CAPÍTULO 15

Compartilhando camas e corações

Duas pessoas não podem ocupar um mesmo coração...

Ela devia fingir que estava apaixonada por Malfoy, e não se apaixonar por ele...

-Apenas estou pensando em Rony, só isso...

-É o que veremos, Alone – desafiou Colin... -Sim, é o que veremos – ela repetiu, caminhando até Harry.

...e quando se é obrigado a compartilhar a mesma cama com alguém indesejável, as coisas ficam complicadas...

-...vão compartilhar essa cama por todas as noites...

O que vai acontecer?


Draco parou de seguir Hermione quando chegaram em um local onde podiam ser vistos. A garota, mais à frente, parou e voltou-se para ele. Draco estava ofegante e molhado de suor. Mesmo aquela distância, Mione não pôde deixar de notar as gotículas graciosas de suor que escorregavam pela pele do rapaz, assim como o movimento acelerado de seu abdome e o volume audacioso que se insinuava dentro das jeans.

-Não vai me deixar desse jeito, vai? – ele perguntou, com uma falsa ingenuidade que se tornou adorável.

-Ah pensei que você fosse o dono da situação... – ela brincou. – Aquele que não agia com palavras, e sim com atos...

-E ainda sou o mesmo. Sou capaz de enquadrá-la aí mesmo...

-Novamente, está agindo com palavras...

-Ah é? Duvida que eu vou até aí então? – ele começou a avançar lentamente.

Hermione, sorrindo, começou a caminhar para trás.

-Draco, não... Não faça isso...

-Eu vou pegar você... E dar uma surra da qual você nunca vai esquecer... E, o melhor, ainda vai pedir bis!

Ele voltou a correr; Mione, mal conseguindo se recuperar da indireta maravilhosa que acabara de receber, também voltou a fugir. O sorriso não escapava de seu rosto; era incrível sentir-se perseguida por alguém que a queria daquela forma louca e caliente, que se a pegasse a amaria delirantemente.

Alguns estudantes passaram pelos dois e estranharam a cena da garota sendo perseguida por um rapaz sem camisa. Mas Draco não se importou; aceitara o desafio de Hermione e por ele não pararia de persegui-la nem se McGonagall surgisse de repente.

Ele não tirava os olhos da jovem que corria a sua frente; os cabelos que esvoaçavam; o movimento dos quadris; a cintura que se insinuava por baixo da blusinha; um fruto viscoso e suculento com o qual ele desejava se lambuzar, desfrutar e devorar...

Mione parou quando chegou à entrada da sala comunal, mas não houve tempo suficiente para dizer a senha a Mulher Gorda. Draco, finalmente alcançando-a, a puxou pelo braço com aquela mesma brutalidade escaldante e, trazendo-a para mais perto, disse, malicioso:

-Só não vou jogá-la no chão agora mesmo porque estamos em frente à sala comunal, senão...

-O que faria, Draco?

-Nem queira saber... Ou melhor, você vai saber, mas na hora certa. Sem avisos. Inesperadamente. As coisas que eu vou aprontar você nunca vai esquecer.

-Quero só ver...

-Vai ver.

Ele a soltou. Mione, olhando fixamente para o garoto, disse a senha a Mulher Gorda e, quando o retrato se abriu revelando a entrada para a sala comunal, ela adentrou o recinto, só deixando de olhá-lo quando isso não era mais possível.

A passagem se fechou. Mione encostou-se e, suspirando, deixou o corpo deslizar pela parede até chegar ao chão. Balançou a cabeça e riu de si mesma, recordando o que havia acabado de acontecer. Ela e Draco eram dois malucos... Que idéia foi aquela de sair correndo daquela maneira pelos corredores? Por que agora parecia absurdo, mas na hora fora esplêndido?

Não importava; eram questionamentos inúteis. Tudo o que importava era Draco. Draco e tudo o que ele podia oferecer...

(não!)

...a ela...

(NÃO!)

Pare! Foi o que Hermione ordenou a ela mesma. Que pensamentos eram esses? Ela desconhecia a Hermione revelada por eles e por tudo o que havia acontecido.

Uma Hermione que se sentia atraída por Draco Malfoy? Uma Hermione que provocava um garoto em voz alta? Onde estava a Hermione perdidamente apaixonada por Rony?

Ela devia fingir que estava apaixonada por Malfoy, e não se apaixonar por ele...

Mione suspirou novamente e levantou-se; ela não conseguia mais suportar o calor que irradiava de seu corpo. Precisando refrescar não só o corpo como também os pensamentos, ela saiu da sala comunal para ir até um dos banheiros e tomar um banho.


Colin e Harry afastaram-se, como se dessa maneira pudessem mudar o que Alone já tinha visto. Não havia mais como reverter a situação, ainda mais quando Colin viu a caixa de fotos aberta aos pés da garota. Aquilo o irritou profundamente, de modo que ele descontrolou-se e, esquecendo-se de todo o resto, avançou em sua direção.

-O que pensa que está fazendo? – ele perguntou, abaixando-se e começando a arrumar as fotografias. – Acha que pode mexer nas coisas dos outros desse jeito?

-Eu é quem digo isso, Colin... – murmurou Alone, ainda chocada; ela olhou novamente para a foto do beijo, e seu estômago rodopiou. – Acha que pode mexer nos sentimentos dos outros desse jeito?

-Mas... – ele levantou-se, franzindo a testa. – Mas do que você está falando?

-Você sabia... Você sempre soube, sempre soube que eu era apaixonada pelo Harry! Sempre apoiou, sempre lançou palavras de incentivo! E agora descubro que, enquanto você me ajudava, me apunhalava pelas costas?

-Mas...

-Ou melhor, me apunhalava, não... Apunhalava o Harry, e muito bem apunhalado! E com algo que fica bem aí no meio de suas pernas!

