Yo, minna! Aqui está o último capítulo de I miss you.
Espero realmente que gostem, OK?
Um agradecimento especial à Pammy-sama e à Lorena Cardoso, que me enviaram letras de músicas para a realização deste capítulo (eu usei uma delas, tá? ^_^).
Queria agradecer à: Pammy-sama, Bek-chan, Kuchiki Rin, Tenma no Virgo, Hachi-chan 2, Acdy-chan, K-chan 258, Rukia-hime, Yuki-chan e Graziela Leon, por terem acompanhado a fic. Agradeço também a todos que a acompanharam, mesmo que sem mandar algum review.
Boa leitura!
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Música: More than words – Extreme (nunca a escutei, mas a letra foi mais que perfeita. Ah, e eu meio que cortei algumas partes da música, porque senão não ia bater com a história).
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I miss you
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By Lin-chan
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Chapter 3
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Envolta por paredes brancas e lustrosas, iluminadas por refinadas e esquecidas lâmpadas, Matsubara Rin esperava em pé. Em pé em frente à gloriosa porta amadeirada, Matsubara Rin encarava a maçaneta, parada desde o momento que chegara. Sua respiração descompassada traía a confiança que sua face tentava mostrar aos outros, enquanto permanecia naquele local.
Afinal, o que ela estava fazendo ali? Parada em frente à porta do apartamento de Taisho Sesshoumaru, seu até então ex-namorado.
Havia amanhecido sem que ela mesma houvesse percebido. Desde a repentina ligação de Sango, parara para pensar em tudo o que a garota realmente dissera. Não que aquilo fosse algo que verdadeiramente importasse para ela. Rin sabia que queria apenas um motivo que pudesse explicar o que ela sentia no momento. O desejo incontrolável de vê-lo novamente. A vontade de falar com Sesshoumaru e perguntar pra ele o porquê de ele ter feito aquilo.
No entanto, julgava que não deveria ter feito tal coisa. Naquele exato momento, deveria estar deitada em sua cama, como fizera durante todos aqueles dez dias. Dez torturantes e inexpressivos dias.
Inconscientemente, levou a mão direita à maçaneta até então parada, segurando-a firmemente. Um flash de todos os momentos que passara naquele lugar invadiu sua mente, fazendo-a se afastar raivosamente. Balançou a cabeça, se apoiando na parede que tanto odiava. Lembrava-se de que, certa vez, mandara Sesshoumaru pintá-la de um tom mais alegre, conselho que fora logo recusado pelo rapaz. E agora entendia o motivo. Sesshoumaru não era alegre, e percebia que aquele tom um pouco mais escuro que o próprio branco combinava perfeitamente com ele.
Extremamente belo quando refletido em algo, e apavorantemente repetitivo quando olhado mais de perto. Ele era igual a todos os outros, afinal. Aquele que julgara ser o homem mais perfeito que já conhecera era exatamente igual a todos os outros. Não passava de um simples humano. Um humano que a magoara, assim como todos os outros.
O que droga fazia lá, então?! O que esperava dele? Que ele de repente dissesse que a amava? Que tudo não passava de um mal entendido?
Passou as mãos exasperadas pelo cabelo sedoso, bufando de raiva com os próprios pensamentos. Escutar um "Eu te amo" vindo dos lábios de Taisho Sesshoumaru era algo que apreciaria mais do que tudo. Mas não poderia pensar de tal maneira. Aquela Rin não poderia de maneira alguma querer ouvir tais palavras. Não vindas dele, pelo menos.
Saying 'I Love you' is not the words
Dizer "eu te amo" não são as palavras
I want to hear from you
Que quero ouvir de você
Seus dedos escorregaram delicadamente pela lisa parede, e sua expressão de raiva fora rapidamente substituída por uma de nada. Passara a focalizar novamente a maçaneta. Maçaneta que girara várias vezes ao visitá-lo quando eram felizes. Imagens voaram por sua mente, e ela não poderia enxergar mais nada além delas. Poderia até mesmo estar vesga, e isso não seria preocupação alguma, porque estava sozinha. Ninguém veria a careta ridícula que ela estaria fazendo. Sesshoumaru não estava ali. E ninguém estava ali, além dela.
