CAPÍTULO 13

Incesto

Incesto: relação sexual entre parentes próximos, especialmente pais e filhos, avós e netos e... irmão/irmã.

-Serena, acho que chegou a hora de avançarmos um pouco mais em nosso namoro. Ou seja, a hora de a gente transar.

E agora? O que Serena fará? Enquanto essa relação tem o nome de incesto, outras...

-Por favor, meninos, peço a vocês, contem-me qual é o problema. O que causa essas brigas entre vocês...

-Sim. Eu amo você, Draco Malfoy.

-Joyce de pernas fechadas, jamais!

-Clarissa...

Daquele sono ele não acordaria jamais...

...é melhor deixar sem definição!!


A primeira coisa que Alone conseguiu pronunciar foi o nome do amigo, naquela espécie de pergunta idiota que serve como uma confirmação de que não, o que os olhos estão vendo não é uma ilusão, é a mais pura realidade:

-Colin?

Os olhos de Colin brilhavam, carregados de lágrimas. Como era bem claro, o rapaz depositara tanta raiva no copo que segurava que o estraçalhou apenas fechando a mão. O resultado fora àquela catástrofe cheia de caquinhos de vidro espalhados ao chão, acompanhados de pingos de sangue.

Alone se desvencilhou dos braços de Harry, que não fez menção de detê-la. Ajeitando a roupa, a garota fitou Colin curiosamente, enquanto sentia o rosto esquentar.

Colin continuava parado, com o sangue pingando. Harry tossiu, nervoso e, levando as mãos aos bolsos, aproximou-se do garoto.

-Colin... Eu... Posso explicar...

-Harry... Não existe explicação... – balbuciou Colin.

-O pior é que tenho que concordar com você – disse Harry. – Realmente não tenho explicação. Olha, Colin, nunca menti a você, de maneira alguma. Acontece que, do nada, tudo mudou!

Colin deu uma risadinha cínica.

-As mesmas desculpas de sempre...

-Droga, é a mais pura verdade! Tem que acreditar em mim!

-Parem! – exclamou Alone, interrompendo Harry. Colocando-se entre os dois, ela os encarou seriamente. – Acho que mereço uma explicação para o que está acontecendo nessa sala comunal, assim como o que ocorreu ontem na beira daquele abismo! De certa maneira sinto que estou envolvida nisso tudo, e preciso saber de que maneira estou.

Harry e Colin, calados, olhavam um para o outro.

-Não quero que outras cenas como essa, ou como a que aconteceu ontem à noite, se repitam! E, para evitá-las, só mesmo tendo consciência do que faço de errado, do que provoca tanto transtorno!! Por favor, meninos, peço a vocês, contem-me qual é o problema. O que causa essas brigas entre vocês...

Silêncio. Harry baixou os olhos e começou a fitar os próprios pés, sem saber o que responder.

-Vamos!! Digam!!

-Alone... – Harry ergueu o olhar. – Não dá...

-Por que não??

-Você não entenderia!

Dito isso, Harry começou a andar, em passos apressados, até o buraco do retrato.

-Harry! Harry, volte aqui! – chamou Alone, em vão.

Assim que o retrato se fechou, ela tomou fôlego e voltou-se para Colin. O rapaz continuava na mesma posição de antes. Lentamente, ele abriu a mão, deixando cair os cacos de vidro que restavam sobre ela e, em seguida, examinou o local a procura de uma vassoura.

-Vou limpar isso antes que eu alguém acabe se cortando...

Alone, vendo que era uma desculpa para fugir de suas perguntas, insistiu:

-Colin, por favor. Já que Harry não tem coragem de dizer, diga-me o que causa essas confusões entre vocês...

Colin varreu os cacos de vidro por alguns segundos antes de responder.

-Foi o que o Harry disse, Alone. Você não entenderia. E, se ele não quer contar a você, não posso me intrometer.

Ele terminou de juntar os caquinhos de vidro num canto e, em seguida, encostou a vassoura a uma parede. Secando o suor da testa com as mãos ensangüentadas, Colin respirou fundo e disse:

-Vou até a enfermaria tratar desses cortes.

Saiu da sala comunal sem dizer mais nada, e sem ser interrompido por Alone. Ela resolveu não insistir mais; deixou-se afundar em uma das poltronas, com os pensamentos a mil... Finalmente sozinha, Alone falou consigo mesma, pensando alto:

-O que eu não entenderia? Só aquilo que eu estava imaginando... Que existia algo entre os dois, Harry e Colin... – ela esfregou os olhos. – Não, isso é absurdo demais... Inadmissível... Deve ser outra coisa que eu não consigo enxergar...

Lentamente os alunos começaram a descer para a sala comunal. Alone continuou lá, sentada, a espera de alguma das Encalhadas.

"Harry e Colin... Nunca! Nunca... Não pode ser...", pensava ela.

Perto dela, duas alunas do terceiro ano fofocavam. Alone não prestava atenção, mas assim que o nome Colin foi captado por seus ouvidos, ela resolveu escutar atentamente.

-...Colin até que tem seus atrativos, mas, é como eu disse a você, ele não gosta de garotas – disse uma delas, que tinha tranças compridas.

-Será mesmo?? – perguntou a outra.

-É o que dizem as más línguas. Falam que ele fica observando os rapazes jogando quadribol e têm apenas "amigas". Sei lá, é normal ter mais amigas que amigos até, mas, somente amigas? Muito estranho não acha?

