CAPÍTULO 25
Obsessão
Obcecado em punir o que é errado...
-Graças a mim, esse comportamento grotesco terá punição!
...obcecado em ser rico...
Para ele, aquilo era mais belo e atraente do que qualquer outra coisa.
...ou, simplesmente, obcecado em matar uma pessoa...
Se Frieda seguisse o combinado, ela se livraria de Rony nas próximas horas.
...pessoas obcecadas são capazes de tudo.
Após passarem as varinhas para Minerva, Juca e Joyce entraram na sala de Transfiguração. A professora ficou intrigada com o ânimo e a disposição do rapaz, que entrou saltitante.
-Não sabia que gostava tanto de limpar salas, Sr Slooper – comentou Minerva, enquanto estendia um pano para o garoto.
-Eu gosto bastante, professora. Especialmente em boa companhia – ele lançou um olhar que, em sua concepção, devia ser classificado como "sensual"; Joyce balançou a cabeça, desconsolada.
-Se enxerga, Juca! – avisou.
-Vocês ficarão a sós nesta sala, mas nem pensem em aproveitar o local para... para... – ela pigarreou. – Para terem qualquer tipo de contato físico... – lançou um olhar desconfiado para Joyce. – Sim, eu tenho pudor em falar desses assuntos.
-Não tenho nada a ver com isso, professora. Quanto ao perigo de algo acontecer por aqui, pode ter certeza de que o risco é mínimo. Tão pequeno quanto certas coisas que algumas pessoas possuem...
Juca ficou corado, enquanto Minerva abriu a boca, espantada.
-A que se refere, Sra Meadowes?
-Ao nariz do Juca... A senhora nunca reparou como é pequeno?
Minerva ajeitou os óculos e analisou o nariz do garoto.
-É, conheço pessoas com narizes maiores. Nunca havia reparado que o Sr Slooper possuía um nariz pequenino.
-Claro. Nós sempre prestamos atenção apenas no que é grande – falou Joyce, sem tirar os olhos de Juca, que escutava a tudo, estático. – Tudo o que é pequeno demais passa despercebido.
-Com certeza – concordou Minerva, pensativa. – De fato, não consigo me esquecer dos maiores, como o do... – ela engasgou-se, percebendo que falava demais. Passando um pano úmido para Joyce, a diretora despediu-se. – Limpem tudo até a sala ficar impecável. Depois, podem voltar para o salão comunal. E... Boa noite! – saiu às pressas, sem olhar para trás, encostando a porta atrás de si.
Joyce ficou de costas para Juca enquanto molhava o pano no balde, tentando evitar uma investida do garoto. Após molhar o pano, começou a limpar uma das carteiras da sala. Juca aproximou-se e sentou-se sobre a carteira, impedindo-a de continuar.
-Será que dá para sair aí de cima ou vou ter que arrancá-lo à força? – ela perguntou, mal-humorada.
-Calma! – pediu Juca, indiferente à raiva da garota. – Só queria ficar admirando o seu rosto.
-O que adianta admirar o que você nunca terá? – questionou Joyce, ríspida, começando a limpar outra carteira, sem olhar para Juca.
Ao contrário do que ela esperava, Juca manteve-se em silêncio. Durante alguns minutos, o único ruído na sala era o do pano contra a madeira. Joyce ficou intrigada com aquele silêncio; segurou o impulso de verificar o que Juca estava fazendo até não poder mais. Quando a curiosidade venceu, voltou-se lentamente e o que viu a surpreendeu.
Juca continuava sentado sobre a carteira, mas estava cabisbaixo. Lágrimas escorriam por seu rosto, enquanto ele chorava calado. Aquela cena chocou Joyce; através daquilo, ela lembrou-se de que Juca estava daquela forma por sua causa. Ele a amava porque ela tramara para criar aquele sentimento.
Será que Juca merecia sofrer? E se, o ignorando, ela o levasse à loucura?
Imediatamente, Joyce abandonou a tarefa e levantou-se, chegando bem perto do rapaz e tocando-lhe a perna. Juca retirou os óculos para enxugar os olhos e, em seguida, a fitou, surpreso.
-Corrigindo o que eu havia dito... Você nunca terá se não conseguir mostrar para mim que possui um diferencial.
-Ah isso será impossível. Ele não vai crescer mais.
-Não, não é "dele" que estou falando – respondeu, lançando um breve olhar para o meio das pernas de Juca. – O diferencial não é necessariamente o tamanho. Quero que você mostre que sabe usar o que você tem da melhor forma possível, independente do tamanho. Fazendo isso, você poderá ter-me em seus braços para sempre – ela concluiu, subindo um pouco mais a mão pela perna do garoto e fazendo-o estremecer.
