- Sirva o chá, Ichimaru. - A ordem gentil e aveludada chega lembrar o capitão de óculos e cabelos displicentes de outrora. Estavam a sós, o chá servido nos aposentos do líder de Las Noches. Os lençóis negros e acetinados do futon, a luz débil e azuladas dos abajures e as enormes janelas encortinadas, todo o conjunto lembrava o covil de uma cortesã cara e sofisticada.

- Hai, Aizen-sama. - O sorriso faiscante, a afirmativa cantada, todos os trejeitos de Ichimaru Gin serpenteavam, e Sousuke sabia que ele sibilava daquele jeito em poucas ocasiões.

- Diga, o que você quer dessa vez?

- Yare, yare, taichou, que rispidez! Eu só estou feliz em desfrutar da companhia na refeição...

- Eu sei que você está incomodado com a Hinamori desde aquela tarde em Karakura - o sorriso constante de Gin estremeceu por um instante - mas, o que realmente me entristece é você ainda acreditar que tem a minha atenção exclusiva, enquanto eu sei, sim, Gin, eu sei que você ainda dá suas escapadelas nas minhas costas... - ele abandona o chá e toma Gin pelos pulsos, erguendo-o com pouca gentileza. Puxou-o pra si e ensaiou um começo de valsa.

- Mas Aizen... - olhando-o o fundo dos olhos, acompanhando passo a passo, conduzido como uma dançarina de cabaré bem paga, gentil e leve, embora respondesse como uma criança mimada contrariada.

- Sem mais, Ichimaru. Eu disse que não toleraria esse tipo de atitude, mas eu estou sendo paciente, eu te ofereço uma última chance ainda. Esqueçamos tudo... - girando, um, dois, três, um, dois três...

- Sim, tudo... - um, dois, três, mais rápido, um dois, três...

- Vidas duplas, amantes... sem intromissões ou ciúmes. - a voz calorosa e firme, a valsa acelerando, um , dois, três...

- Como quiser, mas esqueça aquele rato, taichou...

- O que eu disse? Sem intromissões. - ênfase na divisão das sílabas, apertando os pulsos dele até os dedos gelarem e marcas roxas brotarem sob seus dedos.

- Gomen, gomen nassai, taichou, gomen! - Ele se encolhe, sob pressão. Aizen larga seus braços e o atira ao futon, as costas pra cima. Arranca o quimono já frouxo de um puxão só, e toma a faixa recém tirada. A dobra com a delicadeza que a seda exige, e a embebe do chá, já frio, do bule. Torce o excesso da umidade e defere uma forte chibatada contra a alva pele das costas do ex-capitão do terceiro esquadrão. Ele arqueia com o impacto, e geme baixo. O assunto fora encerrado por aquela noite, restava-lhe curtir inteiramente o momento.