CAPÍTULO 8

"O Baile de Nossas Vidas"

-Lanísia?

-Sim, professor – ela respondeu, fingindo timidez. – O seu sonho e o seu pior pesadelo.

Danada; ela sabia muito bem como ele a via, como ele a considerava. Garota esperta.

-O que faz aqui a essa hora da noite? – perguntou Augusto, sentindo que o rubor começava a tomar suas faces. – Não devia estar aqui.

-Claro que não. Mas as coisas nem sempre ocorrem como deveriam, não é? Às vezes precisamos quebrar as regras para fazermos o que queremos. Quebrei as regras para visitá-lo; quebrarei quantas forem precisas para ter você pra mim.

Ele não pôde deixar de sorrir; estava, de certa forma, admirado.

-Objetiva como sempre.

-Não devo ser? Não sou uma pessoa de idéias, professor; sou uma pessoa de ações.

Ela aproximou o próprio corpo do dele. Ergueu uma das pernas e começou a acariciar a perna do professor com o joelho.

-Quem quer não fala, professor; quem quer faz.

Ele fechou os olhos; os cabelos de Lanísia estavam próximos de suas narinas. Augusto aspirou o perfume de seus cabelos, sentindo um arrepio.

-Você não pode existir, garota.

-Ah existo sim. Quer a prova? Entre aqui.

Ela segurou o braço de Augusto e o direcionou para o meio das pernas de sua camisola. Aquele movimento perigoso pareceu despertar o sempre abalado professor.

-Não – ele soltou-se e afastou a mão, trincando os dentes. – Não posso.

-Não pode. Isso é diferente de não quer. Você me quer, professor, sempre me quis. Acha que vale a pena interromper essa coisa fantástica que existe entre nós por causa dos outros?

-Você não entende mesmo, não é, garota? Não entende que é impossível acontecer o que você quer que aconteça?

-Quase aconteceu aquele dia...

-Quase aconteceu porque eu perdi o controle!

-Perdeu o controle porque me deseja, me quer, quer ser o meu homem, quer me possuir, quer que eu seja sua, quer...

-Quer calar a boca? – vociferou Augusto, olhando ao redor, apavorado. Instintivamente, puxou-a para dentro da sala, encostando a porta rapidamente. – Louca, é isso o que você é, eu já disse isso!

Ele olhou-a e parou de falar no mesmo instante; já era tarde para ele perceber o que havia feito...

Lanísia arregalara os olhos diante das inúmeras telas espalhadas pela sala. Estava fascinada com a beleza de cada pintura. Em todas elas, ela estava presente. Havia uma em que apenas o seu rosto se destacava; em outra, ela e o professor brincavam com uma barra de chocolate; numa delas, Lanísia e ele tentavam se aproximar, mas algo os impedia... duas correntes.

Augusto sentiu o rosto esquentar ainda mais.

-Lanísia... eu... Posso explicar...

-Você... Você mesmo pintou tudo isso? – ela balbuciou, os olhos marejados de lágrimas.

-Sim, eu... Sou pintor nas horas vagas...

-Quadros e mais quadros... Com o meu rosto – ela começou a caminhar pela sala, alisando cada uma das telas. – Meu rosto em cada pintura... Eu sabia, sabia que não saía de sua cabeça...

-Lanísia, eu...

-Nem tente inventar desculpas! Isso é prova concreta do quanto você me quer. Já tive várias, como as reações causadas dentro de sua cuequinha no dia do chocolate – ela riu. – Mas... Essas são as maiores provas do meu poder aí dentro de você, meu grande professor.

Augusto não soube o que responder.

-E essa... das correntes... Demonstra que você se sente preso. Preso, Augusto, a opinião alheia – ela aproximou-se dele e tocou-o no rosto. – Você vai abrir mão do que sente vontade de fazer por causa de outras pessoas?

Ele refletiu por uns instantes antes de responder.

-Você coloca as coisas como se fossem muito simples...

-E são. Nós é que complicamos.

-Não, Lanísia...

-Sim, professor! Nossos corpos precisam se unir! Enquanto você se perde em sonhos comigo, se aliviando do prazer com as próprias mãos, poderíamos estar juntos, desfrutando de um prazer ainda mais maravilhoso do que o que você alcança sozinho.

-O que quer dizer com isso?

-Ah você sabe muito bem o que quero dizer – ela riu. – Sei que não saio de sua cabeça, que você e o seu amiguinho aí embaixo morrem de tesão por mim. Você não o deixa entrar onde ele almeja, então, o alivia mexendo com ele – ela riu novamente, maliciosa. – Mexendo com ele e pensando que ele está bem aqui, ó, dentro de mim – ela acariciou as coxas; a camisola levantou-se um pouco, revelando um pouco mais das belas pernas de Lanísia. Os olhos de Augusto se arregalaram. – É, você gosta mesmo do meu corpo... Para que gravar a imagem em sua mente para se aliviar depois se você pode se aliviar aqui dentro?

-Não me provoque, garota...

Ele a empurrou de encontro à parede, olhando-a com ferocidade.

-Por que? O que vai fazer, hein? Castigar-me? Olha que eu deixo, hein, professor. Seria delicioso tomar uma surra do senhor...

-Você é doida, já disse isso...

-Bate, vai, professor – ela pegou a mão dele e desferiu um tapa no próprio rosto, enquanto gargalhava, delirante. – Bate, meu homem, bate, me domine e me faça feliz... Bate, vai...

-Pare! – ele soltou a mão, fitando-a, assombrado. – Você precisa de tratamento, sua maluca...

-Por que? Por que faço o que quero? Por que digo o que tenho vontade de dizer? É melhor ser assim do que ser uma pessoa que reprime os desejos.

-Lanísia, não vou discutir sobre isso...