-A-alguma diga de como posso f-fazer isso? – gaguejou Juca, sem fôlego.
-Sim. Aprendendo novos truques e posições, para arrasar quando estivermos nos amando. Sabe, eu já fiz muita coisa nessa vida... Muita coisa mesmo, Juca, não faz idéia... Então, o que eu preciso é de alguém que tenha algo fora do comum. Você não tem a ferramenta fora do comum, mas pode se tornar um amante incrível – ela passou a língua pelos lábios de maneira provocante. Sorriu em seguida. – Aprenda grandes posições, arrase comigo quando estivermos sob os lençóis e aí serei sua novamente. Compense o que falta com qualidade e, assim, serei sua.
Joyce assumiu uma expressão de garota tímida e perguntou:
-Você faria isso por mim, não faria, Juca?
-Sim! – ele respondeu, entusiasmado. – Farei tudo o que for possível! Vou buscar várias posições diferentes, diversos truques... Vou lhe dar uma noite dos sonhos!
-Tenho certeza de que sim, mas, até lá... – ela empurrou-o com a mão. – Sem ousadias.
-Como quiser – ele respondeu, os olhos brilhando de admiração e contentamento.
Joyce deu as costas e voltou a limpar a sala. Fora do campo de visão de Juca, desfez a falsa expressão de apaixonada e deixou transparecer sua preocupação.
Por quanto tempo conseguiria fugir de Juca? O pior era ter que fugir e ainda fingir que não estava querendo fugir, que estava perdidamente apaixonada... Procurou relaxar; a idéia que tivera lhe daria tempo. Juca procuraria as diferentes posições, e em sua busca perderia dias, semanas e, quem sabe, até mesmo meses. Afinal, era completamente inexperiente naqueles assuntos; ela fora a primeira em tudo.
Em silêncio, esfregando o chão, Joyce pensava o quanto seria maravilhoso se Hermione conseguisse encontrar uma forma de reverter o poder da Fogueira das Paixões. O ritual dos sonhos agora fazia com que sua vida adquirisse tons de pesadelo.
-A espécie de pesadelo onde, apesar da vontade imensa de acordar, percebemos que não conseguimos, pois estamos presos por forças invisíveis – ela murmurou, bem baixinho, para si própria. – Não consigo me livrar dessa situação, e a responsável é essa força que não consigo enxergar, mas que está presente. Dá sinais de sua presença, como deu através das lágrimas e do desespero do Juca... Como acabar com essa força que nos acorrenta?
A perspectiva de ficar presa à Juca pelo resto da vida a assombrou. Mesmo que conseguisse enrolá-lo pelo resto da vida, teria sempre que lhe dar satisfações, preocupar-se com o seu bem-estar...
-Como eu me arrependo... – ela suspirou; falou um pouco mais alto, de modo que Juca, que estava do outro lado da sala, a olhou, interessado.
-Do que se arrepende?
Joyce titubeou, sem saber o que responder. Não foi necessário bolar uma resposta, pois um forte estrondo contra a porta da sala fez com que ela e Juca se esquecessem de qualquer outra coisa.
-O que será que foi isso?? – ela indagou, ao que Juca respondeu com um balançar de ombros.
Joyce, sem hesitar, largou o pano de limpeza e caminhou até a porta.
-Cuidado, Joyce! – avisou Juca. – Você sabe, tem aquela tal garota pervertida assombrando os corredores! Não sabemos, talvez a Tarah seja perigosa.
-Relaxe. Tarah é inofensiva – respondeu, abrindo a porta.
No corredor, se desenrolava uma briga entre dois alunos da Grifinória. Dino Thomas travava a batalha contra Simas Finnigan. Neste momento, Dino levava a melhor; havia imobilizado Simas contra a parede, e o golpeava com socos.
-Minha nossa! – exclamou Joyce, espantada, saindo para o corredor. – Parem com isso!
-Não! – disse Dino.
-Por que estão brigando??
-Porque eu disse a ele que viria esperar a Tarah aqui – explicou Dino. – Esse traidor tentou me convencer de que era loucura esperar a tarada. Eu fingi que tinha aceitado a opinião dele, depois vim para cá, e o que encontro? Esse traidor chamado Simas! – e socou o ombro do garoto.
Naquele instante, Rebecca surgiu, descabelada e com uma camisola rosa com babados que Joyce achou ridícula. A jovem teve que segurar o riso; era visível que o sono de Rebecca fora interrompido pela estranha movimentação no castelo.
