CAPÍTULO 2

O Jogo do Cabide

Foi tudo muito rápido. Rony ouviu a magia que foi berrada, viu um jato de luz verde claro vindo em sua direção e, antes que pudesse fazer qualquer coisa, foi nocauteado pela luz, sendo arremessado contra o chão.

Depois disso, o silêncio.

Uma pontada dolorosa espalhou-se pelas costas de Rony, mas ele não se importou com ela; sorriu. Estava vivo; um Avada Kedavra dado por alguém despreparado, sem forças para matar. Ele ouviu um suspiro. Ergueu-se rapidamente, mas, quando finalmente colocou-se de pé, a pessoa já havia desaparecido.

Ele respirou fundo, recuperando o controle...

-Rony? – ele virou-se. Era Harry.

-Oi, Harry – ele secou o suor do rosto. – Desculpe não ter esperado por você, mas é que você parecia muito animado conversando com o Colin, aí resolvi vir na frente...

-É, eu vi quando você saiu, aí vim logo atrás... – Harry olhou o amigo de cima a baixo. – Rony, está tudo bem? Você está pálido, suando...

-Não... Não estou não – disse Rony, forçando um sorriso. – Está tudo bem. Tudo muito bem.

-Tem certeza?

-Absoluta – ele abriu ainda mais o sorriso; não estava afim de relatar o que havia ocorrido, nem queria mergulhar em especulações sobre quem havia tentado matá-lo. Ele sorriu de verdade quando viu que Harry havia se convencido de que nada havia ocorrido. – Vamos jogar uma partidinha de baralho para nos distrairmos?

-Claro, vamos até a sala comunal pegar o baralho e depois descemos para jogar!

Passaram em frente ao banheiro feminino, onde, caída no chão, Clarissa chorava, desesperada, com ódio do seu fracasso. Se não conseguia matar o garoto que amava com uma Maldição da Morte, de que maneira conseguiria

-Eu ainda não sei como, Rony Weasley – falou ela para si própria. – Mas ainda arranjarei uma maneira de acabar com a sua vida de uma vez por todas. A sete palmos debaixo da terra você há de sair da minha cabeça.

Ela secou as lágrimas, enquanto murmurava, com amargura...

-Eu te amo... Eu te amo...


-Nada, nada, nada... – murmurou Joyce, decepcionada, enquanto ela e as garotas continuavam a examinar o livro. – Tudo bem que ainda estamos na metade, mas eu não tenho grandes esperanças quanto a este livro...

-Só poções fracas e rituais que não seguram um homem para a vida toda – comentou Alone.

-Eu ainda acho que poções e rituais desse tipo seriam muito mais seguros – falou Hermione. As garotas a fitaram, iradas, e ela pôs-se a explicar. – Eu sei que todas nós os queremos para sempre, mas... E se depois não quisermos mais? E se, com o tempo, a paixão se desgastar. Se, de repente, vemos que eles não são o que imaginávamos? Não digam que isso é impossível, porque é possível sim. Se até um casamento pode ser desfeito através do divórcio, porque nos envolvermos num ritual mágico que não tenha forma de ser encerrado?

-Tudo bem, Mione, eu entendi o seu ponto de vista – falou Lanísia. – Acontece que, se pegamos um ritual mesquinho e fraco como esses que estamos encontrando no livro, colocamo-lo em prática e, depois de um certo tempo, de repente, o efeito se acaba, perdemos os rapazes novamente! Imagine, imagine a situação... Eu, após uma tórrida noite de amor com Augusto... Ah... – ela se abana com a mão, tentando se livrar do calor que a imagem havia despertado. – Acordo, começo a acariciar o peito dele, e vou colocando meu corpo nu sobre o corpo dele. Começo a despertá-lo com chupadas no pescoço, beijos nos mamilos e selinhos na boca.

-Uh-uh! – exclamou Serena, tendo um calafrio.

-Se aquiete aí, foguetinho – zombou Alone.

Serena fez-lhe uma careta, enquanto Lanísia continuava...

-Augusto desperta, desnorteado, me vê nua diante dele. Eu imagino que ele vá me amar novamente, mas, ao contrário, Augusto dá um grito e me joga no chão, perguntando: O que estou fazendo aqui? Sai correndo, foge de mim, nunca mais o vejo e, aí sim, o perco definitivamente.

-Viu, Hermione? – perguntou Joyce. – Existem os dois lados da moeda. Os pós e os contras de um ritual perpétuo, assim como os pós e os contras de um ritual passageiro.

-E, mesmo assim, se pesarmos na balança, o ritual perpétuo é mil vezes melhor, e com maiores probabilidades de dar certo – falou Alone. – Então, meninas, vamos continuar a procura?

Elas debruçaram-se novamente sobre o livro. Clarissa se juntou ao grupo, dizendo que estava tudo bem, que só tinha saído para tomar ar. A maioria das garotas já estava ficando com sono quando Harry e Rony entraram na biblioteca...

-Alerta-macho! Alerta-macho! – exclamou Serena. Imediatamente as jovens se empertigaram, arrumando as vestes e ajeitando os cabelos.

Harry e Rony aproximaram-se. Rony segurava um baralho trouxa nas mãos, e os dois pareciam estar procurando uma dupla para uma partida. Eles avistaram as meninas e se aproximaram:

-Nossa, um grupo de garotas falando freneticamente dentro de uma biblioteca – comenta Rony. – Não deve ser boa coisa!