Era irônico pensar daquela maneira, já que fora isso que sempre quisera. E o pior, fora isso que procurara desde o momento que o deixara para trás. Sabia que havia errado, assim como Sango lhe dissera antes. Não mentiria mais para si mesma. Recapitularia. Reaveria o que seus sentimentos realmente queriam dizer.
Queria Sesshoumaru. Queria que ele a tivesse procurado naquela noite, afinal, ela não aparecera à festa, pelo menos pensava que ele não a tinha visto. Mas como ele poderia procurá-la, primeiramente, se ela fugira? Fugira covardemente, e agora reconhecia seu erro. Deveria ter tirado satisfações com ele. Deveria ter perguntado à ele tudo o que quisera naquela noite, mas fora covarde. Rin confessava: tinha medo. Sentira medo de ouvir Sesshoumaru dizer que não a queria. Que ela não era suficiente para ele. Que ela não o fazia feliz.
Balançou mais uma vez a cabeça, focalizando de novo a bem decorada maçaneta. Um sorriso sarcástico passara rapidamente por seus finos lábios, e ela sabia o que deveria fazer a partir de então. Não seria covarde novamente. Errara uma vez, mas isso não significava exatamente que tudo estava perdido. Poderia simplesmente deixar o romance que vivera com ele de lado e esquecer tudo o que acontecera. Mas não conseguiria mais deixar de lado a dúvida que angustiava sua mente.
Queria saber se realmente havia sido traída. E se tivesse, o motivo. Queria saber o que não possuía para Sesshoumaru chegar ao extremo de procurar em outra. Especificamente em Ozawa Kagura.
Passou rapidamente as mãos sobre a roupa perfeitamente passada, retornando com o mesmo ar de confiança que entrara no prédio. Seus olhos castanhos não fitavam mais a porta com o terror de antes. Agora, uma expectativa era notável. E fora com tal expectativa que Rin levara sua mão fechada em punho até a superfície amadeirada, mas ainda não a tocara. Respirara fundo mais uma vez, tendo certeza de que seria capaz de fazer aquilo. Mas de repente, vira que a maçaneta, antes parada, virara rapidamente.
E toda aquela veracidade fora em vão assim que vira os olhos dourados que tanto evitara, ou tanto esperara. Sesshoumaru abrira a porta como se a esperasse ali. Sua mão, ainda fechada sobre a maçaneta, era o meio mais próximo de tocá-la. E era isso o que ela queria. Um sentimento de anseio tomou conta de si. Como se aquela fosse a primeira vez que via Sesshoumaru.
Assim como ela, a surpresa era algo eminente nos orbes dourados do jovem rapaz parado em frente à porta. Eles se arregalaram levemente e isso a deixou nervosa. Sesshoumaru nunca transparecia aquilo que sentia, ela sabia disso. Relaxou mais, permitindo até mesmo sorrir delicadamente ao vê-lo voltar à sua expressão natural, com olhos bastante estreitados. Mas logo toda aquela raiva pareceu desaparecer, quando ele a encarou docemente. Parecia que havia desistido. Que finalmente queria explicar a ela o que acontecera.
Parecia que estava feliz em vê-la ali. Mas ela sabia que isso não passava de apenas um fruto de sua imaginação retardada.
- Quer entrar? – a voz que Rin escutara tantas vezes em seus sonhos se pronunciara em meio àquele silêncio.
Ela o encarou, sem palavras. Havia se preparado para aquilo, mas como sempre, Sesshoumaru conseguia deixar-lhe daquela maneira. Assim como a parede atrás de si.
- O que você ia fazer? – ela perguntou sem pensar, abaixando a cabeça ao notar o que fizera.