Alone levantou-se imediatamente. Nauseada, resolveu ir ao banheiro para lavar o rosto. Saiu da sala comunal em direção ao toalete. Abriu a porta do banheiro e, lá dentro, deixou que a água da torneira da pia inundasse o seu rosto exausto. Depois de molhá-lo o bastante, Alone fitou o seu reflexo no espelho.

Será que o rapaz que tanto amava era homossexual?

Não, não era possível... Nada confirmado. Se algo fosse provado em relação a Colin, já serviria como confirmação, mas como ela podia basear-se em uma fofoca entre duas garotinhas? Resolvendo esquecer tudo o que ouvira, Alone saiu do banheiro.

Deteve-se em sua caminhada ao ver uma pequena pichação feita em giz rosa na porta do banheiro masculino. Curiosa, ela aproximou-se para ler o que continha...

Seu coração disparou quando ela leu:

COLIN BICHA


-Quer dizer que várias pessoas andam desconfiando da sexualidade do Colin Creevey? – perguntou Mione a Alone, no pátio, onde as Encalhadas tinham se reunido para aproveitar o sol do domingo.

-Pois é, e isso só serve para me deixar ainda mais com a pulga atrás da orelha...

-Mas você não pode se basear apenas nesses boatos e na pichação! – disse Lanísia. – Calúnias não são provas concretas. O ideal seria você seguir o que eu sugeri a você: vasculhar tudo o que Colin possui a procura de pistas. Dessa forma você pode conseguir algo de concreto.

-E mesmo se encontrar, você só terá a confirmação sobre o Colin... – disse Mione.

-Ah não, Mione – Lanísia balançou a cabeça. – Se existia realmente um caso entre os dois, algo que entregue a ambos deve ser encontrado no meio das coisas do Creevey.

-É, pode ser...

-Já está decidido, e é o que eu farei – falou Alone. – É o meu plano para hoje à tarde.

-Já o meu é fazer uma visitinha ao Rony – disse Mione.

-Ficou louca? – indagou Lanísia. – Draco não ia gostar nem um pouco disso!

-Concordo – apoiou Serena. – Além disso, Rony pode perceber que você continua apaixonada por ele...

-Mas... Rony é meu amigo! Continua sendo, independente de eu namorá-lo ou não!

-É, nós sabemos disso, só que Draco morre de ciúmes – lembrou Alone.

-Você precisa evitar o Rony ao máximo, principalmente nesse momento de transição – falou Joyce. – A transição de namorado para amigo. Depois de um tempo, tudo bem se você quiser conversar com ele de vez em quando, mas, agora, não acho que seja aconselhável.

-Acontece que Rony está lá, agora, fraco e em recuperação, por minha culpa – disse Mione. – O mínimo que eu devo fazer é uma visita, para verificar se ele está melhorando. Além do mais, Draco nem está aqui por perto, de modo que poderei visitar Rony sem que ele nem ao menos perceba.

-É, mas...

-Sem "mas", meninas – Mione interrompeu Alone e Serena, que tentaram mandar os seus "mas" ao mesmo tempo. – Acho melhor adiantar essa visita, antes que vocês façam a minha cabeça e eu acabe desistindo... Vou até o Lorenzo´s agora.

Hermione saiu do pátio.

-Ela está ficando bem decidida, não acham? – perguntou Alone.

-Sim... Até demais – comentou Clarissa. Ela espreguiçou-se. – Não passei batom hoje, e estou profundamente arrependida por isso. Vou até o dormitório me maquiar.

-Eu já disse que não adianta você tentar passar um dia sem se maquiar, você não consegue! – lembrou Joyce. – Uma vez patricinha, sempre patricinha!

Clarissa fez uma expressão de desdém.

-Eu volto logo – disse, e saiu do pátio.

Assim que estava fora de alcance dos olhos das meninas, Clarissa acelerou o passo. Começou a caminhar pelo castelo, fiscalizando todos os lados, a procura de sua marionete. Foi encontrá-la não muito depois, nas proximidades da biblioteca, com um arranjo de flores nas mãos.

-Draco! – chamou Clarissa, acenando.

O garoto sorriu em resposta. Clarissa aproximou-se, correndo, e colocou uma das mãos no ombro do rapaz.

-Fiquei sabendo que você e a Hermione estão namorando! Parabéns!!

-Oh obrigado – as faces de Draco coraram. – Estamos muito felizes. Vou levar essas flores até ela.

-Ah como você é gentil! O namorado perfeito!!

-Você sabe onde ela está?

No mesmo instante, Clarissa tornou-se séria. Mordendo o lábio, ela balançou os pés, em sinal de indecisão.

-Não sei se devo contar...

-Por que?? – indagou Draco, alerta.

-Bom, é que... Não sei se você ia gostar...

-Ah, Clarissa, conte-me, por favor!

-Está bem. Ela foi até Hogsmeade. Mais precisamente ao Lorenzo´s.

Uma sombra se fechou sobre o rosto de Draco.

-Ela foi vê-lo.

-Não, Draco, não foi isso que eu disse, por favor! – Clarissa simulou uma mistura de pânico com arrependimento. – Disse apenas que ela foi até o bar, não que...

-Mas o que mais ela ia fazer ali?? Só pode ter ido lá para ver o Rony Weasley! Ah, mas isso não vai ficar assim...

O plástico que envolvia o ramalhete estalou quando ele o apertou com fúria.

-Vou até lá.