-Nem eu. Pois sei muito bem que uma hora você vai sucumbir aos seus desejos.

-Nunca!

-Ah, vai sim. E foi por isso que vim até aqui essa noite. Depois de amanhã ocorre o Baile de Aniversário da diretora, e o castelo vai ficar vazio. Pretendo ficar por aqui, professor. Completamente disponível em uma sala que se chama Sala Precisa, o senhor conhece?

-Sim, conheço... A sala que se transforma no que precisamos...

-Exatamente. E, no sábado, ela vai se transformar num antro de amor. Um oásis para o prazer. O palacete da loucura. Eu, Lanísia, a garota que você sempre quis, estarei lá, nua, nesta sala dos sonhos, esperando por você.

Augusto suava... Engolindo em seco, respondeu:

-Eu não vou.

-Ah, vai... Vai sim... – ela riu, acariciando o rosto dele. – Claro que vai. Eu tenho certeza absoluta disso.

-Não vou...

-Tenho certeza que vai... Espero-te lá, no sábado, no mesmo horário do Baile.

-Quanta prepotência sua achar que eu vou...

-Sábado, hein, professor – ela encaminhou-se para a porta, saltitante. – E prometo a você que realizarei todos os seus desejos. Ah, e vá com aquele seu paletó escuro. Acho você um charme com aquele paletó. Meu sonho é arrancá-lo ferozmente – ela fez um grunhido tosco de "fera" e, rindo da expressão perplexa do professor, abriu a porta e saiu correndo pelo corredor.

-Maluca... – falou o professor, balançando a cabeça e fitando a tela que trazia o rosto de Lanísia em close. – Nunca que eu vou até lá. Nunca.

Quem estaria certo?


Não foi difícil para Clarissa localizar o Lorenzo´s. Embora ainda faltasse dois dias para ser inaugurado, o letreiro com o nome do bar já se destacava na noite, em néon colorido – o letreiro mais espalhafatoso do povoado.

Ela fitou o estabelecimento por um momento; parecia ser grande e espaçoso. Em seguida, olhando ao redor e confirmando que a rua estava deserta, Clarissa caminhou até uma das vidraças. Estava fechada, mas ela acreditava que não encontraria dificuldade em abri-la; os procedimentos de segurança adotados pelos bruxos haviam maneirado desde o fim da era Voldemort. Ela encostou a varinha no vidro e, dizendo as palavras mágicas necessárias, fez com que a ponta da varinha se transformasse numa espécie de lâmina, que abriu uma abertura redonda na vidraça. Espaço suficiente para que ela se esgueirasse e penetrasse no bar.

O Lorenzo´s era um breu; não havia nenhuma iluminação. Dizendo Lumus, Clarissa acendeu a ponta de sua varinha e começou a caminhar pelo bar.

Em uma hora, já conhecia todos os detalhes, cada um dos aposentos. E já tinha o plano perfeito gravado em sua mente.

Clarissa saiu do bar pela mesma passagem. No caminho, enquanto corria no meio da noite, Clarissa visualizava o seu plano. Ela via o Lorenzo´s lotado; as pessoas bebendo e se divertindo; via como manipularia Draco Malfoy; e via o algoz e sua vítima sozinhos, no lugar que ela encontrara.

Chegou rapidamente ao castelo, com o mesmo sorriso dócil e inocente estampado no rosto. Abriu a capa e, sem parar para respirar, tomou o caminho em direção a cozinha.

Só faltava uma coisa, e ela precisava daquela coisa o quanto antes. Afinal, era essencial.

Ela correu, parando apenas em frente ao quadro das frutas. Fazendo cócegas na pêra, Clarissa obteve acesso à cozinha. Como ela imaginava, não havia elfo algum; o jantar já havia sido servido, e todos eles espalharam-se pelo castelo para se empenharem em outras tarefas – antes da lavagem de louça noturna. Ainda apressada e olhando para todos os lados, Clarissa examinava cada canto, a procura do que precisava.

Parou. Sorriu. Finalmente, havia encontrado.

Ela pendia, pendurada numa parede. Cabo de madeira. Lâmina brilhante. Linda, linda.

Estendeu a mão e a apanhou.

Era gigantesca. Uma enorme faca de cozinha. Era exatamente aquilo o que ela procurava.

Observando a faca com um prazer doentio, Clarissa murmurou, sorrindo:

-Está na hora de cortar o mal pela raiz.

Ela gargalhou, guardando a faca no bolso da capa, para só ser retirada no dia... No grandioso dia...

O dia do Baile.


As nossas vidas são constituídas de anos. Anos que são separados em meses. Meses que são separados em dias. Alguns dias ficam de certa forma marcados em nossas vidas, por terem abrigado momentos cruciais, especiais, enfim, momentos marcantes.

Nós nunca sabemos quando um dia desses vai surgir; mas é só ele acabar para que saibamos que dele nunca vamos esquecer.

Aquele sábado seria um dia inesquecível para cada uma das Encalhadas. E, durante a manhã, enquanto se entusiasmavam imaginando o que ocorreria durante a noite, nenhuma delas podia saber o quão importante e movimentado seria aquele dia... Ou, para ser mais específico... Aquele Baile.

Seria tão marcante e tão inesquecível que todas elas o marcariam para sempre como "O Baile de Nossas Vidas".


Aquele foi um sábado movimentado em Hogwarts. Alunos e professores caminhavam de um lado para outro, envoltos em preocupações muito parecidas; roupa para o baile, convites para pares de última hora, atualização de fofocas.

As Encalhadas, que não podiam fugir a regra, encontravam-se no dormitório feminino, já começando a se arrumarem. Eram apenas cinco horas da tarde, mas elas precisavam de tempo para o que Alone chamava de "Ritual de Beleza".

