CAPÍTULO 5

Doce sedução

Draco balançou a cabeça com força, como se quisesse se libertar de algo preso a ela. Fechou os olhos e esfregou as têmporas; o que estaria acontecendo com ele? Por que ele sentiu aquele ódio momentâneo do Weasley, ódio que não era tão fora do comum, mas um tipo de ódio diferente, um ódio que chegava bem perto do ciúme?

Talvez não fosse ciúme, pensou Draco, começando a caminhar pelo dormitório, inquieto. Talvez fosse uma pontada de inveja. Inveja pela felicidade de um de seus maiores inimigos; inveja porque Rony conquistara uma garota, enquanto ele, Draco, vivia de pequenos rolos e amassos e nunca conseguia uma namorada, alguém com quem pudesse rir, compartilhar sonhos, segredos e ilusões; alguém com quem pudesse caminhar de mãos dadas, aos risos, nos jardins de Hogwarts, como Rony fazia naquele momento... com Hermione.

Uma fúria incandescente subiu pela garganta do rapaz...

Isso não é certo... Ele com Hermione... não é certo...

E, sem se conter, Draco deu um murro violento na parede.

Assim que sua mão encontrou a parede e a dor se espalhou pela sua mão, ele arregalou os olhos, surpreso. O que estava acontecendo? Que fúria era aquela? Por que ele estava socando a parede daquela forma? Por acaso estava tentando descarregar o ódio que sentia? Mas de onde provinha esse ódio?

-O que está acontecendo comigo? – murmurou Draco, para si mesmo, enquanto continuava esfregando as têmporas. – O que está acontecendo comigo?

Ele fechou os olhos, tentando se libertar da fúria. O esforço foi em vão...

Na escuridão, ele via pequenos flashbacks do que havia visto.

Rony e Hermione rindo. Caminhando. De mãos dadas. Felizes. Juntos. Um casal. Um casal feliz. Unidos num só sentimento. Unidos pelas mãos. Eles riem. Estão animados. Contentes. Felizes. Rindo. Juntos.

-Não... – agora ele apertava a cabeça, tentando se livrar daqueles flashbacks perturbadores, que não paravam de passar na escuridão, indomáveis. – Isso não é certo... Não...

Mãos dadas. Felizes. Logo se beijarão. E dos lábios irão para o resto. Para o corpo. Se enlaçarem como dois animais no cio. No ato do amor. Ele vai abrir a blusa dela, beijar-lhe a pele. Tocar-lhe o seio. Penetrar-lhe o corpo. Cheirá-la. Amá-la. Acariciá-la. Tocá-la.

Ele via tudo. Rony a amando... A tocando...

Rony a ouvirá suspirando de prazer. Ele vai amá-la. Ele vai tê-la para si. Ele. Ele. Ele. Só ele.

-ISSO NÃO!

Ele berrou.

O berro dissipou as malditas imagens, como se uma tv fosse desligada dentro do cérebro do garoto; ele abriu os olhos; estava parado no meio do quarto, com a testa suada, a respiração acelerada. Um lampião se acendeu.

-Draco? – perguntou a voz de Crabbe. – O que aconteceu?

Draco, um tanto confuso, olhou para o amigo, ainda ofegando. Arrumando o pijama, que tinha se colado as suas costas devido ao suor, Draco respondeu, rindo.

-Nada... – ele sentou-se na cama, perplexo. – Está tudo bem.

-Não parece – insistiu Goyle, que também tinha despertado. – Você gritou, e está aí, todo suado, respirando feito um doido, e...

-ESTÁ TUDO BEM! – berrou Draco. – Deixem-me em paz e tudo ficará melhor ainda!

Goyle e Crabbe se entreolharam. Balançaram os ombros e voltaram a se deitar, sem dizerem sequer mais uma palavra.

Draco voltou a se deitar. Sua cabeça doía. Seu coração batia acelerado. E ainda pensava em Hermione.

"Isso é ridículo", pensou ele. "Não posso estar pensando tanto naquela Sangue Ruim nojenta e metida a sabichona. É um absurdo... Uma loucura.".

Ele deu uma risadinha. Era ridículo levantar a hipótese de que ele estaria sentindo ciúmes. Sempre odiara aquela garota. Aquela era uma ótima piada.

E assim Draco dormiu, fingindo para si mesmo que estava tudo bem. Mas, no mundo indomável dos sonhos, onde ninguém tem controle sobre o que se vê e o que se sente, ele via Hermione, Hermione se oferecendo para ele, linda, o chamando para beijá-la, para amá-la.

E foi assim durante toda a noite.

Seus sonhos sendo perturbados por aquela garota. Sonhos que ele consideraria absurdos quando despertasse, principalmente porque sempre havia labaredas de fogo ao redor da Hermione da sua inconsciência...


-Ah, que dia lindo! – exclamou Hermione, radiante, espreguiçando-se.

