CAPÍTULO 29
Foi bom pra você?
Aqui vão as preliminares...
-Você nunca me pegou dessa forma antes. Está tão... quente.
-Rodei na mão de todo o mundo! Virei uma espécie de atração da livraria!
-NÃO ME TOQUE! – afastou-se de Hermione com tanta pressa que caiu no chão
-Vamos dar então?
O que Serena viu ali a fez perceber que, afinal, gritos e xingamentos não eram as piores coisas que poderia esperar...
-Não tenha dúvidas, Lorenzo. Eu faço de tudo
...agora é a hora de apreciar o capítulo em sua plenitude...
-E então, Rony... Vai me perdoar?
-Eu não sei... Sinceramente, não sei – ele parou diante de um quadro e o ajeitou, pensativo, antes de voltar-se para Hermione. – Para que a gente fique junto é necessário continuar com aquela farsa, graças à idéia absurda que você e suas amigas tiveram. Ou seja, vou vê-la ao lado de Draco, como se fosse a namoradadele. Isso já não era muito fácil de agüentar, Hermione, e depois do que vi... Assim, eu não terei como saber se você estará apenasfingindo os sorrisos, ou mentindo ao dizer que está adorandoos beijos... Não me sentirei seguro. Vou acabar me lembrando do que vi no corredor... Acho que não sou mais capaz de diferenciar... Não sei se está conseguindo entender...
-Sim, entendi o que você quis dizer.
-Ótimo... Espero que entenda... – havia insegurança em Rony; até mesmo Draco, escondido no outro corredor, conseguiu captar a insegurança do garoto, apenas o ouvindo. Clarissa, que tinha o ruivo diante de si, percebia a expressão inquieta no rosto de Rony. Eram face e voz revelando o que ele realmente sentia. – Posso até perdoá-la, mas... Não dá para namorarmos. Você está acorrentada ao Draco para sempre e eu não saberei mais lidar com essa situação.
-Você precisa aprender a lidar, Rony – ela aproximou-se dele; pegou uma das mãos do rapaz e a levou ao seu rosto. – Não tenho como me livrar dessa situação, pelo menos por um tempo. Teremos que continuar como estávamos: namorando escondido. Draco não descobriu até agora, e provavelmente não irá descobrir. E, mesmo se descobrisse, nós já tivemos provas de como ele épatético.
Draco remexeu-se inquieto no outro corredor.
-Francamente... Ele planeja tudo errado! Para nosso bem, ele não percebe como é fácil matar. Nem precisa ser em um lugar deserto, mas é necessário terprecisão. Ser preciso para não deixar pistas. Sorte a nossa de que Draco não tenha a capacidade de perceber isso!
-É, tem razão. Ele não é muito esperto – Rony concordou.
-Não mesmo... Enfim... Poderemos ficar juntos apenas se você aceitar que tudo fique como antes.
Ela lançou um rápido olhar para o chão do outro corredor; a sombra revelava que Draco permanecia ali, escutando tudo. Perfeito; havia muito mais para o loiro ouvir e também para ver.
-Eu amo você, Rony. Ainda vou encontrar uma maneira de corrigir aquele erro e, assim que encontrar, seremos só nós dois.
Clarissa estava perto demais do rosto dele para perder a oportunidade; oculta no corpo de Hermione Granger, resolveu aproveitar os lábios da outra para experimentar os do rapaz que sempre amou. Ela o pegou de surpresa; beijou-o com uma vontade louca, ensandecida. Rony precisou apoiar-se na parede para não desabar. No corredor, Draco ouvia as respirações ofegantes e o ruído dos lábios se encontrando. Seu estômago rodopiou e ele sentiu-se nauseado.
-Nossa... – comentou Rony, olhando admirado para o rosto de Hermione. – Você nunca me pegou dessa forma antes. Está tão... quente.
-Era a saudade – disse a falsa Hermione; Clarissa estava sem ar, sentindo o coração disparar no peito. Fora mais perfeito do que ela imaginou que seria. Superou todas as expectativas, e ainda haveria mais; muito mais. – E, depois disso, pergunto a você: vamos voltar a namorar?
Ela já sabia a resposta; Rony sorria feito uma criança que havia acabado de ganhar a primeira vassoura de brinquedo.
-Sim.
Houve mais um beijo, só que este, para Clarissa, foi ainda melhor. Rony tomou a iniciativa, puxando-a para perto de si, enlaçando-a pela cintura e beijando-a. Clarissa desmanchou-se nos braços do garoto. Foi a firmeza que sentiu encostando-se a suas coxas que a fez lembrar de que não podia deixar-se envolver pelos beijos de Rony por muito tempo; em breve o efeito da poção cessaria, e ainda tinha que aproveitar mais.
O que havia sentido ia encostar-se a outros lugares.
Ela afastou Rony com delicadeza.
-Espere... espere... – disse.
Apesar da delicadeza, Rony estranhou.
-Algum problema?
-Nenhum... – disse a falsa Hermione, de costas para ele. – Apenas... Acho que devíamos comemorar ainda mais esse retorno.
-C-como?? – gaguejou Rony; ela podia sentir a tensão do garoto, a expectativa; era formidável.
-Isso mesmo que você está pensando... – ela deu um sorrisinho e olhou para ele. – Acho que chegou o momento, Rony. O momento de nos amarmos por completo.
Ela baixou o olhar após dizer isso, como se não pudesse encará-lo.
"A CDF puritana provavelmente faria isso, ou até mesmo enrubesceria", pensou Clarissa, calculando seus movimentos, sua maneira de agir, para fazer tudo como a verdadeira Hermione faria, embora não tivesse muito tempo para isso. Precisava soar como Hermione, mas um pouco mais direta.
-Puxa, Hermione... – Rony não deixava de sorrir. – Você... Tem certeza?
-Absoluta – segurou as mãos do garoto e sentiu o quanto elas estavam suadas. – Mas não aqui. Tem uma sala disponível aqui pertinho. Venha comigo!
