Capitulo 10 – o diário

A escuridão era quase que reinante naquele emaranhado de arvores, estas durante o dia já eliminavam quase em sua maioria os raios solares, fazendo com que de noite, a luz da lua nem ao menos pudesse penetrar os grossos ramos de folhas e iluminar o solo. Neste caso, uma pequena fogueira havia sido acesa para dar a equipe de shinobis uma pequena visão do local ao seu redor, as chamas ainda crepitavam de tempos em tempos.

Naruto se encontrava sentado em uma raiz mais alta, um pouco longe da sua fonte de luz, deixando com que apenas seus olhos azuis se sobressaíssem brilhando avermelhados pelas chamas, ele se levantou e caminhou até o fogo, colocou alguns gravetos com a finalidade de não deixar a fogueira extinguir-se e sentou-se bem próximo a esta.

Ele observou ao seu redor, Kakashi parecia dormir a cerca de três metros atrás dele, Temari se encontrava num galho de arvore ao redor, na ponta oposta, Sakura dormia profundamente próxima a Yukiko que realizava o mesmo ato. Parou seu olhar nesta última e ficou a observar que ela não parecia calma, talvez estivesse tendo um pesadelo ou apenas temia que algo acontecesse.

Ponderou se devia ou não acordá-la, chegou a levantar-se, porém sentou-se novamente decidido por não fazê-lo, poderia acordar assustada e o nervosismo poderia piorar seu estado. O grupo caminhara a tarde toda naquela floresta e alguns dos ferimentos mais graves da menina não paravam de sangrar, mesmo com todo o esforço de Sakura, que os fechava um pouco e logo depois de abriam novamente. Por sorte, Yukiko se acalmara um pouco e dormira, com o baixo metabolismo que realizava enquanto dormia, uns torniquetes eram suficientes para impedir que o sangue pudesse escorrer.

Pelo tanto que andaram naquele dia, sabia que não deveria demorar mais de um dia para que chegassem em Konoha e ela pudesse ser adequadamente tratada pela Godaime, Naruto realmente esperava que algo pudesse ser feito em relação a menina.

O loiro percebeu que seus olhos queriam se fechar, pelo sono e cansaço do dia, mas não podia se entregar, a final, ele tinha dito que permaneceria acordado vigiando, caso algo inesperado ocorresse. Resolveu levantar-se novamente, desta vez para andar pelo pequeno "acampamento" na tentativa de espantar seu sono. Quando o fez, um barulho de algo batendo na terra chegou aos seus ouvidos, olhou para ver o que era e chocou-se ao observar que era o diário o qual lhe tinha sido entregue por aquela velha do hotel.

-Ahh, eu tinha esquecido dele com tanta coisa pra fazer! –ele soltou com espanto aquelas palavras ao mesmo tempo em que tomava o livro nas mãos, a curiosidade lhe aguçava, talvez não fosse o melhor momento para ler o conteúdo que ali estava escrito, porém ele nem ao menos tinha pensado nisto como era de sua personalidade impulsiva, no segundo seguinte já tinha aberto o diário e começara a ler as primeiras linhas.


Escrevo na tentativa de tornar inesquecível a minha vida, sei que a partir de hoje tudo vai mudar, que quando chegar aos
meus últimos dias não me recordarei do que me acontece hoje e portanto aqui relato e relatarei todos os acontecimentos valorosos do passado e tudo que me esperará futuramente. Estou aqui a sair deste lugar, onde passei tantos anos treinando, mas já não é momento de contar o hoje, mas o ontem me parece mais adequado.

Eu me olho no espelho, observando meu cabelo loiro e desgrenhado que ainda assim não escondia meus olhos azuis, se algo que eu gostaria de mudar, bem, este algo era aqueles olhos, eram a minha herança inegável. Parei de olhar minha face jovem e observava as paredes da casa, eram lisas, não havia adornos, mas quem se importava...