- Na verdade… - ele hesitou um pouco. – Estava indo procurar você. Mais uma vez. – completou.
Rin permaneceu calada por mais uns instantes, e Sesshoumaru sorrira da maneira de sempre. Quando ele deixaria de exercer aquela influência sobre ela?
- Vai entrar? – ele perguntou novamente.
- É por isso que estou aqui. – sua voz soou fraca, e ela se empinou mais, como se isso fosse o necessário para melhorar seu timbre. Encolheu-se novamente, ao ouvir a risada abafada dele. – Queria conversar com você.
Sesshoumaru arqueou as sobrancelhas com o tom cuidadoso dela. Sua mão esquerda escorregou pela madeira da porta, e a direita sumiu de onde estava. Reapareceu rapidamente, diminuindo cada vez mais a distância que o separava de Rin. E sem que a mesma percebesse, Sesshoumaru pousou delicadamente seus dedos frios sobre a pele quente da mão dela.
Seus olhos continuavam sobre os dela, e aquela teria sido a maneira mais fácil para ele de saber a reação da garota. Mas ao sentir que ela não fizera absolutamente nada perante seu toque, permitiu-se dar um meio sorriso, apertando a mão macia mais forte entre a sua. Mesmo com a corrente elétrica que Rin sentira naquele momento, algo a prendia ali. E ela não soltou a mão de Sesshoumaru.
- Entre. – ele murmurou, abrindo mais a porta e dando espaço para ela passar.
- Arigatou. – ela agradeceu gentilmente, segurando-se mais à mão fria de que tanto sentira falta.
Antes que pudesse perceber, estava dentro do apartamento dele. Um lugar que fora palco da maioria de seus sonhos, antes mesmo de tê-lo perdido. Rin sorriu timidamente com o pensamento. Não precisava que Sesshoumaru dissesse que a amava. Não que ela não quisesse, mas aquilo não era algo necessário. Porque ali, naquele momento, com ele segurando sua mão como tanto esperava, ela tinha certeza absoluta.
It's not that I want you
Não é que eu não queira
Not to say, but if you only knew
Que você diga, mas se você apenas soubesse
How easy it would be to show me how you feel
Como seria fácil mostrar-me como você se sente
Isso era mais do que necessário. Muitas vezes, palavras não eram nada em comparação a gestos. E aquilo era o suficiente para que ela soubesse que o que sentiram ainda existia. E poderia existir por toda a eternidade, dependendo do rumo que a conversa tomaria.
- Bem… - Rin murmurou ainda de cabeça baixa, mordendo o lábio inferior pensando no que realmente falaria. Treinara aquilo a noite inteira e agora não sabia mais o que fazer.
- Olhe para mim. – ele falou seriamente, levando a mão esquerda, que estava livre, para o queixo dela. Rin preferiria ocultar o fato de estar totalmente rubra, mas a corrente que o outro toque de Sesshoumaru lhe causara fez com que ela levantasse o rosto. – Como podemos conversar se você está olhando para o chão? – ele deu um meio sorriso ao notar as bochechas coradas da outra. Rin continuava a mesma.
- Ah… - ela ainda não sabia o que dizer, e apenas agora pudera notar os cabelos molhados dele. A água escorria pelos longos fios prateados, pingando sem problema algum no piso da sala. Deveria ser por isso que sua mão estava gelada. Ele acabara de sair do banho.
- Porque você sumiu? – ele perguntou, assim que percebeu que Rin não falaria nada.
- Você sabe o motivo. – de repente todas as palavras voltaram para sua garganta, e a raiva, antes escondida, voltou ao seu peito com uma força que ela não sabia explicar. Arrancou sua mão de perto da dele e se afastou dali, ficando perto da enorme janela parecida com a sua. – Não se faça de inocente.
- Se eu soubesse o motivo com certeza não estaria perguntando agora.
