Capítulo 11 – Não me olhe. Vermelho e Branco (Parte I)

Olhou para cima observando os gigantescos portões, feitos com toras de madeira clara.

A figura que se postava observando podia ser chamada de peculiar, um jovem alto, seus olhos eram finos e continham orbes de cor amarelada, contrastavam com o cabelo negro azulado e liso, numa altura pouco abaixo do queixo, se encontravam constantemente desgrenhados e jogados de qualquer forma por cima de sua face. O nariz fino e pequeno harmonizava com a boca pequena e os lábios quase inexistentes, traços incrivelmente suaves e simétricos para sua idade, dezessete.

Fitava toda a região ao seu redor observando cada detalhe, sentia-se extremamente desconfortável ali, mas sabia que a situação fazia com que sua presença fosse o mais adequado, precisava ajudar aquela que muitas vezes o socorrera. Naquele momento, sabia que Yame fraquejaria caso ele não estivesse por perto, sabia de suas qualidades e seus defeitos como nem ela mesmo imaginava.

Em Konoha, Yame enfrentaria seu passado e fraquejaria, e ainda que seu ódio por aquela vila fosse extraordinário, ele deveria viver ali, por ela, e isto era suficiente.


Alguns finos feixes luminosos acertavam a face descoberta de Sakura, a qual abriu seus olhos verdes, parecia não ser tarde, ela observou com tranqüilidade a copa das arvores se juntando a cima dela e de seus companheiros. Ergueu a parte superior de seu corpo, permanecendo sentada no chão da floresta, percebeu Naruto encostado numa arvore próxima a eles, ele mirava o infinito a frente como se algo realmente interessante se localizasse na direção de sua visão.

-Naruto! –ela o chamou, tirando-o do transe. –É assim que você faz a vigília? –ela repreendeu-o já se irritando logo pela manhã, logo passou sua atenção para a menina que se encontrava dormindo ao seu lado.

-Ela acordou durante a noite, não estava muito bem. Acho que é melhor você ver como está. –Naruto disse ao perceber que era o que a companheira faria. – só falta que ela acorde e partiremos, seja rápida. –só então Sakura percebeu que todos já haviam saído dali, provavelmente comer algo ou qualquer outra coisa que necessitassem fazer, mas não havia ninguém dormindo. Deixando de pensar neste fato, ela voltou sua atenção a Yukiko, ela dormia calmamente apesar de estar sofrendo com tudo. Sorriu meio de lado pela aflição que o estado dela lhe causava.

-Yukiko-san. –ela a chamou tocando seu ombro, respondeu abrindo os olhos lentamente. Levou a mão a estes e esfregou como se tirasse algo deles. –Temos que ir. Precisamos chegar logo em Konoha. –Yukiko sorriu e se levantou rapidamente.

-Estou bem, mas precisamos achar os outros, alguém entrou na área do meu genjutsu há algum tempo, mas só me dei conta agora que acordei. Não tenho como descobrir que é. –Neste momento ela se afastou de Sakura com um salto para trás e sacou uma kunai, segurando-a firme como em defesa.

-Yukiko! –Naruto a chamou, a menina expressou uma determinada surpresa e ocorreu até ele segurando em seu braço, como se pedisse aquilo fosse lhe proteger de qualquer coisa. –EEHHH - ele se expressou por meio de um grito surpreso e em seguida calou-se sem compreender tal ato dela.

-Gomen [1, Sakura-san. Mas não sei se é você ou se é um inimigo disfarçado. Porém, Naruto-kun tem uma aura estranha e diferente emanando dele e querendo se libertar que é inconfundível. –Aquilo tinha sido suficiente para deixar o loiro em alerta sobre os acontecimentos incomuns de há pouco tempo atrás. –De primeira, assustei-me com ele, acreditei que viesse a me atacar, mas é impossível olhar para ele e achar que ele faria tal coisa sem um motivo.

-Não é ela, estava dormindo o tempo todo e eu não tirei os olhos de vocês duas. –Naruto se pronunciou. –Não é com ela que devemos nos preocupar... –ele segurou o braço de Yukiko dando a entender que ele oferecia a proteção necessária a ela.