De fato, o dia do lado de fora estava belíssimo. Os raios de sol atravessavam as janelas, banhando o dormitório com uma forte luminosidade; no céu não havia nuvem alguma, apenas a imensidão azul. Porém, Joyce, Clarissa, Alone, Lanísia e Serena sabiam muito bem que o dia estava mil vezes mais lindo para Hermione, por razões que elas conheciam.

-Vocês também não acham que este dia está maravilhoso? – perguntou Hermione as garotas, enquanto se encaminhava para uma das janelas.

-Espero que seja maravilhoso – disse Lanísia, se maquiando na frente do espelho. – A primeira aula é do Augusto... Vamos ver se alguma coisa vai mudar depois da Fogueira.

-Claro que vai – disse Alone, confiante. – O que aconteceu entre Rony e Hermione é a prova viva disso.

-É, talvez, mas eu só acredito quando tiver aquele professor aqui, na palma da minha mão – falou a garota. – Ou melhor... quando tiver aquele professor aqui dentro.

-Nossa, precisa chegar tão longe para que você finalmente acredite no poder da Fogueira? – perguntou Hermione.

-Tão longe? – indagou Lanísia, tirando os olhos do espelho e olhando perplexa para a amiga. – Isso será só o começo. Você não faz idéia da variedade de coisas que pretendo praticar com esse professor... Isso é pouco diante do que pretendo e vou fazer com ele... ou melhor, do que ele vai fazer comigo. Será assim: eu passo as instruções, o professor pratica... E com certeza vai praticar muito bem praticado.

As garotas riram.

-Já sabe como testá-lo? – perguntou Serena. – Porque eu sinceramente acho que nem todos serão tão diretos quanto o Rony.

-Você sabe que eu venho testando o Augusto desde o começo – falou Lanísia. – Acho que fui a que mais testei o pretendente. Eu praticamente me ofereci para ele, lancei todos os tipos de indiretas possíveis, todos os olhares... Ou seja, vou continuar da mesma maneira que vinha fazendo. Se a Fogueira surtiu o efeito esperado, a única diferença é que ele não vai resistir às provocações.

Ela cruzou as pernas e piscou.

-Também vou continuar do mesmo jeito – disse Serena. – Vou encurralar o Lewis num corredor novamente, e pressioná-lo para que comecemos a namorar. Se as labaredas da Fogueira realmente são tão certeiras quanto o livro diz ser, ele vai aceitar dessa vez.

-Humm... Ainda não pensei na maneira como vou abordar o meu superdotado – Joyce passou a língua pelos lábios; aquele "superadjetivo" sempre a deixava com água na boca. – Tudo o que eu sei é que não sossego enquanto não conhecer o que ele esconde debaixo daquelas calças.

-Nossa, como vocês são diretas! – espantou-se Clarissa.

-Diretas não, realistas – corrigiu Lanísia.

-Apoiada – falou Joyce. – É a mais pura verdade. Enquanto eu não ver aquilo tudo, ah, não sossego de jeito nenhum... Meninas, está incontrolável! Tive sonhos fortíssimos essa noite! Não consigo parar de pensar no Juca e no seu "supertalento"! É impressionante, mas não sossego enquanto meu corpo não conhecer cada milímetro do que ele esconde.

-Quanta curiosidade! – disse Alone. – Eu não tenho tanta. Se bem que eu já vi o do Harry, né... E a Mione também viu o do Rony.

Hermione ficou vermelha.

-É... Mas... Não precisa ficar lembrando... Daquele dia... – ela engasgou, sem graça.

Alone riu com a reação da amiga.

-Não fique sem graça, Mione, estamos entre amigas! Bom, apesar de conhecer muita coisa do Harry, também não sei como chegar nele...

-Querem saber o que eu acho? – Clarissa manifestou-se.

-O que? – perguntaram as outras Encalhadas em coro.

-Que vocês não devem ficar pensando numa maneira de abordá-los, perdendo tempo com isso... O livro foi bem claro: a Fogueira é certeira! Com toda a certeza os garotos estarão aos nossos pés! Por que, antes de pensarmos numa forma de abordá-los, não descemos até o Salão Principal e vemos o que acontece?

Elas se entreolharam.

-É, acho que você tem razão – concordou Serena.

-Ótimo! Então, não vamos perder tempo – disse Clarissa. – Vamos logo!

Assim, elas terminaram de se vestir e desceram para o Salão Principal. Clarissa realmente estava ansiosa para descer logo. Mas, ao contrário das garotas, que queriam ver os resultados em quem amavam, ela queria ver os resultados em quem desejava manipular com o poder do fogo.


O Salão Principal estava a mesma coisa de todas as manhãs; as mesmas pessoas; os mesmos ruídos de talhares arranhando os pratos; os mesmos rostos cansados.

Todos estavam nos mesmos lugares de sempre. Augusto tomava seu café da manhã em sua cadeira na Mesa Principal; Rony devorava pilhas e pilhas de torradas ao lado de Harry; Draco implicava com Goyle por causa de sua gulodice; Juca estava sozinho, limpando as lentes grossas dos óculos com a manga das vestes; Lewis soltava as suas previsões do tempo mais pessimistas – enquanto Dino Thomas dizia ao seu lado que o dia seria de sol forte, Lewis lembrava que "– sol forte causa câncer de pele, Dino, além de terríveis queimaduras... Ah! Também acaba com os cabelos!"; enfim, o dia seguia o seu curso normal.