Rin virou o rosto para encarar o homem, notando que as roupas que ele usava também estavam molhadas. Sesshoumaru sempre tiver a mania de não se enxugar direito. As mãos dele estavam dentro dos bolsos da calça jeans que usava e ele parecia finalmente ter desistido de tentar alguma aproximação.
- Como se você tivesse se importado com qualquer coisa que eu tivesse feito. – falou emburrada.
- Rin… - Sesshoumaru massageou as têmporas, andando lentamente em direção à garota. – Você tem idéia de como eu passei esses dez dias? Sabe o que eu senti quando você me abandonou sem motivo? – enfatizou as últimas palavras, vendo Rin estreitar os olhos. – Eu procurei por você por todos os lugares. Eu liguei pra você, eu esperei que você me ligasse. Fui até o seu apartamento e até mesmo no de seus amigos. Não pode me dizer que eu não me importo com o que você fez.
- Sem motivo? – ela repetiu num tom sarcástico, ainda encarando ele. – Fui embora sem motivo?! – perguntou com raiva.
- Me diga o que eu fiz. – ele falou friamente, dando o passo que acabara com a distância entre ele. Mesmo assim, nenhum dos dois ousou se tocar.
- Porque você se importa? – Rin levantou as mãos, exasperada. - Apenas deixa isso de lado!
- Eu me importo porque eu ainda te amo. – Sesshoumaru segurou levemente os ombros dela, encarando-a profundamente. - Pensei que fosse algo óbvio.
More than words
Mais que palavras
Is all you have to do to make it real
É tudo o que você tem que fazer para tornar isso real
Then you wouldn't have to say
Daí você não precisaria dizer
That you love me cause I'd already know
Que você me ama porque eu já saberia
- É mesmo? – Rin se surpreendeu ao ver que as palavras que tanto esperara que ele dissesse não lhe afetaram. Não lhe afetaram porque ele não a amaria se realmente houvesse feito aquilo. – E porque estava com ela?
Sesshoumaru arqueou mais uma vez as sobrancelhas, ainda segurando-a perto do peito. Ela? Do que Rin estava falando, afinal? Os olhos cor de chocolate não mentiam para ele, e toda a tristeza que ela sentia o fazia mal. O que Rin poderia ter visto ele fazer? Com quem Rin poderia tê-lo visto? Há dez dias ela sumira. O que teria acontecido exatamente há dez dias?
- Não sei do que está falando. – ele respondeu verdadeiramente, e nem mesmo ela poderia dizer que estava mentindo. Mas ela refrescaria sua memória, então.
- Não se lembra do que aconteceu naquela noite, Sesshoumaru? – Rin indagou debochando, deixando o sorriso de lado e encarando o homem. Ele não poderia ser tão repugnante com ela, poderia?
- Lembro-me apenas que a chamei para uma festa e apenas agora estou a vendo. – ele a soltou, dando um passo para trás.
- E porque será que eu não fui à festa? Ou melhor, porque será que você não me viu? – ela deu um meio sorriso frio. – O que eu poderia ter visto que me magoou, Sesshoumaru? Que partiu meu coração em dois?
Sesshoumaru permaneceu a encará-la, voltando no tempo sem que ela percebesse. O que poderia ter acontecido? O que ele havia feito? Balançou a cabeça, finalmente. Kagura. Ele se sentou rapidamente no sofá ao seu lado, escondendo o rosto com as mãos, cujos braços estavam apoiados em suas pernas. Rin tinha visto sua dança com sua ex-noiva. Isso a magoara, certo? Porque ela não havia ido tirar satisfações com ele, como uma pessoa normal faria? Porque ela preferiu simplesmente fugir?
- Não aconteceu o que você está pensando que aconteceu. – ele relatou, ainda com a face escondida.
- Ah, então você finalmente se lembrou. – ela queria que aquela frase tivesse soado de uma maneira mais arrogante, mas o máximo que pudera fazer fora soá-la com raiva. Raiva e desespero.
