CAPÍTULO 26

As Mãos, A Intimidade e os Olhos Atrevidos

Inimigos desconhecidos...

-...não conhecemos este inimigo, então, não podemos evitá-lo...

...alguns conhecidos, mas que aparecem de maneira inesperada...

O corpo a guiava, como se não precisasse dela.

...Enquanto isso, o destino alia alguns...

-...você cai, eu caio. O efeito dominó novamente...

..às vezes, de uma maneira não muito agradável...

-E será que vai viver depois que fizer isso??


Rony, desnorteado, subiu o gramado em direção ao castelo. Sua cabeça doía, as mãos estavam dormentes. As imagens vinham em seqüência em sua mente; o bruxo atacando-o... o duelo sobre as pedras... a queda do bruxo... o impacto do crânio se chocando contra a pedra...

-Socorro... – conseguiu balbuciar. Olhou em frente; o castelo parecia muito distante. – Socorro... – tentava gritar, mas não conseguia, entorpecido pelo medo.

Cambaleando, avistou uma pessoa que estava próxima à uma árvore; demorou alguns segundos para conseguir identificá-la; o medo, aparentemente, havia comprometido o seu raciocínio...

-Ajude-me... – pediu Rony, alteando a voz; a inspetora deu um pulo, surpresa, e voltou-se na direção da voz. Assim que fitou o rapaz vindo em sua direção, Rebecca exclamou, irritada.

-Ah! Mais um! Mas não é possível!!

Foi até o rapaz, esquecendo-se do que fazia. Alarmados com a proximidade da voz da inspetora, Augusto e Lanísia interromperam as carícias e amassos atrás dos arbustos e ficaram imóveis.

Os lábios de Lanísia formaram o nome Rebecca, e Augusto concordou com a cabeça. Em seguida, levou um dedo em frente à boca, pedindo silêncio.

-Foi aquela pervertida, não foi?? – perguntou Rebecca, embora não desse tempo para Rony responder, pois completou em seguida. – Oh, quem mais poderia ser? Se eu pego aquela tarada...

Rony não falou nada; aceitou o apoio que a inspetora lhe oferecia e a acompanhou em direção ao castelo.

-Vamos... Quero que se recupere e me fale o que aquela maluca fez com você! Afinal, pelo seu estado, foi o mais afetado com o ataque da vagabunda...

A voz irritada de Rebecca foi sumindo à distância e, somente quando não era possível ouvi-la, Augusto respirou, aliviado, e sentou-se sobre o gramado, secando o suor da testa com o lenço.

-Nossa... Essa foi por pouco...

-O que será que ela estava fazendo por aqui? – perguntou Lanísia, suspirando. – Simplesmente passeando pelo jardim?? Não sei, Augusto... Isso está me parecendo estranho demais...

-O que está pensando? Que ela estava por aqui...

-...por causa de nós dois – completou a garota. – Deve ter nos seguido.

-Será que viu alguma coisa?

-O problema não é se ela viu, e sim se ela registrou o que viu... Se bem que teríamos escutado o clique da máquina...

-Fique tranqüila. O garoto atacado a desconcertou.

-É, ainda bem que a sua ex-esposa está tão paranóica com os ataques da Tarah que esquece de qualquer outra coisa... – Lanísia espiou por cima dos arbustos e viu Rebecca se distanciando ao lado de Rony. – O que será que aconteceu? – perguntou, mais para si mesma do que para Augusto.

Observando o namorado adentrar o Saguão de Entrada naquele estado, ao lado da inspetora, Mione perguntou-se a mesma coisa, mas em pensamento.


Rebecca levou Rony à ala hospitalar; logo após o garoto ter sido medicado por Madame Pomfrey, a inspetora o acompanhou até a Sala dos Professores, onde a diretora Minerva se encontrava naquele momento. Com alarde, Rebecca escancarou a porta da sala, sem bater, e indicou o garoto aos professores.

-Mais um aluno atacado! – anunciou.

Minerva balançou a cabeça, chocada.

-Foi a Tarah outra vez?

-Não... – Rony respondeu, finalmente, um pouco melhor depois das poções que tomara. Ele ouviu a exclamação de surpresa de Rebecca e olhou para o rosto da inspetora. – É, não foi ela. E ninguém parecido... Na verdade, tentaram me matar.

Por baixo da mesa dos professores, Frieda torceu as mãos, aflita.

-Mas... Como assim, Sr Weasley? – perguntou Minerva, abismada, ajeitando os óculos. – Não estou entendendo...

-Nem eu, professora, mas é a verdade. Tentaram me matar naquele riacho que fica próximo à estrada para Hogsmeade!

Frieda não conteve o nervosismo e a curiosidade e perguntou:

-Mas quem tentaria fazer isso?? Você chegou a ver quem foi?

-Sim. E qualquer um pode ver agora mesmo...

Frieda torceu as mãos com firmeza, procurando manter-se impassível.

-Como assim? Qualquer um pode ver?? – repetiu.

-Sim. Ele está morto.

Por uma fração de segundo, a máscara de Frieda caiu; uma expressão de puro pânico tomou conta de seu rosto. O bruxo imbecil havia fracassado, seria identificado e ele não tinha motivos para tentar matar o garoto... Frieda, com esforço, recuperou o controle e copiou o choque dos colegas do corpo docente.

-Como aconteceu? – perguntou a diretora.

