CAPÍTULO 14

Bruxetes

Alguns fantasmas podem ser mais reais do que imaginamos...

Só mesmo enfrentando aquele maldito fantasma real de seu passado Clarissa conseguiria todas essas respostas.

...e alguns desses fantasmas que rondam as nossas vidas conseguem o que querem...

-O que? – Serena não se conteve; arrancou o papel da mão da diretora e aproximou o documento dos olhos. Leu tudo. – Não... Não pode ser...

...Enquanto isso, Alone faz descobertas impressionantes...

A foto mais escondida de todas. Espremida em um canto. Alone puxou-a e, de olhos arregalados, olhou para o retrato.

...assim como Hermione...

-Delícia... – disse Hermione.

Essas e outras emoções vocês encontrarão no capítulo a seguir. E tem muito mais... Afinal, o que seria Bruxetes?


-Professora McGonagall! Professora McGonagall!

Filch abriu a porta e entrou na sala da diretora sem nem ao menos pedir licença. Minerva ergueu-se de sua cadeira, pronta a protestar, mas as faces vermelhas do zelador, bem como os seus olhos arregalados e o suor frio que respingava de seu rosto, a fizeram calar-se e perceber de imediato que algo não muito bom havia ocorrido...

-Houve uma tragédia, professora!

O coração de Minerva disparou.

-Oh, por favor, Filch, diga-me de uma vez por todas o que...

-Não se fala em outra coisa! Recebi uma edição extra do Profeta Diário e acabei de ser informado por um funcionário do Ministério de que o que todos dizem realmente aconteceu!

-Fale, por favor, Filch...

-Brian e Florence Bennet morreram em um...

-...acidente de carro trouxa – lia Augusto em sua sala; as edições extras do Profeta Diário nunca significavam coisas boas, de modo que, quando a coruja chegou trazendo o jornal, ele soube de imediato que graves notícias estavam por vir. – Pobre Serena... – suspirou o professor, pensando em uma de suas melhores alunas.

Augusto abriu a janela de sua sala e fitou os jardins. O domingo ia chegando ao fim, e Serena caminhava no gramado ao lado das amigas. Uma delas ele não pôde deixar de notar, nem mesmo com a gravidade do que havia acabado de descobrir.

Lanísia estava fantástica, com seus belos cabelos iluminados pelo sol, um leve vestido maravilhoso, que realçava as curvas de seu corpo. Era a ingenuidade de menina misturada com a sensualidade de mulher.

O que quase havia ocorrido na noite anterior veio à mente do professor e ele suspirou. Quase duas vezes conseguiu ter Lanísia para si, e nas duas vezes o motivo da interrupção foi Rebecca. Maldita ex-mulher!

Precisava arranjar uma maneira de ficar a sós com Lanísia. Um lugar onde não pudessem ser interrompidos.

Augusto tentou se recordar da época em que estudava em Hogwarts. Conhecia muitas passagens secretas, lugares inacessíveis... Com certeza pouquíssimos alunos sabiam a existência de muitas dessas passagens... Se levasse Lanísia até lá, conseguiriam terminar o que haviam começado...

Vários lugares secretos vieram em sua mente, até que ele se recordou de um que parecia ser o lugar ideal.

Havia encontrado o refúgio do prazer e ia levar a sua garota para lá.

Enquanto ele saía da sala, lá embaixo, no jardim, Clarissa finalmente se juntava às amigas...

-O que estava aprontando, mocinha? – perguntou Joyce, irônica.

-Nada... Por que a pergunta?

-Ah você subiu para se maquiar e não voltou mais – disse Serena.

-É que fiquei lá na sala comunal resolvendo algumas coisas... Uma amiga pediu um conselho, aí fiquei conversando com ela, tentando ajudar, só isso...

-Não sei não... Você me parece assustada... – avaliou Mione.

-Assustada, eu? – Clarissa riu, como se aquilo fosse um absurdo. – Impressão sua... – naquele instante, sua voz sumiu.

Os olhos de Clarissa não se moviam mais. As faces endureceram, como se estivessem petrificadas. Ela olhava para os portões...

Do lado de fora, Ted Bacon olhava para ela.