Hermione corou, escondendo o livro debaixo da mesa. Clarissa, que sentiu o rosto esquentar, levantou-se, nervosa.

-Ergh, não era à toa que eu tinha acabado de comentar com as meninas que o ambiente tinha sido infestado por um odor péssimo, muito de repente... – disse, rispidamente. Apanhou a bolsinha de alça lilás e, num movimento exagerado dos cabelos, despediu-se. – COM LICENÇA! – e saiu, apressada, quase tropeçando, deixando Rony com a mesma cor que seus cabelos avermelhados.

-Ah, Rony, não liga para essa garota mimada! – disse Harry. – Ela é mal amada, isso sim! – as meninas se entreolharam, meio encabuladas. – Além do mais, viemos aqui para um fim muito bom:

-BARALHO! – diz Rony rapidamente, se empolgando tão de repente que deixou entregar um leve sorriso de quem vai aprontar.

-Baralho... – repetiu Joyce, pensativa. O sorriso malicioso de Rony despertou a malícia mais que exagerada da garota. – Humm... Sabem, eu adoraria meninas, e como! Mas preciso muito, muito mesmo, terminar um trabalho da Frieda, e... – Joyce não conteve uma gargalhada, ao ver a cara de Serena se contorcendo ao ouvir o nome de seu karma. – Larga de bobeira, menina! Aliás, você também não pode ficar, precisamos terminar esse trabalho, ai droga, é pra amanhã!

-Não, dããããã! O trabalho é pra segunda feira – discordou Serena.

-É pra amanhã.

-Não é não, lembro muito bem do que aquele encosto da Frieda disse, e...

-É PRA AMANHÃ! – gritou Joyce. Rony e Harry levaram um susto; Alone quase caiu da cadeira. – Eh, digo... – Joyce corou. – Serena, querida... – Joyce virou os olhos na direção dos garotos, depois na direção de Mione e Alone e, em seguida, juntou os dedos indicadores num movimento discreto, enquanto repetia. – É pra amanhã, entendeu, docinho?

Serena olhou para os garotos, depois virou a cabeça para as jovens (enquanto Joyce revirava os olhos), fitou os dedos de Joyce. Olhou novamente nos olhos da amiga, com a testa franzida. Mordeu o lábio, pensando. E, finalmente...

-Ah, é! Entendi!

-É, né, como você é esperta – disse Joyce, espumando de raiva.

-Você que é, hein? Safadona!

-Eh, Serena, por favor...

-Sim, você tem razão! – ela entrou no clima. – Tenho um trabalho enorme da Frieda para fazer, será muito trabalhoso, muito trabalhoso mesmo, meninos, vocês nem podem imaginar! – ela levantou-se e apoiou-se no ombro de Harry. – Você acredita que aquela nojenta pediu para que fizéssemos um trabalho gigantesco sobre...

-Tudo bem, Serena, não temos tempo! – interrompeu-a Joyce.

-Nossa, é mesmo, precisamos entregar esses pergaminhos! – se apressa Hermione, querendo fugir, mas era inevitável...

-Nem vem Mione – interrompe Joyce, empurrando-a para a cadeira. – Você já fez há umas duas semanas, não precisa nos acompanhar. E NEM LEVANTA VOCÊ TAMBÉM, MOCINHA! – completou, apontando freneticamente para Alone, que toma um susto. – Sei muito bem que você declarou toda orgulhosa que terminou os pergaminhos na noite passada. Sem falar que você é a melhor jogadora aqui, tem que vencer esses bundões!

Alone, corando levemente, não tinha argumentos contra a amiga, sem falar que era um fato entre eles que ela jogava bem. Tentou se salvar olhando para Hermione, que lançou um olhar de desespero para a amiga, e desviou novamente o olhar. Tinha que encarar Potter tão cedo assim?

-Então formaram as duplas... Potter e Weasley, e Alone e Mione – disse, Joyce contente de si mesma. – Ah, não, não, mocinha... você não quer jogar! – ela lançou um olhar maquiavélico para Lanísia. – Realmente você não quer jogar!

-E por que ela não ia querer jogar? – questionou Rony.

-Porque, definitivamente, ela não defenderia nós, mulheres, da mesma forma que as duas. Além do mais, ela tem que fazer o trabalho do professor Augusto!

-Ah, é verdade... o trabalho do Augusto! Fui!

As três meninas se foram, deixando os meninos de pé, encarando as meninas, sentadas, levemente coradas pela oportunidade para com os meninos que amam.

-E então, vamos começar? – perguntou Rony, movimentando o baralho habilmente com as mãos.

-Sim, mas acho melhor irmos jogar em outro lugar – disse Alone, evitando olhar para Harry. – Madame Pince pode confiscar o baralho se nos pegar jogando aqui na biblioteca...

-Tem razão – concordou Mione. – Qual seria então o lugar ideal para jogarmos?

-Ah, isso é fácil! – disse Harry animado. – O lugar ideal é aquele lugar que se transforma no lugar ideal!

-A Sala Precisa! – exclamou Rony. – Claro! Vamos até lá!

Os rapazes saíram na frente, enquanto Mione e Alone seguiam atrás, trocando olhares de desespero. No momento em que atravessava a saída da biblioteca, Alone foi agarrada por um par de mãos que a puxaram para a escuridão. Como ela já imaginava, era Joyce.

