Capítulo Cinco.

"Bones, me salve! Eu não agüento mais essas reuniões. Não quero ouvir a voz de Cullen pelos próximo dez anos. Ache um caso e me tire daqui. Assassine alguém e assim investigaremos juntos de novo. Qualquer coisa! Droga, eles já estão voltando. Onde 3 minutos é uma pausa? Espero que esteja se divertindo com seus ossos. O jantar está de pé? Parker está ansioso para vê-la de novo. Até mais tarde, se eu sobreviver. Ah, e Bones, você não respondeu minha pergunta de duas noites atrás. Booth."

Brennan sorriu e começou a digitar sua resposta, mas Angela limpando a garganta a fez retirar os olhos da tela do celular para encarar a amiga.

"É só você receber uma mensagem do seu super gostoso agente do FBI que sua melhor amiga é esquecida?" – Angela tinha um falso tom acusatório.

"Primeiro, eu não esqueci que você estava aí. E segundo, quem disse que a mensagem é de Booth?"

"Ah, querida, esse seu sorriso só é para uma pessoa." – Angela rebateu rapidamente.
"Isso não é verdade, Angie. Eu também sorrio para você."

"Eu falei esse seu sorriso, Brenn." – A artista sorria para ela. Brennan não falou nada, apenas balançou a cabeça e voltou sua atenção para o celular.

"Eu espero que você esteja brincando sobre eu matar alguém. É, provavelmente você está. O jantar está de pé. E eu tenho uma surpresa para você. Vejo você mais tarde. Ah e Booth, você também não respondeu minha pergunta de duas noites atrás. Bones."

Um momento. Bones? Desde quando você assina como 'Bones', Temperance Brennan?

"Por que esse olhar de dúvida, Brenn? Por acaso Booth perguntou se você quer fazer sexo selvagem com ele hoje à noite?"

"O que?" – Brennan novamente levantou os olhos para a amiga. – "Não, Angie!" – Ela apertou o botão de enviar sem obter resposta a sua pergunta pessoal antes que Angela tirasse o celular de suas mãos. – "Ele queria saber se nosso jantar está de pé. Só isso."

"Jantar como em encontro?"
Brennan sorriu.
"Não. Jantar como em eu, ele e Parker em Sid."

"Então é jantar como em jantar em família." - Hoje, Angela estava obstinada a ter a última palavra.

"Nós não somos uma família, Angie."
"Ainda." – Foi tudo que Angela disse antes de levantar-se e sair do escritório da amiga.

BB

Booth olhou para o relógio em seu pulso: 19:15. Suas mãos apertaram no volante quando ele confirmou que estava 15 minutos atrasado. Rebecca provavelmente já havia deixado Parker em Sid e Brennan deveria estar com ele no momento. Bom, pelo menos ela estava com ele. O tráfego no cinturão podia ser realmente caótico e naquela noite, Booth havia constatado isso definitivamente. Ele considerou incontáveis vezes ligar a sirene do seu carro, mas uma voz que estranhamente era igual à de Brennan insistia em lembrá-lo que tal atitude era inapropriada. Suspirando frustrado, ele concentrou-se em chegar ao restaurante o mais rápido que a situação permitisse. E ele conseguiu em mais 15 minutos, contabilizando 30 minutos de atraso.

Parando o carro na primeira vaga que ele encontrou a alguns metros da entrada, Booth desceu e andando rápido, chegou à porta do restaurante, abrindo-a em seguida para parar os seus passos. Três mesas à frente, ele avistou Brennan, Parker e... Sully. Os três riam e Brennan tinha Parker no seu colo, desenhando algo em uma agenda que ele identificou sendo a dela. Em frente a eles, Sully tinha suas costas viradas para Booth, mas pelo movimento dos seus ombros, era como Booth tinha certeza que ele estava rindo. Ao lado do braço esquerdo de Brennan, ele percebeu um buquê de flores vermelhas e uma caixa de chocolate. Então aquela era a surpresa que ela havia mencionado mais cedo. Uma surpresa e tanta. Quando seus olhos voltaram para Brennan, ela já o encarava de volta, um enorme sorriso nos seus lábios que logo sumiu ao ver o semblante irritado de Booth que agora se aproximava.

