CAPÍTULO 11
As Encalhadas em apuros
O que parecia ser maravilhoso ameaça uma vida...
Segurando a faca com força, ele a direcionou para Rony de uma só vez, o ódio pulsando fortemente...
enlouquece outras...
-Ainda não, Augusto? Acho que precisa de um contato mais direto, não é? Então, pegue!
...diverte algumas...
-Um strip-tease feito especialmente para mim!
...e pode prejudicar a todas...
--Entenderam agora a gravidade da situação? As Encalhadas estão em apuros!
...as Encalhadas precisam de uma reunião... e de uma solução para o problema. Que problema é esse? Leiam, descubram e, quem sabe, achem a solução.
Draco olhava para Rony friamente, contemplando o resultado de sua facada. Rony estremecia no chão, enquanto a poça de sangue ao seu redor aumentava cada vez mais.
Draco não dizia nada, apenas observava, balançando a cabeça levemente, com desprezo.
Finalmente, ele caminhou para Rony, mantendo a mesma expressão fria. Rony arregalou os olhos vidrados para ele, temeroso; a enorme faca de cozinha continuava na mão de Malfoy, agora ainda mais tenebrosa devido as gigantescas manchas de sangue fresco...
-A Hermione tem que ser minha... Não pode ser de mais ninguém... – Draco dizia, lentamente. – Preciso tirar você do meu caminho... Sem você, ela vai ser minha...
-Não... – balbuciou Rony, cuspindo sangue enquanto falava.
-SIM! – berrou Draco, irritado. – ELA VAI SER MINHA!
Ele girou a faca no ar, atingindo o braço de Rony; Rony gemeu de dor e deixou-se cair no chão, impotente. Seu coração disparou; Draco continuava agitando a faca no ar, cego pelo ódio.
-MINHA! MINHA!
Rony apavorou-se; precisava encontrar uma solução...
Vendo um dos vidros que continham líquidos afrodisíacos, Rony o agarrou com todas as forças que ainda restavam dentro dele e o arremessou na direção de Draco, atingindo-o em cheio na testa.
O vidro rebentou, estilhaçando-se, Draco vacilou, tonto e, girando os olhos, despencou no chão, com um pequeno corte na testa e desacordado.
Rony respirou fundo; o ar começava a faltar; o sangue não parava de escorrer. Desesperado, após fitar Draco por alguns segundos, ele virou-se para a porta da cabine. Surpreendeu-se ao vê-la totalmente aberta.
Com um sorriso abobalhado, Rony começou a se arrastar na direção da porta. Não conseguia avançar com rapidez; estava demasiado enfraquecido para tal feito. Mas precisava ser rápido, precisava alcançar a saída. Antes que Draco acordasse e terminasse, com a sua terrível faca de cozinha, o que havia começado...
Hermione, do lado de fora, procurava Rony, cheia de preocupação.
-O pior é que não consigo imaginar onde ele pode ter ido! – disse a garota a Alone. – Já olhei em todos os lugares, até mesmo no Cantinho de Amor e Pegação!
-Não resta mais nenhum local?
-Acho que não... Não tem como saber, não conheço nada sobre esse bar, ninguém conhece...
-Cadê o dono, o Lorenzo... – Alone começou a procurar o rapaz com o olhar. – Eu o vi agora há pouco atrás do balcão, conversando com a nojenta da Frieda... Ah! Olhe ele ali, conversando com a Joyce! Venha comigo! – Alone puxou Mione pelo braço e, juntas, correram até o balcão. Lorenzo terminou de dar as instruções para Joyce, sobre como chegar ao lugar perfeito para ficar com Juca, e, em seguida, após Joyce passar pelas amigas, saltitante, puxando um Juca confuso pelo braço, ele voltou sua atenção para as garotas. – Posso ajudá-las? Alguma... – ele olhou para os dois lados. – ...bebida proibida?
-Não... – respondeu Alone. – É que a minha amiga aqui, a Hermione, não está encontrando o namorado, já procurou em todos os lugares, e nada... Aí queríamos saber se existe algum lugar secreto por aqui...
-Ah namorado sumido... – Lorenzo balançou a cabeça. – Sinto muito... Mas, você sabe, noite de festa, tudo pode acontecer...
-Ele não está me traindo! – protestou Hermione.
-É, eu entendo sua revolta, mas...
-Sem "mas"! Tenho certeza absoluta que ele nunca vai me trair!
-Nossa, quanta certeza! – comentou Walter, que escutava a conversa. – Diga-me... Alguma poção de amor ou feitiço para amarrá-lo?
-Oh! Como ousa...?
-Pare de ofender a Hermione! – reclamou Alone.
-Parem com essa discussão, por favor! – pediu Lorenzo. – Garotas, o bar conta com alguns salões subterrâneos, que servirão para algumas festas futuras... Não sei como ele poderia ter ido parar lá, mas, talvez...
-Pode nos levar até lá? – perguntou Mione.
-Claro! – ele pulou o balcão e juntou-se a elas. – Walter, durante a minha ausência, você fica responsável pelo bar. Volto em poucos minutos.
-Certo!
Lorenzo as guiou em direção as cortinas de entrada do Cantinho de Amor e Pegação. Virando-se para elas, ele explicou:
-Tem um corredor no Cantinho que dá acesso as escadas secretas para os salões subterrâneos. É logo em seguida da cabine Ou Vai ou Racha.
-Que cabine doida é essa? – perguntou Mione.
-Ah, vocês logo verão... – eles entraram no Cantinho.
Rony continuava se arrastando pelo chão, tentando sair da cabine. Precisava sair dali, passar pelo corredor, e chegar ao Cantinho de Amor e Pegação, tudo isso antes que Draco acordasse. Embora grande parte de seu ser dizia que não havia tempo para tudo isso, o instinto de sobrevivência servia como motor para que ele continuasse a avançar.
O local perfurado pela faca ardia terrivelmente, principalmente quando ele se movimentava. O sangue não parava de jorrar, cascata vermelha e pegajosa que empapava suas vestes e dava um toque ainda mais macabro para a situação.
As mãos de Rony, o seu rosto, tudo, tudo estava manchado de sangue.
Ele estendeu a mão e, finalmente, tocou a dobradiça da porta da cabine. Respirou fundo. Ainda havia um longo caminho a percorrer, porém abandonar aquela cabine já seria um imenso alívio.
Ele olhou para trás, para se certificar de que Draco continuava desacordado. Seu coração palpitou de medo quando ele viu que Draco começava a despertar, confuso.
Draco levou um dedo à testa; olhou, intrigado, para o sangue que fluía do corte. Em seguida, lançou um olhar para a faca de cozinha que ainda se encontrava em sua mão. A faca pareceu despertar o rapaz. Subitamente, a expressão alucinada e maldosa retornou ao seu rosto, e ele olhou para Rony.
Agarrando o cabo da faca com força, Draco levantou-se.
Rony, desesperado, começou a berrar, enquanto tentava avançar mais rapidamente pelo chão.
-SOCORRO! SOCORRO!
Não havia misericórdia em Draco, muito menos pena; só havia obstinação. Ele estava determinado a matá-lo, e era isso o que ele ia fazer; não sossegaria enquanto não o fizesse.
