Como sempre.. Reviews respondidas ao fim do capítulo.
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Além de terem ninjas observando vocês das cadeiras, agora terão também mais seis deles andando entre vocês. Por isso eu aconselho vocês a se comportarem. Eles estarão de olho a cada movimento de vocês. – ela viu mais expressões de desespero com a notícia dos novos olhos de águia. – Alguma dúvida? – Nada foi ouvido. – Muito bem, vocês têm quatro horas. Comecem!!
A hora finalmente tinha chegado.
O silêncio só não se fazia absoluto pelos barulhos dos traços dos lápis enquanto faziam a prova. O novo grupo de olhos de águia já começara a andar, dispersos pela sala, atentos a tudo.
Obito pegou seu lápis e se pôs a ler. Estava um tanto nervoso, ele não era um aluno que poderia ser chamado de exemplar e botânica não era algo que enchia seus olhos de alegria. Mas estudara bastante os resumos que os amigos lhe passaram e aquele dia na biblioteca foi realmente proveitoso. Agora era ver no que daria seus preparativos para tal prova.
Resolvera as duas primeiras questões facilmente. Conhecia a planta da qual tratavam as mesmas questões. Já a vira diversas vezes. Era uma bem pequena, sem flores, folhas com formatos estranhos e possuía uns negócios pontudinhos e engraçados que ele apelidou de "pelinhos". Não eram pelos, na verdade eram minúsculos espinhos, mas eram tão pequenos que se assemelhavam. Tal planta poderia ser facilmente confundida com urtigas, mas Obito as diferenciara de imediato. Ele se lembrava perfeitamente de uma prova, cuja nota que ele obteve fora zero, em que metade das questões foi sobre a plantinha.
Dizem que os erros marcam as pessoas, mas não foi por isso que ele aprendera tudo sobre ela. Não. Foi graças a seu melhor amigo, que num acesso de fúria pela nota do Uchiha, depois de ter passado a matéria com ele cinco vezes, colocou dezenas de ramos da planta em sua cama. Obito acordou coçando até os olhos. Sentira todos os efeitos das substâncias da planta na própria pele. Ele ainda se coçava quando se lembrava disso, mas nunca mais se esqueceu dessa matéria. Aliás, ele não podia mesmo era esquecer-se de dar o troco em Kakashi.
Ele continuou a resolver as questões, pulando as que não sabia, mas até que estava indo bem. Ouviu um barulho e levantou a cabeça, assim como os demais alunos. Alguém havia sido pego. Um garoto ruivo se debatia nos braços de dois dos novos vigias, que o arrastavam para fora da sala, enquanto afirmava veementemente ser inocente. O ruivo foi levado com a permissão de Tsunade. Sua expressão era de puro desgosto.
Os dois vigias voltaram a seus postos juntamente com os demais quatro. Os trinta e cinco, nas cadeiras, agiam normalmente, como se fosse uma coisa corriqueira. Pareciam mais experientes, ao contrário dos vigias andarilhos, que estavam um tanto aturdidos com o estardalhaço do ruivo. Pelo jeito todos eles deveriam ser alunos. Ainda ouviam-se burburinhos baixos e os alunos olhavam-se assustados. Em meio a aquela pequena confusão, Obito pôde ver a amiga, Rin, sentada a seis cadeiras à frente da dele e em duas filas ao lado. Trocaram um sorriso rápido e ele pode ler um "boa sorte" nos lábios dela, antes que ela se virasse para a frente.
- Calem a boca!! – Gritou a loira, enfurecida.
Instantaneamente o silêncio se refez. Os alunos voltaram a olhar para suas provas e os lápis voltaram a riscar.
Obito largou, por um instante, o lápis na mesa e levou as mãos às têmporas. Sua cabeça latejava mais do nunca agora. Com movimentos circulares dos dedos ele tentava amenizar os sintomas da sua última "falta de responsabilidade".
Rin estava se saindo muitíssimo bem. Aquela prova estava muito fácil. Mas também, estava treinando pra ser uma boa médica-nin, conhecia bastante sobre a flora de Konoha e seus arredores. O exame estava tão tranqüilo quanto um exercício marcado em sala. Já havia feito oitenta por cento das questões. Tinha tempo de sobra. Ela queria saber como estava Obito. Ele não estava muito bem quando entraram. Era preocupante. Parara algumas vezes de fazer seu exame pensando na saúde do outro. Ele realmente era muito imaturo. Se ele queria tanto encher a cara porque não escolheu outro dia? Ela devia ter ficado e insistido para Obito não ir. Agora ele estava daquele jeito.