-Ele estava tentando me matar, tropeçou e acabou batendo a cabeça em uma das pedras... Depois vim correndo em busca de ajuda.

-Vamos até lá! – falou Minerva. – Assim podemos identificar o bruxo que tentou matá-lo.

A maioria dos professores seguiu-a, mas Frieda deixou-se ficar para trás. Começou a caminhar pelos corredores, pensativa. Precisava pensar em alguma coisa para contornar o problema, e rápido...


Colin levantou-se da cama, contente, ainda sentindo no peito as emoções das palavras carinhosas proferidas por Harry momentos antes. Novamente pensando com clareza, lembrou-se de que não estava com as fotos que tirara ao lado do garoto, fotos que eram tão importantes, os instrumentos que utilizava para ameaçar e amedrontar Alone, registros de um passado perdido.

Mas, agora que Harry finalmente percebera que não podia viver sem ele, os bons momentos estariam de volta! Harry não ficaria mais indeciso entre ele e qualquer outra pessoa; pelas palavras do garoto, Colin concluíra que Harry não o deixaria nunca mais.

Abriu a caixa de fotos e toda a felicidade desapareceu.

Sabia onde havia deixado as fotos. Apesar das diversas fotografias que estavam guardadas ali, ele sabia a exata localização das que tirara ao lado de Harry.

E elas não estavam lá.

-Mas... Como?? – balbuciou Colin, aturdido. – Não pode ser... Droga! – ele esmurrou a caixa. – Como pude esquecer de levá-las? O Harry acabou fazendo com que eu me esquecesse... Que erro absurdo... Alone pegou todas! Só pode ter sido a Alone!

Ele empurrou a caixa para longe, irritado.

-Não podia me esquecer das fotos... Se bem que ela não pode mostrar a ninguém... O medo dela era este, que eu revelasse para as outras pessoas... – ele respirou fundo. – Preciso me acalmar. Tanto faz se ela roubou ou não, Harry é meu novamente, não preciso mais das fotos... É, é isso... Não preciso mais...

Acalmando-se, Colin abriu a porta do dormitório e saiu. Alcançou o buraco do retrato e, após diversos corredores e minutos de caminhada, chegou ao Saguão de Entrada.

O que viu próximo às portas de entrada fizeram com que ele compreendesse tudo...

Alone e Harry se beijavam, os corpos colados, apertando-se.

Fora tudo um plano.

Lágrimas se formaram nos olhos de Colin; sem conseguir se conter, ele caminhou até onde o casal estava e separou-os, puxando Alone pelo ombro. A garota olhou-o irritada.

-O que pensa que está fazendo, garoto? – perguntou, ríspida.

-Não posso acreditar que você foi capaz de algo tão mesquinho, Alone! – disse Colin, enquanto as lágrimas cobriam seu rosto. Voltou o olhar para Harry. – Como pôde concordar com isso?

-A Alone pediu, eu faço – respondeu Harry, simplesmente, abraçando a jovem.

-Mesmo que seja algo tão cruel quanto manipular os sentimentos de outra pessoa?

-Colin, por favor, não seja dramático – pediu Alone, impaciente. – Mexi mesmo nas suas fotos, aquelas, aliás, já foram queimadas, não existem mais. Não sobrou nada, só cinzas, assim como tudo o que você viveu no passado. Acabou, Colin. Lágrimas e discursos dramáticos não os trarão de volta, nem as fotos, nem o Harry.

Colin olhou para os dois, mas não falou nada.

-Acho melhor lavar esse rosto e esquecer tudo – aconselhou Alone. – Não vai pegar bem isso, você chorando aqui, em pleno Saguão de Entrada – ela baixou a voz. – Já pensou se sabem por quem você está chorando?? Vai confirmar o que eles já suspeitam...

Ela acariciou o rosto de Harry e beijou-o no rosto, sem tirar os olhos de Colin.

-Nunca brinque com uma mulher apaixonada.

Enquanto ela o provocava, Harry revirava os olhos, em êxtase. Aquilo foi o limite para Colin; o pouco caso de Harry em relação aos seus sentimentos e a maneira como ele delirava com os toques de Alone. Colin subiu, aturdido, a escadaria de mármore, ainda chorando profusamente.

Entrou em um corredor, observado pelo olhar atento de Frieda Lambert, que assistira toda a cena do alto da escadaria. A professora entrou no mesmo corredor; precisava alcançar Colin e fazer uma proposta que, ela não tinha a menor dúvida, era irrecusável...

Encontrou Colin naquele mesmo corredor. O rapaz sentara-se no chão e chorava, de cabeça baixa.

-A dor causada por uma decepção amorosa é a pior das dores, não é mesmo? – perguntou Frieda, em pé, ao lado do garoto.

Colin apenas ergueu os olhos marejados de lágrimas para a professora e a contemplou em silêncio.

-Fique tranqüilo, Creevey. Não contarei a ninguém o seu segredo, a sua paixão misteriosa. Percebi tudo pela maneira como a garota o provocou... Quanta crueldade... Ela nem se importou com os seus sentimentos...

-É... Foi muito ruim... – disse Colin, ofegante.

-Em uma decepção como esta, a gente acaba ficando sem rumo, não é mesmo? Não conseguimos enxergar uma solução, uma maneira de revertermos o caminho injusto que a vida tomou... A não ser, é claro, que a vida tenha tomado esse caminho à força...

