CAPÍTULO 27

Descobertas

Sentadas sobre almofadas, dentro do dormitório feminino, Hermione e Joyce conversavam sobre o que havia ocorrido.

-Eu não queria, Joyce. Juro a você que não queria...

-Mas, convenhamos, não será muito fácil para o Rony aceitar uma coisa dessas, não é mesmo? Não quando a pegou se arreganhando para o Draco no meio do corredor!

-Eu sei... Mas ele precisa entender que em alguns momentos existem forças mais fortes do que nós! Que nós levam a fazer coisas que, no fundo, não queremos. Foi assim que tudo aconteceu! Meu corpo se movia sozinho... Como se cada parte tivesse vida própria...

-Eu entendo. Você foi movida pelo forte desejo que sente pelo Malfoy. Desejo é algo perigoso porque não é racional; é impulsivo. Pode ser despertado por um simples toque, um olhar diferente, um momento ou até mesmo por palavras. Enfim... Ele aparece inesperadamente, e o corpo não sossega até que ele seja aliviado.

-É assim mesmo – concordou Mione. – Vem uma necessidade física muito forte...

-E para aliviá-la, só daquela maneira que conheço muito bem... Apalpadelas, amassos e atividade! – ela sorriu. – Só então o desejo se acalma. Depois que o estrago já foi feito...

-Não era possível controlar... Não pude pensar no momento... Na verdade, não pensei em nada naquele momento. Eu só via o Draco... E queria senti-lo... Uma mente pervertida pensando apenas em fazer as coisas mais sacanas. Dá até vergonha de falar nisso.

-Vergonha de falar sobre isso comigo?? – estranhou Joyce. – Por favor, Mione! Não é motivo de vergonha sentir desejo por alguém e fazer coisas absurdas quando dá vontade. Os dois estavam em um corredor deserto, desejando um ao outro, poderiam fazer o que bem entendessem! Você não faz idéia das coisas que as pessoas fazem quando estão sozinhas e com vontade de transar. Às vezes, a pessoa que você acha a mais conservadora do mundo é, entre quatro paredes, um furacão! Alguém que você acha que tem cara de ser muito bobo é praticante de sadomasoquismo, e adora dar umas chicotadas na parceira! Ou aquela velha que parece que nem pensa mais nessas coisas, durante à noite larga o tricô e sai na noite para se encontrar com o jovem amante. É algo muito físico, as pessoas sentem vontade, têm essa necessidade! Pode ser um tabu, mas todo mundo tem os seus desejos e fantasias.

-Eu queria desejar apenas o Rony. Eu o amo e também me sinto atraída por ele. Será que não é o suficiente??

-Sim. Mas pode acontecer isso, sentir desejo por outra pessoa. Você só precisa ter controle. Querer não é sinônimo de praticar.

Hermione enxugou uma lágrima.

-Se Rony me desse uma chance... Tenho certeza de que nunca farei isso outra vez. Por mais que a gente não pense na hora em que estamos com essa vontade maluca, conseguirei me refrear. Draco representa atração física, mas Rony... Além da incrível atração que sinto por ele, também o amo.

-Com certeza, o amor é que deve ser preservado. As pessoas podem ter diversos parceiros durante toda a vida e nenhum amor. Amor é algo raro... E não é tão frágil quanto uma simples atração física – ao dizer isso, Joyce baixou o rosto, pensativa.

-Você fica um pouco chateada com a decepção que sofreu com o Juca, não é?

-Sim. Um pouco... Os garotos nunca me viram como uma garota com quem pudessem ter algo sério. Com o Juca, dominado pelo poder do-que-fizemos, as coisas seriam diferentes... Ia ter o dote dos meus sonhos e um rapaz que me amasse, tudo em um único pacote! Mas, no fim das contas, o pacote não veio tão completo...

-Fique tranqüila, Joyce. Eu vou encontrar a solução para toda essa confusão, e vamos nos livrar dela antes que Frieda possa nos prejudicar. Você ficará livre de Juca, e eu me libertarei da paixão de Malfoy.

Naquele momento, a passagem no buraco do retrato se abriu. Rony entrou no salão comunal, cabisbaixo. Hermione acompanhou-o com o olhar, sem saber como agir, o que falar... Próximo à escada que levava aos dormitórios, Rony ergueu o olhar e encontrou Mione. Ela levantou-se.

-Rony, por favor... Precisamos conversar...

A raiva perpassou o rosto de Rony. Sem responder, ele virou-se e retornou em direção à saída. Mione, esquecendo-se de que, para todas as pessoas, não namorava Rony Weasley e era a namoradinha de Draco Malfoy, saiu desabalada atrás do garoto, suplicando para que ele a olhasse, porque precisavam conversar, ele devia entender que ela não tivera a intenção, de que fora algo impulsivo...