-Draco, não, espere... – gritou Clarissa, mas ele já se afastava em direção as portas de entrada.

Observando-o com seu sorriso maligno, Clarissa, de braços cruzados, murmurou para si mesma:

-Espero que perceba que o amor que ela diz ter por você não passa de uma farsa. Ou melhor, eu vou ajudá-lo a perceber. Preciso de você com raiva novamente para voltar a movimentá-lo... Minha marionete favorita...

Ouviu-se em seguida a sua risadinha.


Alone, Joyce, Serena e Lanísia saiam do pátio quando Lewis surgiu.

-Droga... – murmurou Serena às amigas.

-O que você queria? Que ele desaparecesse? – perguntou Lanísia. – Para ele, continua tudo igual, e cabe a você fazer com que ele continue pensando isso.

-Está louca? Acha que vou beijar o meu irmão?

-Você fez isso até hoje – comentou Joyce, balançando os ombros.

-Sim, mas porque não sabia!

-É a mesma boca, a mesma pessoa...

-Joyce, não simplifique as coisas! – disse Serena. – Isso é incesto!

-Ta, tudo bem. Sei que mudou tudo, mas, é que alguma maneira de não permitir que ele perceba você terá que encontrar. Mas, pense no que eu disse. Afinal, ele é um pedaço de mau caminho e...

-Shhh – Serena pediu silêncio, irritada. – Ele está chegando!

Lewis trazia um sorriso radiante no rosto. Estava sem os óculos, o que deixava seus olhos castanho-claros bem visíveis. Cumprimentou as Encalhadas com um beijo no rosto de cada e, ao aproximar-se de Serena, lhe deu um rápido beijo nos lábios.

Serena sentiu seu estômago rodopiar, enojada; no momento em que os lábios de Lewis uniram-se aos seus, sua mente não parou de lhe alertar que eram os lábios de seu irmão. Precisava calar a sua mente, senão não ia conseguir manter a farsa...

-Como dormiu, linda? – perguntou Lewis.

-Ah... muito bem – Serena forçou um sorriso.

-Estou achando você um pouco pálida... Está tudo bem?

-Impressão sua, Lewis... Estou ótima.

-Sei que está conversando com as suas amigas, mas será que não poderíamos trocar algumas palavras a sós?

Serena virou-se para as Encalhadas, buscando socorro. Todas as garotas acenaram a cabeça em aprovação. Serena, estremecendo, voltou-se para Lewis, procurando manter a calma e a aparência de que "tudo continuava muito bem".

-Claro, vamos – ela ofereceu a mão para Lewis, que a tomou e, juntos, de mãos dadas, os dois saíram do pátio.

Enquanto passeava com Lewis pelos corredores, Serena pensava em como seria possível transformar tudo o que sentia em amor fraternal. Seria muito complicado, principalmente com a Fogueira das Paixões controlando os sentimentos do rapaz. Ela não sabia o que fazer; estava sem rumo, sem ter a mínima idéia de como agir...

Lewis levou-a até um corredor deserto e, abraçando-a, encostou-a em uma parede e começou a beijá-la no pescoço, beijos seguidos que faziam Serena delirar.

-Lewis, não... – ofegou ela, sentindo as pernas cambalearem.

-O que foi, querida? Não está gostando?

-Não é isso...

-Ah bom, porque todo o seu corpo me passa a impressão de que está gostando sim...

Ele aproximou o corpo ainda mais; Serena pôde sentir os sinais de excitação no corpo do namorado, que continuava a beijá-la sem parar. Serena sentiu o coração disparar... Se continuassem daquele jeito, ambos entregues ao desejo, algo ocorreria ali mesmo, naquele corredor...

-Lewis, espere um pouco! – ela pediu, afastando-se com um esforço gigantesco. Respirou fundo por alguns momentos e, em seguida, olhou para o rapaz, que a observava, igualmente ofegante. – O que está pretendendo com isso?

Ele coçou a nuca.

-Nada, Serena...

-Lewis, por favor, não minta!

Ela o encurralou com o seu olhar.

-Está bem, eu... Errei em lhe trazer até aqui sem antes termos uma conversa, mas é que sempre achei que aconteceria em um momento inesperado para nós dois... Bom, sei que você não é nenhuma criança. Eu acho que... Acho que chegou a hora de avançarmos um pouco mais em nosso namoro. Ou seja, a hora de a gente transar.

Serena suspirou; era exatamente o que ela pensava.

-Espero que não tenha ficado brava...

-Claro que não. Mas acho que devíamos ter uma conversa antes. Você não devia ter me trazido aqui nesse corredor escuro, com intenções ocultas em sua mente.

-Mas... Serena, nós dois somos namorados!

-Eu sei, só que...

-O que tem de ruim em trazer a minha namorada para um lugar mais reservado? Em beijá-la, acariciá-la e, tendo resposta de volta, nos entregarmos ao desejo? Tem alguma coisa de errado nisso?

-Você devia ter falado comigo antes...

-Mas foi o que eu disse: "tendo a resposta de volta, nos entregarmos ao desejo". Nunca avançaria o sinal com você demonstrando que não está afim. No entanto, o seu corpo me passou todas as respostas... O tremor que a envolveu... Sua respiração... Eles, todos eles, dizem "sim, queremos você".

Serena engoliu em seco; sabia que Lewis tinha razão. E realmente se entregaria aos desejos de seu corpo se não houvesse aquele maldito fator que a separava do rapaz, aquela maldita palavra que não saía de sua mente...