-O que está acontecendo aqui? – perguntou a inspetora, ríspida. Dino largou Simas no mesmo instante. – Brigando para ver quem vai esperar aquela louca pervertida, não é mesmo??
Ela respirou fundo, sem esperar a confirmação.
-É claro, como todos os outros! – lançou um olhar de esguelha para Joyce. – Uma garota por aqui! Humm... Você não seria a tarada?
-Essa é, sim, mas não chega a atacar os homens pelos corredores – zombou Dino.
-Cale a boca! – vociferou Joyce, irritada. – Não sou a Tarah.
-Perto dela a Tarah é amadora...
-Dino Thomas, fique quieto! – ela voltou-se para Rebecca. – Estou cumprindo detenção, na sala de Transfiguração. Só saí porque ouvi a briga entre os dois.
-Ah claro. Você ousou ofender a diretora. Se estivesse no lugar de McGonagall, a expulsaria.
-Digo o mesmo em relação a você – respondeu Joyce, forçando um sorriso.
Rebecca ignorou-a e voltou a atenção para os garotos.
-Saibam que serão punidos por estarem atrás daquela pervertida. Passamos uma orientação a vocês, de que precisavam ficar em segurança em suas casas, e estão desrespeitando o regulamento! Isso é inadmissível! Por isso...
Ela não pôde continuar. Naquele instante, todos ouviram uma voz masculina, que, tranqüila, dizia:
-Estou tão sozinho nesse corredor... Oh, que medo... Não tenho ninguém por perto...
A sombra ia se avolumando, conforme o rapaz se aproximava.
-É muito perigoso caminhar sozinho por aqui... Afinal, estou sem saída, caso a Tarah resolva me atacar... Ela poderia me arranhar, chupar meu pescoço, também outras partes, enfim, fazer tudo o que tivesse vontade, e ninguém atrapalharia... digo, ninguém apareceria para me salvar...
Finalmente, o garoto que se oferecia apareceu. Neville imobilizou-se e arregalou os olhos quando viu Rebecca no corredor, olhando-o com frieza.
-Olá, inspetora... – disse, acenando, tímido.
-O que pensa que está fazendo? – e Rebecca caminhou atrás de Neville, que saiu em disparada pelo corredor.
Assim que a diretora sumiu de vista, Dino e Simas voltaram à briga. Satisfeita, Joyce voltou a sala e encostou a porta.
-Todo mundo pirou com essa tal tarada – comentou Juca.
-Sim. Mas ninguém pirou mais do que a nossa querida inspetora Rebecca – Joyce apanhou o pano e retomou a tarefa com novo ânimo. – Ela não terá tempo para mais nada.
No dia seguinte, logo após o amanhecer, Clarissa encontrava-se sentada sobre o gramado do jardim. Ela observava o horizonte, pensando nas surpresas que aquele dia lhe traria. Se Frieda seguisse o combinado, ela se livraria de Rony nas próximas horas. Quão maravilhoso não seria viver sem aquele peso em seu peito?
Não correria mais o risco de cair em tentação, de se declarar para o garoto, de frustrar o futuro brilhante e milionário que tanto ela quanto os pais almejavam desde a sua infância.
À distância, um movimento chamou sua atenção. Seus olhos encontraram Frieda, que, envolta em um discreto vestido negro, caminhava rumo aos portões do castelo. A professora, sentindo que era observada, voltou-se para a jovem. Discretamente, fez um aceno com a cabeça e continuou a caminhar.
Parece que a trama sinistra para matar Rony começava a ser tramada...
-Clarissa! – exclamou uma voz animada, tirando-a do devaneio. Era Hermione, que vinha acompanhada das outras Encalhadas. – Resolveu tirar alguns minutos para pensar um pouco?
-Sim... – ela respondeu, sorrindo. – Estava precisando colocar algumas idéias em ordem.
-À respeito do quê? – questionou Lanísia, curiosa.
-Nada importante... Na verdade, não posso falar porque vocês não entenderiam. Acho que ninguém conseguiria me entender.
As garotas ficaram em silêncio por alguns segundos.
-Sempre misteriosa... – comentou Alone.
-Não estou fazendo mistério – ela explicou-se. – Apenas acho que não vale a pena falar a vocês, já que o meu relato provavelmente não levará à compreensão.
A voz de Clarissa era tão meiga e cativante, expressava tanta sinceridade, que nenhuma das Encalhadas insistiu.
-Confiamos em você – disse Mione, expressando o sentimento de todas as outras.
