Desabafo

Eu podia ver o dia raiar pela imensa parede de vidro do antigo quarto de meu pai, desde o dia anterior que planos eram feitos e repassados na imensa sala dos Cullen. Eu não havia pregado os olhos desde que soubera que dois dos Volturi estavam vindo me fazer uma casual visita. Isso não parava de gritar em minha mente "casual visita", desde quando um bando de Serial Killer faziam visitas?

Emmett teve que segurar Edward com toda sua força de urso, já que meu adorado papai queria me jogar em suas costas e fugir comigo e com minha mãe para algum país, o mais distante possível de Forks. Minha mãe ficara em estado de choque, sua mente misteriosa parecia trabalhar muito mais do que todas as mentes de meus familiares, como se ela estivesse avaliando todas as nossas possibilidades de fuga.

Jasper fizera o máximo para controlar as emoções ao nosso redor, chegando ao ponto de meu pai ameaçar descolar a cabeça de meu querido Tio Jas de seu corpo caso ele tentasse modificar alguma de suas emoções, Emmett jurou que trancaria papai no porão caso ele não tentasse no mínimo se acalmar e depois disso o instruiu a fazer inúmeras respirações cachorrinho, recebendo um olhar nada amistoso de Rosalie que assim como meu pai e minha mãe queria me levar o mais rápido possível para longe de Forks.

O que se é mais irritante em ter uma família grande é o fato deles te amarem demais, isso não deveria ser um problema é claro, mas quando se tem quatro anos de vida e uma aparência de dezesseis anos de idade isso se torna uma das piores coisas que podem lhe acontecer, junto da super proteção e de te ignorarem completamente, mesmo quando o assunto central é você e seu lindo e alvo pescoçinho.

No final da insuportável discussão, Vovô Carlisle tomou a frente e com sua sabedoria infinita nos instruiu a permanecer como estávamos, eu acho que ele usaria o ditado: "Quem não deve, não teme", mas ele não usou, ele apenas deu a entender que se eu fugisse iria comandar a maior caçada vampirica da historia, é... Minha vida é realmente um poço de emoções, talvez se eu fosse para a TV eu ganharia mais ibope do que Gossip Girl.

- Nessie? – A porta de meu quarto se abria lentamente dando espaço para a cabeça de Alice. – Seu pai disse que você está acordada e que não dormiu, vim te fazer companhia!

Sentei-me na cama fazendo um leve aceno para que minha querida e pequena tia se aproximasse. Alice fechara a porta e se jogara ao meu lado na cama com sua super velocidade, seus olhinhos âmbar focados em mim com um interesse mal contido.

- Sua mãe acha que você está dormindo, ela está incrivelmente nervosa, sinto falta dela ser humana nessas horas, calmante faria um excelente efeito nela...

- Mamãe se preocupa demais... – Torci o nariz apoiando minha mão no queixo.

- Quando ela era humana, ela reclamava das mesmas coisas... Vocês são realmente parecidas sabia? Até mesmo no mal gênio, se bem que o mal gênio você conseguiu herdar dos dois lados da família, Edward é realmente ranzinza quando quer.

- Eu que o diga... – Sorri de canto.

- Sabe Ness, eu não preciso ler mentes para saber que não é apenas a chegada dos Volturi que anda lhe atormentando.

- Eu acho que todo mundo já sabe disso. – Bufei levantando da cama e ficando frente a parede de vidro, os olhos focados nas arvores a minha frente.

Alice permanecera em silêncio por alguns segundos, arrisquei em virar para a encarar, ela estava lá, sentada com ás pernas cruzadas, o rosto de pálido como mármore, Alice nunca me parecera tanto uma estatua quando naquele momento. Voltei meu olhar para frente, eu sabia que a única pessoa que me ouviria sem me julgar seria ela, eu nunca vou entender o porquê de gostar tanto de Alice, talvez por ela ser neutra e ter não só adoração pelos meus pais como também uma leve simpatia por Jake.

- Leah me contou que Jacob e minha mãe já ficaram juntos... – Minha voz saíra baixa, mas eu sabia que Alice estava me escutando, então prossegui. – Assim que ela falou aquilo eu jurei que era para tentar me afetar, mas então eu vi os olhos de Seth, Quil e Embry, como se Leah tivesse entregado o mais precioso dos segredos. Eu não sei o que fazer depois disso... Desde pequena que eu me sinto bem ao lado do Jake, quando estamos separados é... É uma dor terrível, como se uma parte estivesse faltando em mim! Mas desde que eu soube disso, não tem doído tanto assim ficar longe dele, e conversar com minha mãe tem sido maçante, eu me senti traída por todos os lados, como se ninguém se importasse com o que eu penso sobre isso tudo! Meu melhor amigo e minha mãe, por Deus, é nojento!