Incesto, incesto, incesto, incesto...

-Olha, quer saber de uma coisa? O problema é que não estou preparada...

-Serena, sou seu namorado, tenho meus desejos físicos, assim como sei que você também tem os seus. Quer coisa mais natural do que a gente satisfazer os desejos de nosso corpo um com o outro? Sei que existe muito amor em nossa relação, mas o desejo existe, não tem como negar. Devemos fazer o balanceamento perfeito entre amor e sexo. A gente se completa em tudo: nos amamos e, ao mesmo tempo, nos queremos.

Ele pegou uma das mãos dela e a beijou com carinho.

-Vai negar que me quer da mesma maneira que eu quero você?

-Não – respondeu Serena, com sinceridade.

-Então, vai se entregar a mim?

O coração de Serena batia acelerado, descompassado... A resposta seria "sim", mas o fato de Lewis ser seu irmão bloqueava a resposta em sua garganta. Poderia responder com um "não, porém um "não" faria com que Lewis enlouquecesse, já que estava perdidamente apaixonado por causa da Fogueira...

Ela precisava de tempo para ver como fugir da situação... Então, a melhor resposta a dar naquele instante seria...

-Preciso pensar.

A resposta pegou Lewis de surpresa.

-Pensar?

-Sim. Se eu achar que é o momento, eu... Preciso me preparar... Sei que pode parecer bobagem, mas quero estar preparada. Dessa maneira, tudo será perfeito.

Lewis baixou o olhar.

-Você compreende... Não compreende?

-Sim... Claro que sim – respondeu ele.

-Não vai mudar nada entre nós?

-Claro que não, querida – ele a abraçou e beijou-a na testa. – Eu respeito o tempo que você precisar.

Abraçada a ele, Serena estranhou quando percebeu que não gostou da resposta de Lewis, de que nada ia mudar e ele ia respeitar o seu tempo...

Por quanto tempo conseguiria enrolar Lewis e o seu próprio desejo?


Hermione chegou ao Lorenzo´s. O bar já estava aberto, mas muito mais calmo do que na noite anterior. Apenas alguns grupos de bruxos estavam acomodados nas mesinhas. Mione aproximou-se do balcão roxo, atrás do qual se encontrava Walter, com seus cabelos esverdeados ainda mais espetados.

-Pois não? – perguntou ele, sorridente.

-O Lorenzo se encontra?

-Sim, claro, só um segundo.

Walter afastou-se para chamar o dono do bar. Pouco depois, Lorenzo surgiu, simpático como sempre.

-Olá! Veio visitar o garoto?

-Sim, vim ver como ele está.

-Ah, se recuperando muito bem... Acompanhe-me!

Mione já ia começar a acompanhar o dono do bar quando foi interrompida pela voz fria e perturbadora de Draco Malfoy.

-Visitando ex-namorados, Mione?

Sentindo o coração bater mais rápido, Hermione voltou-se para o rapaz. Draco segurava um ramalhete de flores coloridas com uma expressão nada amigável. O que ele estava fazendo ali?

-Draco... Que surpresa... – disse ela, sem saber o que responder.

-Igualmente – replicou ele. – Veio visitá-lo, não foi?

-Não!

-Claro que sim. Não tem outro motivo que explique a sua presença aqui no bar. Pensei que ele fosse uma página virada em sua vida, mas, pelo que vejo, ainda existe algo aí dentro que chama por ele, não é? Talvez exista um sentimento mais forte do que o que você sente por mim...

-Não diga uma coisa dessas, Draco! – Mione estava apavorada; será que já ia estragar todo o plano por causa de sua teimosia em visitar Rony? – Eu... Amo você! Acontece que... Rony sempre foi meu amigo, então, fico preocupada com ele. Só vim me certificar de que ele estava bem, só isso...

Draco ficou olhando-a em silêncio.

-O que foi que você disse? – ele perguntou, finalmente.

-O que?

-No meio de tudo isso que você acabou de falar... Disse que me ama? Foi isso?

Mione tomou fôlego para

(mentir)

repetir:

-Sim. Eu amo você, Draco Malfoy.

Após essas palavras, todos os sinais de revolta e ciúmes que havia no rosto de Draco se dissiparam, dando lugar a uma expressão que misturava perplexidade com emoção. Mione achou que Draco cairia no chão do Lorenzo´s e começaria a chorar feito uma criança. Não chegou a esse ponto, mas foi bem próximo disso... Em pensamento, Mione refletiu em como a Fogueira era poderosa...

-Eu... também te amo muito... – disse Draco, abraçando-a. – Veja... Trouxe essas flores para você...

-Oh – Mione olhou para o ramalhete, sorrindo. – Obrigado.

-Nem precisa agradecer, você merece muito mais...

-Ah, Srta... – chamou Lorenzo.

Mione olhou para o bruxo e balançou os ombros.

-Acho que já foi o suficiente saber que Rony está se recuperando bem. Obrigado por cuidar do meu amigo, Lorenzo.

-Estou as ordens! – e ele ofereceu a jovem um dos seus sorrisos largos e radiantes.

-Vamos voltar ao castelo? – perguntou Draco. – Podemos passear pelos jardins, aproveitar esse domingo de sol...

-Claro, vamos – disse Mione, aceitando a mão que o "namorado" oferecia a ela e deixando-se guiar em direção a saída do Lorenzo´s.