-Eu sei – respondeu Clarissa, um leve sorriso despontando em seus lábios. "E essa confiança é o meu maior triunfo".
Um berro agoniado veio de dentro do castelo, cortando o pensamento de Clarissa e a admiração das Encalhadas.
-Este castelo está de pernas pro ar... – comentou Alone. – O que será que aconteceu agora?
-Acho que já sei... – disse Mione, satisfeita. – Vamos até lá... – e entrou no castelo, fazendo sinal para que as amigas a acompanhassem.
No meio do Saguão de Entrada, estava Crabbe, ainda berrando, desesperado. Suas roupas apresentavam rasgos e havia um arranhão em seu braço. Mais pessoas se aproximaram e fecharam o círculo ao redor do garoto antes que ele se pronunciasse.
-Fui atacado pela Tarah!
Murmúrios de pavor se espalharam pela multidão. As Encalhadas olharam para Mione, sem compreender, mas a garota observava Crabbe com satisfação.
Rebecca abriu caminho na multidão e parou ao lado do garoto.
-Você viu a Tarah?? – indagou, em desespero. – Conseguiu ver o rosto dessa pervertida?
-Não deu para ver o rosto dela – disse Crabbe. – Mas vi todo o resto. Até as partes baixas...
-Oh! – Rebecca levou a mão à boca, espantada. – Ela ficou nua?
-Sim. Não só ficou nua, como me violentou!
As pessoas ficaram chocadas com a revelação. Naquele instante, mais alguém abriu caminho através da aglomeração. Era outro garoto, tão arranhado e despenteado quanto Crabbe. Ele despencou ao lado de Crabbe e, segurando as calças que teimavam em despencar devido a um botão aberto, anunciou:
-Eu também fui estuprado!
-Ohhh! – a multidão ofegou.
-Não sabia que mulheres estupravam homens – comentou Joyce, alto o suficiente para que Blás Zabini a ouvisse.
-Tarah estupra!! – rosnou o garoto. – Tarah faz de tudo! Até o inimaginável. Ela é a perversão em forma de mulher!
-Tudo bem, ela estupra! – falou Joyce, erguendo as mãos em sinal de paz. Em seguida, puxou Mione para fora do círculo. As outras meninas também se afastaram, todas querendo fazer a mesma pergunta para Hermione. Quando alcançaram o Salão Principal, que estava quase vazio, Joyce perguntou, baixinho. – O que significa aquilo? A Tarah não existe! Ou existe?
-Claro que não! Por isso estou tão satisfeita!
-Até agora não entendi a sua satisfação... – comentou Serena.
-Garotas, essa é a outra parte do plano! O que fará com que a lenda de Tarah perdure, apesar da Tarah não existir – ela respirou fundo, satisfeita. – O dom para mentiras que os garotos possuem. Eles adoram contar papo, vocês sabem disso. Podem ter certeza que Crabbe e Blás não serão os únicos a serem "atacados" por Tarah.
-Tem razão. Eles adoram mentir, especialmente quando tem mulher no meio – falou Lanísia. – Seu plano foi mesmo perfeito, Mione. Isso ainda vai arrancar muitos fios de cabelo da Rebecca, vai roubar todo o tempo dela.
-Ela não vai sossegar enquanto não capturar a Tarah – disse Alone. – E, como a Tarah não existe...
-...vai procurar, procurar e procurar por muito tempo – concluiu Mione. Ela ficou séria. – Isso atrasa os planos de Frieda, mas não podemos pensar que ela não vai perceber que Rebecca não está seguindo o que havia prometido. Ela perceberá, e nos atacará de outra forma.
-O que devemos fazer? – perguntou Lanísia. Olhou para Serena. – Lewis ainda está confuso?
-Sim. Fui visitá-lo assim que acordei. Ele continua do mesmo jeito. Não temos como questioná-lo ainda.
-Então, hoje o ataque será através do Ted novamente – falou Mione, olhando para Lanísia. – Você precisa visitá-lo no intervalo do almoço. Veja se consegue descobrir alguma coisa a mais sobre o tal golpe que Frieda aplicou nele. Enquanto isso, eu e Alone vamos continuar a buscar a reversão da Fogueira na biblioteca. No horário do almoço, vamos até lá, tudo bem?
-Sim – respondeu Alone. – Mas estava pensando em fazer outra coisa no intervalo do almoço...
-O que seria? – perguntou Mione.
-Tomei uma decisão em relação às fotos que Colin possui.
-Qual? – perguntou Clarissa.
-Vou destruí-las.
As meninas engoliram em seco; havia determinação e frieza na voz de Alone.