Puxando-o pela mão, conduziu-o até a sala; a porta (como Clarissa sabia que estaria), estava destrancada. Abriu-a e, após Rony passar, encostou-a.
-Nossa – comentou Rony, observando o local. Havia poucas carteiras no ambiente; um palco, atulhado com algumas quinquilharias, se destacava no fundo da sala. – Mione, você... Já tinha planejado tudo isso?
-Não! Claro que não! Já tinha ouvido algumas garotas falarem sobre essa sala... Escutei uma conversa no salão comunal sobre um certo encontro que ocorreu por aqui. Lembrei que estávamos por perto e, por sorte, veja, a sala continua aberta e deserta!
-Sim... Mas, onde...?
-Segundo as mesmas garotas, há um local tranqüilo atrás do palco – ela puxou-o para o fundo da sala, novamente pelas mãos. Olharam atrás do palco. Ali, havia uma cortina rosada; a falsa Hermione afastou-a, e os olhos fascinados de Rony viram um colchão azul estendido no chão.
-Puxa... – disse ele, admirado. – Muito sacana isso!
-Também acho... – ela fitou-o. – Mas, agora, será o local onde nos amaremos pela primeira vez.
Ela devia ter apenas uns vinte minutos. Ficou de costas para ele, fingindo acanhamento novamente, e começou a se despir. Como estava voltada na direção da porta, Clarissa notou quando ela foi entreaberta e pôde até mesmo vislumbrar os cabelos dourados de Draco. Apanhando a namoradinha tirando a roupa para outro, oh, como aquele golpe seria terrível para o pobre Draco Malfoy. Ela podia imaginar o ódio do rapaz ao ver aquela cena, contido apenas pelos comentários da própria namoradinha, de que ele não sabia matar. Draco fechou a porta em seguida; era bem óbvio o que ia acontecer ali, e parecia que o rapaz preferiu não presenciar o ato.
Clarissa continuou a se despir; esperava que aquilo motivasse Rony a fazer o mesmo. Após tirar a blusa, ela olhou para trás, rapidamente; para sua satisfação, Rony também se despia, um tanto desajeitado.
-Nervoso? – ela perguntou a ele, sem olhá-lo, enquanto tirava a lingerie.
-Um pouco... E você?
-Um pouquinho também. Mas atrás do palco é um pouco mais escuro. Poderemos ficar à vontade...
-É... – ela olhou-o de esguelha; Rony já estava sem roupa.
-Vou primeiro, Rony. Venha em seguida, rápido.
-Sim...
Ela afastou as cortinas e deitou-se sobre o colchão. Evitava olhar para o próprio corpo, já que era o corpo de Hermione; pelo menos a penumbra que havia ali atrás não lhe permitia ver muito daquele corpo que, para ela, era asqueroso. Infelizmente, teria que utilizar aquele material asqueroso para que o seu ruivo funcionasse corretamente.
-Estou indo... – disse Rony, abrindo a cortina. O que ela pôde ver enquanto o rapaz entrava lhe mostrou que não seria necessário muito esforço para que ele funcionasse da maneira esperada.
"Ótimo. Sem muitas preliminares; não tenho tempo para isso. Rony, vamos direto ao ponto!".
Mas estava no corpo de alguém que definia como "puritana" e, portanto, não podia falar isso... Porém, dava para agir e acelerar o processo de maneira discreta...
-Vem cá, meu amor... – ela agarrou-o pela nuca e o beijou.
A falsa Hermione estimulou-o com os beijos, com os toques de suas mãos, com o som entrecortado de sua respiração denotando prazer total. Ao se sentir inteiramente preparado, Rony posicionou-se; inexperiente, atrapalhou-se um pouco. A falsa Hermione o ajudou, e, finalmente, eles se uniram em um só corpo.
A maneira como Hermione havia se desinibido, e até mesmo o ajudado a possuí-la, fora surpreendente para Rony. Mas ele desconsiderou isso; o que importava era aproveitar o momento. E, como já tinha ouvido falar, as pessoas tornam-se surpreendentes quando estão com a pessoa amada entre quatro paredes, ou, neste caso, escondidas atrás de um palco, em uma sala vazia...
Uma forte pontada de dor assolava a cabeça da verdadeira Hermione quando ela despertou, no chão do banheiro. Houve apenas alguns segundos de confusão antes que as imagens do que havia ocorrido tomassem conta de sua mente.
Seu próprio rosto, feroz... Uma outra Hermione, atacando-a...
Uma outra Hermione.
-Poção Polissuco... – ela murmurou, erguendo-se com dificuldade. – Alguém... se transformou... em mim... – ela ficou em pé. Quase se estatelou no chão novamente quando percebeu quem poderia ter feito isso. – O inimigo desconhecido.
Ela voltou-se para a porta. Girou a maçaneta e destrancou-a.
Lá estava o banco onde sempre deixava a varinha e as roupas. O banco estava vazio, exceto por sua varinha. Mas onde estariam suas roupas?
Claro. Estava com a outra. A outra Hermione precisava estar vestida à caráter.
Este pensamento fez com que ela prosseguisse, ignorando o cansaço e a dor na cabeça.
Nua, Hermione foi até o banco e apanhou sua varinha. Conjurou uma toalha e cobriu-se. Saiu do banheiro, sem saber exatamente para onde devia ir; apenas sabia quem devia encontrar.
Rony. Precisava encontrar Rony...
O inimigo misterioso parecia odiar Rony. E, com a aparência de Hermione Granger, poderia levá-lo direto para o abate.
Mal sabia ela que o inimigo tinha outros interesses...
-Humm, Rony... – ela riscou as costas dele com as unhas. Rony, ofegante, deitou-se ao lado dela e abraçou-a. – Querido, foi maravilhoso...
-Para mim também – disse ele, beijando-a. – Sabe, Mione, eu imaginei que seria de diversas maneiras diferentes, me perdia nesses devaneios e nenhuma delas, nenhuma,foi tão perfeita quanto esta.
-Foi ótimo mesmo. Já superou as minhas expectativas simplesmente por ter acontecido, e o ato em si foi incrível...