Após essas palavras, Colin secou os olhos e olhou para a professora com interesse.

-O que quer dizer?

-Que Alone Bernard manipulou os sentimentos de Harry Potter.

Colin levantou-se, boquiaberto.

-Você tem certeza??

-Absoluta. Foi magia. E magia das grandes, magia proibida. Ela e as amigas sabem que estou de olho e estão fazendo de tudo para me impedir de desmascará-las.

-Então você ainda não sabe exatamente o que elas fizeram?

-Por enquanto não, mas é só uma questão de tempo. Afinal, enquanto não encontro, venho conspirando para separar um dos casais formados por este ritual proibido. Você acabou de sentir na pele o quanto é dolorosa uma decepção amorosa. Imagine o quanto seria para alguém enfeitiçado para amar... Viver sem o amado... Ficar longe da pessoa que ama... A pessoa poderia ir à loucura, ou cometer qualquer tipo de barbaridade. Claro que quem enfeitiçou não deixaria isso acontecer, e acabaria confessando tudo o que fez... É neste ponto que eu pretendo chegar, caso não descubra o que foi feito. Eu as forçarei a revelar.

-Você as odeia tanto assim?

-Não. Apenas uma. Mas ali, quando cair uma, caem todas, inclusive a garota que acabou de irritá-lo. Pense bem, Colin, ou o que ela fez para conquistar o Potter é descoberto, ou ela o terá para sempre.

Colin secou as últimas lágrimas; os pensamentos calculistas que tomavam conta de sua mente não deixavam espaço para a tristeza.

-Tem razão... Mas por que está me contando tudo isso?

-Porque preciso de sua ajuda. Ocorreu uma coisa que pode me prejudicar e me impedir de seguir em frente. Eu não posso agir a meu favor, mas você pode... Vai me ajudar?

Colin não hesitou mais do que poucos segundos antes de perguntar:

-O que preciso fazer?


Ele não chamou atenção ao entrar no Lorenzo´s; era apenas mais um dos alunos de Hogwarts que aproveitavam o intervalo do almoço para visitar o bar.

O Cantinho de Amor e Pegação estava deserto; de lá, Colin avançou para a porta informada por Frieda: a terceira à direita.

E, dentro do quarto, Colin depositou o objeto dentro de uma gaveta.


O ataque sofrido por Rony foi o assunto da escola naquela tarde. O fato de o funcionário do Lorenzo´s ter tentado matar um aluno de Hogwarts e morrido durante a tentativa de assassinato gerou diversas especulações.

Mione só conseguiu conversar às escondidas com o namorado à noite, em uma sala deserta no terceiro andar. Rony precisou ser muito mais cuidadoso para chegar até o local em que a namorada o aguardava, já que era o centro das atenções. Assim que Mione o viu, abraçou-o com força.

-Que dia terrível... – ela comentou, agarrada ao namorado.

-Nem me fale... Tive que contar e recontar o atentado para diversas pessoas...

-Não digo só por isso, Rony! Aquele homem tentou matá-lo!

Ele cruzou os braços.

-E posso saber por que você não foi até lá me encontrar?

-Devia ter ido?? – indagou Mione, confusa.

-Me convida, dizendo que estava carente, necessitada, e não aparece!! Se bem que até foi melhor você não ter aparecido mesmo, vai que você aparecia antes de mim e encontrava o maluco homicida...

-Espere aí, espere aí, não estou entendendo... Eu disse a você que estava carente?

-Sim, no bilhete que você mandou lá no pátio, na hora do almoço. Já esqueceu?

-Não lembro porque...

-É, agora não lembra mais. Tudo bem, é assim mesmo, atiça, me deixa todo entusiasmado, depois não aparece...

-Rony, eu não lembro porque não mandei bilhete nenhum!

-Mas estava escrito o seu nome no bilhete...

-Eu sou a única pessoa no mundo capaz de escrever Hermione Granger?? – perguntou ela, irritada. – Estou lhe dizendo que não escrevi o bilhete. Alguém quis enganá-lo e escreveu o bilhete em meu nome.

-Por que alguém perderia o seu tempo fazendo uma brincadeira dessas?

-Não sei, mas... – Mione interrompeu-se; uma possibilidade horrenda lhe ocorreu. Engolindo em seco, segurou a mão de Rony e perguntou. – Rony, o bilhete dizia para você ir me encontrar exatamente no lugar em que você foi atacado?

-Sim, eu devia ir até o riacho... – ele estranhou a expressão de Mione. – No que está pensando?

-Que seria coincidência demais aquele bruxo estar perto do riacho, pronto para matá-lo! Sei o quanto pode parecer terrível, mas alguém aqui de Hogwarts queria que você fosse até lá para ser assassinado. A mesma pessoa que escreveu o bilhete...


-Boa noite, Madame Pomfrey! – cumprimentou Serena, ao entrar na ala hospitalar.

-Boa noite! – retribuiu a enfermeira.

-Vim visitar o Lewis – informou Serena, olhando na direção da cama onde Lewis ficara; ficou um pouco surpresa ao ver que as cortinas ao redor estavam fechadas. – Algum problema? – indagou, apontando.

O sorriso de Madame Pomfrey se apagou.

-Tivemos um pequeno problema hoje... Na verdade, algo muito estranho...

-Ele está bem??

-Sim, não precisa se preocupar, agora já está bem. Mas a recuperação levará mais alguns dias.

