CAPÍTULO 17
Fuga para o mundo proibido
O proibido é atraente...
-Venha para mim, minha doce aluna.
o proibido é gostoso...
-Então resista a isso...
Ela estava deitada com as pernas abertas – uma caída em direção ao chão, a outra sobre a cama
...pelo proibido cometem-se loucuras...
-Vamos fazer agora o que, acredito, nunca tenha ocorrido nessa escola.
...o problema é quando o proibido é perigoso...
O que aquele homem estava pretendendo?
...Nessa Fogueira das Paixões, onde tudo o que é proibido é permitido, tudo pode acontecer...
Mione engoliu em seco, fitando a determinação nos olhos de Rony; a crença de que ela estava mentindo em relação ao fim do romance; a crença em que o abraço dado por ele a fez estremecer dos pés à cabeça; a determinação em descobrir a verdade.
Verdade que ela queria dizer, mas não podia...
-Rony, vou repetir o que já disse a você: eu terminei o nosso namoro porque amo o Draco Malfoy, será que é difícil de entender?
-Suas palavras podem dizer isso, mas todo o seu corpo trai as suas palavras - disse ele, afrouxando o aperto no braço dela. - Não sei o porquê, mas seu corpo nega tudo o que você diz; você está fugindo do que sente na realidade.
-Não estou fugindo de nada, Rony! - vociferou ela, perdendo a paciência. - Quem está fugindo é você, fugindo da verdade, que é simplesmente uma só: eu não gosto mais de você!
-Ah é??
-É!
-Então resista a isso...
Ele a beijou; sem dar espaço para Hermione ter qualquer tipo de reação; simplesmente forçou os lábios dela a irem de encontro aos seus; um beijo roubado, sem aviso.
Mione tentou se desvencilhar de início, mas Rony segurava sua cabeça pela nuca, impedindo-a de afastar-se; mas logo o deslizar dos lábios, a mão de Rony segurando sua cintura, a pressão daqueles lábios sempre tão desejados, o reencontro com aquela boca que ela adorava tocar, foi o suficiente para que Mione desistisse de se desvencilhar e se entregasse ao beijo de Rony. Ela sentiu o corpo amolecer; sua mente desligar-se do mundo; não lembrava de que devia fugir de Rony, que seu namorado atual era Draco Malfoy. Só existia aquele beijo, uma mão forte e atrevida a lhe explorar o corpo, enquanto uma ainda a segurava pela nuca, o perfume da pele do ruivo, e a aura que pairava ao redor de Rony, aura que dizia: sei que ainda controlo os seus sentimentos, garota. Posso puxá-la para um beijo, arrastá-la para fazer qualquer coisa, que você virá para mim, como uma gatinha obediente.
Sim, Rony ainda podia. E aquela audácia demonstrava que ele sabia que podia.
Ele afastou-se e novamente fitou o rosto de Hermione; ela estava sem fôlego. Ofegava rapidamente, e passou, sem perceber, a língua pelos lábios.
-Ainda quer sentir o gosto de minha boca, não é? - perguntou Rony, sorrindo.
-Rony, eu...
Ele prensou-a novamente contra a parede, deslizando uma das mãos pelo rosto dela, e sorria.
-Ainda sou eu quem te faz suar?
Hermione ofegava; Rony estava próximo demais; atraente demais; mordeu os lábios tentando conter o turbilhão de sensações que tomava conta dela; uma gota de suor escapou de sua testa. Rony levou um dedo à gota e, mostrando o dedo molhado à Hermione, disse:
-Pelo visto sim!
Mione ficou calada, ainda ofegando... Rony aproximou o rosto um pouco mais.
-Sim. Ainda sou eu. Vai dizer que estou enganado agora, Hermione?
Droga de sorriso cafajeste! Era tão cruel, mas ao mesmo tempo tão tentador. E ainda tinha aquele hálito maravilhoso pairando no ar, odor que a fazia sentir vontade de agarrá-lo novamente, beijá-lo até...
-Deixe-me em paz!! Deixe-me em paz! - ela gritou, saindo correndo da biblioteca.
Rony não pensou em segui-la; observou, satisfeito, a garota que se afastava. Não precisava de outra prova; já tinha o suficiente. Hermione Granger ainda o amava, ainda o queria.
-Ainda vou fazê-la reconhecer em voz alta que me ama - disse Rony para si mesmo. - E, ainda hoje, vou descobrir porque está fugindo de mim, ah, se vou...
Olhou para o dedo molhado de suor, sorriu e, secando o dedo nas jeans, saiu da biblioteca.
-AHHHHH!!!!!! – gritou Joyce, mas não foi o suficiente para impedir que Juca pulasse dentro da banheira. Ele saltou, provocando uma chuva de espuma e bolhas.
Joyce, apavorada, agarrou-se à borda da banheira para levantar-se e fugir, mas Juca a impediu, envolvendo o seu corpo com seus braços.
-Me larga!!
-Por que está fugindo, minha safadinha? – perguntou Juca. – Vem sentir o meu corpo, vem.
-Já... estou... sentindo... – ela gaguejou, sentindo algo meio sólido tocar-lhe as costas, algo sólido que estava oculto dentro de uma cueca. – Fucky... – ela balbuciou.
-O quê?? – perguntou Juca, confuso.
-Está me... cutucando...
-Ãh? – Juca olhou para baixo, e entendeu. – É, é verdade, está cutucando as suas costas, por enquanto. Ele quer é cutucar outros lugares. Cutucar até estourar tudinho...
