CAPÍTULO 16

A volta do ruivo

Rony volta à escola bem decidido...

...Fosse o que fosse, ele queria ter o poder de corrigir.

...como o retorno do ruivo afetará Hermione?

-Rony... - foi Hermione quem balbuciou o nome, surpresa.

...e como afetará Draco Malfoy?

-Ei! - exclamou Draco, revoltado, mas..

Além do retorno do ruivo, outras coisas acontecem...

-Fucky?? - indagou Mione.

-Lewis, não vai vestir a camisa?

Ela viu os pés... Os pés enormes. Os pés nº 48.

-Sim! Aquilo foi para ajudá-lo também!!

-Vermelho-Lanísia!


Augusto examinava o rosto de Lanísia, intrigado com sua hesitação em aceitar o seu convite.

-Algum problema em encontrar-se comigo amanhã? – ele perguntou.

-Não, Augusto... – ela apressou-se em sorrir. – Imagine... Nenhum problema...

-Ah que bom. Por um instante, achei que estivesse em dúvida...

-E pode haver algo melhor do que me encontrar com você? Ainda mais sabendo que é um encontro com segundas intenções... – ela aproximou-se e apertou-o por cima da cueca. – Ah, vejo que ele ainda me adora...

-Você não faz idéia de como a adora... – respondeu Augusto, respirando aceleradamente. – Amanhã terá a prova viva disso.

-Perfeito – ela falou, deslizando os dedos pela cueca. Afastou-os lentamente, levando os dedos a boca. – Mal posso esperar...

-É melhor ir agora, ou vou acabar fazendo uma besteira... – pediu Augusto.

-Como quiser, querido professor – ela saiu da sala, deixando o professor enlouquecido.

No corredor, Lanísia mordia o lábio, inquieta. Era tudo o que ela queria; Augusto, a sua disposição, em um lugar onde, ele garantia, ninguém podia incomodá-los. Seria a primeira vez perfeita. No entanto, havia aquele emprego maravilhoso no Bruxetes...

Não podia decepcionar Augusto. Teria que bolar uma maneira de Ted Bacon adiar a prova das primeiras peças de lingerie da loja. Ia dar um jeito de encontrá-lo em um intervalo na segunda seguinte...

Precisava ser a diva de seu professor, mas também a diva do Bruxetes.

Ao chegar na sala comunal, Hermione, Joyce, Clarissa e Alone a aguardavam, ansiosas.

-Sabe que eu jurava que ia vê-la só amanhã de manhã? – disse Joyce, sorrindo.

-Ah quem me dera... Mas, hoje, pelo menos, não rolou e nem vai rolar nada. Depois de tantas interrupções, Augusto e eu queremos um lugar tranqüilo para nos amassarmos a vontade.

-E que lugar seria? – perguntou Clarissa.

-Ainda não sei. Ele disse que já o encontrou. E, claro, já me fez o convite para virar a noite ao lado dele nesse local...

-Você vai aceitar, claro...

-Claro que sim, Alone! Do meu lado não tem jogo duro como o que você faz com o Harry.

-Falando nisso, andei arquitetando algumas coisinhas em relação ao Harry, para provocá-lo um pouco mais e para passar o Colin para trás. Mas preciso de uma lingerie bem sensual, e não tenho nenhuma que seja muito provocante... Deviam abrir o Bruxetes logo!

-Eu tenho algumas peças interessantes... – disse Joyce.

-Ah nem pense em pegar uma da Joyce, Alone – falou Clarissa. – As lingeries dela são todas rasgadas, algumas tem furos e outras possuem marcas de dentes.

Joyce sacudiu os ombros.

-Vocês sabem como a minha vida foi movimentada nesse campo, não é?

Alone suspirou.

-Então obrigada, mas não quero nada rasgado!

-Podíamos conversar com o dono do Bruxetes amanhã, e ver se ele já tem alguma peça interessante para vender – sugeriu Lanísia.

-Conversar com Ted Bacon?? – Clarissa perguntou, assustada.

-Sim, por que não? Ah, por favor, Clarissa, não é porque o cara tirou a sua virgindade daquela maneira absurda que ele é um monstro terrível!

-Ele não presta, Lanísia! É um safado, só pensa naquilo!

-A Joyce também só pensa naquilo e nem por isso não presta!

-Obrigada – Joyce agradeceu.

-Por que está defendendo aquele ordinário? – indagou Clarissa. – Só faltava me dizer que o achou interessante?

-Não é por isso. Mas ele está trazendo algo bacana para Hogsmeade! Achei o Ted atraente, sim, mas não é por isso que...

-Era só o que me faltava! – exclamou Clarissa, aturdida. – De um lado, temos Hermione Granger achando Draco Malfoy uma loucura, e, do outro, Lanísia babando por Ted Bacon! O que está acontecendo com vocês, meninas?

-Não estou babando por Ted Bacon! – retorquiu Lanísia, irritada.

-E eu não esqueci o Rony! – disse Mione, igualmente irritada. – É uma confusão passageira... Droga! Tudo provocado pela maldita Fogueira das Paixões! Por que fomos armar essa fogueira idiota, meninas?

-Trouxe muitos problemas... – concordou Joyce.

-Será que não existe mesmo forma de reverter o poder da Fogueira? – indagou Mione.

-É o que tudo indica... – disse Joyce.

-E se aquele livro estivesse errado? Se, anos depois, alguém descobriu uma maneira de reverter o poder da Fogueira... É uma possibilidade, não é?

-Sim, mas bastante improvável – falou Clarissa. – É perda de tempo tentar encontrar uma solução...