Rony ergueu uma das sobrancelhas.
-Como assim "simplesmente por ter acontecido"? Você chegou a pensar que isso nunca aconteceria entre a gente?
-Só... algumas vezes, Rony... Depois que a gente rompeu... – ela conseguiu responder; era complicado pensar como outra pessoa a cada segundo.
Houve um lado bom em cometer aquele erro; serviu como um lembrete para Clarissa.
O que ela ainda estava fazendo ali, aninhada nos braços de Rony?
-Ah, preciso ir, querido... – falou a falsa Hermione com urgência, levantando-se do colchão e apanhando as roupas no canto onde as peças foram arremessadas. Não sabia exatamente quanto tempo ainda lhe restava – perdera a noção de tempo enquanto se atracava com Rony – mas ela calculava que ainda teria uns três minutos – no máximo.
A sobrancelha de Rony arqueou-se ainda mais ao presenciar a súbita pressa de Hermione, que começava a se vestir.
-Algum problema, Mione?
-Não... Nenhum... Só quero tomar um banho, Rony, apenas isso...
-Você não podia deixar isso pra depois? Seria bom ficar aqui mais um pouco, curtindo esse momento que foi tão importante para nós dois. Ficarmos abraçadinhos... Vem cá...
A falsa Hermione lançou um olhar carinhoso na direção de Rony, olhar que ele não pôde captar devido à semi-escuridão.
-Desculpe, Rony, mas quero tomar um banho. Talvez, mais tarde, a gente comemore de outra forma – ela não esperou uma resposta; simplesmente afastou a cortina e saiu do esconderijo. – Até logo! – despediu-se, sem olhar para trás.
Rony ficou aturdido por um momento. Não havia dúvida alguma de que Hermione havia gostado; enquanto faziam amor ele ouvira os seus gemidos de satisfação, como todo o corpo da garota se retorcia de prazer. Sem falar na forma selvagem com que ela arranhara suas costas logo após o clímax, arrematando com um suave "querido, foi maravilhoso".
Talvez ela quisesse ficar um pouco sozinha; ou até mesmo contar às amigas. Fora a primeira vez de ambos e, embora Rony quisesse permanecer ao lado dela, talvez Mione preferisse outras companhias – ou nenhuma.
Exausto, tranqüilo na privacidade concedida por aquela sala e pelo esconderijo atrás do palco, Rony resolveu permanecer ali, deitado, se recordando daquele momento que, com certeza, nunca ia esquecer. Fora um momento único.
A dois corredores dali, a falsa Hermione voltava a ser Clarissa.
Alone dormia em uma das poltronas do salão comunal. Após vingar-se de Colin – precisamente depois que a onda de prazer que havia experimentado ao vê-lo humilhado diante de todos passou – ela sentiu uma profunda exaustão. Acabou caindo na poltrona, e poucos segundos depois, já estava dormindo.
O sonho que teve durante aquele breve repouso não foi muito agradável...
No sonho, Alone se encontrava perdida, em meio a uma profunda névoa. Era um sonho muito vívido, e, ao perceber que estava sem saída, sem ter como encontrar um meio de se livrar daquela névoa, Alone começou a entrar em desespero. O coração quase saía pela boca; para todos os lados em que olhava, só havia névoa, a maldita névoa, ela e nada mais...
Ela começou a caminhar a esmo pela névoa, esperando que, de uma hora para outra, ela se dissipasse. Ela não se dissipou, mas algo surgiu, de repente, no caminho de Alone. Ela sentiu os pés se chocarem contra algo sólido, algo que emanava calor. Como era impossível enxergar algo que estivesse abaixo dos seus joelhos, Alone se agachou para verificar o que seria aquilo.
Deparou-se com a ponta de uma tora de madeira, enegrecida. Naquele momento, descobriu que, afinal, não era névoa aquela coisa chata que restringia o seu campo de visão, e sim fumaça. Alguém havia apagado uma fogueira.
Ainda agachada, Alone avançou. Não havia apenas aquela tora de madeira. O que se revelou diante dos seus olhos, lentamente, foi algo assombroso.
Diversas toras e galhos se amontoavam, bloqueando o caminho. Ela não podia calcular a altura, mas, ao ficar de pé, Alone não chegou a visualizar o topo – a lenha era maior do que ela.
Ela não podia imaginar quem havia feito aquilo, mas com certeza a pessoa havia armado a maior fogueira do mundo. O tamanho explicava a enorme quantidade de fumaça que envolvera o local.
Quão potentes não teriam sido as labaredas...
Ela ouviu sons de passos. Passos se aproximando. Finalmente, alguém aparecera para tirá-la dali, livrá-la daquele labirinto de fumaça...
Era Joyce.
-Oi, Alone! – ela cumprimentou, sorridente.
-Olá! Que bom que apareceu, Joyce. Estava precisando de ajuda para sair daqui.
-Ah, sim, claro. Mas, conte-me, como vai você?
-Você sabe muito bem. Nos vemos todos os dias.
-Quem dera ainda fosse assim. Sinto muita falta do tempo em que estudávamos em Hogwarts...
-Mas nós ainda... – ela refreou-se. Havia algo diferente no rosto de Joyce: o cabelo estava mais curto. Além disso, Joyce parecia ter encorpado. No tempo em que estudávamos em Hogwarts... Será que o tempo havia passado e ela não tinha percebido? – Joyce... Qual é a sua idade mesmo?
-A mesma que a sua! Achava o quê, que eu era mais velha? Tenho 23 anos muito bem vividos e aproveitados – ela revirou os olhos.
-23... Uau! – ela exclamou. – Mas, conte-me, o que anda fazendo?
-Sexo. Muito sexo, sexo demais... Ah! E nem te conto... Ontem minha flor ficou toda borrada de "creme" depois de uma passadinha na Floreios e Borrões.
-Hum... Pegou quem? O gerente?
-A loja toda!
-Oh!
-Rodei na mão de todo o mundo! Virei uma espécie de atração da livraria! Eles vinham, aproveitavam, gozavam e tchau! Sabe, teve uma hora que eu já estava chamando: Próximo!
