CAPÍTULO 23

Golpes baixos

Para evitar a vitória de um inimigo, pessoas podem se submeter a qualquer coisa...

-Foi você que fez isso com ele!

-Está tão quente aqui... – comentou, arremessando o casaco no chão.

...ou submeter "os outros" a qualquer coisa...

-Apenas estava lembrando com a Serena de um dia em que a Alone disse que, se um dia brigasse com você, a derrubaria facilmente.

...E até mesmo o destino lança os seus próprios golpes...

Clarissa colou o ouvido na porta de madeira. As vozes, antes abafadas, agora estavam perfeitamente audíveis...


Hermione não sabia o que responder. Seu olhar passou de Clarissa para Draco e, em seguida, para Joyce e Alone – as únicas Encalhadas que sabiam de seu namoro secreto com Rony. Ambas demonstravam o mesmo nervosismo que ela.

Sem conseguir pensar em uma resposta lógica, e sabendo que precisava fornecer uma resposta para não demonstrar que estava mentindo, ela disse:

-Não, meninas... Eu não estava com o Draco.

-Não? – foi Clarissa quem fez a pergunta.

-Não... E não disse em momento algum que estava com ele – ela piscou um olho para as meninas, como se demonstrasse que aquela era uma mentira proposital.

-Ah, é, você não falou mesmo! – ajudou Joyce. – É que sempre que não vemos você, já achamos que estava com o Draco, afinal, vocês dois formam um dos casais mais apaixonados de toda a escola.

-O mais apaixonado – corrigiu Draco, sorrindo e agarrando Hermione pela cintura. – Ninguém pode amar outra pessoa como eu amo a Mione. Sou louco por essa garota linda.

Ele beijou-a nos lábios, e Mione teve que ceder.

-Draco... – ela interrompeu-o, afastando-o com delicadeza. – Amanhã aproveitamos mais. Prometo que antes da primeira aula nos encontramos e matamos toda a saudade.

-Mal posso esperar, minha delícia – e a envolveu em mais um beijo apaixonado, que a deixou com as pernas bambas. Após encerrar o beijo arrasador, Draco deu-lhe um beijo nas mãos e, em seguida, afastou-se, despedindo-se. – Até amanhã...

-Até!! – Mione sorria e acenava em resposta. Só foi o rapaz sumir de vista para que ela abandonasse a encenação de que "tudo estava tranqüilo" e começasse a respirar aceleradamente e a se abanar com a mão. – Nossa... Preciso de ar depois daquele beijo. Quanta disposição...

-Será que dá para nos explicar agora o porquê de sua mentira? – perguntou Clarissa, sem perder tempo. – Disse-nos que estava com o Draco, depois, na frente dele, fala que não disse em momento algum que estava...

Mione interrompeu-a, antes que ela ou uma das outras chegasse à conclusão do real motivo de sua mentira.

-Eu, de fato, não estava com o Draco, como ele mesmo disse. Mas não podia falar na frente dele o real motivo da minha mentira, ou seja, porque inventei para vocês que estava com ele...

-E foi por que?? – questionou Clarissa.

Hermione suspirou, enquanto sua mente terminava de processar o que ia dizer.

-Fui para a biblioteca, pesquisar mais sobre uma maneira de revertermos o poder do-que-aprontamos.

-E precisava mentir sobre isso?

-Sim, Clarissa. Acho que algumas de vocês podem considerar tolice e perda de tempo o meu esforço em encontrar uma maneira de reverter aquilo-que-fizemos. Pensei que, se soubessem que ando utilizando grande parte do meu tempo vago para continuar a fazer essa pesquisa, achariam que sou uma tonta.

Um terrível e interminável momento de silêncio seguiu-se à desculpa de Hermione. Será que Clarissa, Serena e Lanísia acreditariam no que havia dito?

A resposta foi recebida em tom de crítica, através de quem mais a interrogara.

-Eu, pelo menos, acho que é, sim, uma tolice – falou Clarissa. – Não existe forma de reverter o-que-fizemos. Você anda desperdiçando muito tempo nisso, Hermione!

Mione teve que fazer um esforço gigantesco para não sorrir.

-Podem continuar a me censurar dentro da sala comunal?? – ela sugeriu.

Assim, as seis entraram na sala comunal da Grifinória e se agruparam em um canto.

-Acho que é melhor não demorar muito para ir ao dormitório de Frieda – suspirou Serena. – Ela deve demorar um pouco para ir dormir e, durante esse tempo, posso começar a questionar o Lewis sobre a relação da mãe com Ted Bacon.

-Isso! – apoiou Joyce. – Se já puder começar a investigar, comece! Será muito fácil obter informações do Lewis. Talvez você já consiga tudo o que precisamos hoje mesmo!

-E se descobrir venha contar imediatamente! – pediu Hermione.

-Sim, claro, podem deixar. Farei o máximo de perguntas que puder, meninas, até esgotar todas as informações úteis que Lewis puder nos fornecer.

-Força, Encalhada!! – apoiou Lanísia, sorrindo.

Serena saiu do salão comunal, agitada. A perspectiva de descobrir os feitios malignos de Frieda, algo de ruim que ela estava escondendo, atiçava suas emoções. Poderia pôr um fim na ameaça que ela e todas as Encalhadas estavam sofrendo; poderia se livrar de uma vez por todas de Frieda, se o que descobrissem fosse suficiente para enviá-la para Azkaban; fazer com que Frieda pagasse por maldades do passado e por tudo que havia feito para ela.