-Mas, pense, Clarissa: se eu encontro a maneira de reverter o poder da Fogueira, acabo com a paixão de Malfoy por mim, ele pára de me perseguir e voltarei a ficar às mil maravilhas com o Rony! Seria perfeito! Acabaria com todas as dúvidas de minha mente!

-Hermione, a Fogueira é irreversível, e pronto!

Mione suspirou, fitando Clarissa.

-Por que fala assim, Clarissa? Parece até que o seu desejo é de que eu nunca descubra como reverter o poder da Fogueira.

Um vento frio rodopiou dentro de Clarissa.

-Não... Não é isso. Só não quero vê-la fazendo uma busca infrutífera...

-Infrutífera ou não, eu quero tentar. A partir de amanhã inicio a minha busca.

Dito isso, Hermione subiu para o dormitório.

-Ela nunca vai encontrar uma solução... – disse Clarissa, balançando a cabeça.

-No caso dela e no de Serena, seria uma boa se ela encontrasse – falou Joyce.

-Ah, mas será que eliminando o poder da Fogueira nos dois casos os outros também são eliminados? – indagou Alone, preocupada. – Será que uma possível solução cortaria o poder da Fogueira em todos os garotos?

-A solução provavelmente não existe, mas, se existir, é possível – Joyce respondeu.

Alone engoliu em seco; se o poder da Fogueira fosse dissipado, Harry não a olharia mais; Harry voltaria a gostar de coisas que ela não tinha a oferecer... As coisas que Colin tem a oferecer...

Perderia Harry... Perderia a batalha...

-Sabem, acho que vou ajudar Hermione em sua busca...


Serena olhou para Frieda, incrédula.

-Você só pode estar brincando.

-Por que, Serena? – Lewis perguntou, confuso. – Algum problema em compartilharmos a mesma cama?

-Eu achava que tinha sim – respondeu a garota, ainda sem tirar os olhos da megera.

-Sobre o que se refere, querida? – Frieda assumiu a expressão mais inocente do mundo.

-Sabe muito bem sobre o que me refiro, Frieda!

-Está estranhando por que mamãe era contra o nosso namoro? – perguntou Lewis a garota.

-Não... – Serena respirou fundo. – Digo... Sim, é isso mesmo. Não consigo entender a mudança de atitude de sua mãe.

-Só estou sensibilizada, Serena... – respondeu Frieda, cínica. – Por tudo o que ocorreu com seus pais...

-Sensibilidade é algo que não faz parte de sua alma, Frieda.

-Serena, por favor... – pediu Lewis, tomando-lhe a mão.

-Desculpe – ela forçou um sorriso. – Descontrolei-me... Desculpe, Lewis...

-Eu também peço desculpas, Serena – falou Frieda. – Não imaginava que a sua reação seria...

-Pare de mentir, Frieda, por favor... – ela fechou os olhos, esforçando-se para não voar no pescoço da sogra.

-...Não imaginava mesmo, mas acredito que seja muito bom para você, neste momento, ter o carinho de seu namorado. E, por isso, eu ordeno que você e Lewis durmam juntinhos nessa cama.

Serena balançou a cabeça.

-Quer me torturar mesmo, não é, Frieda?

-Não sei do que está falando, querida, sinceramente...

Serena tomou ar, fechou os olhos e torceu as mãos. Calma. Precisava acalmar-se e deixar aquela provocação passar. Não adiantava discutir com Frieda; ela agora tinha o controle, e nada podia ser feito contra as suas decisões.

-Está bem... – Serena subiu na cama; Lewis veio em seguida, deitando-se ao seu lado.

Frieda observava com um sorriso maligno.

-Isso, olhe só, que lindos... Sei que são namorados, mas, nesse momento, parecem até dois irmãos...

Lewis nem percebeu o olhar de ódio que a namorada lançou a sua mãe; ajeitando os lençóis, Lewis apenas comentou, sorrindo.

-Ainda bem que só parecemos!

Aquele comentário cortou o coração de Serena, de tal forma que ela esqueceu-se das provocações de Frieda. Ela olhou emocionada para Lewis, enquanto ele ajeitava os lençóis, arrumava o travesseiro da garota e beijava a sua mão em sinal de apoio.

-Infelizmente, meu amor, não posso reverter o que aconteceu com seus pais. Sei que é uma ferida incurável. Mas, nunca se esqueça: estou ao seu lado para o que der e vier.

Em seguida, Lewis a envolveu em um abraço apertado; e, assim, abraçando-a, o rapaz adormeceu...

Serena conteve o ímpeto de beijar os braços que a envolviam; não podia ter qualquer tipo de intimidade com o garoto. Apenas carinhos fraternos.

Envolvida naquele abraço, ela logo adormeceu...

Da porta, Frieda observava. Naquela noite, e nas primeiras que se seguiriam, Lewis se portaria como um belo cavalheiro, respeitando a perda que a namorada sofreu. Porém, depois de alguns dias, a ferida começaria a cicatrizar, e, tendo a namorada ao seu lado em uma cama, Lewis não ia resistir.

Frieda mal podia esperar o momento de ver Serena em pânico, tentando fugir do desejo de seu próprio irmão...


No dia seguinte, Rony levantou-se antes do sol nascer. Tivera uma noite de sonhos agitados, todos com a presença constante de Hermione em momentos de paixão e alegria. Eram momentos nunca vividos, exceto o encontro entre a fogueira, onde ocorrera o primeiro beijo. Fora uma surpresa muito agradável ter aquele belo momento revivido em seu sonho. Dava vontade de transportá-lo para a realidade, para vivê-lo novamente, iniciar tudo outra vez e ser mais carinhoso com Mione, mais atencioso, até mesmo mais "ardente" no relacionamento. Não sabia qual fora o seu erro, o que cometera de errado para perder a garota dos seus sonhos, mas, fosse o que fosse, ele queria ter o poder de corrigir.