E foi também da mesma maneira de sempre que as Encalhadas cruzaram as portas do Salão Principal, conversando sobre coisas banais, analisando o ambiente com o olhar.

No entanto, aquele abrir de portas foi diferente para cinco rapazes que estavam ali. Aquele momento alterou o ciclo do "dia normal" para cinco homens ali presentes; aquele instante não alterou apenas o resto do dia, alterou também os outros dias que viriam, modificaram o que eles pensavam, o que eles sempre viam. Foi como se aquele abrir de portas abrisse também portas dentro deles mesmo, portas que eles desconheciam, portas do coração, portas da mente, portas que liberavam sentimentos até então desconhecidos, desejos que estavam escondidos, os expulsando com força total.

Aquele abrir de portas mudou tudo.

Naquele instante, os olhos de Augusto, Harry, Draco, Juca e Lewis se arregalaram, ao mesmo tempo em que todas aquelas portas internas se abriam dentro deles.

O que seus olhos viam, ninguém mais via.

Lá estavam...

Lanísia, movimentando graciosamente os cabelos; Alone, passando sensualmente a língua pelos lábios; Hermione, apertando os seios de maneira provocante, os fazendo parecer ainda mais atraentes e maiores; Joyce, levando a mão para perto do meio das pernas, de modo muito convidativo, olhando para o teto, num olhar sensual; e Serena, caminhando com passos lindos, cruzando as pernas ao caminhar, de maneira suave e belíssima.

E, na verdade, para olhos normais, lá estavam...

Lanísia, coçando os cabelos com uma careta; Alone, estirando a língua pra fora da boca e umedecendo os lábios para o "rango"; Hermione, ajeitando o danado do sutiã que estava apertando os seus peitos de maneira muito incômoda; Joyce, com uma coceira chata bem "naquela região", olhando para cima para disfarçar a coçadinha; e Serena, tropeçando, ficando com as pernas totalmente tortas para não cair.

Elas se encaminharam para os seus lugares de sempre, acompanhadas por aqueles cinco pares de olhos que enxergavam o que ninguém conseguia enxergar; beleza em movimentos que, na verdade, de belos, não tinham nada.

-Ai, cadê o meu Harry? – perguntou Alone, esfregando as mãos e com um sorriso safado estampado no rosto.

-Será que eles já estão mais apaixonados? – indagou Serena, buscando Lewis com os olhos.

-Claro que estão! – disse Joyce, confiante. – Todos devem estar como o Rony.

-Meninas – a voz de Lanísia estava cheia de alegria. – Olhem só a cara do Professor Augusto!

Todas as Encalhadas olharam para a Mesa Principal; Augusto estava imóvel, com o olhar fixo em Lanísia; havia um cálice em uma de suas mãos, que estava suspensa no ar, como se ele tivesse interrompido o movimento de repente, atraído por alguma coisa muito importante que tivesse visto; o rosto dele estava um tanto pálido, e os olhos, tão arregalados que era de surpreender que não caíssem de seu rosto e saíssem rolando pelo chão.

-Perfeito! – exclamou Joyce, levantando-se, sorrindo.

Juca acompanhou aquele movimento da garota; olhou para o lado e viu a parte traseira de Joyce, tão grande e tão linda, apertada naquelas calças jeans; era tão estranho... Nunca tinha visto que ela possuía os quadris largos, que ela tinha o corpo tão lindo. Era magnetismo puro; seus olhos não conseguiam desviar-se; e, também como se houvesse algum misterioso magnetismo, aquele que atraía uma moeda a um imã, outra parte de seu corpo, oculta, começou a se movimentar, a se erguer. E o imã era aquele corpo.

Juca afundou um pouco na cadeira, um tanto vermelho, para ver se conseguia esconder aquela estranha excitação que o pegara desprevenido.

Serena captou o movimento do rapaz e indicou para Joyce, que olhou para o lado onde Juca estava sentado, o mais discretamente possível.

-Ah, ele afundou na cadeira... – Joyce parecia à beira das lágrimas de tanta emoção. – Ele... Ele escondeu o baixo-ventre! Isso só pode significar uma coisa...

Ela levantou o dedo indicador, sorrindo.

-Isso!! – exclamou Alone, animada. – Você também conseguiu, Joyce!

-É, e consegui movimentar justamente a parte que mais me interessa... Ah, deve ser tão potente que é de surpreender que a calça não estoure e ele não levante um pouquinho dessa mesa!

Todas gargalharam.

-Caraca, olhe só, Alone! – disse Joyce, sentando-se novamente. – Você não vai acreditar...

-No que?

-Vire-se e veja como está o seu querido Pottinho...

