Meu Sol
Por Mili Black



O céu pairava completamente tingido num azul escuro, com algumas nuvens acinzentadas mal se destacando ali. A lua brilhava solitária nesse plano sem estrelas, onde o que apenas se encontrava no ar era o frio em demasiado.

Numa de suas facetas, ela, a tal Lua, demonstrava uma exuberância fora do comum.

Tão cheia que seria impossível não notá-la, tão alta que qualquer um, apenas em olhá-la se sentia impotente de tocá-la. Brilhava intensamente, porém seu brilho não transmitia o romantismo do qual era sempre comparada.

Deixava escapar dela, em excesso, luzes amareladas; ou então avermelhadas? Talvez uma mistura melancólica e assustadora das duas.

Tal amarelada exuberância e o vermelho do sofrimento.

Vermelho do sangue?

Sangue esse que se encontrava nas mãos dela. Sangue esse, cujo se perguntava frequentemente se seria doce ou não. Sangue esse, do seu sol.

Por que a Lua brilha tanto assim no escuro?

Porque ela captura a luz do Astro rei, para bilhar puramente em função dos enamorados, em consolação dos atormentados. Ela, simplesmente, não conseguia brilhar por conta própria.

Por que nessa noite, a Lua brilhava tão assustadoramente forte?

Porque hoje ela acabara de descobrir que não iria mais ter como brilhar. Nem as estrelas, suas amigas, poderiam a ajudar. Graças a isso, se foram deixando a lua brilhar por uma última vez, sozinha.

Um brilho obscuro, um brilho...

... Isso poderia se chamar de brilho?

As nuvens acinzentadas começaram a se enegrecer, e então a juntarem-se, denunciando a chuva que iria vir.

A chuva que logo veio, escondendo a Lua, mas mesmo assim, não conseguiu apagar seu último brilho. Brilho seu, triste.

Meu brilho?

Dentro dela, começou a chover, e pelos seus olhos saíram águas salgadas, que se misturaram com as gotas d'água que caíam do céu.

Eu chorei... A Lua chorou...

Seria eu a Lua cheia?

Do inverno, do qual sempre escondeu meu sol...

Me desculpe por não ter te protegido... No final de contas, ainda chove em você...

... E agora, em mim também.

Tal história poderia ser contada como um conto, de como quando a Lua deixou de existir, que seria passada de geração à geração. Poderia ser descrita como uma lenda, de tempos antigos, quando os seres humanos ainda acreditavam no sentimento. Poderia também, ficar escrito no livro do mundo, pelas mãos do Rei, em outro plano astral.

No final de tudo, também poderia ser apenas um pesadelo...

... Ou a invenção de algum lunático querendo fazer poesia.

Porém, uma coisa é verdade.

A partir do dia contado, a os céus de encheram de mais estrelas, e a Lua passou a ter apenas uma faceta.

A Lua Cheia.


Quando eu olhei para a Lua Cheia... Toda amarelada (ou seria avermelhada?) Não consegui evitar... Saiu isso. Foi natural. E não, não foram gazes.

Ja Ne

Mili Black