CAPÍTULO 20
Mestre dos Desejos
Há quem domine a inteligência...
-Todas estão ligadas pelo mesmo segredo, pelo mesmo erro.
...e quem domine os desejos a ponto de ser considerado Mestre...
-Ensine tudo o que a sua garota sempre quis aprender.
...outros são dominados por encantamentos...
-Acho que teremos que passar a noite aqui.
...e alguns não querem ser dominados...
-Tenho medo de que Frieda comece a agir antes do que imaginamos.
A primeira coisa que passou pela mente de Mione, Joyce e Serena enquanto olhavam para Frieda foi: será que ela ouviu? Seguiu-se a esta outra questão inquietante: se ouviu, o que teria ouvido?
Ambas as perguntas foram respondidas pela própria professora que, ainda possuindo um ar triunfante, aproximou-se das meninas.
-Todas cochichando... Parecendo preocupadas... E, eu tenho certeza, estão preocupadas porque a minha adorável Serena veio lhes contar que estou disposta a descobrir qual foi o maldito ritual executado para conquistar o meu filho. E, e aí que eu pergunto... Estão preocupadas por causa da amiga? Ah, eu acho que não... Acho que, desmascarando uma, todas as outras também são desmascaradas. Um efeito dominó. Cai uma, caem todas.
As últimas palavras foram ditas com uma frieza descomunal. As Encalhadas não conseguiam tirar os olhos da professora; as mãos estavam frias, o sangue, gelado. Frieda contemplou as feições assustadas das garotas com mais um de seus sorrisos arrogantes.
-Reação em cadeia! A mesma feição em cada um dos rostos! A prova viva de que tenho razão. Todas estão ligadas pelo mesmo segredo, pelo mesmo erro.
-Não entendo o que a senhora quer dizer... – disse Mione, mas foi interrompida por Frieda.
-Sei que você entende muito bem. Participaram do mesmo ritual que Serena realizou. Um ritual com o qual vocês atraíram os rapazes que amavam.
-A senhora me desculpe, mas é uma acusação muito grave para ser feita sem provas! – exaltou-se Joyce.
-Concordo com você! – disse Frieda, tranqüila. – E é exatamente isso o que eu procurarei. Provas. É só o que eu preciso no momento. Porque eu sei que vocês fizeram alguma coisa; falta apenas descobrir o quê.
As meninas permaneceram caladas.
-Vou descobrir o que fizeram e terei a minha prova. Torçam para que demore, ou para que eu talvez nunca encontre, se bem que, com a minha inteligência fora do comum e o meu tato para desmascarar inimigos, eu acredito que isso não demorará muito.
Frieda riu.
-Espero que não tenham feito nada muito grave. Porque, vocês sabem, dependendo do ritual... Uma bela sentença em Azkaban as aguarda... Talvez, até mesmo, a prisão perpétua!
-Estamos tranqüilas – disse Joyce. – Temos consciência de que não estamos escondendo coisa alguma...
-Não é isso o que seus rostos me revelaram.
-Não houve ritual – falou Mione, que, aparentemente, tentava esconder seu pavor. – E, mesmo que houvesse algo que manipulasse sentimentos, existem tantas coisinhas bobas que podem ser feitas...
-Sim. Mas a mudança em Lewis foi gradual – Frieda baixou os olhos e, no meio da confusão de alunos que entravam no castelo, refletiu por alguns momentos. – Nunca vi algo parecido. Uma paixão criada por magia que vai aumentando a cada dia, como um sentimento vai aumentando normalmente. A perfeita simulação de um sentimento. Vocês fizeram algo muito poderoso. E, conseqüentemente, muito grave.
As Encalhadas entreolharam-se; não havia o que negar. Frieda já chegara muito longe em suas conclusões.
-Agora, com licença, preciso ajudar a Minerva – disse Frieda, olhando para as portas de entrada, onde a diretora ainda gritava com os alunos que apareciam. – Não esqueçam, estou de olho em vocês.
As meninas ficaram sem ar...
-Por que isso? – perguntou Joyce, indignada. – Nunca fizemos nada a você!
-Você e Hermione, não, mas Serena, sim. E foi o que eu disse. O efeito dominó. Destruindo o futuro de Serena, o de vocês também é destruído. Se for preciso me intrometer em suas vidas para encontrar as respostas que eu preciso, vou me intrometer, porque, descobrindo o que fizeram, também descubro o que ela fez.
-Você não vale nada – disse Joyce, audaciosa, sem conseguir se conter.
-Não, querida. Para chegar às conclusões a que cheguei, você deve admitir que eu valho alguma coisa. Quem em breve não valerá nada diante de toda a escola são vocês.
Frieda afastou-se, deixando no ar o cheiro de seu perfume adocicado e nauseante.
-Estamos perdidas! – disse Mione, chutando a parede.
-Bota perdidas nisso – falou Joyce, pálida. – Não havia pessoa pior para suspeitar do que fizemos.
-Concordo – falou Serena. – Frieda é muito inteligente; dissimulada; esperta.
-Justamente por isso chegou às conclusões que chegou – Mione respirou fundo. – Não vejo forma de desviarmos a atenção dela.
-Precisamos de uma reunião de emergência – afirmou Joyce. – Para alertamos o restante das Encalhadas, discutirmos idéias, chegarmos a um consenso sobre o que podemos fazer.
-Não enxergo nenhuma luz no momento – disse Mione, deixando transpassar o seu desespero e sua desesperança. – Espero ter alguma idéia durante o resto da noite. Talvez quando estiver mais calma... Droga, como vamos nos livrar das desconfianças dessa mulher?
Silêncio entre as amigas; Hermione, Serena e Joyce não ouviam os alunos que atravessavam o Saguão, assustados pelas broncas que levavam de Frieda e Minerva; não sentiam o vento gelado que entrava pelas portas abertas; estavam fechadas em seu próprio mundo, o mundo que ameaçava desabar se elas não fizessem alguma coisa...