Ela sabia que essa preocupação toda não iria ajudá-lo agora, mas é difícil deixar de se preocupar com seu irmãozinho do coração que, aliás, podia ter sido mais sensato e pensado que ia deixar todo mundo aflito. E Kakashi bem que tinha o avisado. Ah, Kakashi, geniozinho maluco que ela adorava muito. Ele estava andando três fileiras ao lado da dela, muito vigilante, mas Rin podia notar os olhares do rapaz desviarem-se, vez ou outra, para o amigo e, pela cara que fazia, imaginou que Obito não estivesse tão bem quanto queriam. O Hatake, como todos os vigias, estava usando um uniforme preto com o símbolo da folha em branco nas costas. A camisa lhe caía muito bem. O preto contrastava com sua tez pálida de uma forma harmoniosa, ficava incrivelmente charmoso. Ai, ai.. Seus meninos estavam crescendo. E surgiu-lhe à mente a idéia de que, nos grupos de alunos que o jounnin ajudava, nem todas as garotas pediam ajuda a Kakashi por interesse na matéria, mas sim no professor. ¬¬'.. Que absurdo! Isso a incomodava. Profundamente! Onde já se viu? Garotas assanhadas... Mas pra que estava se preocupando com isso agora? ¬¬ Culpa de Obito! Se não estivesse se preocupando com ele não teria perdido os pensamentos até esse ponto. Ela voltou os olhos para o exame e pôs-se a resolver as questões.
Uma luz muito irritante insistia em entrar pela janela e incomodar Obito. Ele olhou para o relógio, ainda tinha duas horas e quarenta e cinco minutos. Já havia feito boa parte da prova e constatava que Kakashi tinha certa razão. A prova até que estava fácil. Bem, na medida do possível. Não era o que ele diria "Oh, que fácil", mas aquele exame não o assustava e em nenhuma das vezes ele teve a impressão de estar lendo grego. As questões que não sabia, ele tinha certeza já ter ouvido falar, mas não se lembrava ou na hora em que estudava tal matéria não dera muita atenção.
Durante o tempo que se seguiu, mais oito pessoas foram tiradas da sala. O sistema era bastante rigoroso, aqueles que eram pegos colando eram reprovados automaticamente e os que eram apenas suspeitos eram levados para uma sala para serem revistados, tanto as vestes quanto a mente. Sistema este que assustava o Uchiha, embora nada fizesse para tirar vantagem sobre os demais alunos, temia que descobrissem que não fazia a prova nas melhores condições. Isso era uma desvantagem apenas para ele, mas o hokage com certeza não gostaria de saber.
Ahn, isso era tão complicado. Melhor que não pensasse nisso agora.
Pegou o lápis novamente e recomeçou a pensar sobre as questões.
Ora ou outra segurava risos, lembrando de todo o teatro e as encenações que ele, Kakashi e Rin haviam feito no dia anterior. Podia ver claramente tudo, como se fosse um filme.
Ele e Kakashi fingindo serem cascas de uma planta, cuja semente fica guardada dentro dessa casca que racha quando madura lançando a semente pra bem longe do pé que lhe deu origem. Quando ele e o amigo "racharam", cada um era metade da casca, acabaram exagerando na força e lançando a Rin-semente alto de mais.
A semente acabara achatando as duas metades da casca no chão da biblioteca.
Ele podia jurar que em toda história da natureza, Rin era a primeira semente que corria enfurecida atrás das cascas. E apostava que nenhuma outra semente havia reclamado antes. Com certeza nenhuma semente falava tanto quanto Rin. A bibliotecária quase havia expulsado-os pelo barulho, mas ele tinha de confessar, fora muito divertido.
Cada verso, rima e cena lembradas auxiliaram o moreno a continuar a prova. A única coisa que lhe incomodava agora era sua saúde. O estômago começara a dar voltas, a cabeça ainda latejava e sua visão começava a ficar embaçada. Ele não havia comido direito e sentia-se um pouco fraco.