Alone virou-se e olhou; Harry estava totalmente suado, como se a temperatura ali dentro atingisse os cinqüenta graus Celsius; e talvez atingisse mesmo, ela pensou, triunfante. Com certeza havia um vulcão em erupção dentro do corpo de Harry, expelindo lavas de desejo e paixão, o queimando por dentro, dilacerando seu ser, movimentando o seu baixo-ventre, o fazendo transpirar.

Ele a olhava um tanto assustado, como se não pudesse compreender aquele vulcão de desejo e sentimento que, do nada, havia entrado em erupção; um vulcão que ele com certeza julgava não existir. Ela lembrava muito bem das palavras de Harry no dia em que o jogara no chão: Eu gosto de outra. Outra pessoa.

Havia outra pessoa na jogada; provavelmente era por essa pessoa que os desejos e sentimentos de Harry estavam voltados. Era por essa pessoa, que ela não sabia quem era, mas sabia da boca do próprio Harry que existia, que o vulcão dentro dele entrava em erupção. E, de repente, lá estava ele, sentindo uma atração incontrolável por ela, ouvindo o coração palpitar descontroladamente. Muito de repente. Devia estar admirado. Assustado. Chocado. Surpreso. E ela conseguia entender porque.

Tinha aquela pessoa intrusa dentro do coração dele e a Fogueira das Paixões a tratara de expulsar.

E ela ia dar uma forcinha para a Fogueira...

Como quem não quer nada, Alone levou a mão para a alça da blusa que vestia e a ergueu. Rapidamente, levantou os olhos para Harry para ver o efeito; o rosto de Harry ficou mais vermelho; ela viu uma enorme gota de suor deslizando pela testa...

Alone fingiu que ia descer a alça; ela viu a respiração de Harry tornar-se ainda mais rápida, e o olhar assustado ganhar mais intensidade.

Ela podia até mesmo imaginar o que ele estava pensando: Por que estou sentindo isso? Por que de repente a Alone se tornou tão atraente e irresistível? Por que aquela pessoa parece que foi totalmente banida e apagada da minha mente e agora só consigo ter olhos para a Alone?

Pensando nessa turbulência interna de pensamentos com a qual Harry devia estar batalhando, Alone sorriu, sentindo uma espécie de prazer por estar causando tudo aquilo.

Ah, como era gostoso provocar... Como era perfeito ver a provocação tendo efeito. Era maravilhoso ver alguém transpirando e se torcendo de desejo por ela...

Era maravilhoso ser desejada.

Ainda sorrindo, sentindo o prazer de ser um bombom suculento que, a meio caminho de ter a embalagem aberta, é tirado da mão do dono, que fica com água na boca, ela arrumou a alça da blusinha e, tirando os olhos de Harry, verificando que ele realmente estava com água na boca, ajeitou-se na cadeira e voltou a atenção para as meninas.

-Ai, ai... – ela suspirou, satisfeita. – Eu sou linda. Eu sou o máximo!

-Olha a humildade, hein, Alone – brincou Lanísia.

-Você sabe muito bem do que estou falando. A gente se sente assim, incrível, quando vemos que estamos enlouquecendo outra pessoa. E o melhor é provocar e não revelar. Ficar apenas na provocação...

-Totalmente apoiada – disse Lanísia. – Aliás, você me lembrou bem. Tenho que testar o Augusto durante a primeira aula...

-E o Lewis? – perguntou Serena, agoniada. – Ele não está olhando para mim...

As meninas viraram-se para encarar o garoto. Lewis tinha os cotovelos apoiados na mesa. As mãos seguravam a cabeça, que estava abaixada, como se ele estivesse pensando. Sua testa estava franzida. Hermione sorriu.

-Pode ficar tranqüila – disse a Serena. – É visível que ele está se matando para permanecer naquela posição. Para não olhar para você.

-Mas... É isso que ele tem que querer, não é? Olhar para mim?

-Exato, mas ele ainda está no meio de um conflito – disse Joyce. – O romance de vocês sempre foi um conflito. De um lado, está você, linda e loira, a garota que ele tanto ama. Do outro, está a mãe, a megera professora, velha e rabugenta, mas, no fim das contas, é a mãe. Então, nos últimos dias, antes da Fogueira, Lewis optou por ficar ao lado da mãe, para esperar que, num belo dia, ela acordasse e dissesse: "Puxa, a Serena é uma garota bacana! Como não pude perceber isso antes? Ah, eu a quero como nora!". Então, de repente, hoje de manhã, a atração e o amor que ele sente por você foram elevados à qüinquagésima potência! Um arroubo de paixão! Então, do nada, ele vê o jogo mudar dentro dele; de repente, ele está inclinado mais a você do que a mãe. E, mesmo assim, está tentando lutar contra isso.

Serena o olhou novamente. Lewis agora passava a mão pela testa, pensativo.

-Então vocês acham que está tudo certo?