Rony constatava que não havia mais esperanças quando, pelo corredor, surgiram Hermione, Lorenzo e Alone. Hermione deu um grito de surpresa; seus olhos arregalaram-se ao verem Draco Malfoy se aproximando de seu namorado com a enorme faca em mãos; ao encontrarem o piso manchado de sangue; ao ver Rony quase perdendo a vida.
Num ato de desespero, Hermione avançou, sem pensar e, passando por Rony, foi diretamente até Draco, agarrando-lhe a mão que segurava a faca.
-PARE! DRACO, PARE!
Draco lutou para libertar-se do apertão de Hermione e continuar o serviço...
-Eu preciso... eu preciso matá-lo... Preciso...
-Não! – respondeu Mione, ainda brigando com o garoto, que queria continuar. – Não pode matá-lo, Draco, não...
-Deixe-me continuar...
-Não...
-DEIXE-ME CONTINUAR, HERMIONE! – berrou Draco, empurrando-a. Hermione caiu no chão, cedendo o espaço que Draco precisava para alcançar Rony. Segurando a faca com força, ele a direcionou para Rony de uma só vez, o ódio pulsando fortemente... Mas Lorenzo o interrompeu, apertando-lhe o braço. Draco começou a gemer de dor, enquanto Lorenzo entortava seu pulso.
-PARE COM ISSO! – berrou o dono do bar, ignorando os protestos de Draco, e pouco se importando com a dor do garoto.
De fato, Lorenzo apertou com tanta força que Draco deixou a faca cair no chão e duas lágrimas de dor escaparem dos seus olhos cinzentos. Quando Lorenzo descarregou toda a raiva contra o garoto, soltou o pulso dele de uma só vez e, antes que Draco pudesse fazer qualquer coisa, apanhou a faca de cozinha do chão ensangüentado e a guardou no bolso das vestes.
-Isso não é brinquedo – disse Lorenzo, olhando para Draco, irritado.
Draco apenas o fitava com uma expressão abobalhada, enquanto Hermione, apavorada, ajoelhava-se no chão e abraçava Rony, pouco se importando com o sangue que havia ao redor...
-Meu querido! O que aconteceu? – perguntou, com lágrimas nos olhos.
-Draco... enlouqueceu... Por... Por amor... – ofegou Rony, sem forças para falar.
-Por amor? – perguntou Hermione, confusa. – Por amor a quem?
Rony ergueu os olhos cansados para ela e respondeu, balbuciando:
-Por você.
Mione franziu a testa; acariciando o rosto de Rony, ela ergueu o olhar para Draco, intrigada.
-Você... Você fez tudo isso, toda essa... loucura... Por amor a mim?
-Exatamente, Hermione! – respondeu Draco; todo ódio havia desaparecido, dando lugar a angústia. – Sou completamente apaixonado por você! Não era, antigamente, mas, de uma hora para outra, você tornou-se parte fundamental da minha vida! Preciso de você, preciso de você para ser feliz!
Um calafrio percorreu Hermione... ela conhecia bem aquelas palavras desesperadas... aquele amor alucinado...
-Eu te amo perdidamente... – murmurou Draco, suspirando.
Sim... Era aquele amor doentio... Aquele amor que podia ser notado através do brilho do olhar, da expressão abobalhada, das ações impensadas. Não havia outra resposta... Havia magia.
-Magia... – murmurou ela.
-O que? – indagou Alone.
-Magia... Poção de amor, alguma espécie de maldição, ou... – um novo tremor a tomou. Virando-se para Alone, Mione disse, baixinho. – A Fogueira.
Houve um momento de silêncio, de temor compartilhado. Este momento entre as duas amigas foi quebrado pela voz de Lorenzo, que ajudava Rony a se erguer.
-Preciso levar esse garoto o quanto antes para um hospital...
-NÃO!
O grito de Hermione pegou Lorenzo de surpresa, assim como Rony e Alone.
-Não? – murmurou Rony, incrédulo, ofegando, um dos braços passado pelo ombro de Lorenzo.
-É. Não – repetiu Hermione. – Pode não haver tempo... Tudo o que precisa ser feito em Rony deve ser feito o quanto antes!
Lorenzo balançou a cabeça em concordância.
-Sim, você tem razão. Bom, minha mãe era enfermeira, sei alguns truques para estancar sangramentos, bem como as poções ideais para cicatrizar ferimentos. Se não houve nenhum órgão perfurado, poderei tratar do ferimento, se houver algum... Aí, não tem jeito...
-Não perca tempo, Lorenzo, por favor! – pediu Mione. – Salve-o!
-Farei o possível – respondeu o homem. Ele lançou um olhar irritado para Draco. – E quanto ao marginal aí, o entregarei a direção da escola, que provavelmente o encaminhará a Azkaban...
-Primeiro cuide do Rony, por favor... – falou Mione.
-Eu sei. Rony é mais importante do que esse projeto de assassino – disse Lorenzo com desprezo. – Mesmo assim, por cautela... – Lorenzo, com o pé, deu um chute na porta da cabine Ou Vai ou Racha; Draco tentou correr, mas, antes que pudesse fugir, a porta fechou-se. – Ele ficará seguro aí, até que seja decidido o que fazemos com ele. Garotas, vou cuidar de Rony na saleta aqui ao lado – ele indicou uma porta de madeira. – Gostaria que ficassem por aqui. Vocês podem vigiar a cabine e impedir qualquer pessoa de entrar... Nossa, nem quero imaginar o que esse garoto pode fazer... – Rony ofegou de dor ao lado dele. – Vamos! Não temos tempo a perder... – ainda com Rony abraçado ao seu ombro, Lorenzo entrou na saleta, fechando a porta ao passar.
Alone e Hermione ficaram sozinhas; juntas, elas encaminharam-se para um banquinho que ficava em frente à porta. Mione chorava sem parar. Um lampião lançava uma claridade fraca e alaranjada sobre o local, dando um aspecto ainda mais sinistro ao momento.
Alone se contorcia de curiosidade no banco; não conseguindo mais se conter, perguntou.
-Mione, o que você quis dizer com "A Fogueira"? Ou melhor... Você disse isso mesmo? Ou foi apenas impressão? Porque você mais mexeu os lábios do que falou, então, penso eu, posso ter imaginado coisas, afinal, o que a Fogueira teria a ver com isso, mané?
-Não... – respondeu Mione, secando as lágrimas. – Foi exatamente o que eu disse...
Alone respirou fundo, tensa.
-Mas... Não vejo como a Fogueira entra nisso tudo...
-Draco, Alone. Draco – Mione fitou os olhos da amiga. – O sentimento de Draco está alterado, e alterado por algum tipo de magia. E não consigo pensar em mais nenhuma, desde que a possibilidade da Fogueira me ocorreu...
-Ah Mione... Isso é um absurdo! Nós sabemos que existem várias maneiras para criar um sentimento em alguém...
-Sei que sim. Mas a Fogueira é diferente. Ela é mais forte. Cria um amor sem limites. Eu reconheci esse tipo de amor no olhar do Draco, Alone!
-Pode ser impressão sua! A Fogueira é pouquíssimo conhecida, Hermione, você sabe muito bem disso! Nós encontramos o modo como criá-la por acaso! Não faz sentido pensar que outra pessoa teria feito algo assim para Draco se apaixonar por você, sem falar que, na Fogueira, a própria pessoa tem que arremessar o papel com o nome da outra...
-E quem disse que eu estou achando que foi outra pessoa?
Alone ficou em silêncio.
