Capítulo Quatro.
"There's still a little piece of your face i haven't kissed.
You step a little closer to me.
Still i can't see what's going on."
Parecia dejà vú, apesar dela não acreditar nisso. Booth estava parado no meio da porta, fim do expediente, e ela retirou os fones, sorrindo. Fazia três dias desde que ela e Parker haviam se divertido juntos e desde então, só havia falado com Booth ao telefone, já que as reuniões dele com Cullen e outros agentes havia se estendido por várias sessões. Ela sentia saudades dele, mas nunca admitiria isso em voz alta.
"Hey, Bones!" – Ele disse alegremente. Seu sorriso charmoso com força total.
"Booth!" – Brennan o cumprimentou tão alegre quanto. Seu próprio sorriso era enorme.
"Jantar?" - Ele nem havia terminado de falar e ela já estava se levantando.
"Nós temos que comer, certo?"
"Sempre temos que comer, Bones."
Ela pegou a bolsa, enquanto ele entrava na sala e pegava o casaco, ajudando-a a vesti-lo em seguida. Com um braço ao redor do ombro dela, os dois caminharam para fora do Jeffersonian e dali, como em um acordo silencioso, para o carro dele.
BB
"Você confia em mim, Bones?" - Booth perguntou olhando pela sua visão periférica para ela.
"Você sabe que sim, Booth." – Ela respondeu franzindo o cenho. A pergunta era, no mínimo, fora de contexto.
"Então não faça perguntas."
"O que? Por que?"
Ele sorriu e tirou os olhos rapidamente da estrada para encará-la.
"Não faça perguntas significa não faça nenhuma pergunta, Bones."
"Eu sei o que não faça perguntas significa, Booth." – Ela permaneceu olhando o rosto dele, sem conseguir descobrir o que ele queria dizer com aquilo. Quando tudo que ele fez foi continuar sorrindo, ela suspirou e voltou a olhar pela janela do lado do passageiro. Ela odiava surpresas.
"Eu sei que você odeia surpresas, mas preciso que você continue comigo nessa, Bones."
Ela também odiava quando ele lia a mente dela. Ou melhor, a expressão dela, porque, afinal, essa coisa de ler mentes não existia.
"Que seja, Booth." – Ela replicou sem tirar os olhos da estrada. Em algum ponto do trajeto, ela se perdeu em seus próprios pensamentos. Lembranças do dia com Parker trazendo seu humor de volta. Ela não percebeu que os dois estavam parando exatamente na garagem de Booth.
"Por que você simplesmente não me disse que íamos jantar na sua casa?" – O tom de sua voz era levemente irritado.
"Sem perguntas, Bones."
Booth permaneceu com seu sorriso no rosto e saiu do carro. Ele esperou que ela fizesse o mesmo e lado a lado os dois alcançaram a entrada do prédio.
"Feche os olhos." – Ele pediu assim que enfiou a chave na fechadura da porta.
"Não." – Ela disse automaticamente.
"Por favor, Bones."
Ele lançou-lhe seu olhar apelativo, mas o efeito não veio instantaneamente.
"Não, Booth. Isso é ridículo. Eu só quero comer e você me convidou para fazermos exatamente isso. Nesse cenário, onde fechar os olhos é lógico?"
Booth passou as mãos pelo cabelo. Brennan podia realmente dificultar as coisas.
"No meu cenário, naquele que você disse que ia confiar em mim, você precisa fechar os olhos antes de passar por essa porta." – Ele apontou para a porta detrás dele. Ela olhou para a porta e depois diretamente para Booth. Seus braços se cruzaram na frente do peito.
"Se você me fizer esbarrar em alguma coisa, eu vou chutá-lo." – Ela o informou séria e fechou os olhos. Booth sorriu ainda mais e abriu a porta, escancarando-a antes de voltar-se para ela e delicadamente pegar umas de suas mãos. Brennan sentiu a corrente elétrica que começou na sua coluna e terminou na ponta dos seus dedos dos pés ao perceber a mão quente e grande dele pegando a sua e guiando-a para dentro do apartamento. E a mão dele segurando a sua foi tudo que ela tinha consciência até ouvir a voz de Booth logo atrás dela.
"Pode abrir os olhos, Bones."
Ela o fez vagarosamente. Não receosa pelo que ia encontrar, mas receosa por como ela mesma reagiria ao que quer que fosse que ele tivesse planejado. Ao ver o garoto sorrindo para ela e em cima da cadeira, ela não pôde fazer nada que não fosse sorrir de volta, ainda que não entendesse o que estava acontecendo ali.
"Booones!" – Parker gritou assim que os olhos dos dois se encontraram. Ele esticou uma mão e pediu que ela se aproximasse. Quando ela estava perto o suficiente para esticar os braços e alcançá-lo, foi o momento em que ela viu a estrela dourada no peito dele, o número 1 no centro e o trabalho escrito que ela havia ajudado-o a fazer em cima da mesa atrás do garoto. – "Eu ganhei o primeiro lugar no trabalho dos dinossauros, Bones!" – Ele confirmou o que ela havia acabado de deduzir. Em um impulso, Brennan deu mais um passo e pegou o menino nos seus braços, apertando-o contra si.
"Parabéns, Parker! Estou muito orgulhosa!"