-Beco sem saída – falou Mione, resumindo nessas palavras o que concluiu em sua breve reflexão; Serena e Joyce fizeram sinais afirmativos com as cabeças, o que indicava que ambas concordavam inteiramente com aquelas palavras. – É, é isso... Um beco sem saída.
-Encurraladas por um monstro – Joyce lançou um olhar irado para Frieda, que estava de costas. Suspirou profundamente, esfregando os olhos. – Isso parece um pesadelo... Bom, precisamos ir para o dormitório, Mione. Daqui a pouco todos os alunos já entraram e ainda estamos por aqui.
-Sim... – ela olhou para Serena. – Ficará bem voltando ao território inimigo?
-Infelizmente, preciso dormir no território inimigo todos os dias. Pelo menos não é no mesmo quarto.
-Espero que ela não a torture mais para descobrir o que fizemos.
-Ela vai me torturar novamente. Frieda é de palavra. Mas, aconteça o que acontecer, não quebrarei o juramento das Encalhadas. Jamais.
Joyce pegou uma das mãos de Serena e colocou sobre uma das mãos de Hermione; em seguida, colocou a sua sobre as duas; com os olhos marejados de lágrimas, apesar do medo que sentia, ela sorriu.
-Através de momentos difíceis como este é que as Encalhadas mostrarão que são amigas de verdade.
Uma forte emoção também tomou conta de Serena e Hermione. As mãos das garotas apertaram-se com força. Uma lágrima percorria o rosto de Hermione quando Minerva deu um berro acima do nível dos que vinha dando desde o início da confusão.
-ERA SÓ O QUE ME FALTAVA! O QUE HOUVE AGORA??
As meninas sobressaltaram-se; Mione secou a lágrima enquanto olhava na direção das portas de entrada, onde Minerva e Frieda afastavam-se para dar passagem para alguma coisa... que logo surgiu.
Eram três pessoas; dois rapazes apoiando uma garota que tinha uma das pernas suspensa acima do chão. Juca Slooper e Draco Malfoy ajudando Clarissa.
-Com certeza está com a perna quebrada!! – gritou Minerva, em seu espanto exagerado. – Até você, Clarissa?? Nunca imaginei que tantos alunos não tivessem juízo!!
Clarissa revirou os olhos e sorriu para as amigas. Ela pediu que Juca e Draco a conduzissem até Mione, Serena e Joyce.
-Pelo que vejo, contaram tudo sobre a festa – disse ela, ao aproximar-se.
-Sim, a pessoa que a jogou do barranco não estava para brincadeiras – falou Mione.
-Como alguém pode ser tão baixo a ponto de contar à direção da escola sobre a Festa Proibida? – questionou Clarissa, com uma bem simulada indignação. – É quase inacreditável!
-Foi um lunático, um maluco – disse Joyce. – Joga uma pessoa de um barranco altíssimo, corre até Hogwarts, informa sobre a festa... Imbecil...
-Será que não existe maneira de descobrir quem foi? – perguntou Juca. – Tentar ludibriar a McGonagall...
-Juca, pare de tentar falar difícil! – riu Joyce. – Até parece que é super inteligente!
Juca ficou olhando-a, perplexo, com um olhar que dizia E não sou?
-Minerva nunca falaria quem foi – disse Hermione. – E com certeza a pessoa pediu que ela mantivesse sigilo absoluto. Afinal, a pessoa estaria acabada aqui em Hogwarts se todos descobrissem quem ela é.
-Ah se nossos problemas se resumissem a isso... – lamentou-se Joyce.
-Por que, existem outros problemas? – indagou Juca, preocupando-se.
-Não, querido, deixe pra lá... Assunto particular... Entre amigas...
Juca balançou a cabeça e despediu-se. Draco olhou maliciosamente para Hermione e, puxando-a pela cintura e trazendo-a para perto do seu corpo, para que ficassem colados um ao outro, perguntou:
-Quer prolongar a festinha proibida pelos corredores da escola?
Mione sentiu-se estremecer devido à proximidade. Ela lançou um olhar assustado para as portas e, para seu alívio, Frieda e Minerva estavam de costas, voltadas para os terrenos do castelo.
-Aqui não... – ela pediu, afastando Draco com certa delicadeza.
-Então, em outros lugares, sim?
-Ai... Draco... – ela passou a mão pela testa.
Joyce observava a cena, apurando os ouvidos para escutá-los. Ou Hermione fingia bem demais, ou estava indecisa de verdade. Serena via a conversa com indiferença, enquanto Clarissa não duvidava nem um pouco que Hermione estava realmente indecisa, dividida entre o desejo de entrar pelos cantos escuros ao lado de Draco e voltar ao salão comunal.
-Você havia dito que não me avisaria mais antes de atacar-me – falou Mione.
-É, mas quebrei essa promessa agora! Ah, vai dizer que não gosta das minhas brincadeirinhas? – ele envolveu a cintura dela novamente. – Que o meu jeito de chamá-la, de dizer na sua cara tudo o que eu quero fazer não a deixa animadinha?
-Não posso negar... – ela sorriu. – É realmente fantástico.
-Então... É só deixar-me entrar em ação que você vai ver que fica mais fantástico ainda.
Clarissa mordeu os lábios, irritada; Mione olhava para Draco com um olhar ridículo, abobalhado, como uma criança olhando para um doce. Tudo bem, Hermione não queria mais saber de Rony Weasley, mas com certeza ainda devia haver uma indecisão dentro dela. Se Clarissa permitisse que Draco avançasse o nível de sua relação com Mione, talvez nunca mais conseguisse separar os dois...
-Ai, ai! – ela gemeu alto, envolvendo a perna quebrada com a mão.
Mione tomou um susto e saiu do transe.
-Doendo... demais...