-Eu estou saindo daqui hoje mesmo, pelo menos foi o que o Kage-sama disse ontem, segundo ele, virá alguém me buscar, e esta pessoa sabe muito sobre a história do meu clã extinto, além de que esta pessoa me treinará em particular para que eu me torne forte. –falei em pensamento e logo voltei aos meus devaneios –Nunca conhecia meus pais ou qualquer outro familiar, ou pelo menos, não que eu me lembre, pois se o fiz, era muito novo e já não me recordo, ninguém tem consciência quando bebê. O kage-sama diz que meus pais morreram quando eu tinha menos de um ano, na verdade ele nem gosta de tocar no assunto, quando pergunto, diz que foi lutando contra um demônio.

Sinceramente, qualquer informação sobre eles aceitaria de boa vontade, tinha apenas nove anos, eu apenas queria apenas conhecer mais sobre meus pais mortos e sobre minhas origens.

O som de alguém batendo na porta me despertou de tais pensamentos, rapidamente corri para abri-la, acabei dando de cara com uma mulher de aproximadamente cinqüenta anos, quem sabe mais, eu podia ver seus cabelos quase todos brancos, com umas poucas mechas loiras acastanhadas. Lembro de ter focado meus olhos nos dela, hipnotizado pela vivacidade daquele azul igual ao meu que coloria aqueles dois orbes.

-Então, você é quem eu procurava, Uzumaki, Fosite. –ela falou pausando por uns segundos, observava a casa, não só isto, procurava por algo –Casa bem espaçosa, mora com alguém ou sozinho? Nenhuma irmã? –fez uma pergunta atrás da outra, sem esperar que eu respondesse. Eu apenas assinto com a cabeça sobre a primeira pergunta.

-Moro sozinho e não possua nenhum familiar. –murmuro um pouco irritado e triste por novamente me vir à mente que não possuo ninguém em que confiar, logo percebo que ela ficara um pouco alegre de saber que eu não possuía irmã, mas logo tal impressão passou, ela se senta numa poltrona velha, possuía uns rasgos de arranhão nas costas e no "braço".

-Tenho muitas coisas a contar-lhe, mas só poderei fazê-lo caso me prometa algo.

Com sua proposta eu realmente pensei sobre o que deveria fazer, afinal não sabia o que me seria pedido e duvidava que seria algo bom, ainda assim, minha curiosidade pela descoberta do meu passado era gigantesca e explodia em pequenas porções dentro do meu ser. Definitivamente, naquela hora, era a única coisa que eu não conseguia ignorar.

-Eu prometo. –vi que a mulher sorriu novamente, seu sorriso era gentil e amansou minha sede de sabedoria, ela se levantou e observou mais uma vez a casa.

-Temos muita coisa a fazer daqui a diante, então não nos demoraremos nos primeiros passos. Saiba que nunca mais voltará aqui, nesta cidade, a não ser pelo dia que terminar seu treinamento e resolver a venda da casa. –Surpreendi-me com a notícia, mas a mim não fazia real diferença, aquelas pessoas juntamente à vila não me cativaram e indiferente seria a minha vontade de voltar àquele local onde passei meus primeiros dias. –Não posso lhe dizer para onde vamos, mas você com certeza gostará, no caminho poderei contar sobre a história do nosso clã. Ande, menino, pegue logo suas coisas. –ela parecia prever a maioria de minhas perguntas, como a de saber para onde íamos, ela não parecia ser alguém que eu deveria temer, então me apressei pegando apenas algumas coisas essenciais.

-Vamos... –pausei, queria dizer seu nome, mas percebi que não o sabia, novamente ela previu e se apresentou.

-Uzumaki, Helgardh. Mas se quiser pode me chamar apenas de Hel. –novamente aquele sorriso dela me foi dirigido, não suportei e sorri também em resposta.

-Hel é mais fácil.

-Sim, muito mais. Seu pai sempre me chamou assim, nunca me chamou de mãe, mas ele tinha seus motivos.

Bom... este dia foi realmente confuso, eu não possuía idéia do que me aguardava nos próximos dias ou meses, mas acredito que nada superará o dia de amanhã, estarei indo a Konoha, mas isto é assunto futuro.