Juca apertou o Fucky nas costas dela, e isso foi o suficiente para que Joyce pirasse outra vez...
-SOCORRO!! – berrou, desvencilhando-se das mãos de Juca e saindo da banheira, correndo.
-Joyce, espere!!
-Não! – ela respondeu, abrindo a porta do banheiro e disparando, nua, pelo corredor.
Juca, mais cuidadoso, enrolou-se a uma das toalhas que havia no toalete e, de toalha amarrada na cintura, saiu no encalço de Joyce.
-Joyce, volta aqui! – ele gritou, ao passar pela porta e ver a garota pelada correndo. Admirou por um instante. – Nossa, que traseiro espetacular... Opa! Pare com isso, Juca, concentre-se, e... JOYCE! PARE!
-Não é o momento, Juca! – ela respondeu, sem parar de correr.
-Você está correndo pelada! Venha pegar uma toalha! – e, vendo que a jovem não ia responder ao seu chamado, Juca começou a correr atrás.
Joyce dobrou o corredor e, subitamente, parou.
Estava diante de um grupo de rapazes.
Todos os olhos fixados em seu corpo nu.
Silêncio.
Para ela, vergonha.
Cobrindo os seios com os braços, Joyce sorriu, sem graça.
Subitamente, os rapazes tiraram os olhos dela e voltaram a conversar.
-É só a Joyce...
-É, essa aí eu já vi assim também...
-Cara, eu também, já tô cansado de ver...
Ela ficou boquiaberta com os comentários dos meninos, tanto que se esqueceu de fugir de Juca e aceitou de bom grado a toalha que ele lhe estendia.
-É um absurdo! – exclamou ela, revoltada, para o menino.
-O que é um absurdo?
-Eles... Esses garotos retardados aí... Nem ligaram ao me verem nua!
-Ah, pra não ligar, só se for uma cambada de ve...
Juca olhou para eles; todos os meninos o fitavam com olhos atentos, só aguardando qualquer tipo de ofensa para socarem o rosto dele.
-de ve... de ve...
-Ãh? – perguntou Joyce, confusa.
-...de velhos garotos comprometidos, com namoradas que, com certeza, eles amam de verdade, e elas com certeza os amam, porque são rapazes bonitos, saudáveis, olhe lá!
Os garotos ficaram em silêncio por um momento, depois balançaram as cabeças.
-Que veado – disse um deles.
-Bota veado nisso... – falou outro.
Juca, de rosto corado, olhou para Joyce.
-Que droga de comentário foi esse? – perguntou ela.
-É respeito, Joyce! Respeito! – ele respondeu, como se a pergunta o ofendesse profundamente.
-Sei... Bom, acho que a cena no banheiro demonstrou muito bem que veado você não é. Mas, Juca, desculpe-me por ter fugido mais uma vez de você, mas é que ainda não estou preparada para termos algo mais forte do que beijos em nossa relação. Ainda não.
-Sim... Tudo bem – ele pareceu um pouco desapontado. – É melhor ir vestir-se.
-Você também.
Ela foi primeiro em direção ao banheiro; Juca ficou parado um instante, vendo a bela jovem afastar-se. Um comentário do grupo de garotos chamou sua atenção...
-Joyce foi uma das garotas mais fogosas que eu já tracei! – disse um grandalhão.
-E ela se abre com vontade – falou outro. – E tem muita disposição! Essa, com certeza, gosta da coisa!
-A garota mais fácil de Hogwarts – falou o grandalhão, dando fortes gargalhadas.
Juca ficou cabisbaixo. Por que Joyce era tão fácil para outros e tão difícil para ele?
Os panfletos foram passados pela sala por baixo das carteiras. Cada aluno tirava um do montinho e passava adiante o resto dos panfletos, sempre sussurrando para o próximo:
-Festa Proibida, hoje à noite!
-Festa Proibida, hoje à noite!
-Festa Proibida, hoje à noite!
Rony olhava, satisfeito, de sua carteira, a primeira do corredor, de onde se iniciara a distribuição dos panfletos para a sua turma.
-Será que essa festa vai dar certo? – perguntou Harry, que estava sentado ao lado.
-Com certeza – respondeu Rony. – Uma festa proibida é tentadora demais até para a pessoa mais mala de Hogwarts. Ninguém vai abrir o bico. Sem falar que, com essa festa dando certo, muitas outras festas secretas ocorrerão.
Flitwick retornou à sala no exato momento em que a distribuição dos panfletos alcançava o último aluno, que tratou de esconder o panfleto, assim como todos os outros.
-Droga, odeio quando me chamam quando estou em aula... – reclamou o professor. – Mas, continuando...
O sinal tocou, interrompendo o bruxo e abafando o palavrão que ele havia resmungado. Harry apanhou suas coisas e, olhando para Rony, avisou:
-Vou até o dormitório para deixar as minhas coisas, em seguida desço para o almoço. Até mais!
Harry tomou o caminho até o salão comunal. Passou pela passagem do retrato e subiu para o dormitório. Distraído, como geralmente ficamos em atos rotineiros, girou a maçaneta. Tudo o que era rotina acabou ali.
Sobre sua cama, estava Alone, trajando um espartilho azul, cintura modelada, meia fina azul, colada à coxa. Um elástico ligado ao espartilho, que deixava a calcinha visível. Ela estava deitada com as pernas abertas – uma caída em direção ao chão, a outra sobre a cama – tendo nos pés um salto agulha, o bumbum para cima, os cabelos negros presos em um coque japonês, com alguns fios soltos.
