Tifa observou o abismo verde-escuro, o cheiro calmante girando sobre seus sentidos e ansiando que seus olhos se fechassem para a noite.
Dobrando as pernas à baixo de si no sofá de couro preto de Vincent, suas unhas começaram um ritmo na cerâmica de cor pastosa. O chá de erva no interior vibrou continuamente, tão leve a batida contra o recipiente, que a acalmou ainda mais em um topor.
Ao seu lado, uma lâmpada emitia um suave brilho amarelo, que alcançava escassamente os cantos sombreados da pequena sala de leitura que ela havia descoberto. Vincent, embora não tivesse descoberto ainda o porquê, tinha construído uma pequena biblioteca no porão da bela mansão. Tifa nunca havia visto o atirador tocar num livro, mas lá estava este quarto, centenas cobrindo as prateleiras nas paredes. Sobre sua descoberta, ela decidiu que sentaria ali por um momento, meditando sobre os pensamentos até que o sono pretendesse buscá-la.
Baixando os olhos para a caneca, suspirou pesadamente contra a fumaça. Mesmo nesse estado abalado, um pequeno sorriso rastejou através de seus lábios enquanto ela roubava um rápido olhar de seu novo pijama.
Ele foi deixado do lado de fora da porta depois do seu banho, o homem que o entregou a ela fora de visão. Mas, estar nas boxers de Vincent manteve sua mente levemente em alerta caso ele entrasse.
Já era embaraçoso o suficiente, mesmo para ela, estar na presença de Vincent Valentine com esse começo intimidador, mas andar por aí com a roupa de baixo dele era algo que ela não esperava.
-Vejo que encontrou um dos meus tesouros.
Tifa apenas retraiu-se para a voz profunda que vinha da entrada atrás de si, os dedos que batucavam ficando lentos até que circundassem a caneca. –Eu nunca vi você com um livro, - ela murmurou, os olhos se fechando em um movimento rápido enquanto deixava o líquido quente correr pela garganta. O pequeno gole forçou sua mente a ficar vazia e seus ombros cederem.
Em um instante, ele estava em pé na frente dela e toda a fadiga que havia infestado seus movimentos desapareceu. Os orbes escuros viajaram lentamente sobre a forma dele antes de seus olhos se encontrarem. A capa tinha ido e o couro que consumia todo o corpo também havia sido removido, expondo um pouco mais de pele que ele normalmente mostraria. Os braços musculosos tencionaram e ela rapidamente espreitou seus olhos para longe no caso dele sentir necessidade de fugir.
-Você tem um rosto, - ela disse, sorrindo docemente para ele. –Nunca pensei que existiria um por baixo de todo esse tecido vermelho.
Isso fora um experimento escasso para manter a atenção dela longe dos seus restos, embora o verdadeiro desejo fosse encará-lo até que estivesse satisfeita.
Vincent grunhiu para a tentativa patética dela de ignorar o que ele tinha exposto para a noite, uma faísca em seus olhos revelando que ele sabia onde os pensamentos a artista marcial haviam se prostrado. –Se você continuar a encarar, talvez acabe caindo.
Limpando sua garganta, lentamente ela retornou a atenção para a caneca fria dentro de seu aperto. –Vai se sentar ou não? – bufou, seu verdadeiro pedido pairando entre eles. Tifa somente podia esperar que o ex-Turk fosse entender.
O atirador de olhos vermelhos ergueu uma sobrancelha até que a guerreira se admirasse, como se isso fosse voar para fora de sua testa.
Ele grunhiu enquanto os dedos enluvados esticaram-se para coçar a pele pálida do outro braço, as extremidades pontudas correndo quase que suavemente pela pele cicatrizada. Aliviando a coceira, ele a circundou, cruzou as pernas e largou o corpo próximo ao dela. Um suspiro escapou de seus lábios enquanto inclinava o topo da cabeça contra as costas do sofá, expondo seu pescoço macio.
Com os olhos dele fechados, Tifa sorriu satisfeita para a oportunidade que tinha. Lentamente, seu foco viajou por todo o braço cicatrizado até os ombros, através do pescoço até o rosto. Inesperadamente, seu corpo girou automático para longe dele e seu estômago libertou-se rapidamente de tudo que havia comido hoje. Tossindo em náusea, ela apertou o estômago enquanto dobrava-se para frente. Uma mão apertou seu ombro enquanto ela piscava para a bagunça.
-Calma, isso é meramente uma reação.
Esfregando a boca com as costas da mão, a cabeça da artista marcial se virou para olhar o ponto rubro dentro das pálpebras pálidas. Seu coração pareceu parar com as palavras dele, e o tempo deixou de existir. –Reação de quê?