Era o fantasma perfeito. Trazia no rosto o mesmo sorriso cafajeste de antigamente. Os cabelos castanhos bem penteados. E o mesmo estilo de roupa de sempre: camisa social com calças jeans. As mãos estavam nos bolsos, e ele não tirava os olhos dela.

Clarissa fechou os olhos rapidamente, tentando ver se o fantasma desaparecia. Ela abriu-os novamente, sentindo o coração bater com força, um suor gelado começar a escorrer de seu corpo.

"Ele sumiu, ele sumiu, ele sumiu...".

Mas não.

Ted continuava lá.

-Clarissa, você está bem? – perguntou Joyce, preocupada.

-Sim...

-Quem... Quem é ele? – indagou Mione, provando que Ted realmente estava ali.

-Ted Bacon.

Dito isso, Clarissa começou a caminhar em direção ao portão. Surpreendeu-se consigo mesma, mas precisava chegar perto de Ted, saber porque ele estava rondando o castelo, porque estava retornando a sua vida. Só mesmo enfrentando aquele maldito fantasma real de seu passado ela conseguiria todas essas respostas.

As garotas permaneceram onde estavam, apenas observando e lembrando que Ted Bacon era o nome do rapaz que tirara a virgindade de Clarissa.

Clarissa chegou aos portões. O sorriso de Ted tornou-se maior. Olhou-a de cima a baixo.

-Você continua perfeita.

Clarissa segurou os ombros dele com força e o empurrou, irada.

-O que é que você quer?

-Do que está falando, garota?

-Sabe muito bem do que estou falando! Vive rondando a escola, me perseguindo! Já me cansei dessa palhaçada! Será que não pode falar logo o que você quer e me deixar em paz?

-Você sabe o que eu quero, docinho... – Ted a agarrou pela nuca e a trouxe para perto de si. Olhando para os lábios de Clarissa, respondeu. – É você...

Clarissa estremeceu, mas conseguiu se soltar.

-Nunca! – respondeu, afastando-se.

-Nunca? – Ted gargalhou. – "Não mais" é o que você quer dizer, não é? Porque nós dois sabemos o que nós dois fizemos há um tempo atrás. E, olhe só, foi você que procurou...

-Procurei porque fui influenciada!

-Procurou porque é uma vadiazinha que adora ser apanhada brutalmente por um homem como eu.

-Não me ofenda!

-Não é ofensa. É elogio – o sorriso sarcástico aumentou. – Agora, falando sério, adoraria que tudo aquilo ocorresse novamente, mas não foi por isso que apareci pelas redondezas. Você sabe que a minha família vive do comércio. Abrimos lojas de tudo quanto é tipo, e agora estamos entrando em um novo mercado. Roupas femininas para todo o tipo de bruxas. A loja Bruxetes.

-Que interessante... – murmurou Clarissa, entediada.

-Não é? O fato é que precisarei de uma garota para provar cada peça feita na loja, uma espécie de manequim vivo. Existirá de tudo, até mesmo lingeries... Será que não gostaria de ser minha funcionária clandestina?

-Ah-ah! Sabe que nunca faria esse tipo de serviço, principalmente para você. E, a propósito, sabe que tenho muito mais dinheiro que você e não preciso disso.

-Olhe lá, pense bem... Poderíamos nos divertir muito nas horas vagas... – ele passou a língua pelos lábios.

-Nem conte com isso! Esqueça, Ted. Se for por isso que estava atrás de mim, pode ir atrás de outra aluna da escola. Comigo, nem pensar...

Clarissa deu as costas e começou a retornar ao castelo, ignorando os chamados de Ted. Ao chegar perto das garotas, elas já estavam morrendo de curiosidade.

-E aí? O que o safado queria? – perguntou Joyce.

Clarissa contou tudo. A narrativa foi interrompida por xingamentos como "safado!", "ordinário!", e outros que são dignos de censura.

-Conclusão: você terá que ver esse idiota algumas vezes...

-Claro, Serena... Com uma loja em Hogsmeade, será inevitável...

-Meninas... Cadê a Alone? – perguntou Joyce. – Subiu para bisbilhotar as coisas de Colin e nunca mais voltou...