Infelizmente o tempo não volta; uma vez que um erro é pintado, ele não pode ser desfeito. Apenas "corrigido". E era isso o que ele tentaria fazer ao retornar para Hogwarts.

Não conseguiria mais dormir. Porém, ainda não podia voltar ao castelo, já que Lorenzo exigia efetuar uma última verificação em seus ferimentos.

Ia aguardá-lo ali, acordado. Pensando, é claro, em Hermione Granger.


No castelo, antes que todas as garotas despertassem, Lanísia levantou-se, colocou uma roupa que realçava os contornos de seu corpo, deixou o salão comunal e, saltitante, saiu do castelo.

A estrada até Hogsmeade estava deserta, assim como o povoado. Poucas pessoas transitavam pelas ruas, e só algumas lojas já estavam abertas àquela hora da manhã. Lanísia caminhou até o endereço do Bruxetes. O prédio já estava todo decorado; além da pintura vermelha, alguns manequins já estavam a postos e no topo havia um enorme letreiro rosa-choque com o nome da loja.

Lanísia observou fascinada, principalmente a pintura vermelha do prédio. Sorrindo, ela comentou:

-Vermelho-Lanísia... Combinação perfeita...

A porta da loja se abriu, pegando-a de surpresa. Por ela, surgiu Ted Bacon, vestido com roupas elegantes e com um sorriso sacana que a deixou de pernas bambas.

-Como vai a minha diva?

-Oh muito bem... – Lanísia respondeu, sorrindo. – Desculpe aparecer assim tão cedo, mas é que...

-Não! Nem precisa se explicar! Já estou acordado há um tempinho. Loja nova sempre dá muita dor de cabeça... Ver a minha diva agora é a melhor coisa que podia acontecer esta manhã. Acredite, está curando a minha dor de cabeça, mas está causando efeitos colaterais em outros lugares...

Ele levou a mão ao centro das calças e alisou de leve, sem deixar de sorrir.

-É, sei que causo esse efeito em alguns homens – falou Lanísia, sem modéstia.

-Em alguns?? Deve causar em todos! Por isso será a minha diva. Tudo o que ficar bom em você ficará perfeito para qualquer mulher.

-Obrigada – ela limitou-se a agradecer, desviando os olhos daquele olhar penetrante e ousado que Ted lhe lançava, olhar que parecia despi-la, que parecia ter a capacidade de enxergar através de sua roupa. Sem graça, ela decidiu mudar de assunto, ou melhor, ir direto ao assunto que a levara até ali. - Ted, precisamos conversar. Sobre a prova das lingeries de hoje à noite...

-Ah docinho... Não vai me dizer que não poderá vir hoje à noite?

-É, não... Será que não poderíamos adiar para amanhã? - ela ofereceu a ele um meigo sorriso.

Parece que não surtiu efeito...

-Infelizmente, não - respondeu Ted. - Preciso ver as peças em você o quanto antes. É necessário, entende? Para que possamos corrigir possíveis erros antes da inauguração da loja, que deve ocorrer o mais cedo possível...

-Nossa... Por que tanta urgência em abrir a loja? Sei que a sua família é rica, dona de várias lojas...

A expressão de Ted modificou-se no mesmo instante. Da antiga segurança que Lanísia viu nele, tanto no dia anterior quanto há poucos segundos, nada sobrou; ele ficou embaraçado, coçando os cabelos, mordendo os lábios.

-Não tem nenhum motivo em especial, Lanísia... Apenas foi estabelecida uma data para a inauguração, e é nessa data que ela precisa ser inaugurada.

-E que data é essa?

-Meu pai ainda não me informou. Só disse que seria essa semana, e que tudo já devia estar em ordem no começo da semana... Hoje é segunda, o que significa que ainda estou em atraso em alguns aspectos.

-Humm... - murmurou Lanísia, fitando Ted, pensativa. Estranha mudança de atitude, mudança que ela não podia compreender; provavelmente o motivo era banal, de modo que ela resolveu deixar de lado qualquer especulação e tratar de efetuar sua última tentativa. - Não tem como mesmo?

-Sinto muito, Lanísia, mas, não tem. A não ser que queira passar o cargo de diva do Bruxetes para outra garota, e...

-Não!! Ted, isso não!! - ela implorou, apavorada. - Tudo bem, eu venho! Estarei aqui hoje, às oito da noite.

-Ótimo - ele abriu um largo sorriso. - Perfeito.

Neste sorriso, onde Lanísia também devia enxergar algo de errado, ela não enxergou...

-Vou voltar ao castelo antes que todos acordem e minhas amigas comecem a me procurar...

-Tudo bem. Te espero hoje à noite, hein?

-Pode contar comigo - ela sorriu, acenando com a mão e se afastando.

Ted Bacon a acompanhou com os olhos. Aquela garota era perfeita. Simplesmente uma das mulheres mais atraentes que ele já vira em toda a sua vida. Era uma tentadora mistura de garota e mulher.

Suspirando, Ted entrou no Bruxetes. Passou por todo o interior da loja sem prestar atenção no que o rodeava; já vira milhares de vezes os manequins, o piso, os lustres dourados, as prateleiras de roupas. Sua atenção concentrava-se no fundo da loja, onde, atrás de um balcão, uma porta de madeira encontrava-se entreaberta. Ted estendeu a mão e a abriu. A porta dava acesso a uma sala não muito grande, que continha, entre outras coisas, uma pia, utensílios para cozinha e um caldeirão. O caldeirão fumegava, e Ted aproximou-se, curioso.