-Não fale dessa maneira! – vociferou Colin, irritado.

-Falo sim! Porque é a mais pura verdade! Vai dizer que não é? Vai dizer que não se esfregava com o Harry logo depois de ter consolado a sua amiga apaixonada?

-Não, não vou negar... Mas o que você queria que eu fizesse? Chegasse perto de você, colocasse a mão em seu ombro e, solenemente, anunciasse: "Querida amiga, o rapaz que você tanto ama não foi feito para você. Ele não gosta de mulheres; ele gosta de garotos, garotos como eu. E, a propósito, ele está comigo agora. Estamos juntos, namorando. Os lábios que você deseja são beijados pelos meus. O corpo que você tanto quer está sempre colado ao meu. O..".

-Pare, chega! – Alone gritou, descontrolando-se. – Chega dessa ironia absurda!

-Eu preciso fazer com que você entenda que não fiz por mal! – insistiu Colin. – Que as coisas não são tão simples assim, que não era fácil chegar até você e contar toda a verdade! Pensa que foi fácil, Alone? Pensa que foi simples ter que esconder tudo isso de você? Ouvir você sussurrando de paixão, suspirando, sonhando com coisas que, eu sabia, você nunca teria com ele? Sentia-me um falso? Sim, sentia-me muito falso. Mas, o que poderia fazer? Abrindo o jogo com você eu maculava o meu nome, e, conseqüentemente, o de Harry também. Você saberia a verdade sobre nós, saberia do que gostamos de verdade. O que aconteceria? Catástrofe total.

Um instante de silêncio perturbador, onde Colin observava Alone, Alone olhava para o chão, e Harry, calado desde o início da discussão, também olhava para Alone.

Alone soltou um prolongado suspiro e esfregou os olhos.

-Isso parece mentira...

-É, eu sei – concordou Colin. – Mas você já teve provas materiais mais do que suficientes, através dessas fotos, para perceber que não se trata de uma mentira.

-Você e Harry, juntos... – Alone não suportou e sentou-se no chão, encostando-se a parede. – O meu melhor amigo roubando o meu garoto... Poderia esperar isso de uma amiga sacana, mas nunca de um amigo homem...

-Sei que a situação é difícil, Alone, mas...

-Mas é difícil entender você, Colin. Você pode ter se explicado, e realmente foi convincente na maior parte de sua explicação, mas mesmo assim, é complicado. Tem todos os toques de uma traição, e uma traição bem formulada. Daquelas que a enganada não enxerga nem um punhado da verdade. Você se pegava com o Harry pelos corredores e eu não captei sinal algum. O bote perfeito.

-Não se refira a mim utilizando movimentos de serpentes, Alone – protestou Colin.

-É inevitável! Foi a traição perfeita, não há como negar! – ela respirou fundo. – Mas, tudo bem... Tudo bem. Afinal, tudo isso faz parte do passado. Você e muita gente dessa escola já estão sabendo que agora o Harry só tem olhos para mim... – os olhos dela brilharam de satisfação ao olhar para o amigo.

Colin deu uma risadinha.

-Você não vai querer ficar com ele depois do que... Depois do que você ouviu e viu aqui, vai?

-Ah, vou sim... – Alone foi levantando-se lentamente, sem tirar os olhos faiscantes de seu oponente. – Pode ter certeza que vou...

-Mas... Alone, você... Você viu as fotos dele seminu na cama... A foto do beijo... Nossa discussão, e... Mesmo assim vai querer... – ele olhou para Harry. – Ficar com ele?

-Já disse que vou, Colin... – ela não podia deixar de sorrir diante da incredulidade do garoto.

-É... Surpreendente... – ele balançou a cabeça. – Mas você agora sabe que ele não gosta de mulheres! Ele nunca vai sentir-se atraído por você, Alone! Harry pode estar meio confuso agora, mas é passageiro e, no fundo, no fundo, ele quer somente a mim.

Alone riu.

-Ah querido, sinto muito. Mas muita coisa mudou de uns tempos pra cá. Harry está totalmente diferente. Agora ele quer a mim. É capaz de fazer qualquer coisa que eu pedir, e um simples toque de meus dedos incendeia-lhe o corpo. É só ver meu corpo, esse corpo lindo e feminino, para algumas partes de Harry entrarem em ebulição e atingirem o êxtase total...

-Nada feminino atrai o Harry, Alone.

-Atrai sim... E você também sabe que agora atrai sim.

Colin engoliu em seco.

-Como eu já disse, é tudo passageiro, e...

-E se não for, Colin? E se Harry preferir o meu corpo ao seu corpo? E se ele mudou totalmente?

-Impossível. Sei de tudo o que eu vivi ao lado dele, Alone, e posso lhe assegurar que foi tudo verdadeiro!

-Claro, não estou dizendo que não foi verdadeiro, Colin. Mas, agora, tudo o que rolou entre vocês é passado. Passado. O tempo que já se foi, e só pode ser lembrado. No presente, Harry quer a mim, e sempre vai ser assim.

Os olhos de Alone e Colin trocavam ondas invisíveis de fúria.

-É o que veremos, Alone – desafiou Colin.

-Sim, é o que veremos – ela repetiu, caminhando até Harry; o jovem estremeceu. Alone começou a fazer círculos ao redor dele, enquanto o alisava com a mão, tudo acompanhado pelo olhar de Colin. – E então, Harry? Os toques de meus dedos são bons para você?

-Sim... – Harry fechou os olhos, ofegante. – Muito...

-Perfeito – Alone parou de alisá-lo e dirigiu-se até Colin. – Viu como anda a intensidade de meu toque? Será que não é melhor já desistir dele?

-Acho que não. Porque, para mim, Harry acordará, de uma hora para outra, e voltará a ser como era antes. Ele verá que o lugar dele é ao meu lado, e não ao seu lado, Alone.

