CAPÍTULO 28
A falsa Hermione
Banheiro...
-Droga, será que não dá pra se esconder dentro dessa banheira?? – ele gritou para o próprio retrato...
Ágil, sem perder tempo, Clarissa avançou...
quarto...
-Gosta disso não é? – perguntou Ted. – Pois vai ficar ainda mais interessante...
-Depilando a "amiguinha", ora! – respondeu Joyce, tirando a toalha.
...corredor...
-Oh a garota está vazando...
Hermione percebeu o olhar perturbado de Alone e, estranhando, perguntou:
-Algum problema?
Alone tomou fôlego, o conflito da indecisão a assolando; de um lado, as amigas, de outro, Harry. Não havia tempo para pensar...
-Não, Mione... – ela disse, agachando-se para recolher as fotos espalhadas pelo chão. – Não há problema algum... São apenas essas fotos do Colin, que ainda me deixam um pouco chocada.
-Vai vingar-se dele mesmo?
-Sim. Mesmo que não quisesse, sei que faria. É mais forte do que eu... – ela suspirou. – Por favor, não vamos falar disso agora...
Mione observou a amiga com atenção; as mãos de Alone estavam trêmulas, e pequeninas gotas de suor espalhavam-se pela testa. Será que o assunto Colinvinha perturbando tanto assim?
-Alone, se quiser parar de me ajudar, preferir tomar um ar fresco, eu vou entender...
-É... Talvez fosse bom... – disse Alone, arrumando as fotos. – Na verdade, antes de mais nada, acho que é melhor espalhar essas fotos logo, fazer com que Colin sofra a maior humilhação de sua vida...
-Alone, não pegue muito pesado com o Colin...
-Ele quer me separar do Harry, Mione. Tudo o que pode me separar do Harry precisa ser eliminado. A humilhação colocará Colin em seu devido lugar.
Sem falar mais nada, a garota saiu da biblioteca, a caixa de fotos segura nas mãos, pronta para macular a imagem de Colin Creevey diante dos alunos da escola.
Por um momento, Hermione pensou em segui-la, para impedir que Alone fizesse alguma besteira; havia algo estranho no comportamento da amiga. Subitamente, Alone parecia tensa, ansiosa e vingativa em demasia. Mas ela refreou o desejo de seguir a amiga; precisava resolver os seus problemas o quanto antes, e, para isso, precisava encontrar a solução.
Não podia imaginar que a palavra que levaria à reversão é que havia causado todo o transtorno em Alone...
Toda a sua obstinação...
Determinada, Alone caminhou pelos corredores; nem olhou para os lados; estava concentrada em sua tarefa, em como realizaria a vingança perfeita.
Ela precisava provar a si mesma que havia tomado a melhor decisão; que era capaz de tudo para não perder Harry Potter, prejudicando aquele que um dia fora o seu melhor amigo.
Parou diante de uma parede e, depositando a caixa de fotos no chão, começou a revirar seu conteúdo. Finalmente, encontrou uma que considerou bastante importante.
-Você está acabado, Colin Creevey... – rugia a garota, as lágrimas vazando pelos cantos dos olhos estreitos enquanto afixava na parede a foto do banho de Córmaco McLaggen.
Ao redor da foto de McLaggen, Alone colou outras cinco, todas com os rapazes mais conhecidos da escola que tiveram os banhos fotografados por Colin. Em seguida, com as mãos trêmulas, retirou um batom de um dos bolsos e inseriu, ao lado da fotografia, o nome da exposição e do odiado fotógrafo.
-Sim... – afastou-se para contemplar o resultado. Secando as lágrimas com impaciência, Alone extravasou o estranho prazer de seu feito com um sorriso. – É hora do show.
-Pois é, Frieda foi minha madrasta – confirmou Ted, olhando para o retrato. – Suponho que ela seja sua professora em Hogwarts e o seu espanto seja por esse motivo?
-Sim, claro... – respondeu Lanísia sem pestanejar. – Fiquei surpresa. Não sabia que a professora Frieda casou-se duas vezes.
-Ela foi casada com o meu pai, mas por pouco tempo.
-Eles se separaram por algum motivo?
-Morte.
Sem perceber, Lanísia estendeu a mão para o encosto do sofá às suas costas, buscando um apoio.
-E-eu sinto muito.
-Eu também – respondeu Ted, caminhando pelo recinto. – Acho que sinto mais do que muitas pessoas que perdem um pai. A lembrança do ocorrido me deixa desconfortável, irritado de uma maneira que você não pode imaginar... – ele parou diante da lareira, a cabeça baixa na direção do fogo. – Vamos mudar de assunto.
Lanísia desviou o olhar para o retrato de Frieda. Então, era essa a ligação entre Frieda e Ted. Mas faltava descobrir algumas coisas; ainda não explicava a marca roxa no rosto de Frieda após a visita à loja, não explicava porquê as meninas não podiam descobrir essa ligação...
Faltava descobrir muito mais.
-Ted! – Lanísia foi até o rapaz, e abraçou-o. – Não fique assim... Venha, vamos até o seu quarto. Acho que lá você conseguirá relaxar, e viemos até aqui para que eu conhecesse a sua cama, não é mesmo?? – ela perguntou com malícia, puxando-o pela cintura.
Os atos da garota foram suficientes para melhorar o humor de Ted. O rapaz deixou-se conduzir pela escadaria que levava aos andares superiores. No topo da escadaria, indicou para Lanísia o lado que levava ao seu quarto.
-Já deve ter usado esse cantinho com muitas outras...
-Nenhuma tão maravilhosa quanto você, gata – comentou ele, aplicando-lhe mordidas no pescoço.
-Ah... – ela ofegou, despenteando-lhe os cabelos. – Não faz assim que eu não resisto e sucumbo aos meus desejos aqui mesmo no corredor...
-Vai, não seria má idéia...
-Não, vamos nos controlar... – ela afastou-o pelos cabelos. – Sou muito ligada em fantasias, e você me passa a imagem do garanhão, do sedutor. Quero ser devorada pelo predador na toca.
-Você não vale nada...
-E é por isso que você gosta... – ela deu-lhe um tapa no rosto; Ted sorriu.
-Aqui você ainda comanda, mas dentro da minha "toca" sou eu quem dito as regras.
