Lentamente, Tseng escaneou ao redor enquanto sua testa se franzia em frustração. De todas as tarefas... babá não devia ser uma delas. Uma mão delgada veio para descansar em cima de seu ombro, os dedos espremendo o tecido do terno. Torcendo sua cabeça, ele franziu o cenho para o sorriso doce de Elena.

-Nós devemos isso a ele, - ela disse suavemente, assentindo na direção do prédio através da grama. O brilho alaranjado do sol poente moldava longas sombras sobre os tijolos desgastados, e a porta fechada e escura, ameaçou Tseng para bater- em- retirada... e ele que pensava que a matriz da Shinra era enervante.

-Eles são crianças, - advertiu. –Rufus não ficará satisfeito.

-Nah, crianças são fáceis! Eu amo elas! - Reno gritou, forçando um estremecimento agitar os traços fortes de Tseng. Observando a loura passar, ele fitou a cabeça vermelha.

-Somente porque você age como uma, - Rude interveio, olhando de relance na direção de Tseng com um tom exasperado. Ele caminhou para situar-se próximo de seu detestável colega com os braços tensos, dobrados atrás das costas.

Reno ignorou a réplica do parceiro e encheu-se de orgulho, passando deles para ficar diretamente na frente da pavimentação rachada que conduzia às portas intimidadoras. -Então, Denzel e Marlene, - ele murmurou antes da ponta de seu sapato arrastar-se pelo seixo da calçada.

-Eu pretendo trazer as crianças para Rufus. Nós seremos capazes de tomar conta dos dois e dele, - Tseng insistiu, franzindo a testa para as idiotices descuidadas de Reno enquanto a cabeça vermelha escorregava os pés pelo chão, um rangido seguindo-se a cada movimento.

-Isso vai ser fácil. Você se preocupa demais, - Reno deu um sorriso largo, olhando para cada um dos seus camaradas do turno.

-Eu estou com medo do por que Vincent Valentine pediria tal trabalho, - Elena suspirou, seu pulso se erguendo para que ela pudesse ver o pequeno relógio preso nele.

-Eu concordo, - Rude adicionou, empurrando os óculos de sol para cima da ponte de seu nariz.

-Hey, - o ruivo disse animadamente. - A pequena aranha...

Os outros gemeram alto. Reno já era um exemplo de caso difícil para se lidar... eles não precisavam de mais nenhum problema. No que Vincent Valentine os mandou entrar?


Vincent olhava sem piscar para a garra erguida, as digitais douradas curvadas em um punho, preparando-se para bater contra a madeira escura. Diretamente do outro lado; Tifa estava chorando com os olhos saltados, um soluço ocasional saindo sorrateiramente por debaixo da porta. O peito do atirador levantou-se para outra entrada de ar enquanto preparava a si mesmo para encarar algo que ele preferia evitar... emoções.

-Tifa, - chamou baixo, desafiando bater na madeira com força antes desprezível. Os soluços além da porta cessaram instantaneamente, e ele sentiu seus músculos se prenderem. –Nós temos que cuidar dos seus machucados, - continuou.

Na próxima vez, não vou por trancas nas portas, - ele jurou, olhando de relance para a mão dourada com um novo ódio. Dando alguns passos para trás até que estivesse pressionado contra a parede do corredor, Vincent se preparou para derrubar a porta. Tifa estava ferida e a sua segurança estava nas mãos dele, pois Cid lhe entregou o dever de protegê-la. Ele não poderia vê-la morrer porque tinha recusado a agir. Tencionando os ombros, o atirador se agachou para arremeter-se naquela direção e quase tombou no chão quando a porta adiante se abriu. Piscando, ele endireitou-se e com um leve constrangimento, assentindo respeitosamente.

-Tifa, - notificou, mantendo o olhar flamejante sobre a face corada dela. Hesitantemente, ele ergueu a garra para ela e engoliu qualquer umidade restante de sua língua. Os olhos escuros baixaram na direção do punho enluvado, o fitando atentamente... por acaso havia crescido outro dedo? Olhando entre ela e seu braço dourado, piscou. -Suponho que você pegue isso, - ele disse suavemente.

Os braços de Tifa ergueram-se para envolvê-la enquanto quebrava sua atenção da armadura dourada para fitá-lo. –Eu não tenho não, - ela replicou, e cuidadosamente retirou-se de volta para o quarto de hóspedes. Sua mão se estendeu em direção à porta e deu um tapa leve para fechá-la sem se preocupar em acompanhar a armação da mesma.