Como se estivesse esperando-o.
-Olá, Harry...
Ela ergueu o rosto. As pernas continuavam na mesma posição, e o bumbum, oh, que bumbum era aquele, contraiu-se um pouco. Perdição...
Harry sentiu algo começar a se movimentar dentro de suas calças... Maravilha...
A porta do armário próximo abriu-se subitamente, arrancando-o daquele momento especial.
-Ei, que palhaçada é essa??
Quem saía do armário era Colin Creevey, que vestia apenas uma minúscula cueca branca.
-Colin?? – perguntou Harry, enquanto o garoto massageava as próprias costas, aparentemente doloridas.
-Sim! Por que o espanto?
-O que fazia dentro do meu armário?
-E o que essa vagabunda faz em cima da sua cama?
-Nada, por enquanto! – respondeu Alone. – Ia fazer alguma coisa nessa cama, sim, se você não estivesse aqui atrapalhando!
-Quietos! – vociferou Harry. Olhou para Colin. – Dá pra explicar o que fazia lá dentro?
-Estava tomando um pouco de sol dentro do seu armário... É claro que estava esperando você!! Ia lhe fazer uma surpresa. Levá-lo até a cama e tudo o mais. Não ouvi quando essa vaca entrou aqui, porque quando entrei a cama estava vazia!
-Queria o quê, que eu entrasse falando sozinha igual uma retardada? – ela perguntou, furiosa.
-É o que eu esperava, afinal, você é uma retardada!
Alone olhou feio para o garoto e levantou-se da cama. Começou a pegar suas roupas, que se encontravam jogadas pelo chão do dormitório.
-Que golpe baixo, hein, Colin. Esconder-se dentro do armário.
-Pelo menos não fiquei estendido sobre a cama de bunda pra cima! Oferecida!
-Idiota!
-CHEGA! – ordenou Harry, irritado. – Os dois vistam-se e saiam, por favor...
Alone, aproveitando que Colin virara-se para o armário para pegar suas roupas, aproximou-se de Harry, sensualmente, e mordeu o lábio inferior.
-Adorou a visão que teve, não foi, Harry? – ela acariciou o rosto dele com suas unhas compridas, pintadas de azul escuro. – Sabe que pode tocar esse corpo a hora que quiser, não sabe?
Ela ia pegando a mão dele quando Colin, apressado, aproximou-se pelo outro lado, agarrando a cintura de Harry.
-Já desfrutou do meu corpo antes, Harry. Sabe o quanto é bom brincar com tudo o que existe aqui – Colin olhou para baixo, para a cueca.
-É muito mais atraente explorar o desconhecido, Harry... – comentou Alone, grudando os seios fartos no corpo do rapaz.
-Sempre existem novos truques a serem descobertos – disse Colin, encostando o baixo ventre no joelho de Harry.
Harry transpirava, sendo pressionado por aqueles dois corpos...
-PAREM! – ele gritou, saindo de perto dos dois. – No momento não quero ninguém no meu quarto. Vistam-se e saiam, por favor.
-Mas...
-Alone, por favor. Não é o momento de nada. Isso vale para os dois.
Reconhecendo que não havia mais nada a fazer, Alone e Colin começaram a vestir-se. Lançavam ocasionalmente um olhar raivoso para o outro. Saíram em silêncio do dormitório, mas só foi se encontrarem no salão comunal para a discussão recomeçar.
-Pelo visto tivemos quase a mesma idéia... – comentou Alone.
-Pelo visto, sim.
-Tem uma Festa Proibida a caminho, e espero que não atrapalhe meus planos novamente, Colin.
-Com certeza estarei mais preocupado com o meu plano para dar atenção ao seu...
Alone riu.
-Colin, Colin... Não vê que não adianta disputar comigo? Veja o que houve agora, por exemplo: sair de um armário? Francamente! O que há de sensual nisso? Você não sabe ser sensual, eu sei. E é isso que sempre atrairá muito mais o Harry para mim.
-Não me subestime, Alone. Ainda não conhece meus graus de sedução.
-E você não viu nem metade do meu.
Enquanto os dois saíam do salão comunal, finalmente encerrando a discussão, Harry, suado, na cama, esfregava as têmporas, ainda ofegando aceleradamente...
A ansiedade tomava conta dos estudantes de Hogwarts. A Festa Proibida prometia. Alunos de todas as casas cochichavam entre si, imaginando quais roupas iam utilizar, qual o cardápio que seria oferecido, quais as surpresas que Lorenzo teria reservado para essa festa secreta.
As Encalhadas, é claro, não fugiam à regra. Durante o jantar, elas comentavam, ansiosas, a festa que se aproximava cada vez mais...
-Ainda não sei com qual roupa irei a essa festa – comentou Joyce. – Não tive muito tempo para escolher durante o dia... E nem "cabeça" para escolher, depois que o Fucky quase me pegou.
-Não é necessário muito rigor nos trajes – disse Hermione. – Uma festa regrada a bebidas, músicas agitadas, e muita sacanagem não exige longos vestidos e salto alto.
-Ainda bem – suspirou Alone. – Não precisarei me equilibrar sobre saltos essa noite!
-Falando no Fucky... – começou Mione. – ...Não acha possível que o Juca tente investir o Fucky em você mais uma vez, talvez durante a festa?
