CAPÍTULO 6

Perdendo a razão

Após aqueles momentos de beijos e abraços no Saguão de Entrada – momentos presenciados pelo espectador que eles nem sabiam existir, Draco Malfoy – Rony e Hermione começaram a subir a escadaria de mármore para se encaminharem para a próxima aula quando uma faixa gigantesca, enrolada, passou levitando ao lado deles. Enfeitiçando a faixa, Minerva passou por eles com um sorriso, sendo seguida por um bruxo que eles nunca haviam visto. Rony e Hermione interromperam o trajeto, assim como todos os estudantes que estavam ali perto, e observaram a professora levar a faixa até uma das paredes do Saguão de Entrada. Chegando no local em que ela desejava, Minerva fez um movimento com a varinha e a faixa se abriu, afixando-se na parede.

Minerva afastou-se para contemplar o resultado, enquanto todos arregalavam os olhos e liam o conteúdo da enorme faixa:


O

LORENZO´S

TEM O ORGULHO DE APRESENTAR COMO EVENTO DE ABERTURA O

ANIVERSÁRIO DA DIRETORA MINERVA McGONAGALL

Sábado

Às 19 horas

Com música ao vivo, bebidas e comidas variadas, Cantinho de Amor e Pegação e, fechando a grande noite, o grande e exclusivo:

BAILE

Encontre seu par e dance com ele um excelente repertório de músicas românticas!

Contamos com a presença de todos vocês para que essa noite se torne inesquecível.

Venha conhecer e testemunhar a estréia do grande estabelecimento jovem de Hogsmeade com esse grande evento!!

LORENZO´S

O bar que é a cara da sua turma!


-Que massa! – exclamou Rony, abraçando a namorada com força. – Um point de encontro jovem em Hogsmeade! Esse lugar deve ser ótimo!

-Com certeza – concordou Hermione. – Será muito divertido... Humm... Adorei a idéia do baile, meu amor, mas, principalmente – ela passou os braços em torno do pescoço dele – o tal do Cantinho de Amor e Pegação...

-Ah claro que você gostou – disse Rony, a beijando nos lábios enquanto deslizava as mãos pela nuca da garota. – Com um namorado desses, qualquer "cantinho" vira sinônimo de beijos, amassos e loucuras.

-É, falando em sinônimos já vi que Rony Weasley não é sinônimo de modéstia – eles riram juntos e se beijaram, apaixonados. Em seguida, Mione ergueu os olhos para o rapaz que estava ao lado de Minerva, conversando com a diretora. – Quem será ele?

-Posso saber o por que do interesse? – indagou Rony, fazendo cara de enciumado.

-Larga de ser bobo... Só uma curiosidade natural.

-Professor não é... Então, pelas roupas que ele usa e pelo que está escrito na faixa, deve ser algum funcionário ou talvez o dono do tal Lorenzo´s.

-Parece que vamos saber agora... – disse Hermione, percebendo que a diretora fazia um sinal com a mão, pedindo a atenção dos estudantes que estavam no Saguão.

-Olá a todos – começou Minerva, com um sorriso. – Como podem ler nesta faixa, o meu aniversário será comemorado no sábado no novo estabelecimento de Hogsmeade, o Lorenzo´s. Será o evento de abertura do estabelecimento. Este ao meu lado é o dono do local, o querido amigo Lorenzo Martin.

O bruxo acenou, também sorrindo. Era um homem que tinha por volta de trinta anos. Moreno e alto, tinha um penteado moderno e olhos muito negros. Trajava camiseta e jeans desbotadas; ou seja, um visual muito diferente para os padrões do mundo bruxo. Tinha uma prancheta colorida na mão; a prancheta possuía um símbolo impresso, que parecia um bruxo dançando e segurando uma varinha em uma mão e uma caneca na outra – era o símbolo do Lorenzo´s.

-Eu, muito ousada – continuou a diretora – fui atrás de Lorenzo para descobrir se poderíamos fazer a abertura do Lorenzo´s com o meu aniversário e ele, muito bondoso e educado, aceitou, portanto, conto com a presença de todos vocês em minha festa!

-E não esqueçam de encontrar um par para o Baile! – falou Lorenzo. – Posso garantir a vocês que valerá a pena... O Cantinho de Amor e Pegação é sensacional!

Alguns alunos deram risadinhas. O flerte já se iniciou naquele momento, com alunos se aproximando de alunas, nervosos, tensos; era a corrida por um par.

-Sabe, odiaria essa idéia de baile se não estivesse com você – comentou Rony a Mione. – É um sufoco ter que se aproximar de uma garota e fazer o convite.