-Mas... Essas fotos devem estar no dormitório dele... – disse Clarissa. – Colin nunca baixaria a guarda a ponto de deixar as fotos dando sopa...
-Sei disso. Sei que enquanto ele está fora do quarto, deve levar as fotos. Tudo o que eu preciso e confundi-lo, deixá-lo sem formas de pensar...
-E como fará isso? – perguntou Joyce.
-Eu tive uma idéia, mas vou precisar da ajuda de vocês.
E Alone comunicou seu plano. Dali a algumas horas, no intervalo para o almoço, o plano tinha início, através de uma conversa entre Alone e seu querido Harry Potter...
Walter olhava para o galeão dourado, e soltou um suspiro de admiração. Para ele, aquilo era mais belo e atraente do que qualquer outra coisa.
-Isso é um adiantamento – comunicou Frieda, enquanto o bruxo alisava os galeões que enchiam a saca que ela lhe passara. – Matando o garoto, lhe dou a outra parte, que é o dobro desta.
-Mas... Será muito mais do que da outra vez... O tal garoto é tão importante assim?
-Ele não. Importante é a informação que a morte dele me trará... – foi a vez de Frieda suspirar diante de tão bela perspectiva. – Tudo o que eu precisava...
-E quando preciso matá-lo?
-Hoje mesmo.
-Como saberei quem é a vítima?
-Você ficará em um local, e vou mandá-lo de presente para você. Será fácil demais, Walter. Elimine o garoto, e terá a minha eterna gratidão. E, você sabe...
Ela retirou do bolso mais um galeão e colocou-o sobre o monte de moedas douradas.
-Minha gratidão vale ouro...
No intervalo para o almoço, Alone iniciava as instruções para Harry, dentro de um armário de vassouras.
-Olha, sei que você não vai entender nada, mas precisa saber que o que vai fazer é muito importante para mim – ela pegou a mão dele e a encostou em um de seus seios. – Vai me fazer muito feliz... E você gosta de me fazer feliz, não gosta, Harry?
-Muito – respondeu ele, fitando os seios de Alone.
-Ótimo. Bom, o que você precisa fazer é o seguinte...
Os dois saíram após alguns minutos. As meninas aproximaram-se, curiosas.
-E então?
-Muito fácil. Nesses momentos é útil ter feito o que fizemos. Eles nos obedecem mais do que se estivessem controlados por uma Imperio. Eu ainda permiti uma carícia em meu seio para ele sair um pouco mais animado...
-Vamos para a sala comunal, não temos tempo a perder – lembrou Joyce.
Elas correram para a sala comunal da Grifinória. Ao chegarem, viram Harry subindo em direção ao dormitório. Ansiosas, aguardaram. Houve uma pequena demora, onde Serena chegou a suspeitar que o plano não daria certo...
-Vai dar certo – disse Alone, confiante, e no mesmo instante, Harry surgiu pela escada, acompanhado por Colin, que o seguia com o olhar vago. – Percebam o olhar. Como ele nem consegue acreditar no que está acontecendo. Eu sabia disso. Colin é obcecado pelo Harry. A obsessão o cega, e com certeza desarma a atenção dele.
De fato, Colin seguiu Harry para fora do salão comunal, sem olhar para os lados. Enquanto os dois saíam do salão, Alone e Joyce subiam em direção ao dormitório.
O local encontrava-se vazio. As duas encostaram a porta e hesitaram por um momento.
-Vim aqui antes, mas não lembro qual é a cama do Colin – disse Alone, confusa.
-Deve ser uma cor-de-rosa, talvez com babadinhos no edredom.
-Deixe de besteiras, Joyce, Colin não... – Alone parou de falar, assim que seus olhos encontraram uma cama coberta com edredom rosado, onde estavam estampadas diversas rosas. – Minha nossa! Será que com isso ninguém percebeu que ele é um tanto diferente?
-Anda logo, Alone! Encontre as fotos!
Enquanto Joyce ficava junto à porta, atenta a qualquer ruído que indicasse alguma aproximação, Alone vasculhava os arredores da cama de Colin. Olhou debaixo da cama, abriu algumas gavetas e malas. Qualquer caixa que encontrava, qualquer espaço onde ele poderia esconder as fotografias, era examinado com mais cuidado.
-Vai logo, Alone... – pediu Joyce, agoniada.
-Calma aí! Ele tem muitas coisas... Cadernos floridos, bichinhos de pelúcia, pôsteres de um famoso jogador de quadribol...
-Finalmente algo comum a um garoto!