-Mas... Você jogou o nome do Rony, foi por isso que ele a foi pedir em namoro, e...
-E se não foi assim que ocorreu? Se, justamente, naquela noite, por coincidência, Rony resolveu finalmente se declarar?
-É, pode ser, Hermione, mas aí você teria jogado o nome do Draco na Fogueira! E você sabe escrever muito bem, com certeza está certa de que escreveu o nome do Rony no papel...
-Sim, estou!
-Então como estaria escrito Draco Malfoy?
-Poderia ter pegado outro papel por engano...
-O de quem? Quem teria escrito o nome de Draco?
-A única de nós que a gente nunca soube de quem ela realmente gosta – Mione olhou seriamente para Alone ao murmurar. – Clarissa.
Augusto observava Lanísia, a Afrodite de vestido vermelho, aquele corpo sensual e delicioso, cheio de curvas insinuantes, corpo feito para o pecado, para a perdição, para a loucura. Lanísia ainda acariciava os seios por cima do vestido, e foi assim, com as mãos apertando os seios arredondados, que ela foi se aproximando cada vez mais do professor.
Augusto, sentado na borda da cama, ficou imóvel, enquanto Lanísia aproximava o decote de seu rosto.
-Vamos, meu aluno, me diga, qual o nome dessas partes cheias do corpo feminino?
Augusto, sem ar, não conseguiu responder; Lanísia tomou-lhe a mão e a levou junto ao seio.
-Sinta-o, e veja se consegue lembrar... – Augusto fechou os olhos, estremecendo de tanta excitação. – Ainda não? Acho que precisa de um contato mais direto, não é? Então, pegue! – Lanísia desceu uma parte do vestido e abriu o sutiã. Os seios pularam para fora da peça íntima; Augusto não se conteve e, antes que a garota o guiasse, apalpou, com vontade, os seios de Lanísia. Ele acariciou, massageou-o, enquanto Lanísia fechava os olhos, inteiramente entregue ao toque. – Isso... Lembrou-se o nome dessa parte da anatomia feminina?
-Seios... Seios... – respondeu Augusto.
Seu dedo deslizou até o mamilo pontudo, que ficou mais firme diante de seu toque.
-Isso é um mamilo.
-Sim... – Lanísia ofegava. – Pode provar se quiser...
Augusto colocou a cabeça entre os seios de Lanísia e começou a beijá-la. Em seguida, direcionou a boca para os seios e começou a enchê-los de beijos e lambidas; a saliva do professor entontecia Lanísia, pois o contato dos beijos frios com sua pele quente era arrasador, vibrante...
-Isso, meu querido... – ela sussurrava, enquanto acariciava os cabelos dele. – Bom garoto...
Lanísia afastou-o subitamente, com um leve empurrão que fez com que o professor despencasse novamente na enorme cama de casal.
-Agora que você já teve o aprendizado sobre as partes superiores do corpo feminino, chega a hora de descermos um pouquinho mais...
-Isso... Isso... – ele balbuciou, enlouquecido.
Lanísia tirou o vestido lentamente, sem tirar os olhos de Augusto e do seu corpo, principalmente da parte que continuava a pulsar em ponto de bala.
Quando ficou apenas de calcinha, Lanísia fez uma pausa. Ficou parada, sorridente, enquanto Augusto a contemplava. Finalmente, ela levou as mãos até a calcinha e começou a tirá-la. Lanísia pôde sentir o calor que se espalhou pelo corpo de Augusto assim que os seus olhos fitaram a sua intimidade tão desejada.
-Isso, concentre-se – falou a garota. Ela levou uma mão a sua intimidade e perguntou. – Sabe o que é isso, Augusto?
-Sei... – o suor pingava em gotas gigantescas da testa do professor. – O órgão sexual feminino.
-Exatamente – nua, Lanísia foi se aproximando. Ela subiu na cama, ficando em pé sobre o colchão, enquanto Augusto continuava deitado, também nu, aguardando. Ela afastou as pernas e passou por uma parte do corpo dele, parando na altura do peito de Augusto. Lentamente, Lanísia começou a agachar-se, sem tirar o sorriso assanhado do rosto. – Já viu o quão profundo é esse órgão, Augusto?
-Não...
-Pois sinta... – ela pegou a mão dele e, rapidamente, colocou os dedos de Augusto dentro de sua intimidade. Augusto gemeu. As pernas de Lanísia tremeram levemente diante do toque do professor. – Está vendo, meu querido? Está sentindo?
-Oh, sim... Sim...
-Sabe para que serve essa passagem, Augusto?
-Sei...
-Para abrigar isso que você e todos os homens trazem no meio das pernas. Mas, aí, saímos da anatomia e chegamos à parte que você quer chegar desde o começo da nossa aula – Lanísia afastou os dedos dele e, deixando seu rosto perto do rosto suado e caloroso de Augusto, ela murmurou. – A parte prática.
Augusto ia puxá-la para si e iniciar ali mesmo, mas Lanísia pulou da cama e retomou a fantasia.
-A parte prática consiste no ato sexual. É um ato no qual ocorre o encontro dos órgãos sexuais masculino e feminino. Sabe como faz, querido aluno?
Antes que ele respondesse, Lanísia subiu na cama novamente, dessa vez de gatinhas, como uma tigresa voraz pronta para o ataque.
Engatinhando lentamente, ela passou as pernas sobre o corpo de Augusto e, assim que atingiu o órgão que procurava, parou. Agachando-se novamente, dessa vez na direção do órgão do professor, Lanísia olhou-o e, lentamente, explicou:
-O ato sexual ocorre quando o órgão masculino penetra no corpo feminino assim...
Ela deixou o corpo deslizar para o membro do professor.
Ambos os corpos quase se encontraram, mas Lanísia interrompeu o seu movimento subitamente.
-O que é aquilo?
Augusto não sabia o que era, mas já amaldiçoava o que quer que fosse. Lanísia afastou-se rapidamente, pulando da cama.
-Lanísia, volte aqui...
-Espere... – ela ajoelhou-se próxima a pilha de roupas do professor e puxou uma foto que jazia no chão. Intrigada, Lanísia examinou o retrato. Nele, havia três pessoas. Três pessoas felizes. Um homem, uma mulher e uma garotinha. O homem, com certeza era Augusto, e as outras duas... Passavam uma clara imagem de serem esposa e filha.
Lanísia estremeceu. Tirando os olhos arregalados da foto, ela voltou-os a Augusto.
Tinha nas mãos a foto de uma família feliz.
Será que destruiria uma família ao haver jogado o nome de um homem casado na Fogueira das Paixões?
Enquanto isso, no subterrâneo do Lorenzo´s, Joyce caminhava pelos corredores ao lado de Juca...
-Impressionante... – comentou a garota, observando o local. Um sala ampla, cheia de mesinhas de madeira, com um bar, um palco e diversos sofás, passava ao lado do corredor. – Existe outro Lorenzo´s embaixo do original!
-Fora de série – disse Juca, igualmente impressionado. – As festas clandestinas serão muito divertidas.
-E como serão! Venha, Juca, vamos até ali... – ela segurou firme a mão do garoto e o puxou para a sala. Juntos, desviaram-se das várias mesas, encaminharam-se para a escadinha ao lado do palco e subiram nele. Joyce foi até o centro do palco e contemplou o bar. – Aqui em cima a pessoa vira o centro das atenções! Será incrível dançar neste palco, diante de uma platéia alvoroçada e com alguns litros de Demência no cérebro...