A agitação lhe dava fôlego para caminhar sem parar até o quarto da professora. Sem olhar para os lados, apenas concentrada no que devia fazer, Serena finalmente alcançou a porta do quarto. Assim que a abriu, uma sensação de euforia a tomou de súbito. Era só abrir a porta de acesso para o quarto de Lewis para encontrá-lo lá dentro e, provavelmente, resolver todos os problemas!

-Você está perdida, Frieda Lambert – disse para si mesma, antes de começar a atravessar o dormitório para alcançar a outra porta.

A abriu e o que viu fez suas pernas bambearem, incapazes de suportarem tamanho espanto.

Lewis estava caído no chão, encolhido, com as mãos envolvendo a barriga, o rosto molhado em suor. O corpo do rapaz balançava em espasmos. Serena correu e agachou-se ao seu lado, apavorada.

-Lewis, meu amor... O que aconteceu?? – acariciou a testa úmida do rapaz, sentindo com esse contato o quanto a temperatura de seu corpo também estava elevada. Lewis trincava os dentes, como se estivesse lutando contra uma dor imensa...

-Vocês não acharam que seria tão fácil assim, acharam?

A cabeça de Serena se moveu na direção da voz, e seus olhos encontraram Frieda, sentada tranqüila junto à escrivaninha, com uma xícara nas mãos, sorrindo.


As portas da ala hospitalar se abriram com estrépito, dando espaço para a maca que trazia Lewis adentrar o recinto.

A maca pousou em um dos espaços da enfermaria e, em seguida, com um movimento de varinha, Madame Pomfrey fechou as cortinas, ficando a sós com o seu paciente.

Do lado de fora, no corredor, Serena torcia as mãos, preocupada, enquanto Frieda, em pé ao seu lado, a observava em silêncio.

-O que está fazendo aqui, Frieda?? – Serena perguntou, ainda sem fôlego.

-Só estou preocupada com meu filho...

-Não precisa mentir!! – ela encarou a professora, sentindo lágrimas de ódio misturarem-se com as de tristeza. – Não tem ninguém por aqui! Foi você que fez isso com ele!

-Oh! – Frieda fez cara de espanto. – Como pode dizer uma coisa dessas?? Ele é meu filho, eu nunca...

-Você mesma deixou isso bem claro quando zombou de mim com aquela frase, na hora em que estávamos no quarto! Mas, pode saber, que isso não vai ficar assim! Vou falar para a Professora Minerva que você deu alguma coisa para o Lewis e...

-E você acha que alguém vai acreditar em você? Não que isso seja verdade, é claro, mas que mãe daria algo que pudesse trazer dor para o próprio filho??

-Nenhuma mãe normal, mas você não é normal.

-Não vou perder meu tempo discutindo com você... Vou tomar um ar para aliviar a minha mente, minhas preocupações com o Lewis... Com licença.

Ela afastou-se, deixando para trás seu perfume nauseante, que Serena tanto detestava.

-Maluca... – ela murmurou, fitando a professora até que ela sumisse de vista. Alguns segundos depois, vindas de outro corredor, surgiram as Encalhadas, correndo.

Serena abriu os braços e aguardou os abraços das amigas.

-Rony mandou o seu recado... – disse Alone, enquanto a abraçava.

-Não entendemos direito o que aconteceu – falou Mione.

-Que bom que ele deu o recado. Encontrei com ele enquanto vinha para cá... Então, nem eu entendi tudo ainda... O que tenho certeza é que Frieda colocou alguma poção na bebida de Lewis, para evitar que tirássemos informações através dele!

-Que tipo de poção essa doida deu para o próprio filho? – perguntou Lanísia, assombrada.

-É isso que eu ainda não sei. Mas com certeza é algo para tirar o Lewis de circulação por algum tempo... Para evitar que ele fale comigo...

-Droga! – Joyce esmurrou a parede. – Frieda foi esperta demais.

Naquele instante, as portas da ala hospitalar se abriram, e por elas surgiu Madame Pomfrey, parecendo exausta.

-O garoto vai ficar bem.

-Já sabe o que causou tudo isso??

-Sim. Os sintomas são inconfundíveis. Ele tomou Poção da Tortura. Os espasmos e a dor vão diminuindo até desaparecerem por completo. Depois, a mente dele ficará em grande confusão, alterando pensamentos e a memória.

-Sabia! – Serena deixou escapar; sob o olhar intrigado de Madame Pomfrey, desculpou-se.

-Pelo menos por hoje e amanhã, vou mantê-lo na ala hospitalar. Mas não recomendo visitas no momento. Ele ainda está sentindo muita dor, e a dor causada pela Poçãoda Tortura é quase comparada a potência de uma Cruciatus. A poção pode até matar nesse primeiro estágio...

-Mas não é o caso de Lewis, não é?

-Não, já disse que ele está bem. Foi medicado a tempo por mim... Vou ver se a freqüência dos espasmos diminuiu. Com licença. Boa noite.

Ela fechou as portas da ala atrás de si; Serena tentou espiar a cama de Lewis, mas as cortinas continuavam fechadas, permitindo que ela visse apenas a silhueta agitada do garoto, e ouvisse alguns pequenos murmúrios de dor, que desapareceram quando as portas se fecharam.

-Alteração na memória... – disse Serena. – Vocês ouviram? Foi por isso que ela deu essa poção para o Lewis!

-Golpe baixo – comentou Clarissa. – Golpe muito baixo...

-Já pudemos ver que Frieda não brinca em serviço – disse Joyce. – Ela não vai medir esforços para evitar que a gente descubra alguma coisa.

-Mas ela conseguiu atrapalhar porque era algo possível de deduzir – falou Alone. – O outro plano, onde Lanísia seduz Ted, ela não conseguirá descobrir.

