Capítulo 15: Fuga Noturna.
Naruto estava de pé andando de um lado para o outro do quarto, sua comum hiperatividade, aliada ao seu estado de ansiedade não o deixavam acalmar-se. Yukiko, ao contrário, estava sentada na cama, envolta pelos negros lençóis, mirava o teto numa falha tentativa de encontrar a solução.
O garoto não era bom em achar soluções planejadas, e aquele momento não era propício a começar a pensar.
-Naruto-kun, o que você acha que vai acontecer depois? –Yukiko tomou um dos biscoitos deixados na cama para eles e o colocou inteiro dentro da boca. Era uma pergunta que o outro não poderia responder, e para ela, aquela questão fora pronunciada por puro descuido.
Para sua sorte, Naruto não havia ouvido sua indagação. A verdade era que a jovem acreditava que os habitantes da vila nunca deixariam que eles fossem embora. Teriam de fugir, mas não seria fácil.
-Podemos sair à noite. –Naruto pronunciou. Não era nada que ela já não havia imaginado, afinal, fugas noturnas seriam o mais fácil para ninjas. –Você é muito boa com genjutsus, devia usar algo assim.
Na realidade, Naruto não estava bem pensando num plano de fuga, suas idéias eram desconexas e impulsivas, até mesmo porque, ele só falava o que lhe vinha a mente.
Yukiko abaixou a cabeça, passando a olhar fixamente para Naruto. A pequenina deu um leve suspiro e voltou sua atenção para outro ponto. Ainda não sabia se teria força de criar um genjutsu forte o suficiente para sair dali. Envolver poucas pessoas seria fácil, mas não era esta a conjuntura. Preferiu calar-se e fingir que nada tinha ouvido a decepcionar seu único parceiro.
-Não vou agüentar até chegar à sua vila, ao contrário de você, meus ferimentos não se curam rapidamente. Se ao menos pudéssemos pegar aqueles vidros que Tenkou guarda... eu poderia cuidar dessas lesões e resistir, mesmo que debilitada.
-ACABO COM AQUE... –Naruto havia gritado em sua empolgação habitual, mas o que fizera o jovem calar-se era o fato de que Yukiko levantara-se para impedi-lo de falar, e acabara caindo pela falta de força em suas pernas débeis.
-Eu não quero imaginar o que eles podem nos fazer, caso nós não façamos o que querem. –Yukiko socou o chão numa tentativa de aliviar a tensão, mas não empregara muita força naquele gesto, e sem nem ao menos machucar os dedos, ela os massageou, como se o houvesse feito.
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A luminosidade já era quase extinta e algumas estrelas já se postavam no céu, que no momento possuía a coloração roxo-avermelhada. Os dois jovens estavam sentados na ponta da cama olhando através da janela. A albina segurava as próprias pernas com seus finos dedos, apertando a pequena faixa de pele exposta, deixando-a profundamente vermelha.
A ansiedade entre os dois era mútua. Tenkou aparecera mais uma vez naquele aposento para conversar com ambos, explicando algumas coisas sobre o festival que se instalara na cidade desde aquela manhã. Pelo que ele dissera, Vega e Altair seriam vistas juntas no céu naquela noite, indicando que o rito se realizaria.
Yukiko imaginara que toda a cidade procuraria ver a união das duas estrelas, o que lhes daria um breve momento para fugir. Naquele exato instante, ambos os jovens aguardavam que o esperado ocorresse. Não obstante, nenhum deles possuía o conhecimento astrológico a ponto de descobrir as estrelas desejadas no meio de tantas outras.
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Yukiko olhou uma última vez a pequena folha de papel, buscou com seus olhos algum derradeiro erro a consertar. Assoprou com profunda cautela, a fim de que a tinta fresca secasse e após largou-o na cama rigorosamente desmantelada.
Ela estivera naquele leito o dia inteiro e remexera-se inquieta pela ansiedade. No final, uma estratégia bastante frágil e superficial foi construída por ambos. Deste modo, ambos se encontravam apreensivos acerca da realização de seu plano.
-Naruto, vamos. –Yukiko tocou o braço do companheiro a fim de que ele se movesse. –Sabe o que fazer não é?
O loiro realizou alguns inn's com as mãos, em seguida, dois clones das sombras surgiram. Não demorou muito e um novo jutsu foi executado, fazendo com que um dos clones havia tomado a forma de Yukiko. Do mesmo modo, os reais Yukiko e Naruto tomavam a aparência de duas pessoas comuns.
-Parece ser o momento. –Yukiko falara ao observar, com a orelha junto à porta, que não havia barulho sequer dentro daquela casa, bem como fora da desta. Estariam todos esperando que o ritual se concluísse, e aquela seria a hora perfeita para a fuga.