-Acreditem na minha teoria, meninas – disse Alone, ajeitando o seu vestido verde; era bem colado ao corpo, e trazia, claro, as inevitáveis alcinhas. – A pressa atrapalha a produção. Ficaríamos um caco.

-É tudo o que não posso ser hoje – falou Joyce, que usava um vestido rosa, calçando os sapatos de salto alto. – Preciso brilhar!

-Ah eu também – disse Serena, que trajava um longo vestido branco, pontilhado de brilhantes, penteando os cabelos loiros.

-E aí, já sabe como enfrentar a megera da sua sogra? – perguntou Mione, já trajada com o seu vestido negro.

-É, andei pensando nisso... Mas, se querem saber, eu vou entrar de mãos dadas com o Lewis, sim, dançarei com ele, nos divertiremos à beça, e que se dane a opinião daquela mulher. Nem pro Lewis vale alguma coisa mais.

-Graças a Fogueira! – comemorou Alone, sendo censurada por um Psiu de Joyce.

-Não toque no nome de nossa arte em voz alta! – disse a líder do grupo. – Nem mesmo num quarto em que só estejamos nós seis presentes!

-Falando em "nossa arte" – começou Lanísia, que, já vestida com seu vestido vermelho ultra-decotado – uma abertura escandalosa que só se fechava perto do umbigo – observava as amigas se arrumarem – até que estamos obtendo apenas bons frutos dela, não acham?

-Com certeza – respondeu Hermione, ajeitando um colar no pescoço. – Se não fosse a nossa arte querida, jamais estaria indo a esse Baile ao lado do Rony.

-Deu certo para todas nós – disse Joyce. – Apenas Clarissa parece ter fracassado na hora de jogar o nome, mas, pelo que ela diz, acho que até isso foi bom, não é mesmo, Encalhada?

Clarissa, que usava um vestido roxo e se maquiava no espelho da penteadeira, sorriu em concordância.

-Sim. Percebi que não amava o rapaz como eu imaginava.

-Então! Estão vendo? Até o que podia ser um fracasso ocorreu para o nosso bem! Ah, meninas, foi, sem a menor sombra de dúvida, a melhor idéia que nós tivemos. Viu como não havia razão para preocupar-se, Hermione? Nada deu errado!

-Não mesmo... Mas houve o risco, e...

-Ah, cale a boca, Hermione! – todas disseram, em coro.

-Está bem, desculpem... – Mione apanhou dois pares de brincos e os olhou, em dúvida. Mostrou-os as amigas. – Qual deles vocês acham que é o mais bonito?

-Sem a menor dúvida, esse mais longo – respondeu Joyce.

-Ah, para a Joyce, tudo o que é maior é melhor – zombou Lanísia. Joyce deu uns tapas na amiga, que gargalhou.

-Mas ela tem razão. O brinco mais longo é o mais bonito, Hermione – disse Serena.

Mione sorriu e começou a colocar os brincos. Vendo Alone mexendo na alça do vestido verde, pelo reflexo do espelho, Mione perguntou:

-E então, já foi falar ao Harry que aceita o convite dele para o Baile?

-Ainda não – ela sorriu. – Disse a ele que daria a minha resposta apenas antes de irmos para o Baile.

-Pobrezinho, Alone. Você não sabe como o Harry anda por causa desse convite pendente. Está totalmente aéreo, não presta atenção em nada. Vai torturá-lo até o último momento?

-Com certeza... Ah vocês não sabem como isso é bom. Como é prazeroso ter o Harry aqui em minhas mãos...

Ela parou de falar, fitando Lanísia. A amiga se vestia com o esplendoroso vestido vermelho, que trazia brilhantes em algumas partes; além do decote avassalador, havia uma abertura na parte inferior que revelava suas belas e jovens pernas torneadas.

-Você se produziu bem para o professor...

-Claro. Tenho que ficar perfeita. Mas essa não será a primeira visão que ele vai ter hoje. Vou mexer com todas as fantasias do professor... Inverter os papéis...

-Lá vem ela com essa história de "inverter os papéis" – disse Alone.

-Está certo, você fez o convite na noite de quinta-feira, mas, e se ele não aparecer? – perguntou Clarissa.

-Ele vai aparecer – falou Lanísia, enrolando uma mecha do cabelo longo e depois a levando a boca, enquanto sorria. – Fiz novos convites... E, suponho, ele pode estar lendo nesse exato momento...


-Não sei se devo ir ao Baile, Augusto – dizia Frieda ao professor, enquanto caminhavam pelo corredor. – Ver aquela garota ao lado do meu filho... Vai ser horrível demais.

-Frieda, não pode deixar de se divertir por isso! Não pode deixar que esse fato seja um fardo em sua vida! É o que eu já lhe disse, você precisa enfrentar os fantasmas de seu passado. Só quando encará-los, poderá respirar em paz e ser feliz novamente.

Frieda mordeu os lábios, parecendo refletir.

-Talvez... Talvez você tenha razão... E eu precise fazer isso o quanto antes.

-Isso. Pense nisso – ele levou a mão à maçaneta da porta de sua sala. – Agora, com licença, vou começar a me preparar para o Baile. Espero-a lá, hein?

Augusto sorriu para a professora e fechou a porta. Assim que a fechou, respirou fundo, aliviado; tinha paciência para conversar com Frieda, mas, de alguma forma que ele não sabia explicar, ela parecia roubar o ar puro da atmosfera e contaminá-lo com seu veneno.

Augusto caminhou diretamente para o guarda-roupa. Mas... que estranho! Havia algo pendurado no trinco de uma das portas. Algo pequeno e amarelado... Um bilhete.

Estava dobrado, sem assinatura, mas havia algo ali que já valia mais do que mil palavras; uma marca de um beijo de batom. Ele suspirou, balançando a cabeça.

-Lanísia, Lanísia... Você não vale nada...