Era como tirar um nó de minha garganta, desabei sentada na cama, enterrando a face entre ás mãos, eu sabia que ás lágrimas ocupavam meus olhos e que por mais que eu tentasse segurar o choro, ele viria. A mão de Alice veio ao meu ombro me puxando para deitar a cabeça em seu colo assim que as primeiras lágrimas rolaram, afundei em seu colo soluçando enquanto ela enroscava seus dedos nas mechas de meus cabelos.

- E agora... – Solucei. – Como se eu já não tivesse drama demais em minha vida, os Volturi estão vindo! Eu queria ser normal, ou ser completamente vampira ou humana, se eu não fosse o Monstro que eu sou eu não teria tantos problemas!

- Você não é um monstro. – Alice erguia meu queixo para a encarar. – Nessie, coisas acontecem, não foi fácil para seus pais ficarem juntos...

- O meu pai deve ter sofrido tanto... – Engoli em seco sentindo raiva de Bella apenas de pensar que ela fizera meu pai se sentir triste. – Jacob e minha mãe, como alguém em plena sanidade deixou isso acontecer?

- Seu pai não queria sua mãe como vampira, ele sempre a amou muito, você sabe qual é a opinião dele sobre nossa espécie. Então, um dia seu pai resolveu ir embora assim como todos nós, e nós fomos. Jacob e sua mãe já eram amigos nessa época, eles se aproximaram mais e então eles...

- Eles ficaram juntos. – Completei amargurada.

- Na verdade eles só se beijaram duas vezes, não foi tão importante. – Alice acariciava minhas bochechas com seus dedos gélidos.

- Não foi tão importante? – Grunhi me afastando com raiva. – Os jogos que o Emmet assiste na TV não são importantes, o fato do cabelo loiro da Rosalie não ficar bem meio preso não é importante, rosa combinar com seus olhos não é importante, mas Bella ter um caso há cinco anos atrás com o meu melhor amigo é REALMENTE IMPORTANTE!

Alice me encarou com um sorriso nos lábios, talvez por eu ter dito que rosa definitivamente combina com seus olhos, vai entender. Bufei, o dia já estava claro e eu tinha que tomar um bom banho e ir para mais um dia de tortura na Forks High School.

- Vou pegar suas coisas em sua casa, vá tomando um banho... – Alice despejara saltitando de minha cama parando quando chegou até a porta. – Se sente melhor?

Respirei fundo sentindo que o ar não estava ficando entalado em minha garganta, era isso o que ela queria, que eu desabafasse, colocasse tudo para fora, é... Havia funcionado, eu estava melhor. Maneei a cabeça positivamente a vendo abandonar o quarto. Para finalmente me dirigir até o banheiro e tomar um longo e relaxante banho, o bom de ser meio-vampira era não ter tanta necessidade de sono assim.

Quando retornei ao quarto, havia um jogo de roupas em cima da imensa cama king-size e minha mochila em cima de uma cadeira de canto, me troquei lentamente, penteando os cabelos e os prendendo em um alto rabo de cavalo. Alice sempre sabia como me vestir bem e a calça jeans escura com a blusa lilás e o casaco e tênis preto haviam combinado perfeitamente. Joguei a mochila nos ombros descendo para tomar o meu café da manha, Esme jamais me permitiria sair pela porta de casa sem me alimentar devidamente.

O andar de baixo estava silencioso, Carlisle estava sentado a mesa ao lado de Rosalie e Jasper, aparentemente discutindo coisas que eu não fiz questão de prestar atenção. Entrei na cozinha com um pequeno sorriso em meus lábios, Alice e Esme faziam panquecas e Emmett divertia-se em enfeita-las com carinhas felizes, me perguntei se ele estava fazendo aquilo obrigado ou por diversão, mas vindo de meu Tio eu sabia que obviamente era por diversão.

- Hey, Nessie! – Emmett exclamou indicando que eu sentasse na bancada me oferecendo sua obra de arte. – Coma tudo! Eu realmente gastei preciosos minutos fazendo isso daí.