Naruto abriu a porta com um cuidado e planejamento que não lhe eram costumeiros, observando em seguida se alguém se encontrava por perto. Ninguém. Puxou a albina pelo pulso e iniciaram a silenciosa caminhada de fuga.
Não conheciam a planta da casa, assim, deveriam descobrir como chegar ao salão por onde adentraram na casa. Desceram um lance de escadas as quais rangiam e por fim entraram no tão esperado cômodo.
Naruto não conseguia identificar nenhum dos móveis, no entanto, precisavam descobrir em qual das arcas se encontravam os medicamentos guardados por Tenkou. Todavia, o desconhecimento do móvel era natural, tendo em vista que o menino desmaiara logo que entrou na casa.
A albina passou as mãos nos fios rebeldes de cabelo que lhe caiam ao rosto, era uma atitude comum dela quando se encontrava nervosa. Passava os olhos por todos os cantos da sala, não conseguindo reconhecer os pequenos detalhes. Andou até a porta, e refez os passos realizados na noite anterior, em uma tentativa de relembrar qual era a mobília específica que protegia seus indispensáveis remédios.
Algo não saíra de acordo com o plano, Yukiko era especialista em genjutsus. Caso não o fosse, teria plena certeza que estava presa em um.
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Sakura havia observado o clarão formado dentro da floresta, também sabia que era naquela direção que deveria seguir afim de encontrar sua parceira. No momento em que o ocorrido se deu, a de cabelo rosa temeu pela morte da outra. Ainda assim, tentou acalmar-se pois não poderia imaginar se ao se deparar com Yame, encontraria junto algum inimigo.
A dupla não demorou a encontrar o local, em breves segundos depararam-se com uma gigantesca clareira, a qual estava inundada de fumaça. Caso Pakkun não se encontrasse ali, a situação se tornaria caótica, pois sozinha, Sakura nunca conseguiria encontrar ninguém ali, até mesmo porque, não conseguia visualizar nada além de seus olhos.
Não obstante, o cão se encontrava com ela e conseguia, com dificuldade, farejar o odor quase nulo de Yame, dissipado na espessa neblina. Com algum esforço e cautela, ambos caminharam até que os pés da jovem chocaram-se com um corpo desfalecido.
-Yame? –nada foi ouvido em resposta. Sakura abanou a mão na tentativa de afastar o nevoeiro, desejava ver o que interceptava seu caminho, mas sua ação foi vã. Nada viu, mas sabia que era ela.
Sakura abaixou-se e começou a tatear o chão com o propósito de tocar o corpo de Yame. Quando o encontrou, realizou uma série de procedimentos a checar a vitalidade e as condições em que a companheira se encontrava.
-Temos que retirá-la daqui logo! –Sakura exprimiu em um tom sufocado pela fumaça que entrava em suas narinas.
-Esperaremos os outros dois, enquanto isto, faça o possível. Antes morta a capturada. –Caso a neblina não estivesse tão densa, seria possível observar como a face da jovem se transformara naquele momento. Seus brilhantes olhos verdes se abriram pelo choque que aquelas palavras do cão causaram, além disto, toda a sua face estava contorcida numa expressão de raiva raramente encontrada naquela menina. Sakura não conseguiu acreditar no que ouvira.
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Nenhum dos dois pronunciava qualquer som, o que era bastante incomum quando Naruto estava presente no recinto. Yukiko abriu uma porta próxima ao chão de um pequeno móvel. Enfiou as mãos dentro do vão e retirou, desta vez com alguns vidros.
A albina lançou um olhar de confirmação ao outro que retomou a dianteira e abriu a porta da casa com bastante cautela. Não se depararam com Tenkou, o que viria a ser um grande problema para a sua fuga. Todavia Naruto abrira a porta no exato momento em que um desconhecido se encontrava ali. O homem parou, observando os detalhes da face do loiro, o qual não pestanejou e lançou a mão num soco mirando o rosto do estranho.
O impacto fez o incógnito ser lançado alguns metros longe, do modo que tocou o chão, permaneceu. Naruto voltou os olhos para Yukiko, a qual correu passando por ele. A albina o encarou por alguns segundos e prosseguiu andando ao seu lado, sem deixar de notar a coloração vermelha e incomum que os olhos do parceiro tomaram naquele momento e permaneceram. Não demoraria e encontrariam o portões de Konoha, caso mantivessem o ritmo da caminhada, estariam dentro da vila na manhã seguinte.
Notas da autora:
Espero que tenha gostado. Como prometido, a atualização em duas semanas ocorreu e assim eu consegui adiantar os próximos capítulos, assim, com a presença de reviews eu posto antes do dia 20 deste mês.
Preview do capítulo 15: Proposta indiscreta.
Helgardh faz um novo contato, desta vez com uma proposta. Neste mesmo tempo, uma antiga preocupação tenta se fazer presente.