-Esqueça, não haverá mais preocupação – falou Mione acariciando o rosto do namorado.

Rony viu Harry parado próximo a escadaria, com uma expressão de preocupação no rosto.

-Mione, vou até ali falar com o Harry. Ele parece meio estranho...

Hermione olhou para o amigo; de fato, Harry parecia mais pálido do que o normal, e estava muito inquieto, como se lutasse consigo mesmo contra uma idéia absurda – e ela sabia muito bem o porque daquele conflito.

A Fogueira.

-Já volto, Mione – disse Rony, beijando-lhe a mão e correndo para perto de Harry.

Hermione cruzou os braços, fitando o cartaz, enquanto aguardava; não queria chegar perto de Harry naquele momento. Ele estava agindo de uma forma não muito agradável ao poder da Fogueira, e ver o amigo daquela forma a deixaria com um sentimento horrível de culpa.

Do alto da escadaria, Draco Malfoy via a oportunidade se abrir...

Finalmente, Hermione estava sozinha. Tão linda... Ele sabia que ela estava namorando, mas não ia conseguir se controlar... Não ia sossegar enquanto não falasse com ela, enquanto não a convidasse para ir ao baile com ele.

Começou a descer as escadas, decidido, sem tirar os olhos dela; todo o resto do Saguão lhe era indiferente; não via os jovens convidando as garotas; não via Rony falando com Harry; nem mesmo a própria diretora com Lorenzo; não via mais nada, a não ser aquela garota, tão radiante em beleza que lhe chegava a ofuscar os olhos.

Ela era sensacional... Como não havia percebido antes? Como...

Não havia percebido porque ela era Hermione Granger; a Sangue-Ruim. Filha de trouxas. Sangue podre. A ridícula CDF que sempre tem a resposta na ponta da língua.

Ele estancou. Balançou a cabeça. Estava mesmo ficando maluco... Claro. Hermione era uma Sangue-Ruim desgraçada, um sangue tão apodrecido que nunca poderia se envolver com um Malfoy; não tinha nível para tanto. Era uma Sangue Ruim nojenta e...

Apesar de tudo era linda. O corpo maravilhoso. Beijá-la seria um sonho, um delírio. Como eram graciosos todos os seus movimentos, até mesmo um leve afastar de cabelos. Tudo nela era especial.

Com os olhos arregalados de admiração, Draco voltou a descer a escadaria, sem parar. Só parou ao chegar ao lado dela e tocar-lhe o ombro.

Hermione virou-se, admirada ao encontrar Draco.

-Malfoy? – seu rosto demonstrava claramente o quanto era estranho Draco a chamá-la de modo tão educado. – O que você quer? – perguntou, um tanto ríspida.

-Calma – ele pediu, gentil. – Não fique brava. Só estou aqui porque queria convidá-la para o baile.

-O que? – Hermione não podia acreditar no que tinha escutado.

-Isso mesmo. Vim convidá-la para ir ao baile comigo. Ser o meu par.

A boca dela estava aberta; era incontrolável. Draco Malfoy a convidando para ir ao baile? Querendo a companhia dela? Pedindo para ir com ela?

-Draco, você está bem?

-Sim! Melhor impossível! Claro, ficarei melhor se você aceitar o meu convite...

-Isso não tem cabimento... Não é possível – Mione riu com o absurdo da situação. – Não pode estar acontecendo! – ela pigarreou e tentou ficar séria. – Draco, já seria absurdo se eu estivesse sozinha, assim, você, que sempre me odiou, chegar e me convidar para ir ao baile com você, e, agora que eu estou namorando, e você e toda a Hogwarts sabem muito bem disso, essa situação fica mais absurda ainda! Estou namorando, Draco, namorando, ou seja, vou ao baile com o meu namorado!

Ele ficou um pouco constrangido e sem graça.

-É, eu imaginei. Mas achei que valia a pena tentar, e...

-Pois pode esquecer. Não sei com qual intenção você veio aqui dar em cima de mim, mas, seja por qual motivo que for, pode esquecer. Não vou ao baile com você. E ponto final.

Mione deu as costas para ele, e ia afastar-se quando Draco a interrompeu, apertando o seu braço com força, forçando-a a voltar-se para ele.

-NÃO! – ele falou, ríspido.

Mione arregalou os olhos, enquanto fitava a expressão fria de Malfoy e sentia a pressão violenta dos seus dedos em seu braço...


Hermione ficou mais alguns instantes encarando o rosto frio e rude de Malfoy. Em seguida, tentou desvencilhar-se do aperto de sua mão.