-Vamos ver se já está no ponto...

Ele observou a substância arroxeada que borbulhava no caldeirão e sorriu.

-Sim... No ponto!

Ted pegou uma colher que havia em cima da pia e a mergulhou no caldeirão. Em seguida, depositou o conteúdo da colher em um pratinho de vidro.

-Agora, a cobaia.

Abrindo uma das gavetas do gabinete da pia, Ted retirou uma gaiola cheia de camundongos. Abriu a portinhola e apanhou o mais agitado deles.

-Vou escolher você, que é o mais agitadinho... Precisa se acalmar um pouquinho...

Ted aproximou o camundongo do prato cheio de poção e encostou o focinho do bicho no líquido que borbulhava. O animal começou a beber rapidamente, enquanto Ted murmurava:

-Isso... Bom garoto...

Não se passaram nem vinte segundos quando o camundongo, subitamente, parou de beber e desmaiou. Ted abriu a mão e largou o corpo inerte do bichinho sobre o tampo da pia.

-Excelente. Você dormiu antes da hora hoje, amiguinho... E, saiba, você não será o único...

Ted olhou para a garrafa de Demência que havia em uma das prateleiras e sorriu. Um brinde ao gênio que havia descoberto a Poção do Sono!


-Vou voltar ao castelo!

Foi esta a exclamação animada que Rony soltou após Lorenzo concluir que ele poderia mesmo retornar ao castelo. O dono do bar, vendo o sorriso do garoto, também sorriu.

-Você recuperou-se maravilhosamente bem, Rony! Mas, antes que volte a Hogwarts... Walter! Walter! - ele gritou, chamando o funcionário.

Alguns segundos depois Walter apareceu, trazendo nas mãos um saco plástico cheio de panfletos. Ele tirou um deles e o passou para Rony, que visualizou, em primeira-mão, o anúncio da Festa Proibida.

-Se me permite um palpite, Lorenzo, essa festa vai arrasar!

-Tome cuidado ao entregar os panfletos, Rony - alertou o bruxo. - Não quero que se prejudique por minha causa, sem falar que... Bom, você sendo pego com os panfletos, eu e o meu bar também nos damos mal, muito mal. Nenhum professor de Hogwarts pode sequer sonhar que essa festa será realizada.

-Pode deixar, Lorenzo. Prometo que nenhum professor colocará os olhos nos panfletos. Tenho certeza de que todos os alunos serão cuidadosos.

-É, eu conto com isso... Agora, vá, Rony, é melhor chegar ao castelo antes que todos acordem. Poderia gerar perguntas indesejáveis.

-Ok! Obrigado por tudo, Lorenzo!

-Que isso... Não fiz mais do que minha obrigação. E, se me permite pedir mais um favor...

-Claro! Qualquer coisa!

Lorenzo ficou sério de repente; segurou o ombro de Rony com força.

-Tome cuidado com Draco Malfoy. O que eu vi na noite em que ele atacou você foi um ódio descomunal, um ódio que eu nunca havia visto antes. Um ódio muito perigoso, pois é provocado por amor. Ele vai tentar outra vez, Rony. Pode acreditar que vai. Por isso, cuidado, muito cuidado.

Um calafrio percorreu o corpo de Rony, como um presságio terrível. Mas ele, tomando fôlego, engoliu em seco e respondeu:

-Eu tomarei cuidado.

-Que bom... Agora vá! Vá! Antes que todos acordem!

Rony apertou a mão do bruxo mais uma vez e, em seguida, saiu em disparada do Lorenzo´s.

Enquanto corria em direção ao castelo, seu coração palpitava acelerado, e não era apenas pela corrida, mas sim devido a ansiedade do que estava por vir. Ia tentar reconquistar Hermione... e, conseqüentemente, recriar o ódio maligno em Draco Malfoy.

No momento em que Rony subia os jardins da escola, uma pessoa o avistou da janela de seu dormitório, acompanhando os passos do rapaz com seus penetrantes olhos azuis. Clarissa deixou de lado a emoção e a paixão para dar lugar à razão, Razão, a senhora que comandava todo o seu corpo e sua mente. E que a mandava agir nesse exato instante.

Apressada, Clarissa saiu do dormitório. Atravessando o salão comunal, chamou a atenção de Alone, Lanísia e Joyce, que conversavam em um canto.

-Clarissa, onde você...?

-Agora não dá! - ela respondeu, passando pelas garotas.

Ainda com passos rápidos, ela atravessou a passagem do buraco no retrato e continuou o seu caminho. Talvez não desse tempo para armar a cena que ela desejava, mas ela precisava tentar; afinal, seria uma maneira incrível de dar alimento para o Monstro da Dúvida que começava a atormentar a mente e o coração de Hermione...

Para sua sorte, encontrou-os antes da biblioteca, local em que Draco havia chamado Hermione para conversar um pouco antes do café-da-manhã...

-Hermione! Hermione! - exclamou Clarissa, muito animada.

-Nossa... - ela e Draco estavam de mãos dadas. - O que foi?

-Você não sabe o que aconteceu!!

-O que, Clarissa??

-Não dá tempo de explicar, venha comigo!!

Ela simplesmente puxou o braço de Hermione, fazendo com que ela soltasse a mão de Malfoy.

-Ei! - o rapaz reclamou. - Mas o que...?

-Venha também, se quiser saber - disse Clarissa, tentando atrair mais uma peça para a sua cena.

Draco era realmente o fantoche perfeito; quando Clarissa lançou um rápido olhar para trás, constatou que ele as seguia. Hermione, rindo, não conseguia entender aquela loucura...