-Sabe que eu acho que vou gostar de segui-las??
Ele agarrou-a e prensou-a contra uma das portas, aplicando-lhe beijos sôfregos nos lábios. Entre os beijos, ele falava:
-Essa... é... a porta... do... meu quarto...
Lanísia forçou-o a parar. Segurou o rosto dele com as mãos e perguntou:
-É assim que você traz uma presa para o seu covil?
-Não quer gentilezas mesmo...
-Não. Quero algo mais selvagem.
-Como queira...
Ted escancarou a porta do quarto e jogou-a sobre a sua cama. Ele começou a tirar a camisa, sem despregar os olhos da musa que o aguardava. Lanísia ergueu um pouco o vestido, perturbando Ted ainda mais.
-Ah, vem logo, Ted, vem...
Ted pulou na cama, começando a cobri-la de beijos, enquanto, com as mãos, se desvencilhava do restante das peças de roupa. Lanísia aproveitou o momento, onde a concentração de Ted estava totalmente direcionada para o que estava prestes a ocorrer no quarto, para perguntar:
-Diga uma coisa, Ted, só por curiosidade... Quanto tempo a professora Frieda ficou casada com seu pai?
-Apenas um mês – respondeu o rapaz, sem pestanejar; o assunto não perturbava Ted naquele momento, não quando precisava se livrar do botão que fechava seus jeans e, ao mesmo tempo, beijar Lanísia.
-Como ele morreu? – ela o arranhou nas costas, deixando marcas na pele de Ted.
-Ele se matou... Ah! – ele afastou-se por um momento, enquanto tirava os jeans e os arremessava para um ponto qualquer do quarto.
Lanísia, apesar dos sorrisos insinuantes que lançava para Ted, tinha a mente inteiramente concentrada. Um suicídio. O homem havia se casado com Frieda e se suicidara após quatro semanas; apesar de não considerar impossível que alguém pudesse se matar por ter de conviver com Frieda vinte e quatro horas por dia, aquilo soava muito estranho...
Ela precisava perguntar logo; Ted voltava para a cama, agora sem mais nenhuma peça de roupa, e estendia as mãos para apanhar as alças de seu vestido.
-De que forma ele se matou? – ela perguntou, deixando que Ted descesse a alça direita.
-Deu diversos golpes de machado no próprio corpo – a pele de Lanísia arrepiou-se e, apesar de Ted ter acabado de descer a sua alça esquerda e beijado o seu ombro, ela sabia que o arrepio não provinha dos toques e carinhos do rapaz. – Eu vi tudo... Eu e os convidados... Ele se matou no dia do aniversário de meu irmão...
-Nossa... – ela deixou escapar, perplexa; Ted não estranhou, tão convicto em seu poder de sedução que ligou a exclamação da garota ao toque de suas mãos, que comprimiram os seios dela por cima do sutiã.
-Gosta disso não é? – perguntou Ted. – Pois vai ficar ainda mais interessante...
Ele abriu o sutiã de Lanísia; ela já conseguira informações demais. Talvez precisasse formular outras perguntas, mas preferia ter a ajuda das Encalhadas para decidir o que perguntar. Precisava cortar o barato de Ted o quanto antes...
Como ela esperava, o rapaz caiu sobre ela ao ver o belo par de seios, pronto para possuí-la...
-TED! – ela gritou.
-Está com medo, é? – para seu espanto, ele sorriu. – Adoro isso.
-Não, Ted, não é isso...
-Vai, pode gritar, berrar, espernear... – ele estendeu as mãos para a calcinha da jovem. – Ninguém pode salvá-la das mãos deste lobo devorador.
Claro; para ele, aquilo era um jogo.Uma brincadeira realizada entre quatro paredes. Lanísia amaldiçoou-se em pensamento ao se recordar de que fora ela mesma quem dera a idéia do jogo a Ted.
E o bruxo descia a sua calcinha...
-Ted, por favor...
-Isso, implore!! Você está prestes a ser dominada! Vou aplicar-lhe uma lição que você nunca vai esquecer...
E a calcinha voou pelo quarto quando ele a arremessou...
-TED! PARE!!
-Não dá, querida. Isso é só o começo.
E ele se posicionou, pronto para devorá-la...
-EU OUVI PASSOS!
Finalmente, Ted parou. Na fraca luminosidade do quarto, Lanísia viu a confusão impressa em seu rosto.
-O quê?
-Sim... Ouvi passos. Passos no corredor! Acho que não estamos sozinhos!
-É claro que estamos. Talvez seja um dos elfos domésticos, mas eles não ligam para isso. Sabem que gosto de trazer mulheres para o meu quarto, e eles também fazem essas coisas – ele exibiu um sorriso cínico.
Lanísia interessou-se pelo assunto.
-Fazem, é?
-Fazem sim.
-Nossa, nunca imaginei um elfo "mandando ver".
-Eu já vi.
-Nossa... Bom, os novos elfos tinham que ser feitos de alguma forma, não é mesmo?
-Pois é!
-Interessante... – ela balançou a cabeça, voltando a se concentrar. – Mas o que ouvi não eram passos de elfo, sei bem como diferenciar o som.
-Ah estou descobrindo diversas coisas sobre você no dia de hoje! – disse Ted, exasperado. – Uma estranha fobia de manequins, a capacidade de identificar sons de passos...
-Está tirando sarro de mim?
-Não, claro que não... – ele respirou fundo. – Vou verificar se tem alguém no corredor. Acho quase impossível. Meu irmão deve estar no trabalho e minha tia também. Mas vou conferir. Não quero interrupções durante o momento da ação.
Ele vestiu a cueca e a calça e saiu do quarto.
-Já volto – gritou, do corredor. – Não saia daí.
-Não sairei – respondeu Lanísia, descendo da cama e apanhando as peças que estavam espalhadas pelo dormitório. – Imbecil...
Após vestir-se, Lanísia aproximou-se da porta e espiou; Ted estava de costas, caminhando em direção a extremidade oposta do corredor. Lanísia aproveitou e saiu, correndo até a escadaria que levava ao térreo.
Em uma mesinha na sala, apanhou um punhado de pó-de-flú. Antes que corresse para a lareira, gritou:
-Ted, me desculpe!
Ted apareceu no alto da escadaria, ofegante.