-E também não conseguirá avançar nos próprios planos dela – disse Mione. – Ela aplicou um golpe baixo, e nós vamos retribuir esse golpe.

-Como?? – indagou Lanísia.

-Ainda não sei como. Mas também vamos atrapalhar os planos de Frieda.


-Então você e a Alone dormiram juntos? – perguntou Rony a Harry, enquanto se encaminhavam do salão comunal para o dormitório.

-Sim. Depois de toda aquela confusão. Foi dentro do vestiário, Rony, e foi incrível!

Rony queria muito compartilhar com o amigo os momentos excitantes que vivenciara dentro da cozinha ao lado de Hermione, mas sabia que não era possível. Aquele momento não lhe saía da cabeça, e ele tinha certeza de que teria dificuldades em dormir, pensando no corpo de Hermione, na maneira como ela ficou entregue às suas mãos...

-No que está pensando, Rony? – perguntou Harry, olhando-o.

-Em nada... Só no quanto deve ter sido divertido essa aventura no vestiário. E, diz aí, como é a Alone nesses momentos??

-Foi a primeira vez dela, mas ela se saiu uma amante sensacional. Eu até já esperava algo assim, mas... PELAS BARBAS DE MERLIM!

-AH!!!

Os dois estancaram e gritaram ao mesmo tempo.

Afinal, deram de cara com Juca Slooper, de calça arriada e régua na mão, encostada no membro em posição de ataque.

Juca, também assustado, deu um pulo.

-Me... Me desculpem... Eu posso explicar...

E começou a andar na direção dos meninos, que gritaram:

-PARE!!

Juca parou.

-Nem pense em se aproximar com essa... essa coisa de fora! – disse Rony. – E ainda mais com a coisa ouriçada!

-É, desculpem, eu... Eu preciso me vestir...

-É melhor! – rosnou Rony, nervoso, fechando os olhos.

Harry fez o mesmo, e ainda desviou o rosto, enquanto Juca erguia a cueca e a calça. Depois que terminou de se vestir, ele disse:

-Podem abrir os olhos.

-A coisa já diminuiu? – perguntou Harry, desconfiado.

-Sim. Como poderia resistir a um susto desses??

Lentamente, Harry e Rony abriram os olhos. Soltaram suspiros de alívio ao verem que, realmente, as coisas de Juca estavam bem escondidas.

-Assim é melhor – disse Rony.

-Agora, será que posso me explicar?? – indagou Juca, as bochechas vermelhas.

-Nem precisa – falou Harry. – É óbvio o que você estava fazendo.

-Medindo o companheiro – disse Rony, acenando com a cabeça em direção a régua, que Juca largara sobre a cama.

-É, isso mesmo... Como sabem?

-Ah, o que mais você estaria fazendo com uma régua encostada no "negócio"? – indagou Rony.

-Verdade, é meio óbvio – Juca coçou a cabeça, ainda encabulado. Em seguida, mandou uma pergunta que fez Harry e Rony ficarem estupefatos. – Rony, qual é o tamanho do seu?

Os garotos o olharam com olhos arregalados.

-Juca, isso é coisa que se pergunte? – espantou-se Harry.

-É, qual é o seu problema? – perguntou Rony.

-Nenhum, até agora... Mas eu acho que posso ter... Por isso perguntei, só pra comparar...

-Acha o seu muito pequeno, é isso?

-Eu não achava, Harry... Mas alguém demonstrou pra mim que não gostou do tamanho dele. Aí fui ver quanto estava medindo... E talvez seja pequenino mesmo...

-Deixe-me ver se entendi – falou Rony. – Você mostrou o troço pra uma garota, que, quando o viu, demonstrou que não estava nem um pouco satisfeita pelo tamanho... Foi isso que aconteceu?

-Sim!

-Hum... – Rony parecia pensativo. – E qual foi o tamanho que você viu na régua?

Juca pegou a régua sobre a cama e parou o dedo quando chegou nos quinze centímetros.

-É, pelo menos comparado ao meu, é pequeno sim – falou Harry, cheio de convicção.

-E aí fala o "fenômeno"! – zombou Rony. – Duvido que você tenha um gigante. Qual o tamanho do seu?

-Ah e quem disse pra você que eu já medi?

-Fala logo, Harry!

-Dezessete centímetros.

Rony gargalhou.

-Grande coisa, dois a mais que o Juca!!

-Idiota, e você tem quanto?

-Um a mais que ele – respondeu Rony, ficando sério novamente.

-Ha!Ha! Tenho mais que você!! – Harry riu, apontando para o rosto de Rony.

-Cala a boca, Harry! – mandou Rony, emburrado.

-Estão vendo? Os dois têm a mais que eu – lamentou-se Juca.

-Mas não muita coisa – disse Rony. – Ou você está na média ou nós três precisamos de um tratamento!

Juca riu.

-Isso me tranqüiliza um pouco. Mas, mesmo assim, não muda o que aconteceu. Ela não gostou do que viu.

-Existem garotas que podem ser exigentes em relação a isso...

-Gulosas – comentou Rony.

-...mas com certeza a maioria coloca isso em segundo plano. Você vai encontrar uma garota que queira você de verdade, e que não se importará com esses detalhes.

-Mas o problema é que eu só quero essa garota! Não quero mais nenhuma!

-Você está apaixonado por ela?

-Mais do que isso... Louco, vidrado!! Não posso perder a Joyce!

-Ah é mesmo! – finalmente Rony se lembrou. – A garota é a Joyce Meadowes!

-Exatamente.

-Está explicado o porquê da exigência – comentou Harry. – Essa garota já passou pelas mãos e outras partes de muitos nessa escola!