-Bom, eu tenho os meus truques de sedução, você tem os seus. Eu tenho os atributos do meu corpo a oferecer, você tem os seus. Atributos bem diferentes. Veremos qual de nós terminará ao lado de Harry Potter.

-Veremos.

-Sem regras. Sem limites. Vale tudo.

Alone lançou um último olhar de desdém para Colin e, em seguida, jogou a foto do beijo no chão.

-É melhor arrumar essas fotos e guardar na caixa... Você precisará delas para relembrar dos velhos tempos, Colin. Velhos tempos que não voltarão jamais.

Ela afastou-se, os saltos provocando ruídos ensurdecedores pelo corredor.

Colin arrumou as fotos na caixa e, quando se levantou, Harry também havia desaparecido...

O confuso Harry caminhava a esmo pelos corredores. Seu coração dividido palpitava acelerado dentro do peito... Alone virara uma fixação constante há poucos dias atrás; Colin começava a desaparecer de sua mente. A cada minuto, a cada segundo, Colin ia perdendo força, enquanto Alone vinha crescendo, tomando posse de seu sentimento, de seu corpo, de todo o seu ser, um fogo devastador nascido ele não sabia de onde, mas que ficava cada vez mais forte.

Duas pessoas em seu coração; dois sexos opostos.

Dois corpos não podem ocupar um mesmo espaço.

Duas pessoas não podem ocupar um só coração.

Alguém devia ser expulso.

Quem seria?

Naquele mesmo instante, essas duas pessoas já começavam a bolar cada qual uma maneira de se manter dentro do coração de Harry Potter.


Lanísia, Joyce e Clarissa passeavam pelo castelo, aproveitando as últimas horas do domingo...

-E então, Joyce, acha que já está preparada para enfrentar todo o poder de seu querido Juca Slooper? – perguntou Clarissa.

-Nãããão! Está louca? Nem comecei o treinamento da minha amiguinha...

-A Perereca Arreganhada tenta de todas as formas vencer a batalha contra o Superpinto – anunciou Lanísia. – A Perereca Arreganhada encontra-se em intenso treinamento, adquirindo novos poderes para resistir ao maldoso Superpinto. Como a Perereca terminará essa batalha? Molhada em sangue? Ou molhada de...

-Chega, Lanísia! – Joyce zangou-se novamente. – Fico encabulada com esse tipo de brincadeira... Sou muito tímida, vocês sabem disso...

Lanísia e Clarissa gargalharam.

-Mas, como ia dizendo, o treinamento está apenas no início. Vou procurar outras táticas, colocá-las em prática e, só depois que me sentir totalmente preparada, cederei ao grande talento de Juca...

-Falando de mim pelos corredores, Joyce?

Ela empalideceu; não o encarava desde o Baile, desde que vira a silhueta dele pulando e dançando atrás da cortina, com aquela coisa gigantesca saindo do meio das pernas. Juca a olhava com o mesmo carinho de sempre, o mesmo rosto simpático e gentil...

-Eu queria saber se... Você está brava comigo, Joyce...

-Eu, brava? Imagine...

-Você saiu correndo do... – ele lançou um olhar constrangido para as outras duas garotas. Pigarreou. – Daquele lugar onde estávamos...

-É... Pois é... Eu tive que sair...

-Ah... Mas não foi por minha causa... Foi?

-Não! Não, Juca, imagine! Não foi por sua causa. Você estava maravilhoso.

-Ah... Então, continuamos na mesma?

-Sim. Continuamos na mesma. Nos conhecendo... Cada vez melhor...

Ele sorriu. A puxou para um abraço antes que Joyce pudesse se desvencilhar. Um abraço apertado. Joyce arregalou os olhos quando o seu corpo tocou algo bem rígido dentro das calças de Juca.

-Fiquei tão preocupado... – disse ele.

Joyce estremeceu, querendo se desvencilhar... Como era sólido, oh, exageradamente sólido... Chegava a doer a pressão contra o seu corpo...

-...achei que estava chateada comigo.

Se doía a pressão contra a sua coxa, imagine como não destruiria a amiguinha?

-Tudo bem, Juca! – ela finalmente conseguiu se desvencilhar. Sorriu, disfarçando. – Está tudo certo.

-Ah, vem cá, mais um abraço...

-NÃO!

Juca assustou-se; Lanísia e Clarissa também.

Ela coçou os cabelos e sorriu.

-É... Fico meio encabulada diante de minhas amigas...

-Ah, entendi... Mas posso apertá-la em outro lugar, hein? Hein?

-É... Com certeza! – ela ria, disfarçando o seu receio.

-Vou deixá-las a sós. Preciso ver se chegou uma encomenda dos meus pais, que estou aguardando. Mas, você sabe, quando precisar de mim, não só para essas coisas, mas para qualquer problema que você tiver, pode me procurar. Estarei a sua disposição para o que der e vier.

A maneira graciosa como ele falou aquelas palavras enterneceu Joyce, que não resistiu e deu-lhe um rápido beijo nos lábios.

-Sim. Eu procurarei.

Juca suspirou, contente e, com as faces coradas, afastou-se. No meio do caminho tirou a varinha de dentro do bolso da frente, varinha que tanto apertou e assustou Joyce, que imaginava ser algo bem diferente...

-É... Quem vê cara, não vê pênis...

-É, mas quem vê pé, vê pênis...

-Lanísia! – exclamou Clarissa, horrorizada.

-Ah, não sei se é verdade, mas foi o que eu ouvi falar...

-Que besteira... – disse Clarissa, cruzando os braços. – Pode me explicar o que significa? – perguntou, subitamente.

-É simples: o tamanho do pé indica o tamanho do negócio! Foi isso que ouvi falar, pelo menos...