-Não. Deixei bem claro que não quero nada por enquanto.
-É, mas talvez ele se anime ao ver a promiscuidade da festa – disse Clarissa.
-Eu corto o barato dele rapidinho. Se bem que existem certas coisinhas que eu posso fazer para relaxar o Juca. Alguns beijos, por exemplo. Deixá-lo tocar em meus seios... Essas coisas.
-Apalpada de seio me lembra Lanísia – disse Joyce. – A garota que direcionou a mão do próprio professor para o seu mamilo.
-Ah vou direcionar muitas outras coisas para outras regiões de meu corpo, queridinha – falou Lanísia. – Já deixei o coroa em ponto de bala. Se não fossem as interrupções desagradáveis, eu e Augusto já teríamos nos entregado aos prazeres carnais.
-Mas, não podemos nos esquecer, ele arranjou um lugarzinho para vocês dois farrearem à vontade, e hoje mesmo! – lembrou Alone. – Amiga!! Já parou para pensar nisso? Hoje, finalmente, você realizará o sonho de dormir com o Augusto! O sonho de perder a sua virgindade com ele!
-E nada pode atrapalhar os dois – disse Joyce. – Ele mesmo garantiu que o lugar é perfeito! Vocês dois desejam um ao outro... Quem pode duvidar que algo muito gostoso não ocorrerá hoje à noite?
"Eu", Lanísia pensou. "E o pior é que eu nem duvido: eu tenho certeza".
-Falando no professor... – comentou Mione.
Lanísia nem teve tempo de compreender o que ela dizia; uma sombra cobriu a mesa à sua frente e, virando-se, ela encontrou o rosto de Augusto, que sorria e coçava a barba rala, como se quisesse disfarçar o verdadeiro motivo de se aproximar de sua aluna.
-Oi, Lanísia. Tudo certo para hoje, não?
Como ele era perfeito... Ela sentia o toque de malícia naquela frase, a excitação que ele estava sentindo, o cheiro de perfume que ele exalava...
Não! Não podia se deixar envolver!! Ela seria a diva do Bruxetes! Uma oportunidade única, de provar as melhores lingeries, talvez até ganhar algumas de presente! Se não fosse até o Bruxetes, perderia o emprego; se não fosse ao encontro, não perderia Augusto. Porque Augusto era seu, por toda a eternidade, assim disse a Fogueira das Paixões.
Mas abrir mão de uma noite com o professor... Oh! Custava tanto... custava demais.
-Eh... – ela gaguejou.
"Invente uma desculpa: uma dor de cabeça... Talvez uma dor de barriga... Indisposição... Ou um simples: 'hoje não estou muito bem'. Invente alguma coisa!!".
Os cabelos... A barba... O perfume... O sorriso...
-Sim – ela respondeu, zonza. – Tudo certo, Augusto.
-Estarei aguardando na minha sala – disse ele, piscando um olho... e o danado até em um piscar de olhos conseguia ser irresistível.
Augusto afastou-se da mesa, enquanto Lanísia deslizava no banco, suspirando.
-Vou lhes dizer uma coisa: esse cara mexe tanto comigo que parece até que quem armou a Fogueira para me atrair totalmente foi ele, e não eu.
-Tenho certeza que vou adorar a festa, mas não deixarei de pensar em vocês dois – disse Alone. – Para onde Augusto levará você? E o que ele vai preparar para essa noite tão aguardada?
-Humm... Vamos ver... – respondeu Lanísia, tentando parecer divertida, mas ninguém poderia imaginar o quanto aquilo a estava corroendo internamente, não só os sentimentos quanto a sua própria carne. Do mesmo modo que doía em seu coração iludir Augusto, o seu corpo protestava em não senti-lo dentro de si naquela noite...
-E Serena? Já não devia ter voltado? – perguntou Hermione, olhando as horas.
-Se voltou, ela com certeza não virá diretamente ao Salão – opinou Joyce. – O funeral será muito doloroso para ela. Na certa, vai preferir ir até o dormitório.
-Ela e Lewis não conseguiriam comparecer a festa de qualquer maneira – disse Clarissa. – Como conseguiriam sair do quarto e passar a madrugada fora se estão sob a vigilância da Frieda?
-É, nem havia pensado nisso – falou Alone.
Hermione viu Harry passando, caminhando ao lado de Rony, e lembrou-se de fazer uma pergunta a Alone.
-Vai seduzir Harry hoje à noite?
-Ah não tenha dúvida. Colin com certeza deve estar preparando alguma coisa, ridícula, claro, assim como o truque de se esconder no armário de cuequinha branca. Vou mostrar a ele quem é que sabe seduzir bem o Harry Potter por aqui.
-E já tem certeza do que vai fazer?
-Do que vou fazer, ainda não, Mione, mas sei muito bem o que vou usar. Algo muito melhor do que o espartilho azul. Se Harry acha que já viu tudo, ele está seriamente enganado...
-Acha que vai rolar tudo essa noite também? – perguntou Joyce.
-Não... Mas só porque eu não quero. Ainda não atingi o nível que pretendo alcançar em relação ao Harry. Fui esnobada por ele anteriormente, e ainda não me senti vingada por completo. Só quando sentir que finalmente consegui dar a volta por cima, me entregarei a ele. Mas tenho plena consciência de que quem decide o momento sou eu.
-É assim que se fala, Encalhada!! – apoiou Alone.
Mione observou o Salão e viu que Rony conversava com alguns estudantes de cada uma das outras casas, com certeza já deixando claro como ocorreria a fuga para o Lorenzo´s.