-Fala para mim, Clarissa, o que está havendo?

-Não! Mas, pode ter certeza... Você vai me agradecer por isso!

Elas chegaram a escadaria de mármore e começaram a descer os degraus. Em pensamento, Clarissa não parava de torcer: Vai dar tempo! Vai dar tempo!

-Clarissa, desse jeito vamos cair da escada!

-Não vamos não.

Chegando nos últimos degraus, Clarissa parou; Hermione, também. Clarissa fitava as portas de entrada do castelo, intrigada; elas encontravam-se fechadas. Será que a peça principal já havia chegado? Ou ainda chegaria, para montar a cena perfeita?

-Por que paramos? - perguntou Mione. - Não estou vendo nada diferente... E o que tem as portas?

Clarissa ia responder quando as portas se abriram de repente, trazendo a clara luz do dia para o saguão de entrada do castelo. Por um instante, nenhum dos três conseguiu visualizar quem entrava por ali. Quando os três pares de olhos se acostumaram à luz, surgiu, diante deles, com um sorriso radiante no rosto...

-Rony... - foi Hermione quem balbuciou o nome, surpresa.

Draco precisou agarrar-se firme ao corrimão para não despencar.

Clarissa apena suspirou em triunfo. A cena estava armada. E, olhe só, já começava a se desenrolar dentro de Hermione...

Ela podia ver o quanto aquilo surpreendera a garota, apenas olhando o rosto dela. Mione ficou transtornada; seu olhar passava de Rony, à sua frente, para Draco, às suas costas. Os dois garotos que mexiam com todos os seus sentimentos estavam ali, de certo modo cercando-a; ali, diante dos dois, ela não sabia dizer qual era o mais atraente, o que mais a encantava, o que ela mais queria. Ter os dois ali, no mesmo lugar, confundiu-a ainda mais... E era justamente isso o que Clarissa esperava conseguir...

Draco desceu os degraus que restavam e postou-se ao lado da namorada, passando a mão pelo ombro de Mione e a trazendo para perto de si.

Rony, que não conseguira pronunciar nada até o momento - fitava Mione com um sorriso gigantesco no rosto - pareceu destravar ao ver o inimigo tão próximo da garota, abraçando-a como um namorado enciumado.

-Sim, Mione. Já me recuperei, e agora... Bom, agora, estou de volta.

-É... Eu... Fico muito contente por isso... - ela sentiu a mão de Draco estremecer; engolindo em seco, Mione tratou de explicar-se. - Pelos nossos muitos anos de amizade, você sabe... Me preocupo com você...

-É. Eu sei - falou Rony. - Obrigado... - após essas palavras, Rony encaminhou-se para a escadaria. Apesar de caminhar na direção em que eles se encontravam, seus olhos fitavam o chão; foi surpreendente quando ele puxou Hermione dos braços de Draco e a envolveu em um abraço.

-Ei! - exclamou Draco, revoltado, mas...

...Ele nada podia fazer. Mione entregou-se àquele abraço da mesma maneira que Rony; apertou-o bem forte, como se fosse necessário aquele contato para que ela finalmente acreditasse que todo o pesadelo acabara, que Rony estava bem... Rony, sentindo-a apertá-lo contra si, aproximou a boca do ouvido da garota e sussurrou:

-Acho que ainda consigo mexer com você.

Mione ofegou, mas um novo protesto de Malfoy a fez recordar que não podia fraquejar. Ela desvencilhou-se do abraço de Rony, com o rosto corado, e juntou-se novamente ao atual namorado.

-Desculpe, Rony, mas não fica bem... Nós dois, abraçados... Draco é meu namorado, e não gosta muito disso...

-Não mesmo - retorquiu Draco, lançando um frio olhar para Rony.

-Então, eu é que peço desculpas, Malfoy - disse Rony, com um certo sarcasmo. - Ah! Como vocês são os primeiros alunos que encontro, terão a honra de serem os primeiros convidados da Festa Proibida!

Ele abria o saco plástico cheio de panfletos quando Mione perguntou, confusa:

-Festa Proibida?


-Aham! - Mione confirmou às Encalhadas, à mesa do café da manhã. - Será uma festinha secreta organizada lá no Lorenzo´s - ela passou, por baixo da mesa, um panfleto para as garotas. - Uma festa onde tudo será permitido, e que, por isso mesmo, não pode ser conhecida por nenhum dos professores. Então, sigilo absoluto, está bem?

-Sim... - falou Joyce. - E quando será?

-Hoje mesmo. Todos os alunos devem começar a sair do castelo em silêncio. Todos se encontram na frente dos portões e, meia hora depois, quando todos provavelmente já estarão reunidos, nós nos encaminharemos ao Lorenzo´s.

-Será uma confusão só... - supôs Lanísia. - Quem vai conseguir controlar um monte de alunos indo até uma festa secreta?

-O Rony - respondeu Hermione. - Diz ele que conseguirá manter a ordem.

-Mione! Você andou conversando com o Rony? - indagou Joyce, em tom de censura.

-Sim, mas eu o encontrei por acaso! Ou melhor, na verdade... - ela olhou para Clarissa. - Fui levada até ele por uma certa pessoa que se encontra nesta mesa.

Alone, Joyce e Lanísia acompanharam o olhar da amiga e fitaram Clarissa.

-Você levou Mione até o Rony? - perguntou Alone.

-É por isso que estava com tanta pressa quando saiu do salão comunal?? - indagou Joyce.

-É! Sim! - Clarissa ergueu as mãos. - Não precisam me acusar! Fiz isso pelo bem da Hermione. Sabem muito bem que sou a favor dela com o Rony, e que não aprovo um relacionamento entre ela e Draco.