Sakura permaneceu parada observando ao seu redor, afinal, era realmente possível que eles fossem atacados, principalmente quando sozinhos sem os outros integrantes da equipe, e desconfiar de qualquer um era a única alternativa correta para que chegassem a Konoha sem alguma surpresa. Apenas alguns poucos minutos se passaram e Yame, Kakashi e Temari foram aparecendo, cada um ao seu momento. Foi explicada a situação a eles assim que todos se reuniram, porém, não livre de discussão.

-Ora... Todos sabem que nosso principal oponente é algum membro da Akatsuki, e que eles andam em duplas, um supera a falha do outro. Yukiko exigindo que Naruto fique sempre ao seu lado apenas mostra que eles são um dos principais suspeitos. –Era Yame falando um pouco alterada por desconfiarem dela como sendo o inimigo. Não houve resposta, parecia que todos concordavam, mesmo que cada um possuía seu ponto de vista e opinião sobre quem seria o intruso.

-Continuaremos então. –Kakashi determinou sem se mover, algo parecia passar por sua mente, o qual ele não pronunciou. –Também tinha percebido alguém nas proximidades, não parece estar muito longe, se quiserem ficar e esperá-los atacar, fiquem, mas precisamos ir, Yukiko precisa de tratamento. –ele finalizou, mas ainda continuava pensando sobre o assunto, tais pensamentos foram expostos pela integrante mais calada do grupo de uma forma mais agressiva.

-Desconfiança é um ótimo sentimento em qualquer missão, deixem de idiotice, e hajam como shinobis. A qualquer momento seu companheiro pode ser um inimigo, vocês devem compreender bem, não devem confiar inteiramente no shinobi que se coloca ao seu lado como companheiro. Esta situação apenas ilustra que vocês devem começar a pensar desta forma ou nas missões mais perigosas, fracassarão. –Era Temari falando, pronunciava tudo de maneira indiferente, mesmo assim suas palavras eram agressivas e na mente de cada um ali, produzia um diferente tipo de pensamento sobre companheiros de equipe.

Sem qualquer palavra ou som pronunciado, eles começariam a percorrer o caminho de volta à Konoha, isto caso, a frente deles, não se postassem três pessoas. Todos eram jovens de pouco mais que a idade média do grupo, aproximadamente uns dezenove anos, entre eles, o que parecia mais velho se encontrava na frente e deu um sorriso apático. No segundo seguinte, todos eles foram separados como mágica.
Sakura viu-se numa clareira gigantesca, a luminosidade repentina incomodava seus olhos esverdeados, fechou-os levemente, forçando a visão e avistou Temari e Kakashi, eles estavam parados em posição de defesa, buscando por algum ataque ou movimento repentino, ela os imitou e sacou uma kunai, pôs-se a observar ao seu redor, caminhava devagar e ia se aproximando dos dois companheiros.

-Parece que não somos importantes no momento. –Temari falava de forma audível aos dois que também compartilhavam da mesma idéia. Naruto, Yame e Yukiko eram os alvos, e eles provavelmente foram separados para que não houvesse interrupção de nenhuma das partes insignificantes.

Kakashi logo realizou os selos necessário para o jutsu que os ajudaria a achar os desaparecidos companheiros, Kyuchiose no jutsu era ele e três cães pequenos apareceram ali, ordenado que fossem em busca de cada um separadamente.

-Basta esperarmos que eles sejam encontrados e tentar ajudá-los...
Yukiko matinha os olhos fechados, agarrava um pedaço do corpo de alguém, sabia que aquele era Naruto, aquele era o braço do mais confiável para ela, sentia-se apavorada com aquelas pessoas presentes, não estavam sozinhos, sentia a presença de dois ninjas, sabia que estavam parados, mas eles não se movimentavam. Ela apertou o braço de Naruto, como que pedindo por proteção, mas ele parecia indiferente às suas súplicas, resolveu-se por abrir os olhos para ver o que ocorria.

Naruto tinha a cabeça levantada, parecia observar algo que estava pairando sobre ambos, algo chamativo, os olhos do garoto estavam vermelhos e suas pupilas estavam finas como os de uma raposa, mas ele estava calmo, respirava lentamente, estava pensando no que fazer naquele momento.

-Yukiko, afaste-se um pouco e fique protegida, posso cuidar de ambos. –a albina não soltou o braço do garoto, pelo contrário, apenas o apertou ainda mais, ele puxou com força o braço numa atitude ríspida mas necessária e saiu de perto dela.