-Por que saiu do quarto? O que está fazendo??
-Não sei muito bem. Mas hoje não dá. Não estou muito acostumada a ser dominada e isso me apavorou um pouco.
-Pensei que gostasse.
-Na verdade, queria sair um pouco da rotina, entende? Mas acho que ainda não estou preparada para sair do comando...
-Podemos mudar o rumo das coisas. A gente volta pro meu quarto e eu deixo você fazer o que quiser comigo... Que tal??
-Outro dia. Saí do clima de novo.
-Ah, não é possível... – Ted deu um tapa na própria testa. – Quer que eu a leve para outro lugar?
-Não, eu quero que seja no seu quarto mesmo. Mas... Só acho que hoje perdeu um pouco da graça, entende?
Ted lançou um olhar angustiado para o "amigo" dentro da calça.
-Parece que a graça não acabou para todo mundo, mas... Tudo bem... Eu entendo...
Ela podia ver o esforço que Ted fazia para dizer aquilo e acabou se esforçando para não cair na gargalhada; ela subiu um pouco do vestido, provocando-o, e transportou-se de volta à Hogsmeade através da rede de Flú.
Mione resolveu deixar a pesquisa de lado por algumas horas. Foi para o salão comunal e, para sua surpresa, encontrou a porta do dormitório trancada. Isso não era muito comum. De qualquer forma, bateu na porta e chamou:
-Olá?
-Hermione? – a voz de Joyce respondeu com outra pergunta.
-Sim. Será que pode abrir a porta?
-Claro. Tem mais alguém aí com você?
-Sim, muita gente. McGonagall, Filch e Rebecca. – respondeu Mione, desdenhosa.
-Nossa, então não vou abrir não – respondeu Joyce, preocupada.
Mione revirou os olhos.
-Estou brincando com você, Sra Inteligência! Agora, será que pode abrir a porta? Estou sozinha.
Joyce destrancou a porta do dormitório. Estava de sutiã, com uma toalha enrolada na cintura. Deixou Hermione passar e, logo em seguida, trancou a porta novamente.
-O que está fazendo?- perguntou Mione.
-Depilando a "amiguinha", ora! – respondeu Joyce, tirando a toalha. Sentou-se na cama e apanhou um pincel. – Esse método do pincel é muito prático, permite que a gente faça desenhos variados na "amiguinha" facilmente!
-E é indolor, o que é ótimo – disse Mione. – Não sabe como é terrível para as trouxas. Elas possuem diversas formas de se depilar, e todas são dolorosas.
Mione ficou observando-a, em pé, enquanto Joyce se depilava, primeiramente molhando o pincel na Loção Corta-os-Fios da Madame Jukin, em seguida, passando o pincel sobre a "amiguinha" e, por último, lavando o pincel em uma vasilha com água. Joyce parou de repente e fitou-a com impaciência:
-Será que você também não quer se depilar ao invés de ficar olhando para a minha piriquita?
-Ah sim – disse Mione, despindo-se. – Acho que vou aproveitar. Faz tempo que não dou um trato nela.
-Acho bom. Fica olhando para minha piriquita, dá licença, pô...
Assim que Mione ficou inteiramente nua, Joyce deu um pulo da cama.
-OH!
-O que foi?
-Ainda pergunta? Mione, por que não deixa assim e a enfeita com trancinhas? Dá até pra encher de lacinhos!
-Não seja ridícula. Não está tão grande assim...
-Não, imagina. Quem vê de longe pode pensar que tem um homem de costas, com a cabeça grudada na sua "amiguinha", e esse é o cabelo dele.
-Dá pra parar com as piadinhas? – perguntou Mione, sentando-se ao lado dela. – Você tem outro pincel?
-Sim... Você não tem??
-Ainda não deu pra perceber?
-É. A falta de algo pra se depilar lhe rendeu um problema bem cabeludo... – ela riu, abrindo uma gaveta para pegar um pincel para a amiga.
-Quantos insultos... – Mione balançou a cabeça, séria. – Nunca fui tão humilhada, Joyce.
-Draco teve sorte ao ser interrompido por Rony. Ele ia precisar de um mapa para localizar a entrada nessa floresta...
-Chega, Joyce! Eu DESISTO! – irritada, Mione nem percebeu que estava indo em direção à porta totalmente nua.
-Isso, sai desse jeito mesmo e fala pro pessoal que tem uma aranha grudada no meio das suas pernas.
Ela deu meia-volta; sem olhar para Joyce, voltou para a cama e sentou-se ao lado da amiga.
-Tome o pincel – disse Joyce, passando para ela.
Mione encheu uma vasilha com água e a colocou ao seu lado, sobre a cama. Em seguida, molhou o pincel na poção e começou a depilação. As duas ficaram caladas por alguns instantes, concentradas na tarefa, até que Mione, retomando o assunto, comentou:
-Draco não pareceu achar ruim quando desceu a minha calcinha.
-Claro que não. Ele está dominado pelo poder do que fizemos, não se esqueça disso. Para ele, essa selva aí era maravilhosa.
-Não é mais uma selva – comentou Mione. – Já está ficando bem melhor.
Joyce espiou a vasilha de água onde Mione jogava os fios.
-Dá até a impressão de que alguém cortou o cabelo.
-Engraçadinha – replicou Hermione, lançando a Joyce um sorriso forçado.
Elas terminaram a depilação; por último, foram até o espelho e admiraram o resultado.
-Agora sim está decente, Hermione – comentou Joyce. – Um triângulo super elegante.
-Ah, obrigada! O seu coelhinho também ficou um charme.
-Ficou bem original, não é mesmo?
-Agora vamos tomar um banho – sugeriu Mione, limpando parcialmente o quarto antes de se retirarem.
Dois minutos depois, Clarissa entrou no quarto.
Cautelosa, aproximou-se da cama de Hermione. Ela ficou com Joyce no quarto por um bom tempo; devia ter se sentado na própria cama, talvez até mesmo deitado, deixando um precioso fio de cabelo cair sobre o acolchoado ou no chão...
Ela encontrou dois fios sobre a cama. Não eram muito longos, mas pela cor ela tinha certeza de que pertenciam a Hermione.
Com cuidado, Clarissa depositou os fios em um pote de vidro e os fechou.