-Oh! Era uma atendente depravada!
-É, quase isso! Queria ficar naquela loja para sempre! Nem ia cobrar. Acho que devia fazer isso, e divulgar esse modo de vida. E queria ser chamada de um jeito especial... Hum! Recepcionista... – ela apontou para o meio das pernas. – Trabalhando duro, porque mole, não dá...
-Gostou de algum deles?
-Teve um que era mais arredondado, firme, e...
-Não, Joyce, de um dos homens.
-Ah, sim. Achei que estava falando do...
-É, percebi. Mas, então, nenhum dos caras era interessante?
-Tinha um que era... perfeito!
-Como ele era?
-Careca... Tinha o rosto um pouco marcado, acho que teve um sério problema de acne quando era mais jovem... Uma barriga de grávida de quatro meses... Os dentes eram meio irregulares, uns mais acima do que outros...
-Essa coisa aí era o melhor?
-É que você não sentiu o que ele tinha mais para baixo. Ah, desculpa, amiga, mas... Não tem como, Alone, acabo sempre os avaliando por esse critério!
-O mesmo critério de sempre... O tamanho...
-Pois é. Não consegui mudar até hoje, e acho que não vou mudar nunca mais. O dele fazia o do Juca Slooper parecer uma piada... Lembra do Juca?
-Sim.
-E pensar que, se não tivéssemos encontrado a reversão para a Fogueira das Paixões, estaria agüentando-o até hoje. E você foi parte essencial nisso tudo, Alone! Se você não tivesse nos informado que o caminho eram as cinzas, nunca teríamos conseguido.
Ela baixou os olhos, sem graça.
-É... Acho que não...
-Porque, se você não nos falasse... – de repente, o corpo de Joyce cobriu-se de fogo, da cabeça aos pés; Alone gritou, assustada. A voz de Joyce alterou-se, tornando-se ameaçadora. – Se você não nos falasse, a Fogueira continuaria ardendo... Ardendo e arruinando nossas vidas.
Alone começou a recuar, assustada.
-Queimando sonhos e projetos... A Fogueira continuaria nos fazendo sofrer... Arderia para sempre.
A Joyce de fogo voltou-se para a pilha de lenha. Assim que o corpo em fogo encostou-se a madeira, as labaredas se ergueram, tímidas.
-Se você não nos ajudar, a Fogueira crescerá a cada dia... Irá se desenvolver... Ganhará mais força... Vai arder com mais vontade...
-É mentira! – ela viu-se gritando. – Não está ganhando força! Veja só a reles potência dessas labaredas!
-Ficarão mais vivas. Faltam outros elementos para completar a Fogueira das Paixões...
Assim que a Joyce de fogo disse isso, Alone sentiu o calor ao seu redor aumentar. Do meio da fumaça, surgiram outras três figuras cobertas de chamas. Horrorizada, ela viu, à sua volta, Hermione, Serena e Lanísia, queimando-se.
-Esse fogo nos consome... –disse a Hermione de fogo, tocando a lenha.
-Arde demais... – berrou a Serena em chamas.
-Teremos que viver assim... Resistir... – falou a Lanísia incandescente, que, ao lado da Serena de fogo, grudou-se à lenha.
O fogo aumentou. Chamas gigantescas ardiam, ganhando maior intensidade de maneira assustadora e surpreendente. Alone protegia os olhos da forte luminosidade quando uma das vozes sombrias de suas amigas a chamou.
-Alone!
Era Lanísia.
-Estamos juntas nisso. Você teve vantagens com a Fogueira, mas também precisará arder. Você fez parte dela e está presa a ela para sempre.
Assombrada, ela viu o corpo se cobrir de chamas, um calor absurdo e insuportável envolver os seus membros, era muito quente, ela era uma chama viva, não podia agüentar, ia fechar os olhos, mas, havia algo mais ali, a fumaça havia se dissipado e ela via claramente quatro rapazes, quatro figuras flutuando, olhando-a com expressões ensandecidas, seguros no ar por fios de fogo, e eram Draco, Harry, Augusto, Lewis e Juca, mas havia algo de estranho neles, em suas feições, mas não podia definir o que era, porque o seu corpo queimava, ela não podia agüentar, fechou os olhos, ela gritou...
-AHHHHH!
Não estava mais quente; não havia mais fogueira gigantesca com formas vivas de fogo; diante de seus olhos estava o salão comunal da Grifinória.
A respiração estava acelerada; o coração ribombava no peito. O rosto de Alone estava coberto de suor frio.
Todos os presentes no salão olhavam para ela, assustados. "Não mais assustados do que eu", ela pensou, e, sentindo necessidade de lavar o rosto e respirar ar puro, ela saiu do salão comunal.
Correu pelo corredor e, na primeira curva, trombou com Hermione. Ela berrou.
-NÃO ME TOQUE! – afastou-se de Hermione com tanta pressa que caiu no chão. Ela encolheu-se, assustada; lentamente, ergueu os olhos para a amiga, por um segundo esperando ver a amiga ardendo em fogo bem à sua frente. Mas, não; lá estava Hermione, perfeitamente normal, olhando-a, intrigada. – Desculpe... Desculpe, Mione... – a amiga ajudou-a a se levantar. – Tive um sonho ruim e estou um pouco assustada...
-Eu também não estou muito bem... – disse Hermione. – No meu caso, não foi um sonho, embora pareça um pouco...
-O que faz só de toalha?
-Ah, droga, preciso me vestir antes. Se Rebecca me pega assim... Só um minuto, Alone, já desço – ela passou pelo buraco no retrato e desapareceu.
Três minutos depois, Mione voltou, vestida com uma camiseta e calças jeans.
-Agora diga: o que houve? – perguntou Alone.
-Alguém tomou Poção Polissuco para se transformar em mim, Alone! Golpeou-me na cabeça para me tirar de circulação enquanto se passava por mim! E, agora... – ela começou a chorar. – Acho que essa pessoa está com o Rony...
-Com o Rony?? Por que estaria com ele?