Ela parecia assustada, caiu por sobre suas pernas que fraquejavam, estava fraca demais para fazer qualquer coisa sem ser manter-se acordada, só se mantinha de pé por estar se apoiando em alguém. Sentia que nada poderia fazer e a impotência a atingiu por completo, Yukiko sentiu que seus olhos despejavam lágrimas quentes e grossas, pedia internamente que parasse, mas o desespero que a tomava era grande demais para que ela tentasse fazer algo contra o seu corpo.

Ela apenas podia observar com aqueles olhos marejados, sua visão era opaca pelas lágrimas e mesmo que ela as limpasse do rosto nada adiantava. Observava aquele que a protegia correr para a morte e ela nada podia fazer.

Naruto localizou os dois oponentes, estes pareciam ter percebido, até mesmo porque fizeram também seus movimentos. Sem nem ao menos parar para pensar, ele juntou as mãos e com ágeis movimentos realizou alguns ins para seu jutsu mais utilizado. Cerca de vinte clones apareceram ao seu redor.

Ele ordenou que estes corressem na direção do inimigo, e num rápido golpe todos foram imediatamente destruídos por uma chuva de agulhas que vinha na direção deles. Como era de se esperar, ele queria abrir uma brecha na defesa do adversário e atacava junto com seus clones, mas o ataque fora feito com tamanha velocidade que não houve capacidade de reação, Naruto nem ao menos vira aquelas finas armas vindo em sua direção.

Sentindo-as perfurar sua carne ele foi impulsionado para trás pela força com que exerciam sobre ele e caiu no chão agachado.

-Idiota! –bravejou como um rugido que vinha de dentro de sua garganta, uma voz mais forte que a sua natural. Naruto passou a mão na parte das agulhas que ainda permaneciam expostas e puxou-as sem nem ao menos refletir dor em sua expressão. Yukiko sabia que aquilo era um mau sinal, percebia com sua mente e perspicácia que aquele garoto começaria a deixar de ser o Naruto que havia conhecido no dia anterior.

Os oponentes pareciam não querer se mostrar, pois permaneciam escondidos, não até aquele momento, quando um deles se aproximou, saindo de dentro das arvores. Foi perceptível que aquele que se mostrava, era o jovem que havia sorrido apaticamente antes de todos serem separados.

Naruto parecia determinado a atacar o homem, tornou a juntar suas mãos na tentativa de realizar novamente o mesmo jutsu, e a cena se repetiu, diversas agulhas atravessaram seus clones, fazendo-os explodirem e uma fumaça soltar deles. O homem que o atacava, desapareceu e antes que fosse percebido estava atrás do loiro desferindo um chute em suas costas, o que o fez ser impulsionado contra uma arvore a cerca de cinco metros do ponto inicial do ataque.

-Garoto fraco para o fardo que carrega. Imaginava ser mais difícil derrotar aquele guarda o mais poderoso dos demônios. –o homem falou, via Naruto caído no chão e tentando se levantar, aquilo não havia sido muito para ele. –Deixe que eu me apresente... Sou Ogata...

-Ei, não esqueça de mim! –Yukiko estava de pé, apoiava-se numa arvore velha com seu corpo frágil, ela juntava as mãos a frente do corpo e pronunciava com fraqueza o nome do jutsu. –Katon, goukakyuu no jutsu!

Uma bola de aproximadamente um metro de raio se formou a partir da boca da menina na direção de Ogata que com facilidade se esquivou e reapareceu atrás da kunoichi e a segurou pelo pescoço, ele aproximou sua face da dela e com um sorriso cínico a jogou longe como se jogasse uma bola comum.

-Fique quieta, garota, agora não é o seu momento... Ora... Onde estará seu amiguinho? Droga, achei...

As palavras de Ogata eram ditas com tamanho desprezo que se tornavam irritantes, seu tom demonstrava o quanto subestimava aqueles dois. Ele tornou a aparecer pelas costas de Naruto, não obstante, desta vez segurou-o pela cabeça e forçou-o a cair no chão. De quatro ele permaneceu, pois Ogata agachou-se atrás dele, impedindo que este se levantasse.