Rony saiu do salão, caminhando rapidamente. Mione, ainda gritando atrás dele, alcançou-o no corredor. Tocou-lhe o ombro e Rony fitou-a, incrédulo.

-Quer parar de me seguir?? Será que não é melhor você ir atrás do Draco, acho que ele está com vontade de terminar o que vocês começaram...

-Eu não quero ter nada com o Draco!

-Não era o que parecia! Você estava muito à vontade naquele corredor. Vai dizer o quê? Que ele forçou você?

-Não forçou... Eu fiz aquilo sem pensar, se pudesse voltar atrás...

-Teria ido para um local ainda mais escondido para concluir o serviço, não é mesmo? – Rony berrava, a face púrpura, sem tomar consciência de que poderiam ser ouvidos por qualquer pessoa.

Qualquer uma.

Até mesmo por quem não poderia ouvir aquela discussão...

Ouvindo atentamente, oculta nas sombras, estava a jovem de olhos claros, que, como todos, achava que Mione não ligava mais para Rony e era a namoradinha de Draco Malfoy...

Clarissa...

Clarissa ouvia...

-Rony, me desculpe. Eu nunca mais deixarei que o Draco se aproxime de mim daquela forma...

-Ah e como posso confiar nisso? Eu confiava, achando que você estava mesmo fingindo que gostava dele. Mas, depois do que eu vi, fico pensando se todo esse fingimento não foi um pouquinho divertido! O que vocês não devem ter feito quando estavam a sós...

-Não fizemos nada! O mais longe que Draco chegou foi hoje!

-E chegaria muito mais se eu não tivesse aparecido... Maldita hora em que fui concordar com esse plano estúpido! Deixá-la nas mãos de um garoto completamente apaixonado... Devia ter imaginado que isso poderia acontecer! – ele chutou a parede.

Clarissa encolheu-se em seu esconderijo, o ódio fulminando seus sentidos, uma vontade louca de fazer o mesmo que Rony, chutar a parede, dar gritos de revolta, afinal, ela devia ter imaginado...

Fora enganada. Julgava-se tão esperta que subestimara a inteligência de Hermione. Enquanto pensava que Mione nunca voltaria para Rony, ela estava se divertindo com o garoto às escondidas, simulando um namorico com Malfoy...

Eu devia ter imaginado.

-Rony... – disse Mione. – Por favor, me desculpe...

-Não dá... Se desculpá-la, você continuará fingindo que está com ele. Não conseguirei vê-la ao lado dele depois do que vi. Diante dos meus olhos não soará como uma farsa como ocorria antes.

-Precisarei continuar para manter a sua segurança!

-Então, eu deixo o caminho livre para você namorar Draco e ele não sentirá ciúmes de mim. Estarei muito seguro, se essa é a sua preocupação. A única diferença é que, de fato, não estarei com você – ele tomou fôlego, olhou-a com tristeza e despediu-se. – Até logo, Hermione.

Ele prosseguiu na caminhada pelo corredor; Mione fez menção de segui-lo, mas Rony a fez parar apenas com uma frase:

-Você não conseguirá mudar a minha opinião.

Ela ficou olhando o rapaz se afastar, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Ainda chorando, ela retornou ao salão comunal; Joyce estava próxima à entrada e abraçou a amiga, amparando-a até o dormitório, protegendo-a dos comentários que especulavam em relação aos berros no corredor e à briga entre Rony e Mione.

Do lado de fora, Clarissa saiu de seu esconderijo e foi caminhando, lentamente, até um banheiro. Era difícil conter a revolta, mas ela precisava manter o controle.

Abriu a porta do banheiro cercado por ladrilhos brancos e apoiou-se em uma das pias, as mãos se fechando com força. Ficou imóvel por alguns segundos; em seguida, levou a mão à torneira e girou-a, girou-a até o máximo que pôde, fazendo com que um jato volumoso de água fosse expelido. Curvou-se sobre a pia e começou a molhar o rosto; não sabia muito bem porque estava fazendo aquilo, mas era como se, daquela forma, pudesse refrescar a mente, clarear as idéias, libertar-se um pouco da raiva que sentia por ter sido enganada.

Afinal, do que adiantava ficar zangada? Culpar-se por ter sido tão estúpida? Não ia mudar nada; não ia trazer de volta o tempo perdido, tempo em que podia ter armado para Draco flagrar os dois em um de seus malditos encontros.

Ela colocou a cabeça sob o jato de água.

Calma... Precisava de calma...

A descoberta viera na hora errada; não adiantou muita coisa descobrir que os dois a enganaram, porque não estavam mais juntos. Só serviu mesmo para deixá-la frustrada por sua ignorância... Não haveria mais encontros secretos; não havia a possibilidade de manipular Draco para que visse os dois juntos.