Hermione agachou-se ao lado da amiga; Clarissa olhou para Draco e viu que o rapaz estava impaciente. Sua noite especial não seria essa.
-Precisamos levá-la a enfermaria – disse Mione.
-Não... Por favor – pediu Clarissa. – A viagem até o castelo não foi muito confortável. Estou cansada demais. Tudo o que eu quero é ir até o dormitório e deitar na minha cama.
-Mas Madame Pomfrey precisa lhe examinar – falou Joyce, olhando-a com pena.
-Alguém, por favor, peça para ela ir até o salão comunal.
-Pode deixar que eu aviso e peço para ela prestar esse atendimento "VIP" – brincou Joyce.
-Obrigada... Mione, Serena, podem me ajudar até a sala comunal?
-Claro – disse Hermione, levantando Clarissa pelo lado direito enquanto Serena a erguia pelo lado esquerdo. Assim que Clarissa firmou-se, pediu um momento, levou uma mão a um dos bolsos e, retirando dois galeões, passou-os para Joyce.
-Pra que isso??
-Bom, você irá acordar a Madame Pomfrey, que a essa hora, com certeza, está tendo lindos sonhos. Além de acordá-la, pedirá a ela que atenda uma aluna no dormitório. Talvez ela hesite em aceitar, portanto, estenda esses galeões a ela e acabará com tal hesitação.
Joyce piscou os olhos rapidamente, como se quisesse se certificar de que estava acordada.
-Que absurdo, Clarissa! Ela é funcionária da escola, além de ser ótima pessoa, claro que lhe atenderá! Você acha mesmo que tudo se resume a dinheiro?
-Não acho, tenho certeza. Leve esses galeões para garantir. Dinheiro cura qualquer dúvida. Compra tempo, compra dedicação e, nesse caso, compra o meu atendimento especial. Vamos, meninas!
Joyce tomou o caminho para a enfermaria, enquanto Serena e Mione conduziram Clarissa em direção a sala comunal da Grifinória. Draco interrompeu-as por um instante, entrando no caminho e fitando Hermione.
-Hoje não nos veremos novamente??
-Não, Draco, sinto muito. Preciso ajudar a minha amiga.
Draco fez uma expressão de desapontamento.
-Tudo bem... Boa noite...
Ele saiu do caminho e Mione percebeu que ele ficou parado no mesmo lugar, observando-a se afastar. Clarissa, baixinho, não perdeu a oportunidade de criticar Malfoy.
-Totalmente "grudento", irritante! E pensar que, um dia, eu joguei o nome dessa coisa na Fogueira das Paixões...
-NÃO FALE O NOME DO RITUAL EM VOZ ALTA! – Serena alertou, olhando em volta para se certificar de que realmente não havia ninguém por perto.
-Por que não? – indagou Clarissa, confusa.
-Maiores explicações na próxima reunião, que não deve demorar a acontecer justamente por isso.
-Não entendi nada, mas tudo bem...
-Voltando a falar no Draco, você sabe, Clarissa, que ele está desse jeito justamente por causa da... – Mione se interrompeu antes que o nome saísse. – Por causa daquilo que fizemos...
-Lá vem você defendendo! Não entendo por que você prefere o Draco! Sei que está dividida, mas, francamente, entre ele e o Rony, o menos "grudento" é o ruivo!
-Nem toque no nome do Rony, Clarissa, por favor! – pediu Mione, fingindo revolta. – Já disse a você que não quero ouvir falar desse idiota...
A ira de Hermione assombrou Clarissa. Droga... Afinal, o que Rony disse a Hermione atrás do palco para deixá-la desse jeito? Que raios de briga foi essa para afastá-la totalmente dele?
-Mione... sei que não é da minha conta, mas... Qual foi o motivo da discussão que ocorreu durante a festa... Você sabe... Entre você e o Rony...
Ela sentiu o sopro de ar do suspiro de Hermione bater no lado direito do seu pescoço.
-Não é o momento de falarmos sobre isso. Depois que houver uma reunião das Encalhadas você verá que existem coisas muito mais importantes que necessitam da nossa atenção.
Decidida a não fornecer maiores detalhes?, pensou Clarissa. Isso é intrigante...
-...sim, acredito que todos já retornaram – elas ouviram a voz da Professora Minerva.
-Um absurdo! – era, inconfundivelmente, Frieda Lambert. – Eu proponho que a professora compareça as salas comunais e questione aos alunos, de maneira direta, se estavam realmente em uma festinha de sacanagem e bebidas naquele barzinho estúpido.
-Vamos ver o que Filch e Flitwick voltam dizendo a respeito do Lorenzo´s... – Minerva parou de falar quando ela e Frieda avistaram as meninas. – Serena Bennet, Hermione Granger e Clarissa Smart... As três pagando um preço pela desobediência, principalmente a Srta Smart.
Clarissa olhou-a sem nada dizer.
-Iremos acompanhá-las até a sala comunal – disse a diretora. – Grifinória será a primeira casa a levar um belo sermão.
As professoras as acompanharam, seguindo-as de perto, logo atrás. Não era muito confortável ter a mais nova inimiga das Encalhadas tão perto, mas, como a megera estava acompanhada da diretora, as garotas não viram tanto problema. Seguiram em silêncio, sem conversar.
Enquanto caminhava conversando com Minerva, Frieda observava as meninas. Não eram apenas três... Clarissa também era amiga de Mione, Joyce e Serena, portanto, era óbvio concluir que também fizera parte do ritual...
Minerva seguia falando sempre sobre o mesmo assunto – a festa. Inesperadamente, Frieda deixou o pensamento lógico de lado e soltou uma exclamação de alegria ao ver a porta de uma sala que ela conhecia muito bem.
-Ah! A minha sala! Lembrei que preciso apanhar algumas provas lá dentro.
Olhando diretamente para a porta da sala de Defesa contra as Artes das Trevas, Frieda começou a caminhar em direção a ela.
E atrás da porta...