-Draco, solte-me... – ela esganiçou-se, enquanto fazia força para livrar-se das mãos dele.

Draco apertou ainda mais o braço dela e a trouxe para mais perto de si.

-Não! Não posso deixar você ir enquanto você não perceber o erro que está cometendo! Olhe para o seu namorado, olhe bem! Ele não é nada! É um incompetente, um bruxo mesquinho, pobretão, não só pobre de dinheiro, também pobre de espírito! Sem valor algum, um sem futuro! É isso que você quer ao seu lado? Diga-me! É ele que você quer?

Ele a chacoalhava um pouco enquanto esbravejava. Seus olhos cinzentos estavam arregalados, vidrados e Hermione sentiu o coração disparar; Draco estava com uma expressão doentia e, sim, ela estava com medo.

-Draco, por favor... – ela engoliu em seco. – Solte-me, por favor...

Dessa vez, ele a chacoalhou de verdade, largando o braço dela e a segurando pelos ombros.

-Não é possível! Você tem que ver que ele não serve pra você! Que ele é o errado! Que o certo sou eu! Eu, Hermione, eu!

Assim que ele falou o nome de Hermione, Rony voltou-se para procurar quem havia mencionado o nome de sua namorada. Sentiu uma onda repentina de fúria o envolver ao ver Draco Malfoy balançando sua garota e, pior, gritando com ela.

-Não posso acreditar... – disse Rony, correndo ao encontro dos dois.

Mione tremia, aterrorizada.

-Draco, por favor, controle-se... Não estou entendendo você...

-Eu também não, Hermione, eu também não! – agora a expressão dele chegava a dar pena; não era mais ódio, era angústia. Ele parecia à beira das lágrimas... – Tudo o que sei é que amo você, não sei como esse sentimento nasceu, mas eu te amo, amo muito, e você tem que perceber que deve FICAR COMIGO E NÃO COM O WEASLEY!

Ela sentiu as lágrimas chegarem aos seus olhos; ele recomeçara a gritar...

Os olhos dele estavam arregalados...

Ele estava saindo do controle...

-COMIGO, OUVIU BEM? EU SOU A PESSOA CERTA, NÃO ELE!

Ele a chacoalhava com força, enquanto gritava com o rosto bem perto do rosto dela...

-EU TE AMO! EU TE AMO!!

A primeira lágrima começava a rolar pelo seu rosto quando Rony chegou e afastou Draco, furioso. Draco, no estado em que se encontrava, não teve tempo de reagir; o soco de Rony o atingiu em cheio na boca, e ele caiu no chão com o impacto. Um filete de sangue pegajoso escorreu de seus lábios, enquanto ele esfregava as têmporas, caído ao chão, parecendo confuso.

Rony abraçou a namorada, que começou a chorar, encostada em seu peito.

-Você está bem? – ele perguntou, carinhoso, enquanto afagava-lhe os cabelos.

-Estou, estou bem... – ela gaguejou, aninhada junto ao namorado.

Rony olhou para Draco, sentindo um imenso ódio ao dizer:

-Nunca mais se aproxime da Hermione, ouviu bem, Malfoy? Nunca mais. Ou vai se arrepender.

Draco olhou bem para ele. Não sabia o que havia dado em sua cabeça para dizer todas aquelas coisas para a Hermione, para chegar a ponto de dizer a ela que a amava. E, naquele instante, vendo Rony falando daquela forma com ele, pensamentos maldosos substituíram toda a confusão...

Enquanto olhava para Rony, imagens rápidas invadiram sua mente, imagens que ele não conseguia compreender muito bem...

Uma faca cortando o ar... Sangue... Jatos de sangue... Um machado... Sangue...

Uma sepultura...

Uma lápide...

A lápide de RONY WEASLEY...

Ele ofegou, assustado com essas imagens que pareciam ter vida própria. E, para piorar, ele viu surgir, por trás do casal, a garota de olhos claros, Clarissa. Ela arregalou os olhos para ele e sorriu, maldosa. Novamente, as palavras ditas por ela vieram ao seu encontro...

Faca. Sangue. Machado. Sepultura. Lápide. Rony Weasley...

A NÃO SER A MORTE, DRACO. A NÃO SER A MORTE.

-Minha nossa... – ele murmurou, levantando-se sem ajuda. Olhou assustado para Rony e Hermione e, sem dizer mais nada, afastou-se correndo, a procura de um banheiro.

Precisava desesperadamente isolar-se, lavar o rosto, esfriar a cabeça e, acima de tudo, fazer o possível para que aquela seqüência horrível de pensamentos não voltasse.