-Triste fim, concorda? Só mais uma coisa antes de findarmos a sua vida... –ele movimentou uma de suas mãos, realizava uma espécie de selamento e no instante seguinte, Naruto sentiu que não poderia se mexer. –Shinn, cuide da garota, vamos deixar que ele a veja morrendo... Esses demônios devem sofrer um pouco para que tenham noção do que eles causam.

Um outro homem, um pouco mais novo que Ogata surgiu e direcionou-se caminhando para Yukiko que estava molemente largada no chão, seus olhos estavam abertos e apenas observavam o que ocorria, seu corpo já não lhe obedecia, as lágrimas escorriam daqueles orbes púrpuro-avermelhados.

-Não agüenta nem gritar esta aqui... –Shinn pegou Yukiko pelos seus cabelos e a elevou até que a face dela ficasse na altura da dele e recomeçou a andar, aproximando-se agora de Ogata e Naruto. –Bonita, espanta-me o fato de que é um demônio...

Ele jogou Yukiko no chão, ela abriu a boca produzindo um grunhido fraco, não possuía nem ao menos vontade de gritar, apenas fechou seus olhos, chamava por Houkou, pedindo que este a ajudasse, sabia o que deveria fazer, no entanto não o conseguia.

-Garota, você sabia que matou meus pais? –Yukiko tentou balançar a cabeça negativamente, mas já não conseguia. Shinn empunhou uma adaga que estava presa a barra de sua calça – Pois bem, agora o sabe... Considere sua morte como uma troca...


Yame se viu perdida no meio da floresta, estava sentada no chão. Sua perna ardia e um líquido parecia escorrer dali, olhou a região e constatou que era sangue que saia dali, de onde um galho com a grossura de um dedo estava encravado, atravessando-a de um lado ao outro.

-Droga... –Yame tomou o graveto e quebrou as pontas que ficavam para fora de sua coxa. –não parece ter atravessado a artéria, mas não vou arriscar tirá-lo daí... –ela rasgou um pedaço da camisa e amarrou na região, evitando o sangue de sair em demasia.

Ela olhou ao seu redor, procurava por alguém, sabia que não havia sido separada do grupo sem algum motivo aparente. Era como se eles quisessem separá-los para poder atacar os reais objetivos e na atual situação, ela sabia que era um dos objetivos daqueles três desconhecidos. Yame puxou de suas costas as duas espadas e cravou-as no chão, distando cerca de dois metros uma da outra, ela se pôs no meio e sentou-se entre ambas.

Passou o dedo indicador em uma das laminas e um filete de sangue escorreu dali, com o mesmo dedo ela iniciou a traçar na lamina que se encontrava a sua frente ela escrever o kanji com significado de olhos. Virou-se e tornou a outra lamina, desenhando outro kanji, desta vez o de significado costas. Yame parecia estar próxima do final daquele ritual, observava todo movimento que estava ao seu redor e tomou as correntes que se ligavam às suas espadas e estendeu-as com os braços abertos ao lado do corpo e fechou seus olhos serenamente como não era de seu feitio.

-Que esta barreira torne-se impenetrável aos teus poderes e ordens. Eu te peço senhor dos raios, Raijuu, que tua força seja a minha neste momento. Destinar-te-ei parte da minha vida se puderes ajudar-me nesta tarefa.

Yame abriu os olhos e estes, de azul tomavam a cor vermelha de um demônio, um chakra dourado circulava seu corpo e se estendia até o limite que as espadas tomavam, realizando uma esfera daquela cor.

Quando as folhas se desprendiam dos galhos e caiam por cima daquela esfera luminosa, um fino raio a atingia e a queimava. A Kunoichi ao vê-lo, sorriu, sabia que naquele momento podia esperar daquela forma por bastante tempo.


Bem, pedir desculpa pela demora em primeiro lugar.

Agora continuando, o capítulo ficou grande de mais para colocar de uma vez só, então o dividi em duas partes. Esta é a primeira, e a segunda deverei postá-la até sexta feira antes do Ano novo.

Respondendo a Ana C:

Nunca pensei em ser escritora, na verdade meu sonho é ser médica, escrever para mim é como um hobbie, faz falta, mas eu não conseguiria publicar livro algum pelo medo de que fosse rejeitado. Mas escrever me relaxa como nada conseguiria fazer, neste caso eu nunca largaria de fazê-lo. Mas eu fico grata por você gostar da minha fic.

Deixem reviews, por favor.