-O que você quer? Já nos empurrou para jogar com os garotos, e...

-Ah e você acha que será uma simples partida? Não, não, querida Alone. Vocês vão participar do Jogo do Cabide!

-Jogo do Cabide? – indagou Alone, mas logo percebeu do que se tratava. – Ah, não, Joyce, eu já paguei aquele mico de jogar o Harry no chão, e...

-Você poderá vê-lo pelado.

Alone mordeu o lábio...

-Tudo bem, eu topo – esfregou as mãos. – Ai, Harry pelado... Digo... Então, estamos indo jogar na Sala Precisa, e...

-Excelente! Você precisa correr, Alone! Se você desejar que a Sala se transforme num lugar perfeito para um Jogo do Cabide, ela terá tudo o que vocês precisam!

-É verdade! Tenho que correr! Jogo do Cabide! Harry peladinho! Ai! – saiu correndo para alcançar os outros e chegar antes de qualquer um ao corredor da Sala Precisa.

-Espero que elas consigam ver muita coisa, ou tudo, do corpo dos garotos! – disse Joyce para Lanísia, que estava ao seu lado.

-Quem me dera ter uma oportunidade dessas de ver o Professor Augusto fazendo um strip – ela deu uma risadinha. – Se bem que não ia me satisfazer por completo. Não ia adiantar ver e não tocar.

-No nosso caso não, né, mas Alone e Hermione... Hermione principalmente... Nossa, eu dava tudo para ver essa cena!

-Humm, dava o que? – zombou Lanísia.

-Deixe de ser boba... Falando em boba... Cadê a Serena?

-Lewis veio chamá-la enquanto você falava com a Alone. Ela ficou de nos encontrar depois no Salão Principal. Vamos até lá, Joyce, estou morta de fome.

-Vamos sim... Agora... O que será que Lewis quer com ela?


-Não – disse Serena, empurrando Lewis com a mão. O rapaz tentava lhe beijar na penumbra de um corredor próximo ao Saguão de Entrada.

-Não vai mais deixar que eu a toque, é isso?

-Sim. Agora você só toca em mim quando me pedir em namoro.

Lewis suspirou e a fitou, incrédulo. Coçou a cabeça, impaciente.

-Serena, você... Não pode fazer isso comigo! Sei muito bem que você me ama tanto quanto eu te amo. O nosso amor é tão forte, tão bonito!

-Será que você acha isso mesmo, Lewis?

-Acho! Claro que sim. Ainda vou namorar você, casar com você, fazer todas essas coisas. Só temos que esperar a...

-...sua mãe me aceitar... – completou ela. – Lewis, eu já cansei, ta legal? Cansei desse papo furado e dessa conversa mole! Dessa vez eu tomei mesmo uma decisão, e não voltarei atrás: enquanto você não me pedir em namoro, não teremos mais nada!

-Mas...

-Sem "mas", Lewis! Cansei! Não vou esperar que aquela coruja velha da sua mãe me aceite, aliás, pouco me importa o que aquele urubu pense de mim, porque o que me importa é você! É com você que quero viver, não com aquela mosca morta da sua mãe!

-Será que você pode repetir o que disse, Sra Bennet?

Serena empalideceu e virou-se. Frieda Lambert a olhava com rispidez, crispando os lábios finos com força, coçando o queixo com suas unhas longas.

-Com muito prazer, Sra Lambert – disse Serena. – Eu a chamei de coruja velha, mosca morta, urubu e, se quer saber, eu gostaria de ter chamado até mesmo de coisa pior... Múmia velha... Espectro... Zumbi... E vai descendo o nível... Porque você, Sra Lambert, é tudo o que existe de pior!

-Eu exijo respeito, garota! – Frieda perdeu o controle. – Sou sua professora, e...

-Grande bosta! – Serena riu. – Não sou hipócrita, Sra Lambert. É tudo isso o que eu acho da senhora mesmo. E, se quiser, eu repito tudo isso...

-Vamos ver se você vai gostar de repetir durante o castigo que vou impor a você...

-Mamãe, por favor...

-Fique quieto, Lewis, eu não pedi a sua opinião! – vociferou Frieda, apontando um dedo ameaçador para o rapaz.

Serena observou Lewis, que obedeceu prontamente a ordem da mãe, e depois voltou a olhar para Frieda.

-Acha que todos devem obedecer a senhora como o seu filho faz, não é? Abana o rabinho, lambe a sua mão, e só a senhora estalar os dedos! Mas as coisas não são assim, Sra Lambert. Nem todos vão abanar o rabinho pra senhora.

Frieda segurou o braço dela com força.

-Você vai agora mesmo cumprir a sua detenção. E você verá porque todos acabam me obedecendo!

Antes que Serena pudesse responder, Frieda começou a caminhar pelo corredor, a segurando pelo braço. Lewis seguia atrás, desesperado.

-Mamãe, largue-a, por favor...

-CALADO, LEWIS! SOME DAQUI!

-Mas...

-SOME!

Serena observou o rapaz baixando a cabeça e parando de tentar segui-las. O coração de Serena estava disparado; não podia disfarçar que sentia um pouco de medo de Frieda... O que aquela louca ia fazer? Para onde a estava levando?

Frieda abriu a porta da sua sala e jogou Serena no chão.

