dela tirar algo, um pingo de massa branca saiu e esta foi colocada na escova.
Foi até a sala, estava escura, Draco gostava mais assim, as cortinas nunca mais se abriram, olhou para o relógio digital em cima do televisor.
"2 da tarde."
Foi até o bar, havia copos e copos em cima deste e várias garrafas vazias espalhadas pelo chão e pelo balcão. Abriu o frigobar.
- Vamos ver o que ainda me sobrou. – falou consigo.
Olhou. Havia apenas uma garrafa pela metade.
"Run? Vai isso mesmo." Pensou abrindo a garrafa e despejando o conteúdo em sua boca.
Foi até a cozinha.
Lancelot latiu fraco, já que não comia há dias.
- Com fome, animal? – perguntou.
Lancelot se escondeu em sua casinha.
Draco foi até ele, o tirou de lá e pegou no colo.
- Tome. Isso vai fazer bem pra você, como faz pra mim.
Ele despejou bebida no pelo do animal.
Lancelot inquieto em seu braço acabou caindo. Draco riu alto.
- O que foi? Não gostou? – perguntou enquanto o cachorro corria para sua casinha novamente. – Sobra mais então.
Caminhou novamente para o quarto, chutando as blusas e calças que havia ali. Tudo estava desordenado, Draco estava magro e muito mais pálido, há dias sua comida era álcool. Não se arrumava e não arrumava o apartamento, ninguém entrava ali, por mais que batesse, ele queria "curtir" sua depressão sozinho.
Jogou-se na cama, virou um gole. Lançou o olhar para o quarto. Armários revirados, gavetas abertas, e roupas espalhadas por todos os cantos. Quando observou um pedaço de papel que saia de uma calça. Curioso sentou-se na cama e esticou seu longo braço para pegar.
Olhou e por vários minutos apenas fez isso.
Eram dois pedaços de papel, que não estavam em branco, eram até muito coloridos. Jacob, Adela e ele riam em uma foto, na outra apenas ele e a prostituta.
"Jacob morto, a prostituta foi embora, só sobrou este perdedor aqui."
- Pelo menos agora eu sei que o que eu vivo é real. – falou para si.
Olhou novamente para a foto, não parecia ter vivido nada do que ela mostrava, a sensação que tinha agora é que a sua vida sempre fora aquele fracasso que estava vivendo.
Abriu a gaveta do criado mudo e tirou um isqueiro, o qual não funcionava.
Riu fraco.
- Nem quando eu tento... - ele não continuou o pensamento, apenas jogou as fotos pela janela, tomou mais um gole da bebida vermelha e deitou-se dormindo.
Ninnndeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
"Seria bem melhor se essa neve não caísse."
O dia não estava bom, já acordara com presságios, Thanatos estava presente em qualquer lugar, até na criança que atravessava a rua em direção a escola.
Entrou no hotel, estivera ali nas ultimas duas manhãs, não entrara pela porta da frente, porta da frente não era pra pessoas como ela. Os fundos e escuros eram o seu lugar.
Contou como havia feito nos dois dias, os quinze degraus que subindo em caracol enferrujado levavam a lavanderia pequena e cinzenta com máquinas ultrapassadas e, naquela hora, mudas.
Passou pela porta e virou o corredor à direita, no final, a cozinha aparecia, cumprimentou o cozinheiro, que lhe tivera dado o emprego, chegou à outra porta.
- Tome! Use isso. – Paola lhe entregou o uniforme de camareira.
Olhou o uniforme cinza e um avental branco.
- E faça um coque nesse cabelo. – ela apontou para a cabeleira negra.
Minka obedeceu.
- Preciso repassar alguma coisa? – perguntou Paola.
- Não. – respondeu a morena.
- Ótimo. Então vamos. – disse abrindo a porta e pegando o carrinho de limpeza.
Chegaram ao vigésimo quinto andar, o elevador apitou e abriu as portas, o corredor longo, comum de todos os hotéis, e cheio de portas de ambos os lados apareceu, as duas mulheres olharam uma para outra e seguiram.
Foram se aproximando, com um passo regular, do apartamento 2005. Havia dois homens na porta, ao se aproximarem, ambas levaram as mãos ao carrinho de limpeza.
Os homens só tiveram tempo de se assustar e nada mais. Dois tiros com silenciadores.
- Jean deve estar chegando agora. – Minka falou.
Ouviu-se um barulho vindo das escadas, Jean e Paul e outros três homens corpulentos apareceram. Correram até os corpos dos dois seguranças mortos, carregando-os e levando-os a escada.
- Agora os dois que estão ai dentro. – falou devolvendo sua pistola ao carrinho.
Entraram no apartamento, a sala era grande, havia vários centros de mesa com cadeiras espalhados e uma lareira apagada.
- Quem está aí? – perguntou um segurança.
- Serviço de quarto. – falou Paola.
- Mas... - não houve tempo de perguntar, ela já havia atirado.
Houve balas vindas do corredor ao fundo, Paola jogou o carrinho e puxou Minka com ela, vários tiros passaram de raspão. Mas um deles acertou em cheio a parte detrás do ombro da nova morena. Minka gritou de dor, olhou rápido na direção do ombro, não conseguia ver nada, apenas sentir o sangue quente descendo por suas costas.
- Ade... Minka fique calma. – disse Paola tentando virá-la para ver o ferimento.
Não houve tempo para tal ato filantrópico, outros dois seguranças apareceram vindos do lado oposto, encurralando-as.
- MateM essas malucas! – gritou o segurança de dentro do apartamento.
Os dois brutamontes chutaram as mãos das mulheres e suas pistolas voaram. Pegaram-nas pelos cabelos e levantaram.
- Me larga! – gritou Paola.
- Quem são essas duas vagabundas? – perguntou o segurança que estava atirando há pouco tempo.
Mais tiros pelas costas e, dessa vez, três seguranças caíram mortos e outra mulher foi ferida.
- Paola, você está bem? – perguntou Jean Pierre correndo ao seu encontro.
A mulher segurava o braço com força.
- Estou sim. Vá Minka, vá ao quarto. Renné está lá! – falou para morena.
"Renné!"
Correu até o final do corredor, a dor em seu ombro só aumentava, chutou a porta com força, mas não cedeu, ninguém respondia, atirou na maçaneta.
- Bertha! Onde você está? É Adela. – falou entrando no quarto.
Não houve ninguém por um tempo.
- Adela? – perguntou uma voz feminina.
- Bertha! Vamos embora, rápido! – ela foi até a amiga.
Minka segurou-lhe a mão e correu com ela para sala do apartamento, Jean e Paola e os três homens que ajudaram a retirada dos corpos, esperavam-nas na janela. Saíram pela escada de segurança. Chegando depois de alguns minutos em um beco deserto ao lado do hotel, pegaram um carro e aceleraram.
Ninnndeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
"Era a mesma mansão de antes, e como chovia. Draco estava em seu quarto exageradamente grande para uma criança, não havia barulho a não ser a chuva batendo em sua janela pedindo entrada. Ele, parado, apenas observava. Gostava desses dias chuvosos, gostava de olhar por sua janela e ver a neblina envolvendo toda a floresta.
- Draco. – chamava a voz de sua mãe. – Draco venha aqui.