Antes de sair, ela avistou Frieda Lambert sentada em uma das mesinhas, tomando um cálice fumegante de bebida. Não era de se estranhar um professor de Hogwarts visitando o povoado, principalmente em um domingo, mas o que intrigava Mione era o fato de ela ter ido até ali sozinha...

Seria para refletir sobre a verdade que havia contado a Serena? Para pensar em como ficaria a situação de seu filho e Serena depois da bomba que ela havia lançado entre os dois?

-Vamos! – Draco puxou-a quando ela se deteve para observar a professora.

Mione saiu do Lorenzo´s, ainda intrigada.

Com o canto do olho, Frieda havia percebido o olhar curioso da garota. Ela era hábil em perceber pessoas falando ou pensando algo sobre ela; captava os olhares indagadores, os cochichos, os risos... Tomando mais um gole de sua bebida, Frieda fez sinal para Walter.

O bruxo olhou de um lado para o outro e, vendo que Lorenzo não estava por perto, aproximou-se da mesa da professora. Colocando o cálice sobre a mesa, Frieda pediu:

-Sente-se.

-Mas é que eu preciso disfarçar, Sra Lambert, e...

-Sente-se, já disse!

O tom da megera fez com que Walter se sentasse rapidamente, quase derrubando a cadeira com o tremor de suas mãos.

-Você não pode começar demonstrando essa covardia absurda.

-Não é covardia, é que, dependendo do que a senhora for me pedir, é bom que ninguém nos veja muito próximos um do outro...

-Ah ninguém terá como provar coisa alguma a seu respeito, muito menos a respeito de mim. Tudo será feito com extremo cuidado e se transformará num trágico e perfeito acidente...

Walter arregalou os olhos.

-O que você quer dizer com isso? Acidente... Não me diga que você quer que eu...

-Sim, Walter. Que você mate alguém. Ou melhor, duas pessoas.

Walter deu uma risadinha.

-Isso é um absurdo...

-Não, não é. Como eu lhe falei, tudo será feito com muito cuidado, todos pensarão que foi um acidente. Você só precisará seguir as minhas instruções.

-Não. Esqueça... Não vai dar...

-Olhe a sua recompensa...

Frieda virou sua bolsa sobre a mesinha, derrubando sobre ela várias moedas douradas. Walter pareceu hipnotizar-se pelo brilho dos galeões.

-Isso não é nem a metade do que você vai receber se fizer o que eu lhe ordenar. Vamos, Walter, você vai deixar-se intimidar pelo medo quando uma fortuna o espera? Cadê o Walter que eu conhecia que era capaz de tudo por dinheiro?

-Está bem aqui... – ele finalmente deixou de mirar as moedas e voltou-se para a professora. – Vamos, Sra Lambert. Diga-me o que preciso fazer para que milhares dessas moedinhas venham parar comigo.

Frieda sorriu.

-Ótimo. Vou lhe explicar como você eliminará Brian e Florence Bennet...


-Será que dá para explicar o que vamos fazer na biblioteca, Joyce? – perguntou Alone, que estava sendo guiada, juntamente com Lanísia, para a biblioteca.

-Preciso encontrar uma maneira de agüentar o pistolão do Juca.

-Ah, e você acha que vai achar o livro "1001 maneiras de como agüentar um superpinto em 30 lições" na super conceituada biblioteca de Hogwarts?

-Claro que não – Joyce fez uma expressão de desdém. – Mas deve existir algum livro que ensine como preparar o corpo para agüentar, sei lá... Tipos de pressão...

-Ninguém merece – Lanísia revirou os olhos.

-Ah meninas, relaxem! Vocês não têm muito o que fazer hoje... Custa me ajudarem nessa pesquisa?

-Opa-opa! Alto lá! – disse Alone. – Tenho coisas a fazer sim, mané. E acabei de lembrar...

Joyce e Lanísia seguiram a direção que o olhar da amiga tomava. Em uma das mesas da biblioteca, absorto na leitura de um livro, estava Colin Creevey.

-Sim! – exclamou Lanísia. – Colin está aqui. Uma ótima oportunidade para você xeretar as coisas dele!!

-Ai... Não sei não...

-Ah, Alone, nem venha com hesitação! – censurou Joyce. – Você estava bem decidida de que esse era o primeiro passo para descobrir um possível envolvimento entre os dois. Vai desistir agora?

-É que é muita invasão de privacidade... Sem falar que Colin é meu amigo...

-A amizade de vocês esfriou há muito tempo, e, de certa maneira, Harry é o responsável por isso – lembrou Joyce. – Não acha que você tem o direito de saber que motivo misterioso é esse que provocou esse abalo na amizade de vocês?

Alone pensou por um momento; fitando o curativo na mão de Colin, lembrou dos diversos momentos aflitos que aquela relação misteriosa entre Harry e Colin havia causado...

Ela realmente tinha o direito de entender aquilo tudo.

-Você está certa, Joyce. Preciso descobrir. Não vou fraquejar agora na hora de agir.

-É assim que se fala, Encalhada! – Joyce deu um tapa amigável no ombro de Alone.

Lançando um último olhar para Colin, a garota saiu da biblioteca. Joyce e Lanísia se encaminharam para as estantes, à procura de algum livro que ajudasse Joyce.

-Ai, Joyce, só vou ficar aqui porque eu realmente não tenho o que fazer... – reclamou Lanísia.

-Pára de reclamar e me ajuda!

-Sabe, concordo com a Alone... Você não vai encontrar nada por aqui!