Serena sentou-se em uma das camas da enfermaria, que estava vazia.

-O que aconteceu exatamente, Madame Pomfrey?

-Há umas três horas, Lewis começou a ter um novo acesso de dor. Como se os vestígios de Poção da Tortura que ainda residem em seu corpo começassem a se manifestar novamente. Isso não é comum, já que ele vem sendo medicado da melhor forma... – ela suspirou profundamente e se agarrou ao encosto de uma cadeira, como se precisasse de um apoio para não desabar. – Foi um susto muito grande. Por sorte, consegui medicá-lo a tempo e nada de pior aconteceu. Quero dizer, por sorte, e graças à Professora Frieda...

-Frieda estava aqui? – Serena levantou-se imediatamente, alerta.

-Sim... – a enfermeira franziu a testa. – Algum problema?

-Não... Claro que não... – Serena procurou sorrir para disfarçar. – Afinal, ela deve ter ajudado, não é mesmo?

-Ajudou e muito! Frieda estava ao lado dele, vendo o filho, no momento em que ocorreu o novo acesso de dor. A presença dela foi vital, porque eu estava na sala ao lado, arrumando alguns frascos de poções, e, se ela não estivesse aqui para gritar o meu nome, poderia ter demorado para ver que Lewis estava passando por um novo acesso... Nem quero pensar nas conseqüências...

-Esse acesso fará com que ele demore mais a se recuperar e a se lembrar das coisas, não é?

-Sim. Como eu lhe disse, a recuperação levará mais alguns dias.

-Posso vê-lo?

Madame Pomfrey assentiu com a cabeça e abriu as cortinas que ocultavam Lewis. Serena emocionou-se ao se aproximar do garoto; Lewis estava um pouco mais pálido, os cabelos desgrenhados e a testa molhada com uma leve camada de suor. Dormia profusamente. A enfermeira aproximou-se com um lenço para secar a testa do garoto, mas Serena a interrompeu e estendeu a mão para o lenço branco.

-Posso? – perguntou, e Madame Pomfrey estendeu-lhe o lenço, sorrindo.

Serena secou a testa de Lewis com delicadeza. Queria tanto conversar com ele, vê-lo sorrindo. Não queria que ele se recuperasse apenas para revelar o que a mãe escondia, embora, se as suspeitas de Serena se confirmassem, descobrir tudo seria muito importante...

Ela precisava de mais uma pergunta para se convencer do que vinha suspeitando.

-Madame Pomfrey?

-O que foi? – ela aproximou-se.

-Você disse que esse segundo acesso de dor que Lewis sofreu não é muito comum?

-Exato. Na verdade, não conheço outro caso em que a Poção da Tortura agiu uma segunda vez. Porque o efeito da poção é imediato, e cessa logo quando o paciente é medicado.

Serena balançou a cabeça, assentindo; não precisava de mais nada.

-Amanhã devo visitá-lo novamente – informou, levantando-se. – Espero que já esteja acordado amanhã à noite.

-Com certeza estará! Um pouco confuso, mas estará acordado.

-Isso se ele não tiver um acesso de dor novamente... – disse Serena, fitando Lewis com preocupação.

-Não vai acontecer isso! Duas vezes já não é comum, agora três... Impossível, posso lhe garantir...

-Pode acontecer sim – e, olhando para a enfermeira, completou. – Este é um caso atípico.

Serena lançou um último olhar na direção de Lewis e saiu da ala hospitalar, ainda paralisada pela descoberta. Precisava conversar com as Encalhadas...


Rony ficou olhando para o rosto de Hermione enquanto tentava conceber a informação.

-Uma armação para me matar?? – disse, finalmente.

-Isso. É óbvio, Rony! Aquele bruxo já estava esperando por você, e aquele bilhete não era um convite para se encontrar comigo, e sim com ele! Como ele não tinha acesso a Hogwarts, só pode ter sido alguém aqui da escola que mandou o bilhete para você!

-Mas quem aprontaria uma coisa dessas?? Quem ia querer matar-me... – ele se interrompeu. – Malfoy! Será que foi ele outra vez?

-Não consigo pensar em mais ninguém – disse Mione, sentando-se em uma cadeira da sala vazia. – Mas Draco não tem motivo para tentar matá-lo. Ele não sabe que estamos juntos; para ele, eu desprezo você e o nosso namoro vai muito bem, obrigada.

-Vai ver ele quer garantir que você não voltará mais para mim...

-Não. Tenho certeza de que estou fingindo bem.

-Bom, de qualquer forma, foi ele. Minha morte não interessa pra mais ninguém... Espere um pouco! – Rony ofegou, pasmo com a lembrança que havia lhe ocorrido. – Já tentaram me matar antes do Draco!

-O quê?

-Sim! Antes de começarmos a namorar, antes de você jogar o nome do Draco naquele ritual estúpido! Tentaram me matar aqui em Hogwarts!

-Como?? Quem?

-Eu não sei, Mione, eu não sei! Tudo o que sei é que lançaram uma Maldição da Morte contra mim, e só não bati as botas porque a pessoa não teve coragem suficiente para lançá-la!

-Minha nossa! Draco ainda não estava enfeitiçado, então existe outra pessoa que quer matá-lo, Rony! Com certeza foi a mesma pessoa que agiu hoje. Não ter obtido êxito na Maldição da Morte demonstra que falta coragem para eliminá-lo; seria típico de uma pessoa como essa contratar outro para executar o serviço...