O menino saiu de seu quarto, seguiu pelo corredor escuro até a escada.
- Draco, meu filho. – ela o pegou no colo. O menino sentiu o cheiro do perfume delicado que sua mãe sempre usava. – Olhe, há um presente para você. – ela o colocou de volta no chão e ele correu para a caixa no meio da sala. Observou por um bom tempo, sempre fora desconfiado com presentes, a caixa era de papelão duro, maior que ele, com uma enorme fita amarela.
Com dificuldade, ele conseguiu abrir.
- Uma boneca? – ele perguntou não gostando e jogando o presente no chão. – Eu sou menino! Não gosto de bonecas. – falou começando a pisar em cima do presente.
Narcisa se precipitou até ele, ajoelhou-se e pegou a boneca.
- Ela cuidará de você agora. – disse a mãe, que começou a desaparecer.
- Mamãe? MAMÃE? MAMÃEEE? – Draco começou a gritar vendo-a ir sumindo."
O loiro acordou assustado, olhou em volta, levou a mão ao criado mudo e acendeu o abajur.
- Que porra de sonho foi esse? – falou passando as mãos no rosto.
Foi até a sala e de lá até a sacada.
Que horas seriam? E que dia era aquele? Duas perguntas difíceis de responder, por quanto tempo ele estava naquele estado de letargia? Já havia perdido as contas de quantos dias se passaram desde a morte Jacob, porque aquele dia teoricamente, também, tinha sido o da sua morte.
Draco, o homem forte, frio e dos negócios, não existia mais, havia outro homem que tomara seu lugar, um de cabelos desgrenhados, com a barba por fazer, unhas grandes e mal cuidadas, cada vez mais magro. Este homem vinha definhando cada vez mais.
Foi até o bar, todas as horas que passava acordado, a bebida o ocupava. Pegou uma garrafa de vinho tinto.
Bebeu-a inteira. Voltou ao bar não havia mais bebidas.
"Quem merda, era minha única felicidade."
Lancelot apareceu com o saco de lixo em sua boca.
- Ei piolhento. – ele pegou o bicho, que nem sequer resistiu. – Por que você não late mais? Sabe que eu até sinto falta do seu barulho. – disse passando a mão no pêlo do cachorro.
Lancelot choramingou um pouco. Draco tirou o saco de lixo de sua boca e percebeu que não havia só isso com ele.
- O que é isso? – perguntou a um pedaço de lenço branco.
O cachorro avançou para Draco querendo de volta.
- Ah! Isso é um lenço da sua dona? – ele perguntou.
Lancelot voltou a atacar. Draco o segurou.
Observou aquele pedaço de pano mordido e estragado. Ainda havia restos dela ali.
O cachorro choramingou novamente.
Draco voltou sua atenção para Lancelot. O cachorro aquietou-se como se pressentisse a seriedade do momento.
- Vou-lhe contar algo que ninguém sabe. – ele falou em um sussurro, decerto algo proibido sairia da sua boca. – Eu já havia visto antes...
Bateram na porta.
Draco soltou o cão.
"Quantas vezes eu vou precisar dizer que não quero serviço de quarto?" Pensou abrindo a porta.
- Herr... - o homem olhou num papel. – Frederich Herman?
- Ja. – Draco respondeu.
- Eu sou um oficial de justiça e tenho um mandato de prisão para o senhor.
Dois homens entraram no apartamento e seguraram Draco.
- O que? Mas como? Qual é a acusação? – ele perguntou assustado.
- O senhor é acusado de desviar 200 milhões de euros dos bancos Belshoff.
"O que? Mas não é possível!"
- Isso é mentira! Eu não roubei nada, pergunte a Anna. – ele disse enquanto os homens lhe algemavam.
- Se o senhor quer saber, é a própria Anna Belshoff que está movendo esta ação contra o senhor. – disse o homem. – Levem ele para o carro.
- ME LARGUEMM! EU SOU INOCENTE! – ele gritava pelo corredor tentando se desvencilhar dos policiais. Alguns apartamentos abriram a porta, curiosos para descobrir a razão dos gritos. – ISSO É UMA ARMAÇÃO CONTRA MIM! EU SOU INOCENTE! KRÜGER! ELE SIM É O CULPADO!
Ninnnndeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
- Adela! – Bertha lhe deu um abraço apertado dentro do carro. A morena gemeu de dor. – Oh! Você está ferida! – disse a amiga preocupada.
- Está tudo bem, só dói um pouco. – respondeu.
- Temos que ir algum lugar! Jean? – disse pedindo uma solução.
- Estamos indo, ela não é a única ferida nesse carro. – disse o cafetão.
Bertha virou-se para a amiga.
- O que ele fez a você? – perguntou Minka a Bertha, observando as marcas em seu rosto.
-Isso não importa mais, ele ameaçava me matar se você não chegasse logo, ele me deixava sem comida, sem água e às vezes me batia. – Bertha começou a chorar.
- Calma. Agora nós estamos a salvo. – Minka respirou forte devido a dor. - Eu nunca mais deixarei ele tocar em você. Ok? – disse a amiga.
Pararam na frente de uma casa, com ajuda de Bertha, Minka conseguiu sair do carro. Entraram na casa que tinha apenas a porta, lá dentro uma mulher veio ao seu encontro. Tinha um aspecto sujo, mas era o melhor que poderia fazer, como explicar no hospital que havia levado um tiro?
Depois do curativo feito, Minka e Bertha voltaram ao carro.
- Aqui está, podem descer. – disse Jean Pierre às moças.
- Estação de trem? – perguntou Bertha.
- Isso mesmo, e não me chamo mais Adela, agora eu sou Minka e você é Natia Kowalewski, minha irmã. – a morena lhe entregou os passaportes.
- Para onde vamos? – perguntou Bertha, agora Natia.
- Para Polônia.
Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Um corredor claro, cor de creme. Várias mãos para fora e havia berros enquanto ele passava.
- O playboyzinho tem sela especial. – disse o policial jogando Draco em uma sela solitária.
Vários berros ecoaram pelo corredor depois da afirmação do policial.
- É galera, sem carne nova pra vocês. – disse. – E você. – olhou para Draco. – Tem direito a um advogado, mas só amanhã. – disse rindo e indo embora.
"Amanhã? – Draco riu mentalmente. – Amanhã estarei longe daqui seu filho da puta miserável."
"2 horas." Era esse o tempo que o loiro esperou até o policial da ronda dormir. Ele chegou até considerar a questão de desaparecer em segundos, afinal não devia nada a ninguém, e os protocolos do mundo bruxo pouco lhe importavam, mas preferiu não causar tanto susto. Esperou pacientemente os presos adormeceram e aquele policial também, agora era só sumir.
Apareceu em seu apartamento. Calmamente, ele olhou em volta da sala, não havia ninguém ali, mas havia sinais de várias inspeções, que não eram tão claras já que o apartamento em si estava revirado aos avessos desde que Jacob havia morrido e Adela ido embora.
Foi até a o quarto, pegou suas roupas que se acumularam em uma pilha no canto do quarto, e jogou-as em uma mala qualquer, e fechou.
Entrou no banheiro e se olhou no espelho.
"Estou estragado mesmo." Pensou.