E precisava fazer o possível para tirar aquele sentimento horrível chamado "amor" que invadira o seu coração, na forma de uma garota que ele jamais quisera ter para si.


-Você está bem mesmo? – Rony perguntou pela enésima vez.

Mione respondeu novamente que sim, enquanto bebia o cálice de água que o namorado lhe estendia, no Salão Principal. As mãos que seguravam o cálice tremiam, e Rony socou a parede, revoltado.

-Olhe como você está tremendo... Ai! Eu vou matar o Malfoy!

-Não diga uma coisa dessas, Rony – falou Harry, que os acompanhara. – Ele estava fora de si.

-Sei... Escute bem, meu amor, se ele voltar a fazer isso com você, você me avise, está bem? Ah, da próxima vez... Ele que não se atreva a repetir o que ele fez hoje! Se ele encostar novamente a mão em você, não sei o que vou fazer...

Mione escutou calada, enquanto continuava a beber a água.

-Talvez ele tenha tomado algo que o deixou meio estranho... – sugeriu Harry.

-Pode ser... – concordou Rony, desconfiado. – A propósito, você também está um pouco estranho hoje, Harry...

-Eu?

-Sim. Parece muito pensativo, meio "aéreo". Alguma coisa o preocupa?

-Não... Só esse baile repentino... Estava pensando em convidar uma garota...

-Quem?

-Não sei porque, mas, não consigo pensar em outra... A Alone.

Hermione engasgou-se com a água, mergulhando em um acesso de tosse; Rony ficou boquiaberto.

-A Alone? Aquela que te arremessou no chão da sala e você disse com todas as letras que não estava nem um pouco afim?

-Ela mesma... – Harry secou o suor da testa. – Rony, não sei o que está me acontecendo, mas... Desde que a vi entrando no Salão Principal hoje no café da manhã eu, simplesmente, não consigo mais esquecê-la! Sabe, conheço-a há bastante tempo até, e, hoje pela manhã, foi como se a tivesse visto pela primeira vez. Ela causou sensações em mim, sensações que nunca tinha sentido ao vê-la antes.

-Que estranho isso – comentou Rony. – Essa paixão repentina... Não acha, Hermione?

Mione, que finalmente se recuperara da tosse, respondeu, vermelha.

-Não, eu acho normal, sabem? Assim... Pode acontecer de se apaixonar do nada... É perfeitamente normal...

Rony estranhou a opinião dela, mas não discutiu. Harry guardou o lenço no bolso e disse, levantando-se.

-Estamos com essa aula livre, então vou até a biblioteca fazer uma pesquisa, e... Ver se esqueço a Alone... Até mais.

Ele afastou-se, apressado.

-Eu, hein... – falou Rony. – Parece que hoje está tudo fora do comum, todo mundo perdendo a razão, e...

-Rony, querido – Mione passou o cálice para ele. – Eu preciso ficar sozinha um tempinho... Parece que a... a... a Serena, é, a Serena, quer falar comigo... Ela também está com o tempo livre, então, vou lá conversar com ela.

-Tudo bem – disse Rony. – Eu vou até o pátio ler um pouco, qualquer coisa, é só me procurar lá.

-Certo! Te amo – ela o beijou e saiu correndo.

Subiu a escadaria de mármore apressada, respirando aceleradamente. Sabia que Alone também estava sem aula, então supôs que ela estaria no salão comunal. Como era esperado, encontrou a amiga lá, conversando com Joyce e Lanísia sobre o baile.

-Alerta-macho! Alerta-macho! – gritou Mione, ao entrar.

Aproximou-se das meninas e falou para Alone.

-Harry está na biblioteca, sozinho, e confessou para mim e para Rony que não consegue tirar você da cabeça desde o café da manhã...

-Eu sabia! – exclamou Alone, triunfante. – Eu disse que ele tinha pirado com o "lance da alcinha"! Ah! Não perco essa oportunidade por nada, mané!

-Corra, porque ele disse que quer convidá-la para o baile! – avisou Mione.

-Vou agora mesmo! – Alone já ia saindo quando uma idéia repentina tomou sua mente. – Humm... Só um momento...

Correu para o dormitório e dois minutos depois surgiu novamente, trajando uma saia azul muito curta.

-Eita, é hoje que o bicho pega! – falou Joyce, rindo.

-Ou melhor, que o bicho entra! – corrigiu Lanísia, maliciosa.

-Suas depravadas... – Alone riu e saiu, saltitante.