- Porque não veio falar comigo? – ele perguntou como se não houvesse sido interrompido, tirando as mãos de frente do rosto e encarando-a raivosamente. – Não acredito que você -- - ele mediu as palavras, controlando a força da voz. – Não acredito que fez todos nós sofrermos apenas por isso.
- Apenas por isso? – ela perguntou incrédula. – Você me traiu e diz que tudo o que fez foi… Só isso?!
- Só isso porque não aconteceu nada. – ele contou friamente. – Se você tivesse falado comigo, essa situação seria totalmente diferente.
- Diferente? – ela balançou a cabeça. - O que é diferente pra você?!
- Você não teria ido embora! – ele se irritou, dando um salto do sofá e segurando-a pelo ombro mais uma vez. – Estaria comigo, e eu não teria passado por nada do que eu passei. Nem você. – ele murmurou tristemente.
- Pelo que você passou, Sesshoumaru. - ela perguntou entre dentes.
Ele precisaria de um pouco mais que palavras para convencê-la de que ele realmente havia sofrido. Não o imaginava de tal maneira. Mas o sorriso que se passou nos lábios dele foi uma alerta. Uma alerta de que talvez ele tivesse mais uma vez vencido. Mesmo quando fora puxada pelo braço por ele, Rin não parara de andar. E mesmo quando entrara vagarosamente no quarto dele, ela não parara de pensar um só instante que queria que ele tivesse vencido. Apenas para terem uma chance novamente.
Sesshoumaru apertou rapidamente o interruptor na parede ao lado, dando passagem para Rin entrar no quarto em que ela já entrara várias vezes antes. Agora, com a luz acesa, ela poderia ver com exatidão a bagunça que estava lá, talvez até tão bagunçado quanto seu próprio quarto. Mas a sujeira no chão fora o que mais chamara sua atenção, porque não era poeira ou sujeira normal. Aquelas eram coisas que ela conhecia bem. O despertador e o vaso que Sesshoumaru mais gostava.
- O que aconteceu aqui? – ela perguntou incrédula, ainda observando os restos dos objetos.
- Não foi a única que sofreu ou sentiu raiva, Rin. – ele pousou um de seus braços sobre os ombros dela, olhando também para os objetos. – Digamos que eu me descontrolei.
- Aquele era o seu vaso preferido. – ela murmurou.
- Comparado a você, ele não era nada.
Rin levantou a cabeça, encarando os olhos dourados de Sesshoumaru. Aquela era uma prova mais que concreta de que ele realmente estava irritado. Ela não poderia ter certeza de que o motivo era ela, mas poderia sonhar, ne? Era isso o que ela queria, afinal. Com aquilo, ela poderia finalmente pensar que o amor que ele sentia por ela era algo real.
What would you do if my heart was torn in two
O que você faria se meu coração se partisse em dois?
More than words to show you feel
Mais que palavras para mostrar o que você sente
That your love for me is real
Que o seu amor por mim é real
- Então… - ela virou a cabeça para o outro lado, saindo do abraço dele e sentando-se na cama mal feita. – O que realmente aconteceu?
Sesshoumaru sorriu tristemente, permanecendo em pé com os braços cruzados, ao invés de ir até ela, como sempre fazia. Foi a vez de Rin arquear as sobrancelhas com isso. Seria um sinal ruim? Queria dizer algo?
- Naquela noite… - ele começou a contar a história, apoiando-se na parede fria, ainda com os braços cruzados e encarando a garota, sentada um pouco encolhida. – Eu chamei você para sairmos para uma festa. – Rin acenou positivamente com a cabeça. – Esperei por você por toda a noite, Rin. E você não apareceu.
- Mas eu fui. – ela retrucou. – Apenas tive que ir embora por razões maiores. – completou a frase sarcasticamente, mostrando o pé até então coberto pelo longo sobretudo que usava.