A cabeça dele ergueu-se e mais uma vez as mechas caíram sobre sua visão, mas se recusou a empurrá-las para longe. –Tifa, você tem que entender...
Pulando sobre os pés, ela andou em torno do sofá (atenta a bagunça que havia criado) de volta para a porta. –Do que você tá falando?
Vincent ficou em pé e a encarou, seus olhos se estreitando. –Eu fiz isso para sua própria segurança.
Os olhos de Tifa tremularam para a caneca dentro do aperto. –Você, você drogou isso não foi?! – ela demandou deixando a caneca cair e ignorando os estilhaços quando encontrou o chão. Seu peito se ergueu e caiu furiosamente enquanto o corpo exigia mais ar e os pensamentos estancavam-se.
-Você precisava descansar.
-Então você me droga?! – gritou –Que espécie de amigo é você? – Girando nos calcanhares, ela correu para a porta, a maçaneta parecia zombar dela enquanto tropeçava no piso escorregadio.
Vincent manobrou com mais equilíbrio quando saltou por cima do sofá e se arremessou na passagem dela. Ela colidiu nele com um grunhido, determinada a estar o mais longe possível de seu tão clamado amigo.
-Tifa, - ele rosnou em resposta, agarrando os braços dela e a chacoalhando para cessar toda a agitação. Ela ofegou e congelou; seu corpo em um movimento irregular enquanto o veneno penetrava. Sua visão começou a embaçar e Tifa queixou-se. –Fiz isso para o seu próprio bem.
-Vincent, como pôde?! Como eu posso confiar em você agora? Confiei em você com minha vida! Você me salvou e agora faz isso, - ela gritou.
-É um velho truque dos Turks, - disse simplesmente. –Isso ajuda a acalmar os nervos depois de se ver alguma coisa que uma pessoa normal não deveria ver. E o seu cansaço foi até mesmo notado no bar. Você não tem dormido bem desde que Cloud a deixou com as crianças.
Tifa fechou a boca e o encarou. Como ele sabia disso? Os olhos de Vincent procuraram pelos dela enquanto ele, lentamente a largava, recuando um pouco para dar a ela espaço. –Eu fui tão óbvia? – sussurrou, caindo de joelhos.
-Para olhos treinados, sim, - ele assentiu, ajoelhando depois dela.
-Mas você ao menos podia ter me dito o que ia fazer, - ela insistiu, o fitando, posto que sua raiva já houvesse passado. Fechando os olhos, seu corpo pediu que não os abrissem novamente – a droga finalmente tomou conta.
-Então você deveria ter ficado atenta, e isso não teria sido tão eficaz. – ele segurou seus ombros e Tifa não lutou para afastá-lo. Mesmo depois disso, sua confiança com ele continuou forte.
-Vincent?
O atirador grunhiu em resposta. Tifa abriu os olhos e encontrou a si mesma em uma posição muito comprometedora. Sua mente começou a rodar como se ela tivesse consumido muito do próprio álcool. Sorrindo maliciosamente, seu corpo balançou e olhando para o rosto dele, seu sorriso hesitou. –Acho que preciso de uma bebida.
-Outra reação, - ele explicou.
Tifa ergueu as sobrancelhas, -Sério? – Vincent assentiu e quando ergueu a cabeça mais uma vez, Tifa inclinou-se em sua direção e plantou um beijo contra seus lábios. Ela sorriu enquanto suplicava para que ele propagasse os lábios para que sua língua entrasse.
Afastando-se depois de um pequeno sucesso, sua boca seguiu o maxilar dele até a base do pescoço, dando um beijo carinhoso sobre o pulso.
-Tifa, - Vincent se empurrou para longe, os olhos arregalados para o efeito da droga nela.
-Mm, eu já te disse que você é o cara mais honesto por aqui? – Outro sorriso inocente e os olhos dela se fecharam. Seu corpo afundou na direção do peito do atirador enquanto ele a segurava.
Vincent estremeceu quando ela dormiu contra ele. A pele ainda formigando devido ao toque dela e um dedo revestido de ouro se ergueu para correr ao longo de seu lábio inferior. –A droga, - murmurou, e cuidadosamente a levantou em seus braços. Ela precisava ir para a cama, embora ele soubesse que depois de tudo isso, sua mente não estaria pronta para cair no sono.
Espero que tenham gostado desses cinco caps. que postei ^.^. Vou traduzir mais outros cinco em breve, como podem ver.. é um trabalho árduo e duro -,-' *mãos calosas* xD Mandem reviews para que eu passe para a escritora ^.^. Arigatou,
Ryu-Sayuri~*