Ele abriu o bilhete e leu:

"Olá, professor!

Acordei tão quente hoje. De fato, até um pouco molhadinha em certas partes. E sabe por que? Porque "ela" não agüenta mais de vontade em esperar por você. Está fechada e preparada para você. Topa abri-la, professor?".

Ele sentiu o suor começar a acumular-se na testa e amassou o papel.

-Louca... Doente... Devassa! Maldita! – ele arremessou o papel na cesta. – Não vai me enlouquecer... Não vai!

Ele sentou-se, esfregando os olhos, enquanto a parte Lanísia de seu ser começava a falar...

-Ela está louca por mim. Louca para ter-me dentro dela. E... ela é virgem. Ela... A minha linda garota é virgem... E espera por mim...

Seus olhos alucinados pousaram no chão, próximo a escrivaninha. Havia outro bilhete lá. Augusto deu um salto alucinado da cadeira e correu para buscá-lo. Ajoelhou-se e abriu o bilhete rapidamente, afoito e ansioso.

"Augusto, meu gostoso professor,

Você pode quebrar minha inocência. Já pensou no quão importante é este convite? Estou convidando-o para me possuir, me escravizar, me dominar, me destruir. Estou pondo-me a sua disposição, e num lugar perfeito para ficarmos juntos. Temos o local, o momento, e eu, que estarei esperando, "arreganhadamente" ansiosa. O que está esperando, professor? Só falta o seu grande amigo aí para o time ficar completo.".

-Você é um demônio, garota... Estes trocadilhos malditos... "Arreganhadamente", onde já se viu uma coisa dessas? O grande amigo... – ele pegou o lenço e começou a secar o suor. Neste exato instante, viu outro bilhete pendurado no mural do fundo da sala.

Trêmulo, Augusto voou até lá e pegou o bilhete.

"Aposto qualquer coisa que você leu todos os bilhetes, e está mega-nervoso e ultra-excitado com tudo isso. A brincadeira apenas começou, querido professor. Isso é só uma prova de como exerço pleno domínio sobre você e seu corpo. Comandei suas pernas, o atraindo para cada bilhete. Posso comandar outras partes, se você deixar. É só ir até a Sala Precisa, quando o castelo ficar vazio... (continua no próximo)".

Ele viu o próximo também no mural, mais abaixo...

"E, lá, o senhor pode gritar e berrar a vontade. Eu, particularmente, vou deixar-me levar pelo momento e gritar de prazer. Vai desperdiçar essa oportunidade? (continua)".

O outro estava no chão abaixo do mural. Ele o pegou, abrindo-o com ansiedade.

"É, acho que não... Beijos, da garota que o venera e o domina – Lanísia.".

PS: Cheire o papel e terá uma surpresa.

Augusto, ofegante, olhou para todos os lados – como se alguém pudesse vê-lo na sala trancada – e levou o papel ao nariz. Cheiro de mulher. Ele estremeceu, inalando aquele perfume. Algo no baixo ventre se ergueu imediatamente. Ela havia passado o papel exatamente onde ele imaginava.

Subitamente, Augusto rasgou o papel e o jogou no chão, enquanto começava a rasgar os outros bilhetes.

-Abusada... ABUSADA! – uma fúria o dominou violentamente. – Acha que me controlou com essas porcarias de bilhetes, mas está muito enganada, MUITO ENGANADA! Só segui os bilhetes por curiosidade, apenas por curiosidade... Você não me domina, Lanísia, não me domina...

Pronto, o último bilhete fora rasgado. Ele ficou olhando para os pedacinhos, ofegante. Desabou na cadeira novamente, enquanto o lenço era encharcado de suor.

-Eu não vou, Lanísia. Não vou...

Ele fechou os olhos, exausto, enquanto recordava o aroma impregnado no papel... Era só ele ir... Era só ele querer...


-Tenho certeza que ele seguiu os bilhetes – disse Lanísia, após relatar o conteúdo de cada um para as garotas. – Eu domino o professor com certeza.

-Cuidado para não acreditar muito que tudo vai dar certo e sofrer depois.

-Não, Joyce. Ele vai. Podem apostar que ele vai. E podem apostar que ele leu todos os bilhetes, seguindo-os direitinho, e deve ter ficado maluco ao perceber isso.

-Acho que o Augusto nunca imaginou que uma aluna ia pirar a cabeça dele dessa forma – comentou Serena.

-Garotas, já vou indo – disse Clarissa, mirando-se pela última vez no espelho. – Sei que é bem cedo ainda, mas eu queria ver o Malfoy antes de irmos ao Baile.

-Hummm – fizeram As Encalhadas, dando risadas maliciosas em seguida.

-Parem com isso! – falou Clarissa. – Não estou interessada nele. Acontece que conheço Draco há muitos anos, e, na falta de um par realmente interessante, optei por ele.

-Sei... – murmurou Joyce, sarcástica.

-Mas ele não é mesmo o rapaz que você gostava anteriormente, o que você queria jogar o nome na Fogueira?

-Já disse que não, Hermione. Draco está sendo apenas uma alternativa para que eu não vá sozinha ao Baile... Aff, chega de explicações! – ela foi até um cabide e apanhou a bolsa. – Já estou indo. Encontro-as mais tarde. E, claro, boa sorte para todas vocês!

Ela saiu, encostando a porta ao passar. Alone ficou olhando para a porta, pensativa.

-Esses encontros antes do Baile... Muito estranho, não acham?

-É óbvio que ela tem interesse no Malfoy, mas ele sendo o bunda-mole que é, ela está com vergonha de confessar – afirmou Joyce.

-Queria ter uma capa de invisibilidade para ver o que os dois vão fazer agora – disse Mione, sorrindo.

De fato, ouvir o que eles estavam planejando teria evitado muitas coisas.