Sesshoumaru arqueou as sobrancelhas com o enorme machucado que viu, caminhando inconscientemente até ela. Ajoelhou-se vagarosamente em frente à cama, segurando um dos pés com suas mãos. Não entendia o motivo daquele ferimento, e seus olhos denunciavam isso. Ele passou levemente os dedos sobre eles, com medo de poder ferir Rin de alguma maneira. Novamente.
- Estava usando o sapato que você tanto gostava. – ela explicou, estremecendo com o toque dele. – Ele quebrou.
Sesshoumaru levantou os olhos para ela, a expressão de dúvida ainda em sua face. Entortou a boca para um lado, tendo certeza de que ela fizera algo brusco para o delicado sapato de cristal de partir. E tinha certeza também de que ele fora o motivo. Ele deixou que o próprio peso caísse para o lado, e seu joelho não poderia mais segurá-lo. Caiu no chão, e sentado ficou, sem encarar a garota.
- Kagura apareceu naquela festa. – ele observava cada linha do ferimento que lhe causara. – Sabe como ela se comporta perante mim.
- Ah, eu sei. – Rin deu risada sem graça, olhando o seu pé, assim como ele. As feridas já estavam completamente cicatrizadas, mas não sumiriam. Aquela seria uma prova viva da traição de Sesshoumaru.
- Eu não a traí. – ele jurou, roubando o olhar dela novamente. – Kagura perguntou se eu estava sozinho, como ela sempre faz. Eu disse que você estava a caminho e ela insistiu para que fôssemos dançar.
- Você queria mesmo que eu visse aquilo? – ela perguntou sem entender.
- Rin, eu sabia que você se atrasaria. – ele rodou os olhos. - Sempre se atrasa.
- Mas eu não me atrasei naquele dia. – ela comentou. – Estava ansiosa para ver você.
Sesshoumaru deu um longo suspiro, passando as mãos pelos longos fios de sua cabeça. Queria se livrar de Kagura naquele dia. Ela ainda era apaixonada por ele, todos sabiam disso, inclusive Rin. Contara toda a sua história com ela quando começaram a namorar, e Rin sempre soubera que Kagura seria um obstáculo difícil.
- Eu aceitei dançar com ela, apenas querendo que ela fosse embora.
– Está jogando aquele "Eu te amo" que me disse antes fora?
- Nunca faria isso. – ele disse friamente, encarando Rin. – E mesmo que fizesse, você sabe que não faria diferença. Sabe que eu amo você, não sabe? Independente do que eu disser.
- Você estava abraçando ela. – Rin falou com desgosto.
- Porque eu estava me lembrando de você. – ele lançou seu meio sorriso com o comentário. - Estava lembrando de como você dança mal.
- De como eu danço mal? – ela perguntou irritada, deixando a acusação de lado por um momento. – E só por causa disso você a abraçou?
- Eu lembrei do dia em que nos conhecemos, Rin. Lembrei de quando estávamos dançando. E naquele momento, pensei que estivesse dançando com você.
What would you say if I took those words away
O que você diria se eu jogasse aquelas palavras fora?
Then you couldn't make things new
Então você não poderia fazer das coisas novidade
Just by saying I love you
Apenas dizendo "eu te amo"
- Quer me comparar com Kagura? – perguntou ofendida, recebendo uma risada curta em resposta. – O que foi?
- Você é incomparável, Rin.
Sesshoumaru levantou repentinamente a mão que segurava o pé machucado de Rin e levou-a até perto da face dela. A garota se assustou com o ato, encarando-o depois para entender o que ele queria. O leve arquear de sobrancelhas dele foi o suficiente para fazê-la levar a mão até a dele, assim como fizeram momentos antes.
Ele segurou fortemente a delicada mão sobre a sua, olhando os finos dedos de Rin. Sabia que aquela não era uma vantagem para si. Que aquela explicação não era de um todo aceitável, mas o que poderia fazer? Lembrara-se de Rin naquela noite, naquele momento, e isso fora o suficiente para ter errado.