Mesmo na pouca claridade do ambiente, Mione percebeu que o rosto de Rony perdera um pouco de cor, e os olhos do garoto, arregalados, estavam direcionados para o chão, mas pareciam estar concentrados em algo distante...

-Por que alguém estaria tão decidido a me matar?

-Não faço a menor idéia... De certo modo, é pior do que se fosse o Draco. Afinal, não conhecemos este inimigo, então não podemos evitá-lo...

-O motivo me intriga tanto quanto a identidade.

-Sem um, não podemos chegar ao outro. Se soubéssemos pelo menos quem é, talvez deduzíssemos o motivo; ou, se descobríssemos o motivo, poderíamos chegar ao nome. Precisamos de um dos dois, Rony, mas ainda não sei como descobrir... – ela olhou para o namorado, preocupada. – No bilhete, a pessoa deu a entender que sabia de nós dois?

-Que estamos namorando?

-Sim.

-Não... Não exatamente. Aliás, até falava em saudade... Acho que a pessoa não sabe que estamos juntos. Apenas sabe que já estivemos juntos, e quis usar isso para me atrair para lá.

-Hum... Será difícil descobrirmos quem é esse inimigo misterioso. Mas, Rony, enquanto isso, tome cuidado. Muito cuidado – ela abraçou-o e beijou-o nos lábios. – Com Draco, sabemos como lidar; com este, não.

Eles se abraçaram bem forte. Mione reconfortou-se com o calor proporcionado pelo abraço do garoto; já tinha tantos problemas para resolver, e agora lhe aparecia mais um...


O conhecimento de que alguém estava querendo matá-lo alterou a rotina de Rony. Enquanto se encaminhava para o jantar no Salão Principal, observava cada um dos estudantes com um olhar de desconfiança. Qualquer um podia ser o seu inimigo... Por trás de qual daqueles rostos residia uma alma maligna, capaz de contratar um assassino?

Apreensivo como estava, ele teve um sobressalto ao esbarrar em Harry.

-Rony, desculpe! – falou Harry, sem graça.

-Não foi nada... – respondeu Rony. – Estou só um pouco tenso...

-Não é de se estranhar. Depois do atentado que você sofreu... – os dois começaram a caminhar juntos para o Salão. – Mas não fique nervoso. Procure relaxar. Aquele bruxo maluco não pode mais fazer mal... Você ficou sabendo o que descobriram?

-Não...

-Parece que o tal Walter era uma verdadeira ameaça. Os bruxos do Ministério foram até o Lorenzo´s no final da tarde e encontraram um machado coberto com sangue seco no quarto dele.

-Sério?

-Sim. Eles concluíram que ele devia ser um lunático, um psicopata. Machado coberto com sangue?? Outra vítima, é claro...

-Então, para eles, Walter era um psicopata?

-Sim. Um doido, daqueles que mata por prazer, sem ter motivo.

"Ele não tinha motivo. Mas quem o contratou tinha", pensou Rony, passando o olhar pelos rostos no Salão, amedrontado.


-Fiz o que você mandou e espero que consiga descobrir o que a Alone e as outras meninas aprontaram – falou Colin. Ele estava sentado sobre a mesa da sala de aula, olhando para a figura de Frieda Lambert, que fitava a noite pela janela. – Se me permite perguntar, professora...

-Não permito – retorquiu Frieda. – Sem indagações, Sr. Creevey. Farei o que for possível para descobrir o que as garotas fizeram, mas não responderei a nenhuma de suas perguntas.

Colin remexeu-se, inquieto; algo o incomodava, e, ele sabia, por mais que lutasse contra a sua curiosidade, não conseguiria conter a pergunta que teimava em sair.

-De quem era o sangue que cobria o machado?

Dessa vez, Frieda irritou-se. Parou de observar a noite e atravessou a sala até a mesa onde Colin se encontrava.

-Já disse que não responderei a nada!!

-Seria o sangue de uma pessoa? Se for, eu não sei se quero continuar a ajudá-la...

Frieda agarrou o pulso de Colin e apertou-o.

-Uma vez que se entra no jogo, Colin, não há mais como sair.

-Mas...

-Você levou o machado até lá, você plantou a pista falsa.

-Sei que foi. Mas poderia explicar tudo aos bruxos do Ministério...

-E será que vai viver depois que fizer isso?? – a voz de Frieda saiu em tom baixo, quase um sussurro. – Depois que se compactua comigo, não existe maneira de voltar atrás. O sangue dos traidores é derramado, Creevey, seja através de facas, ou, até mesmo, através de machados.

Um calafrio percorreu o corpo de Colin, enquanto Frieda apertava o pulso do garoto com mais força.

-Vai abrir a boca para alguém?

-N-não... – gaguejou; Frieda soltou o pulso do menino e Colin saltou da mesa, apressado. – Eu... Preciso ir... Com licença...

Colin abriu a porta e passou correndo por ela. Frieda apanhou a bolsa na mesa, pronta a sair da sala e ir até o seu quarto quando deu de cara com outra pessoa, parada à porta, olhando-a.

-Será que esta é a noite das visitas indesejadas? – perguntou Frieda, desprezando a presença de Clarissa.

-Precisamos conversar... – disse a garota, entrando na sala.