Agora era a hora de fazer o corpo de Harry pegar fogo de tanto desejo.


Harry foi até uma das estantes da biblioteca e começou a procurar por um livro sobre o assunto do trabalho de Frieda – "como impedir a possessão por espíritos malignos".

Por mais que procurasse se concentrar em sua busca, Harry não conseguia parar de pensar em Alone. Na beleza de Alone; em toda a sua sensualidade e seu mistério. Mistérios que aquela blusinha de alcinha escondia, e que ele estava doido para desvendar...

Há poucos dias ela o jogara no chão, num gesto alucinado, porque o queria, o queria muito. Será que o fato de ele ter negado havia mudado alguma coisa? Será que ela ainda o queria?

Harry balançou a cabeça, enquanto pegava dois livros e se encaminhava até uma das mesas da biblioteca. Abriu um dos livros e, subitamente, viu-se pensando em Colin. Sorriu e voltou-se para o livro quando uma sombra bloqueou a luminosidade que ia de encontro a página e ele ergueu os olhos lentamente para verificar o que havia acontecido.

A sua pressão arterial baixou quando ele viu quem estava ali...

Era Alone. A morena fatal. Os cílios erguidos, toldando maravilhosamente os olhos negros. A pele bronzeada, da cor do pecado. Os lábios grossos, carnudos, pedindo para serem explorados. A cachoeira negra de cabelos, tão brilhante e tão bela. A mesma blusa de alcinha e, um detalhe ainda mais devastador, uma saia minúscula. E, para piorar, ela estava com as pernas cruzadas, deixando a mostra suas belíssimas coxas... Estava tão perto que ele era capaz de sentir o aroma adocicado de sua pele...

Uma das mãos estava sobre a mesa, e com a outra ela arrumava o cabelo, despreocupada.

-Como vai, Harry, querido? – perguntou lentamente.

Harry tentou se controlar, mas a temperatura do seu corpo já estava se elevando novamente... Como bloquear aquela gota de suor que se formava em sua testa se, em sua frente, tinha a visão do paraíso?

-Eu... Estou ótimo... E... E você?

-Muito bem – respondeu Alone. – Mas acho que poderia estar melhor.

-Acha é?

-Acho sim... Esses livros aqui, por exemplo, estão me atrapalhando... – ela colocou as pernas na mesa. As unhas de seus pés estavam pintadas, e ele viu como seus dedinhos eram graciosos. Até a sandália rosa que usava parecia sensual... Com os pés, Alone chutou os livros, que se esparramaram no chão. Ele não conseguia tirar os olhos de suas pernas... – Pronto... Agora está melhor... Agora eu posso me deitar aqui...

Ela estirou o corpo sobre a mesa. Os olhos verdes de Harry se arregalaram, enquanto ele fitava o par de seios fartos espremidos sob a blusa de alcinha, e as belas curvas de Alone.

A garota constatava essas reações com um sorriso satisfeito e uma expressão de inocência, como se não estivesse percebendo os efeitos devastadores que estava causando.

-Pronto... – ela segurou a cabeça com as mãos, enquanto balançava as pernas no ar. – Agora está melhor.

Harry ofegou, engolindo em seco.

-Ou melhor... Acho que ainda não está bom... – ela forçou uma expressão de descontentamento. Levou um dedo a alça da blusa. – Está quente aqui... Muito quente...

Ela levantou a alcinha... Seus olhos acompanhavam as reações de Harry, que parecia pedir mais e mais, que ela continuasse, fosse em frente...

Mas ela não continuou. Alone inclinou-se na mesa, e aproximou o seu rosto do rosto dele.

-Quer ver mais, querido? Só depende de você.

-Claro! – exclamou Harry, extasiado. – Você... Quer ir ao baile comigo?

-Não sei... Deixe-me pensar...

-Por favor, Alone, por favor...

-Vou pensar no seu caso...

Ela levantou-se e pulou da mesa, ajeitando a blusinha e a saia, todos os movimentos acompanhados pelos olhos de Harry.

-Aí, quem sabe, depois de pensar melhor... – ela passou a mão pela nuca dele; Harry sentiu um arrepio. – Eu aceito o convite e deixo você ver mais do que viu hoje. E, uau, quem sabe, Harry, não deixo você me tocar – ela mordeu o lábio com os dentes, provocante.

-Eu... ia adorar...

-Eu sei. Eu sei que ia. Sei que você me quer. Sei que o excito, que o enlouqueço. Conheço meus poderes. Tenho minhas táticas de sedução. E, quem sabe, você vai conhecer todas, uma por uma...