Kagura dançava extremamente bem, e agora ele entendia tudo o que ela fizera. Reconhecia agora o perfume que ela usava. Era o mesmo de Rin. Kagura estava dançando mal como Rin dançava, e murmurando coisas que ele reconhecia. As mesmas coisas que Rin murmurou no dia em que eles se conheceram. Ela queria ser Rin. Ela queria que ele acreditasse que ela era Rin.
Juntando tudo o que sentia e ouvia com os pensamentos que se formavam inconscientemente em sua mente, Sesshoumaru pensou realmente que aquela era Rin. Que aquela que dançava com ele era a sua namorada. Agradecia mentalmente por ter percebido momentos depois que estava sonhando e por ter se afastado grosseiramente de Kagura. Lembrava-se até aquele momento do rosto feio que ela fizera assim que ele dissera que não queria mais dançar.
Ela insistira, mas ele fora embora. Fora embora porque esperava Rin. Sua namorada. Aquelas foram palavras suficientes para que ela gritasse por alguns instantes com ele, e depois fosse embora, assim como ele esperava que ela fizesse. Arrependia-se grotescamente do que fizera e queria descontroladamente o perdão dela. Da sua Rin.
More than words
Mais que palavras
Now that I've tried to
Agora que tentei
Talk to you and make you understand
Falar com você e fazer você entender
Absorto em pensamentos, Sesshoumaru não notou a mão de Rin sobre a sua. Acordou apenas ao sentir dedos quentes e macios em sua face. Era Rin. Ela o observava confortantemente, e isso era mais do que ele poderia pedir, ne? Por mais que desejasse mais, isso era o máximo que ele poderia pedir para ela naquele momento.
Queria que ela o tocasse como sempre fazia. Que o abraçasse como esperara ser abraçado durante todo aquele tempo. Mesmo que tivesse comentado que nada seria mais como era antes, poderia estar errado. As coisas poderiam continuar como eram. Mas infelizmente, isso não era algo que dependia apenas dele. E Sesshoumaru não sabia se Rin queria voltar ao passado e esquecer o que acontecera.
Rin sorriu com a expressão surpresa que ele fizera e fechou os olhos assim que sentiu sua pele. A pele fria de que tanto sentira falta. Havia sido um mal entendido, então? Sesshoumaru ainda era seu, como sempre fora e nada os impediria de continuar a viver, não é mesmo? Rin esticou os braços o máximo que pôde, puxando a cabeça de Sesshoumaru para perto de si e caindo, sem que percebesse.
Lágrimas silenciosas escorreram de seus olhos e assim que os abrira, percebera que estava abraçando-o. Apertou fortemente sua cabeça contra o peito dele, aparentemente, não notando o quão molhada estava deixando a camisa do rapaz. Soluços começaram a ser escutados e Sesshoumaru apertou fortemente a cintura de Rin, pousando sua cabeça no queixo dela.
- Me perdoa. – ele sussurrou no ouvido dela, que estremeceu com tais palavras, apertando ainda mais forte seus braços, presos no pescoço dele.
- A culpa foi minha. – ela murmurou ainda entre soluços, sentindo a cabeça dele se mexer negativamente. – Eu deveria ter enfrentado esta situação de outra forma. Não deveria ter fugido.
- Fui eu quem errou, Rin. – ele pôs um ponto final naquela história, levantando mais uma vez a cabeça dela. – Eu nunca devia ter aceitado dançar com Kagura. Deveria ter deixado de uma forma mais que óbvia que não queria mais nada com ela.
- Mas óbvia ainda? – ela perguntou sorrindo, tendo, finalmente, os lábios frios de que tanto sentira falta sobre os seus.
- Nunca mais vou deixar você ir embora. – Sesshoumaru sussurrou sobre os lábios de Rin, sentindo o salgado cessante das lágrimas dela em sua boca.