Tomou banho, e depois abriu o armário e tirou um barbeador descartável. Com a ajuda do sabonete, ele fez a barba, que há tempos cobria seu rosto, voltando a ter o rosto romano. Pegou um pente e ajeitou os cabelos que estavam pelos olhos e passou um gel, puxando-os para trás. Cortou as unhas, e vestiu seu melhor terno.
Olhou-se novamente no espelho.
"Nunca mais tinha te visto, Malfoy." Pensou, já que nunca mais tinha se achado tão parecido do que já fora um dia em Hogwarts.
- Au, au. – latiu Lancelot.
Draco virou.
- Venha, pulguento, eu vou te alimentar. – disse pegando o cachorro do chão.
Foi até a cozinha e achou um saco de ração que há muito tempo estava ali.
Lancelot comeu alegre.
Latiu novamente em agradecimento.
- Ok. Agora vamos embora, não há mais nada na Alemanha pra nós. – disse o pegando no colo e aparatando num beco bruxo alemão.
Foi até uma loja, suspeita como sempre. Bateu várias vezes na porta, até que um homem idoso abriu a janela acima.
- O que você quer às 3 horas, seu bastardo maldito?
- Acho melhor você mudar o tom comigo, Velho Knudzen. – ele respondeu.
O Velho pegou a varinha e apontou para Draco.
- Lummus! – e vendo o semblante do loiro se assustou. Num instante a porta se abriu.
Draco entrou na loja, até certo ponto bem arrumada e bem limpa. Ouviu o velho descer as escadas.
- Queira desculpar-me, Senhor Malfoy, mas há sempre bêbados e drogados que vem por essas áreas e batem a minha porta essas horas. – disse o velho.
- Não faz mal, eu serei rápido, quero uma chave portal clandestina.
O velho balançou um pouco e foi até um armário.
- Só tenho esta. – disse estendendo uma colher.
- E pra onde vai me levar? – Draco perguntou.
- Para a Polônia.
Draco parou pra pensar um instante. "Qualquer lugar é melhor que a Inglaterra e a Alemanha."
- Serve.
- Aqui esta o mapa, e com quem o senhor deve falar quando lá chegar.
- Quanto é? – perguntou.
- Para o senhor nada. – disse o velho.
Draco apenas tocou na colher.
Ninnnndeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
III Parte – As Sras. Malfoy
"Prometo em minha vida não ser senhora de ninguém a não ser de mim e carregar nas palavras que formam meu nome apenas aquelas que convêm ao meu sangue.
E amaldiçoar aquele que escrever em minha cripta boa esposa e mãe dedicada."
A mulher acordou com uma forte dor. Ligou a luz do quarto com o pensamento, olhou para sua cama cheia de sangue.
Ela berrou. Berrou alto.
- O que foi, Senhora? – perguntou uma mulher abrindo a porta. Não precisou de respostas, viu o sangue espalhado pela cama.
- Blaise! Chame Blaise, por favor. – ela pediu com desespero.
A moça loira correu sem parar pelos corredores do apartamento, chegando ofegante a lareira de pedras.
- Sr. Zabine. – disse jogando pó de flú na lareira.
-Sr. Zabine, Sr. Zabine! Acorde! – Ela sacudia o homem.
Blaise abriu seus olhos, assustado.
- Srta. Marine? Você aqui? Algo com a Sra. Malfoy? – ele pode deduzir pela face pálida da moça.
- Sim, há sangue por toda cama. – a mulher falava nervosa.
Blaise levantou em um pulo da cama, nem sequer deu-se o trabalho de colocar outra roupa, tocou o braço da moça e aparatou no apartamento.
Correu para o quarto junto com Marine, podia ouvir os gritos que de lá vinham.
- Blaise! Blaise! Ainda bem que você chegou. – disse a mulher ensangüentada lhe estendendo os braços.
Blaise a pegou no colo.
- Blaise, o que está acontecendo comigo? Eu vou perder meu filho? – ela perguntou entre lágrimas, lágrimas estas que molhavam o pijama de Blaise.
- Calma. – ele pediu beijando-lhe a testa. – Marine pegue o pó de flú!
A mulher obedeceu.
- St. Mungus! – gritou Blaise.
- Um méd-bruxo, por favor! - Blaise gritou quando apareceu na recepção.
Vários curandeiros vieram ao seu encontro.
- Ponha ela na maca. – disse uma curandeira.
Blaise a pôs. Eles começaram a empurrar a maca em direção à sala de operação.
- Não me deixe sozinha, Blaise. – pediu-lhe a mulher, segurando sua mão.
- Não vou. – ele disse desesperado olhando ela ficar cada vez mais pálida.
- O Sr. não pode passar além desta porta. – disse-lhe a curandeira.
Blaise assentiu, ficou ali, olhando entre o vai e vem da porta a maca ser levada para dentro de um corredor branco.
"Preciso falar com os Malfoys." Pensou.
"Ela não pode morrer! Não pode!" Blaise pensava andando para a recepção. "Não pode dar nada errado, não vai acontecer nada errado, ela não pode morrer!"
- O que o senhor deseja? – perguntou a recepcionista, vendo Blaise parar no balcão.
Ele parou um instante e a olhou. "O que eu queria mesmo?"
- Senhor? – perguntou a moça.
Blaise deu um estalo.
- Preciso mandar um recado.
A mulher abaixou e logo depois lhe deu um pergaminho, uma pena e um tinteiro.
"Para A Sra. Malfoy
Venha a St. Mungus depressa!
B.Z"
Blaise entregou o pedaço de pergaminho enrolado a recepcionista.
Em menos de meia hora, Narcisa Malfoy apareceu no hospital.
- Blaise, como ela está? – perguntou Narcisa preocupada.
- Não sei ao certo, não me deram notícias ainda. – disse.
Narcisa se levantou e foi até a recepcionista. Ficou lá por um tempo logo depois voltou.
- Vamos Blaise, vamos para uma sala.
- Sala? – perguntou.
- Blaise! Por favor, eu sou uma Black, você acha sinceramente que vou ficar nesta recepção desconfortável esperando notícias do meu neto? Não! Vamos para uma sala mais confortável.
Blaise apenas assentiu. Não via diferença entre aquelas cadeiras dura e uma sala mais confortável, afinal, seus problemas começariam a piorar a partir daquela noite e não era onde estava sentado que os impediriam.
- Como ela estava? – perguntou Narcisa quando entraram em uma pequena sala branca com um sofá e duas poltronas da mesma tonalidade.
- Estava sangrando muito. – respondeu Blaise sem olhar para a mãe de Draco, ele apenas se jogou na poltrona e se compenetrou em um ponto fixo na parede.
- Blaise, ela não pode perder esse filho! É o herdeiro daquele desnaturado! É meu herdeiro! Sabe, eu sempre tive medo que Draco não quisesse filhos e assim a linhagem dos Black acabaria, a linhagem pura dos Black... Ele precisa nascer! Precisa! – dizia Narcisa altamente nervosa.
- Eu sei. – respondeu Blaise automaticamente.
- Você precisa avisar o covarde do seu amigo que o filho dele está nascendo.
- Eu sei. – respondeu novamente Blaise. – Estou indo. – disse se levantando.
"Vai ficar tudo bem." Pensou Blaise, enquanto ia para casa procurar um chaveiro.