Clarissa havia marcado um encontro com Malfoy no pátio, após tê-lo convidado para o Baile na noite anterior. O sol do fim de tarde iluminava o pátio, acompanhado de uma brisa suave. Draco já se encontrava a espera da garota, trajando um traje a rigor elegante, de cor negra.

Parecia um tanto agitado, e sorriu ao vê-la.

-Olá, Clarissa.

-Oi, Draco – ela sorriu; de fato era muito linda, talvez ele pudesse se interessar por ela... talvez, se fosse antes de Hermione se impregnar em seu ser.

-E então... Qual seria o motivo desse encontro antecipado?

Clarissa respirou fundo.

-Sei que você é apaixonado pela Hermione, e quero ajudá-lo a conquistá-la.

-Mesmo? – perguntou Draco, ansioso... o amor deixa as pessoas muito idiotas, pensou Clarissa, mas resolveu não exprimir o pensamento em voz alta.

-Sim. Acho que você seria um par mais a altura de minha amiga do que o Rony Weasley. Sem falar que nos conhecemos faz muito tempo, e eu considero você um grande amigo... Então, queria ajudá-lo.

-Mas como você vai me ajudar?

-Bom, eu tive uma idéia ótima para a noite de hoje. Andei espiando o Lorenzo´s, de fato cheguei a entrar lá, e observei o bar inteiro. Existem lugares ótimos, sendo o Cantinho de Amor e Pegação o principal deles. Neste tal Cantinho, Draco, existe um corredor que leva a uma cabine com o nome sugestivo de "Ou Vai ou Racha".

-"Ou Vai ou Racha"?

-Exato. Com o nome já se pode supor o que essa cabine faz, e eu confirmei lendo o letreiro ao lado dela. Ela comporta apenas duas pessoas. Quando o casal entra nesta cabine, ela magicamente se fecha, prendendo o casal num espaço gigantesco, cheio de, como o letreiro dizia, "objetos e lugares propícios ao amor". O casal fica preso dentro da cabine, Draco, e não conseguem sair.

-E como se sai dessa cabine?

-É aí que entra o nome da cabine. Antes de entrar lá, uma das duas pessoas deve fazer ou depositar numa taça fora da cabine, intitulada "Taça dos Desejos", o tributo a ser pago lá dentro. Ou seja, se você beijar a taça, o tributo deverá ser um beijo. Você só sai dali se ela o beijar. Beija ou fica lá dentro... Ou melhor, "Ou Vai ou Racha"!

Draco abriu um sorriso radiante.

-Fantástico!

-Não é? Meu plano é o seguinte... Eu levo Hermione até lá, e deixo o tributo a ser pago no Quadro dos Desejos. Depois, chamo você e você entra na cabine, ficando preso com ela. Lá vocês encontrarão um lugar especial para namorar, e, mesmo que ela não queira, ela terá que beijar você, senão fica dias, meses, anos lá dentro!

-Essa cabine é perfeita! Perfeita, Clarissa! – os olhos dele brilharam. – Quanta gente não gostaria de ter uma cabine dessas! – o sorriso dele murchou um pouco. – É, tem isso... Será muito disputada, não acha?

-Acho que não... Temos a vantagem de sermos os únicos a conhecê-la, por causa de minha visita inesperada. E eu faço questão de ficar vigiando a cabine o tempo todo, afastando qualquer outro casal que queira ocupá-la.

-Nossa, Clarissa, nem sei como agradecê-la.

Draco a abraçou, emocionado e cheio de ansiedade. Clarissa, sorrindo, pensou:

"Eu é que não sei, Draco".


Uma sensação de triunfo a dominou com furor. Dali a algumas horas, embora não soubesse, Draco devia estar preso dentro da cabine, não com Hermione, mas com Rony Weasley.

E pagando um tributo muito diferente...

O relógio do dormitório feminino marcava 18:30 quando Hermione, Alone, Joyce e Serena resolveram sair do quarto e se encaminharem ao Saguão. Elas se olharam pela última vez no espelho, orgulhosas. Chegaram ao salão comunal agitadas, falando com Lanísia.

-Queremos todos os detalhes quando voltarmos! – disse Serena. – Saber se de fato o professor foi até a sala encontrá-la.

-Que ele vai ele vai sim – disse Lanísia, ajeitando seu vestido vermelho. – Mas pode deixar que conto a vocês, detalhe por detalhe, tudo o que aconteceu lá dentro.

-Até logo, Lanísia! – despediu-se Hermione.

Elas passaram pela passagem no buraco do retrato, ainda afoitas.

-Espero que eles gostem – falou Mione, apreensiva.

-Claro que vão gostar – disse Alone, confiante. – Eles estão magicamente enlouquecidos por nós, esqueceram? Com o poder da Fogueira iam adorar mesmo se aparecêssemos com roupas surradas e totalmente despenteadas!

-É mesmo – concordou Joyce. – E ainda mandariam um "você está linda"!

-Mesmo assim... Dá um friozinho na barriga...

-Não reclame, Hermione – disse Joyce. – Você e Serena não têm do que reclamar! Nós ainda não estabelecemos nenhum tipo de relação com os garotos, mas, vocês... Já estão namorando!

-É, mas fui eu que não quis namorar – retorquiu Alone. – Se tivesse dado sinal verde, já estaria com o Harry.

-Nem tente me fazer sentir como a que está mais atrasada em relação aos garotos – falou Joyce. – Quem ri por último ri melhor, e você nem pode imaginar qual é o tamanho do meu troféu!

Elas gargalharam. Houve uma certa expectativa quando finalmente alcançaram a escadaria de mármore. Os corações dispararam. Elas observaram a multidão no Saguão, e logo localizaram os garotos.