Instintivamente, Vincent pisou à frente e preveniu que isso se tornasse uma barreira, a garra erguendo-se para parar a porta. O impacto a fez ranger, e ela vibrou até cessar. Tifa ignorou o sinal de que ele havia entrado e caminhou através do quarto, para as largas janelas panorâmicas.

Olhando na direção do horizonte desanimador, um suspiro quebrou a tensão entre eles.

Vincent, ocasionalmente, trocava um pé pelo outro, sem quebrar o silêncio gelado que circundava o quarto.

Ela deve fazer o esforço para vir até mim, não posso ir até lá. Se ela deseja lamentar-se em dor, então assim será. Ele estremeceu diante do pensamento, admirando quão frio seu coração realmente era. Essa era Tifa, uma querida amiga e um pilar de força para todos que a conheciam, mas sua força não suportaria tanto. Se Vincent tivesse que ser o único para segurá-la quando ela caísse, ou ao menos por enquanto, então ele o faria.

Sacudindo a cabeça para a confusão de pensamentos, o atirador elevou seu pé do chão. O estalo das botas douradas contra a madeira, fez com que a cabeça dela girasse para assisti-lo rigorosamente. Vincent ignorou seu olhar e em vez disso, observou as queimaduras ao longo dos braços e pernas, carne quente e vermelha aparentando uma incandescente agonia. Mantendo o olhar vigilante de Tifa no canto de sua visão, a mão enluvada seguiu para o lado e agarrou a base da Cerberus a removendo do coldre. A artista marcial endureceu enquanto Vincent fluidamente, moveu a pesada pistola pelo ar entre eles até mandá-la cair sobre o peitoril da janela, com o estalo da corrente contra a parede embaixo.

De novo, a mão enluvada esticou-se para o coldre, cavando fundo onde o cano da Cerberus costumava descansar. Sua testa franziu quando a mão cessou, agitando-se ali dentro e cautelosamente retirando uma esfera verde de materia. A rolando pelos dedos para examinar todos os ângulos, ele voltou sua atenção para Tifa. –Aqui, - disse de maneira suave, levantando o punho protegido até que a palma dourada estivesse exposta para o teto.

Segurando a esfera verde, o atirador a baixou dentro da garra, sentindo a sensação quente de poder oscilar pelo metal e por dentro da carne, enquanto a pequena bola dissipava-se em nada.

A energia correu apressada e quente por suas veias ao mesmo tempo em que a materia procurava freneticamente por uma saída; atirando-se sobre seu corpo em rápidas espirais. Piscando de volta para o novo estado de consciência, Vincent deu um passo à frente e esperou por uma reação de Tifa.

Ela apenas recuou enquanto o assistia, olhos receosos para o velho truque. Erguendo sua garra para o antebraço dela, as digitais douradas flexionaram-se antes que a palma fria se pressionasse contra a pele irritada.

A materia era gelada por um breve momento, surpreendendo os sentidos dele até que realizasse a saída. Empoçando-se dentro do punho enluvado, a energia o deixou sem um segundo olhar.

Suspirando, Vincent se moveu para trás e estudou a pele avermelhada. Como ele havia esperado, a materia tomou conta e lentamente, os cortes e queimaduras começaram a desaparecer, velha e nova pele torcendo-se até que os machucados sumissem.

Aprovando com assentimento, o atirador pegou Cerberus rapidamente e com cuidado, a recolocou no coldre antes de se voltar sobre o calcanhar para ir embora. A saúde de Tifa estava a salvo e agora, com a ida da energia da materia, Vincent vacilou um momento na porta. Esfregando seu rosto, ele virou a curva para o próprio quarto, determinado a dormir toda a noite, mesmo que isso incluísse pesadelos infelizes.


Tifa olhou para baixo sobre seus braços cansados, sorrindo quando o sentimento familiar da energia quente morreu. Erguendo a cabeça, ela franziu o cenho para o desaparecimento do rubro. Nem mesmo posso agradecer a ele, refletiu. Observando o quarto, ela estremeceu para a cama consumindo o lado esquerdo. Embora fosse um tanto larga e provavelmente iria ser confortável nesse momento, definitivamente, ela não queria entrar no calor aconchegante.

Virando-se para a direita, Tifa adiantou-se até a porta grande de mogno, mantendo-se na escuridão da esquadra de paredes azuis. Girando a maçaneta, ela a impulsionou para que abrisse e pôs sua cabeça pela abertura: o banheiro. Olhando para baixo, sobre seu traje, a artista marcial estremeceu quando a pele suja entrou em atrito com o tecido queimado. Ela precisava de um banho, ou talvez sua pele fuliginosa fosse cair.