-Perfeito. Já tenho o principal ingrediente da Poção Polissuco. Agora, é só colocar na poção, no momento ideal.
Saiu do dormitório, levando, dentro do pote, os dois pêlos pubianos, retirados graças à Loção Corta-os-Fios da Madame Jukin.
-Lewis não vai contar a você... – disse Frieda, encarando Serena no pátio ensolarado. – Você e suas amigas podem tê-lo aprisionado onde quer que seja, mas ele não vai trair a mãe...
-Não tente ficar mais calma enganando a si mesma, Frieda. Lewis ama a mim acima de tudo e de todos, por causa daquiloque eu e "as minhas amigas" fizemos, está lembrada? O que você vem tentando descobrir a qualquer custo. Pode ter certeza que o amor que ele sente por mim triplicou depois disso. Não resta piedade ou qualquer tipo de sentimento por você. Só existe Serena no coração dele, e ele irá contar a mim o que você fez.
-Eu odeio você... – murmurou Frieda. – Odeio...
-Fique tranqüila. É recíproco.
-Lewis não sabe de tudo... Não sabe toda a história. Não poderá ajudá-las a descobrir toda a verdade...
-Mas nos dará um ponto de partida. Através do que ele nos contar poderemos chegar à verdade!
-O que pretende com isso, garota? Hein?
-Prendê-la! Antes que você consiga nos encarcerar! Quanto ao Lewis... – Serena sorriu, cínica. – Quem sabe não o deixo enfeitiçado? Assim, ele será meu para sempre, não acreditará no que você disser. Poderá até mesmo visitá-la em Azkaban; se você disser a ele que somos irmãos, ele nem irá ligar.
-Casaria com ele? – a repugnância tomou conta do rosto de Frieda.
-Sim! Por quê não? Afinal, não sabia que ele era meu irmão quando me apaixonei por ele! Posso ficar com o Lewis sem ter peso algum na consciência! Ele é demais, e não deixou de ser mesmo quando fiquei sabendo que éramos irmãos... – ela riu. – Já pensou, Frieda? Você, presa, sem poder agir, sabendo que eu casei com o Lewis apesar de todos os seus esforços?
-Pare com isso...
-À noite, você tomando sopa gelada em Azkaban enquanto eu estarei dormindo com o Lewis...
-Pare...
-Você terá pesadelos! Já pensou? Pesadelos... E neles eu e Lewis estaremos debaixo dos lençóis, se amando loucamente...
-CALADA! – Frieda berrou, ao mesmo tempo em que puxava a varinha.
Os alunos que estavam espalhados pelo pátio pararam para observar. Lentamente, Frieda baixou a varinha e guardou-a. Serena continuava sorrindo.
-Sabe que posso ficar a sós com Lewis no esconderijo? – ela provocou. – Seria um ótimo cantinho para se amar, se agarrar...
-Vocês já... Já dormiram juntos?
-Será que já dormimos, Frieda? – ela divertiu-se com o pânico da professora. – Será? Sabe, não vou responder. Vou deixá-la imaginar...
Serena afastou-se, saindo do pátio; quando olhou para trás pela última vez, Frieda continuava parada, no mesmo ponto, com o olhar fixo no chão.
Que ótimo dia!, pensou Serena.
Era ótimo ver Frieda preocupada, tensa, confusa. Também foi ótima a sensação de euforia que tomou conta de seu ser ao dizer todas aquelas coisas.
Havia traçado um futuro interessante. Frieda onde merecia estar e ela ao lado de Lewis. Mesmo que ele fosse seu irmão... Ficar perto dele era fantástico. Sabia que nunca sentiria algo semelhante por outro garoto. Se ninguém soubesse que tinham o mesmo sangue, que mal haveria?
Ela correu para o dormitório. Precisava se arrumar para visitá-lo.
-Meninas!! Meninas!! – gritou Alone, aproximando-se de um grupinho de garotas que conversava no jardim. – Fotografaram Rogério Davies tomando banho!
-Oh!! – as meninas comemoraram.
-Cadê a foto? – perguntou Parvati Patil.
-Primeiro corredor à direita, segundo andar. Vão até lá porque tem muito mais... Córmaco McLaggen! Dino Thomas! Vários!!
-Ohhhhh!!! – as meninas saíram em disparada.
Alone continuou a espalhar a notícia entre as garotas que estavam no jardim. Quanto às do castelo, ela ficou tranqüila; sabia que seriam comunicadas quando as outras passassem por elas.
Quando se deu por satisfeita, Alone retornou ao castelo.
O corredor era uma confusão; centenas de jovens se espremiam para espiarem as fotos. Alone juntou-se à multidão e olhou para os seis retratos; era engraçado ver que, mesmo diante de tantos olhos, os garotos continuavam a se banhar, despreocupados.
-Quem diria, hein, McLaggen, que as coisas aí embaixo seriam tão pequeninas... – comentou Pansy Parkinson maldosamente, ao ver que o rapaz se aproximava, com o rosto vermelho.
-Eh... A água estava fria... – explicou-se, só piorando a situação; as garotas caíram na gargalhada. – Droga, será que não dá pra se esconder dentro dessa banheira?? – ele gritou para o próprio retrato, que se ensaboava em pé, despreocupado...
-Tirem essa foto daí! – gritou Dino Thomas; o rapaz tentou passar pela multidão, mas não conseguiu avançar.
-Por quê?? – perguntou Padma Patil. – Não precisa ficar com vergonha...
-Ah se você costuma tirar fotos pelada e exibi-las em público, eu não tenho esse costume! – retrucou Dino.
-Vejam só como o Dino está mais "animado" do que o McLaggen! – apontou Alone.
-É verdade... – comentou Pansy. – Nossa, Dino, tomar banho te anima tanto assim?
-Ou será que só em ver o Colin te fotografando você ficou alucinado? – indagou Alone.
-Falem a verdade, vocês o deixaram fotografar vocês, não? – perguntou Parvati Patil.
-Colin?? – perguntou McLaggen aturdido. – A bichona da Sonserina?
-Epa, epa! – interrompeu Blás Zabini, irritado. – A da Sonserina sou eu!
-Isso todo mundo está cansado de saber desde o começo do ano... – retrucou Dino. – O Colin é a bicha da Grifinória!