Respirou lenta e profundamente, como se dessa forma pudesse expirar tudo o que lhe consumia e fazia mal. Viu que alguns alunos já haviam terminado a prova e saiam, entre eles estava Rin. Kakashi os acompanhou até a porta e disse algo à amiga antes que ela saísse.
Obito olhou a seu lado e teve a surpresa que lhe completara todo o mal estar que sentira até agora. Na cadeira vizinha à sua estava ela, a garota maluca com quem trombara na rua. Sentiu o sangue ferver ao lembrar-se da cena em que se meteram. Quem ela pensava que era para falar com ele daquele modo?
Era só o que lhe faltava, fazer sua prova ao lado daquela desvairada. Mais uma vez respirou profundamente, dessa vez com os olhos fechados. Quem sabe quando abrisse, ela não sumiria? Não sumiu.
Voltou os olhos para sua prova, irritado, mas não conseguia deixar de olhá-la de canto de olho de vez em quando. Ninguém sabe o que ela poderia estar aprontando.
Em uma das vezes em que, discretamente, olhara para a moça vira-a fazer-lhe língua, numa careta travessa. Ah! Aquilo era o cúmulo. Será que ninguém podia tirá-la dali?
Ele levou a atenção para a folha novamente e evitou encará-la de novo. Franzia o cenho, reprovador.
Tudo a sua volta deu um giro de quase trezentos e sessenta graus em alguns segundos. Ele realmente não estava bem. Um pequeno baque foi ouvido por Obito. Deixara seu lápis cair no chão. Suas mãos tremiam descontroladamente. Isso só podia ser castigo. Sim. Kami estava castigando-o por ter exagerado na bebida no dia antes de seu exame.
Pôs as mãos sobre os olhos, a fim de tentar relaxar. Esperou alguns minutos e baixou-as, podendo ver que estava perdendo a cor. Ele estava tão pálido quanto Kakashi normalmente era. Talvez fosse melhor se apressar e terminar o exame o quanto antes para poder sair rápido do local. Seu estômago o avisava que ele precisava de um remédio urgentemente.
Curvou seu corpo para baixo para recuperar seu lápis que rolara um pouco longe de onde ele estava. Ao chegar perto pôde sentir sua garganta queimar, algo muito ácido lhe chegara próximo à boca e ele sabia exatamente o que era. Porque ele não tomara prevenções antes de vir a essa maldita prova? Encostou as pontas dos dedos no lápis, que rolou para os pés da garota. Ela olhou pra baixo e ele pôde ver um sorriso estampado em seu rosto, e devia admitir, não gostou nada. E no segundo seguinte ela chutou o lápis, que rodopiou velozmente para o outro canto da sala.
Seu dia não poderia ficar melhor. Garota infeliz! Ouviria poucas e boas. Ele se endireitou, arrumando a postura na cadeira e virou-se para ela pronto a extravasar tudo o que podia, mas antes que pudesse começar sentiu uma mão pousar-lhe sobre o ombro. Procurou seu dono e deparou-se com Kakashi. Ficara extremamente aliviado, ele com certeza ia tirá-la dali.
- Tsunade-sama, peço permissão para retirar este aluno da sala. Está importunando aos demais e é necessário que seja averiguada a possibilidade de ele estar tentando passar respostas. – Disse Kakashi num tom frio que ele não ouvia fazia muito tempo.
A loira assentiu com a cabeça e Obito começou a entrar em desespero. O que ele estava pensando afinal? Ele tinha enlouquecido ou o que? Seria justo que fizesse aquilo se ele realmente fosse culpado, mas não era.
- Levante-se. – Ele falou em tom baixo, mas firme.
Indignado, o Uchiha obedeceu. Levantou-se, mas deixou bem claro ao Hatake, numa expressão contrariada, que ele não aprovava esta atitude. Aliás, ainda espera ver o orbe negro e exposto do amigo se curvar, esboçando um sorriso, e ouvi-lo dizer que fora brincadeira. Apenas pra ver como ele reagiria. Mas não foi essa a cena que presenciou. O amigo lhe empurrara de leve, conduzindo-o para fora do local. A expressão era fria e impassível. Obito apenas continuava a caminhar, chocado. Ao chegarem próximos à porta do local ele parou e virou-se para o mascarado, ainda na esperança de toda aquela confusão se desfazer.