-Quem falou isso? Só pode ter sido uma bela de uma vaca...

-Minha mãe.

Clarissa mordeu os lábios, sem graça, enquanto Lanísia a observava; Joyce segurava a risada.

-Oh... Sua mãe... Legal! – disfarçou Clarissa.

-Bom... Então, como ia dizendo, o pé corresponde ao tamanho do dito-cujo. Ou seja: pés pequenos, toquinhos. Pés grandes, troncos!!

-Será que é verdade? – perguntou Joyce.

-Ela conversava com a amiga dela, e jurava que sim... Não que ela tenha visto muitos, claro, mas... Deve ter visto mais de um, eu acho... – Lanísia corou.

-Dos caras com quem dormi nunca parei para reparar no pé... – falou Joyce. – Eu já reparava em outras coisas.

-É, mas saber desse truque pode ser muito útil. E poderemos saber quem tem algo de bom tamanho a oferecer sem precisar tirar as calças do indivíduo! – disse Lanísia.

-Quer saber? Vou tirar isso da cabeça – falou Clarissa. – E todas devíamos fazer isso. Deve ser uma baita de uma lenda, sem nexo algum, e...

Juca Slooper voltava pelo corredor, agora acompanhado de Lewis Lambert.

E andava devagar, quase mancando...

-...juro pra você, Juca, foi essa a encomenda que a coruja trouxe a você – falava Lewis.

-Droga... – gemeu Juca. – Não serve mesmo...

Elas baixaram a cabeça no mesmo instante; Juca se arrastava, com sapatos gigantescos nos pés, sendo que a parte de trás de seus pés pendiam para fora, bem maiores do que os sapatos.

Os queixos das três quase tocaram o chão...

-Já avisei para enviarem sapatos com o meu número! – protestava Juca. Ele acenou para as garotas. – Olá, novamente, meninas!

-Oi... – balbuciaram elas.

-Não adianta, Lewis, meus pés não vão entrar de jeito nenhum!

-Tente mais, Juca!

-Estou tentando... – e lá se foi Juca Slooper, tentando encaixar os pés naqueles sapatos gigantescos.

-Oh... – Joyce estava sem cor.

-Calma, Joyce, calma, amiga! – pediu Clarissa, segurando-lhe a mão gelada.

-V-vocês vi-viram? – ela gaguejou. – Oh, que pé é aquele?? – ela afastou as mãos e indicou o tamanho aproximado.

-Juca é superdotado... E possui pés enormes! – falou Lanísia. – Viram? É tudo verdade!

-Será?? – perguntou Joyce.

-Eu não sei... Só sei que preciso ver os pés de pelo menos uma dúzia de meninos! – falou Clarissa, saindo correndo, sendo seguida pelas amigas.


Lewis e Juca esbarraram em Serena, que continuava sentada no chão do corredor, chorando.

-Querida! – exclamou Lewis, abraçando-a. – Minha nossa... O que aconteceu? Por que está tão pálida e... Chorando?

-Meus pais, Lewis... – balbuciou ela. – Meus pais estão mortos...

-O quê? – perguntou ele, incrédulo.

-Sim... Parece mentira, mas infelizmente não é. Estão mortos, e eu nada posso fazer para trazê-los de volta...

-Oh acalme-se – ele aumentou a intensidade do abraço. – Você tem a mim, e eu nunca vou deixá-la.

-Obrigada – ela respondeu.

Lewis não podia imaginar o quanto aquilo era verdade; ela só tinha ele agora. Havia perdido os pais; agora só lhe restava aquele irmão... O irmão que ela ainda amava como homem.

-E isso não é tudo, Lewis...

-Não?? – ele assustou-se. – Aconteceu mais alguma coisa?

-Sim. McGonagall mostrou-me um documento, assinado por meu próprio pai, que diz que, ocorrendo qualquer incidente com ele e com a minha mãe, eu deveria passar aos cuidados de Frieda Lambert.

Lewis franziu a testa.

-Minha mãe?

-Exatamente.

-Você... tem certeza?

-Absoluta. Isso também parece mentira, mas é a mais pura verdade. Tão horrenda quanto a outra.

-Mas com certeza a minha mãe odiou isso. Ela nunca vai aceitar cuidar de você, mesmo que seja até você atingir a maioridade, e...

-Pelo contrário. Ela adorou.

-Jura?? – Lewis estava perplexo.

-Juro. A partir de hoje, quem possui o total controle sobre a minha vida é a sua mãe, Lewis.

Ele respirou fundo; era muita informação surpreendente ao mesmo tempo para uma pessoa só.

-Não entendo porque...

-Não há o que entender, Lewis – disse uma voz sombria às costas do garoto; e lá estava a imponente Frieda Lambert.

-Mamãe!

-Creio que a sua namorada já lhe informou tudo o que ocorreu – ela suspirou. – Um acontecimento trágico, terrível, inesperado... Mas é um fato, a vida não pára, tudo continua. Os pais de Serena, precavidos, já tinham deixado um documento assinado informando a quem os cuidados de Serena deviam ser deixados caso ocorresse algum incidente. Também fiquei surpresa ao encontrar o meu nome no documento, mas, como pode-se constatar através dele, Brian e Florence me consideravam uma pessoa competente, e com disposição suficiente para cuidar e amar Serena como uma filha.

-Hipócrita!

-Serena! – Lewis a segurou pelos ombros. – Controle-se!

Serena fechou os olhos e tomou ar, procurando se acalmar.

-Sei que me odeia, querida, mas farei o possível para que você não me veja mais como uma inimiga. Para demonstrar o quanto a quero perto de mim, a ordeno que vá dormir em meus aposentos a partir de hoje, junto a mim e seu irmão.

-Nunca!