-É porque você não viu como o famoso jogador estava... Parece que o Colin anda soltando a franga... – ela puxou uma caixa quadrada, de cor marrom, que estava em uma das malas. Abrindo-a, encontrou um conjunto de fotos. – Aqui tem algumas fotos, será que são elas?
Um conjunto de fotos estava separado dos outros, amarrado por um elástico. Alone puxou-o e, com um sorriso, viu que era o que procurava. Na primeira foto, Harry sorria e acenava, além de mandar beijos. Não querendo ver o que as outras fotos traziam, ela guardou-as no bolso das vestes.
-Isso me deixa nauseada... – comentou.
-Podemos ir, então?
-Sim. Só preciso de mais uma coisa...
-O quê, Alone?
-Algo que vi dentro dessa caixa... Uma foto que me chamou a atenção... Ah! Aqui está ela! – ela virou o retrato na direção de Joyce. A jovem arregalou os olhos, e piscou-os rapidamente para se certificar de que não estava imaginando coisas.
-Ele fotografou o Ernesto tomando banho??
-Que choque, hein, Joyce? Gostou do que viu, é isso?
-Não, eu já tinha visto...
-Existe algum rapaz de Hogwarts que você ainda não tenha visto nu? Às vezes você me assusta, mané...
-Existem vários com os quais eu não fiz besteirinhas. Por coincidência, ele fotografou um que já passou por minha "amiguinha"... O que me espantou foi o abuso do Colin!
-E como você ficaria se soubesse que essa é só uma da coleção de banhos?? – perguntou Alone, passando para Joyce um monte de fotos.
Joyce apanhou-as e passou os retratos, pasma.
-Já vi... Já vi... Já vi... – ela comentava, enquanto fitava os jovens fotografados. – Já vi... Não vi...
-Ah, finalmente um!
-Bom, na verdade, eu só não vi, mas peguei.
-Como assim?
Ela olhou para Alone como se a pergunta fosse bastante estúpida.
-Estava escuro, pô! Finalmente posso ver o que eu só tinha sentido... Valeu, Colin!! – exclamou ela, animada. – Já vi... Já vi... É, ele conseguiu flagrar bastante gente, e sem ser visto... Se algum dos alunos que foram fotografados vêem isso, daria uma grande confusão... – ela parou de falar naquele momento; algo no modo como Alone sorria lhe dizia que era justamente nisso que a amiga estava pensando. – Alone, você não vai... Vai??
-Isso mesmo... – ela pegou as fotos de Joyce. – Vou divulgá-las.
-Mas isso... Isso vai ferrar o Colin!
-Ele não queria acabar comigo? Então... Terá o troco, e será pago na mesma moeda.
Joyce engoliu em seco.
-Você é muito vingativa. Isso assombra um pouco...
-Sei que pode ser um pouco assustador, mas você não sabe como é doce aos lábios o sabor da vingança.
Próximos à entrada para o salão comunal da Grifinória, Colin escutava as explicações de Harry – texto que fora ensaiado dentro do armário de vassouras...
-Eu fiquei um pouco confuso... Mas a Alone estava me assediando demais! Você precisa entender isso, Colin. Foi um erro, eu sei...
Ele procurava maneiras de continuar enrolando, até que, finalmente, as Encalhadas saíram do salão comunal e Alone fez um sinal de "jóia"para ele. Aliviado, Harry constatou que poderia encerrar por ali.
-Colin, preciso comer alguma coisa. A gente se vê mais tarde, tudo bem?
-Sim, claro... E... Não vai me dar nada?
Harry franziu as sobrancelhas, sem compreender; só estava seguindo o que Alone lhe pedira, e uma despedida fora do comum não estava dentro do planejado. Assim, ele pousou a mão sobre o ombro de Colin e, forçando um sorriso, prometeu:
-Depois.
Harry afastou-se. Colin, emocionado, voltou para o salão comunal e correu para dentro do quarto. Parecia que o mundo tinha outra cor; depois de dias, ele sentia-se feliz novamente! No fim das contas, Alone fora somente uma aventura. Ele era importante, não ela!
Indo diretamente para a mala onde guardava as fotos de Harry, Colin não reparou que a caixa estava entreaberta. Percebeu apenas que alguém tinha mexido em seus pertences quando não encontrou as fotos de Harry.
-Droga! Será que alguém pegou as fotos?? Eu não devia ter deixado aqui! Sempre andam comigo! Mas o Harry... Deixou-me perdido... Como pude esquecer?
Ele tentou se acalmar; não podia estragar aquele momento glorioso. Afinal, poderia tirar novas fotos do Harry e não precisaria mais ameaçar Alone – que, provavelmente, havia roubado as fotos para destruí-las.