O rapaz apenas o empurrou um tanto mais forte, para que passassem pela porta. Ele o viu fechar a mesma. Ao saírem, Obito observou que havia ainda mais alguns ninjas na extensão do corredor pelo qual Kakashi o guiava. Alguns estavam distraídos com pergaminhos outros faziam, com a cabeça, sinal de cumprimento ao Hatake enquanto passavam.
Então era isso. Não houvera engano. Estava a caminho da sala onde seria revistado e entupido de perguntas. E pra melhorar, seu estômago voltara a lhe perturbar. Estava fraco e sua visão muito debilitada. Enjoado e completamente confuso, Obito continuou seu trajeto, vacilante. Eles viraram o corredor e já não havia mais ninguém. O moreno podia ver a porta da sala entreaberta, mas para sua surpresa não entraram lá, continuaram em frente. Já não entendia mais nada. Num deslize, quase foi ao chão, mas fora amparado pelo jounnin.
- Vem cá. Apóia-se em mim. – Kakashi passou o braço do outro por cima dos próprios ombros, para lhe ajudar a manter-se de pé.
- O que está acontecendo afinal das contas? Você não devia estar me revistando? – Ele perguntou confuso.
- Porque o faria se você não fez nada de errado? – O mascarado esboçou um meio sorriso.
- Então pra que me tirou de lá?
- Fica quieto. Te explico depois. Só anda.
Não conformado, mas aliviado, o Uchiha apoiou-se melhor ao amigo, que o levou para uma outra sala, um pouco mais afastada.
Eles entraram e Kakashi fechou a porta atrás de si. Era uma sala bem pequena, havia uma mesa ao meio dela (N/A: Daquelas de consultório médico. Que eles tacam você pra ver o que vc tem. Mas não sei o nome certo daquilo. oO). Parecia ser uma enfermaria. Ele julgou-a desativada, pela fina camada de poeira sobre uma estante ao canto da sala. Sentada em uma cadeira, estava Rin. Ela tinha uma pequena caixinha em mãos. O Hatake levou-o até a tal mesa e o deixou lá, enquanto Rin, já de pé, pegava um pequeno frasco da caixinha.
- Ta... O que ta acontecendo? – O moreno perguntou, agora sentado.
- Não é óbvio? A Rin vai dar um jeito nesse seu mal estar. – Kakashi respondeu, recostado a uma parede.
- Mas.. Como vocês... O que? Aquilo tudo foi um pretexto..? Han? õ.O
- Calma. É o seguinte: Você não tava com uma cara muito boa quando chegou aqui. A gente sabia que você ia acabar passando mal. Então, enquanto você estava entrando, eu troquei umas palavrinhas com a Anko, aquela menina que estava do seu lado, e pedi a ela que fizesse uma pequena confusão com você quando eu desse a ela um sinal. Esse seria o pretexto pra eu tirar você de sala e te trazer pra cá. Entendeu?
- Hamm... É. Mas e a Rin? Você soube disso a que horas? – Ele olhou atordoado para a amiga, que colocava o frasco em suas mãos.
- Kakashi me avisou quando eu estava saindo, o ajudei a bolar parte da sua fuga. - Ela disse, enquanto o moreno bebia o conteúdo do frasco fazendo uma careta. – Deite-se.
- Pra que?
- Acha que uma dose de remédio vai te curar a tempo de voltar pra sala? Vai só ajudar, mas tenho que acelerar o processo. Deita logo. – Ela o empurrou, fazendo-o deitar-se.
- Vai usar chakra em mim?
- Vou. – Ela falou, posicionando as mãos unidas a dois palmos de altura do umbigo do moreno, e começando uma transferência de chakra.
Ele olhava para o teto. Aquilo era estranho. Chakra na sua barriga. E se ele vomitasse de vez? Os dois companheiros permaneciam calados durante o processo.
- Espera aí. – Obito disse, ainda deitado – Se eu fosse pego seria reprovado.Vocês estão fazendo algo ilegal. Principalmente você, Kakashi.