-Vamos até a sala comunal atrás dela – sugeriu Mione. Todas concordaram e entraram no castelo, exceto Lanísia, que, de propósito, deixou-se ficar para trás e começou a correr em direção aos portões.

-Ted! Ted!

Ted voltou-se. Correndo em sua direção, na estrada, vinha uma jovem belíssima, de corpo e rosto maravilhosos.

-Pois não? Eu a conheço??

-Não... Eu sou amiga da Clarissa... Mas não se preocupe! Não vim até aqui para brigar com você... Vim para saber se eu poderia aceitar a vaga que você ofereceu a ela.

-Humm... – ele murmurou, analisando-a. A garota era perfeita, sem a menor dúvida. – Sim... Você tem todos os atributos necessários...

-Ah!! Que bom!

-Mas sabe que será um emprego clandestino. Ninguém na escola pode sequer sonhar que você está trabalhando para mim, até mesmo suas amigas.

-Ah pode deixar... Sabe, sempre foi o meu sonho, experimentar diversas lingeries luxuosas, me sentir uma verdadeira diva... Será divertido, não acha?

-Excelente... – ele olhou-a novamente, deslizando a língua pelos lábios. – Com certeza, será muito divertido...

Ficou decidido que Lanísia faria a prova das primeiras peças de lingerie na noite de segunda-feira. Depois de ter conversado com Ted a respeito do emprego e da loja Bruxetes, Lanísia subiu para a sala comunal para se reunir as amigas.

As Encalhadas estavam reunidas em circulo sobre o tapete, conversando sobre as descobertas de Alone.

-Não existem muitas garotas com o nome iniciado com H – dizia ela, desconsolada. – Só pode ter sido uma carta do Harry!

-Mas não podemos ter certeza de coisa alguma – falou Mione. – Você leu uma letra só, não estava escrito HARRY, com todas as letras!

-Eu preciso descobrir o que existe entre aqueles dois! – Alone parecia bem irritada.

-Sabe, Alone, convivi muitos anos com o Harry, e nunca percebi nada entre ele e Colin. Acho pouco provável que os dois tiveram um caso amoroso.

-Talvez tenha começado há pouco tempo. Você se afastou bem dele e de Rony quando começou a andar com a gente.

-É... pode ser...

-Não havia nenhuma fotografia comprometedora? – perguntou Joyce.

-Não... Pelo menos, até onde eu fucei, não havia nenhuma... Acha que pode haver alguma foto?

-Ah o passatempo favorito do Colin é tirar fotos. Se ele gostasse do Harry, não acha que tiraria várias fotos dele? Ou dos dois juntos?

-Sim... – concordou Alone. – Ele me deu umas fotos do Harry há um tempo atrás. Disse que tinha tirado para mim, mas, não sei... Porque não foi ele que me entregou, sabe... Talvez não era para eu ter visto as fotos do Harry, e aquilo foi apenas uma desculpa...

-Com certeza deve haver mais fotos... – disse Joyce. – E você pode até mesmo achar uma dos dois juntinhos.

-Hum... Acho que sei onde Colin guarda esse tipo de coisa...

Ela aproximou-se mais das amigas e cochichou.

-Vocês sabem bem que eu e Colin éramos carne e unha antes da formação das Encalhadas. Pois bem... Lembro-me que ele arquivava todas as fotos que tirava e armazenava em uma caixa secreta, que escondia atrás de uma das estátuas daquele corredor cheio de estátuas do quarto andar. Essa caixa deve estar atrás de alguma delas.

-Vai procurar agora?

-Sim, Mione. Não tenho tempo a perder.

Naquele mesmo instante, no quarto andar, Harry e Colin encontravam-se para uma conversa...

A terceira parte do triângulo estava indo se unir ao restante...

Enquanto Alone se dirigia ao quarto andar a procura de fotos comprometedoras, as Encalhadas permaneceram na sala comunal. O papo foi interrompido não muito tempo depois da saída de Alone, com o aparecimento muito inesperado de Minerva McGonagall.

-Olá, meninas – a diretora cumprimentou, com um sorriso forçado.