-Como posso acabar com essa exigência? – perguntou Juca. – Será que posso tentar algum feitiço para alongar??

-Não! Área delicada demais pra tentar algum feitiço! – disse Harry, fazendo uma expressão de repulsa.

-O que você precisa fazer é a Joyce enxergar que isso não é tudo – falou Rony. – Mostrar que você pode dar tudo a ela, mesmo que não tenha em certa parte algo nas proporções que ela quer.

-Isso mesmo! – concordou Harry.

Um brilho surgiu nos olhos de Juca, brilho notável pelo aumento das lentes dos óculos.

-É isso aí! Vou fazer a Joyce perceber que um pintinho pode cantar que nem um galo!!

Ele ficou sério depois que falou isso, notando as expressões esquisitas de Harry e Rony.

-Essa frase não ficou muito boa, não é?

-É... – disse Rony.

-Nem um pouco – concordou Harry.


-Aumenta o decote! Aumenta o decote!!

-Como, Alone? Se eu aumentar isso, meus peitos vão pular pra fora!

No final da manhã do dia seguinte, as Encalhadas estavam no dormitório, diante de um espelho, ajudando Lanísia a se vestir.

-Dá pra aumentar isso sim! – Alone puxou a varinha de dentro do bolso. – Com licença, Mione – ela pediu à amiga, que maquiava Lanísia e bloqueava o seu acesso à Lanísia. Quando Hermione deixou o corpo de Lanísia ao alcance da mira da garota, Alone criou mais um centímetro de decote na blusinha. Em seguida, afastou-se para contemplar o resultado. – Ah agora sim!

Lanísia baixou os olhos para o espelho, com receio do que veria em seu reflexo.

-Minha nossa... – ela murmurou, chocada com o que viu. – Estou praticamente nua...

-Não exagera, vai – disse Alone.

-Tem que chamar a atenção mesmo, Lanísia! – disse Joyce. – Você precisa deixar o Ted maluquinho, ansiando por ver mais.

-Será que desse jeito ele já não estará vendo tudo? – ela perguntou, irritada. – Eu quero ver como é que vamos chegar em Hogsmeade. Não posso andar desse jeito por aí!

-E é claro que não vai andar – falou Mione. Ela estendeu a mão para um cabide de roupas que estava próximo e puxou um casaco marrom. – Você vai colocar esse casaco por cima da blusa.

-É, se você sai com esse decote pelos corredores da escola, agora que temos uma inspetora, com certeza seríamos barradas – falou Clarissa. – Vocês acreditam que ela já mandou a Pansy Parkinson para a detenção porque disse que achava indecente a maneira como ela se sentava??

-Essa Rebecca é um porre mesmo – comentou Lanísia, penteando os longos cabelos negros. – Temos que tomar muito cuidado para não chamar a atenção.

-Não será tão difícil – disse Serena. – Hogsmeade fica lotada no intervalo do almoço, principalmente o Lorenzo´s. Você é que vai precisar de cuidados especiais quando bater no Bruxetes.

-Mas pode ficar tranqüila – falou Hermione. – Você terá a cobertura necessária. Nós!!

E ali, diante do espelho, Mione passou todos os detalhes do plano, para que Lanísia pudesse entrar no Bruxetes sem ser vista. As Encalhadas acompanharam cada detalhe com atenção.

-Agora vamos, que não temos muito tempo! – disse Mione, ao terminar a explicação.

Elas deram-se as mãos e soltaram o grito de guerra:

-Encalhadas, Encalhadas, tão lindas e apaixonadas!


Alone esticou o pescoço por trás da árvore e espiou a Rua Principal.

-Aparentemente, a barra ta limpa!

-Como assim, "aparentemente"? – perguntou Mione.

-É, tem que ter certeza! – ralhou Joyce.

-Como é que eu posso ter certeza?? Quer o quê, que eu entre em cada uma das lojas e veja se tem alguém influente lá dentro?

Dez minutos depois, Alone voltou, com uma expressão nem um pouco animada no rosto e parecendo exausta.

-Não tem ninguém importante... – parou para tomar fôlego. – ...nas lojas.

-Ah, agora sim!! – disse Joyce. Cutucou o ombro de Lanísia, que estava agachada, tentando se esconder atrás de uma das árvores. – Vamos! É o momento perfeito!

Querendo aparentar que nada de importante estava para acontecer, as Encalhadas saíram do esconderijo, aventurando-se no meio da multidão que percorria a Rua Principal. Lanísia, com o seu decote oculto pelo casaco fornecido por Hermione, caminhava entre as amigas, fazendo o máximo de esforço para andar naturalmente e sorrir. Foi com o sorriso falso que ela voltou-se para Mione e comentou:

-Meus peitos estão tão apertados que estão até doendo. Eu não agüento mais, Mione!

-Tem que agüentar mais um pouco, Lanísia – respondeu Mione, também sorrindo sem vontade.

-É capaz de eu deixar o Ted tirar a minha blusa só pra livrar os pobres coitados dos meus melões dessa prisão de tecido!

-Pare, Lanísia, precisa se concentrar! – avisou Alone. – Anda, Joyce, já estamos no meio da Rua Principal! Hora da segunda parte do plano!

Joyce parou de andar por um momento.

-O que foi? – perguntou Mione.

-Não sei se me sairei bem nessa encenação. É um tanto trabalhoso enganar alguém, e fazer com que pensem que estou sentindo dor deve ser mais difícil ainda.

Alone aproximou-se dela, lentamente.

-Então, o problema é fingir que está sentindo dor de verdade?

-Isso... – respondeu Joyce, receosa.

-Agora não vai precisar fingir – e deu um chute na canela de Joyce, que fez uma careta de dor e começou a soltar uma centena de palavrões, enquanto pulava, com as mãos sobre a canela.