Narcisa Black não era mulher de esperar, estava nervosa e afoita com o nascimento de seu neto e herdeiro de toda a sua fortuna, então tirou duas coisas da bolsa: um celular e um papel com oito números escritos em tinta preta.
Pegou o estranho instrumento trouxa, pequeno, leve e preto e digitou os números, assim como sua governanta, que era casada com um trouxa, havia lhe ensinado. Após digitar a seqüência, parou para pensar em qual botão deveria apertar se no verde ou no vermelho, concentrou-se e decidiu por apertar o vermelho, vendo os números desaparecerem na tela.
"Tecla errada." Pensou, voltando a digitar e dessa vez apertando na certa.
Escutou chamar por um bom tempo.
- Alô. – Atendeu uma mulher com a voz amedrontada falando alemão.
Ninnnnnnnnnnnnnnnnnnnndeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
- EU NÃO AGUENTO MAIS ISSO! – gritava Minka. – EU VOU LARGAR ESSA MERDA DE EMPREGO!
- Calma, calma. – dizia-lhe um homem magro atrás de uma mesa. – Você tem um contrato, vou precisar te lembrar?
- QUE SE DANE O CONTRATO! POR ACASO VOCÊ VAI A POLÍCIA RECLAMAR? HEIN, SEU CAFETÃO DE MERDA? – ela continuava a gritar.
O homem magro se levantou da mesa e foi ao encontro dela. Pegou-a pelo pescoço com força e a prensou contra parede.
- Escute aqui, você pode ser a melhor puta dessa casa, mas não vai falar comigo como quer entendeu? – ele a encarou sério e a largou.
Minka ficou olhando.
- Deixa eu ver esse olho roxo. – disse-lhe o homem, tocando levemente em seu rosto. – Quem foi que fez isso? – perguntou sério.
- Aquele seu amiguinho, Jachowicz. - ela respondeu.
Ele balançou a cabeça negativamente.
- Eu vou dar um jeito nele, não se preocupe. – disse-lhe beijando a parte roxa da face.
- Saí. – ela o empurrou.
- Venha cá. – ele a puxou com força pelo braço. – Sou seu chefe.
- É meu chefe, mas não é por isso que sai de graça. – respondeu Minka.
- Ok. Ok. – ele disse tirando dinheiro do bolso e colocando entre os seios da morena.
- E agora? – ele perguntou.
- Agora sim. – ela respondeu.
A mulher que já fora Marie, Adela e agora era Minka, acordou, depois de uma noite de "trabalho". Olhou para o lado, Gajewski, seu chefe, estava dormindo pesadamente.
Levantou puxando o lençol para cobrir o corpo, foi até o enorme banheiro. Ligou a torneira, que começou a encher a banheira de água. Sentou-se no parapeito da mesma e olhou-se no grande espelho com bordas douradas que tinha a sua frente.
Precisava comprar mais tinta preta para pintar o cabelo, e precisava também dar um jeito naquele olho roxo.
Ia entrar na banheira, quando se assustou com Gajewski entrando no banheiro.
- Não vai me convidar pra tomar banho? – perguntou.
Fechou os olhos e conteve sua irritação tremenda por ser perturbada até naquele momento. Não precisou responder nada, o celular do homem tocou e ele saiu, deixando-a sozinha.
Nossa antiga Adela já estava há 10 meses na Polônia, havia chegado em uma noite qualquer e procurado o dono da casa, em que agora tomava banho, indicado por Jean Pierre. O cafetão logo se interessou por ela, interessou-se até demais. Não que ela reclamasse, era até bom ter seu chefe como amante, tinha várias regalias em comparação às outras prostitutas, mas o odiava como a todos os outros. Sem um porque, apenas o odiava.
- Então, posso entrar? – ele perguntou reaparecendo.
- Lógico que pode, afinal, tudo isso é seu, não é? – ela falou seca. – E também eu já estou saindo. – terminou se levantando.
Ele apenas a encarou com um olhar irritado.
- O que você tem hoje à noite? – perguntou.
- Não sei, quem sabe é Natia. – respondeu.
- Eu quero você aqui depois do serviço, entendeu? – disse-lhe.
Ela apenas acenou com a cabeça e saiu do banheiro.
Abriu a porta do apartamento.
- O que foi isso no seu olho? – perguntou Natia.
- Adivinha: um daqueles maníacos que acham legal bater enquanto fazem sexo. – respondeu.
- Nós precisamos sair dessa vida. – disse Natia, que devido às dificuldades teve que voltar a se prostituir também.
- E ir trabalhar no que? Em lojas? Para ganhar uma merreca? Não tem mais volta. – falou Minka se jogando no sofá.
- Você estava com Gajewski? – perguntou.
- Estava, ele quer me ver de novo essa noite.
- Acho que ele está se apaixonando por você. – disse a nova ruiva.
- Se estiver, tomara que seja logo o apaixonado e me tire desta porra de vida. – respondeu a morena. – Aonde você vai? – perguntou vendo Natia sair.
- Vou comprar pão.
Minka assentiu e adormeceu.
Acordou rápido, pela escuridão da sala deveria ser de noite.
"Dormi demais, isso anda acontecendo muito." Pensou olhando para o relógio de pulso. "20:00, ta tarde." Levantou e pegou a agenda que ficava em cima da televisão. Abriu na página do dia 23 de Agosto.
"Cliente às 22:00, o motorista vai vir lhe buscar." Leu.
Ligou a televisão.
- Natia? – perguntou, mas não houve resposta.
Foi à cozinha, na geladeira havia um papel de Natia dizendo já ter saído para o trabalho daquela noite. Pegou a caixa de leite e levou a boca.
E a interpol continua na busca do caso Belshoff.
Ouviu a mulher da televisão falar, engasgou-se e correu para sala. Mas o jornal já estava nos comerciais.
"Será que estou ficando maluca? Não, não estou. Eu ouvi direito: 'caso Belshoff''. Que caso é esse?"
Foi até a Tv e mudou para outro jornal, esperou, mas nada foi comentado.
"Merda! Merda! Que porra de caso é esse?" Pensava batendo na TV.
"Que ódio!"
"Deixe isso pra lá, afinal, você precisa se arrumar." Era aquela voz de novo, fazia tempo que ela não falava.
"Caso Belshoff..."
"Você não é mais Adela há muito tempo, então, vá logo se arrumar." Repetia-lhe a voz.
"Jacob... Frederich... como eles estarão?"
"Vá se arrumar, por favor!" Implorava-lhe a razão pressentindo que coisas boas não poderiam acontecer se ela começasse a mergulhar no passado recente.
- Ok, ok! Já estou indo. – respondeu para si.
No banho, o pensamento não lhe deu trégua, várias perguntas vinham a sua cabeça, estariam Jacob e Frederich bem? E Lancelot, o que havia sido feito dele? Frederich teria voltado para sua esposa e filho?
"Pare de pensar nisso, você prometeu."
Ela sabia que havia prometido enterrar Adela, e não pensar mais nos acontecimentos da Alemanha, mas fora inevitável, havia um caso Belshoff, deveria haver algo errado e ela nem sabia o que era, não fazia idéia.
"São 21:00 horas é melhor você se apressar."
Saiu do banho, vestiu-se de um tubinho vermelho, foi até o pequeno espelho do banheiro e passou a maquiagem necessária para esconder a marca roxa no olho direito, conseguindo enganar bem.