-A partir de agora... – ela conjurou uma garrafa de vidro com a varinha. – Você vai aprender a me obedecer... – ela jogou a garrafa de vidro no chão; os cacos voaram pela sala. Com um movimento de varinha, Frieda juntou os diversos cacos num montinho. E, com uma expressão de maligno prazer, ordenou. – Ajoelhe-se.

Serena olhou para os cacos e depois para o rosto cruel da professora, incrédula, pasma com o que teria que fazer...


O quarteto se encaminhava até o corredor da Sala Precisa. Hermione olhou desconfiada para Alone, que parecia estar mais animada e um tanto saltitante.

Aproximou-se da amiga e cochichou:

-Posso saber o por que dessa animação toda?

-Ah, por nada... – mentiu Alone. – Estou contente por estar indo jogar uma partidinha de baralho com o Harry, só isso.

-Sei não... Não confio nem um pouco em você.

-Que isso, Mione... Relaxe...

Finalmente eles chegaram ao corredor.

-E agora, vamos passar pela parede três vezes – disse Harry – nos concentrando no que estamos precisando: uma sala perfeita para um jogo de baralho...

-Espere! – interrompeu Alone. – Não precisa de todos nós... Pode deixar comigo, Harry! Eu faço a sala aparecer... Tudo bem?

Harry franziu as sobrancelhas, olhou para Rony e para Mione, que balançaram os ombros.

-Tudo bem, pode ir.

Alone concentrou-se e começou a caminhar, de um lado para o outro, três vezes, pensando, com todas as forças de sua mente...

Precisamos de uma sala para jogarmos uma partida do Jogo do Cabide... Uma sala perfeita para o jogo perfeito... Uma sala para o Jogo do Cabide...

Assim que ela passou pela parede pela terceira vez, uma porta lustrosa surgiu. Alone esfregou as mãos, ansiosa.

-E então? Vamos entrar? – perguntou ela, olhando, eufórica, para Harry, Rony e Hermione.

Todos concordaram com a cabeça. Harry adiantou-se até a porta, girou a maçaneta de latão e abriu. Ia entrando quando se interrompeu, perplexo.

-Minha nossa...

-O que foi, Harr... Oh! – exclamou Rony, parando ao lado do amigo.

-Mas... O que é isso? – indagou Harry, boquiaberto.

-É mesmo – disse Hermione, olhando irritada para Alone e repetindo a pergunta num tom furioso. – O que é isso?

Alone espiou para dentro da sala. Não pôde deixar de sorrir; estava diante de uma sala pequena, com uma mesa ao centro, rodeada por quatro banquinhos de madeira. Ao lado da mesa havia um gigantesco cabide, pronto para receber todas as peças de roupa dos quatro jogadores. A sala era iluminada por uma fraca luz avermelhada, que lhe dava um aspecto misterioso e sensual.

-Caraca... Alone, o que você desejou? Um prostíbulo? – perguntou Rony.

-Claro que não – respondeu a garota, corando. – Eu só... Só pedi... Uma sala para jogarmos...

-Ah, com certeza não foi só isso – retorquiu Harry. – A Sala Precisa segue exatamente o que a pessoa deseja. Você especificou que queria um cabide e uma iluminação erótica?

-Não! Eu apenas... Especifiquei o jogo que nós íamos jogar...

-Quatro de quatro?

-RONY!

-Desculpe, Mione... Mas isso é erótico demais!

-Não foi nada disso! Nada disso! Eu apenas pedi uma sala para que nós jogássemos o Jogo do Cabide!

-Não... – balbuciou Hermione.

-Oh! – exclamou Rony, levando a mão à garganta.

-Jogo... do Cabide? – perguntou Harry, sem compreender.

-Eu vou ter um ataque cardíaco... – Rony levou a mão ao peito num movimento dramático.

-Jogo do Cabide... – murmurou Mione. – Alone, como pôde decidir o que vamos jogar sem nos avisar?

-Desculpem, eu... Achei que vocês iam gostar, só isso...

-Alguém pode me explicar que jogo é esse?

-Jogo do Cabide, Harry! – disse Mione, exaltada. – Um jogo em que, a cada perda, uma peça da sua roupa vai parar naquele cabide ali!

-O que?

-Exatamente! E apenas os vencedores ficam vestindo alguma coisa no final, pois os que vão ficando pelados são eliminados!

-Mas... Eu não vou jogar um negócio desses! Nem pensar! – disse Harry, exaltado. Ele olhou para Alone. – Você não tem jeito mesmo, não é? Depois de me jogar no chão vem com isso?

-Harry, eu...

-Querem saber? Eu não vou ficar aqui nessa sala. Vou-me embora, encontrar outras pessoas que queiram jogar algum jogo decente de baralho.

Ele estendeu a mão para a maçaneta e a girou; o gesto foi inútil. A porta estava trancada.

-Droga... Mais essa...

-O que foi, Harry?

-A porta não abre, Rony!

-Claro que não – disse Alone, que estava de braços cruzados, encostada num canto. – "A sala perfeita para o jogo perfeito", foi assim que eu pedi. Provavelmente não poderemos sair enquanto não jogarmos e concluirmos uma partida completa do Jogo do Cabide...

-Não... – balbuciou Mione, nervosa.

-Eu morro aqui, mas não jogo esse jogo pervertido! – exclamou Rony, frustrado.