-Agora sim estou de mãos atadas – disse para si mesma, fechando a torneira e erguendo-se. Olhou para o rosto molhado refletido no espelho, e o simples vislumbre de seu reflexo lhe deu uma grande idéia... – Fui enganada porque via Hermione ao lado de Draco, toda sorridente, como se tivesse encontrado o namorado perfeito; porque ouvia Mione dizendo que o amava. No final das contas, o que importa não é o que acontece, e sim o que os olhos vêem...

Ela andou pelo banheiro, fitando o seu reflexo enquanto passava por cada um dos espelhos, que refletiam o mesmo rosto, embora cada um deles refletisse um sorriso ainda maior do que o anterior.

-É... Posso fazer com que Draco veja os dois juntos ainda... E posso fazer com que ouça muita coisa...

Parando diante do último espelho, Clarissa ajeitou os cabelos, deu uma risada malévola e, tranqüila, deixando de lado os reflexos, saiu do banheiro.


Poesias, poções, contos, feitiços, histórias, blá-blá-blá. Juca afastou os livros, frustrado. Nada naquela biblioteca ia ajudá-lo. Não havia nada que ensinasse alguém a ser "bom de cama". Pelo visto, o que precisava aprender para conquistar Joyce não podia ser encontrado na biblioteca de Hogwarts.

-Conservadores... – criticou Juca, juntando os livros para guardá-los na prateleira. Parou, por um momento, fitando a capa deComo utilizar bem a sua varinha.– E pensar que eu achei que se tratava de... Bom, deixa pra lá...

-Falando sozinho, Slooper?

Dino Thomas e Simas Finnigan aproximaram-se.

-Sim... Estou fazendo uma certa... ah... pesquisa, e não fui bem sucedido.

-Se procurar com mais atenção, com certeza conseguirá achar o que procura – falou Dino. – A biblioteca de Hogwarts é muito completa! Fala sobre tudo.

-Nem tudo...

-O que está procurando? – indagou Simas, intrigado.

Juca mordeu o lábio, indeciso; por fim, optou pela sinceridade. Quem sabe os garotos não poderiam ajudá-lo?

-Estou procurando um livro sobre posições sexuais. Dicas para arrasar na cama.

-Oh! – eles ouviram uma exclamação de pavor; Madame Pince olhou assustada para Juca e em seguida desapareceu entre as prateleiras, a mão sobre o peito.

-É, em Hogwarts você não encontra um livro como esse, ou melhor... – Dino baixou a voz. – Não encontra na biblioteca, mas pode localizar no mercado negro.

-Você tem um? – os olhos de Juca brilharam de esperança por trás das lentes grossas.

-Sim. Venha conosco, vamos mostrar a você!

Eles correram até o dormitório no salão comunal da Grifinória. Dino pegou um livro de capa azul dentro do malão e o estendeu a Juca. O garoto leu o título gravado na capa e imediatamente perguntou:

-O Manual Posicionado de Posições?

-Sim! O manual mais genial do mundo! – falou Simas. – Ensina cada coisa...

-Por que ele é "posicionado"?

-Quer saber? Então abra o livro!

Juca seguiu o conselho de Simas e abriu. Passou os olhos pelo índice, procurando um título interessante, e encontrou um que lhe chamou a atenção: Galopando na potranca de patas machucadas.

-Essa deve ser interessante... – comentou, mostrando aos garotos o nome da posição. – Eles indicam como fazer através de ilustrações? Ou têm fotos de alguns casais praticando?

-Melhor! É mais claro do que isso! – avisou Simas.

-Por que o índice não está indicando as páginas? – indagou Juca.

- Porque não é preciso! É só ler o nome da posição em voz alta, com o livro próximo a você, e em seguida pronunciar a palavra mágica: posicione!

Sem saber muito bem no que aquilo ia resultar, Juca seguiu a orientação do garoto; em voz alta, disse:

-Galopando na potranca de patas machucadas. Posicione!

Juca sobressaltou-se quando o livro "pulou" de suas mãos e foi-se instalar na mesa de cabeceira ao lado da cama de Dino. Uma vez na superfície plana, o livro não ficou imóvel; abriu-se e tomou a forma de dois bonecos recortados em papel. Um deles – a boneca – ficou posicionada como um animal de quatro patas, na posição nomeada, justamente pela semelhança com os quadrúpedes, como "de quatro"; o outro – o boneco – estava grudado à boneca pelo traseiro da mesma e fazia movimentos frenéticos, enquanto a boneca afastava um pouquinho mais as duas pernas.

No mesmo momento, como um suporte para os bonecos e sua estranha relação, uma aba de papel azul, colada aos dois, apareceu. Nela estava escrito:

-Galope com vontade; a posição remete à submissão.