Naruto pausou a leitura ao ouvir um pequeno ruído, olhou ao seu redor, era apenas Yukiko que rolara o braço por cima de um graveto, fazendo-o estalar com seu peso, mas ela parecia continuar dormindo ainda, na verdade, ele nem ao menos se deu o trabalho de se certificar. A Albina se encontrava deitada de lado bem próxima à fogueira e por cima de algumas folhas, seus orbes púrpuras fitavam o shinobi, porém a dona destes, não fazia questão de chamar atenção e se contentava em observá-lo calada.

Não acredito que descrever todos os dias do meu treinamento servirão de algo, porém, um em especial marcou-me infinitamente, era aquele que sozinho, tornou-me o que hoje sou.

Apoiei uma de minhas mãos na única arvore daquele descampado terreno, o suor pingava, meu coração batia rapidamente e eu estava completamente ofegante, sabia que se não me apoiasse em lugar algum que fosse cairia sem forças, eu observava Hel, incrível como ela não parecia ter feito quase esforço, se eu não soubesse do quanto havíamos treinado, pensaria que ela tinha acabado de acordar de uma longa noite reparadora.

-VOCÊ É LENTO DEMAIS! – ela esbravejou assustando-me, logo em seguida deixei me escorregar e encontrar o solo calmamente, fiquei sentado olhando-a cobrar maior dedicação.

-Eu poderia fazer qualquer coisa caso meu estomago não estivesse clamando desesperado por comida! –eu falei acreditando que tinha soado bastante bravo e autoritário, errado, minhas palavras saíram num fio de voz quase inaudível quase como se tivesse medo de pronunciá-las.

-Eu disse que você só comeria aquilo que pudesse caçar. A pergunta é: O que você pegou?

-É que... –eu não sabia o que dizer, falei receoso e isto foi percebido facilmente, contanto que Hel logo me impediu de continuar.

-Você é fraco, muito fraco! Se continuar com esse ritmo de evolução nos treinamentos, nunca conseguirá ser o portador de nossas técnicas e fracassará. Você tem noção da quantidade de pessoas que morrerão caso você não consiga ser forte o suficiente? – aquelas palavras pesaram uma enormidade na minha consciência. Eu sabia que meus esforços eram necessários, mesmo assim não sabia pelo que me esforçar, eu tinha essa duvida e só poderia ser sanada caso uma bela explicação me fosse dada.

-Eu poderia me esforçar mais, só que eu não sei pelo que batalharei. – expus meus pensamentos, desta vez fui firme, indicando que era necessário. A resposta se estampou na face dela, estava em duvida se me diria e o que diria.

-Você sabe que se eu lhe contar, e no fim de quatro anos você não obtiver os resultados esperados, terei que matá-lo, não sabe? –Nem mesmo a perspectiva de vida de quatro anos me desanimou, acredito que tenha sido apenas o fato de eu achar que a morte era algo tão longínquo que nunca me afetaria. Erro inocente e comum, mas eu era uma criança ainda.

-Não é pouco tempo, em quatro anos serei melhor do que o esperado. –sorri ao dizê-lo, esperançoso, esperava que meu sentimento fosse contagioso e ela amolecesse aceitando contar-me o que desejava.

Agora, não posso dizer muito mais coisas, afinal, a conversa que tivemos naquele dia era secreta, este diário pode cair nas mãos de quem não deve, e seria não só desagradável como também perigoso colocar em exposição tantas informações valiosas.

Porém sobre o que mudou daquele dia para hoje, já posso escrever. Tornei-me obcecado pelos meus treinamentos e pelas novas técnicas que me eram ensinadas. Muitas vezes só dava uma pausa no que fazia quando as forças já tinham se exaurido.

