CAPT. 3
Feliz. Essa era a melhor palavra para descrevê-lo. Era assim que todos o viam. Era assim que todos achavam que era. Mas não era bem assim...
Até mesmo seu nome refletia a alegria extrema que era capaz de aparentar: Tobi. Quer um nome mais feliz? Não tem. Por que Tobi era a face da felicidade. Sempre rindo, sempre pulando de excitação, sempre... Tobi! Ninguém nunca nem cogitou que ele pudesse ser exatamente o oposto, um infeliz, remoendo tristezas em seu interior. E o nome desta tristeza também era óbvio: Itachi Uchiha. Sempre desprezando o priminho, sempre olhando com nojo ou frieza, nunca retribuindo os calorosos olhares de Tobi. Mas era assim. Nunca poderia mudar...
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- Itachi-saaaaan!!! – Como sempre, Tobi correu desenfreadamente para alcançar o primo que fingia não tê-lo ouvido. Pulou nas costas dele, encantado. – Que bom que está aqui!
Como sempre, o Uchiha mais velho empurrou o garoto para o lado, nervoso.
- Itachi-san, que coincidência você no mesmo acampamento de Tobi! Vamos nos divertir tanto! – Ignorando o empurrão, Tobi ria feliz.
- Tobi, eu não gosto de você, entendeu? – Mais um olhar gelado, duro como pedra. Tobi cambaleou diante do horror do primo em vê-lo, mas fingiu ter sido por causa do empurrão.
- Ah, Itachi-san, em que cabana você está? – Tobi fingiu não se importar, escondendo o buraco que a frieza do primo abrira em seu peito.
- Naquela em que você não pode entrar, pirralho! – Itachi falou com tanta raiva, Tobi quase desabou.
- Nhá! Tobi só é dois anos mais novo, e é da sua altura, Itachi-san! Tobi não é pirralho! – Mude assunto, desvie a raiva dele...Era só o que pensava. Só queria conversar com Itachi, sem que ele tentasse afastá-lo a todo custo.
- Olha Tobi! Um hipopótamo dançarino de tutu! – Itachi apontou para alguma coisa atrás do garoto. "Desisto", pensou ressentido. Assumiu a expressão mais idiota que conseguiu, já habituado a usar a voz histérica de alegria constante:
- Ooooondeeee?! "Pronto. Pode sair agora, Itachi. Deixa seu priminho idiota aqui, procurando frutos da fantasia infantil que é a vida dele".Agora ele era Madara. Mau-humorado, rancoroso e nervoso. Mas logo a personalidade otimista reassumiu o controle. "E se eu seguí-lo, poderei saber qual é a cabana dele!". Silenciosamente, seguiu o garoto moreno a sua frente, rindo consigo mesmo. Viu-o entrar na cabana " te achei, Itachi-san!", e viu que discutia com o amigo, Hidan. Aproximou-se para ouvir. O primo exprimia sua insatisfação em ter Tobi no acampamento. Madara se afastou, tristíssimo. Não estava acostumado como achava que estava. Nunca ia se acostumar a ouvir o ódio na voz daquele que amava. Sim, amava, isto já estava claro em seu coração. Sabia disso, e isso o fazia sofrer terrivelmente. Mas a esperança era como um parasita, que se agarrara a ele com garras fortes, e não iria largá-lo tão facilmente. Natação, ele dissera. Bem, nunca é tarde demais para tentar se aproximar! Alegre novamente, Tobi correu para sua cabana, pulando de agitação.