Harry suspirou e colocou a mão no ombro do amigo.

-Lamento, Rony, mas acho que não teremos escolha. Ou jogamos a partida dessa porcaria de jogo ou nunca mais saímos daqui...

-Mas... Mas... – ele olhou para as garotas, ficando vermelho.

-Não temos escolha, Rony – disse Hermione, cabisbaixa. – É jogar ou jogar.

Harry lançou um olhar de revolta para Alone e pegou o baralho das mãos de Rony. Puxou um banquinho para si e sentou-se, enquanto embaralhava as cartas.

-Vão sentando, pessoal. Vamos tentar acabar com tudo isso o quanto antes.

Rony sentou-se ao lado do amigo. Mione foi até o par de banquinhos do outro lado da mesa e puxou um deles para si. Alone descruzou os braços e encaminhou-se para o banquinho ao lado da amiga.

Um silêncio fúnebre tomou conta da salinha. Harry terminou de embaralhar e começou a distribuir as cartas entre os jogadores. Assim que terminou a distribuição, Harry tomou fôlego e disse:

-Boa sorte a todos... e... Vamos começar... O Jogo do Cabide...

Todos sentiram um frio na barriga de tensão e expectativa...


Os olhos claros de Clarissa fitavam o vazio... Ela olhava para o teto encantado do Salão Principal, mas sua mente não estava concentrada no céu estrelado e azul escuro...

Ela pensava em Rony... Seu amado Rony... Numa maneira de exorcizar aquela paixão... Ela já sabia que só conseguiria se livrar dele se ele estivesse morto... Mas de que forma acabar com a existência de Rony Weasley sem sujar as próprias mãos?

-...o Weasley é podre...

A simples menção do sobrenome a despertou. Clarissa olhou ao redor, a procura de quem teria dito aquilo. A entonação fora fria, com um toque de ódio... Quem teria dito?

-Não sei como deixam alguém tão ridículo estudar nessa escola...

Finalmente, ela localizou: era Draco Malfoy.

Claro... Ele odiava Rony; havia inventado uma canção para ridicularizá-lo no primeiro ano dele como goleiro da Grifinória. Um ódio não tão intenso como o seu, mas não deixava de ser ódio.

-Humm... – murmurou Clarissa baixinho. – Já sei quais serão as mãos que se sujarão com o sangue do meu amado ruivinho...


Serena olhou para os cacos de vidro novamente. Eram pontiagudos e faiscavam, iluminados pela luz do teto. Virando-se para o rosto magro de Frieda, ela disse, balançando a cabeça:

-A senhora só pode estar brincando...

-Não estou – disse Frieda sem sorrir. – Você vai se ajoelhar nesses cacos de vidro, e vai ficar ajoelhada o tempo que eu quiser.

-Você não pode me obrigar a isso... É minha professora, mas não pode...

-Posso sim. Eu sou a sua professora, garota, você me ofendeu e eu a obrigo a se ajoelhar nesses cacos de vidro para pagar pelo que você falou!

-Nunca, ouviu bem? NUNCA!

Frieda segurou os braços dela com força. Serena engoliu em seco; o rosto da velha próximo ao seu tornava-se ainda mais assustador; os olhos dela tinham um brilho vidrado, maníaco...

-VOCÊ VAI SE AJOELHAR, GAROTA!

-Não... Não vou...

-VOCÊ VAI!

Frieda largou os braços dela, a virou com tudo e a empurrou em direção ao chão. Serena conseguiu desviar o corpo um pouco, mas, ao espalmar as mãos para amortecer a queda, as colocou sobre dois cacos de vidro. Ela gritou, rolando para o lado, berrando e se contorcendo de dor, enquanto sentia o sangue começar a escorrer.

-Não... Não, por favor...

-NÃO IMPLORE, SUA NOJENTINHA! – Frieda a ergueu do chão pelos cabelos, sem se preocupar com os gritos e os ferimentos da garota. Ela colocou Serena próxima aos cacos, ainda a segurando pelos cabelos loiros. – Agora você VAI SE AJOELHAR!

-Não, por favor... – pediu Serena, as lágrimas escorrendo, fitando as mãos trêmulas manchadas de vermelho. – Por favor...

-CALE A BOCA! Agora você verá o que é dor...

Ela ia empurrar o corpo de Serena para que ela se ajoelhasse sobre o vidro quando a porta da sala se abriu com estrondo.

-PARE, FRIEDA!

Ela largou o cabelo de Serena e virou-se. Minerva McGonagall estava na porta, olhando-a com fúria. Serena afastou-se dos cacos e encostou-se na parede, ainda chorando compulsivamente. Minerva olhou para os cacos de vidro, depois para as mãos de Serena e em seguida para a professora.

-Frieda! – exclamou ela, esbaforida. – Você enlouqueceu?

-Essa aluna me desacatou, professora...

-Castigos desse nível não são mais permitidos em Hogwarts, você já devia saber!

-Ela me ofendeu de maneira profunda, Professora...

-Não importa! Você tem que arranjar uma detenção severa, mas que não cause ferimentos físicos no aluno! Isso é contra as regras da escola!

Frieda contraiu os lábios, como se estivesse se segurando para não falar o que tinha vontade. Olhou para Serena, que ainda chorava, com as mãos estendidas, e depois para a diretora. Suspirando, Frieda falou, sem sentimentos:

-Desculpe, Professora McGonagall. Isso não vai mais acontecer.