- Não exatamente. As minhas regras eram pra impedir que os alunos colassem e punir a todos que o fizessem. Nada foi dito sobre pessoas doentes. E Rin não está na tarefa de zelar pelo procedimento tranqüilo do exame, portanto não deve nada a ninguém. Tendo em vista que o hokage o puniria, se descobrisse, nós não quebramos regras, só impedimos que isso acontecesse. Não é ilegal, só um tanto ousado. – Disse o mascarado, com um sorriso satisfeito nos lábios.
- Há. Quem te viu quem te vê Hatake. Burlando regras. – Um sorriso orgulhoso brotou no rosto de Obito.
- Não chame de burlar, é mais.. Achar brechas. - Ele disse, numa piscadela marota ao amigo. – Não acha, Rin?
- Lógico. - Ela respondeu num sorriso igualmente travesso, sem desviar os olhos do serviço que fazia e passou a explicar ao Uchiha – Seria injusto ele reprovar você, Obito. Essa atitude errada que você teve só prejudicou a você mesmo. Fez a prova quase inteira passando mal. A única coisa que nós fizemos foi impedir que você colocasse o seu café da manhã à mostra pra todos na sala e que o hokage te reprovasse por isso. Pronto. – Ela disse, indo para junto de Kakashi para que Obito pudesse se levantar. – Como se sente?
- Bem melhor. – Ele olhou para os outros. – Vocês são doidos. Obrigado.
- Agora vamos logo. – Apressou o Hatake. – Antes que o hokage descubra e sobre pra nós.
- Ué, você não disse que isso não era ilegal? Era só uma brecha? – Ele sorriu.
-É. Mas se eles descobrem que eu achei uma brecha na regra deles a coisa fica feia. Nem todo mundo sabe perder. – Ele devolveu o sorriso.
Eles saíram da sala. Rin seguiu para a saída do prédio e os outros dois para o caminho de volta à sala. Obito viu a mesma expressão séria voltar ao rosto de Kakashi.
- E pensar que essa sua cara de mau, me assustou agora a pouco. Seu fingido. – Ele disse, segurando risadas e viu o rosto sério do companheiro transformar-se num sorriso que ele não conseguiu conter. E a reação veio seguida de um tapa na orelha do Uchiha.
- Cala a boca Obito.
Voltaram em silêncio e entraram novamente na sala do exame. Ele fez um sinal à Tsunade, indicando que Obito estava "limpo". Não havia tentado passar respostas a ninguém. O Uchiha sentou-se em seu lugar de novo, olhou o relógio e constatou que ainda tinha uma hora e meia para terminar sua prova. Seria tempo suficiente. Kakashi lhe entregou um novo lápis, já que a tal Anko havia chutado o seu pra longe, e com o tempo restante rapaz dedicou-se à prova.
Agora que já se sentia melhor, as lembranças das matérias pareciam vir com mais facilidade à sua mente.
Faltando quinze minutos para o término da prova, Obito entrega triunfante o seu exame à loira de grande comissão frontal. Havia poucos alunos na sala agora. Ele passou e acenou ao amigo para avisar-lhe que o esperaria do lado de fora.
Como Kakashi era um dos vigias, teria de ficar com os outros até o último aluno se retirar.
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- Aff. To cansado. – O mascarado disse, sentando-se à mesa com os dois amigos numa sorveteria. – Ser vigia de prova é um saco. – Espreguiçou-se.
- Então ta cansado de que? – O Uchiha lhe perguntou, tirando a colher, já sem sorvete, da boca.
- Sei lá. Cansado de tanto tédio. – Ele debruçou sobre a mesa e escondeu o rosto entre os braços, como se fosse dormir.
- Ah, Kakashi?
- Hm?
- Porque a tal Anko resolveu ajudar nisso? – Obito questionou.
- Me devia uns favores. Tirei-a de uma confusão uma vez.
- Eu sabia que a cara de barraqueira dela tinha um por que. ¬¬
- Você a conhece? – Rin perguntou
- É a doida que eu falei pra vocês.
- Hm. – Kakashi arrumou o rosto nos braços.
- Kakashi? – Rin lhe chamou.
- Hm? – Ele abriu um dos olhos preguiçosamente, sua conhecida expressão "de paisagem" voltando ao seu rosto.
- Quer sorvete? – Ela riu, travessa.
- Nem começa. – Fechou o olho e abriu um sorriso, tirando gargalhadas da amiga.