Enquanto o boneco "mandava ver" em sua companheira de papel, Juca os observava, fascinado, como um verdadeiro voyeur admiraria um casal de carne e osso.

-Incrível! – comentou, pasmo.

-É isso aí, amigo! Leu o nome da posição, mandou o livro posicionar, e ele dá um exemplo como este a você – falou Dino.

-Estamos vendendo diversos exemplares – comentou Simas. – Todos querem aprender posições diferentes para agradar à Tarah. Aliás, é por isso que queria um livro como este?

-Na verdade, não – respondeu Juca. – Quero dizer... É para agradar uma garota, sim, mas não a Tarah, e sim a Joyce Meadowes.

Dino e Simas se entreolharam.

-Bom, é quase uma Tarah... – comentou Dino – mas, deixa pra lá... Então, Juca, vai ficar com o manual??

-Sim! Pago o que for preciso! – ele estendeu a mão para os bonecos e, ao tocá-los, os dois se uniram, voltaram a ser uma página e o livro se fechou. Juca levou a mão ao bolso e retirou algumas moedas. – Isso é suficiente?

-Claro – o sorriso de Dino indicou que aquilo era mais do que o esperado. – O manual é seu.

Juca agarrou o livro, um sorriso de ponta a ponta brilhando no rosto.

-Vou estudá-lo de cabo a rabo!

-É, dá pra utilizar muito o seu cabo no rabo da garota com as lições do manual! – comentou Simas.

-Ele não quis dizer isso, seu estúpido – disse Dino, revirando os olhos diante da idiotice do amigo.

-Ah... Não?? – Simas coçou a cabeça, confuso.

Ele e Dino saíram do quarto em seguida. Juca ficou sozinho no quarto, olhando admirado para o seu precioso Manual Posicionado de Posições. Precisava praticar as lições dadas por aqueles bonecos de papel, e teria que encontrar um lugar em que tivesse privacidade suficiente para isso. Com prática, e com aquelas dicas maravilhosamente sacanas, faria Joyce ir à loucura!


As Encalhadas se reuniram, próximas à uma das janelas do salão comunal. O local estava quase deserto; muitos alunos já estavam nos dormitórios. A reunião fora convocada por Joyce.

Mione, após muitas lágrimas e lamentações, havia se controlado. Estava com uma expressão de "estou bem na medida do possível", mas nenhuma das garotas a questionou sobre o seu humor.

-O motivo da nossa reunião de hoje é avaliar os últimos resultados da Guerra Encalha-Enruga – falou Joyce, fazendo o possível para falar no tom correto, de modo que somente as garotas conseguissem ouvir. – O primeiro, um resultado positivo, é que Tarah vem perturbando a nossa odiosa inspetora, que nem se lembra mais da tarefa que Frieda deixou em suas mãos. O efeito que a nossa amiga depravada causou nos garotos também foi muito positivo; vêm causando mais alvoroço do que se existisse de verdade!

Mione não pôde conter um sorriso; a idéia fora sua, e dera muito certo.

-O segundo, ainda vendo a guerra pelo nosso lado, é a investigação de Lanísia – ela olhou para a amiga. – Sei que não pôde ir até a Bruxetes hoje, mas amanhã você deve ir até lá para prosseguir com a investigação.

Nesse ponto, Mione levantou a mão.

-Sim? – perguntou Joyce.

-Acho que Lanísia não deve se limitar à Bruxetes.

-Como assim? – perguntou Lanísia. – Acha que eu devo ir até outro lugar?

-Sim. Vejam bem, a loja foi uma aquisição recente! Nem tudo o que Ted possui está na Bruxetes. Lanísia, você pode procurar um pouco mais na loja, talvez ele tenha algo de importância lá, mas acho que as informações valiosas estarão na casa do Ted.

-Está sugerindo que eu vá até a toca do lobo? – Lanísia parecia horrorizada com a idéia.

-Não será fácil, eu sei, mas tenho certeza de que uma visita à casa dos Bacon será importante.

-O que acha, Joyce? – perguntou Alone à líder.

Joyce considerou a questão, olhando para fora do castelo; em seguida, decidiu-se:

-Hermione tem razão – olhou para Lanísia. – Você precisa ir até a casa do Ted. Será arriscado, mas vem sendo desde o início. E se você descobrir algo importante, aquilo que precisamos, tudo terá fim; ficaremos livre da praga que atende por Frieda Lambert e do assanhado Ted Bacon.

-Poderá ser uma visita desagradável, mas decisiva – opinou Serena.

-Tudo bem... – concordou Lanísia. – Mas quero só ver como vou conseguir conter o fogo dele. Aquele lá já é terrível na loja, imagine em casa!