- Como se você não tivesse gostado de fazer! – Esme rira dando um tapinha carinhoso no ombro gigantesco de Emmett. – Ele praticamente implorou para fazer isso para você Nessie.

- Emmett anda ficando molenga... – Cantarolou Alice me servindo de suco de laranja.

- O que foi Emmett? Minha mãe te derrotou mais alguma vez? – Zombei enfiando um pedaço de comida em minha boca.

- Essa realmente ofendeu Nessie! – Ele fazia uma careta divertida, logo bagunçando meus cabelos que até então estavam presos e abandonou a cozinha.

Bufei, mas antes que eu pudesse arrumar os fios ruivos revoltosos, Alice já estava lá com uma escova, os penteando e fazendo uma trança. Esme me encarava com um sorriso maternal enquanto eu comia, olhei para os lados confusa, faltava ainda duas pessoas ali.

- Onde estão meus pais? – Indaguei perguntando-me mentalmente se eles haviam escutado minha conversa com Alice mais cedo, e tivessem ficado magoados por demais para me encarar.

- Foram para sua casa assim que eu fui te ver... – Alice comentou. – Eles queriam procurar um colar que sua mãe ganhou de presente de casamento e verificar que não havia nada em sua casa que te julgasse perigosa.

- EU ACHO QUE ELES FORAM FAZER OUTRA COISA! – Gargalhara Emmett da sala de estar fazendo com que Esme e eu tivéssemos a mesma reação: reprimir a face em uma careta.

- Eles lhe desejaram um bom dia. – Vovó Esme me forçava um sorriso.

Sorri e me despedi de minha família vampirica, pelo menos meus pais não haviam escutado nada de meu desabafo com Tia Alice. Caminhei até a garagem destrancando meu bora vermelho e jogando minha mochila no banco do passageiro, para dar a partida e voar com ele pelo asfalto. Dirigir depressa sempre me deu um sentimento de liberdade inexplicável, Bella disse que é um péssimo habito vendo que eu não sou completamente imortal.

Não demorou nem cinco minutos até eu chegar na rua da escola e ter que diminuir a velocidade para que as pessoas não pensassem que além de ter familiares estranhamente psicóticos, eu também fosse um perigo no volante. Estacionei um pouco afastado dos outros carros, aprendi que me manter distante de humanos sempre era melhor do que me aproximar demais.

Fiquei um tempo dentro do carro terminando de ouvir o CD que Edward me dera no natal, um clássico de Beethoven, Moonlight Sonata é tão linda ao mesmo tempo em que tão triste, como se o amor de Beethoven pela música fosse doloroso demais, fosse cruel demais, como se a Lua intocável e linda fosse seu maior confronto interior.

Apanhei minha mochila desligando o som, era hora de parar de escutar Beethoven, ele me lembrava demais meus próprios sentimentos, sentimentos que eu estava fazendo o máximo para evitar. Abri a porta de supetão a fazendo bater em algo duro, arregalei meus olhos ao ver um Audi TT prateado estacionado bem ao meu lado, quando ele estacionara ali eu jamais iria saber.

Olhei ao redor para ver se alguém havia notado o meu grande feito, ninguém havia visto nada, por sorte não havia amassado e nem arranhado o carro vizinho, um belo carro ao meu ver, nunca havia o visto em Forks. Se bem que eu não era lá uma boa observadora, quando Vovô Charlie pintou o antigo quarto de minha mãe de lilás para que eu pudesse passar algumas noites lá eu só reparei três semanas depois, pelo menos Vovô Charlie achou engraçado.

- Hey! Cullen! – A voz de esquilinho ecoava aos meus ouvidos enquanto eu me aproximava da entrada de uma das casinhas das salas de aula.

Parei para olha-la, pequena como Tia Alice, pele clara e um cheiro agradável para uma humana que realmente não via que eu era um perigo ambulante, senti vontade de rir ao vê-la tropeçar nos próprios pés e parar ao meu lado arfante, a fitei com uma sobrancelha arqueada esperando falar o que desejava.

- Desculpe... – Ela respirava fundo. – Acordei atrasada hoje, eu não sabia se chegaria a tempo e... Por Deus como eu corri! E então? Conseguiu fazer todo o dever de matemática? O anda realmente insuportável essa semana.