-Ótimo – disse Minerva, enquanto se encaminhava até Serena. – Vamos, querida, deixe eu examinar esses cortes... Humm... Bem profundos, pobrezinha...

-Está doendo muito, professora... – gemeu Serena.

-Já vai passar, vou fechar esses cortes agora mesmo... – e, num movimento da varinha da diretora, os cortes de Serena se fecharam e pararam de sangrar. Imediatamente a dor cessou, e ela levantou os olhos gratos para a diretora.

-Muito obrigada.

-Apenas corrigi o erro da professora – disse Minerva. – Agora vá lavar essas mãos sujas de sangue e se juntar aos outros alunos. Por minha ordem, diretora da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, você está liberada da detenção.

Serena agradeceu novamente. Enxugando os olhos, parou ao lado de Frieda, que a fitava com os olhos frios.

-Eu sei que existe algum motivo para tudo isso. E pode apostar que ainda vou descobrir.

Frieda não falou nada; em seguida, Serena saiu. Minerva a seguiu, mas antes de sair da sala de Frieda, ela parou e falou para a professora:

-Tenha mais juízo da próxima vez.

Assim que a porta se encostou, Frieda liberou os sentimentos contidos. E, num acesso de fúria, esmurrou a própria mesa.

-DROGA! DROGA! – gritou, furiosa. – Mas a sua punição ainda virá, sua atrevidinha... Pode esperar que virá... Ainda haverá muito sangue e muitas lágrimas, Serena... Muitas lágrimas...


A primeira rodada da partida terminou. Harry e Rony baixaram as cartas, satisfeitos, diante dos rostos decepcionados de Alone e Hermione.

-Ganhamos... – disse Harry, contente.

-Droga... – murmurou Alone.

-Posso saber o por que dessa felicidade toda, Harry? – perguntou Mione.

-Porque ganhamos, ué... – falou ele, balançando os ombros. – Por que seria?

-He-he-he! – Rony sorria e esfregava as mãos, eufórico. Todos o encararam; ele corou e se conteve. – Eh... desculpem...

-Tudo bem, vocês venceram, agora vamos logo com isso – disse Alone, já arrependida de ter aceitado a idéia maluca de Joyce. – Qual parte vocês querem que a gente tire?

Harry e Rony se entreolharam.

-A calcinha!

-Rony! – falou Harry, atônito. – Não tem nem como elas tirarem a... Essa peça que você disse... – o rosto dele ardia de vergonha. – Garotas, tirem as blusas...

Tranqüilamente, Alone e Hermione tiraram as blusas, ficando apenas com as camisetas que usavam, bem coladas ao corpo. Rony deu uma risadinha.

-Sem comentários, por favor – pediu Mione. – Embaralhe novamente, Harry. Vamos logo.

Mais uma rodada aconteceu, todos muito ansiosos por vencer e não serem obrigados a colocar uma peça de roupa no cabide. No final, eles baixaram as cartas, e foi constatada a vitória dos meninos, outra vez...

-Não! – gritou Mione, desesperada.

-Sim, sim, sim... – cantarolou Rony.

-Porcaria... – resmungou Alone. – Andem, qual a peça que temos que tirar?

-A camisetinha! – adiantou-se Rony, antes que Harry se intrometesse. – Desculpe, Harry, mas se eu deixo você falar é perigoso que você peça para elas tirarem as meias!

-A... camiseta? – perguntou Hermione.

-Vai logo, Hermione – disse Alone, tirando a dela e ficando apenas de sutiã; Hermione fechou os olhos, e, com uma careta de desespero, arrancou a camiseta.

Ela encolheu-se toda, tentando cobrir o sutiã; olhou para os garotos, totalmente constrangida...

-Vamos logo... Por favor, acabem logo com isso...

A próxima rodada se iniciou.

-Agora é com a gente! – disse Mione para a amiga. – Vamos vencer essa partida!

Hermione e Alone se concentraram o máximo que puderam. No fim, quando as cartas foram baixadas e os jogos revelados, elas viram que o esforço valeu a pena...

-VENCEMOS! – exclamou Hermione, abraçando a amiga.

-Opa... – murmurou Rony.

-Queremos... queremos... – gaguejou Alone, ansiosa. – Queremos que vocês tirem as camisetas!

-Isso! – exclamou Mione, movimentando o braço em sinal de vitória; em seguida, pigarreou. – Digo... É, se Alone diz, façam...

Rony e Harry hesitaram por um momento; em seguida, ergueram as camisetas, desnudando os peitorais na frente das garotas. Ambos se encolheram, envergonhados.

-Nossa, Harry, quem diria... – ofegou Alone. – O que achou, Hermi... Hermione?

Ela olhou para a amiga; Hermione estava com a boca aberta, um fio de baba escorria pelo canto da boca e os olhos dela estavam fixos, vidrados, no peito de Rony.

-Hermione? – chamou Alone novamente.

-É tão... – Alone estalou os dedos antes que ela falasse qualquer coisa, e Mione despertou; limpou a baba e corrigiu-se. – É tão... Tão vergonhoso... Nossa... Que vergonha! Horrível...

-Continuando... – disse Harry, embaralhando as cartas para a próxima rodada...


Serena entrou no Salão Principal sem olhar para os lados e sentou-se ao lado de Joyce e Lanísia.