"Sully. Bones." – Ele cumprimentou os dois friamente. – "Hey, Parks, acredito que devemos ir para casa. Não queremos atrapalhar o casal."

Booth pegou o braço do menino.
"Não, papai! Eu quero ficar aqui com Bones!" – O menino tentou soltar seu braço do aperto firme do pai. Sem sucesso.
"Booth..." – Brennan tentou conseguir a atenção do seu parceiro, também sem sucesso. Ele nem olhava para o seu rosto.
"Vamos, Parker. Agora." – Ele puxou o braço do menino delicadamente, mas Brennan apertou seu próprio abraço no menino para impedi-lo de sair do seu colo.
"Booth,"

"Brennan, você poderia, por favor, soltar o meu filho?" – Ela recebeu as palavras como receberia um tapa no rosto. E doeu. – "Eu agradeço." – Booth falou quando Parker finalmente estava no chão.
"Papai! Não!" – Parker ainda tentou uma última vez voltar para onde estava anteriormente.
"Parker, me obedeça. Nós estamos indo para casa."
Brennan observava estática os dois se afastarem. Ela também viu quando Booth passou pela ponta do balcão e arrastou com ele os narcisos e as margaridas que ele havia trazido. E foi quando ela percebeu que havia estragado tudo.

BB

12 vezes. Ela tentou falar com ele 12 vezes sem obter nenhum tipo de retorno. A casa dele estava escura, então ela concluiu que ou ele estava se escondendo literalmente no escuro ou ele havia ido para outro lugar. No FBI, ninguém o tinha visto desde do fim da última sessão da reunião. Não querendo ir para casa e passar a noite sozinha, ela decidiu ir ao Jeffersonian. Seu escritório era sempre seu refúgio favorito.

Mentira, Brennan. Os braços dele são sempre seu refúgio favorito.

Ela afastou aqueles pensamentos, eles certamente não a ajudariam. Respirando fundo para controlar sua raiva e vontade de chorar, ela ligou o computador. Mas rapidamente descobriu que trabalhar em seu livro ou em qualquer outra coisa estava fora de cogitação. Mais 5 vezes. Ela tentou mais 5 vezes falar com ele antes de cair no sono em seu sofá.

BB

Sully. Sully. Sully. Sully. O nome não parava de voltar a sua mente. Ele não sabia como havia conseguido dormir, mas ao acordar, nada mudou: Sully. Booth levantou-se da cama irritado, sem sono e se sentindo idiota. Ele odiava se sentir idiota. Mas ele havia sido. Acreditando que ela diria sim a sua pergunta de três noites atrás. Acreditando que a surpresa que ela tinha para ele era de fato para ele. Estupidamente acreditando que ele, ela e Parker poderiam ser um dia uma família.

Oh, Booth. Como você foi idiota!

Ele retirou suas roupas do dia do guarda-roupa e as atirou na cama.

Que nenhum assassinato seja cometido hoje, Deus.

BB

Booth. Booth. Booth. Booth. O nome dele não parava de voltar a sua mente. Ela não sabia como havia conseguido dormir, mas ao acordar, nada mudou: Booth. Brennan levantou-se do seu sofá irritada, sem sono e se sentindo idiota. Ela odiava se sentir idiota. Mas ela havia sido. Ao sentir o seu celular ainda apertado em sua mão, ela rapidamente olhou para ele na esperança de ter uma ligação perdida dele, mas nada. Nenhuma resposta. Brennan considerou suas opções por um momento, decidindo que daria tempo para ele vir até ela e assim os dois poderiam conversar. Ela explicaria tudo e ele entenderia, como ele sempre entendia. E se ele não aparecesse? Se ela fosse designada a outro agente? O que ela faria? O que ele faria? Por que ele havia reagido daquela forma? Ela mesma estava reagindo exageradamente? Ou só na mesma intensidade dele?

Pare, Brennan!
"Brenn? Você está aí?" – A voz de Angela a assustou.

"Hey, Angie." – Brennan levantou-se do seu sofá e arrumou os cabelos.
"Você passou a noite aqui?" – Nenhuma resposta. – "Você não ia jantar com os garotos Booth?" – Nenhuma resposta. – "Querida? Você está bem?" – Brennan passou por ela e sentou-se na sua cadeira.