Após quatro anos de treinamento intensivo, eu finalmente cheguei ao momento atual, aos meus doze anos, acabo de chegar no meu dormitório, não deve passar das nove da noite, perdi a noção do tempo com o ocorrido de alguns minutos. Tomei minha katana nas mãos e a desembainhei, o cheiro fétido de sangue ainda estava presente em sua lâmina, com um pedaço da manga do meu casaco, comecei a esfregar sua lâmina tentando tirar aquele odor. Esfreguei tanto que o pedaço de pano se rasgou, e minha mão agora era rasgada pela afiada lâmina prateada.

Com a raiva tomando conta de mim, finquei a katana no chão de madeira e apoiei as mãos no cabo, encostei minha cabeça ali e não pude evitar que as lágrimas escorressem dos meus olhos. Naquele momento eu me sentia tão débil, tão impotente, eu havia matado. Aquilo não era para mim, eu devia salvar vidas e não tirá-las. E eu tinha salvo algumas vidas, mas seria isso realmente verdade, aqueles outros Uzumakis que viviam naquele vilarejo, porém...

Eu sempre os via chegando, eram tão novos como quando eu cheguei aqui. Alguns estavam felizes com seu destino, outros nem tanto, estes eram a maioria, apenas aceitavam seu destino sem escolha. Eu sei o que eles sentiam, temer a idéia de uma morte prematura, uma morte que sabemos exatamente como é, nascemos com esse fardo. Tememos pelo dia que Hel nos predisse. Sei que a minha morte se comparada a de milhões nada vale e se eu tivesse de escolher, por maior que seja a minha vontade de salvá-las, eu nunca teria escolhido esta vida. Acredito que muitos aqui pensam da mesma forma... esse sacrifício vale a pena? Saber que provavelmente não passaremos dos vinte e cinco anos por algo que nem ao menos escolhemos fazer.

Alguém realmente se importa? Nós temos duas opções: "resignar-se ou indignar-se, e eu não vou me resignar nunca!". Eu não suporto vê-los desta forma, com este sofrimento. Não pensam no futuro? Em seus filhos? Eles passarão pelo mesmo. Isto é um ciclo infinito e cruel. Eu não posso deixar que eles se matem desta forma, que eles matem suas gerações assim, que morram todos a viver desta maneira.

Levantei-me, as lágrimas ainda desciam pelo meu rosto, segurei firme a katana e sai do quarto, tomei a direção de um lugar que eu costumava ir muitas vezes nos meus primeiros meses ali. Na minha mente a confusão ainda se gerava.

Eu teria fugido dali se não fosse a chegada dos novatos, eles não querem tal vida. Apenas eu pensava daquela forma? Era com certeza a decisão mais dolorosa da minha vida. Modificaria as técnicas do clã até que não nos matassem. Abri a porta do templo, dando de cara com cerca de dez shinobis do clã, eles possuíam cerca de seus vinte anos ou mais. Eu nunca poderia me perdoar pelo que eu faria naquele momento, olhei cada um em seus olhos, os meus estavam vermelhos como o sangue. Minha mãe estava ali, ela se pronunciou para falar comigo, eu não a deixei fazê-lo, pois avancei contra os outros com minha katana nas mãos. Não precisei de muito esforço, cada golpe que eu desferia tocava os meus familiares com fatalidade, alguns segundos depois todos eles estavam no chão. Mortos.

-Hel... –eu a chamei, estava parada apenas observando, não teve nem a oportunidade de me impedir. Recomecei a chorar e soluçava de tanto que o fazia, larguei a arma no chão, o barulho de metal se chocando com a pedra foi ouvido enquanto eu não conseguia dizer nada. Por alguns minutos eu continuei assim e ela me olhava espantada. –Eu precisava fazer isso... Não agüentava mais. O futuro deles será apenas da escolha deles próprios, vou fazer com que isto se torne realidade, mas eles precisavam morrer para não interferir na vida dessas crianças.

Agora estou de volta ao meu quarto, terminando de escrever estas palavras, em seguida, arrumarei minhas coisas e irei embora daqui. Hel disse que é melhor que eu vá para Konoha, uma vila do país do fogo, há alguns anos que ela é bastante pacífica e parece que continuará assim por muitos anos, então terei a tranqüilidade de estudar essa técnica secreta do clã e torná-la melhor aos que a utilizam e aos que são afetados. Não sei quando voltarei a escrever, mas não garanto que cedo.