-Eu não queria parecer uma mulher chata e mandona, mas não foi um pedido, querida... Eu disse que eu ordeno. E, como sua nova mãe, tenho todo o direito de fazer isso... – ela sorria, e só Serena enxergava a maldade que havia naquele sorriso, maldade que também se encontrava oculta em cada uma daquelas frases.

Serena enxugou as lágrimas e fitou Frieda. Ela estava certa; agora podia tudo. Não havia maneira de lutar contra isso...

-Está bem – concordou a garota. – Vou dormir em seu dormitório.

-Perfeito! – Frieda comemorou. – Posso lhe garantir que serão noites inesquecíveis.

A professora afastou-se, deixando no ar o cheiro de seu perfume suave – e enjoativo, na opinião de Serena – cheiro de Frieda, lhe dava náuseas...

-Espero que essas brigas entre vocês se tornem menos freqüentes agora – disse Lewis, esperançoso.

Serena quase disse que era impossível, mas deixou o namorado ter essa esperança.

-Então hoje, depois do jantar, subimos ao salão comunal para arrumar as suas coisas. Depois vamos juntos ao dormitório de minha mãe... Tudo bem?

Ela concordou.

-Obrigada, Lewis... Obrigada por existir. Por seu apoio. Seu amor e carinho.

-Estou ao seu lado para o que der e vier. Sempre – ele beijou-lhe a mão e ajudou-a a se levantar.

Abraçado a garota, Lewis levou-a até a sala comunal, mais precisamente até o dormitório, onde Serena poderia ficar sozinha e repousar tranqüilamente.

Ele colocou-a na cama, a cobriu com um lençol e, beijando-lhe a testa, desejou que pudesse descansar um pouco, apesar de todos os problemas. Lewis fechou a porta do dormitório e, mesmo depois disso, Serena ouviu seus passos em frente à porta; ele não sairia dali tão cedo...

Desconsolada, deitada na cama, Serena pensava porque o homem perfeito tinha que ser seu irmão...


Começava a anoitecer. O teto encantado do Salão Principal escurecia lentamente, enquanto vários estudantes apareciam para o jantar. Postadas próximas às portas de entrada do salão, Clarissa, Joyce e Lanísia observavam os rapazes que entravam no salão... Ou melhor, os pés dos rapazes...

-Veja quem vem vindo, o Crabbe! – comentou Clarissa. – Ele é bem parrudo.

-Deve ser enorme – Joyce revirou os olhos.

-Controle-se! – ralhou Lanísia. – Psiu! Está chegando, disfarcem!

Elas começaram a disfarçar. Crabbe aproximou-se, e todas lançaram olhares para os seus pés. Surpreenderam-se ao encontrarem um pé minúsculo. Surpreenderam-se tanto que Joyce não agüentou:

-Ah não, que porcaria é essa? – disse, em voz alta, apontando para os pés do grandalhão.

-Joyce... – murmurou Clarissa, apavorada.

Crabbe olhou para as garotas.

-Algum problema? – perguntou, irritado.

-Sim! – concordou Joyce, enquanto Clarissa e Lanísia se contorciam de vergonha. – Você devia se envergonhar de ser essa fraude, sabia? Desse tamanho e com um pé...

-Chega! Chega! – intrometeu-se Lanísia, sorrindo exagerada para Crabbe. – Não liga pra ela não, viu? Ela anda tomando Demência às escondidas, e isso a está afetando um pouco...

-Não, não, agora quero saber o que ela ia falar do meu pé.

-Ela ia falar que... Que... – Lanísia olhou para os sapatos dele e teve uma idéia. – Ia falar que seus sapatos são lindos... Maravilhosos...

-Sei... – ele lançou um olhar desconfiado. – E por que sou uma fraude?

-Porque... Porque antes de ver esses sapatos, ela não achava que você tivesse estilo, sabe... O seu jeito engana... É, foi isso... Mas agora ela acha que você sabe escolher muito bem o que vestir, principalmente os sapatos. Olha, que coisa linda!

Ela apontou para os sapatos.

Draco, que havia surgido ao lado de Crabbe, suspirou.

-É cada uma que me aparece... – comentou, entrando no salão ao lado do amigo.

Lanísia respirou fundo.

-Ai, essa foi por pouco...

-Será que não dá para se controlar um pouco mais, Joyce? – perguntou Clarissa.

-Ah não tenho culpa. Vocês viram os pezinhos da donzela? – ela riu. – Imagine aquela coisa excitada. O garoto gigantesco e aquele toquinho saindo do meio das pernas. É caso da mulher perguntar: cadê o seu negócio? Não to enxergando...

-Será que é tão minúsculo assim?

-Claro que é, Clarissa. Não deve servir nem pra fazer cócegas na amiguinha...

-Humm... Malfoy...

Lanísia olhava para os pés do rapaz; Clarissa e Joyce também espiaram.

-Ele tem pé grande, hein – disse Lanísia.

-Oh se tem – comentou Joyce.

-Nesse aspecto Hermione estará bem servida – falou Lanísia.

-Ela só está fingindo que gosta dele, não esqueçam disso – recordou Clarissa, irritada. – O amor da vida dela é o Rony.

-Por enquanto, não é? – disse Lanísia. – Agora... Qual será o número do Draco?

-Acho que deve calçar 41 – calculou Joyce.

-E o Crabbe?

-Humm... 22?

Elas gargalharam.

-Brincadeira – disse Joyce. – Mas deve ser uns 35.

-Até agora não encontrei nenhum como o do Juca... – falou Lanísia. – Falando nele...

Juca acenou para as meninas, e ia passando direto quando Joyce o chamou.

-Juquinha, só queria fazer uma pergunta... que número você calça?

-48.

As três abriram a boca em espanto, tudo ao mesmo tempo.

-Algum problema? – ele perguntou, assustado.