O primeiro pensamento das Encalhadas foi de que tudo havia sido descoberto; que elas tinham armado a Fogueira, que Rony quase morrera por causa disso... Mas não; afinal, McGonagall não queria falar com todas elas, e sim com...

-Serena, por favor, me acompanhe.

A garota lançou um rápido olhar para as amigas e, em seguida, acompanhou a diretora.

Quando o buraco do retrato se fechou, tiveram início os rumores.

-O que será que ela quer com a Serena? – perguntou Hermione.

-Não sei... – respondeu Lanísia. – Mas não deve ser nada de ruim.

-É, parece que não – disse Clarissa.

Do lado de fora, Serena acompanhava Minerva pelos corredores do castelo. As duas só pararam de caminhar ao chegarem na sala da diretora. Serena sentou-se em frente à mesa e Minerva começou a dar a notícia.

Um minuto depois, o grito de Serena podia ser ouvido nos corredores mais próximos.

Alone chegou ao corredor cheio de estátuas do quarto andar. Colin nunca fora muito específico sobre qual das estátuas era a sua escolhida, de modo que Alone deve que analisar cada uma delas.

Por sorte, não precisou procurar muito. Encontrou o que procurava durante a análise da quarta estátua.

A caixa de fotos estava bem escondida, espremida no vão escuro entre a estátua e a parede. Alone pegou a caixa com certo esforço, já que estava bem pesada, e a colocou no chão. Abriu-a e, utilizando a luz que saía da ponta de sua varinha, começou a analisá-las.

Havia fotos dos mais diversos tipos; salas de aula, de jogos de quadribol, diversos estudantes. Ela vasculhou um pouco mais, tentando chegar nas fotos que estivessem jogadas no fundo da caixa. As mais secretas deviam estar mais escondidas, pensou ela. E tinha toda a razão.

As fotos do fundo só traziam... Harry...

Harry em diversas situações. Tomando café da manhã, vestido com o uniforme do quadribol, e algumas muito, mas muito estranhas... Tão estranhas que fizeram Alone arregalar os olhos e aproximar ainda mais a varinha.

Harry estava sem camisa em uma delas, e sorria para a câmera. Em outra, Harry tentava se esconder, enrolado apenas com um lençol. Harry tomava banho em outra foto, e parecia nem se importar com o fato de estar sendo fotografado. E, por último, uma em que Harry dormia, de barriga para baixo, totalmente nu sobre uma cama.

Alone sentiu-se entontecer... Mas havia mais... Havia muito mais.

A foto mais escondida de todas. Espremida em um canto. Alone puxou-a e, de olhos arregalados, olhou para o retrato.

Não havia mais dúvida alguma...

De repente, como por encanto, Harry e Colin surgiram na ponta do mesmo corredor em que ela estava. Os dois discutiam, e nem perceberam a presença dela.

-...você é um verdadeiro idiota, Harry! Acha o que? Que pode enganar a Alone para sempre?

-Colin, você não entende! Tudo mudou! Eu estou gostando dela de verdade!

-Não me venha com isso, Harry! Você sempre adorou o meu corpo e tudo o que eu possuo. A Alone não tem nada disso para oferecer a você!

-Eu não gosto mais de você, eu gosto dela, e...

-Ah é? E tudo o que nós vivemos? Tudo o que fizemos? As suas palavras de amor eram todas falsas, é isso? Você me quer, Harry. Só a mim!

Colin provavelmente ia forçar um beijo, quando ambos se deram conta da presença de Alone. Harry e Colin empalideceram.

Alone passava os olhos na foto e em seguida os voltava para os dois.

Ela tinha um beijo nas mãos.

E uma briga de casal diante dos olhos.

Agora ela tinha certeza.

Serena começava a se recuperar do choque inicial, de modo que McGonagall podia continuar a conversa e informar outros detalhes.

-O funeral será realizado amanhã. Sinto muito, muitíssimo, Serena. Mas... A vida continua... E eu preciso lhe informar quem ficará responsável por você até que complete os dezessete anos.

-Quem é, professora?

Minerva abriu uma pasta negra que havia em sua mesa e retirou um papel.

-Esse é um documento assinado por seu pai. Não existe data, mas a assinatura é autêntica. Nesse documento, seu pai deixa bem claro que, mediante a morte dele e de sua mãe, a sua guarda deve ser passada imediatamente a...