-Para fazer mal a ele. Talvez... até mesmo matá-lo...
-Minha nossa... Tem certeza?
-Sim. Preciso encontrá-lo, Alone, antes que seja tarde demais... Ele deve ter sido levado para algum lugar, para que a pessoa pudesse lhe fazer mal.
-Entendo... Podemos dar uma olhada no salão comunal...
Mione fitou-a, irritada.
-É de fato é um ótimo lugar para matar pessoas! Que tal olharmos no Salão Principal e na sala da diretora?
Alone levou as mãos à boca, assombrada:
-Você acha que a pessoa teria tamanha audácia?
Hermione revirou os olhos.
-Esquece – ela segurou a mão de Alone. – Eu decido os caminhos que vamos tomar – e elas começaram a efetuar a busca no castelo.
Clarissa retirou as roupas do esconderijo e carregou-as até o banheiro, onde se vestiu, livrando-se das roupas de Hermione.
-Ah como foi bom... Que momento delicioso! – ela comemorava diante do espelho. – Só assim mesmo para tirar proveito do pobretão; disfarçada.Mas foi bom demais... Estava em outro corpo, mas eu o senti, fui acariciada por ele, amada por ele. Se não fosse tão pobre, ai, ai...
Ela ia deixar as roupas da garota sobre o banco quando teve uma idéia.
-Hum... Ela me enganou, ao lado de Rony, com o namoro secreto. Acho que vou provocá-la um pouquinho mais. A punição deve ser maior... – disse, conjurando um giz amarelo e armando a cena.
Joyce e Lanísia estavam na Sala Precisa, observando Lewis enquanto conversavam. Lanísia não se conteve e contou para a amiga as descobertas que havia feito na mansão de Ted.
-É impressionante... – comentou Joyce. – Nunca podia imaginar que ela foi madrasta dele! Pensei que eles tinham outro tipo de relação...
-Sexual, aposto.
-É, isso mesmo... Talvez um caso, uma "rapidinha". Uma experiência com a terceira idade...
-Será que ele ficou com raiva da Frieda por que o pai se matou?
-Não sei... Acho melhor esperarmos a próxima reunião das Encalhadas para discutirmos melhor...
-Você parece meio estranha hoje, Joyce... O que aconteceu?
-Preciso dar.
-Ãh?
-Preciso dar com urgência! Sabe quando você se depila e fica com aquela vontade louca de fazer sexo?
Lanísia a olhou, confusa.
-Não – respondeu.
-Ah... Mas é isso que acontece comigo! A minha amiguinha ficou tão bela que parece um crime nenhum homem a apreciar.
-Você está sem dar desde que começou o rolo com o Juca, não é?
-Sim. Por isso que começo a ficar esquisita. Você sabe bem como tenho oscilações de humor quando fico em abstinência...
-Bom, na verdade essa é a primeira vez que a vejo em abstinência desde que você começou a dar por aí...
-Pior que você está certa... E você e o professor, como estão?
-Muito bem. Aliás, acho que vou atrás dele hoje, para fazermos besteirinhas... Preciso aliviar o stress, e nada melhor para se acalmar do que um bom amasso.
-Vamos dar então?
-Demorou! – disse Lanísia, animada. Ela olhou para Lewis. – E... Vamos deixá-lo sozinho?
-A Serena deve voltar logo. Mas, se você preferir... fique aqui mais um pouco. Só sei que eu vou atrás de um homem agora mesmo.
Lanísia hesitou por alguns segundos; depois, decidiu:
-Ele vai ficar bem, mesmo sem vigilância. Vamos!
Assim, as duas saíram da Sala Precisa. Lanísia foi atrás de Augusto, enquanto Joyce começou a observar os rapazes do castelo, à procura de um companheiro para traçar a amiguinha depilada em forma de coelhinho.
-Não vamos conseguir encontrá-lo a tempo... – lamentou-se Hermione, que continuava percorrendo os corredores ao lado de Alone.
-Acalme-se, vamos encontrá-lo. Não sei como ele estará quando o encontrarmos, mas...
-AH! Não me assusta!! – Mione parou e começou a chorar de novo.
-Pare com esse chilique, Hermione, vamos logo! – Alone puxou-a pelo braço. – Se demorarmos ele pode ser degolado, estripado, decapitado...
-Não me assusta!
-Está bem, parei.
Quando passavam por salas, Alone experimentava a maçaneta; se a porta estivesse aberta, elas espiavam o local para ver se havia algum sinal de Rony.
No momento, estavam no quarto andar. Alone espiou mais uma das salas; dessa vez, Hermione aguardou no corredor, torcendo as mãos.
-E então? – perguntou para Alone.
-Não tem nada na sala. Só uma cabeça largada no chão...
-OH! C-cabeça? Do Rony?
-Não, cabeça de alho – ela pareceu surpresa. – Talvez alguém tentou espantar um vampiro em algum dever realizado nessa sala. Nossa, Hermione, quanto stress! Você só pensa o pior...
Hermione resolveu não discutir.
As portas que experimentaram a seguir estavam trancadas. Depois de diversas decepções, encontraram uma aberta.
-Vai entrar? – perguntou Alone.
-Claro que sim. Senão você acaba dizendo coisas assustadoras.
-Tudo bem. Mas se vir o corpo do Rony pendurado no meio da sala com as tripas para fora...
-CHEGA, ALONE! ABRE LOGO ESSA PORTA!
-Depois não diga que eu não avisei... – ela passou primeiro que Hermione.
Mione nem tinha passado pela abertura da porta quando Alone gritou:
-AHHHHHH! – ela recuou, empurrando Hermione para trás.
-Ai, Alone, o que foi? – perguntou Mione, apavorada.
-Eu vi... Oh, eu vi tudo...
-Viu o quê??
-O órgão...
-Órgão? – Mione começou a tremer. – Que órgão?? Fígado? Estômago?? Coração?
-Ele está duro...
-Não... Não, não pode ser... Meu Rony com um órgão pra fora... Tão morto que já está duro... Deve estar frio também... Preciso vê-lo... – ela passou pela porta e entrou.