Ela aproximou a boca do ouvido dele e sussurrou:

-Até se desmanchar de tanto prazer.

Harry arrepiou-se... Alone beijou a ponta do dedo indicador e, em seguida, o levou até os lábios dele, pressionando-o. Harry fechou os olhos, tentando absorver o sabor dos lábios dela. Alone afastou o dedo e, com um último sorriso, acenou.

-Boa tarde, Harry... E bons sonhos durante a noite...

Ela saiu da biblioteca vazia, sendo acompanhada pelos olhos dele. Harry passou o lenço pela testa e suspirou, tentando tomar ar. Não podia compreender o porque daquelas sensações. Desprezara Alone antes, e, agora, o jogo virara. O que aquela garota estava fazendo com ele?

Nunca sentira nada parecido. Nunca quisera tanto alguém.

Nem mesmo... Aquela pessoa...


No intervalo do almoço, As Encalhas se reuniram para uma rápida reunião na biblioteca.

-Você fez isso? – perguntou Serena a Lanísia, boquiaberta.

-Fiz sim – Lanísia respondeu com um sorriso. – Pode perguntar para a Alone e para a Joyce.

-Realmente... O professor quase teve um "piripaque" – disse Joyce, rindo. – Ele ficou todo estranho, começou a transpirar feito um louco e, do nada, saiu quase correndo da sala... Lanísia, claro, foi atrás.

-Impressionante – comentou Hermione, pasma. – Toda essa sedução com chocolate... Sem trocadilhos, que momento delicioso para não se esquecer jamais!

-É, mas o sinal tocou bem na hora "H" – disse Lanísia pesarosa.

-Ah é, Lanísia perdeu a oportunidade de comer banana ao chocolate – falou Alone, provocando gargalhadas em todas as garotas.

-Vocês não valem nada mesmo – comentou Lanísia, balançando a cabeça. – E, me digam uma coisa, como foi a manhã de vocês?

-Tirando alguns momentos desagradáveis – disse Hermione, não querendo comentar o incidente desagradável com Malfoy – a minha foi ótima, perfeita! Rony é o namorado perfeito, atencioso, engraçado, gentil... Nossa, acho que nunca fui tão feliz em toda a minha vida! O amor modifica tudo, parece que muda até mesmo a nossa maneira de ver o mundo... E olha que não temos nem um dia inteiro de namoro e já acho isso! É... extraordinário, sim, extraordinário, não existe outra palavra para definir tudo isso... Não consigo mais parar de pensar no Rony, e o simples pensamento de que eu o tenho ao meu lado já me deixa suspirando, feliz... É como se a minha vida já pudesse ser repartida em dois momentos: antes do Rony e depois do Rony.

-O amor verdadeiro é assim mesmo – concordou Serena. – Passei por tudo isso quando entrei aqui em Hogwarts e conheci o Lewis. Saímos juntos várias vezes, então, para mim, já era como um namorado, porque era mais do que óbvio que ia dar certo... Mas a minha sogra atrapalhou tudo e ele nunca quis namorar comigo... Aliás, parabéns, Mione, por não ter uma sogra dessas na sua vida.

-É mesmo... Molly, a mãe do Rony, é muito legal e gosta muito de mim – disse Mione, pensativa. – Acredito que tudo será muito simples para nós. Não existem problemas assim, de família, e não existe ninguém que não queira nos ver juntos...

Clarissa mordeu o lábio...

-...Ou seja, será tudo muito simples para nós dois. Namoro, em breve noivado e, mais alguns anos depois, um casamento.

-Não tem como dar tudo isso como certo, não é? – perguntou Clarissa. – Afinal, nunca se sabe o que a vida reserva para nós. Sempre pode haver surpresas no meio do caminho, coisas inesperadas, que podem alterar o percurso.

Mione olhou-a, séria.

-Por que está dizendo isso, Clarissa? Por causa da sua implicância com a pobreza do Rony, é isso?

-Não! Não! Claro que não! – ela riu. – Só acho que ninguém pode falar assim sobre o futuro como se já soubesse como ele vai ser. Sempre pode acontecer algo para atrapalhar os nossos planos, entende?

-E você quer que os meus planos sejam alterados, é isso?

-Não, claro que não, Mione! Só que, como gosto muito de você, quero lhe deixar consciente de que tudo pode acontecer de outra forma, não como você imagina... E isso não só com você, mas também com qualquer uma de nós.