Booth observava a alguns metros de distância, seu sorriso era tão grande quanto o que seu filho tinha no rosto agora, ao desencostar a cabeça do ombro da parceira dele e seus olhos se encontrarem com os dela.
"Muito obrigado por ter me ajudado! Eu não conseguiria sem você, Bones!" – Ele passou novamente seus braços ao redor do pescoço dela.
"Você é um garoto inteligente, Parker. Você fez a maior parte. Eu só dei uma ajudazinha extra." – Brennan virou-se para procurar Booth e o encontrou olhando-a encantado. Ele não conseguiu disfarçar quando os dois encararam-se.
"Meus amigos ficaram com raiva porque eu tive a ajuda da melhor antropóloga do mundo!" – Ele novamente afastou sua cabeça para sorrir para ela. – "E da mais bonita!" – As mãozinhas dele colocaram alguns fios de cabelo dela detrás da orelha. Brennan corou.
"Obrigada, Parker." – Sorrindo, ela deu um beijo na bochecha do menino e o colocou no chão.
"Eu tenho uma coisa para você!" – Ele correu em disparada até seu quarto sem deixar que ela falasse algo.
Booth aproximou-se sorrindo.
"Muito obrigado por tudo, Bones."
"Essa deve ser a quinta ou sexta vez que você me agradece. Não precisa, Booth. O prazer foi todo meu." – Ela inconscientemente deu alguns passos para aproximar-se mais dele.
"Eu falo sério, Temperance. Essa alegria em Parker, esse sorriso enorme no rosto dele. O orgulho que ele está sentindo por ter ficado em primeiro lugar. Tudo. Eu devo a você."
"Você não me deve nada, Booth. Eu também falo sério. Ele é um garoto inteligente, fez a maior parte das coisas por conta própria. Eu apenas o ajudei com mais informações e ensinamentos. E novamente, foi um prazer. Eu realmente tive um ótimo dia."
Booth não teve tempo de dizer mais nada. Parker já havia voltado e estava com as duas mãos atrás das costas. Sua expressão era tímida.
"Bones..." – Ele aproximou-se dela devagar. Como se a cada passo sua coragem aumentasse. Brennan se abaixou para ficar no nível dele. – "Você quer ser a minha namorada?" – Ele trouxe as duas mãos para frente. Ele esticou a primeira que continha uma flor. Depois que Brennan a pegou, ele abriu a outra mão e mostrou o anel de plástico para ela. Parker esperou enquanto ela claramente assimilava o que acabava de acontecer ali. Booth olhou para o filho sem entender o que ele estava fazendo, mas secretamente desejando ter a mesma coragem dele e fazer aquela mesma pergunta para aquela mesma pessoa.
"Claro que eu quero, Parker." – Brennan sorriu para o garoto e esticou a mão para que ele colocasse o anel no dedo que ele quisesse. Booth agora olhava para ela. Surpreso e, se ele quisesse realmente admitir, enciumado com a resposta que ela acabara de dar.
"Papai! Bones é minha namorada!" – Parker gritou para o pai tirando-o dos seus próprios pensamentos. - "Mas ela pode ser sua namorada também, se você quiser."
Agora confuso e sem graça, Booth olhou para o filho e fez o seu melhor para sorrir.
"É um belo anel, Parker. Obrigada." – Brennan bagunçou os cabelos dele.
"Que bom que você gostou, Bones." – Ele tirou os olhos do pai e voltou-se para ela. – "Eu vou guardar meu trabalho no quarto e depois podemos comer. Não é, papai? Eu estou morrendo de fome!" – Ele dramaticamente colocou uma mão sobre a barriga. Booth apenas concordou com a cabeça e observou quando o menino saiu novamente da sala.
"Você está bem?" – Brennan perguntou dando alguns passos na direção dele.
"O que?" – Ele assustou-se com a proximidade dela. – "Eu estou ótimo. Por que não estaria?"
"Não sei. Depois que,"
"Por que você aceitou o pedido dele?"
"Isso é uma fase, Booth. Crianças têm tendências a buscar um ou mais adultos e chamá-los de herói. Por algum motivo eu sou a heroína do seu filho, e bem, ele me pediu pra namorar com ele, eu aceitei. Não é como se você tivesse me pedido em namoro." – Ela levantou o anel na altura dos olhos e sorriu para Booth. – "Seu filho é um romântico. De quem será que ele puxou isso?"
Ele novamente não teve tempo de responder, já que Parker havia escolhido aquele exato momento para retornar a sala.
"Eu estou pronto." – Ele disse colocando o casaco.
"Eu não tive tempo para preparar nada pra você, Bones. Se importa se sairmos e comermos em algum restaurante?"
"Claro que não, Booth."
"Oba! Então vamos!" - Parker disse animadamente já caminhando para a porta. Booth e Brennan sorriram um para o outro e seguiram Parker até as escadas da saída do edifício. O menino ia alegre na frente, cantarolando alguma música que os adultos não conseguiam identificar. Ele desceu as escadas pulando, seus pequenos braços mexendo-se alegremente ao seu redor.
"Você vai ser minha namorada também, Bones?"
"Você vai me dá um anel e uma flor também, Booth?"
Apesar dos sorrisos em seus lábios, não havia hesitação em seus olhos.
