Monochrome
Disclaimer: Os personagens não são meus, nem a série, é tudo, provavelmente da FOX e de seus afiliados. De minhas, só tenho as idéias.
Agradecimentos: Um obrigado especial aos leitores que dedicaram um pouco de seu tempo para comentar esta fanfic – Andarilho das Fics, Melanie Stryders, Katsuakira e Lis Avelar. =)
Capítulo 2
O salto alto bateu forte contra o piso limpo quando uma senhora muito bem arrumada desceu do elevador no quarto andar do Princeton-Plainsboro Teaching Hospital.
Seus olhos percorreram o corredor em busca daquela face conhecida, que esperava não ter que encontrar tão cedo. Segurava muito bem a bolsa contra o corpo, num gesto que denotava a raiva que estava acumulando há algum tempo. Quando ela recomeçou a andar poucos passos foram necessários. O homem que ela procurava saiu de uma das portas ladeado por uma jovem alta e magra e um rapaz negro e robusto. Os dois acompanhantes falavam ao mesmo tempo, enquanto o homem, mancando, continuava em silêncio. Era óbvio que ele já a tinha visto. Mesmo assim, não reduziu a velocidade em que caminhava e não parecia nem um pouco surpreso ou receoso por vê-la.
Os três continuaram caminhando, e quando alcançaram o final do corredor, apenas Cameron e Foreman dobraram na direção da outra ala. House ficou parado, em frente a senhora que o aguardava.
- Onde está a minha neta?! - a senhora disse, bem mais alto do que gostaria.
Cameron olhou para Foreman, tensa. Puxou o médico pela manga do jaleco levemente e os dois se afastaram alguns metros.
House apoiou-se na bengala e olhou para o teto. Ela realmente quebraria algum osso se a bengala escorregasse com força contra perna direita dela? Ela tinha osteoporose, ele sabia, e isso significava que sim. Mas era muito tentador, entretanto.
- Onde é que ela está, House?!
- Não é da sua conta. – ele respondeu, por fim.
- Como não é da minha conta? Eu vim de Somerville até aqui, e você vai me dizer que não é da minha conta?!
- Porque se importa agora? Você não se importou o bastante com ela para perceber que tinha uma bomba-relógio no lugar de um apêndice.
A senhora pareceu perder um pouco a compostura, e ficou por instantes sentindo o couro da bolsa sob seus dedos. Mas em seguida olhou firme para House.
- Se era apendicite, você podia muito bem tê-la tratado no Hospital de Sommerville.
- Ah sim, agora temos outra médica na família? – House riu sarcasticamente – Então queira me explicar o que um apêndice rompido acarreta, já que aparentemente eu não faço idéia.
Ela não disse nada, mas continuou com o olhar cravado nele. House teve que se desvencilhar da lembrança daquele mesmo olhar, para continuar a falar.
- O conteúdo do apêndice entra em contato com a cavidade abdominal, causando uma peritonite aguda, que se espalha pelo organismo causando toxemia . Toxemia leva ao que mesmo? Morte, talvez?
A senhora respirou fundo diante da declaração. House fez menção de se afastar dela, na direção de Foreman e Cameron que o aguardavam um pouco desconfortáveis pela situação.
- Você trouxe Morgan pra cá porque não suporta a idéia de que perdeu, House. – a senhora continuou, falando mais alto para que ele ouvisse, mesmo longe - Mas você não vai tirá-la de mim, entendeu? Ela é a última coisa que me resta da minha filha!
House se virou, apontando a bengala na direção dela.
- Se você estivesse atenta às necessidades da sua neta, eu não precisaria fazer o que você deveria ter feito!
O tom que ele usou despertou algo dentro dela e ela se precipitou alguns passos, fechando as mãos.
- Não tente ser o pai zeloso que você nunca foi, Gregory House. Você nunca quis essa criança!
House continuou andando, e quando passou pelos dois membros de sua equipe eles demoraram um pouco para perceber que deveriam seguí-lo.
- House... – Cameron chamou, algum tempo depois, tocando o braço dele.
- Nem-uma-palavra-Cameron. – House disse, entre dentes, num tom tão sombrio que ela o soltou rapidamente.
Dez minutos depois e dois andares abaixo uma enfermeira devolveu o documento de identificação e esperou pacientemente que uma senhora muito bem vestida assinasse o formulário de visita à pacientes.
- Qual o quarto em que ela está?
- Número 202. Só seguir esse corredor e virar a esquerda. É a segunda porta.
A senhora assentiu e assinou o formulário numa letra muito fluída: Elizabeth Cuddy.