-Não, é só isso mesmo... – disse Joyce, ainda chocada.

-Tchau!

Ele entrou no Salão, arrastando aqueles dois transatlânticos chamados de pés.

-Esse garoto é um fenômeno! – comentou Lanísia a Joyce.

-É tudo grande... É tudo gigantesco... Eu falo, é por isso que preciso de treinamento...

-Eu estou pasma – falou Clarissa. – Esperava um número elevado depois de ver os pés enormes, mas nunca esperava que fosse... 48...

-O maior pé de Hogwarts, aposto... – disse Lanísia.

-Ou seja... o maior negócio também – falou Joyce, com um misto de alegria e receio.

-Meninas!

Era Alone, que parecia muito agitada.

-Vocês não sabem o que eu descobri...

-Vocês não sabem o que aconteceu – falou Mione, que também surgia naquele instante.

-Vocês não sabem o que houve... – disse a Serena pálida que acabava de aparecer.

Joyce estalou os dedos.

-Reunião de emergência!


Joyce já tinha ouvido o relato das Encalhadas e agora encerrava a reunião.

-O problema de Serena, apesar de ser terrível, não tem solução, infelizmente. Todas lamentamos muito a perda de seus pais, Encalhada. Quanto a ter que obedecer a Frieda Lambert, realmente foi outro golpe cruel do destino. Mas, também nesse problema, você não terá escolha. É melhor obedecer e ir dormir no dormitório de Frieda.

-Isso pode tornar-se um problema, vocês não vêem? – perguntou Serena. – Lewis anda querendo transar comigo, e eu vou estar ali, perto dele!

-A cama de Lewis fica separada da cama de Frieda, eu já vi uma vez – falou Joyce. – Com certeza ela não vai deixar que você durma no mesmo quarto que ele...

-Sem falar que Lewis não tocaria em você agora. Seus pais acabaram de partir... – opinou Mione.

-Frieda deu a entender que não será só essa noite, Mione. Virão muitas outras. Espero mesmo que seja em quartos separados, senão... Estou perdida.

-Agora, o problema de Hermione... – começou Joyce. – Não é exatamente um problema, não é? Se você se apaixonar pelo Draco será perfeito, afinal, foi o nome dele que você jogou no fogo, e...

-Não! Não! – Mione levantou-se da mesa; elas estavam, como sempre, na biblioteca. – Isso não é certo! Eu amo o Rony. O carinho e o amor de Rony é que me faz feliz, não a safadeza do Malfoy!

-Você curtiu a safadeza, Mione, senão não teria deixado ele ir tão longe – comentou Lanísia.

-É... Posso ter curtido, ter gostado... Mas a vida não é só isso! Não é só prazer, curtição... Precisamos de amor, de carinho...

-E não se pode ter as duas coisas? – perguntou Lanísia. – Não é possível curtir e também gostar?

Mione ficou sem resposta.

-Sexo e amor precisam estar ligados, Mione – disse Lanísia. – Você precisa gostar da pessoa, mas também tem que rolar desejo, tesão por ela. Assim, se você procura alguém pra vida toda, claro.

-É verdade – concordou Joyce. – Alguém que satisfaça seus desejos carnais, assim como os caprichos de seu coração...

-Ah não concordo! – protestou Clarissa.

Aquilo era só o que faltava; Hermione começando a gostar das investidas de Draco Malfoy. Armara todo aquele plano porque podia jurar que Mione sempre amaria Rony Weasley, que nunca corresponderia Malfoy e que, por esse motivo, Malfoy mataria Rony. E, agora... Hermione, além de enganar Draco com um namoro falso, começa a gostar do garoto. Se ela se decidisse por Malfoy, como Clarissa se livraria de Rony?

-Hermione, o certo é você não cair na conversa mole do Draco! – falou Clarissa.

-É? – estranhou Mione.

-Sim! Claro!! Na verdade, você ama o Rony, e não quer nem saber do Draco! Esse é um relacionamento falso, não se esqueça disso! Você só está com ele por um erro meu, e para salvar as Encalhadas! Não pode confundir as coisas!

-É... Acho que estou confusa mesmo...

-É claro que está! Mas siga o conselho de sua amiga: Rony é a melhor opção!

Mione concordou com a cabeça.

-Vou tentar me lembrar disso... Se aquele fogo, aquela sensação voltar...

-Você teve a opinião de várias Encalhadas, agora siga o que achar melhor – disse Joyce, demonstrando claramente que não concordava com a opinião de Clarissa. – Agora... Alone... Que problemão, hein?

-Nunca vi um triângulo amoroso mais estranho... – comentou Lanísia.

-Dois garotos e uma garota... – falou Alone. – Os dois garotos querem a mesma garota? Nããão... Um dos garotos e a garota brigam pelo mesmo garoto, que gostava de garotos, mas agora gosta de garotas. Aff... Minha vida é um drama...

Ela bateu a cabeça na mesa, desconsolada.

-Então você desafiou o Colin para um jogo de conquista, mas sabe muito bem que tem muita vantagem sobre ele, graças a Fogueira...

-É, eu sei, Joyce. E adoro isso, mané! Colin achando-se melhor do que eu, sem saber que agora Harry não tem olhos para outra mulher, muito menos para outro homem. Só tem olhos para mim...

-Vai mesmo entrar nesse jogo?

-Sim, Mione. Mas não deixarei Harry tocar em mim. Vou continuar deixando louco de vontade, até perder o controle e me atacar. Não vai demorar muito. O poder da Fogueira é lento, vai invadindo aos poucos, mas logo atingirá o ápice.

-Sabem, é tão difícil de acreditar... – comentou Mione. – O Harry... Se agarrando com o Colin...

-Pois é, se não fosse a Fogueira, nunca teria esse garoto para mim – lembrou Alone. – A Fogueira é vital para o meu relacionamento com o Harry.