...Augusto beijava todo o corpo de Lanísia, preparando-a para o ato em si, acendendo todas as chamas do desejo, dos pés à cabeça. Lanísia revirava os olhos, totalmente entregue aos beijos e carícias do professor.
-Isso... Mestre dos Desejos... Ensine tudo o que você sabe fazer para a sua aluninha fogosa...
-Sua atrevida... – gemeu o professor, descendo os lábios pelo umbigo da garota e sentindo o estremecimento da pele alva de Lanísia. – O toque dos meus lábios te arrepia, não é? É gostosa a sensação?
-Sim... Muito... Mas desça um pouco mais...
As pernas de Lanísia envolveram as costas do professor, enquanto as mãos forçavam a cabeça dele a descer mais.
-Humm... Está me conduzindo ao ponto principal...
-Sim, caro professor. Desvende os mistérios desse ponto para mim. Sou uma aluna aplicada... – ela ofegava, a respiração acelerada. – Mostre-me como atingir o prazer total e receberá um presente maravilhoso... Talvez mais de um...
-Mais de um... Com certeza... – ele levantou a cabeça e olhou-a; o rosto de Augusto estava vermelho e gotículas de suor escorriam por ele. Um sorriso malicioso surgiu em sua boca quando ele disse. – Ensinarei tão bem que serão múltiplos presentes.
-Por favor, então ensine... Está prestes a receber um...
E Augusto dominou com os lábios o ponto principal, arrancando um suave gemido de sua aplicada aluna, que logo se acelerou quando ela deu a ele o primeiro dos presentes, arranhando-o nas costas e batendo os pés contra a mesa, tamanho o impacto causado pela língua do professor. Impacto arrebatador... Maravilhoso...
...E no corredor, Frieda estava a um metro de distância de alcançar a maçaneta quando foi interrompida por Minerva.
-Deixe isso para depois, Frieda. Temos toda essa confusão para resolver.
Frieda hesitou por alguns instantes; em seguida, concordou.
-Você tem razão. Precisamos esclarecer tudo o que aconteceu essa madrugada, antes de qualquer outra coisa. Talvez nem tenha tempo de corrigir essas provas...
E, assim, todas passaram em frente à sala de Defesa contra as Artes das Trevas, sem nem imaginarem que, enquanto passavam por ali, atrás da porta...
...A sensação arrebatadora que tomou conta do corpo de Lanísia finalmente cessava. A jovem deixou-se cair por um instante sobre a mesa, respirando rapidamente. Augusto, por sua vez, continuava no ponto principal, explorando, beijando, e praticando vários truques com a boca. Lanísia ergueu-se um pouco pelos cotovelos e olhou-o, sorridente.
-Gostou do presentinho?
-Maravilhoso... – respondeu ele. – Mas estou apenas no começo da minha aula. Vamos ver se a minha aluninha já entra no clima da aula novamente...
-Novamente?? Nem sai... Seus lábios já estão causando novos arrepios em mim... Descargas elétricas de prazer... – ela gemeu baixinho. – Vai acabar comigo até o fim da aula...
-Você gosta, sua safada... – ele movimentou a língua e ouviu o gemido de Lanísia. – Viu? Você fica louquinha...
-Eu quero mais...
Augusto levantou-se.
-Quer, não é? – perguntou, enquanto tirava a cueca diante dos olhos admirados de Lanísia.
-Sim... – ela lançou um olhar inocente. – Vejo que agradei durante a aula. O que vai me dar como prêmio, professor?
-Isso aqui... – ele apontou para o meio das pernas. – Acho que você já passou pelo nível mais leve e está preparada para avançar...
-É mesmo?? – ela perguntou, enquanto Augusto subia na mesa. – Será que estou?
-Claro que está... Preparada para subir pelas paredes mesmo sentindo um pouco de dor... Acredite, cara aluna, vou lhe dar agora uma aula que você jamais vai esquecer.
-Mal vejo a hora... Possua-me, mestre dos desejos. Ensine tudo o que a sua garota sempre quis aprender.
-Pode deixar...
E Augusto possuiu-a, arrancando um forte suspiro de Lanísia, que fechou os olhos e mordeu o lábio. E eram um só, mestre e aluna, na sala de aula. Augusto ficou parado, abraçando-a bem forte, enquanto Lanísia abria os olhos, lentamente. Ele observou-a, levemente preocupado:
-Tudo bem? – perguntou.
Para sua surpresa, Lanísia gargalhou.
-Mande brasa, professor, até chegar à erupção...
-Como quiser, sua atrevida... – ele arremeteu, arrancando gemidos, gotas de suor, estremecimentos e até mesmo sorrisos de sua aluna.
Lanísia arranhava-o nas costas; ambas as peles ardiam de desejo; era troca de calor, troca de suor, troca de fluidos corporais. Corpos unidos trocando prazer.
Augusto desfrutava da intimidade de sua aluna; Lanísia o esperara de verdade. Era o primeiro a desvendar os mistérios daquele corpo, a penetrar na intimidade daquela mulher sensacional. A intimidade inocente de Lanísia o apertava; ele sentia como se realmente estivesse ensinando o corpo dela as artes do prazer carnal; sentia que a modificava.
Lanísia, por sua vez, queria que o professor fosse cada vez mais longe; que a deixasse destruída; que a dominasse com voracidade, que a fizesse um simples fantoche em suas mãos.
-Aja como quiser, professor... – ofegou ela, acariciando-lhe o traseiro. – Você tem o conhecimento... Quero sair daqui zonza e de pernas bambas...
-Ainda não foi o suficiente, é? – Augusto acelerou o ritmo e aumentou a pressão que exercia sobre ela. – E agora? Hein? A aluninha está satisfeita??
-Ah... Demais... – Lanísia puxou os próprios cabelos no meio de seu delírio. – Você é maravilhosamente... cruel... Ah...