Desceu para o térreo, às 22:00 horas uma limusine apareceu para pegá-la.
Depois de uns 20 minutos pelas ruas de Varsóvia, chegaram a uma casa.
Minka desceu do carro, a casa era grande e imponente, típico casarão dos paises bálticos, telhados inclinados para deixar a neve cair, quatro janelas abobadas em cima com uma sacada ao meio, e duas janelas do mesmo tipo embaixo e ao meio a porta grande e escura.
Não precisou bater, um homem abriu-lhe a porta.
- O Sr. Wolinski está lhe esperando, acompanhe-me. – disse o mordomo.
Minka o seguiu pelo corredor, logo depois subiu uma escada, o mordomo abriu-lhe a porta e indicou que entrasse.
Minka entrou. O quarto era iluminado fracamente por uma lâmpada de abajur em cima do criado mudo. Na verdade, aquela lâmpada iluminava apenas o criado mudo e uma parte da cama, o resto era de uma total penumbra.
- Olá? – ela perguntou.
As luzes do quarto se acenderam.
Ninnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnde.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Pisou no chão, sentiu um reflexo de dor no joelho, sinceramente, Draco achava que deveriam inventar uma forma mais confortável de se viajar em chaves portais.
Olhou em volta, havia mesas e homens jogados por cima delas dormindo, o cheiro forte de mofo com bebida impregnava o local, as tochas já se apagando deixavam-no escuro, a única coisa que iluminava era a luz da vela do poste da rua que entrava por uma pequena janela.
Aproximou-se do balcão.
- O que deseja? – perguntou uma mulher loira.
- Eu quero falar com o Sr. Nowack. – respondeu.
A mulher se retirou e subiu uma escada. Depois de alguns minutos voltou.
- Pode subir, ele está lhe esperando. – falou apontando com a cabeça para a escada.
- Você pode olhar esse cachorro pra mim? – perguntou a mulher.
- Claro. – ela pegou Lancelot do colo de Draco, o cachorro acordou e logo depois voltou a dormir.
O loiro levantou o balcão, passou por uma cortina feita de couro de dragão e subiu uma escada estreita de pedra, no final havia uma porta de madeira, Draco bateu.
- Entre. – disse uma voz.
Draco obedeceu.
Estava em um escritório no qual uma névoa de cigarro pairava, não estava totalmente iluminado, era abafado. Olhou para o homem, não podia ver muito, apenas reparou que ele possuía uma grande cicatriz que cortava a boca.
- Knudzen me acordou com pó de flú dizendo que você viria. – disse o homem. – Sente-se, por favor. – disse apontando para a cadeira a sua frente.
Draco sentou-se.
- O velho Knudzen me disse que você é alguém de confiança e me contou sobre a sua nada nobre família inglesa. Contou-me também sobre o caso Belshoff.
- Eu não fiz nada. – disse Draco em defesa.
- Isso não me interessa, por mais que fosse preferível que o senhor tivesse feito qualquer coisa da qual lhe acusam. – o homem riu.
Draco mais de perto pode observá-lo bem melhor, tinha os cabelos brancos e um rosto enrugado, parecia já ter vivido mais de cem anos.
- O que você pretende aqui na Polônia? – perguntou acendendo um cigarro.
- Eu quero um trabalho, qualquer tipo de trabalho. – respondeu Draco.
O homem encarou-o.
- Quanto Knudzen o cobrou por essa chave-portal? – perguntou.
- Nada. – respondeu Draco.
O homem parou para pensar por um tempo.
- Sou traficante de armas no mundo trouxa, e faz um tempo que quero um assistente. – disse. – Sabe garoto, se o velho não lhe cobrou nada é porque você já deve ter feito favores a ele.
- Vários. – respondeu Draco.
- Sabe mexer em telefone, celular, Internet, e dirigir um carro? – perguntou o bruxo.
- Sei. – respondeu Draco.
- Por hoje é só, vá lá embaixo e fale para Bogna arranjar-lhe um quarto. Quando puder lhe procurarei.
Draco assentiu.
Bogna era uma mulher de poucas palavras, antes mesmo que Draco pedisse-lhe um quarto ela já lhe estendia uma chave e apontava para detrás da cortina de dragão que Draco acabara de passar.
O loiro voltou o caminho com Lancelot em seus braços, mas agora em vez de subir a escada de pedra, ele se encaminhou para um corredor que havia embaixo da mesma. O corredor era longo e com várias portas em cada lado, era em uma daquelas portas que passaria a noite, achou a sua.
Entrou no quarto, era pequeno e mofado como tudo naquele local, tinha uma cama de solteiro, que ficava bem embaixo de uma janela de vidro, e um pequeno armário a direita da cama. Draco pegou sua varinha e levantou o lençol, batendo-o até que toda poeira saísse, colocou-o no lugar e deitou. Lancelot deu sinais de que queria dormir, também, naquela cama.
- Nem pensar, bichano, nem pensar. – Draco falou e logo o cão foi se acomodar em um canto do quarto.
Dormir? Quem poderia dormir com milhares de coisas acontecendo?
"Eu acusado de lavagem de dinheiro? Palhaçada! Aquele maldito Krüger, aquele maldito ainda vai me pagar, é só uma questão de tempo até eu ter dinheiro suficiente para mandar aquele cara para o lugar que ele merece: as empresas falidas do pai dele. Essa Anna só pode ser estúpida em acreditar em um filho da puta desses, está na cara que ele só quer as empresas."
Mas não foi de todo mal aquele processo, fora o instinto de se defender de algo que não era culpado que lhe trouxera de volta, tirando-lhe daquela letargia. Então, só lhe restava agradecer ao futuro casal.
Depois de dois dias dormindo em um quarto com pouca mobília, Nowack mandou-lhe arrumar as coisas que tinha trazido e vir falar com ele.
- Vou lhe dar o emprego de meu assistente, garoto. – disse a Draco. – Espero não me arrepender.
- Não irá. – respondeu. Por dentro, Draco voltava a sentir algo vibrando dentro dele, parecia vivo novamente, o velho sangue lhe corria as veias, oxigenando todos seus órgãos e lhe renascendo.
- Agora, você vai morar em uma casa que lhe aluguei. –disse. – Meu motorista lhe levará lá.
Draco saiu do bar bruxo seguindo o motorista de Nowack, não sabia ao certo como trabalharia, mas não parecia ser tão ruim, na verdade, sentia-se tão entusiasmado como há tempos não sentia. Entrou no carro, depois de meia-hora chegou a uma casa afastada da cidade em um condomínio de luxo. Desceu do carro.
A casa era de dois andares, grande e muito elegante por fora, atrás Draco podia observar os Alpes característicos da paisagem polonesa. Começou a andar até a porta, bateu uma vez e logo um mordomo veio atender.
- Seja bem-vindo, Sr. Malfoy. – disse o homem. – Deixe-me carregar para o senhor. – pegou-lhe a mala que trazia na mão. – Seu quarto é lá em cima, e haverá um caderno em cima da cama para o senhor escolher um novo nome.
Draco assentiu.
Ninnnndeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
O mal estava feito, ou talvez ele já houvesse sido feito desde o primeiro momento. Mas afinal, como é que as coisas acontecem? Onde está o princípio de tudo? Blaise não sabia, só sabia que o começo não tinha aviso e quando se deu por conta estava em meio de um grande turbilhão.
E agora via seu melhor amigo sumir a sua frente e sua madrinha gritar que queria ele longe dali.
"Nada está bem." Pensou saindo da sala.
Encostou-se na porta, escorregando até o chão. A desgraça parecia acompanhar-lhe desde muito cedo.
"Nada de bom pode lhe ocorrer sendo amigo desta família." Alguém havia lhe dito isso uma vez. O mesmo alguém que estava em trabalho de parto esta hora.
Blaise se lembrou de tê-la encarado seriamente.
"Você não conhece os Malfoys." Foi o que lhe respondeu.
"É você quem não os conhece." Foi a resposta dela.
Ela estava errada, Blaise conhecia aquela gente como se fosse um deles, sabia como pensavam, sabia de todas as coisas sujas e indignas dos entes que lhe pertenciam e sabia, também, que o que estava acontecendo era o mais provável de se acontecer.
"Não me deixe sozinha, Blaise." Ela não tinha falado isso apenas aquela vez.
- Com licença, o senhor é da família? – perguntou uma jovem moça de pele morena.
Blaise levantou o rosto para encarar a voz que lhe perguntava aquilo, parecia que a vida se divertia com aquelas situações, não era isso que ele tinha pensado segundos antes?
"Não sou um Malfoy, sou um Zabine."
- Senhor? O senhor é da família? – ela perguntou novamente.
- Eu sou o pai da criança. - falou.
Sem deixar de ficar surpreendido com sua própria ousadia, nunca tivera coragem de dizer aquilo, nem em seus pensamentos tivera assumido a responsabilidade e agora via a besteira que tinha feito. Por que não assumira? Para evitar um escândalo?
"Que se dane tudo. Como fui estúpido, como ela deve ter sofrido com isso, seu covarde de merda, aquela é a sua mulher e o seu filho!"
- Então, Sr. Malfoy, preciso...
- Não sou um Malfoy, sou um Zabine. – Blaise respondeu a cortando.
A mulher o encarou confusa.
- Como ela está? – ele levantou e perguntou com a aflição.
- Vamos entrar. – a méd-bruxa sugeriu.
Ninnnnnnnnnnnnnnnndeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
As luzes se acenderam, antes tivesse ficado em absoluto escuro pela eternidade. Foi o que Adela desejou.
- Sentiu minha falta? – perguntou um homem, que estava sentado com as pernas cruzadas concentrado em suas próprias unhas.
"Oh! Não, não, não pode ser!"
Minka virou-se para abrir a porta, que não a obedeceu nem por um segundo.
- Abram essa porta! ABRAM, POR FAVOR! TIREM-ME DAQUI! – ela batia em desespero absoluto. – ABRAM! – ela bateu mais forte. Mas nada houve.
- Não adianta gritar. – ele falava serenamente. – Não adianta.
- POR FAVOR! – ela gritava ainda batendo na porta.
"Eu preciso sair daqui, este homem vai me matar!"
- Você ainda não viu nada. – ele disse.
Minka se virou para ele. Que retribuiu com um leve sorriso diabólico, e bateu as palmas das mãos levemente. A luz na sacada se acendeu.
- RENNÉ NÃO! – berrou novamente.
"Não, não pode ser."
Renné estava ali, tinha chegado antes para o trabalho, mas o que ela não sabia era que o trabalho daquela noite seria diferente. Minka não tinha coragem de olhar para sua amiga, amarrada em uma cadeira com uma poça de sangue em seus pés.
- RENNÈ! – correu para direção dela.
Dois homens a interceptaram.
Stuart calmamente se levantou da cadeira feita de madeira nobre e estofada com veludo vinho. Pegou sua bengala, não que precisasse dela, usava-a como um ornamento, mas hoje talvez até precisa-se.
Os homens viraram Minka para a sua frente.
- Não chore pequena, isso estraga sua beleza. – ele disse passando a mão por seu rosto e enxugando-lhe as lágrimas.
Minka continuava a chorar. "Renné, Renné, esteja viva, eu prometi a você que ele não lhe tocaria mais."
- Bom, se quer continuar a chorar lhe darei mais um motivo então. – falou dando-lhe um soco no rosto.
Minka caiu no chão, os homens iam levantá-la, mas Stuart mandou que eles se retirassem.
- Então, meu anjo. – ele disse a virando com o pé. Olhou para ela, o sangue pintava de vermelho seu rosto. – Sentiu minha falta? – perguntou novamente.
Minka não respondeu.
- Sentiu? – ele perguntou novamente. – Acho que o gato comeu sua língua. – ele disse virando-se e logo depois se voltando para ela e dando com a bengala em sua barriga.
Minka gritou de dor, protegeu o rosto e virou-se dando as costas para o homem. De pouco adiantava.
- Pensou que podia fugir de mim, vagabunda? – ele bateu com a bengala em suas costas. – Heim? – bateu novamente. – Pensou que podia me enganar? Pegar meu dinheiro e sumir? – bateu-lhe mais uma vez. – NÃO! Eu te encontrei, sua vadia! – falou Stuart, jogando a bengala em cima de Minka.
Ele ficou a olhar o corpo machucado dela tremendo no chão. Ele riu, ajoelhou-se ao lado do corpo dela, virando-a em seguida. Pegou sua cabeça e colocou no seu colo.
- Você não devia ter me enganado. Pedir dinheiro para pagar sua dívida e da sua amiguinha a Jean Pierre, queria sair da vida de prostituta... Mentirosa! Você queria fugir da França, não era? Enganou-me! E sabe o que eu fiz? Fui atrás de você. – ele pegou um lenço e limpou o rosto sujo de sangue.
- Eu não queria fazer aquilo. – ela disse tentando manipulá-lo.
- CALE A BOCA! – ele gritou. – Eu fui atrás de você na Grécia, na Alemanha, esperei na Itália e você fugia toda vez, mas dessa vez fui mais esperto, e sabe quem me disse onde você estava? Jean Pierre.
- Mentira. – ela falou.
- Pena que ele nunca mais dirá nada a ninguém, nem ele nem aquela outra vagabunda que morava com ele. Ta vendo o que você fez? Deixou uma criança órfã no mundo...
"Não pode ser! Ele matou Paola e Jean."
- E agora, mais uma pessoa vai morrer por causa da sua mentira. – ele colocou a cabeça dela no chão e tirou uma pistola do paletó.
- NÂO, POR FAVOR. – ela puxou seu paletó. – EU FAÇO O QUE VOCÊ QUISER! NÃO A MATE, POR FAVOR. – ela pediu.
Ele a olhou.
- Fará qualquer coisa mesmo? – ele perguntou.
Ela assentiu.
- Kocz! – ele chamou.
Um homem entrou no quarto.
- Desamarre a mulher e dei-lhe o melhor tratamento. – ele ordenou.
O homem alto e forte obedeceu.
Stuart a encarou, como era linda aquela mulher a sua frente, mesmo ensangüentada continuava com aquela beleza sobrenatural. Ele a pegou no colo e a deitou na cama.
- Senti tanto a sua falta. – disse deitando-se junto a ela.
"Não, por favor, não me toque." Ela pedia em seus pensamentos.