- Ah, é. – Obito sobressaltou-se. – Que estória de guerra de sorvete era aquela, hein?
Alguns minutos se passaram, mas a resposta não veio.
- E aí? Quem responde? ¬¬
- Eu to comendo. Kakashi, explica você.
- Eu não.
- Por quê? – Questionou o moreno.
- Quero não. To com preguiça. – Ele acomodou melhor o rosto nos braços.
- Ah, ta. Eu conto então. Que coisa Kakashi. ¬¬
- Hunf! – Ele resmungou, sem sequer se mexer.
- É que ontem, depois que você foi à festa, eu resolvi desenterrar o Kakashi de casa. Você sabe.. Pra ver se ele respira e esquece os estudos um pouco. Só que ele começou a falar das propriedades de um negócio que tem no chocolate..aí eu enfezei, a gente começou a discutir não sei o que e eu taquei sorvete na cara dele, daí ele me esfregou sorvete também..ficamos lambrecados..aí apareceu um fantasma e demos o fora do parque. Fim!
- o.O? Fantasma?
- Fantasma nada, Obito. Ela devia estar meio doidinha, gripando, ou então foi um vento do pólo norte e ela arrepiou e achou que fosse fantasma. – Explicou Kakashi, que continuava imóvel.
- Agora você fala né? ¬¬ - Rin reclamou.
- Você ta dizendo besteira. Não posso ficar quieto. Pode ter sido qualquer coisa, menos fantasma. Fala sério, Rin. Hunf! Fantasma.. ¬¬
- Fantasma, gripando.. Mas vocês são dois bocós mesmo. ¬¬ Está óbvio o que foi.
- Foi o que então, Einstein? ¬¬ - falou Rin.
- Gente! Ta na cara.. u.u' ..Não é possível que só vocês não vêem isso.Não acredito que eu é que vou ter que dizer pra vocês.
- Diz logo! Ò.Ó – Enfureceu-se o Hatake, que finalmente levantou o rosto.
- Ta. Mas não fiquem bravos. É estúpido de tão na cara. – Ele levantou os olhos – Ai...Eu VOU MESMO ter que abrir os olhos deles desse jeito? – Ele disse, mais para si mesmo do que para os outros dois.
-Anda Obito. Ò.Ó – Apressou Rin.
- Ta. Ta – Ele fez uma cara de "conhecedor do universo" e prosseguiu. - O sorvete. u.u Não é óbvio? Ela tava cheia de sorvete, que é gelado, e daí arrepiou-se. 8D
- ¬¬'' Jura que o sorvete é gelado? Se não tivesse me avisado eu não teria percebido. – debochou a menina, vendo o moreno fazer-lhe língua.
- Bem, é uma hipótese. Mas quem liga? Não foi fantasma e acabou. - Kakashi voltou a colocar o rosto nos braços.
- Ta. Mas eu aposto que aquele sorvete tinha alguma coisa sombria. – A menina disse, muito séria.
- Ah, Rin. ¬¬
- Alguma coisa sombria faz o sorvete gelar? o.o – Espantou-se Obito. – Eu sabia que tinha alguma coisa errada com as geladeiras e congeladores. o.o''
- "Ah" o que, Kakashi? Deve ser sim. – Ela disse convicta.
- Só porque você quer! – Ele retorquiu.
- Quem será que apaga a luz da geladeira quando a gente fecha a porta? – O Uchiha, olhando para o céu, continuava falando alto em seus devaneios.
- Ah, deixa pra lá. – Ela cansou-se.
- Hunf! ¬¬
- Quem será..? o.o
O assunto aos poucos foi morrendo e os três começaram a sentir o peso do que fizeram. Pela lei, exatamente, não era nada, mas incomodava.
- Sou só eu ou mais alguém quer fazer uma visita ao hokage? i.i – Obito disse, mexendo no restinho do sorvete que ficara ao fundo do pote.
- Estava pensando nisso. De repente bateu uma saudade... – Rin concordou.
Olharam-se, os três, culpados. Que droga! Porque se sentirem culpados se tecnicamente não transgrediram as normas.
- Dá um aperto, né? – A garota baixou o rosto.
- É. To me sentindo um fugitivo procurado. i.i Ah! Kami! Um traidor. - Colocou o rosto entre as mãos, desesperado.