-Ah... Talvez não seja uma boa idéia...
-Claro que será... – ela parou de falar e o fitou; Juca arrumou os óculos, sem jeito. – Está com ciúmes, Juquinha?
-Não... É... Talvez...
As faces do garoto tingiram-se de vermelho. Joyce ficou sem fôlego.
-Nossa... Isso é estranho...
-Por que? – ele perguntou.
-Nunca... Nunca mesmo... Ninguém sentiu ciúmes de mim...
-Jura?
-Juro... – os olhos sonhadores da garota fitaram o aposento deserto. – Está vendo esse local, Juca? Olhe como ele está vazio. Sem movimento. Sem vida... Agora, se ficar em silêncio, pode-se ouvir bem a agitação lá em cima, como o Lorenzo´s está lotado. Movimentado. Cheio de pessoas.
-Você quer dizer que também existe essa separação em sua vida, não é? – perguntou Juca, aproximando-se. – Por mais homens que já tenham passado por ela, eles dançaram e se divertiram no baile do desejo. Nenhum deles bailou no baile do amor... Ou melhor, nenhum deles criou essa divisão. Nenhum deles dividiu espaço nos dois bailes. Nenhum fez um balanceamento agradável entre amor e desejo.
-Exatamente... – respondeu Joyce. – Apenas ocuparam o baile do desejo, farrearam, e quando foram embora, deixaram o lugar vazio. A minha vida sempre foi assim, Juca; divertida, mas vazia.
-Pra mim, isso é que é esquisito...
-Não entendi...
-Eu sempre fui muito inteligente, mas, para mim, ter uma vida assim, como a sua, cheia de conquistas e de divertimento, era a vida perfeita. A vida completa.
-Deve ser o que muita gente pensa, mas não é assim. De maneira nenhuma. Mas... A sua vida também é assim, como a minha, não é? Você sempre dando as suas aulinhas... Usando o seu "talento" – ela deu um sorrisinho e uma olhadela para o meio das pernas do rapaz; Juca balançou a cabeça, confuso.
-Sim, eu sempre fui conhecido por causa do meu "talento", mas nunca fui amado por ninguém, nem mesmo...
Joyce calou-o, colocando um dedo sobre seus lábios.
-Então, somos mais parecidos do que imaginávamos...
-Talvez não...
-Claro que somos. Cercados por diversas pessoas durante nossas vidas, sendo que nenhuma delas deixou uma marca em especial.
-É, faz sentido... – Juca estremeceu; ela estava muito próxima; o rosto maquiado exalava um doce perfume...
-Já que estamos na fossa e somos muito parecidos, que tal nos divertirmos juntos, Juca? Fazermos o nosso ato de rebeldia contra o mundo de pessoas vazias?
-Adoraria... – disse Juca, enquanto Joyce enlaçava o seu pescoço e o envolvia num beijo ardente.
Todo o corpo de Juca estremeceu, enquanto ele pensava: isso está realmente acontecendo? Sim, estou sentindo os lábios dela deslizando em compasso junto aos meus. Não é um sonho! É real! Real!
Juca logo entrou no ritmo, e o beijo foi maravilhoso. "É tão fácil! E pensar que eu achava que era tão complicado. Quanto treino, quantas laranjas chupadas, quantos espelhos beijados! Para fazer apenas isso; tão fácil e tão delicioso".
Os lábios carnudos de Joyce afastaram-se; ela sorriu, satisfeita, deixando Juca todo orgulhoso.
-Delícia – disse Joyce, passando a língua pelos lábios. – Agora, está na hora de apimentarmos ainda mais esse momento. Não existe um ato de rebeldia com apenas um beijo. Temos que ir além...
Juca quase desmaiou, mas conseguiu se controlar; o que Joyce queria dizer com "ir além"? Primeiro beijo e primeira experiência sexual na mesma noite... Não, aquilo já era demais! "A sorte sorriu bonito para você, Juca", ele pensou, sorrindo.
-Vamos fazer algo bem excitante para entrarmos no clima – disse Joyce, analisando a sala. – Precisamos de umas preliminares bem divertidas... Ah! – ela bateu palmas, olhando para a cortina no fundo do palco. – Tive uma idéia magnífica!
Joyce correu até o canto de ambos os lados do palco, acendendo os refletores que ali havia, refletores cujas luzes foram posicionadas por ela em direção a cortina. Em seguida, Joyce contemplou o resultado de sua arte e olhou para Juca.
-Agora você vai ali, atrás daquela cortina, e faz um strip-tease bem gostoso.
-Um... strip-tease? – Juca coçou a cabeça, tímido.
-Sim! Um strip feito especialmente para mim! Ah Juca, você vai estar realizando um sonho. Sempre sonhei com um momento como este. A dança sensual por trás das cortinas, que, por causa dos refletores, revelarão apenas os contornos do seu corpo, só a sua sombra... E depois você sai, lindo e nu, diretamente até mim. Agarra-me, rasga minhas roupas e começamos o ato supremo da rebeldia... Ah! – ela suspirou, enquanto abanava-se. – Vá até lá e arrase, meu garanhão!
Ela deu um tapinha no ombro de Juca; ele, pasmo, foi até o fundo do palco, enquanto Joyce apagava a maioria dos lampiões que iluminavam o aposento. Quando a sala estava quase escura, Joyce correu até uma das cadeiras em frente ao palco e acomodou-se, ansiosa, para assistir ao espetáculo de Juca Slooper.
A sombra do rapaz ainda não era visível; Joyce gritou:
-Anda, Juca! Arrase!
Juca examinava o fundo do palco. Tenso, ensaiou alguns passos do que ele imaginava ser o strip-tease perfeito. Joyce começou a gritar por seu nome; não havia muito tempo...
Objetos... Talvez alguns objetos ajudassem a tornar a performance ainda mais interessante. Ele examinou o que havia por ali. Apenas alguns caixotes velhos, algumas embalagens de doces e... Sim, o que ele precisava! Aparentemente não era nada excitante, mas talvez colaborasse...
Ele deixou-a num canto e, sorrindo, subiu no palco. Assim que a silhueta dele surgiu, Joyce gritou, excitada:
-Lindo! Lindo!
Juca movimentou o corpo lentamente, e começou a tirar a parte superior das vestes. Desabotoou e, quando a tirou de seu corpo, ele começou a rodá-la lentamente sobre a sua cabeça, enquanto se movimentava lentamente para frente e para trás...
-Ai... Delícia! – gemeu Joyce, esfregando as mãos.
Juca arremessou a roupa para o canto e começou a tirar a calça.
-É miragem... É miragem! Isso não está acontecendo! Um strip-tease só pra mim! – Joyce falava sozinha, enquanto Juca jogava a calça no ar.
Após esse movimento, Juca agachou-se para apanhar o objeto que ele havia encontrado: a vassoura. Assim que apanhou o objeto, ele surpreendeu-se ao ver que não era uma vassoura completa, e sim apenas uma parte comprida do cabo.
-Anda, Juca! Apareça outra vez, senão perde o clima! – gritou Joyce.
"Vai ter que ser esse cabo mesmo", pensou Juca.
Ele subiu no cabo de vassoura e retornou para o palco. Ficou de lado, enquanto dava pulinhos ritmados para frente.