Mas não foram atendidos tais pedidos, ele pegou-lhe a face e beijou-a euforicamente.
- Eu sonhei cada dia com isso. – ele disse puxando o vestido para cima.
"Não! Para, para... Para!" Pensava Minka com nojo.
- Marie, você sabe que eu faço tudo por você. – falou o homem pondo-se em cima dela. – Você só precisa ser boazinha comigo. É pedir muito?
A morena sentiu quando ele a invadiu. Teve vontade de berrar, e teria feito isso se não estivesse em jogo a sua vida e a de Renné. Segurou firme no lençol, tentando descontar todo o nojo naquele pedaço de tecido, o nojo de sentir aquele homem roçar entre suas pernas, o nojo de senti-lo dentro dela. Tinha ódio e medo dele.
- Eu te amo, Marie. – ele disse em seu ouvido.
Continuava com aquela fixação maluca nela, Adela tinha certeza que ele era doente, continuava o mesmo e ficava repetindo a frase enquanto a penetrava. Ela começou a fingir, como sempre, começava a fingir os gemidos e a pedir mais, precisa fazê-lo acreditar que estava gostando, sabia o que ele era capaz se desconfiasse do contrario.
- Mais... - pediu em um sussurro falso.
Ele penetrou-a com mais força e mais rápido.
"AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!" Ela gritava de nojo dentro de si e tentava ignorar a dor que sentia em seu corpo machucado, machucado por ele.
- Isso... - pediu novamente.
Ele aumentou o ritmo, segurou as ancas com mais força até chegar ao orgasmo e cair com todo seu peso ao lado dela.
Nindeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Draco chegou exausto do trabalho naquela noite. Finalmente conseguira enviar as armas para Israel, nunca tivera tanta dificuldade de travar um negócio.
- Boa noite, Sr. Moskowitz! – disse o mordomo abrindo-lhe a porta.
- Boa noite, Poznanski. – respondeu Draco entrando. – Me arranje uma dose de uísque, eu estou precisando.
- Com certeza, senhor. – disse o mordomo se retirando.
Draco encaminhou-se para o escritório, abriu a grande e negra porta de carvalho, e jogou-se sobre o divã que ali estava. Olhou para as estantes de livros que recobriam todo o recinto, devia haver livros de todos os assuntos ali.
"Eu deveria arranjar tempo para vocês." Pensou.
Levantou-se e pegou um de capa de couro sem nada escrito, deitou-se novamente, ligou o abajur ao seu lado e começou a folheá-lo, logo sua atenção foi perdida, pois seu uísque chegara.
- Mais alguma coisa senhor? – perguntou Poznanski.
- Não, obrigado, pode se recolher. – falou Draco.
Poznanski se retirou.
Draco deixou o livro de lado, tomando um gole em seguida.
- Que coisa boa. – falou sozinho.
Não havia mais sombra daquele homem morto. Draco voltara a ser o mesmo de antes e talvez pior e melhor dependendo do ponto de vista. Passava o dia inteiro e às vezes as madrugadas negociando as armas de Nowack enquanto o velho viajava com a família por todo o mundo. Não havia problemas para Draco, o dinheiro que ganhava supria qualquer problema, tudo estava indo muito bem, melhor do que o tempo de Jacob. Mas parecia que não era para Draco ter um trabalho honesto...
- Bonita casa, Malfoy. – falou-lhe uma voz de repente.
Draco levou um susto tão grande que deixou o copo cair no chão. Virou-se para direita em direção a voz.
- Caralho, Zabine, você não perde essa mania? O que quer? – perguntou.
Blaise não disse nada.
- O que você está fazendo aqui? Como me achou? – perguntou o loiro.
- Foi difícil, mas eu achei. Você precisa voltar para Inglaterra.
- De novo esse papo, Zabine? É lógico que eu não vou voltar. – disse o loiro. – E você pode sumir antes que eu perca a paciência.
- Vamos, Malfoy. – Blaise disse pegando-lhe o braço.
- ME LARGA, PORRA! – disse Draco puxando o braço.
Sem esperar, Blaise lhe deu um soco.
- MERDA! PORRA! VOCÊ ACHA QUE EU VENHO DA INGLATERRA PARA OLHAR A SUA CARA POR QUE EU GOSTO? – gritou Blaise. – VOCÊ ACHA QUE EU FICO CONTENTE EM TE VER, SEU EGOÍSTA DE MERDA?! VOCÊ SEMPRE PENSANDO EM VOCÊ, SEMPRE! E EU? 'FUI TRAÍDO PELO MEU MELHOR AMIGO, MINHA MULHER TAVA COM ELE NA CAMA.' E DÁÍ MALFOY? E DAÍ? VOCÊ CONTINUA O MESMO COVARDE DE HOGWARTS, E EU TAMBÉM. VOCÊ SE SENTIU TRAÍDO E EU? COMO ME SENTI? ALGUÉM ME PERGUNTOU? COMO EU ME SENTI QUANDO VOCÊ FOI EMBORA? OU COMO EU ME SINTO COM UMA MULHER EM COMA E UM FILHO MORTO? ME DIZ MALFOY, COMO EU ME SINTO? VOCÊ PAROU PRA PENSAR? NÃO! VOCÊ FUGIU COMO SEMPRE FAZ! – terminou Blaise sentando no divã e com algumas lágrimas lhe caindo da face.
"Uma mulher em coma e um filho morto?" Pensou Draco apático no chão, aquelas palavras de Blaise haviam lhe chamado a realidade, Blaise Zabine seu amigo, seu melhor amigo estava passando por uma terrível situação e ele, como sempre, estava mais preocupado com seu próprio conforto, sim era muito egoísmo. Aquele não era qualquer um, aquele era Blaise, e Draco tinha dividas demais com ele para virar-lhe a costa em um momento desses.
Levantou, sentou-se ao lado de Blaise e o abraçou.
- Desculpa. – Draco falou.
Blaise continuou chorando por um tempo. Logo depois recobrou a calma.
- Narcisa não está bem. – ele disse a Draco.
- Como assim? – Draco se assustou.
- É melhor você vir comigo. – disse o moreno.
Ninnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnde.Irethhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
O telefone tocava, Adela que tinha acabado de chegar das compras e foi correndo atender, deixando cair umas sacolas pelo caminho.
- Alô? – perguntou.
- Marie, você está bem? – perguntou a voz de Stuart no outro lado.
- Estou sim, por quê? – ela respondeu.
- Houve um imprevisto, não vou mais viajar.
- Que imprevisto? – ela perguntou.
- Esteja pronta em 10 minutos, eu vou pegá-la e lhe conto no caminho. – disse desligando.
- Julia! – gritou Adela.
Logo a senhora apareceu.
- Sim? – perguntou.
- Ajude-me com essas sacolas. – pediu a loira.
Adela entrou no carro.
- O que foi que aconteceu? – perguntou.
- Há várias coisas sobre mim que você não sabe. – ele falou, não olhava para ela, olhava para rua.
- E você quer me contar? – perguntou curiosa.
- Não vou lhe contar, vou lhe mostrar. – ele falou a encarando. – Mas antes, vista este sobretudo. – ele lhe estendeu.
"Não to gostando disso, eu não gosto de surpresas vindas dele."
- Mas...