-De fato. Precisamos mesmo... – Frieda passou por ela e encostou a porta. – Me arrependi e muito de ter lhe ajudado, Clarissa. O imbecil do Walter morreu no momento em que tentava matar o Weasley e ele não tinha motivo algum para matá-lo. Corri um grave perigo. A minha sorte, e a sua, foi que, de alguma forma, não encontraram os galeões que dei a Walter como adiantamento. Se encontrassem, saberiam que foi uma morte encomendada, e o ligariam a mim em um estalar de dedos.

-Mas não foi culpa minha! Contratar aquele bruxo imbecil para executar o Rony não estava no acordo!

-Eu pensei que ele seria bem-sucedido... Foi um erro de minha parte, confesso. Mas estou finalizando aqui o nosso acordo.

-O quê?? – Clarissa ficou surpresa. – Não tentará matá-lo novamente?

-Não.

-Mas posso contar a você o que as garotas fizeram!!

-Posso descobrir sozinha, e, acredite, não vai demorar muito para isso. Mas, antes que eu esqueça a sua existência, preciso lhe perguntar uma coisa... O que a levou a acreditar que eu poderia matar Rony Weasley?

Clarissa titubeou, sem saber o que responder.

-Eu... Apenas pensei que você... Seria capaz...

-Ah! Conte-me outra, garota! Você simplesmente deduziu que eu seria capaz disso? Por favor... Uma pessoa nunca chegaria em outra com uma proposta como essa, a não ser que já soubesse do que a outra seria capaz...

-O que está querendo dizer??

-Não se faça de inocente! – vociferou Frieda. – O que sabe sobre mim?

-Nada, Frieda...

-NÃO MINTA PARA MIM!

Após aquele grito medonho, Clarissa percebeu que não havia como mentir, ou tentar persuadir Frieda do contrário...

-Sei que planejou o assassinato dos pais da Serena.

Frieda levou a mão ao peito e ofegou; Clarissa notou, através desse gesto e das feições da professora, que era um golpe para ela perceber que alguém sabia o que tinha feito.

-Mas, Frieda, não contarei a ninguém...

-Por que confiaria em você? – indagou a professora, um olhar vidrado direcionado para a garota. – Seres humanos não são confiáveis, a não ser que possam ganhar algo a seu favor...

-E eu posso! – mesmo sem perceber, Clarissa recuava em direção a porta. – Eu poderia ter contado às minhas amigas o que você fez, seria o crime perfeito para elas, a mandaria para Azkaban, que é o que elas mais querem fazer! Mas não disse, Frieda! Dependo do que elas fizeram para alcançar os meus objetivos, mas...

-Então! Seria ótimo para você, assim como para elas, me prender! Ninguém descobriria o que elas fizeram, ninguém informaria a reversão, e o poder do que foi feito permaneceria!

-Não vou contar a elas! Eu também estou envolvida na morte do Walter! Fui eu quem lancei a proposta a você! Se você fosse presa pela morte dos pais de Serena, poderia informar ao Ministério que participei desse atentado, e eu também seria presa! Será que eu sairia mesmo ganhando com a sua prisão?

Frieda fechou os olhos. Um silêncio fúnebre baixou sobre a sala, o tipo de silêncio que, de tão profundo, perturba os ouvidos. Frieda quebrou o silêncio com um murmúrio.

-Sendo assim, acredito em você...

Clarissa deixou as lágrimas de alívio percorrerem o seu rosto; era difícil contê-las após um momento de tensão.

-Mas escute bem, garota. Tente me passar para trás e vai se arrepender. Vou repetir algo que falei há alguns minutos para outra pessoa... Traidores não têm perdão. Pelo menos, é como eu vejo as coisas. E, sabendo do que fiz para os pais de sua adorável amiga, você tem uma bela idéia de como seria uma punição perfeita... E olha que eles nem tinham me enganado.

Clarissa engoliu em seco.

-Não existe vantagem em prendê-la, Frieda. Você cai, eu caio...

-...e você cai, eu caio. O efeito dominó novamente... – comentou Frieda, decepcionada. – Não me interessa quais são os seus planos, nem quero ter participação alguma. Mas faça as coisas direito, garota.

-Digo o mesmo, Frieda – Clarissa secou mais algumas lágrimas, abriu a porta e saiu da sala, deixando Frieda sozinha, imersa em seus pensamentos.


Mione precisou desabafar com alguém a recente descoberta do inimigo desconhecido e, para isso, escolheu Joyce, já que a amiga sabia de seu relacionamento com Rony, o que a descartava da lista de possíveis inimigos, assim como Alone.

-Está desconfiando até das outras Encalhadas? – perguntou Joyce, quando Mione disse o que a levou a escolher justamente a amiga para desabafar.

-Preciso desconfiar de todos, pelo menos por enquanto...

-Acho que é mais fácil especular o motivo. Qual motivo levaria uma pessoa a querer matar o Rony? – Joyce respondeu a própria pergunta. – Que tal... amor?

-Amor?? Por quem? Por mim?

-Talvez. Talvez seja mais simples do que nós pensamos.

-Certo, mas você não pode esquecer que ninguém sabe que estou namorando o Rony!

-Mas sabe que namorou um dia. E todos sabemos que é difícil o amor acabar com tanta facilidade. Talvez essa pessoa queira garantir que vocês não terão um retorno aos velhos tempos.

-Será que o motivo é amor mesmo? Não sei... Não consigo acreditar, Joyce... Quem mais me amaria além do Draco?