-Com certeza – falou Joyce. – Pressione-o num corredor escuro dessa vez e veja o que acontece. Serena, querida, o jogo virou. Agora ele está a seu favor. Você está no topo, enquanto a megera da sua sogra foi rebaixada. Assim que pressioná-lo, ele vai dizer: Que se dane a minha mãe! Eu quero ficar com a Serena e ponto final!

-A Fogueira queimou o medo que ele tinha, a submissão, como se queimasse um manto encardido – falou Alone. – Agora não resta mais medo. O manto que os separava foi dissipado, queimado pelas labaredas da Fogueira. Quando essa fumaça da confusão se apagar, ele terá os olhos voltados apenas para você.

Serena suspirou, aliviada e feliz.

-Enquanto isso... – Mione levantou-se. – Eu já posso desfrutar os resultados da nossa "arte".

-Isso, vai lá para o seu namorado mesmo, garanto que você ganha mais do que ficar aqui, com esse bando de Encalhadas sonhadoras – falou Lanísia, rindo.

Hermione afastou-se, aos pulos, e foi até Rony, que a recebeu com um beijo na boca, a colocando sobre o colo dele, ali, no meio da mesa da Grifinória. Foi a única coisa estranha que os olhos normais de todos os estudantes e professores conseguiram captar. Automaticamente, um falatório se iniciou, enquanto cabeças e mais cabeças se viravam, a maioria de queixo caído, para o novo casal que, do dia para a noite, se formara.

-Eu não posso acreditar... – murmurou Crabbe, assim como todos os outros.

Ao seu lado, Draco Malfoy esmurrou a mesa. Crabbe e Goyle se sobressaltaram com o impacto; uma das taças virou, despejando hidromel na mesa de madeira.

Eles olharam para o rosto do amigo; a face de Draco era uma máscara de fúria. Seus olhos eram pequeninas fendas que fuzilavam o novo casal.

-Draco? – perguntou Crabbe, cauteloso.

-Isso não é certo... Não é certo... – balbuciava Draco, incoerentemente.

-Draco?

Olhe os lábios deles, como se tocam. Como se esfregam. Olhe a troca de salivas. É um beijo quente, apaixonado, ardente.

-Draco?

A mão de Rony está descendo pelas costas dela, está a acariciando, está a tocando e...

-Draco?

-O QUE É? – vociferou ele.

O tom de voz de Draco foi tão ríspido e em tamanho volume que algumas das cabeças que fitavam Rony e Hermione voltaram-se para o lado dele. Ele corou um pouco; engolindo em seco, Draco tirou um lenço do bolso e secou o suor que escorria pela testa.

-É que... desculpe, mas... Você está muito... diferente.

-Sim – Goyle apoiou. – Ficou irado vendo o beijo do ralé do Weasley com a Sangue-Ruim da Granger.

Draco parou de secar o suor da testa e o fitou em silêncio; Goyle ficou surpreso de não ter mijado nas calças ali mesmo, diante do olhar enigmático que o amigo lhe lançou. Em seguida, para sua imensa surpresa, Draco começou a rir; ou melhor, a gargalhar.

-O que foi que... O que foi que você disse? – ele nem conseguia falar direito no meio do acesso de risos.

-Sei lá, é que... – Goyle estava vermelho de vergonha. – Pareceu-me por um momento... Que você estava nervoso por causa do beijo dos dois e...

-Por que estaria? Hein? – ele secava as lágrimas provocadas pelas gargalhadas. – Por favor, Goyle! Você se superou na sua burrice...

-Mas é que...

-Está bem, você pode me dizer o que ia me irritar naquela cena ali? A Sangue-Ruim nojenta no colo do pobretão? Duas pessoas que eu desprezo totalmente e você, assim como o Crabbe, e também a escola inteira, sabem muito bem disso. Vamos, diga-me! O que poderia me deixar nervoso?

Goyle olhou para Crabbe, depois novamente para Malfoy e sacudiu os ombros.

-Não sei...

-Ótimo. É isso mesmo. Não sabe. Não sabe porque não tem nada para saber. É isso – Draco já estava sério novamente. – E fim de papo – concluiu.

Ele voltou a tomar o café da manhã; aquilo era um absurdo. Como podiam achar que ele tinha se irritado com o beijo daqueles dois? Estava achando muito esquisito os dois juntos, assim como todos que estavam no Salão, só isso e...

Hermione no meio das labaredas de fogo.

As imagens do sonho lhe vieram à mente...

Hermione ajeitando o sutiã ao entrar no Salão Principal. Você gostou, Draco, admita. Você gostou, e o seu camarada aí debaixo também.

E daí? Hermione era mulher. Era normal sentir-se excitado ao ver uma garota ajeitando o sutiã. Aquilo despertava pensamentos sacanas em qualquer garoto.

É, mas você ficou com raiva de vê-los juntos. Ontem à noite e agora no Salão também.

Que mente desgraçada! Draco ficou com vontade de mandar seus pensamentos intrusos calarem a boca. Enchendo o copo com hidromel, Draco virou o conteúdo todo de uma vez. Precisava aliviar o corpo e todo o seu ser.