-Por que fez isso?? – ela perguntou, sem fôlego.

-Ah, você queria fingir bem que estava com dor, então...

Joyce fez um esforço descomunal para erguer-se um pouco. Fazendo uma expressão de raiva, concentrou todas as suas forças em sua perna e retribuiu o chute, atingindo o tornozelo de Alone com ímpeto.

-Ai... – murmurou Alone, começando a pular com a perna atingida suspensa. Olhou para Joyce, furiosa. – Isso não teve graça!!

-Agora não foi engraçado, não é? – perguntou Joyce, que também pulava.

Mione desviou a atenção para as pessoas que passavam pela Rua Principal. A bizarra imagem das duas garotas pulando com uma perna só fez com que todos esquecessem seus afazeres e compras e lançassem olhares curiosos.

-Acho que essa briga imprevista está saindo melhor do que o plano original – cochichou Mione para Serena.

-É, também percebi.

-O que estão cochichando aí? – perguntou Joyce às duas.

-Nada... – respondeu Mione. – Apenas estava lembrando com a Serena de um dia em que a Alone disse que, se um dia brigasse com você, a derrubaria facilmente.

-O quê?? – Joyce olhou para Alone, revoltada. – Você disse isso?

-Não lembro. Mas, se disse, aqui está a prova de que eu disse a verdade! – e, com força, chutou o outro tornozelo de Joyce.

-Filha... – faltava fôlego, em meio à dor, para falar tudo de uma vez. – ...da... – e Joyce desabou no chão, incapaz de sustentar-se em pé com os dois tornozelos esfolados.

Alone comemorou, rindo e aplaudindo.

-Viu? Derrubei mesmo, mané!!

-Iáááá! – Joyce estendeu o braço sobre o asfalto e agarrou a perna de Alone, que estava sobre o chão. Em seguida, deu um puxão e, soltando um Ops! de surpresa, Alone caiu.

As outras Encalhadas fecharam os olhos por alguns segundos. Ao abrirem, viram Alone estirada de um lado e Joyce do outro, as duas encolhidas em concha, gemendo de dor e gritando palavrões.

-Que golpe baixo, Joyce! – rosnou Alone.

-Que droga, ainda não calou a boca? – vociferou Joyce, ajeitando-se no asfalto até ficar ajoelhada. – Será que tenho que calar à força?? – e jogou-se sobre Alone.

Quando as duas começaram a se engalfinhar, os curiosos que observavam de longe começaram a se aproximar. Mione cutucou o braço de Lanísia e avisou:

-É agora, o momento ideal! Vamos!

As duas, assim como Clarissa e Serena, começaram a correr ladeira abaixo em direção ao Bruxetes. Rapidamente Lanísia alcançou a loja, e, quando Mione ia entrar em uma rua próxima, acompanhada de Serena e Clarissa, lançou um último olhar para trás e viu o aglomerado de pessoas que observavam a briga entre Joyce e Alone. Lanísia, com certeza, não seria vista por ninguém.

Elas observaram a amiga de longe, até o momento em que Ted Bacon abriu a porta da loja e a recebeu com um sorriso malicioso. Antes que ele fechasse a porta, as garotas puderam ver que ele estava apenas de bermudas.

-Pobre Lanísia – comentou Clarissa. – O cara já está quase pelado. Vai atacá-la!

-Não, ela saberá se esquivar – disse Mione, confiante nos talentos da amiga. – Vou ficar aqui para oferecer cobertura. Conforme o que havíamos planejado, se eu vir algo de errado, ou alguém indo para a loja, disparo Snaps Explosivos. Enquanto isso, vocês ficam no Lorenzo´s.

-Tem certeza de que pode dar conta disso sozinha? – perguntou Serena.

-Absoluta. Fiquem tranqüilas e, se virem algo errado, corram para cá.

-Pode deixar – falou Clarissa. – Ficaremos atentas.

Assim, ela e Serena afastaram-se rumo ao Lorenzo´s, enquanto Mione permaneceu ali, de tocaia, com os olhos absorvendo tudo o que acontecia ao redor.


-A mais deliciosa de todas as surpresas que eu poderia ter hoje... E bota deliciosa nisso.

Ted mirou-a de cima a baixo ao dizer isso, e moveu o corpo na direção de Lanísia. Com um sorriso tímido, a jovem esquivou-se e sentou-se em uma poltrona, retirando o casaco.

-Está tão quente aqui... – comentou, arremessando o casaco no chão.

O efeito de seu decote foi imediato – efeito que atingiu diversas partes diferentes do corpo de Ted. Os olhos brilharam; a boca contorceu-se em mais um de seus sorrisos atrevidos; a respiração falhou por um segundo; e algo dentro da bermuda mexeu-se um pouco. Lanísia desviou os olhos dessa parte em especial e fechou-os por um momento.

Abriu-os em seguida, focalizando-os no rosto de Ted.

-Sabe que adoro esse gesto? – perguntou Ted, sentando-se no sofá, diante da garota.

-Que gesto?? – Lanísia fez-se de desentendida.

-Esse fechar de olhos momentâneo. Geralmente acompanhado de uma fricção de lábios. Às vezes até as mãos acompanham... Alguns fecham a mão com força, outros arranham o que estiver por perto. Mas indicam sempre a mesma coisa.

-E o que seria?

-Desejo contido.

Lanísia engoliu em seco.

-Isso não faz sentido...

-Claro que faz! São válvulas de escape para uma onda súbita de desejo. Uma forma que o ser humano encontra para se acalmar, para tentar aliviar o calor que o pegou desprevenido.