Lanísia lançou um breve olhar delirante para a porta e viu sombras passando pelo corredor.
-Alguns... alunos do lado de... fora...
-Ninguém nem imagina que o seu professor... Está acabando com você...
-Se eles imaginassem... O que está ocorrendo... atrás da porta... das paredes...
-Shhh... – Augusto levou um dedo aos lábios dela. – Quieta. Apenas desfrute do nosso ato proibido.
Ela puxou-o para um beijo e não deixou-o afastar-se, agarrando-o pela nuca. Estava prestes a dar a ele mais um presentinho, e quando aquela sensação de êxtase total e brutal a possuísse, ela queria estar com os lábios colados aos dele, lábios do seu homem, do seu professor.
-Ah... Augusto... – ela tentou avisá-lo do presentinho, mas as palavras se perderam quando a sensação começou a arrebatá-la.
Uma nova descarga de prazer, ainda mais potente do que a primeira, percorreu-a. Lanísia gemia, incapaz de se conter, quando Augusto afastou os lábios de sua boca e gemeu:
-E agora o meu vulcão... Em erupção... Hora da "lava"...
Um sorriso ia surgir nos lábios dele, mas a expressão de Augusto transformou-se; ele fechou os olhos e começou a ofegar profundamente. Fechou os dentes sobre os lábios e... atingiu o ápice do prazer. Os dois desfrutavam a incrível sensação, agarrados um ao outro.
Augusto despencou sobre ela, exausto, enquanto Lanísia ainda sentia os últimos vestígios de seu clímax. Quando a sensação passou, ela também despencou sobre a mesa, sentindo a cabeça rodar.
-Incrível... – suspirou. – Perfeito...
-Sim... Não tem idéia do quanto... – falou Augusto, lutando para falar entre as tomadas de ar. – Nós dois... Praticamente ao mesmo tempo...
-Nossa conexão é perfeita. Não tenha dúvidas disso... – "mais do que perfeita", pensou Lanísia, recordando-se da Fogueira das Paixões e questionando a si mesma se a Fogueira não seria capaz de criar acontecimentos perfeitos como o que acabara de ocorrer; ela apostava que sim.
-Eu achava que ainda demoraria para o "meu vulcão" explodir, mas, de repente, veio a sensação de que ia acontecer, e aconteceu rapidamente! – disse Augusto, confirmando a aposta de Lanísia.
O poder absurdo da Fogueira não a deixava de surpreender; era impressionante como aquele poder impulsionava a criação de momentos perfeitos para o "apaixonado".
-Ah, mesmo se não impulsionasse, seria maravilhoso...
-O que? – perguntou Augusto, fazendo Lanísia perceber que pensara em voz alta.
-Nada... Esquece – disse ela. – Agora, me abrace bem forte, meu Mestre dos Desejos – ela pousou a cabeça no peito de Augusto; ele abraçou-a.
-Minha aluna, precisamos ir. Esqueceu-se de onde estamos?
-Claro que não. Foi muito mais divertido por ter acontecido aqui!
-É, eu sei, mas, agora, acho melhor voltarmos. Você vai para a sala comunal, enquanto eu procurarei saber onde Minerva está. O castelo está movimentado, melhor sair antes que me procurem.
-Sim. Tem razão. É hora de ter um pouco de juízo – falou ela, sentando-se na mesa. Com um sorriso, Lanísia olhou bem fundo nos olhos do professor. – Eu amo você. Sabe disso?
-Sei. Agora, mais ainda.
Ele mostrou a mancha de sangue que cobria uma parte da mesa.
-Agora estou marcado em sua vida para sempre – disse ele, de uma maneira tão tocante que Lanísia estendeu uma de suas mãos e acariciou-o no rosto.
-Não é só por isso que você está marcado para sempre em minha vida. Desde o primeiro instante em que o vi, perfeição física e interior, senti que jamais poderia esquecê-lo.
Augusto sorriu.
-Essa marca não significa nada, comparada a marca que você deixou aqui dentro. Marca que os olhos não podem ver, mas irradia poder porque está aqui – ela apontou para o coração. – E sempre vai estar.
Augusto não se conteve e envolveu-a em um beijo apaixonado. Naquele momento, beijando-se naquela sala deserta, ambos nus, professor e aluna mostravam que realmente estavam em perfeita sincronia, porque não apenas se desejavam, mas também se amavam na mesma medida. Perfeito equilíbrio entre desejo e amor.
No vestiário do campo de quadribol, Alone ainda ouvia as explicações de Harry, sentada sobre um banco. O silêncio da garota fazia com que Harry se explicasse sem parar, retornando sempre para o mesmo ponto – não havia nada entre ele e Colin Creevey; o fato de que ele e Colin compartilharam uma vassoura juntos enquanto voltavam para Hogwarts não significava nada.
Harry, já exausto de tanta explicação, perguntou novamente:
-Entendeu agora?
Alone permaneceu calada; Harry sentiu que ia enlouquecer com aquele silêncio. Tomando fôlego, ele preparou-se para começar novamente:
-Está bem, eu explico outra...
-Não – Alone interrompeu-o. – Não precisa.
-Mas você ainda não entendeu...
-Já entendi. Gostei de ver a sua persistência. Explicou várias vezes, e explicaria quantas fossem precisos até que eu o escutasse. Parabéns.
Não havia ânimo na voz de Alone, de modo que Harry apenas sorriu amarelo e disse um constrangido:
-Obrigado.
-Bom, Harry, você me apresentou a situação sobre vários ângulos diferentes – ela começou a caminhar pelo vestiário. – E, o que mais me chamou a atenção, foi em uma das explicações onde você disse que nem se lembrava mais de tudo o que acontecia entre você e o Colin. E que foi esse um dos motivos para que você não visse maldade em voar perto dele.