Aquilo era pura besteira... Não estava sentindo nada pela Hermione. Não havia ciúme algum.

E, mesmo assim, enquanto virava o copo com hidromel, Draco não conseguiu desviar o olhar do casal que se beijava apaixonadamente, assim como não conseguiu conter uma onda quente dentro do seu estômago; uma onda de fúria.


Primeira aula. Defesa contra as Artes das Trevas.

Augusto abriu a porta da sala com um sorriso, e quase teve um ataque cardíaco ao dar de cara com Lanísia.

Ela estava linda naquela manhã; tão linda como ele jamais a vira. Seus cabelos negros estavam mais sedosos e brilhantes; seus cílios, erguidos sobre os olhos muito negros, dando um aspecto ainda mais sensual ao seu olhar já provocante; os lábios, pintados com batom, eram um convite para a perdição e a loucura. Como sempre, ela vestia a saia de Hogwarts que fizera questão de encurtar.

Lanísia passou pela porta e, atrás dela, todos os outros alunos entraram, mas, para Augusto, não havia mais ninguém ali. Ele acompanhava Lanísia caminhando para o fundo da sala, e observava, pela primeira vez, como ela movimentava os quadris graciosamente ao caminhar, e como deixava o seu doce perfume pairando no ar, eliminando todos os outros odores e todos os outros perfumes.

Lanísia sentou-se na última fileira de cadeiras, sozinha. Quando as garotas fizeram menção de ir até onde ela se encontrava, Lanísia as afastou com um gesto de mão. Aquele era o seu momento, e elas entenderam o recado.

Augusto encaminhou-se para a sua mesa. Tentando desviar a atenção de Lanísia, apanhou os livros que guardava na gaveta.

-Então, turma, vamos começar a aula de hoje...

Lanísia cruzou as pernas, como sempre fazia. Augusto atrapalhou-se e derrubou os livros no chão.

Ninguém riu; apenas Lanísia.

-Desculpem, eu... Atrapalhei-me – falou Augusto, muito sem graça, abaixando-se para apanhar os livros que haviam caído. – Como eu ia dizendo, na aula de hoje...

E Augusto começou a aula, procurando evitar olhar para o antro de perdição que se encontrava ao fundo. Estava sempre conseguindo dominar aquela atração e o tesão que sentia por aquela garota, mas, agora, estava se tornando insuportável...

Ele viu quando Lanísia abria a bolsa. Ela abriu a bolsa e, com um sorrisinho de menina levada, tirou lá de dentro uma bela barra de chocolate.

Lanísia começou a abrir a embalagem...

Seus olhos o encaravam e ela sorria...

-...então, os bruxos daquela época diziam que a melhor forma para se livrar dos maus agouros era se ficando em algo muito bom, que gostassem muito, o que...

Ela terminou de abrir a embalagem e, colocando-a ao lado, ergueu a barra de chocolate, mostrando-a ao professor. Augusto, desesperado, começou a suar e a olhar para os outros alunos, com medo que alguém percebesse o que aquela louca estava fazendo.

-...e isso era pura bobagem, aqueles bruxos estavam enganados, porque...

Lanísia olhou para o chocolate, depois para o professor. Augusto mordeu o lábio e ela deu um sorrisinho.

Augusto pigarreou e tentou continuar a explicação.

Lanísia levou a barra em direção a boca. Augusto pensou que ela ia morder, mas ela fez pior; ela começou a passar os lábios ao redor do chocolate...

O professor voltou-se para a turma.

"Não vou mais olhar para o fundo da sala. Não posso olhar. Não vou lhe dar esse gostinho, Lanísia. Você não vai me tirar do sério".

Ele procurava evitar olhar para o chocolate para a sua ilustre companhia – mas era inevitável, impossível de se conter.

E, quando seu olhar encontrou o da menina, ela levanta a mão que segurava a barra até sua boca, e chupa o dedo recheado de chocolate, lambuzando os lábios, sem-querer-querendo. Vai chupando dedo por dedo, deixando por último o dedo maior; o dedo médio, que chupou com mais vontade, enquanto levantava os olhos delirantes para ele, numa expressão quente e sensual.

Lanísia fingiu um pequeno sobressalto, soltando um sussurrante: ops!

Em seguida, passou a língua delicadamente ao redor dos belos lábios desenhados com chocolate, para o aumento da distração e do delírio do professor Augusto...

Ele não agüentou mais...

-Eh... Classe, preciso sair... Não estou me sentindo muito bem... – ainda lançando olhares furtivos para o rosto lambuzado de chocolate de Lanísia, Augusto saiu da sala, de uma vez, deixando todos sem compreender.

Lanísia, rapidamente, guardou a barra de chocolate e limpou a boca com um lenço. Ela ainda sorria satisfeita quando Alone e Joyce viraram-se para ela, boquiabertas.

-É, viram como estou poderosa... – ela disse ao aproximar-se das garotas. – Agora, dêem-me licença. Preciso terminar o que eu comecei...