-Você se acha o máximo, não é? Já está pensando que estou louca de desejo por você...

-E por que não estaria?

-Porque nem tivemos tanto contato assim. Só nos vimos poucas vezes.

-E daí? Um desejo já pode ter nascido dessas "poucas vezes". E, se não havia nascido ainda, acabou de nascer. Afinal, você teve que fechar os olhos para conter o êxtase que a envolveu ao ver o movimento dentro da minha bermuda.

Ele olhou para baixo e em seguida piscou para ela.

-Você é louco...

-Quer ver mais, Lanísia?? – perguntou ele, suavemente. – Deixo você ver, até mesmo tocar. Vai ser muito gostoso.

Ela mordeu o lábio.

-Viu? Está refreando o desejo novamente. Não faça isso com os seus hormônios – ele saltou do sofá, agachando-se diante da garota. – Libere-o.

Antes que Ted a agarrasse, Lanísia ergueu-se da poltrona, afastando-se dele.

-Calma. Estou um pouco nervosa.

-Nervosa com o quê, gata? Só temos nós dois aqui, não há o que temer.

-Estou com a garganta seca... Pode preparar um copo de suco de abóbora para mim?

-Suco?? – ele pareceu decepcionado com o pedido da jovem. Porém, respirou fundo e disse: – Está bem... Vou preparar um copo para você.

Assim que Ted saiu do saguão, Lanísia caminhou até um balcão de madeira, que, futuramente, abrigaria os vendedores.

"Como ele é imbecil", pensou, enquanto se agachava e abria lentamente cada uma das gavetas. "Acha que é o único que conhece todos os movimentos corporais. Está enganado... Na arte dos sinais, eu sou mestra. Enganei-o direitinho".

Com as mãos tremendo levemente e com o coração batendo em descompasso, Lanísia remexia no conteúdo das gavetas, torcendo em silêncio para que Ted ainda não voltasse...


Clarissa e Serena entraram no Lorenzo´s e se acomodaram em uma das mesas do fundo, de onde tinham uma boa visão de quem entrava e saía do bar.

-Fico preocupada com a Lanísia – comentou Serena. – Acho arriscado demais. Ela está fazendo uma investigação dentro do território inimigo!

-Lanísia é esperta, vai tirar de letra – disse Clarissa. Pegou o menu que estava sobre a mesa, apoiado em um porta-guardanapo, e o abriu. – O que acha de pedirmos um doce enquanto esperamos?

-É, não seria nada mal... – neste momento, Serena parou de falar e deu um pulo da cadeira, quase caindo ao chão. – Minha nossa...

Clarissa, assustada, olhou para a amiga, sem compreender.

-O que aconteceu...?

-Me dá esse menu! – falou Serena, abrindo o menu e puxando Clarissa pela nuca, para que o rosto da amiga também ficasse oculto.

-Que droga, Serena! Dá pra explicar o que está acontecendo??

-Frieda está aqui!!

-O quê?? – foi a vez de Clarissa quase cair para trás. Sem poder resistir, esticou o pescoço e espiou. Lá estava a professora, próxima ao balcão, conversando com um funcionário do bar. Ocultando o rosto novamente por trás do menu, ela comentou com Serena. – Ela está falando com um funcionário.

-Espero que ela não saia daqui... Será que ela viu a Joyce e a Alone?

-Acho que não. Elas já devem ter parado de brigar e ido se juntar a Hermione.

-Se Frieda for até o Bruxetes, e flagrar a Lanísia lá dentro, nosso plano vai por água abaixo! Droga!

-Calma, Serena! Talvez ela tenha vindo falar com esse funcionário mesmo.

-E o que ela teria de tão importante para falar com um atendente do Lorenzo´s? Sabe que Frieda só gosta de se envolver com pessoas ricas.

-É... – Clarissa espiou novamente. O bruxo saía do balcão e Frieda seguia-o, rumo à entrada do Cantinho de Amor e Pegação, que levava às alas internas do bar. – Mas parece que ela abriu uma exceção em relação a este...

Subitamente, ela levantou-se.

-Eu vou atrás deles.

-O quê?? Ficou maluca??

-Nem um pouco. Só me passou uma idéia pela cabeça.

-Que idéia?

-Talvez o que Frieda tenha para conversar com esse funcionário também não seja algo muito bom. Pode ser uma forma de descobrirmos algo ruim sobre ela!

-É, pode ser... Eu vou com você!

-Não, Serena! Eu vou sozinha e você fica aqui vigiando. Qualquer coisa, dê um jeito de me avisar.

-Tudo bem... – disse Serena, escondendo-se novamente por trás do menu, enquanto Clarissa desviava-se das inúmeras mesas e ia até a entrada do Cantinho de Amor e Pegação.

Como já conhecia muito bem a parte interna do bar, graças à noite d´O Baile de Nossas Vidas, Clarissa avançou pelos cômodos sem dificuldades. Procurava qualquer som de movimento, qualquer murmúrio de vozes...

Escutou-as quando se aproximou da saleta onde Rony fora medicado por Lorenzo´s. A porta estava fechada, de modo que as vozes chegavam bem abafadas. Precisava aproximar-se mais...

Sorrateiramente, Clarissa colou o ouvido na porta de madeira. As vozes, antes abafadas, agora estavam perfeitamente audíveis...

-Por favor, Frieda, me pague um pouco mais!

-Não, Walter! Trato é trato! Essa foi a minha última parcela. O combinado era esse valor, e não irei aumentar!

-Eu sei que foi você quem mandou matar os dois! – do lado de fora, um tremor sacudiu o corpo de Clarissa. Frieda havia ordenado a morte de duas pessoas... – Posso denunciá-la! Você pararia em Azkaban em um piscar de olhos!