Da mesa da Sonserina, Draco Malfoy captava esse olhar e socava uma taça, que virou sobre a mesa, derramando grande quantidade de suco de abóbora.
Draco saiu da mesa em seguida. Hermione tirou os olhos de Rony e voltou-os para ele, vendo que Draco vinha na direção da mesa da Grifinória, ou melhor, em sua direção.
E ele não estava bem. Havia algo diferente em seu rosto, em seu olhar... Estava transtornado.
Com os olhos cheios de lágrimas e o rosto vermelho, Draco segurou os ombros de Mione e, olhando bem para o rosto da garota, a balançou.
-Você me ama, não ama??
A voz dele estava embargada pelas lágrimas... Mione nem conseguia pensar no que responder...
-Diga para mim: você me ama?? Ama?
Mione engoliu em seco, sem fôlego...
-Eu preciso saber... Por favor...
Draco Malfoy se desmanchando em prantos no meio do Salão Principal... Algumas pessoas olharam, assombradas...
-Sim, Draco. Claro que sim – respondeu Hermione, assustada.
Ela viu Draco lançar um olhar preocupado para Rony e, em seguida, enxugar as lágrimas e voltar ao normal.
-Ótimo – disse ele. – Também amo você.
E se afastou, como se nada de anormal tivesse acontecido. Mione fitou as próprias mãos, depois olhou para as amigas; todas as Encalhadas presentes estavam boquiabertas – exceto Clarissa.
-Minha nossa... O poder da Fogueira às vezes me assusta... – comentou Joyce, tomando um gole de suco para se acalmar.
-Ele está incomodado com a presença de Rony... Muito incomodado – disse Mione.
-Afastamento total do Rony, é isso que eu recomendo a você – disse Alone. – Principalmente durante a festa, viu? Sabe muito bem que Draco pode se tornar muito perigoso.
-Fique tranqüila. Não vou provocar nenhuma cena que possa causar ciúmes no Draco.
"Mas alguém vai provocar por você...".
Assim pensou o terrível demônio de olhos azuis.
Como todas as noites, após o jantar, os alunos subiram para os seus respectivos dormitórios. Como sempre, o castelo mergulhou em silêncio. Também seguindo a rotina, os alunos deitaram-se em suas camas, cobriram-se com seus lençóis e ficaram calados. Porém, se tudo seguisse a rotina nessa noite de segunda-feira, eles estariam, de olhos fechados, aguardando a chegada do sono. Mas não; nessa noite, todos os alunos tinham os olhos abertos, ansiosos, fixos em seus relógios, aguardando o horário marcado para uma fuga em massa nunca ocorrida antes em Hogwarts. A fuga para um local onde poderiam fazer de tudo, a hora em que quisessem. A fuga para um mundo proibido, onde podiam quebrar limites, regras, e bem longe dos adultos.
Esperaram, quietos... Só havia silêncio, em todas as salas comunais...
E eis que um apito soou.
Um por cada sala comunal, conforme o combinado por Rony.
Era chegado o momento.
Todos se levantaram, e, apressados, começaram a vestir-se para a tão aguardada festa. Também conforme o combinado, eles encheram as camas com almofadas e as cobriram com lençóis, para que simulassem cada um deles dormindo tranqüilamente e, cinco minutos depois, todos estavam prontos nos salões comunais, tendo, à frente da multidão, o seu líder. Corvinal, Audrey Carver, Lufa-Lufa, Peter Jackson, Sonserina, Pansy Parkinson e Grifinória... Rony Weasley, claro.
No salão da Grifinória, Rony passava, em um tom de voz não muito alto, mas o suficiente para ser ouvido pela multidão de alunos, os procedimentos de segurança.
-Vamos fazer agora o que, acredito, nunca tenha ocorrido nessa escola. Uma fuga em massa; a fuga de praticamente todos os alunos. E todos sabemos que o motivo para essa fuga nunca seria aprovado por nenhum de nossos professores, muito menos pela direção da escola. Ou seja: não poderemos ser pegos. Silêncio e cautela são essenciais para que tudo corra bem hoje. Conto com vocês para que possamos desfrutar dessa Festa Proibida. E, podem ter certeza, com essa festa dando certo, muitas outras virão.
Ele viu os sorrisos surgindo nos rostos dos estudantes.
-Vamos lá. Sigam-me!!
E a comitiva de alunos da Grifinória seguiu Rony Weasley. No meio da multidão, as Encalhadas caminhavam juntas. Joyce beliscou Hermione, que fitava Rony, embasbacada.
-Pare com isso, Hermione!
-Desculpe... É impossível evitar...
-Ele já está se achando "o cara" depois da prensa que deu em você hoje de manhã. Se ele percebe esse seu olhar de retardada, aí é que vai se achar mesmo...
Mione concordou com a cabeça e voltou os olhos para o chão.
Clarissa notou o nervosismo de Lanísia, que esfregava as mãos ao seu lado, tensa.
-Tudo isso é ansiedade?
-Ãh? – Lanísia perguntou, aérea. – É... É sim... Por quê? Acha que eu não devia estar ansiosa? Um encontro com o Augusto é sempre importante.
-Não me lembro de tê-la visto nervosa anteriormente por causa de um encontro com o professor – disse Alone.
-E olha que muitas vezes parecia que iam acontecer várias coisas... – disse Joyce.