-Foi ele quem...? – McLaggen não terminou a pergunta; finalmente percebeu as palavras escritas em batom. O olhar de Dino acompanhou o seu, e ambos leram as palavras com a mesma expressão de revolta.
BANHOS RELAXANTES
Por Colin Creevey.
-Relaxantes?? – indagou McLaggen, fechando os punhos.
-No seu caso, muito relaxante... – comentou Alone com desdém, lançando um breve olhar para as partes baixas do rapaz.
As garotas começaram a rir.
-Ah olhe ele aí!
Colin apareceu, correndo, o rosto pálido. Alone sentiu uma pontada de prazer cruzar o seu corpo; o suspiro escapou por seus lábios.
-Não, não pode ser... – ele balbuciou, os olhos passando, desesperados, pelos retratos e, por último, para a pichação. – Foi ela... foi... – Alone acenou para ele, sorrindo. – ... VOCÊ!
Colin avançou para Alone, os braços estendidos; não houve tempo para a garota ter qualquer reação. O empurrão de Colin jogou-a no chão, fazendo com que seus cotovelos se chocassem dolorosamente contra o piso frio.
-Eu vou acabar com você! – ele agarrou-se aos cabelos de Alone, puxando-os com fúria.
-Sai daqui... Sai... – dizia Alone, tentando se desvencilhar das mãos do garoto. – Alguém tire esse animal daqui!
-Eu tiro – disse a voz revoltada de McLaggen. Ele pegou Colin com extrema facilidade; arrancou-o pelos cabelos. Colin largou as madeixas de Alone e foi obrigado a seguir McLaggen até o meio do corredor.
Ao chegar nesse ponto, o rapaz largou Colin com brutalidade, fazendo com que o garoto caísse de cara no chão.
-Agora você vai aprender a nunca mais tirar fotos escondido, moleque... – disse ele antes de desferir um chute na barriga de Colin.
A multidão se espremeu instintivamente, imaginando a dor causada por aquele chute.
-Desculpe... – ofegou Colin.
-Acha que seu pedido de desculpas vai melhorar a situação? – ele chutou novamente. – Minha intimidade foi exposta para toda a escola! Elas me viram tomando banho! – mais um chute; dessa vez, um jorro de sangue foi expelido pela boca de Colin. – Oh, eu vou acabar com você!
-Eu ajudo! – berrou Simas Finnigan, outro retratado que se aproximava e desferia um soco no rosto de Colin; as gotículas de sangue que voaram do nariz foram se juntar à poça formada pelo sangue expelido pela boca.
-Eles vão matá-lo! – gritou alguém do meio da multidão.
-Não, não farei isso – disse McLaggen. – Mas farei com que ele passe pela mesma humilhação! – dito isso, o rapaz arrancou as calças de Colin, deixando-o nu na frente de todos. – Agora encare a multidão! – McLaggen fez com que ele ficasse de pé, puxando-o pelo cabelo.
Colin fechou os olhos, enquanto as garotas presentes o observavam.
-OHHHH! – elas exclamaram, pasmas.
Em seguida, houve o silêncio. E...
-Bom... É melhor que o McLaggen... – comentou Pansy.
-AGORA EU MATO! – vociferou McLaggen, fechando o punho para socar Colin.
O golpe não foi concluído.
-CHEGA! – gritou a voz enérgica de Minerva McGonagall.
Todos pararam onde estavam e ficaram olhando para a diretora, emudecidos. Minerva relanceou os olhos para as fotos; ao ver do que se tratava, cobriu-os com as mãos.
-Oh! Que baixaria! – virou o rosto; ao tirar as mãos, deparou-se com o Colin de calças arriadas. – Oh, não! – cobriu o rosto novamente. – Essa escola está de pernas para o ar... – virou para outro lado; Alone estava parada com uma poça de sangue entre as pernas. – Oh a garota está vazando...
-EU NÃO ESTOU MENSTRUADA! – replicou Alone, irritada.
-É, isso é sangue do Colin – explicou Parvati. – Apenas um mal-entendido, diretora, embora o resto não seja...
-Ar, preciso de ar... – Minerva fechou os olhos e respirou fundo por três vezes seguidas. – Pronto... – ela abriu os olhos novamente; estava de costas para as fotos, pelo menos a poça de sangue não era o que ela esperava e Colin Creevey já estava vestido. – Quero todos os envolvidos nessa confusão na minha sala agora mesmo! Alguém pode me dizer o nome dos envolvidos?
-Creevey, McLaggen, Finnigan e Thomas! – respondeu Alone, sorrindo.
-E você também! – gritou Colin. – Você começou tudo isso!
-Por que teria algo a ver com isso? – perguntou Alone. – Sei que está bravo com a reação dos garotos, mas você devia esperar que eles não gostariam dessa exposição...
-Você ainda me paga, Alone!
-Chega, chega! – interrompeu Minerva. – Obrigada pelo auxílio, Sra Bernard. Agora, os senhores, me sigam, e não quero ouvi-los durante o caminho!
Os quatro jovens seguiram a diretora.
Enquanto Colin passava por ela, Alone mandou-lhe um beijo, acenou e, com os lábios, formou a palavra vingança.
Dentro do banheiro, Clarissa retirou do esconderijo o frasco de Polissuco. Respirou fundo, aliviada; permanecia intacta, pronta para receber o fio de cabelo de Hermione e transformá-la na garota.
-Agora falta resolver a parte crítica... – disse para si mesma. – Como fazer com que a Hermione desapareça enquanto me passo por ela?
Havia também outras coisas a decidir para que o plano saísse sem falhas.
De repente, Clarissa ouviu passos se aproximando. Ágil, guardou o frasco de poção dentro da bolsa e fechou-se em um dos boxes do banheiro. O que ouviu do outro lado foram vozes bem conhecidas – eram Joyce e Hermione.
-Precisava conversar tanto com o Juca? – perguntou Mione.
-Eu sinto pena dele. Poxa, sou a responsável pelo amor que ele sente por mim. Sugeri a ele que procurasse novas posições sexuais para me conquistar.
-Nossa, tudo a ver, amor com posições...
-Foi só para enrolá-lo, Mione, não falei sério. Juca não é muito rápido nesses assuntos, vai ficar procurando por tanto tempo que, até lá, ou Frieda já nos levou para a cadeia ou nós conseguimos encontrar a reversão.