Sim, ele estava certo, assim como ela. Nada poderia ter sido feito sem uma iniciativa. Mesmo procurando por uma saída, nada seria possível sem a cooperação de ambos, e eles agradeciam mentalmente sobre isso. Porque Sesshoumaru nunca mais seria Sesshoumaru sem sua Rin. E Rin nunca mais seria Rin sem seu Sesshoumaru.
All you have to do is
Tudo o que você tem que fazer
Close your eyes and just reach out your hands
É fechar seus olhos e só estender suas mãos
And touch me, hold me close
E me tocar, me abraçar apertado
Don't ever let me go
Não me deixar nunca ir embora
- Fim -
Respondendo aos reviews:
Pammy-sama: Que bom que você achou o capítulo passado bom, Pammy-chan.^_^. Ah, e como disse inicialmente, arigatou pela idéia das músicas. Esta foi perfeita para o que eu já queria (tão perfeita que eu terminei a fic mesmo sem ânimo (é que eu tô com preguiça mesmo)). Espero que tenha gostado do último capítulo da fic, e caso não tenha entendido algo, é só me deixar uma mensagem ou um review, OK? Arigatou por tê-la acompanhado até o final. ^_^
Rukia-hime: Nossa, você odiou mesmo o que ele fez, ne? ^_^. Eu também pensaria o mesmo, caso não soubesse o que teria realmente acontecido. Espero que este capítulo tenha terminado com suas dúvidas. Como nós escrevemos as fic's e sabemos exatamente o que vai acontecer, fica meio difícil ter certeza da compreensão de vocês. É por isso que os reviews são tão importantes, afinal. Qualquer dúvida, é só me mandar um e-mail ou outro review mesmo, eu te respondo numa boa. Arigatou por ter acompanhado a fic até o final, e feliz 2009 (sei que tô atrasada, mas fazer o quê?) ^_^.
Yuki-chan: Que bom, leitora nova! ^_^. Seja bem vinda (nossa, tô falando isso no fim da fic, mas não tem problema! Seremos bem-vindas até o final! ^_^). Fiquei feliz em saber que você tá gostando da fic. Espero que o final tenha chegado às suas expectativas, OK? E eu também não concordei com o que a Rin fez, eu pelo menos acho que as coisas devem ser resolvidas por uma boa conversa, ne? ^_^. Arigatou por acompanhar a fic, kissus. ^_^.
Graziela Leon: Espero que tenha entendido. Na verdade, foi um grande mal entendido. A história pode ter ficado meio confusa, mas é que era pra ter sido somente um capítulo (como diz no resuminho básico, é uma songfic). Qualquer dúvida, é só me mandar um e-mail ou um review, tá? ^_^. E tentarei ler suas one's, OK? Kissus e arigatou por ter acompanhado a fic até o fim.
Mais uma vez, agradeço prontamente a todos aqueles que acompanharam esta estranha trilogia até o fim.
Espero realmente que tenham gostado e desculpem pela demora para postar (eu realmente tava morrendo de preguiça e falta de imaginação, o que é ainda pior). Eu chegava a passar vários minutos na frente do PC, olhando pra pequena frase que eu tinha escrito.
É, isso é terrível. -_-''.
Detalhe: Lorena, infelizmente, quando vi seu e-mail o capítulo já estava pronto. Mesmo assim, muito obrigada, gostei bastante das músicas que você me passou. ^_^. Posso até usar uma delas pra fazer outra songfic (mas agora vai ser uma songfic, tá?).
Ah! Alguém já assistiu Crepúsculo? Caso já tenham assistido, procurem Flightless bird, American mouth – do Iron & Wine (é a música do baile). Eu adorei essa música, já que ela sempre me lembra Sesshoumaru & Rin. A letra é bastante esquisita (foi por isso que eu não usei a música nesse capítulo, mas era ela que eu ia usar).
Arigatou a todos, de coração mesmo.
Kissus,
Ja ne.