- Menos Kakashi. Bem, menos. ¬¬ - O Uchiha disse – Mas, eu acho que deveríamos contar a ele.
- Ele vai te reprovar. Vai ser tudo em vão. – Alertou a Kunoichi.
- É um risco a correr. Acho que devemos. – Ele continuou afirmando.
- Onde é que eu tava com a cabeça? Se eu não tivesse inventado essa maluquice talvez você não precisasse ser reprovado. E provavelmente ele vai brigar com a Rin também. Meti nós três em encrenca. Kuso! Me desculpa, mas não achei certo você perder a prova por aquilo. Tive que fazer alguma coisa. – Kakashi colou o rosto à mesa.
- Ei! Que mania de se culpar por tudo! Se você não tivesse inventado essa maluquice eu teria vomitado no meio do exame. Eu tava muito mal. Preciso agradecer a vocês dois. Não sei o que seria sem vocês, dois doidos, do meu lado. E eu tenho certeza que a Rin estava de acordo, não é?
- Sempre estive. E faria tudo de novo. Sempre juntos, certo?
- CERTO! – O moreno gritou.
- Certo. – O Hatake confirmou, num meio sorriso.
- Sabem o que parecemos? – Obito levantou-se da mesa.
- Hm? - O outro ergueu os olhos.
- Três mosqueteiros. – Ele disse, com um sorriso "colgate" estampado no rosto.
- Ai, lá vem ele. – Rin fechou os olhos, tirando um sorriso do jounnin.
- Vocês estiveram comigo nesse momento difícil. Eu vou estar com vocês em todos os momentos também. Sempre juntos. Talvez a gente se ferre com o Hokage, mas meu consolo é que vamos estar juntos. Enfrentaremos isso como um time, como amigos.
- Uou! É isso aí! – A Kunoichi festejou, enquanto Obito agitava os braços quase como se estivesse comemorando uma vitória em campeonato.
Kakashi não conteve os risos, aquilo era cômico.
- Legal! Castigo em grupo. Até fiquei animado. – Ele ironizou, mas sem conseguir deixar de achar graça na situação. Era bom estar com eles.
- Ótimo – O moreno estica a mão– Um por todos..
Ta. Kami, ele estava insano. Mas o que custava se juntar, não é? Em meio a isso o Hatake une a mão a do amigo.
- Vem Rin. – Ele chamou.
- Ah, não. Vocês não vão me fazer pagar esse mico aqui na frente de todo mundo. – Ela comentou, olhando a sorveteria lotada.
- Deixa de ser estraga prazeres. – Obito fez uma cara chateada.
- É. Vem logo.
Eles realmente não iriam desistir. Estavam passando dos limites da besteira. Ela até entendia, afinal, garotos não têm muito senso de ridículo mesmo, mas aquilo... Ai Ai.
- Ai! Ta bom.. – Ela vira os olhos e une a mão a dos outros dois.
- De novo. – Gritou o Uchiha – Um por todos..
- E todos por um!! – Os outros gritaram em uníssono. Kakashi tão bem-disposto quanto o Uchiha, Rin, incrivelmente vermelha.
- ÉÉÉ – Festejou o Uchiha acenando pra todos na sorveteria, que olhavam achando um tanto... Incomum.
- Ai.. Quanta felicidade junta, Kami-sama! Tira-me daqui. – A garota cobriu o rosto com as mãos.
- Então vamos lá ser castigados de uma vez!! – O Hatake animara-se.
- ÉÉÉ – Mais pulos de Obito.
Porque os garotos são tão infantis? Nem Kakashi escapou dessa. A convivência com Obito não estava lhe fazendo muito bem.
Estavam agora a caminho do prédio do Hokage. Andavam devagar, olhando o movimento. Estava um dia agradável e os dois meninos ainda estavam comemorando, radiantes, o castigo.
- Da próxima vez, tentem ser mais discretos nas comemorações. – Ela disse, com o rosto ainda rubro.
- Ah, Rin. E aquela amizade toda que você estava apoiando?
- Continuo apoiando, Kakashi. Só peço pra serem menos chamativos, por favor.
- Assim é que é legal. – Obito disse, colocando a língua pra fora e agitando a cabeça, como um roqueiro.
- Oh Yeah! – Concordou o outro.