Minerva engasgou-se.

-Não acredito...

-O que?? O que foi, professora??

-É que... Bom, não esperava uma coisa dessas... Mas, se Brian assinou...

-Estou ficando assustada... O que diz aí, professora? Por favor, diga.

-Aqui consta que você deve ser deixada sob a responsabilidade de... – a diretora engasgou-se novamente, antes de conseguir continuar. – Frieda Lambert.

-O que? – Serena não se conteve; arrancou o papel da mão da diretora e aproximou o documento dos olhos. Leu tudo. – Não... Não pode ser... – mas ali estava, a assinatura de seu pai.

Serena tinha os olhos fixos na assinatura quando Frieda surgiu na sala.

-Frieda... – Minerva adiantou-se. – Foi uma surpresa muito grande para mim, e talvez seja até mesmo para você, mas... Brian assinou um documento dizendo que a responsável por Serena passa a ser você.

-Oh! – Frieda fingiu surpresa.

-Eu não quero... EU NÃO QUERO! – Serena gritou, irada, e saiu da sala, correndo.

Minerva respirou fundo.

-Sei dos problemas que existem entre vocês duas, então, se não quiser ser responsável por ela, Frieda, entenderei...

-Não. Imagine... Estou muito arrependida de ter brigado com Serena. Pobre garotinha... Perder os pais tão cedo... Farei o possível para educá-la e dar a ela tudo o que ela precisa.

-Obrigada – agradeceu a diretora.

Frieda saiu da sala. O plano havia funcionado. Perfeitamente. Serena agora estava sob os seus cuidados, e ela podia fazer o que quisesse com a garota.

Encontrou-a encolhida, sentada no chão de um corredor. Frieda sorriu para ela, que chorava compulsivamente, e avisou.

-Guarde as lágrimas para depois. O terror está só começando... Agora eu posso tudo.

Ela afastou-se. Serena chorou ainda mais.

Com Frieda no comando, tudo poderia acontecer...

-E aí, como vai o meu paciente? – Lorenzo perguntou a Rony, que continuava repousando.

-Bem melhor – respondeu o garoto.

-Acho que amanhã você já pode retornar a escola e... – Lorenzo interrompeu-se, ao ver que alguém entrava pelos corredores do bar. Poucos segundos depois, surgiu Ted Bacon. – Ted! E aí, como vai a Bruxetes?

-Se aproximando da inauguração – Ted respondeu, animado. – Será um sucesso, com certeza.

-Bruxetes??

-Sim, Rony, uma loja de peças femininas que o meu amigo Ted vai abrir aqui em Hogsmeade – respondeu Lorenzo.

-Ah... Peças íntimas?

-Também – respondeu Ted.

-Não sei como agradecer por ter salvo a minha vida, Lorenzo – disse Rony com sinceridade. – Muito obrigado.

-Ah mas eu sei uma maneira de você me agradecer! Que tal se você ser o responsável em iniciar a divulgação da primeira festa clandestina do Lorenzo´s?

-Claro!! Adoraria!

-Festa clandestina? – indagou Ted.

-Sim, meu amigo! Festa com tudo o que essa juventude adora! Muita comida, bebidas proibidas para menores e espaço para altas sacanagens! Tudo isso bem escondido no meu salão subterrâneo!

-Há um salão secreto aqui? – Ted estava admirado.

-Sim, caro Ted, e na segunda, durante a noite e a madrugada, a garotada de Hogwarts vai botar para quebrar nele!

Uma sombra passou pelo corredor atrás de Ted, mas não passou despercebida por Lorenzo. Aquela ele sabia muito bem a quem pertencia...

-Walter! Walter!

O bruxo retornou.

-Pois não?

-Posso saber onde o senhor se meteu?

-Fui beber algumas cervejas no Três Vassouras, só isso...

-Ah... – Lorenzo franziu a testa, intrigado. – Tudo bem...

Walter sorriu e levou a mão ao bolso. Estava carregado de moedas. Oh, o que um carro desgovernado e algumas gotas de sangue derramado não eram capazes de trazer...