Naruto terminou de ler aquelas páginas e expressava uma face de surpresa e um pouco de temor, seus pensamentos passavam pelo ex-companheiro de time, Sasuke, que tivera seu clã exterminado pelo irmão mais velho. Com seu estado de choque, pousou o livro no chão e ficou a olhar perdido o nada, apenas voltando à normalidade pelo som de uma voz doce.

-Naruto-kun. –era Yukiko que deitada ficara observando o genin em sua leitura atenciosa, ela tentou se levantar, mas foi impedida pelo loiro, agora ao seu lado, que a segurava impedindo de se erguer.

-Não se esforce, está fraca e Sakura não pode te ajudar até amanhã quando recuperar suas forças. –Ele pronunciou baixo, mas aquilo fizera o efeito desejado, Yukiko relaxou e continuou deitada apenas olhando para cima, fitando a escuridão que as folhas produziam.

-Você parece tão espantado, triste, eu diria que desapontado. Sei que não é de sua naturalidade, então não aparente tal coisa, você é a centelha que ilumina essa equipe. É aquele que consegue rir diante da morte e não desanima nunca, se você se entristece, cada um deles morre por dentro, apenas você os faz seguir em frente com sua força de vontade. Se você se entristece é porque já não há esperança alguma de vitória. Tenho certeza que aquelas palavras ali escritas ainda te farão alegre. Não sei o conteúdo, mas acredito que tudo acontece por um motivo, termine de ler antes de tomar qualquer medida ou opinião sobre o assunto. Não falta muito para amanhecer, então se apresse. –ela sorriu e fechou os olhos virou para o outro lado, deixando Naruto ainda mais chocado, não obstante, ele voltou ao local onde deixara o diário e voltou a ler suas linhas.


Estou em Konoha, realmente a vila é pacífica, não difere muito de outras vilas ocultas, com poderio militar, porém sua força é incrível, talvez seja por esse motivo que seja pacífica, poucos teriam a vontade de tentar atacar tal local. Cheguei há umas três semanas e já me graduei como Genin aqui. Cheguei aqui com alguns ferimentos provocados por mim mesmo, no intuito de fazer acreditarem que eu era um menino fraco e ferido por algum bando de malfeitores. Entrei na academia de shinobis após ser curado por uma ninja-médica e hoje encontrei com meu time. É engraçado fingir ser um idiota e sem talento algum. Nosso sensei é uma cara bem interessante, ele emana uma força incrível, mas nos transmite ser um completo babaca, está sempre procurando encrenca e é um tarado nato. Agora há pouco o vi com a ninja-médica que me curou há alguns dias e um homem incrivelmente estranho, não me agrada encontrá-lo. Inspira em mim um sentimento de inferioridade e também esbanja pretensão.

Quanto aos meus companheiros, Halag, uma menina bem arrogante, ela diz ser a melhor do nosso time, ela é até bonita, mas eu não devo prestar atenção nisto por enquanto, e um outro menino, Adônis, calmo de mais, não é fraco, mas sua força não é grande também. Acredito que a minha estadia aqui vai ser interessante e promissora.


Parece que já se passou mais de um ano desde a ultima vez que escrevi algo, mas nada de muito interessante parece ter acontecido desde então. Tirando que há alguns dias fomos convocados para o Chunin shiken, todas as vezes que ele ocorre aqui em Konoha, temos essa tarefa de sobrevivência na Floresta da Morte. O que mais me incomodou foi a fato de haver muitos Genins com vontade de matar aqui. Adônis e Halag estão dormindo agora, esforçaram-se demais e caíram combatendo um desses assassinos. Infelizmente tive que agir. Espero que nenhum dos dois tenham me visto lutando, não só eles como qualquer outro, seria complicado explicar de onde veio esta força repentina.