-Pois eu não acho isso – retorquiu Mione. – Eu agradeço a sua preocupação, mas, para mim, é bom sonharmos que tudo vai ser como a gente imagina. Faz com que tenhamos força para vencer dia a dia, para que tenhamos sonhos com o futuro, e ansiemos para que ele chegue logo. Pode haver obstáculos no caminho, Clarissa, mas eu posso lhe garantir que, com força de vontade, eu consigo vencer todos eles.

-Será? – ela aproximou-se de Hermione, seus olhos claros arregalados, fitando a amiga com profundidade. – E se ocorrer um acidente? E se um de vocês morrer? Você consegue vencer esse obstáculo, Hermione?

Por um momento, Mione sentiu medo e se encolheu... O olhar de Clarissa a perfurava, e havia algo escondido sob aquele tom de voz, algo que ela não conseguia captar...

-Diga, Hermione, você consegue vencer a morte?

Mione engoliu em seco...

Por que Clarissa parecia tão sinistra? Por que ela sentia o mesmo medo que sentira ao ver os olhos vidrados de Draco naquela manhã? E por que, minha nossa... Por que as suas mãos estavam tremendo??

-Chega! – Joyce interrompeu, afastando Clarissa. – Encalhada Clarissa, deixe a "não-tão-Encalhada-assim" Hermione ficar com os sonhos dela. Não tente impor a sua maneira de pensar.

-Mas eu não estava...

-Chega, eu já disse! Vamos voltar ao assunto principal das Encalhadas...

-HOMENS!

-Isso mesmo, Alone, homens... Eu já tenho uma ótima idéia para começar a conquistar o Juca Slooper e, claro, fazer com que ele me convide para o baile.

-E o que você vai fazer para fisgar o Dotadão? – perguntou Alone.

-Ah ainda não posso dizer – Joyce sorriu, misteriosa. – Mas posso adiantar que a grande virilidade dele se encontra na minha estratégia.

-Vou agir também agora à tarde – falou Serena.

-Por mim, acho que já fiz o que queria por hoje – disse Alone. – Provoquei o Harry e o deixei com aquele gostinho de "quero mais". Além de fazer mistério se vou aceitar ir ao baile com ele ou não...

-E você vai aceitar, né? – perguntou Serena.

-Claro que vou. Mas quero me divertir um pouquinho. Provocá-lo e deixá-lo maluquinho. Aí, quando tudo acontecer, vai ser muito mais intenso, muito mais gostoso.

-As que ainda não agiram, por que não aproveitam o resto do tempo que sobra para terminar o horário do almoço? – perguntou Lanísia.

-É verdade... – concordou Joyce. – Como dizem, tempo é dinheiro... Nesse caso, tempo é homem.

-Então, vamos ao ataque! – disse Serena.

Elas estavam prontas para atacar. E, num tom de voz não muito alto, elas brandiram o grito de guerra:

-ENCALHADAS, ENCALHADAS, TÃO LINDAS E APAIXONADAS!


Lewis pensava em Serena, sentado no pátio, quando a viu surgir. Ela estava linda; as vestes de Hogwarts esvoaçavam com o vento, assim como seu lindo cabelo cor de ouro. Sentiu uma onda quente de emoção o envolver, aquela onda que ele já conhecia, mas que, de modo inesperado, ganhara uma intensidade assustadora desde a manhã daquele dia.

Ela sorriu para ele; que belo sorriso... Estava ali no pátio justamente pensando nela, imaginando uma forma de convidá-la para o baile, depois de tudo o que dissera, de que não queria ainda um namoro sério...

-Como vai, Lewis? – ela perguntou, carinhosa.

-Serena, eu... Eu estava justamente pensando em você...

-Imagino... – ela riu, travessa. – Então... É por causa do baile?

-Sim! Isso mesmo! O baile! – Lewis levantou-se. – Serena, sei que você ainda deve estar chateada comigo, querendo me bater, me xingar, me humilhar, me...

-Lewis! Sem pessimismo, por favor! – ela riu. – Pode dizer o que quer.

-Então... Eu queria que você fosse ao baile comigo... Você aceita?

Serena não pensou duas vezes e respondeu:

-Claro, Lewis! Adoraria ir com você! Eu aceito!

-Que bom... – ele sorriu, não muito animado. Alguma coisa em sua expressão disse a Serena que ele ainda não havia dito tudo o que queria dizer...

-Mais alguma coisa, Lewis?

-Sim... Tenho sim... Eu andei pensando melhor no que você me pediu no outro dia... Que devíamos namorar sério, você sabe...

-Sei... – o coração dela estava disparado; ele ia fazer o pedido.