Tranqüilo, ele fechou a caixa e deitou na cama, para aproveitar a sensação de paz que invadira seu coração...
-Paz temporária, Colin Creevey... – murmurou Alone, no momento em que, apontando a varinha para as fotos, incendiou-as.
Ela dava fim às fotos dentro de um banheiro feminino. Mione trancara a porta para que elas ficassem à vontade. As labaredas cresciam à medida que o fogo ia consumindo o material. Mione estremeceu.
-Ver qualquer tipo de fogueira me deixa zonza... – comentou.
-Em mim, o efeito é contrário – falou Alone, alegre. – Estou queimando a única forma que Colin Creevey tinha de destruir o meu namoro com o Harry. Meu plano foi perfeito, não foi?
-Um tanto medonho, mas foi – disse Serena. – Usou o Harry para enganar o Colin... Coitado, deve estar tão contente...
-Vou deixá-lo curtir a paz e a alegria por algumas horas. Deixá-lo acreditar que passou a perna em mim... – Alone deu uma risadinha. – E, então, a coleção dos banhos se espalhará por Hogwarts!!
Lanísia consultou o relógio.
-Não dá mais para visitar o Ted. A nova visita vai ficar pra depois.
-O que é um erro, já que cada segundo é precioso – replicou Mione.
-Não posso fazer nada! De certo modo, o plano de Alone roubou toda a nossa atenção... Bom, não dá para ir até Hogsmeade, mas vou aproveitar os minutos que faltam para ver Augusto...
-Lanísia, Lanísia, cuidado! – avisou Mione.
-Se a Rebecca pega você... – lembrou Clarissa.
-Meninas, por que estão me avisando para ter cuidado?? Hein? Desde que comecei a dar em cima do professor, fui flagrada por alguém? Hã? Claro que não! E sabem por quê? Porque tenho a plena consciência de que estou fazendo algo que é considerado errado!
-É, mas você nunca teve alguém que sabe o que você faz com o professor e quer provar isso – recordou Hermione. – A situação é diferente.
-Ela está tão preocupada com a Tarah que nem vai se lembrar de nós dois... – ela ajeitou o cabelo diante do espelho, e, aprovando o reflexo, saiu do banheiro, dizendo. – Nos vemos na próxima aula!
Uma vez fora do banheiro, Lanísia precisava localizar o professor. Foi encontrá-lo conversando com Flitwick, próximo ao pátio. Augusto olhou para ela no exato instante em que surgiu, como se sentisse a sua presença – o que, considerando o poder da Fogueira, Lanísia não duvidaria.
Assim, ela passou direto por ele, piscando discretamente. Ele entendeu o recado.
Enquanto Augusto dava uma desculpa para Flitwick, Rony, que caminhava despreocupado pelo pátio, apanhava um bilhete no chão. O pedaço de papel flutuara em sua direção. Deu um sorrisinho enquanto desdobrava o papel; só podia ser um recado de Hermione, combinando mais um encontro às escondidas...
Sinto a sua falta; preciso matar essa saudade.
Passe pelos portões do castelo e me encontre no riacho próximo.
Beijos,
Hermione.
Rony franziu a testa, intrigado. A letra de Hermione estava um pouco diferente, embora estivesse caprichosa como sempre. Sinto a sua falta... Mas os dois não estavam se encontrando com freqüência? Será que Mione estava tão carente assim?
-Humm... Como diz o bilhete, vou lá matar essa saudade...
Ansioso, o rapaz saiu do pátio, acompanhado pelo olhar de Frieda Lambert, que, baixinho, murmurou:
-Pobre tolinho. Não é a saudade que vai morrer hoje...
Ela observou-o até que ele saísse do pátio. Antes de abandonar seu posto, algo chamou a atenção de Frieda; Rebecca passou apressada pelo corredor, mexendo na máquina fotográfica, parecendo alerta.
Será que a inspetora, finalmente, conseguiria flagrar Augusto e Lanísia?
Lanísia aguardava o professor atrás do tronco de uma das árvores do jardim. Recebeu-o com um beijo nos lábios e ele lhe concedeu uma apalpada em seu bumbum.
-Adoro quando você me pega de jeito – comentou a garota. – Acho que precisamos de uma nova aula como aquela... O Mestre dos Desejos tem novas lições para ensinar??
-Sim... – ele respondeu, beijando-a novamente. – E ele quer ensinar daquele mesmo jeito... De um jeito perigoso... Arriscado...