-É... Sei lá... Não sei por que estou nervosa... – respondeu Lanísia, forçando um sorriso.
-Quando vai se afastar de todos nós? – indagou Clarissa.
-Daqui a pouco... Acho que vou diminuindo os passos lentamente, até me encontrar fora da multidão...
-Então acho que é melhor se distanciar logo – lembrou Mione. – O corredor que leva à sala dele é o que está logo à frente...
Lanísia concordou. E, disfarçadamente, começou a deixar-se para trás, diminuindo os passos. Quando se deu conta, já estava no fundo da multidão de alunos. Sorriu satisfeita, mas, ao contrário do que as Encalhadas pensavam, Lanísia não entrou no corredor que levava à sala do professor. Ela passou direto, lançando um olhar pesaroso para o corredor, mas sem deixar o fundo da multidão...
No meio da aglomeração, as Encalhadas torciam pela amiga.
-Espero que ela aproveite para apagar todo esse fogo acumulado – comentou Joyce.
-Eles merecem. Sem mais interrupções!! – disse Alone.
-Veja, Alone! – apontou Clarissa.
Seu dedo indicava Harry, que caminhava cabisbaixo um pouco mais à frente. A grande surpresa – que o dedo de Clarissa também indicou – era Colin, que, próximo a Harry, fitava o rapaz com um olhar que era pura malícia.
-Safado... – comentou Alone. – Nem espera a festa começar e já está de olhos cravados no Harry...
-Isso porque ainda não chegamos à terra proibida – falou Joyce.
-Seja o que for que o Colin está aprontando, não será nem melhor nem mais sensual do que o que eu posso preparar... Mundo proibido, queridinhas! Lugar sem limites, inclusive para a sedução...
A multidão, que caminhava, silenciosa, continuou seguindo Rony, que, chegando ao Saguão de Entrada, abriu as portas para o jardim. Mais à frente, eles viam a multidão da Corvinal, já seguindo o caminho para os portões. Era uma noite um pouco fria, carregada de neblina, o que era ótimo – qualquer professor ou funcionário que se atrevesse a espiar pela janela não conseguiria enxergar sequer a silhueta de um aluno. Atravessando aquela neblina, os alunos caminhavam, decididos, quietos e disciplinados, rumo aos portões do castelo, o local combinado para o encontro das quatro casas.
Quando a "equipe Grifinória" chegou aos portões, os alunos da Corvinal aguardavam, quietos. Rony apertou a mão de Audrey, a líder, sorrindo.
-Por enquanto, tudo certo!
-Sim... – comentou Audrey. – Fiz como você sugeriu. Uma rota que evitasse os dormitórios dos professores, locais freqüentemente visitados por Filch... Foi complicado, mas toda a casa ajudou e conseguimos encontrar o caminho ideal!
-Só espero que Lufa-Lufa e Sonserina também não encontrem dificuldade – torceu Rony.
-Acho que não encontraram! – disse um aluno da Corvinal, apontando para algum ponto atrás de Rony.
O rapaz virou-se e viu, através da neblina, surgirem os alunos da Sonserina e Lufa-Lufa ao mesmo tempo. Todos seguiam os procedimentos de segurança – silêncio e cautela. Os líderes das quatro casas apertaram-se as mãos. Em seguida, Rony fitou a grande multidão que havia ao seu redor.
-Uau! – foi o primeiro comentário. – Estou admirado... Não posso acreditar que conseguimos driblar toda a segurança do castelo e...
-Sem papo furado! – reclamou um aluno da Sonserina, num protesto sussurrado.
-É!! A festa! – pediu Joyce, ansiosa.
-Sim, claro... – disse Rony, sem graça. – Vamos... Vamos entrar na estrada que leva ao mundo proibido...
Rony foi à frente e, atrás dele, seguiu toda a multidão de alunos. As Encalhadas, no meio, caminhavam juntinhas, para se protegerem do ar frio. No fundo, Lanísia continuava acompanhando o grupo, de cabeça baixa, para manter-se ainda mais oculta.
Do outro lado da neblina, no castelo, a luz da sala de um professor estava acesa...
...e ele olhava através da vidraça, sem nem ao menos imaginar o que ocorria do lado oposto daquele véu branco que bloqueava a visão.
Suspirando, Augusto abriu uma garrafa de vinho e, pegando duas taças de seu armário, as encheu. Ficou olhando-as por um momento, pensativo... Em breve, dali a alguns minutos, ele e sua Lanísia estariam brindando a sua noite, a noite em que seriam um só, a noite mais aguardada de suas vidas...
Pegando sua taça de vinho, Augusto sorveu um pequeno gole. Seu corpo tremia de excitação. Só de imaginar o que ele e Lanísia iam fazer... Seria perfeito! Ainda mais porque seria proibido.
O mestre e a aluna na mesma cama.
Por que só lembrar que era algo proibido tornava as coisas mais atraentes, mais convidativas?
Antes ele não pensava assim... Claro, ter algo com Lanísia sempre fora muito convidativo, mas, de uns tempos para cá, o proibido, que era atraente, porém recusável, passara a ser atraente e também possível.
Era possível, sim, ter Lanísia...
Era possível jogá-la na cama, possuí-la com voracidade, beijá-la na boca...
Não havia mais correntes aprisionando-o. Agora era: que se danem os outros, o que importa somos nós, Lanísia e eu, e as quatro paredes que nos aprisionam e nos protegem de todo o mundo...