-Não vou encontrar mesmo, se você não parar de ficar resmungando... Ande! Ajude-me! Preciso de um livro de auto-ajuda...

Lanísia começou a ajudá-la, procurando por algum título interessante. Ao contrário do que ela esperava, encontrou alguns títulos que pareciam se adequar ao que Joyce procurava. Elas juntaram diversos volumes e os arrastaram até uma das mesas da biblioteca, onde começaram a verificar o conteúdo de cada um dos exemplares.

Mal tinham iniciado a verificação quando Serena apareceu, cabisbaixa e com uma expressão nada agradável no rosto.

-Ai, o que aconteceu agora? – perguntou Lanísia.

-Relaxe, nada pior do que a notícia de ontem, se bem que não sei se existe algo pior do que saber que o rapaz com quem você se amassa é seu irmão – disse Serena. – Mas o que aconteceu agora ganhou um peso extra justamente por isso...

-Anda, diga o que houve? – indagou Joyce, curiosa.

-Lewis quer transar comigo.

-Oh – exclamaram Joyce e Lanísia ao mesmo tempo.

-E o que você respondeu? – perguntou Lanísia.

-Dei uma resposta que não era nem um "sim" nem um "não"... Disse que precisava de tempo. Tempo para pensar na resposta e, se esta fosse positiva, precisava de tempo para me preparar...

-Fez bem – apoiou Joyce. – Beijá-lo já está lhe causando repulsa, imagine ter que ir para a cama com ele.

-Seria uma verdadeira tragédia grega – comentou Lanísia. – O irmão que traça a irmã sem saber...

-Não, isso não pode acontecer...

-Mas saiba que mais cedo ou mais tarde ele vai cobrar a sua resposta, Serena.

-Sei que vai, Joyce. E é isso que me deixa aflita. Chegará o momento em que ele vai me cobrar, e com ele sob o domínio da Fogueira não verei alternativa a não ser me entregar. E isso eu não quero, de maneira nenhuma...

-É, umas querendo evitar o fogo do namorado, outras procurando maneiras de como agüentar a pressão – comentou Lanísia, lançando um olhar divertido para Joyce, que consultava um dos livros.

-E vou encontrar uma boa maneira de me preparar para isso, você vai ver... – disse Joyce. – O que posso fazer se o meu Juca é um Dotadão? Se ele possui um dos maiores instrumentos do mundo?

-Fecha as pernas! – retorquiu Lanísia.

-Ah, nunca, meu bem... – Joyce deu uma risadinha. – Joyce de pernas fechadas, jamais! Vou é treinar a minha "amiguinha" e o meu corpo para suportarem aquele mastro gigantesco.

-Acho que esse livro tem alguns capítulos interessantes... – comentou Lanísia, verificando o índice de capítulos do livro que consultava.

-Eu já encontrei um bem interessante nesse daqui – Joyce empurrou o livro para as garotas e apontou um trecho. – Leiam esse pedaço em voz alta, que eu seguirei as instruções.

-Certo... – Lanísia iniciou a leitura. – O título é: Movimentos corporais para suportas fortes pressões provocadas por inimigos...

-Mas Lewis não é seu inimigo – lembrou Serena.

-Sei que não, mas ele vai enfiar um baita de um facão em mim, querida, e esse facão vai entrar e sair, entrar e sair, entrar e sair, com uma brutalidade tremenda, e tudo na minha amiguinha que é tão sensível... Isso é um tipo de inimigo, não acha? Não deixará de ser uma tremenda batalha...

-Superpinto X Perereca Arreganhada – zombou Lanísia.

-Conseguirá o Superpinto finalmente machucar a invencível Perereca Arreganhada? – ajudou Serena, rindo.

-Não percam o próximo capítulo de Amiguinha – A Perereca Arreganhada!! – encerrou Lanísia, as gargalhadas.

Joyce apenas as observou, balançando a cabeça.

-Muito, muito engraçado... Estou morrendo de rir! Aff... Agora, será que dá para começar a me ajudar lendo a porcaria do texto do livro?

-Sim, sim... Está bem... – Lanísia respirou fundo, tentando recuperar o controle. Secou as lágrimas e, séria novamente, começou a leitura.

"Quando atacado fisicamente por um inimigo, você poderá diminuir a dor e a pressão psicológica do momento. O primeiro passo é manter a respiração regular, respirando e soltando o ar com força, lentamente".

Joyce começou a respirar com calma. Lanísia continuou lendo:

"O próximo passo é concentrar as suas energias na parte do corpo afetada".

Lanísia e Serena ergueram os olhos do livro e a fitaram.

-Bom, a parte afetada será a minha amiguinha, então... – ela olhou de um lado para outro; ninguém a vista de onde se encontravam. Esticando as pernas, arreganhando-as e apoiando-as sobre o tampo da mesa, Joyce fechou os olhos e continuou a respirar devagar...

Lanísia leu:

"Feche os olhos para aumentar a concentração, sem esquecer de continuar a respirar lentamente e com profundidade".

-Certo... – murmurou Joyce, fechando os olhos.

Mione chegou na biblioteca naquele instante. Seus olhos se arregalaram ao ver aquela cena...

Joyce estava com as pernas arreganhadas, abertas indecentemente, apoiadas sobre a mesa, enquanto respirava com força e tinha os olhos fechados em um estranho estado de concentração...

-Que palhaçada é essa? – ela perguntou, estarrecida.