-Nossa, e depois a safada é a Joyce – comentou Alone, voltando para a sala.
-RONY! – Hermione gritou, alegre, olhando para o rapaz que estava no fundo da sala, terminando de vestir-se.
-Oi, Mione.
-Que alívio, nossa... Achei que o veria morto aqui na sala... – ela olhou para Alone. – Por que me assustou?
-Como assim "assustou"? Eu disse apenas o que eu tinha visto. O órgão, que estava duro na hora em que eu entrei...
-Que órgão??
-Este – Rony desceu a cueca.
-OH! – exclamaram Alone e Hermione em uníssono; Alone virou o rosto. Ela ouviu Rony perguntar:
-Hermione... Você está bem?
Alone olhou para a amiga.
-Ai, de novo não...
Hermione estava com a boca meio aberta, com o grosso fio de baba escorrendo dos lábios para o chão, os olhos vidrados.
-Hermione... – Alone chamou-a; estalou os dedos diante dos olhos da garota. Não funcionou. – Rony, acho melhor você cobrir o órgão hipnótico.
-Ah, sim, claro... – ele vestiu-se. – Pronto.
Alone estalou os dedos novamente; dessa vez, Mione acordou.
-Amiga, você tem que se acostumar... – disse Alone.
-É... tão... diferente...
-Se você ficar desse jeito abobado toda vez que ver o negócio do Rony, como vocês conseguirão ir para a cama?
-Quanto a isso não há problema, Alone, posso garantir – disse Rony, lançando uma piscadela para Hermione.
Aquilo a tirou definitivamente do transe. Ela olhou para Rony, sem compreender.
-Como assim?
-Aquilo que aconteceu aqui na sala... Foi maravilhoso, não foi?
Mione balançou a cabeça.
-Rony, acho que você também não está muito bem... Está agindo de forma estranha, falando coisas esquisitas. Primeiro, baixou a cueca na nossa frente, depois diz que algo aconteceu aqui na sala...
-Bom, eu baixei a cueca só pra fazer uma brincadeirinha. Você já viu tudo mesmo... Já nos conhecemos por completo, graças ao que fizemos aqui.
-Rony, não...
-Ah, entendi... – ele foi até Hermione e conduziu-a até o fundo da sala. Aproximando a boca do ouvido dela, cochichou. – Não quer que ninguém saiba, não é isso?
-Eu...
-Desculpe. Achava que você ia acabar contando para as suas amigas, por isso...
-Contar o quê, Rony?
-Que a gente transou, ué!
Mione arregalou os olhos.
-Mas nós não fizemos nada.
-Não? Pare com isso, Mione. A gente transou atrás do palco e foi uma maravilha... Pelo menos foi para mim, mas acho que não foi tão bom assim para você, não é mesmo? Está fingindo que nada aconteceu...
-Mas não aconteceu nada! Eu, pelo menos, não fiz nada com você...
-Fez sim. Não precisa ficar com vergonha. Conheço bem o seu rosto, e, agora, o seu corpo.
Mione ia replicar, mas não conseguiu encontrar as palavras. De súbito, ela compreendeu.
Não estava preocupada por que alguém havia se passado por ela? Então, Rony dizia que os dois tinham transado naquela sala. De fato, Rony havia se deitado com umaHermione, mas não com ela. Com a falsa Hermione.
Os objetivos do inimigo desconhecido eram mais baixos do que ela imaginava...
-Mione... – ele levantou o rosto dela, carinhosamente. – Foi um momento maravilhoso. E, você sabe, um momento único. Jamais irá voltar. Perdemos a virgindade juntos, fizemos tudo por amor.
Uma lágrima escapou dos olhos de Hermione. Para Rony, aquela era uma lágrima de emoção...
-Fico muito contente por ter sido a minha primeira mulher. E, pode ter certeza, por mim será a única.
Ela tirou as mãos dele do rosto. Mione perdeu o controle; as lágrimas corriam pelo seu rosto, sem parar. O inimigo desconhecido não matara Rony, mas roubara um momento maravilhoso que devia passar ao lado de Rony.
-EU NÃO FIZ AMOR COM VOCÊ! – ela gritou. – NÃO FIZ!
Rony a observava, assustado.
-FOI O INIMIGO DESCONHECIDO! A mesma pessoa que tentou matá-lo! Agora, tenho fortes suspeitas de que seja uma mulher, porque essa pessoa me fez desmaiar e tomou o meu lugar para transar com você! Para roubar o nosso momento! E conseguiu!
-Mas tenho certeza de que era você...
-Poção Polissuco, Rony! Era outra garota, se passando por mim.
Rony empalideceu.
-Bom, talvez não seja uma mulher... – disse Alone, intrometendo-se.
-A pessoa dormiu com ele! – falou Mione.
-É, mas pode ser o Colin Creevey, ou o Blás Zabini...
-Seja quem for... – ela voltou-se para Rony novamente. – Estragou tudo...
Ela virou e correu para a porta.
-Hermione, espera! – gritou Rony; ia saindo da sala, mas parou ao lado da porta. Olhou para Alone. – Colin Creevey ou Blás Zabini?
-Não quero ficar falando da opção sexual dos outros, Rony... – ela sacudiu os ombros.
-Não quero falar de ninguém! Mas você... Acha que pode ter sido... Um dos dois?
-Assim... Não é para assustá-lo, mané, mas... – ela suspirou, pesarosa. – Acho que é possível.
-Minha nossa... – Rony ficou enjoado.
-Não precisa desmaiar, também. Veja pelo lado bom... Podia ser a alma de um homem, mas você traçou um corpo de mulher! – ela fez uma voz infantil grotesca. – Era um homem com uma linda vagina!
Rony a fitou, aturdido.
-Isso é... bom?
-É, está bem, não é bom, mas a besteira já foi feita, é melhor você ir atrás da Hermione e depois lavar bem o órgão aí embaixo.
-Com certeza. Vou precisar desinfetar... – ele caminhou para a porta novamente.