- Nossa! Não sei se prefiro vocês dois brigando feito cão e gato ou brincando como duas crianças. Era um saco as brigas de vocês, mas depois que entraram nessa de amiguinhos estão um nojo. Umas brincadeiras esquisitas. ¬¬' – a garota disse, contrariada.
- Brincadeira de garoto é assim mesmo. Para de pegar no pé. Deixa de chatice, parece o Kakashi.
- Ei!
- Sabe que é brincadeira. xD
- Hunf! ¬¬
- Arrf! Meninos..¬¬'
Seguiram ao prédio do Hokage.
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- Bem... Pelo que pude entender.. Sr. Uchiha fez a prova depois de beber ontem e vocês dois estiveram prontos a ajudá-lo a não ser descoberto.
- Hai, mas eu fui o responsável por isso. Não os puna, Hokage-sama. – Kakashi disse.
- Não. Fui eu que tornei essa irresponsabilidade possível. Armei metade da "fuga" dele. – A kunoichi fez questão de assumir a culpa.
- Se eu não tivesse aceitado, nem estaríamos aqui. – Obito tinha sua parcela de culpa e sabia disso.
Os três miravam o chão, a loira do exame olhava-os um tanto chocada. E o Hokage parecia analisá-los da cadeira em que estava. Ele entrelaçou os dedos das mãos e expirou o ar inalado ruidosamente.
Os jovens shinobis à sua frente suavam frio, a expressão do Hokage não era das mais satisfeitas.
- Muito bonito... O que acham que eu deveria fazer? - O semblante sério do Hokage continuava em vigor.
Não responderam. Só sabiam que estavam fritos.
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Oi gente.
Bem ..ta aí mais um cap.
Espero que tenha ficado tragável. x.x
Eu queria agradecer a todos que vêm acompanhando a fic.
E agradecer também pelas reviews.n.n
Nocturn:
Que bom que te agradou.
Mas você disse que ia postar e até agora nada. ¬¬
Mas sim..sorvete de chocolate é mto bom. xD Tbm amo. ¬
Vlw pela review
Jaque Weasley:
xD gasparzinhu sim. xD
Não precisa esculachar o Obito. É que ele meio sonsinho mesmo. n.n
Rsrs Próx rodada..foda! xD
Nee-Chan..o que são plocs? o.o
Com certeza o Icha Icha vai estar envolvido, mas não sei exatamente quando e nem o quanto. São coisas ainda a serem decididas. xD
E é verdade sim..a estória das rugas lá..u.u
Vcs são um bando de doidas. Ficam c/ rugas por ficarem pensando em não terem rugas. X.x
E já q vc vai me matar depois da fic..eu acho que paro ela por aki msmo. U.u
O q acha da idéia? xD Assim eu num morro e posso te enxer o saco mais tempo. n.n
Rsrs Abraço
Vlw pela review, Nee-Chan malvada. xD
Fernanda-chaan:
É ela mesma. xD
Será por causa do Genma? Só lendu p/ ver. xD
Rsrs espero que tenha gostado.
E vlw pela review.
Eeva Uchiha7:
Yeah! Vc acertou. É a Anko mesmo. n.n
Pode ser.. ou Konoha é inocente ou os dois é que são tapados.. xD
Quem não ama chocolate? ¬
Ah, e o Kakashi agradece o teu elogio. xD
E mto obrigado pela review. xD
Uchiha JL:
Que bom ki vc gostou. xD
Ta todo mundo amando a Rin..Incrível isso. o.o
Menina carismática. ;D
Pode cobrar xD To fikando acostumado c/ as cobranças já. n.n'
Vlw pela review.
É isso aí gente. n.n
Espero que tenha dado pra curtir o capítulo.
Não sei se ficou bom.
Por favor, me digam o que estão achando.
Preciso mto da opinião de vcs, sério. To muito inseguro c/ isso tudo.
É um estilo bem diferente das minhas fics de humor da Akatsuki.
E de novo queria agradecer a vocês.
Às vezes me da vontade de deixar isso tudo pra lá, mas vocês me animam a escrever.. E esse capítulo é dedicado a todos os meus leitores, porque se não fosse por vocês nenhuma das minhas bobagens estariam postadas aqui. De verdade, muito obrigado a todos.
Mto obrigado gente. n.n
Ja Ne