Rony estava encostado no corrimão, com um lindo traje a rigor negro. Juca usava trajes bem simples, um pouco acinzentados, e ajeitava os óculos enormes. Lewis usava um traje branco, e olhava orgulhoso para Serena. E Harry usava um bonito traje verde escuro; suas mãos suavam, e ele olhava, pasmo, para Alone e seu vestido de alcinha.

Elas desceram as escadas, triunfantes. Cada tremor dos rapazes era um sinal de vitória; os olhos arregalados eram motivo de orgulho; e o calor interno que, elas tinham certeza, estavam provocando em cada um deles, ah, era maravilhoso.

Alone desceu a escadaria de olhos presos em Harry. Sorrindo, maliciosa, foi até ele sem deixar de encará-lo. Parando próximo ao garoto, Alone levou uma mão a uma das alças do vestido e começou a brincar com a alça, provocando-o.

-Oi, Harry!

-O-oi – gaguejou ele, olhando para a alcinha.

-Então... Pensei muito bem no seu convite para ser o meu acompanhante no Baile...

-E? Qual é a resposta??

Ela contemplou a aflição do rosto do rapaz por alguns segundos, antes de responder, com desdém:

-Tudo bem, eu aceito.

Harry abriu um sorriso radiante e, tomando a mão da garota, a beijou brevemente. Alone sorriu, mantendo aquele ar triunfal. Harry ofereceu a própria mão, que Alone segurou; juntos, os dois encaminharam-se para as portas de entrada, onde diversos casais já começavam a sair.

Juca caminhou até Joyce, parecendo nervoso e tímido. Ela riu da timidez dele.

-Nossa, quem vê você assim, tão reservado, não diz que você é tão experiente! – ela comentou.

-Ah... É... – murmurou ele, olhando admirado para o decote do vestido.

-Ando pensando em participar de uma de suas aulas – falou a garota, estendendo a mão para o rapaz. – Você gostaria de ter-me como aluna?

-Adoraria, claro... Vamos? – ela confirmou e eles se encaminharam para a saída. Joyce lançou um sorriso para Serena, que também passava pelas portas, de braços dados com Lewis.

-Sua mãe não falou mais nada? – ela perguntou.

-Não... Não tocou mais no assunto. E, por mais que isso pudesse soar como uma coisa boa, não me deixa nada tranqüilo...

-Por que?

-É estranho, sabe, esse silêncio dela. E ela anda muito calada, como se estivesse pensando em fazer alguma coisa.

-Acha que poderia ser algo para... Para prejudicar o nosso namoro?

-Talvez, minha Serena. Talvez. Mas fique tranqüila – ele a fitou com ternura. – Nada que ela fizer é capaz de impedir o nosso namoro. Nada.

Ela o beijou, agradecida pelas palavras de confiança – e por ver que, pelo menos nesse momento, Lewis deixou o desagradável pessimismo de lado.

Mione e Rony caminhavam ao lado do casal, abraçados. A multidão descia os terrenos em direção a estrada que levava ao povoado de Hogsmeade.

-A noite promete... – comentou Rony. – Veja só quantos casais!

-É por isso que achei o Baile uma ótima idéia da Professora McGonagall – falou Mione. – Um baile sempre é um excelente momento para as pessoas se declararem, para terem chance com quem amam.

-Pois é... Nossa... Aquela sua amiga, a Clarissa, está indo com o Malfoy?

-Sim... – Mione olhou para os dois, que estavam mais à frente, de mãos dadas. – Disse que não gosta dele, que na verdade ele é um antigo amigo da família, mas, não sei não... Ali tem coisa...

-Coitada... Imagine se estiver apaixonada por aquele louco...

-É. Também acho que ela merece um rapaz melhor... Mas a Clarissa me intriga as vezes. Ela é muito misteriosa.

-Ele não a perturbou mais depois daquele dia, não é?

-Não... Nunca mais... Sabe, meu amor, ainda penso, de vez em quando, como aquilo foi estranho. O Draco parecia decidido a ir ao Baile comigo a qualquer custo! Ele, que sempre me odiou! Foi muito, muito esquisito...

-Não pense nisso agora, minha querida – Rony a beijou. – É uma noite feita para se divertir! E comigo, olha só, que privilégio, hein?

Mione riu. Quando atravessaram os portões do castelo, ela flagrou-se pensando em Lanísia, Augusto e a Sala Precisa. Será que o professor havia aceitado o convite?


Augusto havia comunicado a todos os outros professores que não compareceria a festa de aniversário da diretora. Alegou dor de cabeça, exaustão, e uma pilha de deveres a serem corrigidos. Mas era tudo mentira. Havia uma razão inconfessável para não ir; uma razão que havia lhe tirado o sono, estava lhe tirando o ar e não parava de atormentá-lo nem por um segundo.

Lanísia, Lanísia, Lanísia.

Era assim que ela vinha em sua mente; um martelar contínuo, infindável, atormentando-o. Augusto olhou para a pilha de deveres a sua frente; era impossível concentrar-se. Sua mente estava dominada por aquela garota... e por aquele convite.

Bateram na porta. O coração do professor disparou. Seria... Seria ela? Seria Lanísia cobrando a sua presença no que ela mesma chamara de "Palacete da Loucura"? Nervoso, com as mãos suando, Augusto foi até a porta e a abriu. Soltou um suspiro de alívio ao ver, ali, Frieda Lambert.

-Olá, Augusto... – ela olhou para ele, as rugas se acentuando. – Algum problema?

-Não, não... Nenhum... Só cansado... Só isso...

-Vim perguntar se tem certeza de que não vai a festa?

-Tenho certeza absoluta, Frieda. Não estou muito bem, então, é melhor ficar por aqui.

-Entendo... Também precisava vir até aqui agradecê-lo pelos conselhos que você me deu na quinta-feira. Não sabe o quanto eles foram esclarecedores, provocaram horas de reflexões, sim, provocaram muitas horas, mas, no final das contas, foram muito, muito úteis, muito úteis para abrirem os meus olhos.