-Bom, problemas apresentados, possíveis soluções também apresentadas... Dou a reunião como encerrada! – disse Joyce; e todas saíram da biblioteca.

-Vamos jantar agora – disse Serena. – Depois do jantar, Lewis me ajudará a arrumar as minhas coisas, para a primeira noite no quarto da megera.

Elas caminharam até o Salão Principal.

Lewis já se encontrava lá, aguardando Serena.

-Olá, meninas! – em seguida, olhou para a namorada. – Vamos comer alguma coisa?

-Sim, claro – respondeu ela.

-Nossa, Lewis, que pezão...

Lanísia revirava os olhos; Clarissa beliscou-a disfarçadamente.

-O que?? – o rapaz perguntou, confuso.

-Nada, esquece – respondeu Clarissa.

Enquanto Serena foi sentar-se ao lado de Lewis, o resto das Encalhadas sentou-se junto uma das outras. Ao sentar-se, Mione não resistiu e perguntou.

-Por que falou do pé do Lewis, Lanísia?

-Depois te conto. Uma novidade arrasadora sobre pés masculinos...

Mione sorriu e olhou ao redor. Vários casais apaixonados se beijavam e se acariciavam nas mesas das casas. Seu coração ficou apertado, e a lembrança de Rony tomou todos os cantos de sua mente.

O toque. As palavras apaixonadas. Sentir, apenas com um olhar, que era tudo para ele, que por ela ele daria a própria vida. Amor sincero. Forte. Raro.

Naquele momento, por sua causa, ele estava no Lorenzo´s, se recuperando do atentado provocado por Malfoy.

Draco quase acabara com Rony. E, agora, seu coração e seu corpo também queriam aquele garoto cruel...

Mas não foi ela mesma quem criou o monstro do ciúme em Malfoy, ao jogar o nome dele na Fogueira? Quem era o cruel e o errado na história? Draco ou ela mesma?

Hermione suspirou, triste. Naquele momento, sofria a ausência de Rony...

-Algum problema, Hermione? – perguntou Clarissa, em tom de inocência.

-Não, nenhum... Apenas estou pensando em Rony, só isso...

-Você o ama de verdade, não é?

-Muito, muito. Amo mais do que tudo.

-E mais do que todos. Um conselho de amiga, Hermione: não deixe que uma paixão vença o poder de um amor. Amor é algo muito mais forte do que uma paixão.

-Sim, Clarissa, você tem razão... É que estou muito dividida.

-Essas dúvidas serão temporárias, acredite!

-Obrigada – agradeceu Mione, olhando fundo naqueles olhos azuis que mentiam muito bem.

Naquele momento ela nem pensava em Draco Malfoy, apenas em Rony. Amnésia passageira, sem sombra de dúvida. Logo se recordaria dos toques quentes de Draco, e a confusão retornaria a sua cabeça...

Ao seu lado, Clarissa levantou-se, dizendo que ia ao banheiro...

Na verdade, o que ocorrera a garota foi uma idéia súbita. Uma idéia grandiosa que mudava o jogo a seu favor novamente. Precisava de um lugar tranqüilo e silencioso para pensar melhor...

No refúgio e intimidade do toalete, Clarissa pôde expressar o seu pensamento em voz alta.

-Então, ela está bem dividida entre os dois... É, talvez esse sentimento de dúvida não seja tão ruim para os meus planos. Talvez produza um resultado ainda melhor...

Fitando o próprio rosto no espelho, ela disse para seu reflexo.

-Sim!!! Ainda teremos sangue!!


Lorenzo entrou na saleta onde Rony repousava, trazendo em uma bandeja o jantar do garoto.

-Acho que já tem condições de sair andando por aí, mas, como sou um ótimo anfitrião, resolvi trazer o jantar até você – disse Lorenzo, colocando a bandeja ao lado da cama de Rony.

-Obrigado – respondeu Rony, melancólico.

-Algum problema? – perguntou o dono do bar, notando a melancolia que pairava sobre Rony. – Quero dizer, algum problema maior do que quase ter sido assassinado na noite anterior?

Rony deu uma risadinha.

-Sim. Pode acreditar, existe um problema maior do que este. Na noite anterior eu não morri, mas muita coisa dentro de mim faleceu. Morreu a esperança; morreu a alegria de viver; morreram os sonhos; acabou tudo.

-Foi por causa da garota, não é? A que era sua namorada? Hermione?

-É. Por isso mesmo. Ela era tudo para mim, e, de repente, me vejo sem ela. Sempre tive a esperança de ficar com a Mione, carreguei isso por anos a fio, e, quando consigo, surge um rapaz que ela sempre odiou e a tira de mim? É difícil suportar... Queria casar com aquela garota. Queria viver ao lado dela para sempre. Talvez exagerei em meus sonhos, prolonguei-os demais, pensando em coisas que virão só daqui há muitos anos, mas acho que é assim que acontece quando amamos demais.

-É verdade – concordou Lorenzo. – No início de um amor ficamos cegos, nos tornamos escravos da relação. Sonhamos muito, voamos bem alto... Quando ocorre uma queda, a dor é terrível.

-Pois é... Todos os sonhos são destruídos...

Houve um momento de silêncio.

-Mas, sabe de uma coisa, Lorenzo? Não vou desistir assim tão fácil. Tenho certeza que Hermione me ama, ou pelo menos, me amava... Não posso perdê-la com tanta facilidade...

-Sim! Às vezes ainda exista um pouco de amor dentro dela.

-Espero que exista. Sem Hermione, não sei o que farei.

Rony suspirou e pegou o prato de comida; Lorenzo o observou por alguns instantes e depois saiu, pensando em como era maravilhoso o sentimento que aquele garoto devotava a Hermione. Muitas pessoas passam a vida inteira à espera de alguém que as ame daquela forma arrasadora, e aquela garota já encontrara com apenas dezessete anos.