- É eu fiz todo sim... – Comentei séria, eu não queria dar muito espaço e a permitir ter liberdade, ela já se sentia amiga minha demais mesmo eu a tratando grosseiramente.

- Aposto que sim, você é bem inteligente. – Lyla sorria abertamente enrolando uma de suas mechas cor de mel nos dedos finos. – Posso te confessar um segredo?

- Acho que sim... – A fitei intrigada, ela era realmente insistente.

- Muitas meninas estão com inveja de você, desde que você chegou aqui... – Ela falava séria com uma expressão de desgosto. – Algumas querem ser sua amiga para contar vantagem, todos querem saber mais de você sabe? Você é a novidade aqui, querem saber todos seus segredos, mas você não deixa ninguém se aproximar.

- Eu deixaria se eu realmente fosse uma novidade boa. – Rosnei fazendo Lyla me encarar em surpresa.

- Para mim você foi a melhor coisa que aconteceu aqui. – Ela disse convicta me olhando com seus grandes olhos azulados.

- A melhor fofoca você quer dizer. – A corrigi enquanto parávamos frente a porta da sala de aula, ela segurou meu braço me fazendo a olhar nos olhos, Lyla realmente não sabia a dimensão do perigo que estava se metendo tentando ter essa amizade.

- Você parece ser a única pessoa sóbria aqui, que não faria mal a ninguém com fofocas ou intrigas, é por isso que eu tanto quero ser sua amiga Reneesme.

Meu coração inflou em agradecimento, ela me lançou um meio sorriso que eu não pude deixar de retrucar, Bella sempre me instruiu a ter amigos, bem... Eu poderia tentar ser amiga de Lyla, ela era uma boa pessoa.

- Podemos ser amigas então? – Ela me oferecia sua mão.

- Tudo bem Lyla, podemos ser amigas. – Estendi minha mão, desta vez sem medo de que ela se assustasse com a temperatura de meu corpo.

- Uau, que mão quente! – Ela exclamava. – Isso é ótimo! Posso segurar sua mão por mais um tempo? Eu realmente estou com frio.

Gargalhei, era a primeira vez que eu gargalhava alto ali, muitas pessoas haviam parado de andar apenas para escutar o som de minha risada. Lyla me encarava sem entender, afinal como ela poderia? Assim que minha risada diminuía ela me encarava intrigada, mas logo esboçando um belo sorriso inocente.

- Você deveria gargalhar mais Reneesme, o som é incrível.

- Me chame de Nessie, acho que no mundo inteiro as únicas pessoas que teimam em me chamar de Reneesme são meus pais. – Eu dei um sorriso torto adentrando a sala de mãos dadas com aquela humana que acabara de ganhar minha afeição.

O professor não havia chegado então caminhei em direção a minha costumeira mesa no fundo, Lyla sentou-se a minha frente e logo começou a procurar coisas em sua imensa mochila amarela, mochila que ao meu ver aparentava ser o dobro de seu tamanho. Me distrai com a missão de minha nova amiga em sua busca pelo material, até que algo tocara minhas narinas de modo arrebatador.

Eu fiquei tensa, meus dedos apertaram a mesa de forma que entortassem sua madeira, aquele cheiro não era um cheiro humano, era um cheiro de vampiro, mas o que um vampiro desconhecido estava fazendo na Forks High School? Enrijeci em meu assento quando o vi adentrar a sala de aula acompanhado do meu odiado professor.

Era alto, talvez do tamanho de Jasper, possuía a pele alva como a de meus pai e os cabelos negros como a noite, os olhos eram num castanho deleitoso, cor aquela que eu sabia ser causada por causa de lentes. Seu corpo era musculoso e pelo que eu pude notar todas as garotas da sala haviam ficado animadas com sua presença, humanas idiotas.

- Sr. Thomas Weiss. – O falava. – Sente-se atrás da , levante-se para que Weiss saiba onde se sentar.

Tranquei meu maxilar me erguendo lentamente, o rapaz me sorria torto se aproximando lentamente, era como se todos daquela sala tivessem desaparecido e apenas restado nós dois. Mil e um planos se formavam em minha mente, como ataca-lo antes que ele machucasse qualquer um ali, antes que ele machucasse Lyla que parecia tão indefesa.

- Seu cheiro é realmente adorável. – Ele sussurrou ao passar por mim.