-Ah que bom. Finalmente resolveu enfrentar o fantasma de seu passado?

-Sim... Finalmente – ela sorriu; seus olhos brilharam, malévolos. – Percebi que esse tal fantasma pode me ajudar. E muito. E vou colocar tudo em pratos limpos hoje à noite. Hoje, nesse bendito Baile.

Augusto fitou-a, intrigado... O modo como Frieda falou foi tão frio que chegou a arrepiar os pêlos dos braços do professor.

-Veja lá o que vai aprontar, Frieda...

-Fique tranqüilo, Augusto. Apenas anunciarei a verdade. Se a verdade doer, se a verdade ferir, se a verdade separar... Eu não posso fazer nada.

Deixando aquele mistério no ar, ela despediu-se, começando o caminho até o Baile.

Augusto, por sua vez, encostou a porta. Encaminhou-se até o sofá, e, apoiando-se de forma despreocupada com a cabeça para trás, fitando o teto, refletiu...

"Preciso esquecê-la... Não posso ir a Sala Precisa... Não posso".

Mas será que conseguiria controlar-se até todos voltarem?


Naquele instante, Lanísia já se encontrava na Sala Precisa... Ou melhor, no "Palacete da Loucura". Já estava vestida da maneira que desejava. Pronta para começar a brincadeira.

Inverter os papéis... Em seguida, tirar as roupas... E depois, "mandar ver".

Olhando para a porta, deitada, admirando o local, ela o aguardava...

Certa de que ele viria...

Ah, ele viria...


A multidão parou em frente ao Lorenzo´s. O bar estava todo apagado, inclusive o letreiro em néon. Todos aguardavam, ansiosamente.

-Quanto mistério! – cochichou Mione para Rony.

-Claro! Tem que ter um clima assim pra tudo ficar mais emocionante!

Naquele instante, houve um forte estrondo de fogos de artifício sendo lançados. Assim que os fogos estouraram no céu, as luzes do bar se acenderam, o letreiro em néon brilhou – LORENZO´S – e as portas do bar foram abertas. Por elas, surgiu o proprietário, o jovem Lorenzo, com um largo sorriso no rosto.

-Sejam bem-vindos ao Lorenzo´s, que tem a honra de ser inaugurado com o aniversário da diretora da Escola de Hogwarts, Minerva McGonagall!! – Lorenzo foi até a diretora, e, beijando a mão dela, a colocou em frente a multidão. – Uma salva de palmas a Minerva McGonagall!

A multidão explodiu em palmas. Assim que a algazarra diminuiu, Lorenzo fez um gesto exagerado e, gritando, disse:

-E, AGORA, COMEÇA A FESTA!

Todos se precipitaram para a entrada do bar.

Ele era gigantesco. O piso do saguão de entrada era quadriculado, preto e branco; havia diversas mesinhas vermelhas espalhadas pelo local; também havia um balcão arredondado, roxo, enfeitado com luzes de néon coloridas, onde diversos atendentes aguardavam a clientela; uma infinidade de bebidas lotava as prateleiras as costas dos atendentes. Passando pelo saguão, Mione e Rony encontraram a pista de dança. O piso era alaranjado, e diversas luzes coloridas cruzavam o teto; uma banda tocava uma música agitada das Esquisitonas no palco; Mione olhou para o fundo da pista e viu que, num cantinho, havia uma abertura em forma de coração, fechada com uma cortina vermelha. No alto havia a inscrição: CANTINHO DE AMOR E PEGAÇÃO. Gritando no ouvido de Rony, para fazer-se ouvir diante da barulheira toda da banda, Mione disse:

-Olha lá, temos que ir até ali mais tarde!

-Com toda a certeza. Pra amar e se pegar ao mesmo tempo!

Entrando no clima da música, Rony e Mione começaram a dançar, entusiasmados. Vários jovens também entraram no embalo e começaram a curtir o som.

No saguão principal, os garçons começavam a direcionar os pratos, com o uso de suas varinhas, até as mesas dos convidados. Lewis e Serena, que haviam sentado em uma das mesas, olharam, admirados, para o conteúdo dos pratos; uma incrível variedade de doces e salgados.

-Humm... Vejo que capricharam no cardápio! – exclamou a garota.

Ia pegar uma coxinha quando Frieda Lambert se aproximou. Serena engoliu em seco, enquanto Lewis olhou para a mãe com furor.

-O que é que você quer?

-Calma, filho! Calma! Só vim saber se posso sentar-me aqui, junto com vocês...

-Não pode! – respondeu Serena, irritada.

-Ah, que resposta malcriada! – Frieda falou, irônica. – Veja se isso é jeito de tratar alguém como eu. Alguém que deve ser, futuramente, uma pessoa muito importante em sua vida.

-Pra mim, uma sogra como você não tem importância alguma!

-Ah, queridinha, mas não é em relação a isso que estou falando... Serei importante para você, mas de um modo muito diferente...

Serena franziu a testa. Segurou a mão de Lewis com força.

-Lewis, do que ela está falando?

Antes que Lewis pudesse responder, Frieda adiantou-se.

-Brian Bennet – Serena empalideceu ao ouvir aquele nome saindo dos lábios finos de Frieda. – Brian Bennet... Isso te lembra alguma coisa, minha querida?

-Brian... Papai...

-Exato...

-Como... Como pode saber o nome dele? Você... Você o conheceu?

-Ah, muito mais do que você possa imaginar!

Frieda debruçou-se, encarando Serena nos olhos. Lewis abraçou a namorada.

-SAIA DAQUI, MAMÃE! Ou vou armar um escândalo!

-Ela precisa ouvir o que tenho para falar, Lewis, e...