-Agora, vamos avaliar a guerra pelo lado inimigo... – Joyce tomou a palavra novamente. – Hoje, Serena fez uma descoberta importante; descobriu que a nossa grande inimiga vem agindo por baixo do pano.

-O que ela está aprontando? – indagou Alone.

-Está aplicando novas doses de Poção da Tortura no filho para que ele não nos ajude...

As meninas exclamaram, assombradas – exclamaram alto demais; alguns estudantes olharam para o grupo de garotas, assustados.

Elas aguardaram; assim que o ambiente voltou ao normal e os alunos as esqueceram, continuaram:

-Mas isso é um absurdo! – comentou Alone, horrorizada. – Ela está torturando o próprio filho!

-Parece que isso não importa muito para Frieda – disse Joyce. – Quando se trata de esconder o que ela fez, seja o que for, vale tudo. O fato é que temos que impedi-la.

-Como?? – indagou Lanísia.

-Tirando Lewis da ala hospitalar e o escondendo em um lugar seguro.

Clarissa deu uma risadinha seca.

-Posso saber como vamos fazer isso? – perguntou. – Madame Pomfrey não tira os pés daquela ala por muito tempo. Não temos como tirá-lo da enfermaria sem que ela perceba!

-Temos sim – respondeu Joyce. – Só precisamos distraí-la por algum tempo.

-Como vamos saber o que usar para distraí-la? – perguntou Hermione.

-Não temos que conhecer os gostos de Madame Pomfrey para descobrir! Basta utilizar o que distrairia qualquer mulher...


Assim que bateram na porta, Alone e Joyce ouviram um estrondo do outro lado. As duas olharam para trás, assustadas; as outras Encalhadas, que estavam escondidas atrás de um pilar, acenaram, incentivando-as a prosseguirem.

Joyce abriu a porta da ala e chamou:

-Madame Pomfrey?

A enfermeira estava caída no chão da enfermaria, as pernas erguidas, a cadeira tombada ao lado.

-Nossa! – exclamou Alone, surpresa, correndo até a enfermeira; ela segurou o braço de Madame Pomfrey e ajudou-a a se levantar. – O que aconteceu?

-Um leve cochilo... – explicou a enfermeira. – As batidas na porta me assustaram, e... deu no que deu...

-Desculpe, não era nossa intenção – disse Joyce.

-É, eu imagino que não... Mas, me digam, o que querem? Fazer uma visita a um dos pacientes? Não é horário para visitas, então sugiro que...

-Não, não viemos visitar paciente algum – interrompeu Alone. – Só queremos lhe mostrar um catálogo muito interessante.

-É, o catálogo da loja de uma tia... – mentiu Joyce, puxando a revista de dentro das vestes e a estendendo para a enfermeira. – As últimas tendências da moda e da cosmética bruxa!

-Oh!!! – Madame Pomfrey ouriçou-se imediatamente, apanhando o catálogo com um êxtase que a deixou trêmula. – Essas revistas são ótimas, meninas!!

-Sim!! – exclamaram Joyce e Alone juntas, batendo palmas.

-Ah! Preciso folheá-lo, examinar as novidades!! – Madame Pomfrey olhou ao redor, parecendo indecisa. Por fim, estalou os dedos. – Ah, vamos até o meu quarto!!

As garotas a seguiram; enquanto se fechavam no dormitório da enfermeira – que comentava com as meninas a recente aquisição de um creme que alisava as madeixas em segundos – as outras Encalhadas avançaram em direção a ala hospitalar, procurando se manter em silêncio.

Parando na entrada, Clarissa apontou para a porta do dormitório da enfermeira, perplexa:

-Eu não posso acreditar nisso...

-Todas somos iguais, querida, independente de profissão – comentou Lanísia. –Joyce tinha razão: um catálogo de moda e beleza é infalível!

-Vamos logo – pediu Serena. – Precisamos retirar Lewis daqui!

-Em qual delas ele está? – perguntou Mione, olhando confusa para os cortinados que ocultavam as camas e seus ocupantes.

-Naquela ali! – apontou Serena.

Elas correram até o local, afastando a cortina com cuidado e em silêncio. Lewis dormia. Serena indicou para Lanísia, Hermione e Clarissa os locais em que elas deviam permanecer.

-Eu seguro por baixo dos braços, Clarissa sustenta o tronco e Hermione o segura pelos pés; Lanísia segue em frente, fazendo a vigia. Vamos!

Elas tomaram as posições e ergueram Lewis da cama; o sono do rapaz era profundo, já que não manifestou qualquer reação. Cuidadosamente, começaram a caminhar, Lewis suspenso entre elas. Estavam quase saindo da ala – a área mais perigosa – quando Serena parou, irritada.

-Assim não dá! – cochichou.

-"Assim" como? – perguntou Hermione.

-Clarissa o está segurando pelo bumbum!