-Rony!
-O que é, Alone? – perguntou ele, parando.
-Parabéns pelo órgão.
-Oh... – ele deu uma risadinha. Tranqüilo, escorou-se na porta. – Obrigado. Eu estava animado lembrando o que foi feito atrás do palco, por isso ele estava daquela forma quando você...
-Rony...
-Diz aí – ele falou, passando a mão por cima da calça num gesto convencido.
-A Hermione.
-É, ela gostou... Putz, A HERMIONE! – finalmente, lembrando-se, ele disparou pelo corredor.
Alone balançou a cabeça. Ficou parada no meio da sala por um instante; em seguida, foi até o palco e espiou a parte de trás. Afastou a cortina e viu o colchão amassado.
-É... De fato, alguém pegou o Rony de jeito... Quem será que fez isso?
Juca Slooper perambulava pela escola, nervoso, sem saber onde poderia fazer o que pretendia... Praticar as posições do seu maravilhoso Manual Posicionado de Posições.
Joyce, que continuava procurando alguém para sair da abstinência, viu o rapaz e desconfiou da maneira como ele caminhava. Era como se Juca pretendesse fazer algo errado. Ela resolveu se aproximar.
-Juca? – ela chamou-o.
-Oh Joyce! – ele assustou-se um pouco e agarrou o livro que segurava.
-O que tem aí? É o tão famoso manual?
-Sim... Mas não quero que você o veja. Ia estragar a surpresa. Você poderia ver as posições que estou aprendendo com o manual.
-Aprendeu muitas coisas? – ela perguntou, com desdém.
-Bastante! Está ansiosa em ver a minha performance, não é? – ele riu e cutucou-a com o ombro. – Safadona!
-É... – ela confirmou, desanimada. – Quero ver só se você aprendeu mesmo a usar essa piada que você tem no meio das pernas.
-Piada??
-Sim. O seu amiguinho aí – ela apontou.
-Ah.
-Sacou? Ele é uma piada.
-Nossa, Joyce – ele pareceu perplexo. – Não sabia que eles também eram chamados assim.
-"Eles" quem, traste?
-Os pênis. Porque, você sabe, eles são chamados de diversas formas. Mas piada eu não conhecia...
-Eu não estava falando dos pênis de todo mundo, anta, eu estava falando do seu!
-Eu sei. Para que mexer com as piadas dos outros, não é mesmo?
Joyce deu um tapa na testa.
-E pensar que preciso ter paciência com uma coisa dessas...
-É, só um pouco de paciência, querida. Não é preciso muito tempo. Logo fico craque e vou poder colocar a minha piada em você de diversas maneiras.
-Sei... Bom, já fiquei esgotada por hoje. Até logo, Juca...
-Até logo! – ele sorriu, animado. Enquanto se afastava, Joyce deu uma discreta "ajeitada" na calcinha, que entrava em lugar indevido. Juca, ao ver o movimento, suspirou de paixão. – Oh... Que sexy!
Quando Joyce saiu de seu campo de visão, Juca voltou a assumir o ar de "eu estou fazendo coisa errada e não quero que ninguém perceba" e continuou a procurar uma "sala de treinamento".
Encontrou uma sala cuja porta estava entreaberta. Juca nem hesitou; passou pela porta e, em seguida, trancou-a.
O aposento não era muito amplo, mas era o suficiente. Não havia carteiras, apenas prateleiras nos cantos, encostadas nas paredes, algumas altas e outras menores.
-Perfeito – disse Juca, admirando o espaço livre da sala. – Muito espaço para o meu treino!
Juca colocou o manual no chão e, em seguida, começou a se despir.
Serena abriu a porta do dormitório e estranhou. Um cheiro forte vinha do quarto de Frieda. Um cheiro de...
-Incenso... – murmurou Serena, intrigada.
O que Frieda estaria fazendo?
Ela pensou em deixar para lá, mas a curiosidade era maior. Sentia uma grande necessidade de ver o que ocorria por trás da porta. O máximo que poderia acontecer era levar uns gritos de Frieda, ouvir algumas ofensas – coisas com as quais ela já estava habituada.
Assim, ela foi até a porta e a abriu.
O quarto de Frieda estava iluminado por poucas velas. O que Serena viu ali a fez perceber que, afinal, gritos e xingamentos não eram as piores coisas que poderia esperar dali...
Diante dela estava um verdadeiro circo dos horrores.
Ela caminhou até a primeira vela, que iluminava um cartaz. Nele, em letras gigantescas, estava escrito:
CASOS DE INCESTO GERAM CRIANÇAS COM PROBLEMAS FÍSICOS.
Ela deu alguns passos e foi até a outra vela, que iluminava um boneco deformado. A cabeça do boneco fora amassada para baixo em um dos lados, o que lhe deformara o rosto.
Serena estremeceu e começou a chorar...
Mais adiante, havia outra vela, iluminando um cartaz...
AS RELAÇÕES COM SEU IRMÃO PODEM GERAR CRIANÇAS DEFORMADAS.
Na parede do fundo, sobre uma prateleira, outra vela, iluminando três bonecos, que foram colocados lado a lado.
O primeiro deles tinha um dos braços colados ao peito; outro estava caído de lado, sem uma das pernas; o último era desprovido de braços e pernas e, de seus olhos, saíam lágrimas de tinta vermelha, numa maldosa imitação de sangue.
E, finalmente, a última vela, iluminando um outro cartaz, escrito com a mesma tinta vermelha.
SERÁ QUE AS CRIANÇAS INOCENTES MERECEM PAGAR PELA SAFADEZA DE SEUS PAIS?
Serena levou as mãos à boca; ela reconhecia a letra de Frieda naqueles cartazes, sabia que fora ela quem armara todo aquele espetáculo cruel justamente para atingi-la. Mas o pior é que era tudo verdade. Ficando ao lado de Lewis ela podia gerar uma criança com problemas; uma criança que carregaria um problema físico pela vida inteira...