-NÃO PRECISA! SAIA DAQUI!

Frieda hesitou por um momento, mas a hipótese de um novo escândalo a assustou profundamente. Arrumando a bolsa, ela falou:

-Tudo bem, mas dessa noite não passa!

Ela afastou-se. Lewis olhou para Serena, preocupado; a garota estava pálida e os olhos estavam quase saltando das órbitas.

-O que ela quis dizer com aquilo, Lewis? O que?

-Nada. Ela só quer perturbá-la. Esqueça isso – ele beijou-lhe a testa. – Esqueça.

Enquanto Serena mergulhava em preocupação, Joyce se esbaldava com Juca na pista de dança. A música era agitada, mas a garota aproximou-se do rapaz, colando o corpo junto ao corpo dele.

Juca sorria, nervoso...

-Não fique encabulado! – ela gritou pra ele.

-Não, não estou!

-Só tome cuidado para não começar a se animar muito! Aposto que ficaria bem visível!

-O que?

-Isso! – ela tocou de leve a região do baixo ventre dele. Juca assustou-se tanto que deu dois passos para trás e caiu no chão; houve o ruído de algumas gargalhadas. Joyce, assustada, estendeu a mão e o ajudou a se levantar. Ele ajeitou os óculos, sem graça, e recomeçou a dançar. – Desculpe, Juca... Achei que não se importava com esse tipo de brincadeira...

-É... Eu não gosto muito...

-Gosta só de coisas mais avançadas, não é? Safadinho!

Ela o abraçou; Juca apenas riu, sem compreender aquela brincadeira...

Clarissa e Draco passaram por eles, caminhando em direção ao Cantinho de Amor e Pegação. Draco estranhou e perguntou:

-O que vamos fazer lá dentro?

-Preciso vigiar a cabine "Ou Vai ou Racha"! Ela fica no final de um corredor que sai do Cantinho.

Eles cruzaram as cortinas vermelhas da entrada em forma de coração.

O Cantinho era uma sala comprida, com um enorme sofá vermelho e diversos pufes da mesma cor. Havia ali várias cabines fechadas com cortinas, feitas para os casais mais animados. A luz que o iluminava era vermelhava, proporcionando um ambiente propício ao amor e outras coisinhas a mais...

Alguns casais já se encontravam no Cantinho. Por isso, Clarissa cochichou, no ouvido de Draco, as instruções:

-Aguarde aqui. Vou colocar o tributo, que é o beijo, na Taça dos Desejos. Volto já!

-Mas, por que eu não posso ir lá e...

-Porque eu já sei como funciona! Espere aí!

Disfarçando, Clarissa entrou no corredor que levava a cabine. Draco ficou parado, em pé, no meio do Cantinho, olhando, muito sem graça, para os casais que se amassavam. Só um casal parecia não estar aos beijos, e Draco se surpreendeu, ao reconhecer na luminosidade avermelhada, Harry Potter, acompanhado de Alone Bernard.

-Não sei, Harry... Não estou afim de lhe beijar – dizia Alone, enquanto comia uma taça de sorvete de creme. Os dois estavam estirados no sofá. – Não estou mesmo...

-Ah... Por favor... – ele implorava.

"Sim. Implore. Se torture. Chore!", ela pensava.

-Talvez mais tarde... Por enquanto não...

Alone derramou um pouco do sorvete que havia na colher. O sorvete caiu bem na altura de seu busto. Harry olhou, fascinado...

-Está... sujo...

-Está sim... Harry, poderia limpar, por favor?

Harry arregalou os olhos verdes para ela.

-E-eu?

-Sim. Por favor. Limpe.

Alone inclinou-se para frente. Harry tirou um lenço do bolso e, tremendo compulsivamente, estendeu a mão para a pele de Alone. Ela viu o tremor que o percorreu quando sua mão encontrou o corpo dela. Harry fechou os olhos, tenso, enquanto limpava o sorvete, lentamente...

-Isso, Harry... – Alone começou a murmurar, sensualmente, para enlouquecê-lo. – Isso... Vai...

Ele não parava de tremer...

-Estou... Limpando...

-Isso... Com mais força... Vai...

-S-sim... Sim... – subitamente, ele abriu os olhos, e afastou a mão. Olhando para o busto da garota, ele gaguejou. – A-acho que já e-está li-limpo.

-Sim – concordou Alone. Levou a mão para o rosto dele. – Quem sabe não lhe dou um prêmio esta noite por causa disso?

-Harry?

Ele sobressaltou-se; Alone virou-se também. Parado, perto de onde Draco se encontrava, estava Colin Creevey, os olhos cheios de lágrimas.

-Harry... Por que? POR QUE?

Ele gritou e saiu correndo do Cantinho. Alone olhou para Harry, intrigada.

-O que aconteceu com ele?

-Eu sei... Preciso alcançá-lo! – Harry saiu do sofá, correndo. – Desculpe-me, Alone, mas, preciso!

Alone hesitou só por um segundo antes de levantar-se também.

-E eu preciso saber o que está acontecendo!

Saiu correndo do Cantinho, atrás de Harry. Draco coçou a cabeça... Cada coisa maluca... Olhou para o corredor. Será que Clarissa já havia deixado o tributo a ser pago na Taça dos Desejos?

Ainda não... Mas estava deixando naquele exato momento...

Ela furou a ponta do dedo com a faca. Em seguida, levou o dedo a taça. O sangue vermelho-vivo caiu lá dentro... Ela começou a absorvê-lo...

Clarissa observava com admiração...

Tributo aceito.


NA: E eis mais um capítulo! Agradeço aos comentários e a todos que estão gostando da fic! Valeu mesmo! Qualquer erro de digitação, me perdoem, mas é que logo que terminei vim atualizar, então... hehehe. Abraços!!