-Então... Pensei melhor e cheguei a conclusão de que você estava certa. Eu amo você do fundo do meu coração, Serena, e, por isso, quero que seja a minha namorada. Serena – ele suspirou – você quer namorar comigo?

Os olhos dela encheram-se de lágrimas; um raio de sol surgiu no meio das nuvens e tocou o seu rosto. Era como um sinal de que, finalmente, o sonho de realizara.

-Claro, Lewis... Claro que quero, meu amor... – ela não resistiu e o abraçou, fechando os olhos. – É tudo o que eu sempre quis. Quantas vezes sonhei com esse momento, e, agora que se realizou, é mais lindo do que qualquer um dos sonhos.

-Que bom... – ele sorriu, satisfeito. – Eu te amo, Serena. Te amo muito. E vou lutar contra quem for, até mesmo minha mãe, mas nós ficaremos juntos para sempre.

Ela o beijou novamente; aquele era o Lewis que ela sempre quisera; corajoso e disposto a lutar pelo amor, sem submissão alguma a opinião da mãe.

-Vamos ao Salão Principal? – sugeriu Lewis, segurando a mão dela. – Estou morrendo de fome... Não consegui comer pensando no que falar a você...

-Coitadinho... Vamos lá então, Lewis Lambert, meu namorado.

Ela sorriu, orgulhosa, e com o mesmo orgulho entrou no Salão Principal ao lado dele. Talvez para algumas garotas ele não fosse o garoto perfeito, mas, para ela, Lewis era incrível e o melhor de todos. Sentia orgulho de finalmente poder dizer a todos que ele era o seu namorado.

Sentaram-se lado a lado na mesa e começaram a almoçar.

Na Mesa Principal, Frieda sentava-se.

-Droga, odeio gente incompetente! – comentava a professora. – Incompetência é algo que não devia existir, Augusto. Acredita que hoje tive que ouvir um aluno dizendo que não conseguia entender o que eu havia explicado? Incompetência pura! Burrice total! Olha, gente ignorante devia ser expurgada da face da terra! Deviam tornar-se abortos.

Ao seu lado, Augusto balançava a cabeça, enquanto observava o casal.

-Não devia haver espaço no nosso mundo para gente ignorante. Não deviam vir a Hogwarts; deviam virar serviçais. Uma espécie de elfo doméstico. Incompetência devia ser castigada dessa maneira... Com humilhação!

Ele continuava observando o casal...

-Eu, uma mulher fina, elegante e inteligente, ter que lidar com alunos incompetentes? É o fim! Simplesmente não consigo. Sabe o que eu fiz? Mandei o incompetente sair da sala para despoluir o ambiente, que estava sendo infestado pela sua burrice. Ah, eu não tolero, não tolero mesmo, Augusto, nem incompetência, nem pobreza, você sabe disso...

Ele não resistiu mais e comentou com a professora...

-Nossa, você nem comentou conosco, Frieda! – disse o professor.

-Comentei o que? – perguntou Frieda, distraída.

-Que Lewis e Serena estavam namorando.

O sangue de Frieda gelou; ela interrompeu seus movimentos. Seus olhos se movimentaram e pararam ao encontrarem o casal. Lewis ria junto com Serena, e os dois faziam carinhos um no outro, completamente apaixonados.

Não podia aceitar aquilo... Aquilo era um absurdo...

Pálida, Frieda abandonou toda a sua postura de mulher elegante e levantou-se, saindo da mesa. Sem tirar os olhos do casal, ela começou a atravessar o Salão Principal, os lábios finos contraídos de tanta fúria. Quando chegou perto dos dois, que não haviam notado a sua aproximação, Frieda estendeu uma das mãos descarnadas.

-SAIA DE PERTO DELE, SUA PIRANHA NOJENTA!

Ela esbofeteou o rosto de Serena, num tapa tão forte que derrubou a garota do banco. Serena caiu no chão, assustada.

-EU VOU ACABAR COM VOCÊ, SUA VAGABUNDA!

Frieda estendeu a mão novamente, e ia inclinando-se para alcançá-la quando o movimento foi interrompido pela mão de Lewis, que lhe segurou o braço com força.

-VOCÊ NÃO VAI ENCOSTAR NELA, MAMÃE! NUNCA MAIS!

Frieda arregalou os olhos, surpresa com a reação do filho, assim como Serena.

-Mas...

-NUNCA MAIS, MAMÃE! PORQUE EU NÃO VOU DEIXAR!

Frieda engoliu em seco, olhando a garota caída no chão e o filho, que lhe apertava o braço com força, enfurecido...


NA: Mais emoções e perversões no próximo capítulo hehe. Comentem!!!