-Oh, minha nossa...
Joyce sentiu o coração acelerar; seu queixo quase despencou; o que era tudo aquilo?
Juca pulava pelo palco com aquele volume imenso saindo do meio de suas pernas. Era tão rígido que nem se mexia direito. Joyce achava que já tinha visto de tudo no outro dia, quando viu o volume por cima da calça, mas aquilo ali era exagerado demais!
-Uau... – ela comentou, sem saber o que falar.
Juca estranhou o silêncio da garota: será que a performance não estava agradando? Ele lançou um olhar para o cabo e viu uma barata subindo por ele.
-Droga – ele estendeu a mão e bateu no local em que ela se encontrava.
Joyce acompanhou aquele movimento, pálida... O que Juca estava fazendo? Estava... dando tapas naquela anormalidade... Batendo, batendo...
-Oh... – ela balbuciou.
Juca parou aquele movimento esquisito – a barata já tinha sido assassinada – e, retornando ao strip, voltou o corpo de modo que ficasse de frente para a cortina. Joyce viu aquela sombra gigantesca em frente ao corpo do rapaz. Juca fez um movimento assanhado com os braços, chamando-a para a brincadeira, e gritou:
-Estou indo para você, minha querida. Vou dar a você tudo o que sempre mereceu.
-Não... – ela gaguejou, levantando-se. – Isso é castigo... Castigo por ter sonhado demais... Não posso... Com tudo isso, não posso... – e, sem pensar duas vezes, Joyce saiu correndo pela sala, apavorada, logo alcançando o corredor.
Juca passou pelas cortinas, ainda sobre o cabo de vassoura. Seu sorriso apagou-se quando viu que Joyce não estava mais lá, e, o pior, estava correndo desabalada pelo corredor.
-Droga... – disse ele, jogando o cabo longe. Coçando os cabelos, ele murmurou, desconsolado: – Acho que não agradei...
-Clarissa? – perguntou Alone, pasma.
-Só pode ter sido ela, Alone... – disse Hermione, olhando fixamente para o lampião de luz alaranjada.
-Mas... Essa possibilidade tem outra falha!
-Não é uma possibilidade, tenho certeza de que foi isso que aconteceu, e...
-Não pode ter sido! Se tivesse havido alguma troca acidental de papéis, você teria arremessado o com o nome do Draco, mas Clarissa teria arremessado o papel com o nome do Rony! E todas sabemos muito bem que Rony está namorando você, ama você!
-É, mas... Sei lá, Alone, talvez Clarissa tenha pegado algum papel em branco acidentalmente... O fato é que tenho certeza de que quem escreveu o nome no papel que eu joguei na Fogueira das Paixões foi ela!
-Pode ser, mas...
-Alone! Clarissa nunca nos revelou o nome do rapaz que ela ama. Pode ser qualquer um! E, além do mais, com quem ela veio ao Baile nesta noite?
-Draco... – balbuciou Alone, como se finalmente tivesse concordado com Mione.
-Então! Faz ou não faz sentido?
-É... Por mais absurdo e fantástico que possa parecer, sim, faz sentido... Oh-oh... Temos um problema, Hermione, e um problema dos grandes...
-Sim, eu já percebi.
Os olhos das duas amigas se encontraram.
-Se Draco for preso, vão descobrir na hora que ele está magicamente transformado, e tudo, tudo o que fizemos virá à tona... – murmurou Alone, encarando a luz do lampião, hipnotizada pelo pânico.
-Exatamente... – concordou Mione, levantando-se e começando a caminhar de um lado para o outro. – Estaremos perdidas! Se toda a história vier à tona, tudo o que fizemos, nossa, estaremos perdidas! Será o nosso fim em Hogwarts! Teremos nossa ficha manchada por termos executado uma magia proibida! Não arranjaremos emprego em lugar algum! Seremos um fracasso total, podemos até mesmo ser expulsas da escola e não sermos admitidas em escola nenhuma! Ou, até mesmo...
-Azkaban... – completou Alone. – Já ouvi falar que determinados tipos de rituais resultam em condenação. As penas variam, mas existem penas extremamente longas...
-Mesmo se A Fogueira das Paixões não for um ato de grande condenação, um assassinato quase ocorreu aqui neste bar por conta do ritual! Acha que seremos absolvidas rapidamente? Nunca! – Mione jogou-se no banquinho, transtornada. – Eu disse que mexer com magia em assuntos sentimentais seria um erro... EU AVISEI!
-Mione, nem venha bancar a inocente – censurou-a Alone. – Você concordou em armar a Fogueira! Não concordava de início, mas, quando ela foi realizada, você estava ciente do que estava fazendo!
-É... Agora estou tremendamente arrependida por isso. Quase fui responsável pela morte do garoto que eu amo e, ainda por cima, corro o risco de ter a minha promissora ficha escolar manchada por uma condenação... Eu, em Azkaban... Isso é inadmissível, Alone...
-Eu sei – Alone segurou a mão da amiga e agachou-se em frente a ela. – Concordo com você. Mas, agora que tudo já aconteceu, e que não existe meio de apagar tudo o que fizemos, temos que tratar de preservar a nossa vida e a nossa liberdade, e não ficar se lamentando aos prantos. Hermione, precisamos pensar, e pensar em conjunto, como sempre fizemos. Precisamos de uma reunião urgente das Encalhadas.
Hermione concordou com a cabeça.
-Sim... Mas temos uma decisão que não pode esperar essa reunião, e precisa ser tomada agora mesmo...
-Qual?
-Como evitarmos que Lorenzo apresente Draco para a direção da escola.
Alone mordeu o lábio.
-Esse também é um assunto que precisa ser discutido por todas nós... Lorenzo vai cuidar de Rony, só vai pensar em Draco depois. Acho que temos tempo.
-Será? – perguntou Mione, insegura.
-Com certeza. Teremos a madrugada inteira para decidirmos o que vamos fazer. O Baile já está terminando. Enquanto todos estiverem se encaminhando para os dormitórios, nós nos reunimos na biblioteca e fazemos a nossa reunião.
-Certo...
-Não temos tempo a perder! Vamos sair e avisar a Clarissa, Joyce e Serena sobre a reunião. Joyce, nossa líder, decidirá o horário. Quando voltarmos ao castelo, localizamos Lanísia e a avisamos também.
-Antes, vamos avisar o Lorenzo... – disse Hermione, levando a mão à maçaneta da porta e a girando. A saleta era pequena e fracamente iluminada. Rony estava deitado sobre uma mesa, tendo Lorenzo, em pé, ao seu lado; uma mesinha, cheia de frascos, estava posicionada ao lado do dono do bar; naquele instante, ele apanhava um frasco cheio de um líquido que elas nunca tinham visto antes e despejava na boca de Rony, que emitiu ruídos de desaprovação. Lorenzo notou a presença das garotas, virou-se e sorriu.
-Essência de Kaviazat. Um estimulante para a cicatrização dos ferimentos. Muito eficaz, mas com um gosto nada agradável... É, garotas, o rapaz aqui é duro na queda. Por sorte, não houve nenhum órgão perfurado, mas, mesmo assim, o ferimento foi profundo e necessita de muito cuidado.
-Vai terminar só amanhã? – indagou Mione, esperançosa.
-Sim... – respondeu Lorenzo, com a expressão intrigada. – Preciso tomar cuidado, como disse... Por que?