-Fica bem mais excitante, não é mesmo? Acho que foi o fator perigo que me puxou para junto de você, além dos seus atributos físicos, é claro. O perigo me atrai. O perigo me excita – ela mordeu o lábio, e puxou-o para perto dela, movendo-o pelo traseiro. O professor ergueu uma sobrancelha, surpreso. – O que foi? Não tenho o direito de apalpar também?
-O que você está sentindo aí, pressionando seu corpo, diz que eu não gostei?? – perguntou o professor.
Lanísia moveu o corpo para a frente, apertando o membro do professor com sua coxa. Ele revirou os olhos, enquanto ela sorriu.
-Gostoso, não foi? – ele apenas balançou a cabeça, sem fôlego. – Acho que dá para fazermos de tudo aqui mesmo – ela apertou-o novamente. – Só movermos um pouco mais de tecido, apontar o seu colega mais para cima e pronto! Prazer e aventura no meio do jardim de Hogwarts... Seria inédito!
-Pode ser perigoso... Droga! Lembrar dos riscos que corremos só me deixa mais louco! – dessa vez, foi ele quem a puxou para que pressionasse seu membro. Secando uma gota de suor, Augusto sorriu, delirante. – Vamos. Agora ele precisa ir até o fim.
Augusto abriu o cinto, tirou as calças e, sem poder demorar mais, jogou-se sobre Lanísia.
Os arbustos remexiam-se. Aproximando-se com cuidado, Rebecca parou atrás de uma das árvores, horrorizada. De onde estava, conseguia ver apenas o topo da cabeça de Augusto, que, aparentemente, beijava Lanísia.
-Graças a mim, esse comportamento grotesco terá punição! – disse Rebecca, ajeitando a câmera e aproximando-se um pouco mais, para registrar a cena que se desenrolava atrás dos arbustos...
Rony passou pelos portões, animado, e tomou a trilha que levava para o riacho onde Hermione o aguardava. Embora nunca tivesse ido até o local, ele sabia onde o riacho ficava, e já ouvira algumas histórias sobre ele; era freqüentado por alguns habitantes de Hogsmeade, especialmente em dias de calor.
Atravessando o matagal, Rony finalmente encontrou o riacho. Parou com cuidado sobre as pedras que encimavam o local e olhou ao redor. Não havia sinal de Hermione; apenas os insetos zumbindo e o ruído da água escorrendo entre as pedras.
Às suas costas, furtivamente, Walter se aproximava, recordando-se da descrição que Frieda havia lhe passado...
"Garoto ruivo, alto e com sardas".
E ela havia mandado a vítima de presente, conforme o combinado. Bastava um empurrão para selar o destino infeliz daquele garoto...
Walter estendeu as mãos para aplicar o golpe. Naquele instante, Rony virou-se. Seus olhos se arregalaram diante do rosto feroz e psicótico que o encarava. Walter tentou empurrá-lo, mas Rony manteve o equilíbrio, segurando os braços do bruxo, com força.
Rony contorcia o rosto enquanto se esforçava para conter Walter. Se vacilasse, o outro poderia conseguir derrubá-lo. Ele via a mesma determinação alucinada estampada no rosto do desconhecido; era um desejo gigantesco de vencer, de empurrá-lo, algo que Rony não podia compreender...
A força de Rony acabou vencendo e ele empurrou Walter contra o chão. Desesperado, correu, com a intenção de fugir, mas acabou tropeçando em uma das pedras. Estendeu a mão contra o solo para amortecer a queda e voltou-se rapidamente, alerta, buscando o psicopata.
Walter vinha em sua direção. Rony usou toda a força que possuía para erguer-se rapidamente e recomeçar a sua fuga, mas não havia tempo...
Walter estava com as mãos estendidas, pronto para atirá-lo riacho abaixo...
Agindo da única forma possível, Rony deixou-se cair contra o chão, para sair da mira do bruxo ensandecido. Tropeçando no corpo estendido de Rony, Walter caiu, sua cabeça atingindo, certeiramente, uma das imensas pedras cinzentas que rodeavam o riacho.
O impacto foi de gelar o sangue.
Apavorado, Rony ergueu-se e começou a correr, enquanto a água do riacho ganhava leves pinceladas de vermelho-vivo, vermelho que escorria por entre as pedras e por entre os inúmeros galeões que deslizavam, seguindo a correnteza.
Galeões que os olhos abertos de Walter, mesmo sem vida, pareciam buscar...
N/A: Lamento a demora... Mas espero que tenham gostado. Agradeço os comentários! Abraços e até o próximo capítulo!!