Eu mostrei os dentes e soltei um rosnado baixinho, nós dois sabíamos que em nossa briga nenhum humano seria capaz de escutar a conversa ou os ruídos ameaçadores que eu soltava. Então ele se sentou na cadeira atrás de mim e eu o imitei, rígida como uma estatua, encarando o quadro, meu maxilar travado como se pudesse estalar a qualquer minuto.

- Você tem o gênio de Edward. – Mais uma vez sua voz de veludo tocava meus ouvidos.

- Quem é você? – Grunhi.

- Fui enviado por Aro, ele realmente está interessado em sua evolução, você é o novo bichinho do Chefe...

- Vá embora imediatamente.

- Ou o quê? Você vai me atacar frente a todos esses humanos? – Zombou o rapaz.

- Vamos resolver isso lá fora então... – Eu soltei uma risada seca. – Assim você não precisa usar essas lentes ridículas.

Me levantei da mesa assustando todos presentes, lancei um olhar furioso ao novo aluno que me sorriu desafiador, apanhei minha mochila a jogando por cima dos ombros abandonando a sala de aula em silêncio, eu sabia que ele me seguia, eu podia sentir seu cheiro logo atrás de mim.

Eu não me importava mais com o que pensavam ou deixavam de pensar de mim naquela escola, eu queria avançar naquele Volturi imundo e lhe mostrar toda a minha "evolução", assim que chegamos ao estacionamento e o vimos vazio eu corri para a floresta ao lado da escola, o vampiro correu logo atrás de mim, corremos por um tempo até nos encontramos em uma clareira, meus dentes afiados a mostra e os dele também, como dois rivais antigos.

- Rápida como Edward! – Ele exclamou aderindo posição de ataque.

- Você nem imagina o quanto! – Rosnei avançando.

Meu medo de que aquele ser terrível ferisse um daqueles humanos havia me dado uma coragem descomunal, mas o que parecia ser uma luta para mim, estava sendo uma brincadeira para ele, Thomas me colara em um tronco de arvore, imobilizando meus braços a cima de minha cabeça e inalando todo meu cheiro, ele já havia se livrado de suas lentes e seus olhos cor de vinho me fitavam com curiosidade.

- Corajosa, veloz, forte... – Ele murmurara. – Aro ficará em êxtase!

- O que você quer de mim?

- Primeiramente, uma apresentação devida... – Ele se afastava me olhando com um belo sorriso nos lábios. – Sou Thomas, você é Reneesme, a bela filha de Edward e Isabella.

- Você não vai ferir ninguém vai? – Perguntei aflita, já me imaginando em uma guerra vampirica novamente.

- Ferir? – Ele arqueava suas sobrancelhas. – Viemos em paz, estou a dois meses sem beber sangue humano para vir te ver, quando Aro disse que escolheria um de seus fiéis, fiquei realmente animado.

- Seus olhos ainda são vermelhos.

- Mas logo ficarão dourados como os de sua família, acho que em um mês mais ou menos... – Ele então voltava a se aproximar de mim tocando minha bochecha com a ponta de seus dedos. – Espero não te-la machucado.

- Estou perfeitamente bem. – Resmunguei afastando sua mão.

Thomas me encarou em surpresa, talvez por eu não ficar animada com sua beleza fora do comum como as outras humanas haviam ficado, bem, desde pequena que eu era cercada de perfeições, ele não iria me surpreender apenas sendo extremamente bonito. O vi abrir a boca para me falar algo, mas fora tão rápido que me senti atordoada. Em um minuto Thomas estava a minha frente e no outro estava jogado ao chão com um imenso lobo marrom furioso sobre si.

E então uma matilha de lobos estava cercando o local e seus rosnados haviam tomado posse de meus ouvidos, Thomas empurrava o lobo para longe e aderia posição de luta, minhas pernas até então congeladas pela surpresa se despregaram do chão e eu me atirei frente ao vampiro assim que o lobo fora lhe abocanhar, os dentes do lobo atingiram meu braço e eu apenas urrei de dor quando ele soltou.

O lobo me fitou assustado, com pesar, Thomas me puxou para si com rapidez e retirou sua própria camisa pólo azul para fazer pressão em meu machucado que sangrava por demais, ele me olhava com seus olhos agora negros, certamente sua garganta ardia em desejo pelo meu sangue, percebi que ele havia prendido a sua respiração, eu temi, temi que ele me atacasse,mas ele não o fez, apenas me abraçou protetoramente mostrando os dentes para toda a matilha, ele estava querendo me salvar.