-Nada... Nada não – Alone sorriu, sem graça. – Viemos ver como Rony estava e também avisá-lo que estamos indo. O Baile já está perto de terminar, e queremos ir embora com todo mundo...
-Entendo. Amanhã apareço na escola, levando o prisioneiro e sua quase-vítima.
As meninas se entreolharam, tensas. Hermione acenou e despediu-se.
-Boa noite...
Saíram da saleta, apressadas. Lorenzo, intrigado, balançou os ombros e voltou as suas atenções para Rony...
-Joyce, não quer falar o que aconteceu? – perguntou Serena, segurando a mão da amiga.
Ela apenas balançou a cabeça em negação. Serena olhou para Clarissa, que estava ao lado dela, um pouco mais sóbria do que antes.
-Ela deve ter visto algo muito assustador. Joyce não é de se abalar facilmente.
-Assustador? – comentou Joyce, ainda apavorada. – O que vi foi... horrível e... surpreendente...
Clarissa acariciou a face pálida da amiga.
-Se quiser falar sobre o que aconteceu, estamos aqui para ouvi-la.
-Ainda não... – ela apanhou a taça de Demência que repousava sobre o balcão e tomou dois goles. – Preciso de uma reunião das Encalhadas para desabafar...
-É... Eu também preciso – disse Serena. – Tenho algo a contar a vocês que chega a parecer mentira de tão terrível.
-Nossa... Vejo então que uma reunião das Encalhadas é realmente necessária esta noite...
-Não tem idéia do quanto, Clarissa – a voz de Hermione fez com que todas elas erguessem o olhar para a garota, que chegava, pálida, ao lado de Alone. A expressão das duas amigas alarmou as meninas.
-O que aconteceu? – perguntou Clarissa, ansiosa.
-Uma coisa muito ruim, mas o pior é o que pode acontecer se não tomarmos uma atitude – falou Mione. – As Encalhadas estão numa enrascada.
Um silêncio pairou sobre o grupo.
-Podemos até mesmo ir para Azkaban – completou Alone.
-Não... – Joyce estremeceu. – Não me digam que... Alguém descobriu o que fizemos?
-Ainda não, mas se não formos rápidas, isso pode acontecer – disse Mione.
-Reunião urgente! – falou Alone. – O alerta vermelho está piscando, Encalhadas. Precisamos nos reunir no castelo o quanto antes!
-Vamos para lá então – disse Joyce, levantando-se do banquinho. – Se o assunto é tão grave assim, cada segundo é precioso.
-Não será estranho sairmos antes de todo mundo? – perguntou Serena, preocupada.
-Depois inventamos qualquer desculpa... – Joyce sentia o coração oprimido; o grupo que comandava estava em risco, e ela não deixaria que algo acontecesse a qualquer uma das garotas. Era necessário agir com rapidez segundo Hermione e Alone, então ela ia agir dessa forma. Sem preocupar-se com Juca ou com qualquer um dos meninos, Joyce encaminhou As Encalhadas para a saída do Lorenzo´s.
Enquanto saíam, Clarissa, sem conter a ansiedade, aproximou-se de Hermione e perguntou:
-Vocês estavam tão apavoradas... Alguém, por acaso, morreu?
-Não, mas quase – respondeu Mione. – Rony quase foi morto por Draco... Pode parecer confuso, mas depois da reunião você vai entender.
Clarissa sentiu o ódio explodir dentro de seu ser. Rony ainda estava vivo. O que teria dado errado? Por que Draco não conseguira concluir o atentado?
Sem imaginarem o que Clarissa pensava naquele momento, as garotas atravessaram as portas do bar e, juntas, começaram a caminhada na direção do castelo. Em busca da Encalhada restante e do local ideal para a reunião de emergência.
Lanísia encarava a foto, boquiaberta. Era, sem sombra de dúvida, a foto de uma família.
A família de Augusto.
-Augusto... Quem são essas duas?
Ele levantou-se da cama, apavorado, e tirou a foto das mãos de Lanísia.
-Não importa... – arremessou a foto no chão. – O que importa é que eu quero você – ele trouxe-a para perto de seu corpo. – Inteirinha para mim...
-Me solte! – Lanísia empurrou-o. Sentou-se na beira da cama e cruzou os braços. – Já perdi todo o clima. Não quero mais continuar.
-Não, Lanísia, por favor...
-Já disse que não! E preciso de uma boa explicação antes de pensar em ter qualquer coisa com você.
Augusto passou a mão pela testa suada.
-Que tipo de explicação?
-Não disfarce, Augusto – ela encarou-o de modo frio. – Quem são as duas da foto? Deixe-me chutar... Ah! Acho que já sei. Sua mulher e sua filhinha? Acertei?
-Não totalmente...
-Como assim? Não totalmente? – ela agachou-se e apanhou a foto. Virou-a para o professor. – Isso aqui, Augusto, isso aqui é uma família! Papai, mamãe e filha! Sua família Augusto! Você ao lado de sua mulher!
-Você está delirando, Lanísia?
-Não, não estou! Droga... O que foi que eu fiz?
Lanísia não podia acreditar; será que havia jogado o nome de um pai de família nas labaredas infalíveis da Fogueira das Paixões? Seria ela responsável pela destruição de uma família?
-Como assim o que você fez?
-Nada... Mas... Droga, Augusto, você devia ter me avisado que era casado!
-Lanísia, preste atenção! Eu já deixei bem claro a você, desde o começo, que não tenho ninguém! Não tenho mulher nenhuma, sou um homem solteiro! Essa é Rebecca, minha ex-mulher, de quem me separei há mais de sete anos!
Ela sentiu um alívio repentino... Mas ainda havia um porém...
-Mas você nunca falou que tinha uma filha. Essa é sua filha, Augusto, não é?
Ele soltou um prolongado suspiro antes de responder.
-Sim... É sim...
-Nome e idade?
-Karen, oito anos.
Lanísia passou a mão pelos cabelos, tentando conter sua irritação.
-Por que nunca falou sobre ela, Augusto?
-Já disse, sou divorciado, e...
-Não sobre sua ex-mulher, sobre sua filha, Augusto! – Lanísia exaltou-se. – Tudo bem esconder casos amorosos do passado, mas, ao contrário de ex-mulher, não existe ex-filha! Ou será que estou enganada?
-Não, não está...
-Pois então! Será que eu não tinha o direito de saber sobre isso?
-Lanísia, nós não temos compromisso algum, nem nunca tivemos...
-Qual é o contato que você tem com a sua filha?
-Muito pouco. É difícil vê-la, pois ela mora com Rebecca na América. Às vezes elas aparatam na minha casa nas férias de verão, mas é muito raro.
-Então, para todos os efeitos, você realmente é um homem solteiro?
-Sim.
Lanísia respirou fundo, acalmando-se.
-Graças a Deus...
-O que?
-Não... Nada. Esqueça – ela apanhou as roupas espalhadas e começou a vestir-se.
-Ei! O que está fazendo? Lanísia, ainda não terminamos...
-Já disse: perdi o clima. Não estou mais com o fogo de antes. Outro dia continuamos.
-Não, a nossa aula, não faça isso...