Mione e Lanísia espiaram; as mãos de Clarissa envolviam o traseiro do rapaz. Ficando envergonhada, Clarissa reclamou:

-Eu tenho que segurar em algum lugar! – retirou as mãos; o corpo de Lewis pendeu um pouco em direção ao chão, mas Hermione e Serena conseguiram evitar.

-Está louca? Soltá-lo dessa forma? – perguntou Mione, irritada.

-Não ajudo mais! A namoradinha não quer que ele seja tocado, então, não dá para ajudar... – replicou Clarissa, os braços cruzados, sem olhar para Serena.

-Existem outros locais para segurá-lo!

-Você é que mandou que eu o segurasse ali!

-Eu disse tronco e não bunda!

-Shhh! – Mione pediu silêncio. – Quietas! Caladas! Temos que continuar!

-Eu não ajudo mais, já disse... – lembrou Clarissa.

-Está bem... Já vi que teremos que usar magia... Só o segure pelos pés um momento, Clarissa, enquanto pego a minha varinha...

Clarissa descruzou os braços e pegou os pés do garoto. Aproveitou para alfinetar Serena:

-Posso pegar aqui ou os pés fazem parte da área proibida?

Serena não respondeu. Hermione tirou a varinha do bolso e fez com que Lewis flutuasse. Serena e Clarissa o soltaram.

-Ótimo... – comentou Mione, elogiando a si mesma. – Precisamos ir depressa; será complicado levá-lo até a Sala Precisa dessa forma, e, pior, sem sermos vistas.

Elas seguiram pelo castelo deserto, sem grandes inconvenientes; só tiveram que mudar o percurso por três vezes, duas graças aos "caçadores de Tarah" – os caçadores que, claro, queriam ser caçados – e uma por Rebecca, que, aparentemente, começara a caminhar pelo castelo durante a madrugada para caçar a bruxa assanhada.

Quando a porta da Sala Precisa se abriu, revelou um quarto luxuoso, com uma cama de casal gigantesca, coberta por um edredom branco. Mione baixou a varinha após fazer com que Lewis deitasse sobre a enorme cama.

-Não devíamos ter deixado a Serena fazer o pedido à sala – zombou Clarissa. – Ela tratou de desejar uma cama bem confortável para praticar um ato incestuoso!

-Clarissa! – ralhou Lanísia. – Não faça piada com o problema de Serena e Lewis.

-É, não estamos reconhecendo você... – comentou Mione, balançando a cabeça.

Clarissa respirou fundo, acalmando-se.

-Desculpem-me... Fui longe demais...

Houve um silêncio desagradável na sala. Lanísia pigarreou e disse:

-Acho melhor irmos andando; Alone e Joyce já devem ter voltado para a sala comunal. Lewis está muito fraco, não deve acordar tão cedo. Seria bom uma de nós ficar ao lado dele amanhã... É fim de semana, podemos revezar. Quem ficará aqui na parte da manhã?

-Eu ficarei – disse Serena, sentando-se na cama e acariciando o rosto do rapaz. – Tomarei cuidado para que Frieda não me siga.

-Precisará tomar, com certeza... – comentou Hermione. – Imagine a fera que ela não vai ficar quando perceber que estamos com a pessoa que pode nos contar o que ela tanto teme.


Frieda estranhou a agitação em frente à ala hospitalar; Madame Pomfrey conversava com a diretora McGonagall, parecendo apavorada.

A enfermeira e a diretora calaram-se ao verem que Frieda se aproximava – aquele fator foi ainda mais estranho para a professora.

-O que aconteceu? – perguntou.

-Resolvi esperar que aparecesse – explicou-se Minerva. – Achei melhor do que incomodá-la...

-Por favor, Minerva, seja direta.

-Seu filho sumiu.

Frieda franziu a testa.

-Como?

-É, sumiu... – disse Madame Pomfrey, agitada. – Percebi há algumas horas, quando afastei o cortinado da cama dele.

A tensão espalhou-se por Frieda; não podia ser verdade... Lewis, fora de seu alcance, nas atuais circunstâncias, era um perigo.

-Ele estava inconsciente... Como isso é possível?

-Não sei... Também não consigo entender – falou a enfermeira. – Talvez ele tenha recuperado a consciência subitamente... Não consigo pensar em outra possibilidade.

-Ele deve estar em algum lugar do castelo! – disse Frieda, esperançosa. – Preciso encontrá-lo...

Ela ia afastando-se quando ouviu o comentário que Madame Pomfrey fez à Minerva:

-Talvez as garotas tenham visto alguma coisa...

Frieda parou no mesmo instante. Ocorreu-lhe uma súbita compreensão, tão terrível que ela precisava ouvir para confirmar; para acreditar...

-Quais garotas?