Lanísia saiu correndo da sala, sem dar satisfações a ninguém. Olhou para os dois lados do corredor, confusa... Para onde Augusto teria ido?

-Não vou perder essa oportunidade... De hoje não passa, professor – ela falou, inquieta.

Já ia começar a caminhar para procurá-lo quando viu que a sala deserta do corredor tinha os lampiões acesos; havia alguém lá dentro. Era perfeito. Sem pensar duas vezes, Lanísia correu para lá, desabotoando um dos botões da parte de cima de sua blusa e puxando a barra de chocolate da bolsa.

Ao chegar perto da porta, ela diminuiu os passos... Esticando o pescoço, viu, através da porta um pouco aberta, Augusto, com a cabeça baixa, respirando aceleradamente, apoiado numa mesa.

Ajeitando-se, ela chutou a porta e a abriu com tudo. Augusto voltou-se imediatamente, assustado.

-Lanísia?? – ele perguntou, aflito. – O que... O que você quer?

Ela não respondeu. Sorriu e, caminhando lentamente até o professor, levou uma mão até a nuca dele e respondeu:

-Você.

Os dois se fitaram por um momento; e, numa fração de segundo, estavam os dois se beijando alucinadamente. Augusto, apavorado, afastou-se, limpando os lábios com a manga da veste.

-Não... Isso não pode... Não pode...

Ele sentou-se na mesa, enquanto esfregava os olhos como um lunático.

Lanísia, séria, levou a barra até a boca e começou a lambê-la. Sua língua deslizava pela barra de chocolate, derretendo-o. Assim que derreteu o suficiente, Lanísia levou um dedo até a barra e passou o dedo lambuzado na altura dos seios.

Augusto abriu os olhos e a encarou...

A menina manchava a pele branca com o marrom do cacau derretido, como se fizesse a coisa mais banal do mundo. Em seguida, Lanísia veio na direção dele, a parte do corpo que antecedia os seios agora sujas de chocolate.

-Diga-me, professor... Sou perfeita, não sou?

Ele não conseguia tirar os olhos daqueles seios fartos que se escondiam debaixo da blusa apertada. Lanísia, ainda com sua expressão indiferente, levou um dedo a barra. Ela ergueu uma das pernas, apoiando-a na mesa em que o professor estava sentado. A saia ergueu-se um pouco, revelando ainda mais as coxas torneadas da garota. Augusto acompanhava tudo com os olhos...

-Diga, professor... – ela deslizou o dedo sujo de chocolate pela perna, bem próximo aos olhos dele. – Você já teve alguma aluna mais gostosa do que eu?

Ele acompanhou a trajetória do dedo, que subia pela perna dela e deixava o rastro marrom...

-Não sou a mais deliciosa delas, professor?

Lanísia tirou a perna da mesa e, desabotoando mais um botão da blusa, subiu no colo do professor, com aquele seu jeito de menina travessa...

Augusto não fez movimento algum para impedi-la. Assim que ela sentou-se, ela sentiu algo sólido ali embaixo, e não era a mesa...

-Ah viu como você gosta? – ela disse, chupando o dedo lambuzado. Em seguida, passou-o novamente próximo aos seios, agora entrando pela divisória dos dois. – Sou a sua aluna mais gostosa, não sou?

Augusto não conseguiu se controlar; estendeu a cabeça e começou a lamber o chocolate que havia próximo aos seios de Lanísia; começou a sugar o chocolate derretido, passando a língua naquela pele quente e doce, enquanto Lanísia fechava os olhos, respirando aceleradamente, sentindo um calafrio ao sentir a barba rala do professor arranhando-lhe a pele.

-Isso... – ela sussurrou. – É isso que você quer não é... Pode lamber... Pode sugar... Tudo...

Lanísia levou um dedo para o pescoço e o sujou de chocolate. Ela levantou a cabeça do professor, o puxando pelos cabelos compridos, e a direcionou para o seu pescoço.

-Agora aqui... – ela falou, ao mesmo tempo em que ele começava a chupá-la no pescoço.

Lanísia se entregava ao momento, de olhos fechados. Ela sentia a excitação do professor por baixo dela; estava rígido e pulsante, pedindo para explorá-la. Lanísia estendeu a mão para a braguilha da calça dele, enquanto ele continuava a chupar-lhe o pescoço.

-Agora, meu professor... Chegou a hora de eu me deliciar com chocolate... – disse ela, baixando o zíper da calça dele.

-Pode se deliciar... – murmurou o professor.

-Sou deliciosa, não sou?

-Sim... – ele cheirava a pele do pescoço dela. – Deliciosa...

-Ótimo, agora sou eu quem vai prová-lo.

Lanísia estendeu a mão. Abriu a calça dele. Ali estava a cueca do professor, branca, já revelando muito mais do que ela jamais havia visto. Lanísia sorriu e levou o dedo de chocolate até a cueca, deslizando-o justamente por cima do membro do professor.

-Você quer que eu limpe isso, professor?

-Quero sim... Limpe por favor...

-Mesmo?