Serena e Lanísia ergueram o olhar para ela, e Joyce saiu de seu estado de concentração.

-Droga, Mione, interrompeu o meu treinamento! – reclamou ela.

-Treinamento??

-Sim... Para suportar a grande pressão que Juca vai fazer dentro de mim...

-Ah entendi – ela sorriu.

-E aí, como Rony está? – perguntou Serena.

-Nem pude vê-lo, mas Lorenzo garantiu-me que ele está bem.

-Não o viu? Por que? – estranhou Joyce.

-Draco foi até lá... – houve uma exclamação geral de espanto. – Mas relaxem, consegui domar a fera com um "eu amo você". Voltamos para o castelo juntos e logo que cheguei vim até vocês.

-Eu avisei para não ir até lá – lembrou Joyce.

-Pois é... Mas, de qualquer maneira, deu tudo certo... Cadê a Clarissa?

-Foi se maquiar e não apareceu mais – respondeu Lanísia.

-E a Alone?

-Foi xeretar as coisas do Colin para ver se encontra alguma coisa.

-Hum... Ah! Serena, sua sogra estava lá no Lorenzo´s...

-Frieda?? – Serena franziu a testa. – No Lorenzo´s?

-Sim. E sozinha. Muito estranho, não acha?

-Sim... O que será que ela está aprontando?

A preocupação não dominou Serena; poucos minutos depois ela já ajudava as meninas a encontrarem algo interessante para o problema de Joyce.

Mal sabia ela que o que Frieda aprontava ia modificar totalmente a sua vida...

O golpe mais maligno que ela podia aplicar...


Clarissa, pensando se Draco havia flagrado Rony e Hermione, ficou demasiado tensa para voltar para perto das Encalhadas, de modo que decidiu vagar sem rumo pelos terrenos do castelo.

O sol do domingo estava de rachar e ardia em sua nuca. Mas Clarissa não se importava; estava tão desligada do mundo que só foi perceber que está se direcionando para os portões do castelo quando já havia passado por eles.

Assustada com a sua distração, ela voltou-se para retornar aos limites de Hogwarts quando uma voz a chamou:

-Clarissa...

Ela conhecia aquela voz... Como poderia esquecer? Era a voz do rapaz que havia desgraçado a sua inocência, sua vida...

-Clarissa...

Não gritava; falava num tom grave, e parecia vir de todos os cantos do universo...

-Clarissa...

Ela olhou ao redor, desnorteada. Onde ele estaria? Seria realmente Ted Bacon ou a sua imaginação que novamente produzia coisas?

-Clarissa...

Apavorada, com medo de que a qualquer momento Ted Bacon sairia de algum canto e a atacaria, Clarissa começou a correr de volta ao castelo, sem nem ao menos olhar para trás durante sua corrida.

Seus olhos começaram a encher-se de lágrimas enquanto ela corria do fantasma de seu passado. E, a cada passo, a cada lufada de vento que ia de encontro ao seu rosto, as palavras vinham em companhia, desta vez realmente produzidas por sua mente...

Clarissa... Clarissa...

A estas se misturaram outras... Palavras ouvidas na noite tempestuosa em que sua virgindade fora levada por aquele rapaz sem caráter...

Sempre te quis, garota... Ah... Que delícia... Maravilha...

A dor, as lágrimas, o tormento...

Relâmpagos.

Clarissa tropeçou e caiu sobre o gramado. Chorando, ela levantou-se e recomeçou a correr... Precisava descobrir uma maneira de exorcizar o maldito fantasma de Ted Bacon de uma vez por todas.

A não ser que ele fosse demasiado real para ser exorcizado...


Alone entrou na sala comunal da Grifinória. Não havia ninguém por ali, o que a deixou mais tranqüila; poderia entrar no dormitório masculino sem nenhum problema.

Ansiosa, Alone subiu até o dormitório. Com as mãos trêmulas, girou a maçaneta da porta; talvez tudo estivesse perdido depois daquele momento... Se houvesse algum garoto lá dentro...

Abriu a porta. Não havia ninguém. O dormitório estava vazio. Só havia as camas desarrumadas, os armários abertos, roupas espalhadas pelo chão – típicos sinais de desordem masculina. Rindo, Alone entrou no quarto. Driblando a desordem do aposento, foi se aproximando da cama que pertencia a Colin. Era a mais arrumada de todas, mas também havia algumas peças de roupa e livros caídos ao lado. Agachando-se, Alone começou a xeretar...

Começou a revirar os livros, balançando-os com as páginas viradas para baixo, para verificar se algo caía de dentro deles. Nada encontrou, pelo menos nos que estavam caídos ao chão. Verificou superficialmente os bolsos das calças, mas eles estavam vazios, exceto por algumas embalagens de balas e sapos de chocolate.

-Droga... Será que não vou encontrar nada? – Alone murmurou para si mesma. – Ah! As gavetas!

Ela começou a abrir as gavetas da cômoda de Colin. Na primeira, encontrou apenas mais livros, algumas penas e tinteiros vazios. Na segunda, encontrou um amontoado de papéis que chamou sua atenção...

Alone apanhou os papéis e os espalhou sobre a cama do garoto. Decepcionou-se ao encontrar apenas algumas anotações sem importância...

-Claro, ele nunca ia guardar nada importante em uma gaveta tão vulnerável... – disse ela, analisando os papéis. – Anotações, anotações... Mas... O que é isso? – ela pegou um dos papéis, franzindo as sobrancelhas. – Esse é diferente... Não é uma anotação... É uma... Uma espécie de carta...

