A vida pode ser bastante complicada e cheia de obstáculos, depende das nossas escolhas que fazemos diariamente -pensava Sofia, num estado completo de transe.
Ninguém que olhasse para ela e para os outros diria ou mesmo saberia o horror, espelhado nos seus olhos se devia aos 6 meses de clausura e desespero, nem mesmo percepcionariam esses olhares, apenas pensariam tratar-se de pessoas sossegadas e estranhas.
Sentados num banco do metro, olhavam sem ver o passar das estações, sem se preocuparem como o destino, apenas recordavam cada um com frieza extrema, o que há 6 meses lhes tinha acontecido e ate ao momento presente.
A Sofia, em especial, recordava com mais nitidez cada momento, cada lágrima derramada, cada saudade apertada no seu peito, cada tortura, cada tentativa de fuga falhada…
Tudo tinha acontecido numa das varias saídas a noite, no inicio das ferias de Verão, quando a adrenalina e a juventude se misturavam. Era sexta-feira a noite e tinham, nesse dia, combinado ir a uma nova discoteca nas docas da qual já tinham ouvido boas referencias sobre o local. A ideia tinha sido o Carlos, que adorava sair a noite e de curtir o mais que pudesse.
Mesmo sendo uma noite como outra qualquer, Sofia tivera vontade de se produzir mais do que o normal, com a ideia de arrasar alguns corações. Quando entraram nessa discoteca, notaram logo que era um ambiente de sedução e de sensualidade sempre presente. A Sofia mais do que os outros deixou-se absorver e magnetizou-se pelo espaço, a música envolvente e aqueles olhares felinos dos rapazes sobre ela. Agora sabia que fora um erro tolo, o grupo nunca devia ter ido lá. Após vários copos, muita dança e muito flirt saíram muito alegres pela noite adentro.
Não reparam de imediato que estavam a ser seguidos por uma carrinha preta de grandes proporções, só quando iam numa viela escura a caminho de suas casas notaram os faróis, mas como a bebedeira era muita pensaram ser uma alucinação e riram-se como tontos.
- Alice, os E.T vieram-nos buscar na nave mãe, vamos ser alvos de experiências extraterrestres. – disse o Carlos no gozo e desataram todos a rir.
Se soubéssemos, naquele exacto momento o que nos esperava tínhamos fugido. Mas estavam num estado deplorável devido ao que tinham ingerido, que só reagiram tarde demais, quando estavam a ser agarrados e arrastados para a tal carrinha, por um grupo de homens de negro e encapuzados. Foram obrigados a entrar para dentro, com força bruta e atirados para o chão da carrinha com violência. Começaram a gritar por socorro, selaram-nos a boca com uma fita grossa e amarraram-lhes as mãos e os pés. Após alguns horas a carrinha parou, entraram em pânico. Onde estariam? O que lhes estava a acontecer ?