-Sim... – Augusto era puro delírio e loucura. – Por favor... Anda...

-Então, está bem – ela se inclinou, estirando a língua, enquanto seus olhos fitavam o rosto do professor, captando cada gemido e cada sinal de excitação que passava pela face dele.

Lanísia estava quase chegando perto quando o sinal tocou.

Aquele som a sobressaltou, assim como ao professor. Lanísia afastou-se. A sineta pareceu despertar Augusto do que ele estava fazendo. Parecendo confuso e assustado, o professor saiu da mesa e começou a erguer as calças, enquanto olhava para Lanísia com assombro.

-Isso é loucura... Você está enlouquecendo-me, garota! Enlouquecendo-me!

Ela limpou as mãos sujas de chocolate e secou a saliva de Augusto que lhe escorria pelo pescoço. Ela deu uma risadinha.

-É o que eu sempre digo. É essa a intenção, querido.

-Sai daqui! – falou Augusto, abrindo a porta da sala, a puxando pelo braço. – Sai daqui!

-Ah querido, você ainda vai me procurar para que continuemos com a nossa doce brincadeirinha – divertia-se Lanísia.

-É o que veremos – ele praticamente a arremessou para fora da sala, encostando a porta em seguida.

Lanísia estava radiante; sabia que o que ele dizia era pura mentira. Augusto já estava, sem sombra de dúvidas, dominado pelo poder da Fogueira. Nunca, em seu estado normal, a deixaria ir tão longe, e nunca iria tão longe assim. A Fogueira estava começando a agir... Em breve, não sobraria consciência alguma, e ele iria até o fim.

Dentro da sala, Augusto estava desesperado. A situação fugira do seu controle. Se não fosse o sinal, teria ultrapassado o sinal vermelho e teria ido em frente, até o final. E sabia que, da próxima, se não houvesse interferência alguma, acabaria fazendo o que lutava para não fazer...

Agora Lanísia era, mais do que nunca, a mulher que ele mais desejara em toda a vida.

Ele olhou para uma gota de chocolate caída sobre o piso da sala.

Respirou fundo, olhando para aquela suculenta recordação daqueles doces momentos de paixão e loucura.


Naquele intervalo entre as aulas, quando os estudantes caminhavam pelos corredores, Draco Malfoy procurava, no meio da multidão, por Hermione Granger. Não conseguia entender, mas, de alguma forma, queria vê-la.

Finalmente conseguiu encontrá-la, no meio do Saguão de Entrada... Ao lado de Rony.

Claro, eles eram namorados... De quem ela estaria ao lado? Quem ela estaria abraçando?

-É horrível, não é, Draco? – perguntou uma doce voz as suas costas.

Ele virou-se; uma jovem belíssima, de pele alva e olhos muito azuis, estava parada ali, fingindo que olhava ao redor.

-Do que está falando, menina?

-Clarissa! Clarissa Stuart, muito prazer.

-Sei, mas do que você está falando, posso saber?

-Ora, do assunto do dia... Daqueles dois ali... Rony e Hermione...

Draco olhou para o casal novamente; Rony sussurrava algo carinhoso no ouvido de Hermione, que sorria timidamente.

-Na minha opinião, os dois não tem nada a ver um com o outro – disse Clarissa.

-Quer saber? Concordo com você.

-Pois é. Mas... Fazer o que não é? Como entender o amor? Existem casos assim mesmo, que um não tem nada a ver com o outro, mas que dão certo, muito certo.

Draco franziu a testa e olhou para ela.

-Você acha que eles... Eles vão durar?

-Ah, com certeza. Estão muito coladinhos. É daqueles romances que vão para o altar, com certeza.

-Será?

-Sim. Esse é, com certeza, um romance daqueles "até que a morte os separe".

Ela viu Draco engolir em seco e fitar novamente o casal. Aproximando-se mais de Draco, Clarissa disse, baixinho.

-Ou seja, nada pode separar os dois. A não ser a morte, Draco...

Antes de afastar-se, ela repetiu, sussurrando ao pé do ouvido.

-A não ser a morte...

Draco ficou ali, olhando para o casal, enquanto as palavras de Clarissa perfuravam-lhe a mente sem parar. Ele balançou a cabeça, confuso... Tolice. Aquela garota estava louca.

Ele tomou o rumo da sala de Feitiços, onde teria a próxima aula. E, por mais que tentasse se distrair, a voz daquela garota não parava de soar em sua mente, como se fosse uma canção funesta e interminável...

A não ser a morte, Draco... A não ser a morte, Draco...

A não ser a morte...


NA: Espero que tenham gostado! Bom, peço desculpas se os personagens andam passando dos limites, mas é o que eu sempre digo, meus personagens tem vida própria e eles é que decidem o que devem fazer, e não sou eu quem vai impedir hehe. Como é uma fic com tramas paralelas, de capítulo em capítulo uma trama sempre se sobressai, e nesse foi Lanísia e o professor.

Conto com vocês nos próximos capítulos e também com o seu comentário! Abraços!!