Estariam protegidos, sim; mas, saber que o que fariam era proibido e condenável por todos era muito gostoso...
Lanísia era terra proibida, e ele entraria dentro dessa terra em poucos minutos.
-Venha para mim, minha doce aluna – murmurou ele, sorrindo. – Um forasteiro quer invadir e dominar as suas terras. Dê passagem para esse pobre forasteiro que quer brincar de entrar e sair...
Augusto deixou-se afundar em uma de suas poltronas, aquecido. Enquanto, do lado de fora, a neblina fria envolvia o ar...
...e a multidão de alunos, que, finalmente, chegava ao povoado de Hogsmeade.
O povoado dormia; com cautela, os alunos caminhavam pelas ruas, tentando tomar apenas as comerciais, evitando assim passar pelas ruas residenciais, onde algum insone poderia ouvi-los.
Em uma das esquinas, uma aluna separou-se do grupo – aluna que devia ter se distanciado há muito tempo. Lanísia precisou apenas diminuir um pouco o passo para isolar-se sem ser notada. Lançando rápidos olhares para trás, ela entrou em uma rua por onde, tinha certeza, ia chegar ao Bruxetes.
Correndo, Lanísia não demorou muito para encontrar a casa de lingeries. Fechando o punho e olhando ao redor, ela deu três batidinhas na porta; mal havia dado a terceira quando ela foi aberta por Ted Bacon.
-Ah, sabia que não ia faltar... – ele comentou, com aquele sorriso de cafajeste no rosto.
Lanísia apenas sorriu em resposta e entrou.
Não pôde ver o sorriso sinistro que Ted deu ao encostar a porta.
Lanísia examinou o interior do Bruxetes, os diversos manequins e, em seguida, olhou para Ted, com o olhar ansioso e carregado de curiosidade.
-E então? Quais peças a diva, que sou eu, irei provar hoje?
-Já vou buscá-las! São diversas peças... Calcinhas, sutiãs, entre outras... Acho que você pode começar... – ele examinava os manequins atentamente. – Com esta aqui! – ele apontou para um conjunto de calcinha e sutiã rosas. Ted retirou as peças do manequim e estendeu-as a Lanísia.
-Humm... – comentou a garota. – Peças de primeira...
-Claro! Mas só direi isso ao ver que elas caíram muito bem em você – falou Ted, levando a mão ao baixo ventre e mordendo o lábio ao fazer isso.
Lanísia sorriu.
-Onde poderei vesti-la?
-Pode ser aqui mesmo. Eu vou até a cozinha pegar uma garrafa de champanhe, para brindarmos a sua primeira noite como diva do Bruxetes!
-Que ótimo! – ela comemorou, e, em seguida, esperou que Ted desaparecesse para começar a despir-se e vestir a lingerie.
Não era necessário qualquer tipo de preocupação; Ted nem pensava em espioná-la. Para que espionar se ele poderia ver à vontade dali a alguns minutos? Poderia ver a parte que quisesse, tocar onde bem entendesse, fazer qualquer coisa.
Depositando o champanhe em duas taças, Ted pegou o frasco de Poção do Sono e, sem pensar duas vezes, virou um bom conteúdo dentro da taça destinada a sua diva.
Lorenzo observava a rua, ansioso, por uma abertura na cortina de uma das janelas do bar. Walter, que cochilava em uma das mesinhas, resmungou:
-Será que eles ainda virão, chefe?
-É claro que sim! Você tem alguma dúvida disso?? Porque eu não tenho nenhuma!
-Chefe... Está muito confiante nisso e...
-AH! – Lorenzo gritou e deu pulos de alegria. – Não acredito!! É espetacular! Fantástico!! Walter, venha ver!! Nunca houve algo tão proibido na história de Hogwarts, pode acreditar nisso!!!
Ele foi até a mesa e trouxe o bruxo sonolento até a janela, puxando-o pelo colarinho. Walter esfregava os olhos, tentando afastar o sono, mas não foi preciso mais nada quando ele viu aquela multidão de alunos vindo em direção ao bar. Os olhos se arregalaram, o queixo quase tocou o chão.
-Pelas... barbas... de... Merlim...
Lorenzo, trêmulo de excitação, correu até as portas de entrada do bar e as abriu, lentamente.
-Se formos descobertos, estamos perdidos! – disse Walter, apavorado.
-Não seremos – respondeu Lorenzo, confiante.
O primeiro a passar pela porta foi Rony.
-Muito obrigado, Rony! – disse o dono do bar. – Sem a sua ajuda, aposto que nem metade desses alunos estaria por aqui... Já sabe o caminho para o bar secreto, não sabe?
-Sei sim. Vou levá-los até lá.
-Obrigado.
Os alunos seguiram Rony, passando pelo interior do bar – que estava todo escuro – , entrando no Cantinho de Amor e Pegação, e, depois de passarem pelo Cantinho e alcançarem um corredor – corredor que levava à cabine que Rony ainda visitava em pesadelos – eles pararam. Rony deitou no chão e começou a acariciá-lo.
-Que porcaria é essa? – perguntou Alone a Hermione. – Uma espécie de ritual?
-Não. Ele deve estar procurando alguma coisa.
Um dedo de Rony envolveu uma maçaneta pequenina que, forçada para cima, revelou uma passagem secreta que dava acesso ao subterrâneo. Houve diversas exclamações de espanto, enquanto ele descia pela passagem e era seguido por cada um dos alunos.