-E você sabe muito bem que o namoro dos dois não passa de fingimento para nos livrar de uma enrascada! - falou Joyce.

-É, mas a Hermione andou meio balançada... Sei lá, eu gosto muito do casal que ela e Rony formam juntos, e queria que ela o visse chegando... Achei até que ela gostaria de vê-lo... - Clarissa baixou os olhos em sinal de culpa.

Mione segurou a mão dela.

-Então eu lhe agradeço pela boa intenção, Clarissa. Mas, tenho que ser sincera, por um lado não foi muito bom rever o Rony na presença do Draco. Estar ali entre os dois deixou-me mais confusa do que antes.

-É... Na hora, eu pude perceber... Peço desculpas...

-Não, você não tem culpa de nada. Tomou uma decisão que achava certa, que acreditava que seria para o meu próprio bem. Infelizmente não foi, mas você fez tudo com a intenção de ajudar, e é isso o que importa.

-Obrigada, Mione. Obrigada por ser tão...

(burra, idiota, tola, inocente, babaca...)

...bacana.

O momento comovente entre as "amigas" foi quebrado por Alone, que, estranhando a demora de Serena, resolveu perguntar pela amiga.

-Bom, o irmão tarado com certeza não tentou nada ainda devido à morte recente dos pais dela - falou Joyce. - Como o mesmo irmão tarado não se encontra por aqui, acredito que ela o esteja esperando.

-A megera da Frieda já está por aqui, olhem lá - apontou Alone. - A mesma cara de múmia de sempre.

-Francamente, como alguém pode ter conseguido fazer um filho nessa mulher? - indagou Lanísia. - Ela é tão seca... Tão... fria.

-E muito feia, essa é a verdade - falou Alone. - Cruzamento de cobra com alienígena.

-Imagine beijar aqueles lábios secos - analisou Mione.

-Aquilo nem pode ser chamado de "lábios" - corrigiu Alone. - Parecem mais dois riscos pintados no rosto.

-Sem falar no corpo, que é horrível - falou Joyce. - Vocês já viram como ela tem os peitos caídos?

-É verdade - concordou Alone. - Os peitos dela tocam no umbigo.

-Eu posso vê-la afastando os peitos para dar uma olhada na amiguinha - falou Joyce, afastando as mãos na altura dos seios.

-Os peitos dela parecem duas bexigas - opinou Clarissa. - Começa mais fino e termina redondão.

As meninas gargalharam.

-Não é possível que um homem tenha ficado excitado diante de uma monstruosidade dessas - falou Clarissa.

-Ah, vai ver o pai do Lewis viu algo diferente nela... Pode ser que exista algo especial lá dentro... Escondido, claro...

-Ah bom, só se for muito bem escondido, porque eu não vejo nada especial ali - disse Mione.

-Quem sabe não é a amiguinha? - sugeriu Joyce.

-Ah não acho - discordou Alone. - A amiguinha da Frieda deve ser fria; fedida; e cabeluda...

-Acha mesmo que ela é adepta do estilo Florestal?

-Claro que sim, Mione! Está na cara que Frieda não se depila.

-Isso eu não sei... Mas concordo em relação à temperatura da amiguinha. Porque aquela mulher é frieza pura!! Lá também deve ser!

-Lewis realmente não devia ter nascido - falou Alone. - Ela deve ser tão podre que os espermatozóides deviam ter morrido no meio do caminho...

-É mesmo! Intoxicação vaginal! - ajudou Joyce.

-O espermatozóide que gerou o Lewis deve ter sido um guerreiro! - disse Lanísia.

-Um sobrevivente!! - disse Alone.

-É, o pai de Lewis e Serena realmente queria passar de ano para encarar um troço desses - falou Clarissa. - Acho que pra "levantar" o negócio dele ele deve ter tomado a famosa Poção Azul... Como é mesmo o nome?

-Ah! O Miabra - respondeu Joyce. - Adoro o nome disso!

-É, já imagino porque - falou Lanísia.

-Então, o Miabra dá uma força para os velhinhos ou para os novinhos desmotivados que não conseguem erguer o negócio para a brincadeira. Ele pode ter tomado isso.

-Humm... Velhinhos... Seu professor precisa de Miabra, Lanísia? - zombou Alone.

-Ele não é tão velho assim, e, não, tenho certeza de que não precisa. Na verdade, quem precisa que ele "miabra" sou eu.

Todas riram.

-Bom, vou aproveitar o tempo que me resta para continuar o treinamento - disse Joyce, levantando-se. - Ainda tenho muito medo do Fucky...

-Fucky?? - indagou Mione.

-Sim. Fucky. Fucky, O Pinto Assassino.

-Ah!

-Vou até a biblioteca, e...

-Eu vou com você, então, Joyce - disse Mione.

-Por que?

-Vou procurar uma maneira de reverter o poder da Fogueira, esqueceu?

Alone levantou-se imediatamente.

-Também vou ajudá-la, Hermione!

-Tudo bem, vamos lá!

As três afastaram-se, deixando Clarissa e Lanísia na mesa. Clarissa, deixando a sua torta de morango de lado, limpou a boca com um lenço e levantou-se também.

-Vai para a biblioteca também, Clarissa?

-Não. Preciso resolver outras coisas, antes da primeira aula. A gente se vê daqui a pouco!

Lanísia a observou sair do Salão Principal e balançou a cabeça. Essa Clarissa... Sempre apressada, sempre aprontando...

Lanísia só não tinha idéia do quê.


Serena já havia acordado, mas, como as meninas haviam pensado, ela estava aguardando o namorado... o irmão... ou o que quer que fosse...