Entrando no cômodo de ladrilhos cinza, ela andou em linha reta até o chuveiro, vidro envolvendo o pequeno canto do banheiro. Empurrando as portas para longe, ligou a cascata d'água até que o vapor encobrisse os detalhes dos ladrilhos cinza que a circundavam.

Tifa virou-se à procura de uma toalha e piscou surpresa para seu próprio reflexo olhando de volta para ela.

-Essa sou eu? – questionou, a boca de seu reflexo também se movendo. Manchas de lágrimas viajaram pelas bochechas e a fuligem cobriu seus traços. Ela poderia assumir Chaos em um tipo desajeitado de forma. Um Chaos fêmea... pobre Vincent, provavelmente engoliria um chocobo se isso acontecesse.

Ela sorriu diante ao pensamento, uma imagem grande de penas amarelas sendo posta pra fora dentre os lábios finos dele passou velozmente por sua mente. Rindo da imaginação infantil, Tifa, cuidadosamente removeu o uniforme sujo e o depositou com desgosto sobre o chão ladrilhado. Circundando a roupa, ela deslizou delicada pela abertura entre as duas portas de vidro para a água que esperava. Suspirando em contentamento, a artista marcial fechou os olhos enquanto pequenos rios corriam pela pele bronzeada.


Vincent olhou de relance para o relógio em cima do grande guarda-roupa de carvalho com as sobrancelhas franzidas; o encarando como se o relógio o zombasse. Tifa já estava no banho por uma hora. Ele sabia que mulheres tomavam banhos extremamente longos, mas isso era ridículo.

Resmungando sobre a respiração, endireitou-se para longe da larga cama de casal que consumia o centro do quarto. Por que ele a colocou ali? Ainda não tinha achado uma resposta, embora ela fosse do seu confinamento. Vincent certamente, não achava prazer na idéia de paredes se fecharem ao seu lado. Ele podia tolerá-la, no entanto, era algo a qual se livraria o quanto antes. Era idiotice não gostar de algo tão simples? O atirador podia matar homens sem hesitar e ainda, preferia sua cama no centro do quarto. Talvez as pessoas estivessem certas, ele era estranho.

Andando a passos largos para a esquerda, encontrou o grande guarda-roupa com o relógio no topo. Olhando de relance para ele mais uma vez, sua mão lentamente ergueu-se e soltou cada fivela que segurava o tecido rubro na sua silhueta. Quando a capa caiu longe dos ombros e sobre um braço que aguardava, ele continuou removendo todas as fivelas ao longo do seu torso, as quais eram designadas às costelas de Chaos se o demônio fosse libertado. Hojo não havia somente projetado seu corpo, mas o uniforme que ele era forçado a usar também, caso qualquer uma das entidades solicitassem.

Até mesmo a capa era uma exigência, a menos que Chaos preferisse ir sem asas.

Livrando o tronco de qualquer roupa, Vincent virou-se para olhar furiosamente seu reflexo no interior de um extenso espelho próximo á porta do banheiro. O olhar que poderia parar um homem, percorreu o corpo lamentavelmente coberto com cicatrizes. Nenhum ser humano teria medo dessa visão. Exalando a frustração para fora, virou-se para o guarda-roupa e abriu a primeira gaveta, a qual gemeu por não ser utilizada. Ele precisava encontrar algo que servisse como roupa de dormir, para Tifa preocupar-se levemente se soubesse que ele dormia em seu uniforme incomum.

O reflexo estava diferente e se olhou até os dedos do pé para examinar a nova roupa. A calça de malha caiu frouxa comparada ao couro largo e a camiseta parecia ser dois tamanhos maiores, mas isso iria servir. Olhando de volta para o reflexo, seus olhos caíram sobre a bandana cor de vinho presa em torno da testa. Sua garra, a única coisa que planejava deixar, cuidadosamente se ergueu para soltar o tecido macio até que ele se depositasse no chão em um amontoado.

As mechas de cabelo caíram, pendurando-se suavemente em seus olhos e Vincent balançou a cabeça com violência por um momento para ajustá-las. Os olhos rubros escureceram atrás dos fios, desaparecendo por um tempo antes de reaparecerem. Então, esse era o novo visual para a noite... nada mal na verdade.

Caminhando até a cama, o atirador agarrou a camiseta preta e os shorts os dobrando e arrumando em cima da coberta escarlate. A água tinha finalmente cessado e Tifa precisaria de algumas roupas para as próximas horas. Eles teriam que ir fazer compras para ela mais tarde, mas por hora, uma camiseta guardada e os shorts dele deveriam servir... na verdade – elas eram boxers não usadas...