"Eu estou bem, Angie. Só preciso de um tempo para pensar."

"Você não vai me contar o que aconteceu, vai?"
Brennan balançou a cabeça negativamente.

"Não agora."
"Quando quiser conversar, estarei na minha sala."

Angela saiu e deixou Brennan novamente sozinha. E assim ela ficou pelas 3 horas seguintes, quando uma batida na sua porta a tirou dos seus pensamentos.

"Dra. Brennan?" – Um policial estava parado a porta dela.

"Sim?" – Ela olhou para o menino ao lado dele.

"Esse garotinho me abordou na rua e disse estar perdido. Ele também disse que sua mãe trabalhava no Jeffersonian e se chamava Temperance Brennan."
"Hey, Parker." – Brennan foi até o menino, confusa pela situação, mas admirada pelo que ele havia feito. Booth havia contado como o filho havia feito a mesma coisa no Natal, dizendo que seu pai trabalhava para o FBI e conseguindo encontrar-se com ele.
"Mamãe!" – Ele deu um passo à frente soltando a mão do policial e piscando um olho para Brennan antes de abraçar-se às pernas dela.

"Obrigada, policial. Eu tomarei conta dele daqui por diante."

O policial confirmou com a cabeça e partiu em silêncio.

"O que você está fazendo aqui, Parker?" – Ela o levou até o sofá e sentou-se ao lado dele. – "Aconteceu alguma coisa?"

"Papai não quis falar comigo sobre o que aconteceu ontem de noite, ele só continuava repetindo o nome do seu amigo, aquele que estava com a gente até antes do papai chegar. Por que ele está assim, Bones?"

Ela suspirou e pegou uma das mãos dele nas suas.
"Seu pai acha que o meu amigo é, na verdade, o meu novo namorado."

"Mas eu sou seu novo namorado! E papai sabe disso!"
Como ela ia explicar a situação toda a uma criança?
"Eu e Sully já namoramos uma vez, Parker. E depois Sully foi embora. Agora ele está de volta e seu pai acha que nós voltamos a ter nossa relação de antes. O que não é verdade, mas ele não deixou que eu me explicasse, nem atendeu minhas ligações." – Ela desviou os olhos do menino e os dois ficaram em silêncio.
"A escola vai logo descobrir que eu fugi, Bones. E então papai vai ser avisado e vai rapidamente saber que eu estou aqui. Daí vocês dois vão poder finalmente conversar, certo?" – Ele apertou a mão dela e sorriu. Ela forçou-se a sorrir de volta.
"Certo, Parker."

Brennan ia tentar ligar para ele mais uma vez, agora com a desculpa que Parker estava ali em sua cabeça, mas ao botar a mão no telefone, outra pessoa entrou pela sala.

"Brennan!" – A voz masculina e forte dele a fez soltar o telefone instantaneamente. – "Você agora vai seqüestrar o meu filho?!"

Parker também se assustou e levantou-se do sofá para ficar no meio de Booth e Brennan.
"Papai, ela não,"
"Silêncio, Parker." – O menino se calou. – "O que diabos você quer de nós dois, Brennan?"

"Não me chame de Brennan!" – Ela estourou.

"Nós estamos saindo." – Ele pegou Parker pela mão.
"Eu não vou dessa vez, papai! Não enquanto você não conversar com Bones!" – O menino usou de toda sua força para ficar no lugar e se soltar do seu pai.

"Parker,"

"Booth! Pare!" – Brennan puxou Parker para si e se abaixou para falar com ele. – "Você lembra onde é a sala de Angela?" – Ele confirmou com a cabeça. – "Você pode ficar brincando com ela até eu e seu pai terminarmos de conversar?" – Ele novamente confirmou com a cabeça, deu um beijo no rosto dela e saiu.

"Você não tem o direito de mandar no meu filho, Brennan."

Os dois encararam-se em silêncio por minutos que pareciam horas. Ela queria bater nele, gritar com ele, beijar ele. No fim, ela deu um passo para frente e decidiu-se pela última opção.


Don't jump to conclusions.