-Isso, fale mais, só estamos em um banheiro público, pode contar todos os nossos segredos...
-Ah é... – ela deu uma risadinha. – Mas, enfim, ele anda tão desesperado que inventou um tal de Manual Posicionado de Posições. Disse que está usando o manual, que ficará ótimo, etc etc... Até parece que ele ia encontrar um livro desses aqui em Hogwarts.
Clarissa ouviu a torneira de um dos boxes se abrir. Conseguiu identificar quem havia entrado no Box através de um comentário:
-Nossa, Mione, a água está quentinha! – era Joyce.
-Já vou entrar também. Só estou me admirando no espelho outra vez...
Clarissa remexeu-se. Aquele era o momento.
Ela abriu a porta um pouquinho e espiou pela fresta. Não viu nada. Arriscando-se, abriu a porta um pouco mais – tendo o barulho da água que escorria sobre Joyce como um aliado. Olhou para a direita. Finalmente, viu a amiga. Mione se olhava no espelho; o vapor saía por cima do último Box, indicando que Joyce o utilizava.
Não tinha como sair sem ser vista por Hermione; precisava aguardar mais...
Ela abriu a bolsa e retirou o frasco de Poção Polissuco. Pousou o frasco sobre a tampa do vaso sanitário e, remexendo novamente em sua bolsa, puxou o vidro com os "fios de cabelo" de Hermione. Abriu a tampa de ambos os frascos e, com cuidado, jogou os fios dentro da poção.
Imediatamente, a poção adquiriu outra coloração e borbulhou. Clarissa espiou novamente. Hermione continuava diante do espelho. Quando voltou a observar a poção, viu que o conteúdo havia parado de borbulhar. Determinada, Clarissa segurou o frasco com firmeza e, apesar do aspecto de lama que o líquido havia adquirido, bebeu a poção de uma só vez.
-Hermione, se você não for tomar banho logo, eu termino o meu e saio sem você! – ela ouviu Joyce reclamar, irritada.
-Tudo bem. Já me olhei demais... – disse Mione.
Clarissa sentiu o corpo transformar-se. Retirou um espelho de maquiagem de sua bolsa e seu coração disparou quando ela encontrou o rosto de Hermione fitando-a. Ela passou os dedos pelo rosto, sem tirar os olhos do reflexo. Havia se transformado em Hermione Granger.
-Precisamos de uma reunião... – Lanísia comentou com Serena, ao entrar na Sala Precisa. Ela puxou uma cadeira e sentou-se. – Onde estão as outras?
-Encontrei Joyce e Hermione indo tomar banho... Alone criou tumulto ao divulgar as fotos do Creevey, mas agora não sei onde ela está. Também não sei onde Clarissa se meteu.
-Hum... – ela olhou para a figura de Lewis, que continuava deitado sobre a cama. – Como ele está?
-Na mesma. Às vezes acorda, murmura coisas sem sentido e em seguida adormece outra vez... – ela segurou a mão do rapaz. – Sabe, tomei uma decisão muito importante, Lanísia.
-Qual?
-Que ainda quero namorar Lewis, independente de sermos irmãos ou não.
-Jura??
-Sim.
-Mas vai chegar um dia que vocês terão que fazer "coisas" e... Serena, você vai dormir com seu irmão!
-Eu sei, mas quando nasceu esse sentimento, essa...atração que rola entre nós dois, eu não sabia disso. Não vejo isso como um ato obsceno.
-Mas deveria ver!
-Lanísia, eu sou uma mulher, Lewis é um homem, e nasceu algo muito forte, compartilhado por nós dois! Nenhum de nós dois teve culpa! Não tínhamos noção de que éramos irmãos!
-Mas agora você sabe, e seria loucura ignorar!
Serena levantou-se da cama.
-Você também vive um amor proibido. Se você se apaixonasse por Augusto, antes de saber que ele era seu professor... Fizesse planos, imaginasse uma vida toda ao lado dele... E, depois, descobrisse, do nada, que ele seria seu professor. Você o deixaria? Ignoraria todos os seus sentimentos e desejos só por que havia descoberto que, perante a sociedade, o seu relacionamento seria considerado algo errado?
Lanísia ficou calada, sem saber o que responder.
-Acho que não. Eu já sabia que ele era meu professor quando me apaixonei, e não refreei os meus sentimentos.
-Então...
-Mas é diferente, Serena! Eu e Augusto não temos o mesmo sangue!
-Para mim não é diferente!
-Você está tentando se convencer de que é algo normal, mas não é!
-Já vi que você não pode entender... – Serena debruçou-se sobre Lewis e beijou os lábios inertes do rapaz. – Para mim, isso é normal, e você não vai mudar o meu ponto de vista! – com lágrimas nos olhos, ela saiu da sala.
Naquele momento, Lewis entreabriu os olhos e começou a murmurar:
-Serena... Cadê... Serena... Eu amo... Serena... Minha Serena...
Lanísia levantou-se e aproximou-se da cama. Acariciou a testa de Lewis.
-Ela está bem. Logo, logo volta para vê-lo.
-Quero... a minha... Serena... – e fechou os olhos novamente.
Lanísia respirou fundo. A seu ver, o amor daqueles dois era muito bonito, porém impossível...
Em seu quarto, Frieda retirava, de um baú, alguns brinquedos antigos de Lewis.
Serena não podia imaginar, mas algo cruel estava sendo preparado para mudar o seu "ponto de vista"...
A voz da verdadeira Hermione a retirou do devaneio...
-Pronto, Joyce, já vou começar o banho...
Clarissa espiou. Hermione estava entrando em um dos boxes.
Agora, ela precisava se livrar da roupa que vestia. Para isso, pegou a toalha de Hermione – largada sobre o banco no centro do banheiro – e saiu do toalete, examinando o corredor. Só precisava deixar seus pertences ali por uma hora; decidiu-se por ocultá-los atrás de um vaso de flores.
Despiu-se, enrolando-se na toalha logo em seguida. Escondeu seus pertences atrás do vaso e, aflita, retornou ao banheiro. Ser surpreendida de toalha no meio do corredor não seria nem um pouco agradável, mesmo que estivesse em outro corpo.