-É, isso é verdade, Alone – disse ele, afoito. – É um tipo estranho de amnésia. Apagou todos os momentos que tive ao lado de outras pessoas antes de me envolver com você. Só em alguns instantes é que consigo recuperar fatos ocorridos no passado... E, mesmo assim, é preciso muito esforço... Muita concentração...
-Então, sua mente... Seu histórico sentimental... Tudo o que te lembra amor e atração física... Remetem a mim?
-Sim – concordou Harry. – É como se você fosse passado, presente e futuro. Apenas você.
-Humm... Que tal um pequeno teste?? – perguntou Alone, chegando perto dele e envolvendo-o pelo pescoço.
-Diga...
-Um lugar onde você e Colin ficaram juntos?
-Ah... – Harry coçou a cabeça. – Não sei... Não consigo lembrar... Já houve alguma coisa mesmo entre eu e ele?
-Esquece... Agora, um lugar onde eu e você ficamos juntos?
-Já houve grandes momentos... Não necessariamente com contato físico, mas foram muito bons. Aquele em que limpei o sorvete que havia caído em sua roupa, no aniversário da diretora... A banheira de espuma, nessa madrugada...
-É, de nós dois, realmente, você não esquece nada...
-Nada mesmo... O que mereço em troca?
-Isso.
Alone beijou-o; Harry foi pego de surpresa, mas logo acompanhou o movimento dos lábios da garota. Juntos, os dois foram caminhando até a parede do vestiário, onde Alone foi encostada a parede por Harry, que dominou a situação e alternava os beijos nos lábios com pequenas chupadas no pescoço. Em uma dessas chupadas, Alone abriu os olhos. Quando olhou para a saída do vestiário, gritou... porque, afinal, ela olhou mas não viu a saída do vestiário.
Harry, assustado com o grito, abriu os olhos. Seu coração deu uma pequena acelerada quando ele também não enxergou a saída.
-E agora, como vamos sair daqui? – perguntou Alone, estupefata.
O montículo de neve que se amontoava na entrada transformara-se em uma verdadeira barreira de neve, que bloqueara o caminho. Alone chutou a parede, irritada, enquanto Harry sentia uma luminosa idéia surgir-lhe na mente.
Idéia que era dele próprio; assim, ele acreditava.
A Fogueira das Paixões plantava idéias dentro de Harry Potter...
-Estão chegando, Walter – cochichou Lorenzo para o funcionário; ele espiava a rua através de uma fresta em uma das cortinas do saguão principal do bar. – A entrada para o salão subterrâneo foi fechada?
-Sim. Está tudo em ordem.
-Ótimo...
A campainha soou. Lorenzo, que já vestira o seu pijama habitual, esperou alguns segundos e, em seguida, abriu a porta.
-Desculpem, mas não há atendimento durante a madrugada...
-Não! Não é isso!! – disse Flitwick. – É que chegou a Hogwarts a denúncia de que ocorria por aqui uma festa proibida para menores.
-Festa proibida? – perguntou Lorenzo, esfregando os olhos. – Não estou entendendo...
-Saia da frente e vamos ver se não entende mesmo! – rosnou Filch, empurrando-o para o lado; Lorenzo não reclamou; já sentia o trunfo pelo desapontamento do zelador de Hogwarts.
Filch e Flitwick checaram todos os cantos do recinto e nada encontraram. Nenhum sinal de que uma festa teria acontecido. O Lorenzo´s estava em perfeita ordem.
-Desculpe o incômodo – disse Flitwick, antes de sair. – Mas, você sabe... Foi preciso verificarmos se a denúncia era verdadeira. Até porque realmente houve uma fuga em massa dos estudantes, e o estado da maioria deles parece indicar que estavam, sim, em uma festa.
-Talvez eles mesmos tenham organizado uma – sugeriu Lorenzo. – Eu, pelo menos, quando era jovem, vivia reunindo amigos para festas.
-Mas não fugia da escola para participar delas, não é? – indagou Filch.
-Não, mas... O que podemos fazer? É a nova geração!!
Filch rosnou desconfiado para ele antes de sair; Flitwick pediu desculpas novamente. Assim que os bruxos sumiram de vista, Lorenzo abriu uma garrafa de Demência para comemorar com Walter. Quiseram denunciá-lo e acabar com o bar, mas ele dera a volta por cima.
Os alunos da Grifinória se aglomeravam no salão comunal, escutando o sermão de McGonagall. Hermione, Joyce e Serena estavam em pé, próximas a uma poltrona, onde Clarissa sentava-se com a perna estendida.
Era evidente que Minerva aguardava o retorno de Filch e Flitwick para tirar maiores conclusões a respeito de como proceder. Quando os dois bruxos surgiram, foi um alívio para todos os estudantes ali presente – pelo menos uma pequena pausa no monótono discurso da diretora.
A aparição dos dois bruxos movimentou Minerva e Frieda; a diretora caminhou até eles, apressada, enquanto Frieda arregalou os olhos, que durante o discurso estavam quase se fechando.
-E então? – perguntou Minerva, ansiosa. – Havia mesmo uma festa dentro do Lorenzo´s?
-Não – cuspiu Filch, contrariado.
Alguns alunos esboçaram sorrisos, mas as reações foram as mais comportadas possíveis. O procedimento de segurança adotado por Lorenzo havia dado certo!
De sua poltrona, Clarissa ficou boquiaberta. Aturdida, fez uma pergunta dentro de seus pensamentos: Como?
-Não? – indagou Minerva. – Vocês têm certeza? Não havia desordem dentro do bar? Nem que não fosse no saguão principal, mas nas áreas internas?
-Tudo na mais perfeita ordem – respondeu Flitwick. – O bar está impecável. As luzes estavam apagadas, as mesas no lugar, o chão muito limpo, lixos vazios. Impossível ter ocorrido uma festa clandestina ali.
"Eles não olharam lá embaixo?", perguntou-se Clarissa. "Mas, por que, se eu... Ah...", ela suspirou, desapontada. Recordou-se das palavras escritas no bilhete:
FESTA PROIBIDA NO LORENZO´S, AGORA!