-Não sei. Se for amor, alguém mais ama você, sim. Afinal, não seria amor pelo Rony, já que a pessoa tentou matá-lo duas vezes e, cá entre nós, o homicídio de quem se ama ainda não está na moda...

-Shhh... – Mione pediu silêncio. – Draco...

Ela despediu-se da amiga e foi até o namorado. Joyce observou-os, cumprimentando-se com um beijo. Realmente, era impossível imaginar que aquele namoro fosse uma armação; ninguém poderia deduzir que ela não estava apaixonada por Draco e esquecera Rony definitivamente.

-Joyce!

-AHHHH! – ela berrou.

O grito ecoou por todo Saguão de Entrada; as pessoas pararam, estarrecidas.

-Desculpem – falou Joyce, sorrindo e acenando, sem graça. Voltou-se para Serena, irritada. – Será que não dá para chegar sem assustar?

-É que o assunto é urgente!

-Você foi visitar o Lewis?

-Sim! E você não sabe o que eu descobri em minha visita...

-O quê?

-Frieda vem administrando novas doses de Poção da Tortura nele.

-Minha nossa... Você tem certeza?

-Absoluta. Lewis teve um novo acesso de dor hoje à tarde, e Madame Pomfrey me informou que isso não é comum, na verdade, ela nunca ouviu falar sobre isso. E esse novo acesso ocorreu quando Frieda estava lá... Não é óbvio o que ela está fazendo, Joyce?

-Sim... Está administrando novas doses para continuar a confundi-lo... Não quer que ele passe informações. Pobrezinho. Dizem que a dor da Poção da Tortura supera a dor da primeira vez.

Serena arregalou os olhos.

-Puxa... A primeira dói tanto assim?

-Muito... – e Joyce coçou a cabeça ao dizer isso. – Eu não sei se ele é quem tinha o troço generoso ou eu é que estava muito fechada, mas enfim... Superar essa dor... Nossa, deve torturar a pessoa mesmo...

-O que podemos fazer? Lewis não pode continuar lá! Primeiro porque ele continuará sofrendo, e segundo que, dessa forma, ele nunca poderá nos informar o que Frieda aprontou!

-É isso... – Joyce estalou os dedos. – Ele não pode continuar lá. Então, temos que levá-lo para outro lugar... – completou, sorrindo para a amiga.


AVISO: PROCURADA

Codinome:

TARAH

Bruxa asquerosa e assanhada. Trajes típicos: nenhum; às vezes, usa lingerie.

Cuidado: mau elemento. Ataca sem aviso os indivíduos do sexo masculino.

É melhor que a busca seja efetuada por mulheres; Tarah, até o momento,

mostrou-se interessada em coisas mais sólidas do que as que possuímos,

se é que vocês me entendem...

RECOMPENSA: a paz em Hogwarts.

Conto com a colaboração de vocês.

Rebecca Lambert.

Hermione riu do aviso pregado na parede do corredor deserto.

-Parece que a Tarah anda tirando o sossego da nossa inspetora!

-E da maioria dos garotos também – emendou Draco; puxou Hermione pela cintura e a trouxe para perto de si. – Claro que não é o meu caso. Só tenho olhos para você e para mais ninguém.

-É, eu sei muito bem disso... – comentou Mione, desanimada.

-Algum problema?

-Muitos... Draco, eu sei que você me chamou até aqui para nos divertirmos um pouquinho, mas hoje não é uma boa noite para uns amassos. Estou preocupada com diversas coisas...

-Ah não... – ele começou a beijá-la no pescoço. – Sei que sou um bálsamo para todos os seus males. Aposta quanto que eu faço com que você esqueça todos eles?

"Sinto muito querido, mas você é um deles", pensou Mione.

-Não Draco... – ela tentou se desvencilhar dos braços dele. – Por favor. São muitas coisas me perturbando, acho que nem você poderia...

-Ah que isso?? – ele desceu as mãos pelas costas dela. – Vai negar fogo pro seu namorado?
Aquele tom de voz; aquelas mãos abusadas; aquele convidado inesperado que se anunciava por baixo da calça dele; aquela pressão em sua coxa...

Fechando os olhos, ela entregou-se às carícias de Malfoy. Como eram incrivelmente deliciosas todas aquelas sensações; não precisava ver, apenas sentir, sentir os beijos, os apertos, o membro que lhe mostrava o quanto o estava excitando, enlouquecendo-o, que ele também experimentava uma mistura de diversas sensações, sensações que provocavam descargas de prazer; ela mal podia imaginar a hora em que esse prazer atingiria o ápice, o momento em que o mundo e todo o resto perderia a importância, e só haveria ela e Draco, ela e o corpo de Draco, ambos atingindo um prazer sem igual...

-Delícia... – ela ofegou, e não sabia de onde aquela palavra tinha vindo; na verdade, sabia sim; era a sua boca definindo em uma palavra tudo o que ocorria com as outras partes de seu corpo.

O corpo a guiava, como se não precisasse dela; lá estavam as suas mãos explorando o corpo de Draco por baixo da camisa, acariciando um de seus mamilos, sentindo os leves pêlos loiros que o circundavam; Draco respondeu o seu toque, mordiscando-lhe a orelha, e a dor provocada por esse ato foi maravilhosa. As mãos de Mione (mãos que agora tinham vida própria, ou era o que parecia) deixaram o peito do rapaz e foram para as costas, onde descreveram um rápido caminho e foram parar por dentro das calças. Ela sentia o tecido da cueca cobrindo o corpo do namorado, e apertou-lhe o bumbum, comprimindo-o contra o seu próprio corpo.