Mas ninguém apareceu. E, ao retornar ao banheiro, Clarissa constatou que tudo continuava na mesma. Joyce e a verdadeira Hermione continuavam a tomar banho, o vapor de água quente envolvendo o ambiente...
Clarissa apanhou a bolsa e começou a avançar pelo banheiro. Ela avançou sem hesitar; afinal, tinha uma hora para agir, e cada segundo era precioso. Lançou um breve olhar para o enorme espelho do banheiro, admirada, vendo-se por inteiro no corpo de Hermione.
Parou em frente à porta do compartimento de Mione.
Clarissa apontou a varinha para a fechadura...
Com um Alorromora, a porta se abriu... O clique foi abafado – o ruído da água continuava sendo um aliado maravilhoso...
Ela estava pronta para agir, mas nada aconteceu...
Hermione estava de costas, lavando o cabelo. Ágil, sem perder tempo, Clarissa avançou...
Mione virou-se no momento em que Clarissa desferia um golpe violento em sua cabeça, utilizando a bolsa. A última coisa que viu antes de perder os sentidos foi o seu próprio rosto, olhando para ela com uma fúria que nem ela mesma conhecia, os dentes fechados sobre os lábios, as faces coradas de fúria, no mesmo instante em que sentia a pancada extremamente dolorosa...
Ela caiu; Clarissa interrompeu a queda, segurando-a pelas costas.
Á água jorrava; Joyce cantarolava no compartimento ao lado...
Clarissa deixou Mione sentada sobre o chão, fora do alcance do jorro de água que poderia despertá-la.
-O golpe de uma bolsa feminina derruba qualquer um... – ela cochichou, satisfeita. – Agora, é hora de escondê-la...
Clarissa terminou de executar o seu plano; puxando Hermione pelos braços, arrastando-a pelo chão, largou-a dentro do compartimento onde havia se escondido e bebido a poção. Encostou a porta e, puxando a varinha, trancou-a.
-Ninguém tentará abrir – murmurou Clarissa, sorrindo. – Quem abriria a porta de um banheiro público? – ela olhou para a bolsa que estava sobre o banco. – Só falta esconder você.
Depois de ocultar a bolsa atrás do vaso do corredor, ela voltou ao banheiro e tomou o lugar anteriormente ocupado pela verdadeira Hermione.
-Você está muito calada, Mione – comentou Joyce, de seu Box. – Costuma falar sem parar quando estamos tomando banho... Humm... O que está aprontando?
-Nada...
-Sei. Está muito quieta. Deve estar se estimulando com a mão, não é mesmo?
-Não! Por acaso todas as mulheres ficam em silêncio quando estão... "se estimulando"?
-Sei lá... Acho que sim...
-Não está se baseando em você mesma, está, Joyce?
-Ah... É, estou.
-Há-há! Isso explica o silêncio prolongado no dia em que todas as Encalhadas tomaram banho no mesmo banheiro!
-Não, naquele dia eu não estava sozinha no Box e estava ocupada no MacMillan.
-E não podia falar...? – e de repente a ficha caiu. – Blergh, Joyce, que nojo!
-Foi uma experiência interessante, se quer saber...
-Então, aquela coisa branca no seu rosto...
-Não era uma nova marca de sabonete.
-Ihhhhh! – Clarissa exclamou, com nojo. – Eu passei aquilo na minha mão!
-Ninguém mandou vocês quererem sentir na pele o efeito do tal sabonete.
-Eu cheirei aquela coisa... Que horror!! Que grande amiga é você, Joyce!
-Foi engraçado ver como vocês foram ingênuas. Nem a Clarissa, que já transou uma vez, percebeu o que era...
-Ah para mim... – ela parou de falar. – E para a Clarissa e as outras, você estava sozinhano Box, sem a fonte do tal "sabonete"!
-Relaxa, Hermione, são águas e fluidos passados... – Joyce deu uma risadinha.
-Vou terminar esse banho logo. Preciso resolver algumas coisas, não posso demorar muito.
-Que coisas?
-Depois eu conto... – ela fechou a torneira.
-Poxa, Mione, já?
-Sim. Já disse que não posso demorar... – ela abriu a porta e começou a secar-se com a toalha. Bateu na porta fechada que ocultava o banho de Joyce. – Vai sair também ou terei que ir sozinha?
-Espere aí! – pediu Joyce, fechando a torneira. Abriu a porta e apanhou a sua toalha, saindo em meio à uma nuvem de vapor. – Nem deu pra me lavar direito...
-Teve tempo suficiente para isso.Eu tomei um ótimo banho...
-Lavou bem a "amiguinha"?
-Joyce, eu sempre faço isso.
-Eu sei, mas quando a gente se depila precisa lavar com mais cuidado.
O estômago de Clarissa rodopiou.
-O que você disse? – ela deu um sorrisinho incrédulo. – E-eu me depilei hoje?
-Nem venha fingir que não se depilou! Estava ridícula aquela cabeleira toda, mas não precisa fingir que não deu um trato na "colega".
-N-não v-vou fingir... Mas... Foi no dormitório?
-Não, foi no Salão Principal, você arreganhou as pernas na frente de todo mundo e começou a depilação... Sabe muito bem que foi no dormitório, em cima da sua cama!
Clarissa sentiu o estômago embrulhar-se.
-Oh, não... – disse, exaurida.
-Mas, se quer se fazer de desentendida, tudo bem... – disse Joyce, vestindo-se, nem percebendo o quanto "Hermione" estava pálida e se esforçando para não vomitar.
-Não posso acreditar... – Clarissa murmurou. – Tomei um pêlo pubiano...
-O que foi? – indagou Joyce, que não havia escutado.
-N-nada... Nada não... – ela respirou fundo. – Só fiquei um pouco tonta de repente, só isso... – ela levou a mão à parede, precisando apoiar-se para não cair.
Seu olhar passou pela porta trancada onde Mione estava desmaiada. Não podia demorar muito ali no banheiro; precisava, pelo menos, mover as peças principais antes que Hermione despertasse...
-Preciso ir logo... – ela comentou, terminando de vestir-se.
-Está com pressa mesmo, hein? – comentou Joyce, colocando os brincos.
-Nos vemos daqui a pouco – Clarissa sorriu e saiu correndo do banheiro, ainda vestindo os sapatos de Hermione.