BEBIDAS ALCÓOLICAS PARA ALUNOS DE HOGWARTS.
Na sua pressa em enviar o bilhete, esquecera-se de dizer que a festa ocorria em um salão secreto e subterrâneo. Erro imperdoável...
Clarissa agitou-se na poltrona, inquieta, irritada com o seu erro. Mione percebeu a movimentação da amiga e perguntou:
-Algum problema, Clarissa?? A perna está doendo?
-Agora sim – Clarissa respondeu, nervosa. Jogara-se do barranco para que ninguém descobrisse que fora ela quem comunicara à escola, e agora via que todo o esforço fora em vão.
Minerva pigarreou e apontou para Rony, dizendo:
-Você, Sr Weasley! – Mione sentiu pena ao ver o rosto de Rony perdendo a cor. – Sei que todos estavam em uma festa. Se não foi no Lorenzo´s, onde foi essa festinha?
Rony olhou ao redor; todos os alunos ali presentes fitavam-no em desespero. Ele precisava dar uma resposta convincente; uma resposta que convencesse a diretora. Que resposta seria essa??
Seus olhos pararam em Hermione, clamando por ajuda. Discretamente, Mione fez um movimento com um de seus dedos, indicando a janela ao lado dela. Rony virou um pouco a cabeça para o lado; através da vidraça eram visíveis os topos de algumas árvores da Floresta Proibida mais adiante.
-Floresta... É, na Floresta Proibida! – disse ele, virando-se para Minerva. – Achamos perfeito... O lugar, sabe? Era uma festa proibida em um local também proibido... Claro que não entramos muito na floresta, para não perturbar qualquer tipo de criatura... E não foi bem uma festança, foi algo bem simples...
-É, bem simples... – disse Frieda, com desdém. – Algumas garrafas de bebidas alcoólicas, casais se amassando nas copas das árvores...
-Exatamente! – exclamou Rony; as bocas abertas de espanto dos alunos fizeram com que ele tentasse se corrigir. – Quero dizer, foi basicamente isso... Sem música... Mas não havia tantos casais se amassando, nem tantas bebidas... – o olhar severo de Minerva o deixou incomodado. – Só algumas... Poucas...
-É, dá pra ver bem pelo estado de Parvati Patil, por exemplo.
Ao fundo, Parvati estava curvada sobre um balde, vomitando até as tripas.
-Com pouca ou muita bebida, o fato é de que foi um ato vergonhoso. Essa fuga em massa... Alunos se esgueirando pelos corredores às escondidas e se reunindo na Floresta Proibida para se embebedarem? É quase inacreditável! Mas, quero que saibam que eu não pude evitar essa festinha porque não esperava que algo do tipo fosse acontecer. Porém, agora que estou ciente de que algo pode ocorrer, tomarei medidas drásticas para evitar uma nova "festinha".
A entrada no buraco do retrato se abriu; era Lanísia. Como todos olharam para ela, Lanísia resolveu explicar-se.
-Desculpem... Estava no banheiro...
-Aposto que colocando para fora os litros de álcool que ingeriu – comentou Minerva, desolada.
A seguir, surgiu Augusto, vestindo pijamas e fingindo sonolência.
-Não estranhe toda essa agitação, professor – disse a diretora. – Logo explicarei o que todos aqui reunidos, além de uma grande parcela de alunos das outras casas, fizeram. Teremos uma reunião, urgente, ainda nessa madrugada.
-Como quiser, diretora – respondeu Augusto.
Ele trocou um breve olhar com Lanísia, que se reunira às amigas e retribuíra o olhar com um pequeno sorriso.
Grande erro...
Frieda, ao lado de Minerva, também percebera o olhar trocado entre Augusto e a garota. Depois, viu Lanísia cochichando algo com as amigas.
Hermione percebeu que Frieda as olhava e beliscou Lanísia.
-Ai, o que foi?
-Frieda.
-O que tem?
-Depois explicamos! Mas, acho que não adianta mais...
-Como assim, não entendo... – Lanísia parou de falar; ao olhar para Frieda, viu que a megera sorria discretamente com seus lábios finos e olhava dela para professor, dela para o professor... Parece que mais alguém fazia parte do ritual misterioso... O quarteto ganhara mais uma integrante. E, o melhor, ela já sabia quem essa integrante havia enfeitiçado...
Harry caminhava pelo vestiário, dando voltas e mais voltas. Em seguida, simulou desapontamento e olhou para Alone.
-Acho que teremos que passar a noite aqui.
-O quê?? – ela perguntou, incrédula. – Não!! Quero ir para a sala comunal! Ver no que deu o flagra de Frieda e...
-Alone, não tem como passarmos por essa barreira de neve!
-Claro que tem! Que tipo de bruxo você é, Harry? É só derretermos essa camada de neve e... – ela levou a mão a um dos bolsos, onde a varinha devia estar, e nada encontrou. – Não... Cadê a minha varinha?
-Não sei... Não está com você?
-Não...
-Harry, pare de brincadeira!
-Já disse que não está comigo! Mas... Fique calma. Ainda temos a minha... – Harry levou a mão ao bolso da calça e arregalou os olhos. – Oh... Não...
-Não me diga que a varinha não está com você?
-Não...
-Olha aqui, Harry. Escute bem: não sou nenhuma idiota para não perceber quando estão de sacanagem comigo! Por isso, eu digo: devolve a minha varinha agora, ou eu nunca mais olho na sua cara!
Harry estremeceu. Como podia viver sem que Alone olhasse para ele? Era impossível! Ele pensou em revelar onde escondera a varinha dela, mas outra parte de sua mente sussurrou que aquela era uma oportunidade única de ficarem a sós.
Sem dizer coisa alguma, Harry abriu um dos armários e tirou de lá dois colchões. Estendeu-os no chão diante do olhar horrorizado de Alone.