Lanísia analisava o próprio corpo, pedindo para as garotas observarem também.

-Digam... Estou bem?

-Você está ótima – respondeu Joyce. – Agora, francamente, não entendo o porque dessa paranóia toda...

Lanísia não podia confessar, embora quisesse muito. Ela ia ser a diva do Bruxetes. Experimentaria todas as peças. Se ficasse maravilhosa, a peça ia ser posta a venda, caso contrário, nem pensar.

-Chega de ficar olhando a Lanísia, vamos sair um pouco – sugeriu Clarissa.

Assim que saíram, elas encontraram Draco Malfoy. Mione suspirou, aborrecida.

-Oi, Draco.

-Oi Mione... Será que não quer dar uma volta comigo?

Hermione topou, a contragosto. Segurou a mão de Malfoy e os dois passearam pelo castelo, juntinhos. Draco não forçou nada; estava tranqüilo até demais, o que Mione estranhou.

-Draco...

-Oi?

-Vamos ficar andando nesse silêncio?

-Sim... – ele sorriu ao responder; Mione não entendeu aquele sorriso.

-Por que?

-Porque o que eu quero fazer não precisa de palavras... – ele a puxou para perto de si com força. – Precisa de atos.

E a beijou. Mione pensou em fugir, mas o calor do momento a envolveu; a maneira como Draco a segurava com brutalidade, também; não era delicado, mas aquele ato bruto e selvagem de puxá-la para si com força a deixou encantada, excitada, maravilhada.

O beijo foi maravilhoso. Estavam coladinhos. Mione sentia a excitação crescer entre as pernas de Draco, um convidado inesperado por baixo das jeans do garoto, e aquilo a faz sentir um fogo devastador. Uma vontade louca de explorar cada canto do corpo de Draco e perder-se em uma imensidão de prazer.

As mãos de Draco tocaram seu bumbum, e ao invés de raiva, ela ficou felicíssima.

-Devasso... – ela disse.

-Delícia – ele respondeu.

Draco a jogou no chão com a mesma brutalidade. Mione sentiu uma pontada de dor nas costas, mas aquele ato foi igualmente excitante, animal.

Ele tirou a camisa, ficando com o peito nu. Apenas de jeans, Draco agachou-se no chão e novamente a envolveu num beijo acalorado. Mione agarrou-o, arranhando as costas do rapaz com suas unhas, o chamando para mais perto, o convidando a conhecê-la um pouco mais...

-Delícia... – ela disse.

-Ah devassa – ele respondeu.

Agora ambos estavam envolvidos na mesma labareda do desejo. Draco ia abrir a braguilha da calça quando Mione lembrou-se de Rony e, de repente, saiu do clima.

-Não posso...

-Ãh? – Draco levantou-se, estranhando. – Por que?

Ele pousou a mão no ombro dela, contato suficiente para criar uma nova carga de desejo.

-Eu quero, Draco... Gosto de você, você sabe disso, mas... Agora não...

-Será que eu preciso conseguir a força? – ele apertou o braço dela; brutalidade avassaladora...

Não teve como não se envolver e responder, sensualmente:

-Talvez.

Ela fugiu, correndo. Draco sorriu, vestindo a camisa.

Mione também sorria. Não imaginava que Draco pudesse ser tão fantástico; não esperava que um dia a brutalidade e a safadeza de um garoto a atrairia mais do que palavras bonitinhas. Ela estava contente; contente por estar fugindo, por provocar Draco, porque, quando acontecesse alguma coisa, seria...

Mas não. Seu sorriso murchou. Ela amava Rony.

Mas o ato safado não foi mais atraente? Mais divertido? Mais gostoso?

Ela queria Draco.

Amava Rony e queria Draco.

Queria Draco perto dela, para tocá-lo, para tê-lo para si, para ele pegá-la de jeito, e enlaçá-la com força...

Ah, o fogo chamado Draco crescia... Surgira de repente e já virara labareda.

Causaria um incêndio se ele a jogasse no chão novamente, daquela mesma maneira.


N/A: Fiquei duas semanas sem o pc, por isso esse capítulo demorou mais para sair. Espero que tenham gostado, e aguardo os comentários! Obrigado!