-Serena, o que aconteceu? – perguntou Joyce. – Quanta demora, já estávamos ficando preocupadas, e...

-Vocês não vão acreditar no que a Frieda fez – ela fitou as amigas, e Lanísia percebeu como os olhos da amiga estavam vermelhos e inchados.

-Você esteve chorando? – ela perguntou.

-Sim. Só podia estar, não é, depois de tudo o que aconteceu...

Serena relatou o encontro com a professora. Joyce e Lanísia ficaram espantadas com o ódio e a maldade de Frieda, sem falar no sangue-frio.

-Essa mulher devia ser presa! – exclamou Lanísia, revoltada.

-Também acho – concordou Joyce. – E o Lewis, nada ainda?

-Não... Nada... Quis me dar uns beijos, mas eu disse que ele não encosta em mim enquanto não me pedir em namoro... O que é impossível acontecer, nós já sabemos... Droga, meninas, precisamos encontrar logo o ritual perfeito naquele livro!

-Sim, você tem razão – disse Joyce. – Vamos até lá agora continuarmos a verificar!

-Ah desculpe, Joyce, mas quero me deitar, esfriar a cabeça – falou Serena. – Depois daquele pesadelo, tudo o que eu quero é sossego...

-E você, Lanísia?

-Eu... – Lanísia fitava o professor Augusto, que jantava na Mesa Principal. – Eu tenho um serviço a fazer... Provocar o meu professor...

-Entendi... Então eu vou até a biblioteca e pesquiso sozinha – Joyce levantou-se da mesa. – Nem que eu passe a madrugada inteira consultando aquele livro, mas dessa noite não passa: eu encontro o ritual.

Serena também se levantou e foi para a sala comunal. Lanísia ficou sozinha, olhando para o professor. Augusto percebeu que a garota o fitava; ela flagrou os olhos dele olhando-a rapidamente, e depois se desviando para o prato. Lanísia aproximou-se mais da ponta da mesa, que se encontrava vazia, para ficar o mais perto possível da mesa dos professores. Abriu as pernas na cadeira, ficando de frente para a mesa e para o professor. Ela ergueu um pouco mais a saia que usava, e ficou olhando-o com as pernas abertas.

Augusto levantou os olhos. Ele olhou para o rosto dela; Lanísia sorriu provocante e abriu ainda mais as pernas. Ela o viu ofegar; os olhos do professor desceram para a abertura da saia, para a calcinha rosada que se revelava, as pernas provocantes. Augusto fechou os olhos com força; Lanísia deu uma risadinha...

-Algum problema, Augusto? – perguntou a Professora Sprout.

-Não, nenhum... – ele olhou novamente para as pernas da garota. – Nenhum, nenhum... – virou-se rapidamente para a professora.

-Está um pouco vermelho...

-Impressão... Impressão sua... – ele apanhou um lenço do bolso e secou o suor da testa.

Lanísia fingiu que estava procurando alguma coisa no chão. Em seguida, ao ver que nenhum professor olhava – exceto Augusto, que não conseguia fugir – ela baixou a calcinha lentamente por baixo da mesa. Ele ofegava, enquanto acompanhava o movimento da calcinha... Lanísia tirou-a e a girou nos dedos, ainda por baixo da mesa.

Augusto secou o suor novamente...

Lanísia passou a língua pelos lábios...

Em seguida, levou um dedo a boca e o mordeu com os dentes...

O suor escorria pelo rosto do professor...

Lanísia sorriu, provocante, e abriu as pernas novamente, como se estivesse se arrumando para sair...

E o professor não conseguiu se conter...

Os olhos dele cravaram-se no que as pernas abertas revelavam...

Agora não havia mais calcinha...

Ele fitava a intimidade de Lanísia...

Tão linda... Tão convidativa...

Lanísia fez uma expressão de puro êxtase...

O suor escorria...

Ela lambeu os lábios...

Ele via tudo...

-Professor?

-Ah! – ele gritou, tomando um susto; derrubou a taça que segurava, que se espatifou no chão. Secou o suor com urgência; ao olhar novamente para a garota, viu que Lanísia já havia se levantado da mesa e caminhava em direção a saída.

-Professor... Tem certeza que está tudo bem? – era a Professora Sprout outra vez. – Está suando muito, respirando sem parar...

-Não... Está tudo bem... - ele a viu acenar antes de sair do Salão. – Tudo muito bem...

O professor encheu um novo cálice de suco de abóbora e o virou com tudo; precisava de algo gelado para esfriar a temperatura do corpo. Aquela garota queria enlouquecê-lo...

-Com licença... Vou para os meus aposentos – disse ele, retirando-se da mesa e saindo do Salão.

Havia acabado de atravessar as portas quando as mãos de Lanísia o puxaram para o canto. A garota o encurralou contra a parede.

-Lanísia, por favor... – disse Augusto, apavorado, olhando para o Saguão; felizmente, ele estava vazio naquele instante.

-Sabe por que eu lhe mostrei tudo aquilo? – perguntou ela, com a boca próxima a dele. – Porque é tudo seu... Tudo seu...

Ela beijou o pescoço dele, enquanto o acariciava com as mãos.

-Quero você... Mais que tudo... Quero você... – sussurrava ela, provocando-lhe arrepios.