Enquanto isso, na saleta, enquanto comia, Rony pensava em sua Hermione...

No dia seguinte, ele retornaria ao castelo.

Precisava reconquistar aquela garota...


Lorenzo aproximou-se de Walter, que se encontrava sentado em frente a uma mesa, ajeitando os panfletos coloridos que anunciavam a...

-"Primeira Festa Proibida – Lorenzo´s" – leu o dono do bar, orgulhoso. O panfleto colorido trazia um desenho de um casalzinho aprontando poucas e boas, como beber, se amassar e se beijar, atrás de um círculo vermelho riscado em diagonal, o símbolo de "proibido". Um pouco mais abaixo estava escrito:

Venham conferir a Festa Proibida!

Horário: a partir das nove horas da noite até o sol raiar!

Muita música, bebidas a vontade, e toda a liberdade para se fazer o que quiser!

Liberdade! Diversão! Rebeldia! É a Festa Proibida!

-Está fantástico... – falou Lorenzo, orgulhoso. – Os adolescentes de Hogwarts vão pirar com isso aqui...

-O Rony Weasley vai tratar da divulgação?

-Sim. Amanhã cedo ele retorna a escola, e leva junto os nossos preciosos panfletos.

-E se algum professor pegar um deles?

-Muito difícil algum jovem abrir mão de uma festa dessas, Walter! Sem falar que tudo ocorrerá em nossos salões secretos. Com certeza, só os adolescentes saberão da festa. E eu quero que eles sintam isso mesmo, essa sensação de liberdade, de que podem fazer de tudo... E, realmente, poderão fazer o que quiserem. O proibido será permitido.

-Nossa... Já posso até imaginar o que vai rolar...

-Sim. O Lorenzo´s vai pegar fogo amanhã a noite. Permissão para qualquer coisa. Sem censura.

O dono do bar sorriu e começou a ajudar Walter nos preparativos para a Festa Proibida...


-Pegou tudo?

-Já.

Serena fechou a última mochila e jogou-a nas costas. Lewis carregava outra mochila nas mãos; juntos, lado a lado, eles desceram até o salão comunal da Grifinória.

No salão, as Encalhas aguardavam a amiga.

-Bom, gente, vou indo... – disse Serena, forçando um sorriso.

-Vai dar tudo certo – falou Mione, abraçando-a.

-É o que eu espero...

-Já sabe quando ocorrerão as cerimônias fúnebres de seus pais? – indagou Joyce.

-Ainda não... Mas amanhã de manhã deverei saber... – ela abraçou cada uma das amigas e, em seguida, saiu do salão ao lado de Lewis.

Caminharam em silêncio pelos corredores até alcançarem a porta do dormitório de Frieda Lambert. Lewis deu duas batidinhas na porta, e logo foi atendido pela bruxa, que trazia um sorriso radiante no rosto.

-Oh, meu filhinho, minha filhinha!

Serena mordeu o lábio, irritada; embora Lewis não percebesse nada, ela notava muito bem a ironia presente naquela frase...

-Como foi o dia, minha querida Serena?

-Acho uma pergunta desnecessária – respondeu Serena, secamente. – Perdi os meus pais em um acidente de carro.

Frieda pareceu não se abalar com a rebeldia, o que assustou Serena ainda mais... Ela tinha alguma carta na manga...

-Quero deitar-me logo... Vou dormir aqui, não é? – ela perguntou, apontando para um sofá próximo a cama de Frieda.

-Ah, não, querida... Aqui não. Seria muito desconfortável.

Ela encaminhou-se a porta que separava o seu dormitório do dormitório de Lewis.

-Veja...

Ela apontou para a cama de Lewis.

-É uma espaçosa cama de casal. Vocês, como meus dois filhinhos, vão compartilhar essa cama por todas as noites...

Serena empalideceu; não podia acreditar que Frieda estava fazendo isso...

Só podia estar brincando... Só podia ser um pesadelo...

Como fugiria de Lewis se ambos iam compartilhar a mesma cama?


-Augusto? Mandou chamar-me?

Lanísia entrou na sala do professor. Augusto ia começar a trocar de roupa, de modo que encontrava-se com a camisa aberta e apenas de cueca. Lanísia sorriu, maliciosa.

-Qual o motivo do convite?

Ele aproximou-se dela e a trouxe para perto de si, segurando-a com força.

-Estou com uma vontade louca de jogá-la naquela cama agora mesmo e possuí-la vorazmente. Porém, quero que seja algo perfeito, sem interrupções, eu e você, isolados do mundo, totalmente despidos, sem roupas e sem contato com o mundo.

-Humm... Interessante...

-Sim, porque, não sei de você, mas já estou pirando em ser interrompido todas as vezes em que vamos brincar. Isso está me deixando louco...

-É, eu também fico maluquinha... – ela levou a mão dele ao seu seio e fez com que o professor apertasse. – Qual seria esse lugar, professor?

-Farei uma surpresa a você. Passei o dia inteiro procurando, e, posso lhe garantir, ninguém vai nos atrapalhar... Amanhã, às nove horas, que tal??

Lanísia engoliu em seco.

-Dessa maneira, teremos a noite toda para fazermos de tudo...

Lanísia não sabia o que responder; no dia seguinte, naquele mesmo horário, ela devia se encontrar com Ted Bacon, para provar as lingeries do Bruxetes...

Dois convites, dois homens diferentes.

Qual deles ia aceitar??


N/A: Quem também escreve fics pro fanfiction sabe que o atraso nesse novo capítulo não foi culpa minha. Durante quase uam semana foi impossível enviar capítulos novos para o site. Mas aí está!! hehe. Aguardo o seu comentário.