-Já estou fazendo! Se você tivesse me contado sobre o seu passado anteriormente, teria evitado o meu susto com a foto e teríamos dado início a parte prática de minha aula de anatomia. Mas, como me ocultou esse fato, terá que segurar o fogo até uma nova oportunidade, que não sei onde, nem quando, vai ocorrer... Mas vai ocorrer. Fique tranqüilo.
Ela apertou a bochecha dele e deu dois tapinhas.
-Meu adorável professor, não é hoje que você vai deflorar a sua aluninha gostosa. Mas, já teve grandes demonstrações do que eu sou capaz. Só espero que cumpra seu papel quando irmos a ativa, meu professor. Afinal... – ela foi se aproximando dele. - ...Sua garota precisa de um potente Lobo Mau... É um Lobo na cama, não é, Augusto? – ela beijou a ponta da orelha do professor, e levou uma mão para o membro que ainda pulsava de excitação, apertando-o com força. – Espero que sim. Instrumento você já tem; falta mostrar como você o utiliza. Espero que seja com força, com intensidade, com ferocidade...
Ela soltou-o e, terminando de vestir-se, encaminhou-se para a porta da Sala Precisa. Antes de sair, mandou um beijo para o professor, que continuava nu e atônito, olhando-a.
-Termine sozinho. Para isso você não precisa de aula. É só deixar a sua imaginação fluir. Boa sorte!
E, com sua risada sapeca de menina-mulher, fechou a porta.
-Se quiser falar sobre o que aconteceu, estamos aqui para ouvi-la.
Lanísia ficou na sala comunal, sozinha, observando a noite pela vidraça fechada. Augusto lhe pregara um susto daqueles... Ela não pensara numa possibilidade tão assustadora quanto a que lhe ocorrera naquela noite, de que ele fosse casado, quando jogara o nome dele na Fogueira. Se ele realmente fosse casado, tudo estaria perdido... Por sorte, não era mais, no entanto será que o contato que ele tinha com Rebecca era realmente tão reduzido? Ela esperava que sim... No entanto, por algum motivo, aquele assunto a incomodava...
A passagem do retrato abriu-se, sobressaltando-a. Ela achou que eram os alunos da Grifinória voltando do Baile, e surpreendeu-se ao ver que eram as Encalhadas, todas elas, e, o pior, com expressões nada contentes...
-Nossa... Que caras são essas? – perguntou Lanísia, fitando-as. – Nem parecem que estão voltando de um Baile. Parece mais o retorno de um funeral!
-Lanísia, estamos perdidas – falou Mione. – Podemos até mesmo irmos para Azkaban se não tomarmos uma atitude.
-Nós? Em Azkaban? Mas por que?
-Fogueira das Paixões. Ritual mágico que lida com sentimentos, ou seja, ritual proibido.
Lanísia engoliu em seco.
-Alguém descobriu sobre a Fogueira?
-Ainda não. E precisamos evitar que isso aconteça – Mione voltou-se para as outras. – Agora que já estamos todas reunidas, posso colocar a situação toda diante de vocês para que possamos discuti-la... Joyce, fazemos a reunião aqui mesmo?
-Acho melhor. Temos privacidade garantida aqui na sala comunal, pelo menos até que todos voltem, o que não deve acontecer antes de meia hora, tempo suficiente para a nossa reunião de emergência.
-Perfeito... Então, vamos começar...
Hermione sentou-se sobre o chão, gesto imitado por cada uma das Encalhadas. Elas fecharam um círculo, círculo que não disse uma única palavra até que Mione começasse a falar.
-Estamos em uma situação que, tenho certeza, nenhuma de nós esperava enfrentar. Juramos que A Fogueira das Paixões seria um segredo que levaríamos pela vida toda, um segredo que seria enterrado com cada uma de nós. Esse segredo, porém, está sendo ameaçado. Gravemente ameaçado.
Ela tomou fôlego e continuou:
-Na noite em que armamos a Fogueira, pensávamos que tínhamos tudo sob controle, que tudo estava perfeitamente planejado. Acho que não contávamos com possíveis eventualidades, como uma troca de papéis antes que eles fossem arremessados no fogo.
Clarissa empalideceu; será que Hermione havia descoberto tudo?
-Ainda não estou totalmente certa do que aconteceu, posso apenas levantar uma suposição, embora acredite que tudo tenha acontecido como eu imagino... – ela olhou diretamente para Clarissa, que se remexeu, inquieta, diante daquele olhar. – Clarissa, sei que você sempre nos ocultou o nome do rapaz que você ama, e todas nós sempre respeitamos isso. Mas, agora, preciso que você me confirme algo... O rapaz que você ama, o nome que você escreveu em um pedaço de papel na noite em que armamos a Fogueira, era o de Draco Malfoy, não era?
Joyce, Lanísia e Serena olharam para Clarissa, admiradas. A jovem olhou para baixo e, num murmúrio, respondeu:
-Sim...
Enquanto as outras três soltavam exclamações espantadas, Mione olhou para Alone.
-Eu falei para você... Eu sabia!
A mente de Clarissa trabalhava a todo o vapor. Ela já imaginava qual teoria Hermione havia criado para explicar o que tinha acontecido. Ela não tinha alternativa; precisava confirmar tudo o que Mione lhe perguntasse, acompanhando a teoria da garota, qualquer que fosse essa teoria.
-Hermione, como você descobriu? – perguntou, inocentemente.
-Malfoy quase matou Rony lá no Lorenzo´s... Sim, meninas, quase o matou... Chocante, não acham? Se eu, Alone e Lorenzo não tivéssemos aparecido na hora certa, Rony teria sido assassinado por Draco... E a culpa seria totalmente minha... A culpa seria nossa. Nossa e da Fogueira das Paixões.
-Ainda não entendi qual é a relação...?
-Foi como eu disse, Joyce – Mione interrompeu-a. – Houve um erro na noite em que armamos a Fogueira. Uma troca de papéis. Por um erro eu joguei o nome de Draco no fogo! Com certeza peguei o papel de Clarissa sem querer e cometi esse erro absurdo!
-Não... Não pode ser... – Joyce levantou-se, nervosa demais para ficar parada. – Rony está apaixonado por você, Mione!
-E se não for por causa do poder da Fogueira? Se Rony foi até o meu encontro naquela noite por vontade própria? Joyce, eu não joguei dois nomes no fogo! E eu reconheci muito bem a paixão doentia nos olhos de Draco! Se alguém me ama sem estar sob o domínio da Fogueira, é Rony. Clarissa, por sorte, deve ter arremessado um papel em branco.
-Você leu o papel antes de jogá-lo no fogo, Clarissa? – indagou Joyce, tensa.
-Não, que eu me lembre...
-Minha nossa... – as mãos de Joyce tremiam. – E... Não notou nada diferente em Draco depois da Fogueira, não é? Você mesma disse que achava que ela não havia dado certo no seu caso...
-Exatamente – os olhos azuis de Clarissa brilhavam de pura sinceridade, portais que ocultavam a sua mente perversa e cruel. – Draco não me dava a mínima. Só aceitou ir ao Baile comigo depois de ter fracassado ao convidar a Mione.
-Realmente, tudo se encaixa – falou Joyce. – Draco está apaixonado por você, Mione, enquanto ninguém se apaixonou por Clarissa. Houve a troca acidental dos papéis, não resta nenhuma dúvida.
-Onde estão Draco e Rony agora? – perguntou Lanísia.