-Duas meninas simpáticas que vieram me visitar durante a noite. Alone Bernard e Joyce Meadowes.

-DROGA! – vociferou Frieda, incapaz de se conter. Diante dos olhares curiosos de Minerva e Madame Pomfrey, ela viu-se forçada a explicar. – Será que elas estiveram por aqui e não viram nada?

-Espero que tenham visto alguma coisa – disse Minerva.

-Com licença – pediu Frieda, e dessa vez não voltou mais. Foi até o Salão Principal; entre os diversos rostos, não encontrou um dos que procurava; uma daquelas malditas garotas. Encaminhou-se então para o pátio ensolarado. Não precisou observar por muito tempo; os cabelos dourados de Serena se destacavam, iluminados pela luz do sol. Pouco se importando para quem estivesse por ali, Frieda foi até a garota, que, distraída, só percebeu sua presença no último momento, quando já era forçada a se erguer por causa das garras da megera que se cravaram em seus braços. – Para onde vocês o levaram??

Serena a encarou, sorrindo.

-Acha mesmo que eu ia lhe contar, Frieda?

-Diga onde ele está, ou...

-Ou o quê? Você não pode exigir nada! Mas, fique tranqüila... Não ficaremos com o Lewis por muito tempo. Só até passar o efeito da última dose de Poção da Tortura.

As mãos de Frieda vacilaram e ela soltou os braços da garota. Serena não tirava os olhos dela, degustando o pânico que suas palavras causavam na professora.

-Até que ele nos conte tudo o que sabe a seu respeito.

Frieda empalideceu; levou uma das mãos à testa.

-Lewis está conosco, e vai contar tudo.


Lanísia estava na Bruxetes, tomando café ao lado de Ted Bacon. Para aquele sábado, escolhera sua roupa mais decotada; o efeito provocado em Ted foi positivo. Ela não se cansava de surpreender os olhares do bruxo e a maneira como ele não parava de passar a língua sobre os lábios.

-Estou gostando de suas visitas – comentou Ted, mordiscando um pedaço de pão doce. – Parece que vir até aqui se tornou importante para você.

-Está se tornando um hábito – disse Lanísia. – É muito bom vir até aqui. Admirá-lo... – ela acariciou o rosto dele.

-Pode fazer mais do que admirar. Pode ter-me inteirinho em uma cama bem gostosa, o que acha?

-Proposta interessante...

Ele largou o pão, levantou-se, deu a volta na mesa e agachou-se ao lado de Lanísia, passando os olhos, rapidamente, pelas pernas torneadas da jovem.

-Quero ser seu, todo seu. Venha comigo e vou levá-la ao delírio.

-Vamos fazer aonde? – ela perguntou, acariciando-o.

-Não importa! Aqui mesmo, no chão, na cozinha, tanto faz! – ele inclinou-se e beijou-a acima do busto.

-Espere, espere – Lanísia se desvencilhou e levantou-se. – Não quero fazer nada aqui na loja.

-Não??

-Não...

-Por que?

-Porque... – ela procurou uma desculpa convincente. – Ah! Os manequins! Os manequins me perturbam... Deixam-me muito nervosa... Sabe, parece que eles estão nos espiando...

-É? – Ted olhou para os manequins, coçando a cabeça. – Que cisma mais esquisita...

-Esquisita, mas real... Com manequins por perto não rola...

-Que tal em outro canto da loja?

-Não adianta, vou lembrar que eles estão por perto!

Ted suspirou, impaciente.

-Se ficar aqui não vou dar tudo o que tenho para dar... – ela aproximou-se dele e acariciou-lhe o volume das calças. – Quero ficar bem solta, para agir das maneiras mais loucas.

-Vamos para outro lugar! – ele decidiu-se. – Mas... Para onde?

-Que tal o seu quarto em sua mansão? – ela sugeriu ao pé do ouvido.

-Por que nele?

-Acho que lá teremos privacidade garantida... Sem manequins por perto, é claro... E acho excitante, nos amarmos em seu próprio quarto.

Ela beijou-o.

-Sim, vamos até lá! – exclamou Ted, animado. – Vamos utilizar a Rede de Flú; não é possível aparatar dentro da mansão.

Usando a lareira na cozinha da loja, os dois se deslocaram até a mansão de Ted.

Lanísia ficou boquiaberta diante da beleza da mansão; estava na sala, que era gigantesca. Sofás brancos, móveis em estilo clássico, estátuas de mármore, tapeçarias. Diversos quadros espalhados pelas paredes. Ela observou-os, fascinada, até que um deles pareceu sugar toda a beleza do lugar; um que retratava alguém que ela simplesmente detestava.

Gaguejando, ela apontou o quadro:

-O q-que ela f-faz aqui?