- Não fale mais nada, na hora certa você vai saber. – ele disse.
Passaram-se longos minutos dentro daquele carro, Stuart já havia reclamado com o motorista, mas esse lhe disse que o trânsito àquela hora estava infernal, e ainda mais com a neve que caía era impossível andar. Deveria ser umas 2 da tarde, estava muito frio e Adela observava a paisagem da janela do carro. Estavam indo para uma parte bem afastada da cidade, entraram na alto-estrada. Depois de alguns minutos, Stuart mandou parar o carro. Adela não entendeu estavam na auto-estrada, começou a ficar nervosa.
- Fique aqui, Firth. – ele ordenou ao motorista.
Pegou a mão de Adela e entrou com ela pela floresta.
- O que está acontecendo? – a loira perguntou apreensiva, com uma tremenda dificuldade de andar com seu salto fino na neve.
- Você vai ver.
Depois de alguns minutos chegaram a um enorme descampado.
Adela virou-se para ele, não entendendo.
Ele botou a mão em seus olhos e tirou.
Adela levou um susto. Uma casa surgiu a sua frente. Olhou para ele confusa. "Como ele fez tal coisa? Era algum tipo de ilusionismo? Porque aquela casa não estava ali, não antes de ele por suas mãos em seus olhos." Olhou para a casa, que seria mais bem descrita como um palacete, era branca com tetos pretos, estendia-se alta e opressora a qualquer ser vivo e havia algo sinistro ao seu redor, podia sentir isso claramente, e a nuvem negra acima dela ajudava mais aquela primeira impressão.
- Oh! Stu, você não precisava fazer tanto mistério. Você comprou essa casa? - ela perguntou temerosa, não gostaria de morar ali. – E que truque foi esse das mãos? – Adela perguntou.
- Eu não comprei a casa. – ele disse pegando-lhe novamente as mãos e a puxando para dentro.
Passaram por um grande jardim, a neve começou a cair pesada, Stuart abriu um guarda-chuva e o passou para Adela, que pegou para se proteger. Não viu ninguém durante o trajeto, a porta estava aberta e entraram. Toda a aurora sinistra da casa parecia maior por dentro. A atravessaram inteira, em linha reta, chegando a uma porta que dava para o que seria um gigantesco terreno descampado, totalmente branco por causa da neve que caia e que já caíra em nevascas passadas.
Adela viu apenas uma árvore, só em galhos, sem nenhuma folha e abaixo dessa várias pessoas, estavam distantes e com a neve caindo não passavam de pontos pretos. Com Stuart lhe guiando, eles caminhavam exatamente naquela direção.
Um homem veio na direção deles.
- O que você está fazendo aqui, seu maldito? Você não foi convidado! – disse o homem lhe empurrando. Stuart caiu na neve.
Adela virou-se para o homem, que não parecia tê-la notado. "Hermam!" Ela levou a mão à boca tremendo, não conseguia acreditar no que via.
- Draco se acalme, eu não vim brigar. – disse-lhe Stuart.
"Draco?" Adela não entendia.
- Você não é bem-vindo aqui. – disse. – E quem é essa vagabunda que está com você? - ele perguntou, mas não conseguiu ver-lhe a face, pois o guarda-chuva cobria, pegou-lhe o braço.
O guarda-chuva soltou da mão de Adela e Draco pode ver-lhe a face.
- Escut... - então Draco parou.
"Adela?" Ele arregalou os olhos. "Adela?"
- Essa é a nova Sra. Malfoy. – disse Stuart levantando e limpando a neve que sujava seu sobretudo.
- Draco. – parou o ofegante Blaise ao seu lado. – Por favor, não cause confusões no enterro da sua mãe. - Draco sequer viu Blaise chegar, continuava tentando entender o que Adela fazia ali a sua frente.
- Olá, Zabine. – disse Stuart cumprimentando o recém-chegado.
- Olá, Lucius. – respondeu Zabine.
Fim do Capítulo!
N/A: Uhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Emocionante o final não? Quem? Quem é que imaginava que o nosso louco Stuart era na verdade Lucius Malfoy? Quem? Enganei vocês legal. Gente esse capítulo deu um trabalho. Eu queria logo chegar no final, mas pro final acontecer precisamos de 48 páginas anteriores e quando eu fui revisar e sem querer fechei o Word sem salvar e tive que começar tudo de novo? Nossa! Quase me matei de raiva, mas taí prontinho o capítulo, espero que a reação de vocês seja igual da minha amiga e beta Paula que quase teve um infarto ao ler.
Respondendo reviews:
Kelly Malfoy: Muito Grata por você me mandar uma review a cada capítulo, e também pelo "perfeito". Assim vou virar uma autora convencida, hein! Quem é o cara, né? Você acaba de descobrir quem é ele, e aí gostou? Desconfiava que era ele? Aposto que não. Hauahauhauha. Bjão.
Carolzinha: Valeu por falar que a minha fic prende atenção, isso é tão empolgante! Weeee!! Respondi duas perguntas suas, se Jacob ia morrer e o que o Blaise fez pra deixar Draco com tanta raiva. Bom, espero que vc goste deste capítulo e deixa mais uma review!
Rafinha M. Pottter: Obrigada por sua primeira review! E pelo elogio das nc-17 é realmente difícil escrever esse tipo de cena, porque os leitores precisam sentir toda a sensualidade envolvida, né? E o problema das escritoras é que você escreve uma vez e sente, mas nas outras não sente mais e acha que não ta bom, mas se vc gostou deve ter sentido tudo o que eu esperava ou pelo menos parte. Ahh! Li o que vc escreveu sobre fic´s e posso dizer que concordo com vc em gênero, número e grau, odeio coisas clichês e vamos combinar que as fics por aí tem muito disso. Quando eu idealizei a Intocável pedi a todas as ninfas que me dessem uma história original e sinceramente estou muitíssimo satisfeita com ela, e espero que vc tb. Bjuss.
Angelines: Obrigada por sua review.
Lauh Malfoy: Sua pergunta sobre quem é a Gina, é a pergunta de todos. Hahaahauaha. Obrigada por ter se atualizado e comentado. Bom, espero que o seu tormento tenha aumentado e que você fique viciada na minha fic. hauahau.. brincadeira! Espero que você tenha agora novas teorias pra me contar. ;-)
PANDA BR101: O que dizer? Que a sua review é a maior? Hauahauahauhaua... Lembro que quando postei esse capítulo você demorou pra postar e eu senti sua falta, eu me perguntava cadê a panda? Aí veio a sua maravilhosa review! (...)
N/B: Olá! Eu sei... É a primeira vez que eu deixo um recadinho aqui, mas acontece que a nossa louca escritora esta, simplesmente, viajando... ¬¬¹²³ Então, como nem ela, nem eu agüenta mais tanta demora com o capítulo, resolvemos que ele iria ser postado assim mesmo, sem ela terminar de responder as reviews... Espero que vcs gostem do capítulo, porque eu AMEI! Hihihi
Tenho certeza que ela irá responder o restante das reviews quando ela chegar! Mas até lá: POR FAVOR, MANDEM MAIS REVIEWSS!!!!!!!!!! Auishdioasdiaous
E qualquer erro podem me culpar a vontade... Não sou uma beta perfeita.
xD
Bjussssss