-Você está louca, garota... Está louca! – exclamou o professor, a empurrando. Augusto saiu correndo em direção a sua sala, deixando sozinha uma Lanísia sorridente.


-Ganhamos! – Hermione e Alone trocaram um aperto de mão vitorioso.

-Que bom, mais uma peça vai voar... Digo... – Mione deu outro fora. – Não precisaremos tirar uma peça... E... Vocês sim!

-A calça! A calça! – disse Alone, batendo palmas.

Harry e Rony tiraram os cintos, sem sequer olhar um para o outro. Em seguida, levantaram-se e desceram as calças pretas. Alone esticou o pescoço para ver as coxas de Harry...

-Alone, não faz isso! – disse Mione, fingindo que ia puxar a amiga, tudo numa estratégia para ver as pernas de Rony. Quando finalmente conseguiu o ângulo exato, parou e ficou admirando. – Uau, é tão... Ohhhh...

As duas caíram no chão; não protestaram de dor, pois aquele ângulo tornou-se ainda mais privilegiado para que os corpos desnudos fossem contemplados, e para aumentar a ansiedade em ver o que a única peça que ambos vestiam escondia.

-Que maravilha... – suspirou Alone, olhando o corpo de Harry.

-Parem com isso! – disse Harry, sentando-se novamente no banquinho. – Que horror...

-Eu vou morrer de tanta vergonha – murmurou Rony, completamente encolhido, sentando-se.

-Rony, por favor... Precisamos ganhar essa partida!

-Se perderem, será melhor – disse Alone. – O Jogo do Cabide termina e aí poderemos sair dessa sala, e...

-NUNCA! – gritaram Harry e Rony em uníssono.

-Tudo bem, tudo bem... – falou a garota. – Então que vençam os melhores!

A rodada ocorreu, tensa... Cada um se concentrou ao máximo; os garotos para que não precisassem ficar nus; as garotas, para que pudessem ver tudo o que queriam...

As cartas foram baixadas e...

Vitória de Alone e Hermione.

-YESSSS – elas berraram, comemorando. – Ganhamos o Jogo do Cabide!

-Não... – falou Rony, olhando para Harry. – Não podemos...

-Podem não, devem – corrigiu Alone. – Andem! Tirem a cueca.

Eles respiraram fundo, corados. Olhando para o teto, para aquela iluminação sensual, Harry e Rony, contorcendo-se de vergonha, abaixaram as cuecas de uma só vez.

-Oh! – disse Alone, se abanando.

-Então é assim? – perguntou Mione, pasma com a descoberta.

-É tão... Lindo... – falou Alone, prestes a desmaiar.

-Lindo não. É diferente.

-Você sabia que eles não ficam só assim, Hermione?

-Não?

-Não! Eles não ficam apenas desse tamanho, entende. Eles mudam...

-Como magia?

-Exato! É como se fossem tocados por um Feitiço de Enchimento, ou Alongamento, e...

-QUEREM PARAR COM ESSE PAPO FURADO DE MENININHAS, POR FAVOR! – berrou Harry, jogando a cueca no cabide. – VAMOS... VAMOS EMBORA DAQUI!

Ele girou a maçaneta da porta, que finalmente girou, destrancada.

-Hummm... Que bundinha... – disse Alone.

Harry olhou-a revoltado.

-Esqueci... Minhas roupas... – ele apanhou as peças do cabide e começou a se vestir; Rony fez a mesma coisa, sem virar para trás, tentando preservar a parte traseira. – Ótima idéia, Alone... Parabéns por ter inventado esse jogo estúpido...

-Pra mim foi gostoso...

-Mione!

-Gostoso assim... Vocês não me entenderam! Gostoso de se jogar... Como uma brincadeira, um divertimento...

-Não houve nada de divertido – resmungou Rony, olhando pela última vez para o sutiã rosado de Hermione, que o cobriu ao vestir a camiseta.

-Está acabado – disse Harry, vestindo a camiseta. – Vamos embora, Rony!

Os rapazes saíram. Alone e Hermione saíram logo atrás, enquanto continuavam o papo sobre as divisões do corpo masculino e se divertiam nas lembranças daquele jogo inesquecível.


Já era quase meia-noite e Joyce cochilava sobre o livro A alquimia do amor. Depois de folhear várias páginas e não encontrar um ritual que fosse satisfatório, o sono vencera a vontade e ela não conseguira resistir.

Subitamente, uma lufada de vento envolveu o ambiente; as páginas do livro viraram, e uma das velas que ardiam próximas à garota caiu. A chama tocou numa página do livro, que começou a pegar fogo. Joyce despertou.

Tomou um susto ao ver o fogo tão perto. Afastou-se, e ia puxando a varinha quando algo na página em que a pequenina chama queimava chamou sua atenção...

Era um desenho gigantesco... Um desenho de várias mulheres ao redor de uma imensa fogueira... Um pouco mais abaixo havia a continuação... As mulheres jogavam papéis no fogo... E, das labaredas, junto com a fumaça, saíam pequenos corações...

Os olhos de Joyce fitaram a pequena chama que queimava o papel.

-Fogo...

Ela voltou a atenção para o título do ritual, que estava ao lado da chama. E, quase sem conter a emoção, ela leu:

A Fogueira das Paixões.


NA: E assim termina o segundo capítulo! Aguardo os comentários, agradeço por cada um que já recebi, obrigado pela força! Espero que tenham gostado!