-Ela foi da família, então, mereceu um quadro na sala. Uma velha tradição familiar...

-M-mas ela é...

-Sim. Frieda Lambert. Minha antiga "madrasta".

-Madrasta??


Contrariando todos os estudantes que, aos finais de semana, passavam longe da biblioteca, Hermione e Alone foram até lá logo após o café da manhã. A idéia fora de Hermione; Alone, apavorada ao saber que Mione continuaria a sua pesquisa, rapidamente colocou a coleção de fotos de banho de Colin Creevey dentro da bolsa e seguiu a amiga, deixando a tarefa de espalhar as imagens pela escola para mais tarde.

-Encontrar a reversão para o-que-fizemos torna-se mais importante a cada dia – comentou Mione, folheando os livros com avidez. – Depois da briga que tive com Rony, ficou mais ainda. Enquanto for forçada a ficar ao lado de Draco, ele nunca vai me perdoar. Confundirá sempre o fingimento com realidade.

Alone empurrou um livro insignificante para o lado e deu de cara com A alquimia do amor. Mostrou-o à amiga.

-A fonte dos problemas.

-Pois é... Só me trouxe dor de cabeça... – comentou Mione, voltando a folhear os livros.

Alone abriu o livro. Rapidamente localizou a página que ensinava o ritual d'A Fogueira das Paixões. Ela passou o dedo pelo local queimado pela vela que caíra sobre a página na noite em que Joyce localizara o ritual no livro.

Leu toda a página, página que as fascinara tanto... A figura das mulheres ao redor da fogueira... Os pequenos corações, voando entre a fumaça...

Olhou novamente para a ponta da página, apertando-a com os dedos; o fogo queimara ali na noite em que descobriram o ritual, e agora restavam apenas...

-Cinzas... – ela falou, baixinho; o coração disparou em seu peito.

Essa era a chave.

-Falou alguma coisa? – perguntou Mione, sem erguer os olhos do livro que analisava.

-N-não... Nada...

"Essa deve ser a chave. Cinzas. Não água, como é o óbvio. Fazer com que o poder da Fogueira se transforme em cinzas, de alguma forma. Essa forma deve estar em um dos livros da biblioteca. Com a palavra-chave em mãos, encontrar a resposta será muito fácil".

Alone olhou para a amiga; não podia esconder aquela descoberta.

-Mione...

Uma súbita rajada de vento atravessou a biblioteca com força suficiente para derrubar a bolsa que estava ao lado dos livros no chão. Alone olhou para a bolsa; diversas fotos que estavam dentro dela espalharam-se pelo chão.

As fotos de Colin... Os banhos que Colin fotografou...

Se você contar às suas amigas, Colin e Harry voltarão a ficar junto. Lembre-se disso! Colin voltará a fotografar banhos, mas não será o banho de nenhum desses rapazes; será o banho de Harry Potter, o garoto que atualmente diz que a ama, aquele que a cobre de beijos apaixonados, que quer ficar o resto da vida ao seu lado, tomando vários banhos com você. Quem você quer que veja os banhos de Harry? Você ou Colin Creevey?

Alone encolheu-se, indecisa, seu olhar passando das fotos para Hermione...

O que devia fazer?


N/A: Aguardo o seu comentário! Quanto ao motivo da demora na atualização... Bom, estou irritado com algumas pessoas, poucas, mas suficientemente irritantes, que lêem a fic mas não gostam dela (é, eu também não entendo, lêem algo que não gostam). Eu, por exemplo, quando não gosto de um determinado autor, eu não leio mais nada dele; sei que dificilmente vou gostar do que ele escreve, afinal, cada um tem o seu estilo. Você não gosta do meu estilo? O que está fazendo aqui? Você com certeza não gostou dessa fic e não vai gostar de nenhuma outra que escrevi. Gasto horas escrevendo essa fic porque gosto muito de escrever; parar de postar a fic no fanfiction e enviar os capítulos só para quem merece é uma opção que tenho e posso fazer dessa forma. Afinal, o que importa é você, que está lendo isso tudo sem merecer, que verdadeiramente curte a fic, tem a capacidade de discernir as partes de humor com as de suspense, tem maturidade suficiente para saber que um autor não é propriamente o reflexo do que ele escreve (senão, pobres amigos e conhecidos de Agatha Christie), e entende que eu não sou alguém que tem 24h de tempo livre para escrever. É por você que deixo algumas tarefas de lado para atualizar a fic e por você que escrevo essa N/A. Vamos ver se conseguimos continuar a postar os capítulos normalmente aqui, até o fim, sem a presença de quem não tem mais o que fazer.

Quanto aos que não gostam do meu estilo e da minha fic... Pô, fechem essa janela e vão ler outra coisa! Tem quem goste, pode ter certeza.

Até o próximo capítulo!