Houve um momento de total silêncio, sem palavras ou outro movimento. Esse silêncio foi quebrado por uma gargalhada de Frieda, que agrediu os tímpanos de Clarissa.

-Vai querer me ameaçar?? Ah, por favor, Walter. É isso que dá, ser obrigada a me envolver com bruxos mesquinhos e sem um pingo de inteligência. Denuncie-me, seu retardado, e você vai para a cadeia junto comigo. Afinal, eu dei a ordem, mas quem moveu os pauzinhos?

Walter não disse nada.

-Com certeza, você ficaria mais tempo em Azkaban do que eu. Agora, vou-me embora, tenho que preparar as aulas que darei durante a tarde...

-Espere, Frieda! Peço desculpas pela ameaça, mas, por favor, me pague mais...

-Não, já disse que não!

-Foi trabalhoso matá-los! Colocá-los dentro do automóvel, depois enfeitiçar o carro para que ele caísse do penhasco!

"Nossa... Automóvel... Penhasco... Então, ela matou...".

-Florence e Brian Bennet... – disse Frieda, em seguida, como se completasse a conclusão de Clarissa. – ...eram duas pessoas que eu desprezava profundamente. Sou muito grata por ter liquidado os dois, e pode ter certeza de que, se for preciso me livrar de outras pessoas, eu o procurarei e, aí sim, teremos um novo trato e um novo valor a ser pago pelo seu serviço. Porém, quanto ao assassinato dos dois, você já teve o seu pagamento, e não receberá mais nada além disso.

A conversa dos dois parecia encerrada, de modo que Clarissa saiu correndo pelo corredor.

Ao chegar no bar, viu que Serena continuava escondida atrás do menu. Clarissa caminhou até a mesa e sentou-se ao lado da amiga.

-E então?? – perguntou Serena, aflita. – Descobriu alguma coisa?

Clarissa queria guardar a descoberta que provavelmente as salvaria de Frieda para uma reunião.

-Sim. Mas quero deixar para contar em uma reunião das Encalhadas.

-Ah, então é importante??

-Acredito que sim.

-Que bom, Clarissa! – um sorriso de felicidade tomou conta do rosto de Serena, que segurou a mão da amiga. – Obrigada por nos ajudar.

-Como assim? Eu precisava ajudar, afinal, sou uma Encalhada, e também corria o risco de ir para a cadeia.

-Você sabe que não. Você é uma Encalhada, sim, mas de todas nós, você é a única que não corre o risco de acabar em Azkaban por causa do-que-fizemos. Afinal, no fim das contas, você não encantou garoto algum quando jogou um papel em branco.

Uma onda de compreensão desceu sobre Clarissa. Realmente, de certo modo, ela não participara do ritual.

-É mesmo, Serena – ela não pôde conter um sorriso, assim como a satisfação que havia nele. Sentia uma felicidade gigantesca. – Você tem razão...


Lanísia revirava todos os papéis das gavetas, passando os olhos brevemente pelo conteúdo, para verificar se encontrava alguma referência à Frieda. Subitamente, a voz de Ted soou, vinda da cozinha, e fez com que seu coração quase pulasse para o chão.

-Quer um pouco de gelo??

Lanísia precisou de alguns segundos para se recompor e responder, com naturalidade:

-Sim, adoraria.

Depois, silêncio, mas aquela pergunta significava que ele estava quase voltando. Com rapidez, Lanísia ajeitou o que havia mexido. Estava arrumando o conteúdo da última gaveta que abrira quando um pergaminho chamou a sua atenção. Um pergaminho que, em seu conteúdo, trazia o nome Frieda.

Ela não se conteve; puxou o pergaminho e começou a lê-lo:

Foi um golpe baixo, Frieda. Nunca devia ter confiado em você. Fui usado. Um simples objeto. Algo que você precisou para alcançar os seus objetivos sórdidos. Não sabe como me arrependo de ter lhe ajudado. Mas você ainda...

-Gatinha!! – veio a voz de Ted, aproximando-se.

Não houve tempo de ler o restante; Lanísia arremessou o pergaminho para o fundo da gaveta e, em seguida, fechou-a. Não havia tempo de voltar para a poltrona, de modo que ela cruzou as pernas e sentou-se sobre o balcão.

Ted entrou no saguão em seguida, trazendo dois copos de suco. Franziu a testa ao vê-la sobre o balcão e perguntou:

-Ué, o que está fazendo aí...?

Não continuou; não pôde continuar. Lanísia descruzou as pernas e abriu-as sobre o balcão, oferecendo a ele uma visão magnífica.

-Maravilha... – babou Ted. – Mas preferia sem calcinha.

"Se diz tão inteligente, mas é tão manipulável quanto qualquer homem. Uma bela bunda ou uma abertura de pernas e esquece-se de qualquer coisa".

-Isso, ainda não – respondeu Lanísia. Levantou-se da mesa e, no momento em que estendia a mão para pegar um dos copos de suco, interrompeu o gesto e fez uma expressão de dor.

-O que houve?

-Nada, Ted. Apenas uma leve dor de cabeça. Preocupação com algumas provas...

-Beba um pouco de suco para se sentir melhor.

-Não! Não, vou voltar para Hogwarts, descansar um pouco. Quem sabe não melhoro e consigo assistir a uma das aulas da tarde...

Ela nunca ia beber um suco preparado por aquele lunático depois que ele tentara dopá-la com uma poção. Para que Ted não iniciasse uma sessão de perguntas, Lanísia agachou-se e arrumou a sandália, oferecendo para ele uma bela visão de suas pernas e de seu bumbum, que ficou arrebitado bem na direção de seus olhos.