Não era escrita com a letra de Colin, que era bem conhecida por Alone. Era outra caligrafia, que dizia coisas apaixonadas...

Intrigada, Alone começou a leitura...

Desde o momento em que te vi, soube que era tudo o que eu queria para mim. Tentei fugir desse sentimento, mas não consegui; era mais forte do que eu, e ele acabou me vencendo. Não posso revelar a ninguém que eu o amo, mas você sabendo disso já é suficiente para mim. Então, assim, eu repito pela milésima vez:

Eu amo você.

Alone desceu o olhar até a assinatura. Não havia nome algum, mas a carta era assinada por uma letra que, ao ir de encontro aos seus olhos, a fez ficar sem ar:

H.


-Lewis, o que faz aqui? – perguntou Frieda ao entrar em seu dormitório e encontrar o filho sentado sobre uma cadeira, pensativo, olhando a paisagem pela janela.

-Nada... – respondeu o rapaz. – Apenas pensando...

-Que bom. Só espero que não seja em coisas fúteis, pois aí é perda de tempo. Agora, se for uma reflexão sobre si próprio ou sobre algum fato importante, eu o apoio totalmente. É muito melhor ficar desligado das podridões que assolam a juventude do que ligado a elas.

Lewis não pôde deixar de sorrir; se ela soubesse que era justamente sobre o que ela chamava de podridão que ele estava pensando, e que ele queria efetuar o ato com a maior inimiga dela, ela teria um acesso de nervos.

Frieda também se aproximou de uma das janelas e começou a fitar o horizonte, pensativa. Lewis a olhou, intrigado:

-Vejo que também está pensando. Não me diga que é em coisas fúteis?

-Claro que não. Sabe muito bem que não perco o meu tempo com coisas fúteis. É algo muito importante.

-Posso ajudá-la de alguma forma, mãe?

-Não... Apenas deixe-me pensar...

E, voltando o olhar para o céu azulado, Frieda pensava se Walter estaria seguindo as suas instruções.


Um tanto isolada, sem vizinhos muito próximos.

A casa perfeita para um crime.

A residência dos Bennet.

Brian lia a edição de domingo do Profeta Diário, sentado em sua poltrona favorita e tomando uma caneca de café. Durante à tarde, pretendia passear com Florence no Beco Diagonal e, durante a noite, se comunicar com Hogwarts para verificar se Serena realmente precisava de sua autorização para o passeio que Frieda mencionou.

Infelizmente, tudo aquilo não passaria de planos...

A última visão de Brian foi do retrato de Serena, linda e loira, que estava pousado sobre a mesa da sala. Era para o retrato que ele olhava quando foi atingido pelo feitiço repentino que o fez adormecer.

Daquele sono ele não acordaria jamais...

Walter ficou olhando para o corpo adormecido do bruxo por alguns instantes. Ainda faltava adormecer outra pessoa: a esposa.

-Brian, querido... – Florence vinha descendo a escada; Walter, agilmente, escondeu-se atrás da cortina. – Acho que está na hora de comprar um novo caldeirão para mim, vou ver se encontro algum de qualidade no Beco...

Ela parou de falar quando viu o marido caído na poltrona. Ela era uma bruxa experiente, e reconheceu o feitiço na hora. Florence ia gritar, mas não houve tempo.

Despediu-se do mundo vendo um bruxo de cabelos esverdeados com a varinha empunhada em sua direção, brandindo um feitiço que a fez perder os sentidos imediatamente.

Walter olhou para o corpo da mulher, cujos cabelos loiros esparramaram-se pelos degraus da escada.

Agora, os dois estavam adormecidos.

Era a hora do próximo passo.

Conforme Frieda havia dito, Brian e Florence possuíam um automóvel trouxa, que usavam raramente. Walter apanhou as chaves do carro e o abriu. Em seguida, arrastou o corpo de Brian e de Florence até o automóvel, com certa dificuldade. Acomodou-os nos bancos dianteiros e fechou as portas.

Secando o suor da testa, olhou para os dois através de uma das janelas.

-Perfeito! – exclamou.

Em seguida, Walter puxou a varinha do bolso e, apontando-a para o carro, fez com que ele desse a partida.

Lentamente, o carro começou a se mover, seguindo as instruções de Walter. Só foi sair do terreno da casa para que ele avistasse o que Frieda garantiu haver ali...

Um enorme penhasco se abria no solo.

Uma grande fenda, pronta para engolir em suas entranhas qualquer coisa.

E, naquele dia, seria um carro.

Sorrindo, pensando nos milhares de galeões que aquela simples tarefa ia lhe valer, Walter encaminhou o carro até o penhasco.

O automóvel começou a descer a ladeira, com seus passageiros cegos e mudos, adormecidos, impotentes para reagir. Walter via o balanço dos corpos de Brian e Florence, pensando em como era estranho vê-los ali, dormindo, enquanto o carro em que estavam tomava o rumo de um terrível penhasco.

E o carro foi se aproximando mais e mais da fenda...

Até que... Chegou na abertura do penhasco e, virando de ponta-cabeça, caiu.

Walter correu para a ponta do penhasco para observar o espetáculo.

O carro caiu velozmente até encontrar o solo, onde, com um forte impacto, explodiu.


NA: E assim termina mais um capítulo de Fogueira das Paixões. E, como sempre peço: CoMeNtEm!! Abraços!