A parte da frente estava mais rígida do que nunca, e Mione sentiu algo diferente na parte mais íntima de seu corpo. Parecia que ela queria, e muito, ter aquela coisa sólida dentro de si...

Draco também começou a explorá-la por baixo da roupa; sentiu-lhe os seios fartos por cima do sutiã; usando apenas o tato, acariciou a ponta dos mamilos, que se insinuavam, pontudos, para fora do sutiã.

Aquele contato atiçou ainda mais as Mãos (Mione já as considerava uma outra entidade), que entraram pela cueca de Draco e alcançaram-lhe o traseiro. As Mãos o apertaram com força e deram pequenos arranhões. Draco fez um movimento súbito para frente, e A Intimidade (que agora também virava substantivo próprio) foi tomada por uma nova onda de vontade de ter um contato brutal com o membro que estava oculto pela cueca.

-Você é demais... – comentou Draco, apalpando-lhe a coxa.

As Mãos deixaram o traseiro do garoto. Atrevidas, afastaram-no por um segundo e, em seguida, foram direto para a braguilha da calça, intumescida pelo membro que ocultava.

-O que vai fazer?? – perguntou Draco, admirado, mas deixando-se à mercê de Hermione.

Mione não disse nada; as Mãos só queriam um contato mais direto, simplesmente isso. E elas abriram o botão da calça de Malfoy e a desceram sem pestanejar; duas novas entidades se uniram às Mãos e à Intimidade...

(Olá, Olhos Atrevidos, sejam bem-vindos).

Os Olhos Atrevidos (olhos que só vêem o que o corpo anseia por experimentar) contemplaram o formato do órgão, desenhado pela cueca. As Mãos não perderam tempo; desceram a cueca do rapaz, libertando o que todos eles queriam...

Ver, tocar, sentir...

-Está pronto para o ataque – comentou Draco, o sorriso malicioso iluminando o rosto.

Os Olhos Atrevidos registraram cada detalhe do membro até então desconhecido para eles em sua forma mais rígida; As Mãos, abusadas, envolveram o membro, sentindo-o.

-Faça o que quiser, querida!! – falou Draco, animado.

A Intimidade estava pronta para receber o hóspede. As Mãos soltaram o membro com relutância, mas era necessário; a Intimidade pisoteara a necessidade das duas e proclamara a sua vontade. As Mãos, amigas, desceram as saias de Hermione; também iam descer a calcinha, mas Draco as interrompeu.

-Deixe-me apenas sentir o cheiro de seu corpo – pediu ele.

Draco aproximou o nariz de sua calcinha e respirou profundamente; os Olhos Atrevidos viram o movimento repentino do membro do garoto, aparentemente ouriçando-se com o cheiro da Intimidade.

-O aroma da minha garota... – Draco ofegou, estendendo as mãos e baixando a calcinha de Mione. Contemplou a intimidade por um segundo e, em seguida, debruçou-se sobre Mione, pronto a possuir a Intimidade.

E, naquele segundo, a Intimidade sentiu o convidado aproximando-se, as Mãos arranharam as costas do garoto, os Olhos Atrevidos registravam o prazer no rosto de Draco, e...

Os olhos de Hermione Granger registravam o rosto de Rony, parado, em pé, logo atrás.

O corpo dela esfriou; em uma fração de segundo, a Intimidade, as Mãos e os Olhos Atrevidos desapareceram; na verdade, se fundiram em quem lhes havia gerado; Mione empurrou Draco, que caiu para o lado, aturdido, e levantou-se.

-Rony, eu...

O garoto tinha lágrimas nos olhos.

-Não posso acreditar... – ele murmurou, fitando-a com desprezo.

-Rony... Faz parte do...

-Não faz, Mione! Eu vi a sua expressão! Era tudo bastante real, posso lhe garantir!

-Não! Não era! Na verdade, não era eu mesma, Rony! Foi como se eu não tivesse vontade própria, as mãos e os...

-Tudo faz parte de seu corpo, Mione!

-Mas não fui eu quem as comandei, não fui eu quem...

-Quer dizer o que? Seu corpo tem vontade própria??

-Pior que teve sim.

Os dois se fitaram; em seguida, Rony saiu correndo do corredor.

-Rony, espere! – ela gritou, mas ele não a olhou.

Draco estava colocando a calça quando ela voltou-se para ele.

-Posso saber por que você estava se explicando? – indagou Draco.

-Por nada... Só fiquei sem graça, sabe... Ele não deixou de ser meu amigo, e me surpreendeu em algo assim... Quis que pensasse que não era de verdade, só isso...

-Ah... Entendi – Draco sorriu para ela, facilmente enganado; o poder da Fogueira criando tolos.

Mione respirou fundo, aterrorizada...

Foi exatamente como falara a Rony; em todo o momento, ali, no corredor, ela não tinha agido. Era algo maior do que ela; era o desejo.

Como faria Rony entender isso??

Como faria Rony entender que havia mais de um inimigo, embora esses não fossem desconhecidos? Ele tinha que entender que havia As Mãos... A Intimidade... Os Olhos Atrevidos...