-No Lorenzo´s. Rony está sendo examinado pelo próprio Lorenzo, graças a um pedido meu de que ele mesmo cuidasse dele. Por sorte, Lorenzo tem alguns conhecimentos sobre como curar ferimentos. Dessa forma, tendo o Rony aos seus cuidados, ele fica incapacitado de apresentar Draco a direção da escola.
-Draco está trancado em algum lugar?
-Sim. Preso na cabine Ou Vai ou Racha, onde tudo aconteceu. Temos que evitar que Lorenzo traga Draco até a escola, porque com certeza ele será encaminhado para Azkaban. E, quando ele for julgado, com certeza vão perceber que ele está magicamente transtornado – Mione começou a caminhar pela sala comunal, pensativa. – Descobrindo que foi armada uma Fogueira das Paixões, eles terão todas as respostas na palma da mão. Afinal, uma poção de amor não deixa rastros sobre quem a produziu; pode-se produzi-la para outra pessoa; agora, uma Fogueira das Paixões, basta saber por quem o enfeitiçado está apaixonado para saber quem a criou, quem jogou o nome dele no fogo. Não tem como inventar que outra pessoa fez isso, porque a própria pessoa tem que agir para o sentimento ser criado. Ou seja, Draco preso, descoberto o que o deixou dessa forma, revelado por quem ele está apaixonado e eu estarei perdida. Serei responsável por ter praticado um ritual proibido e, ainda por cima, acusada de, indiretamente, quase ter provocado um assassinato... Pouca coisa, não é?
Houve um silêncio pavoroso entre as meninas. A situação era realmente alarmante...
-Eu, presa, posso ser submetida a um Veritaserum, e despejarei toda a verdade. Sairão todos os fatos pela minha boca, inclusive quem estava ao meu lado na noite em que a Fogueira foi armada. E, aí, todas as Encalhadas vão para trás das grades.
Novo momento de silêncio, enquanto elas absorviam a terrível possibilidade que se pintava diante de seus olhos.
-Entenderam agora a gravidade da situação? As Encalhadas estão em apuros! Temos que arranjar um jeito de sairmos dessa enrascada. Devemos evitar que Lorenzo leve Draco até a direção, assim como não podemos permitir que Rony, que quase foi assassinado, denuncie Draco! Pergunto: como vamos fazer isso?
As garotas baixaram a cabeça, enquanto pensavam. Todas tentavam encontrar uma solução, exceto Clarissa, que aguardava uma decisão. Não lhe ocorrera a idéia de que poderia ser presa, de forma indireta, ao manipular Draco para que ele matasse Rony. Mas, agora que já havia feito tudo, não podia haver espaço para arrependimento. Ia esperar uma decisão das meninas... Afinal, o que o dinheiro de seu pai não poderia comprar? Com certeza, até mesmo a sua liberdade.
Serena suspirou, desistindo.
-Desculpem, mas, não consigo pensar em nada... A minha mente ainda não está funcionando muito bem, depois do baque de hoje a noite...
-É mesmo... Lembro que você me disse que a Fogueira tinha se tornado a pior coisa que você já havia feito em sua vida – recordou Joyce. – Mas Lewis a puxou para dançar e você não pôde me contar tudo...
-Vocês nem vão acreditar, de tão surreal que parece ser – comentou Serena. – Mas não quero interromper o fluxo de pensamentos do grupo. Primeiro a emergência, que pode levar todas nós para trás das grades, depois os outros problemas.
-Sabem o que estou pensando? – indagou Mione. – Talvez nem todas precisem ser condenadas. Eu posso ser presa, e serei, com certeza, porque fui responsável pelo atentado contra o Rony. Eles descobrirão sobre a Fogueira, mas eu posso afirmar com todas as letras que armei uma Fogueira sozinha...
-Não! – exclamou Joyce, revoltada.
-...E dessa forma poupo todas vocês... – completou Mione, com lágrimas nos olhos.
-Nunca, Hermione, nunca! – Joyce segurou a mão da amiga e apertou com força. – Começamos juntas nessa, e é assim que vamos terminar. Somos um grupo; agimos todas juntas, todas cientes do que estávamos fazendo! Não vamos deixá-la se sacrificar em nome de algo feito por todas nós!
-É verdade, Mione – concordou Alone. – Foi algo feito por todas nós. Se for descoberto, todas nós pagamos o preço do nosso ato.
-Obrigada pelo apoio, meninas – falou Mione, emocionada.
-Uma Encalhada nunca deixa a outra na mão, eu já não lhe disse isso? – perguntou Joyce de maneira carinhosa.
-O pior é que não vejo uma maneira de evitar tudo isso! E o pior é que, se encontrarmos uma maneira de evitar que Draco seja levado a direção, não temos um jeito de quebrar o amor que ele sente por mim! O ciúme de Draco é doentio, ele vai continuar vendo-me com Rony e vai querer matá-lo de qualquer maneira...
-Sim... – murmurou Joyce.
-O que foi?
-Ocorreu-me uma idéia, Mione, mas... É muito ruim, seria sacrifício demais. Deixe pra lá, deve ter algo melhor, e...
-Diga, Joyce! Por favor! Por mais ruim que possa parecer essa idéia!
-Não sei...
-Momentos apavorantes, medidas desesperadas! De qualquer forma, Joyce, algo terá que ser sacrificado para que a gente permaneça em liberdade, e estou disposta a qualquer coisa...
-Até mesmo sacrificar o seu sentimento? O seu amor? Por que foi essa a idéia que me ocorreu, Hermione...
-Não estou entendendo...
-Você mesma disse: Draco não vai deixá-la em paz, assim como Rony, que ele vai continuar querendo tirar do caminho dele, mesmo que precise matá-lo para isso. Você não pode alterar o sentimento de Draco, mas pode alterar o de Rony em relação a você.
-Ainda não entendi...
-Se você falar a Rony que está apaixonada por Malfoy, que ele é o grande amor de sua vida, e que Draco também a ama, que foi por isso que ele agiu de forma tão violenta e exagerada, e, pedindo, em nome da amizade de tantos anos, que Rony não conte a ninguém o que Draco fez, assim como que ele diga a Lorenzo que não denuncie Draco por algum motivo, você estará evitando que Rony ou Lorenzo denunciem Draco, assim como evitará que Draco sinta ciúmes de Rony novamente e tente tirá-lo de seu caminho.
Mione mordeu o lábio, enquanto considerava a questão... Joyce, aflita, suspirou, desculpando-se.
-Perdão, Mione, não devia ter sugerido uma coisa dessas...
-É realmente uma idéia assustadora – comentou Hermione. – Mas que resolveria todos os nossos problemas...
-Só que você sofreria demais, Mione... – disse Serena.
-Eu sei! Mas, de qualquer forma, todos os caminhos levam a um destino não muito feliz...
-Pense bem, Mione – falou Alone. – Você está disposta mesmo a abrir mão do amor de sua vida?
Hermione encarou as amigas, que a olhavam fixamente, sem piscar. Ela olhou para cada uma delas. Uma por uma.
Alone. Joyce. Serena. Lanísia. Clarissa.
Sua respiração saia acelerada, enquanto sentia uma inquietação envolver seu coração.
O destino das Encalhadas estava em suas mãos.
NA: Demorou um pouquinho mais, mas aqui está o capítulo! Espero que tenham gostado e, se puderem, comentem, por favor. Obrigado, e até o próximo capítulo!