Pelo espelho, Joyce lançou um breve olhar para a única porta que estava fechada. Era a porta de um dos boxes que possuíam vaso sanitário.
-Parece que o intestino de alguém não está funcionando muito bem... – ela comentou, baixinho, enquanto continuava a se produzir diante do espelho. – Boa sorte! Pode soltar pum à vontade, isso é bem comum. Não se acanhe, amiga!
A falsa Hermione caminhava, afobada, pelo castelo de Hogwarts. Não conseguia se esquecer do tempo que lhe restava – provavelmente uns cinqüenta minutos – antes que o efeito da Poção Polissuco se extinguisse.
Precisava encontrar Draco Malfoy...
-Olá, Mione – disse a voz de Draco às suas costas, do alto da escadaria de mármore.
Clarissa correu ao encontro de Draco e o abraçou. Não fazia parte da encenação; o abraço era fruto da satisfação em ver o garoto, a primeira peça que precisava ser movida para que o jogo tivesse início.
-Oi! – ela cumprimentou. – Quero marcar mais um de nossos encontros nos corredores...
-Humm... – disse Draco, satisfeito. – O último foi inesquecível, e seria muito mais se não fôssemos interrompidos.
-É, pena que não deu para irmos até o fim – ela acariciou o corpo dele. – Acredite, esse era o meu objetivo.
-Assanhada...
-Quero que apague meu fogo... Estarei esperando-o no quarto andar, no corredor escuro próximo ao quadro da corrida dos unicórnios...
-Que horas?
-Daqui há quinze minutos. Só me dê o tempo necessário para me preparar.
-Hum, terei surpresas hoje?
Ela acariciou o rosto dele com um dedo e, em seguida, levou o dedo à própria boca.
-Não faz idéia de como terá.
Ela afastou-se, satisfeita. Além de ter conseguido localizar a primeira peça, fez um ato obsceno no alto da escadaria de mármore que deixaria Hermione com a fama de piranha que ela merecia.
-Agora, a segunda peça... – sussurrou Clarissa, olhando ao redor. – A vermelha...
Ela tinha trinta e oito minutos à disposição quando entrou no Salão Principal e localizou Rony. Parou por um instante, preparando-se.
-Como será que se faz a cara de puritana da Hermione? Preciso bancar a namoradinha arrependida...
-Há! Há! Ela fala sozinha! – apontou um moleque do primeiro ano.
-Cala a boca, garoto! Sai daqui! Anda! – ela espantou-o, ameaçando com a varinha.
Aquela movimentação chamou a atenção de Rony. Quando ela voltou a observá-lo, percebeu que Rony retribuía o seu olhar; a expressão em seu rosto indicava que ele não estava nem um pouco satisfeito em vê-la.
Baixando o olhar, Clarissa entrou no Salão. Ergueu os olhos quando estava bem próxima; Rony a encarava, sem emoção.
-Precisamos conversar.
-Não precisamos.
-Rony, não... – ela interrompeu a saída dele, segurando-o. – Por favor. Vamos conversar.
-Não adianta tentar me convencer outra vez de que fez tudo aquilo sem pensar...
-Não vou tentar mudar sua opinião. Mas preciso que escute algumas coisas. E não podemos conversar aqui, na frente de todo mundo. Eles não sabem que estivemos juntos todo esse tempo.
Ele hesitou por um momento, antes de responder.
-Está bem... Mas espero que seja breve.
-Será... Eu vou um pouco à frente. Siga-me.
Foi só ficar de costas, fora do campo de visão de Rony, para que um sorriso malévolo distorcesse as feições da falsa Hermione.
Estavam no corredor. Clarissa olhou rapidamente para o relógio, antes que Rony se aproximasse. Tinha poucos minutos antes que Draco também aparecesse...
-Pronto – disse Rony, entrando no corredor. – Estou aqui. Diga o que quer.
-Não seja rude comigo.
-Não vim até aqui prometendo ser amoroso. Só vim ouvi-la.
-Ótimo... – ela suspirou, os olhos fixos no chão do outro corredor; precisava ficar atenta à sombra que se formaria quando Draco se aproximasse. – Rony, vou ser franca com você...
-Achei que sempre tivesse sido.
-Fui, na maioria das vezes... Em todas, na verdade. Só não fui franca em assuntos que envolviam...
-O seu amante.
-Ele não é o meu amante!
Ela deixou que o silêncio se prolongasse depois de sua exaltação. Precisava prosseguir, mas os ouvidos que devia atingir ainda não estavam presentes.
Até que a sombra surgiu no outro corredor e ela desatou a falar...
-Eu amo você, Rony! Draco não significa nada pra mim!
Como ela previa, a sombra não se moveu depois de ouvir isso...
Draco, no outro corredor, parou rente à parede, sentindo o coração apertar-se. Era a voz de Hermione; a sua Hermione declarando-se para outro homem.
-Vocês estavam se esfregando, eu vi tudo, Hermione!
-Eu perdi o controle. Eu sinto uma atração muito forte pelo Draco, sempre senti. Mas é só atração física. Por você, eu sinto atração, mas também amor... Eu sinto vergonha em admitir isso, Rony, mas estava usando o Draco. Usando-o para satisfazer os meus desejos, apenas isso. Eu te amo, Rony.
Draco trincou os dentes com força; aquelas palavras eram como ferroadas...
Rony. Ela ainda amava Rony...
-É difícil para mim, Hermione...
-Preciso de uma segunda chance...
-Eu... Não sei... Você... nunca mais voltará a se envolver com Draco?
-Nunca! Prometo! Draco não tem nenhuma chance perto de você. Vou ser sincera, Rony. Se você não existisse, talvez eu acabaria ficando ao lado dele, talvez a atração se tornasse algo maior. Mas, com você ao meu lado, perto de mim, Draco não tem chance alguma. Você eclipsa tudo o que poderia sentir por ele. Draco não tem chance alguma de conquistar o meu coração.
Draco fechou os olhos, revoltado, as palavras de Hermione entorpecendo sua mente:
Se você não existisse, talvez eu acabaria ficando ao lado dele.
Essa era a única chance que tinha para fazer com que Hermione o amasse...
Rony devia morrer.
N/A: Obrigado pelos comentários e pelo apoio e até o próximo capítulo! Estou de "férias" e a atualização deve ocorrer logo. Até o próximo capítulo!
