O Desencontro
Sempre precisei
De um pouco de atenção,
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto...
Legião urbana - Teatro dos vampiros
E voôu escada abaixo!
Quando chegou ao andar do estacionamento, a mão seguiu automática para o bolso direito em busca de...
- As chaves!
... algo que não estava lá.
"A pressa é inimiga da pressa!"
Concordava, sem dúvidas! Olhou ao redor meio perdido e teve que fazer força para controlar seu nervosismo. Esforçou-se para retornar à calma costumeira, voltou ao escritório, pegou as chaves fujonas e desceu. Dessa vez pelo elevador mesmo.
Ligou o carro e por um instante teve dúvidas se iria direto para o shopping, ou se voltava pra casa para se lavar e trocar de roupa. A reunião com o engenheiro havia se estendido mais do que deveria, o encontro estava marcado para as sete horas e já eram seis e vinte. Passou as mãos pelo rosto sentindo-o quente e alisou os cabelos, não compreendia por que estava tão ansioso!
Iria pra casa, definitivamente precisava de um banho.
Seis e quarenta e sete.
Havia quebrado o recorde de mínimo tempo para se aprontar. Apenas vinte minutos! Bem expressivo se considerarmos que o normal era esse tempo acrescentado com mais sessenta minutos, pelo menos. Não era narcisista, somente vaidoso. Gostava de tudo organizado, limpo e bonito, isso incluía a aparência.
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Sabem o que é o inferno?
O inferno é tentar ardentemente fazer algo que parece impossível de se concretizar.
O inferno para Camus, costumeiramente pontual, era tentar chegar às sete horas e já ser sete e meia! E pior, ver um engarrafamento completo à sua frente.
Por que voltou pra casa?
Por que não pegou a via expressa ao invés de encarar a avenida principal, mais direta, porém sempre tumultuada?
Várias possibilidades permeavam em seu raciocínio, mas nada lhe privava da culpa. Sugerir o encontro e não aparecer! Como pôde isso acontecer?
Quando, finalmente, viu as portas automáticas do shopping se abrirem, correu para o local combinado (um quiosque que vendia sorvete perto da entrada) como se esperasse reverter o fluxo do tempo.
Tropeçou em uma criança, uma menina pelo clarão rosa, bateu em uma porta de vidro, que simplesmente surgiu do nada em sua frente, e ainda trombou com um rapaz loiro que nem viu direito. Todo esforço para confirmar o óbvio que sua mente lhe gritava.
Não havia nenhuma menina sentada com um livro dos Scorpions na mão.
Não havia ninguém.
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Respirou bem fundo antes de bater na porta. A cara do chefe não estava nada boa! Mas era sua obrigação fazer a triagem dos emails e reportar os assuntos mais importantes para Camus. Era isso que Hyoga fazia, e seria isso que faria, receoso, porém cumpriria seu dever e...
- Vai ficar parado na porta pra sempre, Hyoga? - a voz por dentro da porta o sobressaltou, como ele sabia que estava ali?
- Hn, claro que não senhor... eu só... vim te passar as mensagens mais urgentes. - Abriu a famigerada porta e observou o escritório amplo e aconchegante devido a disposição dos elementos e organização. Sem dúvida um lugar agradável de se trabalhar, Camus talvez tivesse métodos diferenciados para descobrir seres por trás da porta. Deveria começar a tomar cuidado...
- Então passe e saia, tenho muito que fazer.
- É claro...
O rapaz rapidamente coloca um pequeno maço de papéis com os emails impressos. Afinal era cansativo ficar lendo aquele monte de relatórios na tela. Uma incoerência já que lia milhares de fics pela mesma tela. Mas se existia secretários e eles deveriam servir pra alguma coisa, principalmente para fazer as coisas chatas. Camus, cumprindo o ritual, dá uma olhada pra ver do que se tratam as correspondências eletrônicas, responderia conforme a situação.
Era o mesmo de sempre, solicitação de visitas, reunião com acionistas, congressos, congressos? Mas desde quando isso é importante? Já havia dito duas vezes que esse tipo de coisa era só propaganda! Pelo visto teria que dizer de novo! Por que as pessoas insistem em ser burras?
Continuando, Aiolia queria uma revisão de contrato, Saga um novo lay out, Milo o esperava às nove, Saori queria...
Milo?
Oh céus! Esquecera completamente! Prometera ajudá-lo, mas estava tão desanimado! Tudo o que queria era ir pra casa tomar um bom leite, ler e dormir. Porém prometera, e agora cumpriria! Nunca faltou com a palavra, exceto pelo dia anterior. Sentiu uma pontada na consciência! O dia anterior...
Cada vez que se lembrava que não foi ao encontro ficava mais triste. Tantas expectativas tinha e resultaram em frustrações. Todos os seus passos voltavam à memória e remoia, novamente, todos os seus erros.
Primeiro o fato de que a Quinze morava no mesmo estado, em uma cidade vizinha coladinha à capital, já era praticamente um milagre, portanto deveria ter valorizado o empenho da moça, deveria ter mandado o engenheiro embora, deveria ter lembrado de pegar o celular dela, deveria, deveria...
Havia mandado um email para Quinze, mas ela simplesmente o ignorara. Não era bom sinal. E teria que passar a noite trabalhando pesado com um cara tão vazio quanto seu apartamento.
A vida é muito cruel às vezes.
..::Continua::..
Olá!
Tenham paciência! É minha primeira fic!
Demorei para atualizar, eu sei! - Mas espero me redimir postando dois capítulos! XD
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Beijos!