-Está pensando que eu vou dormir aqui com você?
-É só o que podemos fazer. Estamos sem nossas varinhas. Precisamos esperar que a neve derreta, o que deve levar algumas horas.
-Não pense que caí em sua conversa. Sei que você as escondeu!
-Já falei que não. Nunca mentiria para você.
Os olhos verdes de Harry transbordavam sinceridade. "Ele não pode mentir para mim", pensou Alone. "E nunca esconderia a minha varinha vendo a minha raiva. Afinal, ele vive para me amar. A Fogueira não o deixaria me irritar".
-Está bem – ela agachou-se e o ajudou com os colchões. – Acredito em você.
Harry deu um sorrisinho.
-Entramos aqui brigando e serei obrigada a te suportar a noite toda – disse Alone.
-Será muito bom. Você vai ver.
Depois que terminaram de estender os colchões, Harry conjurou algumas almofadas fofas, que distribuiu sobre eles. Alone se acomodou junto a uma grande almofada vermelha; Harry deitou-se ao seu lado, apoiado em uma de cor azul.
Ainda estavam distantes no colchão, mas aquele era só o começo. Logo uma excelente idéia lhe ocorreria, Harry tinha certeza disso. Estava adorando aquelas idéias que pareciam ter vida própria...
Assim que Minerva e o restante dos professores saíram da sala comunal, Hermione extravasou sua frustração.
-Droga!
As meninas a fitaram, confusas.
-O que foi, Mione? – perguntou Serena.
-Frieda! Ela estava nos observando! Ela notou algo entre Lanísia e o professor! Com certeza já concluiu que Lanísia também participou do ritual e, o pior, sabe para quem Lanísia fez!
-Ainda estou confusa... – disse Lanísia. – Ela sabe sobre o ritual?
-Sim, só não sabe qual nós fizemos – respondeu Serena.
-Isso é perigoso demais! – Clarissa ficou apavorada. – Se essa mulher descobre o que fizemos, nos joga na cadeia em um piscar de olhos!
-Sabemos disso – falou Mione. – E o pior é que não estamos conseguindo barrá-la. Ela avança cada vez mais, e com rapidez assustadora. Começou a desconfiar há algumas horas atrás e agora já conhece quase todo o nosso grupo.
-Falando em nosso grupo, onde a Alone se meteu? – perguntou Serena.
-Da última vez em que a vi, estava discutindo com o Harry – disse Mione. – Devem estar por aí, fazendo as pazes.
-Que ela aproveite os últimos momentos de paz antes de conhecer a nossa inimiga – falou Lanísia. – Estava tão contente pela primeira noite com o professor. Só a Frieda mesmo para me deixar com ataque de nervos depois de uma noite dessas.
-Não estrague sua noite por causa dela – falou Hermione. – Não adianta muito ficarmos nervosas por causa daquela cobra.
A entrada do salão comunal se abriu, revelando Joyce e Madame Pomfrey. A enfermeira trazia consigo uma maleta.
-Boa noite! – ela cumprimentou a todas. Agachou-se próxima a Clarissa. – Então, mocinha, vamos ver como está essa perna...
Enquanto Clarissa era examinada, Joyce, Serena, Mione e Lanísia caminharam para outro canto, próximo a uma das vidraças.
-Preciso voltar ao quarto antes de Frieda – disse Serena. – Não quero vê-la novamente... Ela está me causando arrepios, agora mais do que nunca... Quando ocorrerá a reunião de emergência?
-Ainda não sei... Qualquer horário, amanhã – respondeu Joyce. – Mas fique tranqüila. Comunicarei a todas. Precisamos nos reunir com urgência. Bolar meios de driblar a astúcia de Frieda.
-Vou indo, então... Boa noite, meninas... – Serena beijou-as no rosto e saiu do salão.
Mione, em silêncio, olhava para o céu estrelado daquela noite fria.
-Estou muito preocupada... – comentou.
-No que está pensando? – perguntou Joyce.
-Tenho medo de que Frieda comece a agir antes do que imaginamos. E por caminhos imprevistos...
Todas elas engoliram em seco.
Uma reunião, com todos os professores, ocorria na sala da diretora. Minerva, à frente de sua mesa, pedia a ajuda dos colegas.
-Esses alunos precisam de vigilância! Sei que Filch é o zelador, mas são muitas as tarefas que já cabem a ele. Precisamos vigiá-los ainda melhor!
A mente de Frieda trabalhou com rapidez. Era possível unir o útil ao agradável. Lhe ocorrera uma idéia que agradaria a Minerva e também serviria maravilhosamente bem para o seu plano de desmascarar o grupo de meninas.
Ela ergueu a mão.
-Fale, Frieda – pediu a diretora.
-Concordo com a senhora, que diz que esses alunos precisam de uma vigilância maior. Filch é zelador, mas possui outras tarefas além dessa. O que proponho é a contratação de um funcionário dedicado exclusivamente à vigilância dos alunos. Que a professora contrate um inspetor de alunos!
Houve murmúrios de aprovação.
-Sim... – Minerva gostou da idéia. – Um inspetor... Seria o ideal! Ficaria de olhos grudados neles! Não permitiria a ocorrência de fatos como a fuga em massa e festas proibidas! Mas... Será um pouco difícil encontrar alguém eficaz para o cargo...
Frieda ergueu a mão novamente.
-Eu tenho alguém extremamente eficaz, que, inclusive, já trabalhou com isso. Um inspetor... Ou melhor, uma inspetora...
Frieda olhou discretamente para Augusto.
-Sugiro a contratação de Rebecca Lambert.
Augusto sentiu uma pontada dolorosa no peito ao ouvir o nome da ex-mulher.
N/A: Sei que demorei pra atualizar, mas aí está hehe. Obrigado pelos comentários!! E vou ver se tomo vergonha e atualizo mais rápido hehe.