-Eu volto outro dia – prometeu, acariciando o pescoço dele. – E não só porque sou a diva do Bruxetes. Mas porque quero ser a diva do dono da loja também.

-Isso... – ele apertou-a contra o corpo, para que ela sentisse o efeito que causara em certas partes de seu corpo. – ...você já é.

Em seguida, beijou-a nos lábios, enquanto acariciava-lhe o bumbum, apalpando-a com atrevimento. Lanísia afastou-se e, dando leves tapinhas no rosto dele, despediu-se.

-Até a próxima, Ted!

E saiu, fazendo questão de rebolar bastante durante o caminhar.

Subiu a ladeira e entrou na rua onde, conforme o combinado, as Encalhadas – Mione, Joyce e Alone – aguardavam.

-Por que está limpando a boca dessa maneira?? – perguntou Mione assim que a viu, já que Lanísia passava as mãos com força sobre os lábios.

-Ele me beijou – disse, irritada. – Só por isso...

-Descobriu alguma coisa? – perguntou Alone.

-Sim, mas muito pouco. Só deu pra ter uma noção do que existe de ruim entre os dois.

-E o que seria? – indagou Joyce, ansiosa.

-Frieda passou a perna em Ted, de alguma forma.

-Então ele a odeia? – perguntou Mione.

-É o que tudo indica. As poucas palavras que li indicavam que Ted não estava nada satisfeito com o que Frieda aprontou com ele.

-Precisamos descobrir o quê ela aprontou com ele – disse Mione. – Com certeza, aí estará a raiz do ódio!! Bom, agora é melhor voltarmos para a escola. Está quase no final do intervalo. Vamos passar no Lorenzo´s para encontrarmos a Clarissa e a Serena.

Quando elas começaram a caminhar, Lanísia lançou um olhar intrigado para Alone e Joyce, que caminhavam mancando e sem trocarem palavras.

-O que aconteceu com vocês duas?? Estão estranhas!

-Brigamos – respondeu Alone. – Por isso que a Joyce nem consegue andar direito. Claro que ela ficou mais acabada do que eu, tomou um coro!

-Ah, queridinha, com certeza quem apanhou mais foi você! – replicou Joyce.

-Posso reverter isso agora, se você quiser! – retrucou Alone, fechando os punhos.

-Parem com isso! – pediu Mione. – Não é hora de brigarem! Depois explicarei algumas coisas para vocês, e verão que não há motivo para briga!

Depois disso, elas se calaram. Clarissa e Serena já aguardavam em frente ao Lorenzo´s, com duas sacolas nas mãos, sacolas que estavam cheias de milkshakes de morango.

-Legal! – comemorou Joyce, ao ver os milkshakes. – Podemos ir tomando enquanto voltamos para a escola!!

Enquanto Clarissa fazia a distribuição das bebidas, Mione percebeu algo muito estranho: a presença de Rebecca. A inspetora estava dentro de uma loja próxima, com uma câmera fotográfica pendurada por um cordão que passava pelo pescoço, olhando as prateleiras, e lançava olhares furtivos para o grupo de meninas, em especial para Lanísia.

Mione resolveu comentar com Serena.

-Vocês já haviam visto a Rebecca ali do outro lado?

-Sim. Ela chegou não faz muito tempo. Ficou rondando o Lorenzo´s, como se procurasse alguém. Depois andou de um lado para o outro na rua, e começou a entrar nas lojas próximas.

-Estranho a inspetora de alunos fora da escola, não acham?? – perguntou Mione para as amigas.

-É mesmo... – concordou Joyce.

-Com certeza ela estava procurando alguém, Serena. Ela viu você e a Clarissa, e supôs que as suas amigas estariam por perto, especialmente a Lanísia. Por isso, ficou procurando nas lojas e no Lorenzo´s.

-Está dizendo que ela saiu do castelo para me procurar??

-Exatamente!

De repente, na rua, surgiram Augusto e Flitwick, que passaram pela inspetora, acenando com a cabeça. Ali, Mione entendeu tudo...

-Mas é claro!!

-O que?? – perguntou Lanísia, aflita.

-Sua ausência não era o suficiente para tirá-la da escola. Mas, quando ela percebe que você e Augusto estão ausentes, e vê o seu nome na lista dos alunos que vieram fazer uma visita a Hogsmeade, o mesmo lugar para onde o professor está indo, aí sim, ela precisa sair, para verificar se vocês estão juntos. Ou melhor, dar um flagrante!

-Acha que ela sabe sobre o meu rolo com o professor?? Mas...?

-Frieda.

-Desgraçada!! – disse Lanísia, furiosa.

-É por isso que ela quis Rebecca como inspetora! Já tivemos algumas provas de que Rebecca não tolera qualquer tipo de comportamento inadequado, e o seu e o do professor entra nesse quesito, pelo menos na visão de uma pessoa conservadora. Ela flagra vocês dois, tira uma foto, tem uma prova material do romance e entrega à direção! Augusto é demitido, vocês são separados, e Frieda testará o quanto a falta desse amor afetará Augusto.

-Faz sentido, Hermione! – concordou Alone.

-Não apenas faz sentido, como esse é o plano de Frieda! Mas, fiquem tranqüilas. Nós atrasaremos esse plano...

-Já pensou em alguma forma de fazer isso?

-Sim, Joyce. O golpe será aplicado através da Rebecca. Ela não gosta de perseguir pessoas com comportamento inadequado?? Então... Daremos a ela alguém para perseguir...


N/A: Espero que tenham gostado! Aguardo reviews hehehe. Abraços e até o próximo capítulo!