Ela lia um livro sobre a cama enquanto esperava Lewis terminar de se trocar. Suas mãos deslizavam pelos lençóis. Deslizavam, deslizavam, até que Serena percebeu como ali, onde Lewis havia dormido, ainda estava quentinho, ainda aquecido pelo corpo do rapaz.

Ela deitou-se sobre o espaço anteriormente ocupado por Lewis, apenas para sentir aquele calor. Mas foi só as suas narinas entrarem em contato com aquela superfície para que um odor inebriante, agradável, maravilhoso, as invadissem.

Ela sentia o cheiro do corpo de Lewis; era o entorpecente odor do suor misturado com o tão conhecido perfume. Aquele cheiro a deixou zonza; fez as suas pernas estremecerem; era o cheiro do corpo que ela desejava...

Por alguns segundos, Serena esqueceu-se do mundo e começou a arranhar o lençol, a mordê-lo, perdida no êxtase e na maravilhosa sensação que o cheiro daquele rapaz produzia nela...

Ela queria mais... Muito mais... Oh, que maravilha...

A porta se abriu. Ela saiu da alucinação no mesmo instante. Soltou o lençol e sentou-se na cama. Pela porta, surgiu Lewis... Sem camisa.

-Demorei muito?? - ele perguntou, ignorando as faces coradas de Serena.

-Não... Claro que não - ela respondeu, sentindo as pernas estremecerem novamente diante da visão do corpo que produzira aquele odor inebriante.

-Que bom...

Ele começou a se aproximar; Serena, olhando do peito do rapaz para o seu rosto, o alertou:

-Lewis, não vai vestir a camisa?

Ele parou, franzindo a testa.

-Ora, Serena, qual o problema? Somos namorados, e... Eu ficar assim, por enquanto, incomoda você?

-Não... Claro que não... Mas é que eu não queria ficar aqui por muito tempo. Hoje preciso comparecer ao funeral e... Ainda precisamos tomar o café-da-manhã, não se esqueça.

Ele refletiu por um momento.

-Sim. Tem razão... - abriu um gaveta e puxou a camisa do uniforme. Vestiu-a no mesmo instante, fazendo com que, finalmente, Serena se livrasse da visão que a estava enlouquecendo. - Pronto! Vamos agora??

-Claro - ela respondeu, segurando a mão que ele ofereceu para ela.

Serena suspirou, aliviada, ao sair do quarto. Livrava-se assim daquele odor magnífico, da cama que ela e Lewis compartilhavam, e também da vergonha que sentia ao ter desejo e pensar em certas coisas no dia seguinte à morte dos pais.


-Olá, Draco!!

Ele revirou os olhos ao ver o rosto radiante de Clarissa.

-Você? O que quer agora?

-Não seja mal agradecido, Malfoy - falou Clarissa, revoltada. - Eu já lhe ajudei muito! Hoje, inclusive.

-Claro, atraindo a Hermione para onde o ex-namorado dela estava...

-Sim! Aquilo foi para ajudá-lo também!!

-Como assim, me ajudar? Não consigo entendê-la! É óbvio que você queria que a Mione visse o Rony novamente, para voltar com ele, para...

-...que você visse que ela ainda gosta dele! - completou Clarissa. - Draco! Só quero abrir os seus olhos! Quero que enxergue que, apesar de ser o namorado de Hermione, ela não deixou de amar o Rony...

-Isso é mentira!

-Mentira?? Mentira? É por isso que fiz questão que você estivesse presente, Draco! Porque sabia que, ouvindo de minha boca, você não ia acreditar! Mas você estava lá, você viucom seus próprios olhos o quanto a Hermione ficou confusa! O quanto ela gostou de ver o Rony novamente, e, acima de tudo, a maneira como ela o abraçou...

Foi só lembrar o abraço para a feição de Draco se modificar...

-É, foi um abraço bem apertado, não foi, Draco? - perguntou Clarissa, com sua voz suave, provocante. - Já viu meros amigos abraçarem-se daquele jeito?

Ele mordeu o lábio e fechou os punhos, nervoso...

-Ele pegou-a de jeito, Draco, a deixou de pernas bambas. Você está com Mione agora, mas aquilo foi uma prova de que Rony ainda está no páreo. Com ele de volta à escola, você poderá perdê-la...

-Não, Clarissa. Isso nunca.

-Então, Draco, ache uma maneira de se livrar de Rony de uma vez por todas... - ela o abraçou. - Antes que o abraço vire um beijo... - ela deslizou um dedo pelos lábios de Malfoy. - Antes que os beijos virem carícias... - ela apertou o bumbum do rapaz. - Antes que as carícias virem amassos... - ela colou o corpo ao de Malfoy, enconstando-se ao seu baixo ventre. - Antes que seja tarde demais...

Clarissa afastou-se, não conseguindo conter o sorriso.

Às suas costas, Draco chutava a parede, furioso.


Na biblioteca, Alone e Hermione observavam os nomes de vários livros, procurando quais títulos poderiam conter algo interessante.

-Para mim, é uma busca meio sem sentido, Mione - falou Alone. - Afinal, estamos nos metendo no meio de milhares de livros, buscando algo que nem sabemos se existe!

-Eu preciso tentar, Alone. É a minha única saída para toda essa confusão que está formada! Você se voluntariou para me ajudar, mas, se não quiser mais, tudo bem...

-Não! Se você acha que vale a pena, eu ajudo...

Enquanto isso, Joyce continuava a leitura de seu livro Movimentos corporais para suportar fortes pressões provocada por inimigos Após os passos que ela já efetuara anteriormente, o livro sugeria algo inesperado...