Novamente eu peguei numa espada, minha habilidade no manejo desta não se modificou em nada, a facilidade no deslocamento era como se eu nunca tivesse deixado de praticar, era incrível a sensação que eu senti naquele momento e novamente eu ataquei o time inimigo em golpes certeiros, mas não me orgulho disto, preferia não ter que matar outra vez, porém, para proteger estes dois, qualquer coisa.


Naruto leu um pouco mais e parou, as páginas apenas descreviam o Chunin shiken e mais algumas outras missões calmas que o time tinha feito. Resolveu pular algumas folhas até ver como seria a vida de seu pai durante o período que se tornara Hokage, para sua surpresa, tinha parado para ler uma passagem bastante interessante.


Acabando de chegar de uma missão vou direto para casa, tudo estava extremamente desarrumado, sorri achando interessante a situação, era apenas eu ficar fora por alguns dias que Horie e Kushina faziam daquela casa um lixo, e quando alguns dias se estendiam por cerca de duas semanas em Wakõ, o inferno era pouco para descrever aquele lugar.

-Tadaima! –pronunciei alto anunciando minha volta depois de quatro dias, não ouvi resposta alguma, não ouvi barulho nenhum indicando que as duas iriam me recepcionar. Poucas vezes o desespero se fazia presente em mim, mas naquele momento era impossível tentar controlar minhas emoções. Como da outra vez, Kushina estava tendo uma gravidez bastante perigosa, e infelizmente havia um risco da morte dos dois, eu apenas me virei para sair de casa quando ouvi o barulho de batidas incessantes na porta.

-Fosite! –era a voz de Halag gritando pelo lado de fora, esmurrava a porta com urgência. –Baka, esteja em casa, por favor. –ela tinha a voz bastante nasalada e agora era como um fio de tristeza. Abri a porta urgentemente, Halag tinha os olhos inchados e avermelhados. –O hospi –nem mesmo ela terminou de dizer e eu já corria na direção do local que ela tentara me indicar. Algo ruim havia acontecido com Kushina para que minha companheira estivesse daquela forma, uma era a sombra da outra, quase sempre juntas desde que se conheceram. Além disto, era a única que poderia deixar Halag daquele jeito, nunca alguém conseguira fazê-la derramar uma única lágrima e naquele momento ela se debulhava nas tais.

Rapidamente cheguei ao local, tentei me acalmar, entrei dando passos largos e pesados no salão de recepção, algo me tranqüilizou, era o simples fato de ver Horie deitada e dormindo por cima de algumas almofadas colocadas desmazeladamente no sofá branco, um enfermeiro a olhava de perto, sentado ao seu lado, tomava conta de que ela não fosse sair andando pelo hospital como é da naturalidade de uma criança de dois anos. Todavia, não pude ficar totalmente calmo, ainda me fugia da vista a face de Kushina. Perguntei por ela ao homem que cuidava da pequena, em resposta, ele apenas se levantou e pediu-me que esperasse alguns minutos que alguém viria falar comigo.

Larguei-me sentando no local onde ele estava, com a força exercida, Horie acordou, abriu seus pequenos olhos e me observou, passei meus dedos pelos fios de cabelo em sua nuca. Alguma coisa me dizia que algo ruim acontecera e a demora pela informação acentuava mais ainda esse sentimento. Percebi que alguém colocava a mão em meu ombro, levantei minha cabeça para olhar quem o fazia, reconheci-a por sendo Tsunade, ela me fitava seriamente.

-Yondaime-sama. –ela me chamou. Eu que sempre teimava quando ela me tratava desta forma, desta vez nem ao menos me pronunciei a repreendê-la, como me tratar de maneira tão formal quando há pouco mais de um ano ela me chamava por apenas Fosite-kun. –Venha. –ela tomou Horie nas mãos e saiu por uma porta, entramos em um quarto. –Em alguns minutos poderá ver seu filho, estão dando um banho nele.

Senti que um peso gigantesco me era tirado das costas, sorri explodindo de felicidade, senti a garganta dando um nó e a face esquentando, eram lágrimas de alegria que começavam a brotar de mim.