A passagem saía em uma escadinha de madeira. As Encalhadas desceram uma depois da outra: primeiro Joyce, que já conhecia o ambiente; em seguida Hermione, que estava admirada; depois Alone, que ainda bolava planos de seduzir Harry em sua mente; e depois dela vinha Clarissa, que já olhou ao redor procurando alguma maneira de eliminar o grande amor de sua vida – a tarefa a que vinha se dedicando com grande empenho nos últimos dias.
O salão subterrâneo continuava quase inteiramente da mesma forma que Joyce e Juca tinham visto na noite do Baile. Ainda havia as mesinhas de madeira, os sofás, o palco e o bar. Mas novos itens foram adicionados ao ambiente. As mesas agora tinham, cada uma, uma garrafa de bebida arredondada, cortada por uma reta vermelha em diagonal – nada mais, nada menos, que o símbolo de proibido. O bar estava mais cheio – bebidas de todos os tipos, e o difícil era achar alguma sem teor alcoólico. O palco tinha luzes de diferentes cores piscando sem parar. De um lado, havia instrumentos musicais e uma banda que eles nunca tinham visto – uma banda muito diferente. Afinal, todos os integrantes – homens e mulheres – usavam máscaras negras e usavam roupas de couro negras. As mulheres, maiôs de couro bem apertados e enormes botas negras. Os homens, bermudas de couro e botas.
Ao lado da banda, três homens e três mulheres, também com máscaras negras – homens de sunga, mulheres de biquíni – dançavam. Mas não era uma dança comum; era muito sensual. Algumas barras de ferro desciam do teto daquele lado do palco. Uma das garotas se esfregava a essa barra quando um dos rapazes chegou por trás e, colado a ela, começou a acompanhar o ritmo da música. Outro casal também dançava sensualmente; o rapaz bailava enquanto a mulher deslizava as mãos por seu corpo. O último casal dançava separado, na beira do palco, se exibindo para a platéia.
Os jovens berraram.
-Podem gritar! – disse Rony. – O salão é encantado e possui potentes barreiras sonoras!
-Demais!! – exclamou Joyce, puxando Hermione. Ela sentiu a mão gelada da amiga, e, ao olhar para o rosto de Mione, viu que ela estava chocada. – O que houve, Mione? Vamos para o meio do salão!!
-Eles... estão... quase... pelados... – ela balbuciou.
-E quem liga para isso no mundo proibido? – perguntou Joyce, finalmente puxando-a.
As Encalhadas entraram no meio do salão, no meio da terra sem lei, onde mais surpresas ainda viriam, e onde tudo era normal e permitido...
-Aqui está, Lanísia – disse Ted, voltando da cozinha com duas taças de champanhe. – Mas, antes, deixe-me observá-la.
Ele olhou-a de cima a baixo. Estava esplendorosa com a lingerie rosa. Ted bateu palmas, sorrindo.
-Perfeita! – disse ele, embasbacado. – Você está maravilhosa.
-Obrigada... – agradeceu Lanísia.
-Agora, a nossa comemoração... Tome, esse é pra você.
O sorriso de Lanísia morreu quando ela fitou o champanhe. Pequenas bolhas azuladas pairavam no interior, bolhas que não deviam estar ali. Um bruxo desatento não perceberia, mas Lanísia percebeu, sim, e ainda se recordava da aula de Poções onde aprendera a reconhecer uma Poção do Sono.
Lançando um discreto e rápido olhar para a taça de Ted, viu que a dele não tinha bolhas azuis... O que aquele homem estava pretendendo?
-Ted... – ela interrompeu-o. – Antes de bebermos... Não tem um aperitivo? Alguns biscoitos... Chocolate...
Ele franziu a sobrancelha.
-Sim. Posso dar uma olhada na despensa.
-Ah obrigada.
Assim que ele saiu, Lanísia, silenciosa, trocou as taças, pegando a de Ted e deixando a sua na mesinha onde ele havia largado a dele. Ted retornou um minuto depois, trazendo uma bandeja com biscoitinhos.
-Aqui estão, minha diva gulosa – ele brincou.
-Ótimo. Mas, antes, claro, o nosso brinde.
Ela estendeu rapidamente sua taça. Ted correu para acompanhá-la. As taças se chocaram, brindando.
-A Lanísia, diva do Bruxetes! – disse Ted.
Lanísia cruzou as pernas, para atrair a atenção dele e fazer com que ele não olhasse para a taça e, claro, conseguiu.
"Como os homens são estúpidos e fáceis de manipular".
Em seguida, virou a sua taça sem parar, para que Ted fizesse o mesmo – e ele fez. Também tomou o seu champanhe sem ao menos respirar.
Lanísia sorriu, triunfante.
Quisera dar o golpe nela e ia receber um de volta. Ele nem imaginava o que ela pretendia fazer quando ele caísse no sono...
N/A: Peço mil desculpas aos leitores da fic pela demora na atualização. As coisas andaram muito corridas para mim, e a fic pagou o preço por isso. Prometo fazer o possível para que isso não volte a acontecer. Quanto ao novo ca´pítulo, espero que tenham gostado e, se possível, comentem, por favor!! Obrigado! Ah e obrigado aos criadores da comunidade A Fogueira das Paixões no Orkut. Foi uma surpresa encontrar uma comunidade dedicada à fic. Acho a comunidade um ótimo meio de deixar opiniões sobre a fic, entre outras coisas. Pretendo sempre visitá-la e ver o que vocês deixaram lá, Ok? Abraços!