-"É necessário o total relaxamento do corpo antes de um combate com o inimigo" - lia ela, baixinho. - "O recomendado é que se tome banhos bem relaxantes, em água quente, de preferência com Borbulhante de Ervas". Ah! Tenho isso!

-Tem o que? - perguntou Alone.

-Nada... Meninas, houve uma mudança em meus planos, e resolvi tomar um banho...

-De novo? - indagou Mione.

-Sim, gente, qual é o problema?

-Eu é que pergunto - disse Alone.

-Tá, tudo bem, eu digo! O livro diz que é preciso tomar banhos relaxantes, para que o corpo fique preparado para um confronto. Ou seja, preciso de um banho bem tranqüilo, que relaxe a amiguinha.

-Você tomou um banho quente já!

-Eu sei, Alone, mas não coloquei Borbulhante de Ervas na água! Bom, estou perdendo tempo aqui, discutindo com vocês... Vou tomar o meu banho... Ah, Mione, qual a senha do banheiro dos monitores?

Hermione respirou fundo antes de passar.

-Oclumência.

-Obrigado! - exclamou Joyce, saindo da biblioteca.

Ela praticamente voou até o salão comunal, onde precisava apanhar o Borbulhante de Ervas em seu malão. Após apanhar o frasco, Joyce correu até o banheiro dos monitores. Disse a senha, a porta foi aberta e ela entrou.

Uma bela banheira branca oferecia-se para ela. Joyce encheu a banheira, sentindo com os dedos o quanto a água estava aquecida. Temperatura ideal para relaxar. Em seguida, Joyce virou um pouco de Borbulhante de Ervas; a água encheu-se de espuma esverdeada, e o doce aroma de ervas encheu o banheiro. Retirando o uniforme da escola, Joyce, nua, entrou na banheira.

Enquanto isso, do lado de fora...

-O que foi que ela disse?? Droga! Como sou lerdo! Era algo terminado com "mência", tenho certeza disso...

Juca Slooper, que vira, escondido, Joyce entrar no banheiro, lutava para invadir o toalete.

-O que pode ser... Deixe-me ver... "Mência"... Ah! Já sei! Demência!

Nada. A porta não se abriu.

-Não é possível!! - ele começava a ficar desesperado. - O que mais termina com "mência"? Humm... Só se for... Oclumência?

A porta abriu-se sem ruído algum. Em silêncio, Juca comemorou, esfregando as mãos e sorrindo maliciosamente. Pé ante pé, ele entrou no banheiro. O que seus olhos encontraram quase o levaram a ter um ataque do coração...

Joyce, olhos fechados, pernas erguidas no ar, tomava um banho, debaixo de muita espuma. As pernas erguidas tinham um ângulo estranho... meio "arreganhado"... Como se quisesse que a água invadisse certas partes... Bom, um ângulo que Juca não conseguiu entender muito bem...

De qualquer maneira, era a hora de fazer uma surpresinha à Joyce...

Juca tirou, primeiro, a camisa. Jogou-a no chão, sem tirar os olhos da garota coberta de espuma. Em seguida, Juca tirou o cinto; Joyce continuava com os olhos fechados, meditando...

Ele jogou o cinto longe e tirou as calças. Jogou-as no chão e, depois, apenas de cueca, preparou-se para a grande surpresa...

Juca colocou um pé na borda da banheira. Em seguida, o outro.

Nesse momento, Joyce abriu os olhos.

A primeira coisa que seus olhos viram foram os pés.

Os pés enormes. Os pés nº 48.

Em seguida, seu olhar subiu.

Lá estava Fucky, o Pinto Assassino, por enquanto oculto pela cueca...

Por enquanto.

E Juca, seminu, com as mãos na cintura, a olhando com malícia.

-É agora, boneca! - ele exclamou, tocando o Fucky.

-NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Mione balançou a cabeça, desconsolada, enquanto fechava mais um livro que não trazia informação alguma.

-Nada... Mas que droga!

Seus olhos levantaram-se e ela viu, na porta da biblioteca, Rony. Seu coração disparou no mesmo instante.

Se ficasse ali, poderia denunciar o que estava sentindo; se ele chegasse mais perto, ela não sabia o que podia acontecer. Precisava fugir...

Apressada, Mione levantou-se e começou a correr, entrando no meio das prateleiras de livros. Rony correu atrás e não demorou muito para alcançá-la, prensando-a contra uma prateleira e segurando-a de modo que ela não pudesse escapar.

-Rony, o que você quer?

-Apenas falar com você.

Os dois ofegavam.

-Diga logo, então...

-Eu senti no seu abraço que você ainda gosta de mim.

-Oh, Rony, que absurdo...

-NÃO! - vociferou ele. - Gosta sim. Senti a sua emoção na hora, o quanto seu corpo tremeu diante do nosso contato...

-Você está iludido, Rony...

-Não, não estou. E você sabe que não - ele passou a língua sobre os lábios. - Você não terminou comigo porque ama o Draco, Hermione.

-Claro que foi... - ela coçou os cabelos, nervosa. - Eu disse a você...

-Você mentiu. E eu quero saber o porquê... - Rony exigiu, enquanto olhava dentro dos olhos de Hermione e segurava o braço dela com força.


NA: E assim termina mais um ca´pítulo de A Fogueira das Paixões. Agradeço os reviews e o carinho que muitos possuem pela fic. Muito obrigado mesmo!

E a fic agora tem um beta, que é o meu amigo Vinny. Agradeço a ele pela colaboração! E também à minha amiga Nathalie, que sempre me dá a maior força e também algumas idéias. Obrigado!