-Mas Kushina não suportou. –aquelas palavras derrubaram-me como se chumbo fosse derramado em cima de mim, já não sabia se minhas lágrimas eram de alegria ou de tristeza que se misturavam perfeitamente, sentia me triste pela morte de minha esposa, ela era como minha alma gêmea, não obstante, a felicidade me invadia pelo nascimento de meu filho.

Só lembro de ter acordado no dia seguinte em minha casa, Horie dormia encaixada por cima de minha cabeça, em cima dos travesseiros, sabia que teria que buscar Naruto no hospital. Na verdade eu não gostava muito do nome, eu teria o chamaria de Azhar, significava brilho, o luminoso, mas Kushina tinha gostado muito de Naruto, e por respeito seria este o nome dele.

Lembrei-me que precisava levar a pequenina que dormia para Wakô, como havia sido o acordo, teria que fazê-lo naquele mesmo dia. Levantei-me, balancei um pouco Horie, chamei-a.

Ela abriu seus olhos e resmungou bastante, chorou um pouco por ter sido acordada quando queria continuar dormindo, eu fiquei observando-a traço por traço. Seus olhos azuis vivíssimos, seu cabelo curto e bagunçado, peguei um pequeno vaso, nele estavam desenhados alguns selos.

Posicionei minha mão na barriga da pequena e a outra eu apertei o vaso de cerâmica, ele se quebrou, um chakra excepcional saia do objeto quebrado, não vacilei.

-Shiki Fuuijin, aneppoa esoem tetvuh snavee évev napaceale haeq! – Horie gritou como se a morte lhe estivesse próxima, tive que me segurar para não soltá-la, o chakra entrava em meus dedos e perfurava a barriga dela, a dor que eu sentia era gigantesca, mas eu não podia parar. Houve momentos em que pensei que Horie não suportaria e desmaiaria, mas ela continuava gritando e chorando, era insuportável vê-la daquela forma.

Após alguns segundos intermináveis nós permanecemos daquela forma, em seguida, o chakra parou de correr entre nós e Horie apenas desmaiou. Eu parei e puxei-a mais para perto de mim.

-Um dia, por favor, desculpe-me por isto e por te entregar a Wakõ, mas aqui você não poderá ficar, Hel não pode te achar, não enquanto você não puder pensar por si própria. Em Wakô, você cultivará um ódio gigantesco a esta vila e principalmente a mim, um dia você vai encontrar Naruto e vai odiá-lo também. Lá, você terá muitos inimigos pelo que há dentro de você, mas não se preocupe, como sua mãe, você vai atrair uns dois amigos verdadeiros, nunca te abandonarão, mesmo que você os abandone forçadamente. Naquele lugar, você se tornará uma grande Kunoichi, devido ao seu próprio poder e ao deste seu amigo interior. A partir de hoje, seu nome mudará, e você atenderá pelo nome que vêm de Helgardh, para que ela saiba ao te ver que você, minha pequena, é Uzumaki de criação e não de sangue como muitos acham e irão acreditar. Seu nome é Yame, vem de Horie e Nehellania de minha mãe. Yame. Nehellania, Yame. Não sei se o fato de te deixar lá vai lhe provocar mais ódio ou por selar dentro de você este Bijuu, pois espero que compreenda que apenas o fiz pois sem ele não sobreviveria fora de Konoha.


Notas:

Bem, descobrimos um pouco sobre o passado de Fosite, e também vimos um pouco do passado da Yame, que ainda tem muita coisa para ser descoberto em outras páginas do diário, mas estás serão apenas mostradas no futuro.

Sabemos também sobre a técnica de selamento modificada, que pode parecer meio sem sentido, mas vai ser explicada futuramente, como cheguei à conclusão de como seriam.

Por favor, deixem reviews.

Próximo capítulo: Não me Olhe. Vermelho e branco.
Quando a ira é mais forte que o pensamento racional, nossos demonios podem se tomar nossa conciencia e utilizar-se de nosso corpo.