Sem fôlego, ela cambaleou pelo dormitório, até a saída; precisava sair daquele lugar terrível, aquele lugar com os bonecos deformados, as palavras dos cartazes, as velas, o odor desagradável do incenso – provavelmente colocado ali apenas para atraí-la.
Passou pela porta e fechou-a atrás de si. Ficou parada por um momento, sem conter as lágrimas.
As crianças deformadas...
As crianças inocentes...
A safadeza dos pais...
Horrorizada com tudo aquilo, Serena saiu do quarto, chorando, sem saber para onde ir.
De uma sala, Frieda registrou a passagem da garota e sorriu. Serena havia entendido o recado.
-Veremos agora para onde vai a determinação dela em casar-se com o Lewis... – ela murmurou, contente.
Hermione correu até o banheiro onde fora nocauteada por "ela mesma"; precisava verificar se não encontrava alguma pista de quem havia feito tudo aquilo. Lançou um olhar para trás antes de entrar no banheiro; até o momento, não havia sinal de Rony.
Ela ficou surpresa ao ver que as suas roupas estavam no banco. Mas havia algo a mais no banheiro, algo que chamou a sua atenção. Na parede. Palavras escritas a giz amarelo com uma caligrafia irregular.
HERMIONE, FOI BOM PRA VOCÊ?
PARA MIM FOI ÓTIMO.
Ela começou a chorar outra vez, atingida por aquelas palavras. Com a visão embaçada devido às lágrimas, ela curvou-se para o banco para apanhar as roupas. No momento em que se curvou para apanhar as peças, ela leu as palavras que estavam riscadas sobre o banco.
SEU NAMORADO MANDA MUITO BEM. FIQUEI MALUQUINHA.
Com as mãos trêmulas, Mione jogou as peças de roupa sobre o piso do banheiro e, com um movimento da varinha, queimou-as. Não conseguiria usar mais nada daquilo.
Enquanto o fogo ardia no chão, Mione apagou as inscrições feitas a giz. Havia acabado de jogar no lixo o que havia sobrado de suas roupas quando Rony apareceu.
-Hermione... – ele entrou no banheiro, e, sem dizer mais nada, abraçou-a. – Desculpe-me. Eu não podia imaginar...
-Eu sei... Sei que não teve culpa. Foi tudo bem planejado. Bem armado... Como todas as coisas que essa garota fez contra nós dois.
-Garota? Você tem certeza de que foi uma garota?
-Agora tenho. Ela fez questão de deixar claro em umas... palavras que escreveu na parede do banheiro...
-Ah, que bom... – Rony suspirou, aliviado.
-Bom??
-Oh, desculpe, é que pelo que a Alone disse lá na sala, pensei, por um momento, que tinha transado com um homem com vagina, então...
-Rony! – ela exclamou, horrorizada; havia retomado um pouco do controle e não estava mais chorando (talvez tenha esgotado o estoque de lágrimas, ela pensou, morbidamente). Mas o que Rony disse a fez se entristecer ainda mais. – Você não dormiu com um rapaz disfarçado de garota, foi com uma garota mesmo, mas isso não melhora o que aconteceu.
Rony achava que melhorava (e muito), mas resolveu ficar quieto.
-Tem uma coisa que não consigo entender... – disse Hermione. – Como pôde cair na conversa da garota? A gente não está junto! Você pensou que, do nada, eu ia aparecer e querer dormir com você?
-Não foi uma simples proposta, Mione! A garota, seja lá quem for, é muito esperta! Ela falou sobre tudo o que nós passamos, inclusive sobre o nosso rompimento; pediu-me desculpas. Foi como se ela soubesse... – ele se interrompeu; Rony arregalou os olhos e completou. – ... de tudo.
Diante dele, Hermione expressava a mesma surpresa.
-Como poderia saber? – ela perguntou. – Tomamos tanto cuidado para que ninguém descobrisse.
-E não contamos para quase ninguém...
-Para quase ninguém... Mas falamos, Rony. Ou melhor, eu falei.
-Espere aí, você está achando que foi uma das garotas?
-Sim. Por mais que não queira acreditar, é o mais provável. Somente duas pessoas sabiam do nosso namoro: Alone e Joyce. Tudo bem, alguém pode ter descoberto sem que a gente soubesse, mas, no momento, só posso pensar nas duas.
-Acho que elas não teriam razões para me odiar tanto, Mione.
-Vai ver uma delas tem e a gente não sabe. Mas eu vou descobrir, Rony. Nunca pensei que teria que fazer uma coisa dessas, mas terei que investigar duas das minhas melhores amigas.
-Já imagina como fará isso? Por que, se elas perceberem, podem ficar magoadas, e talvez não tenham nada a ver com tudo isso...
-É, preciso encontrar uma maneira delas não perceberem. Vou recorrer aos meus outros amigos: os livros!
Ela ia sair do banheiro quando Rony a interrompeu.
-Mione...
-O que foi?
-Sabe... Por mais terrível que essa outra Hermione seja, ela falou algumas coisas que me levaram a... bom, "perdoar você", de certa forma. Fez-me enxergar algumas coisas...
-O quê, por exemplo?
-Eu consegui compreender que o que aconteceu com o Draco foi algo puramente físico, sem envolvimento emocional. E que você se arrependeu e que isso não vai acontecer novamente... Bom, essas foram as palavras da falsa Hermione...
-Mas fazem jus às minhas palavras – disse Mione. – Não vou dar nenhum mérito para essa safada que dormiu com você, mas acho que ela precisou me imitar com precisão, e conseguiu, pelo menos em relação ao que sinto. É exatamente isso, Rony – ela o agarrou pela nuca. – Não vai acontecer novamente. Vou encontrar a forma de reverter o poder do que fiz e nem precisarei mais fingir que estou apaixonada pelo Draco.
-Eu entendo. Então, vamos voltar a namorar? Olha que a falsa Hermione aceitou... Ai!! – ele resmungou depois de receber um beslicão no braço.
-Vamos sim. Eu preciso muito de você. É parte essencial do meu ser... Essa ordinária roubou um momento especial, mas muitos outros virão por aí.
-Claro que virão... – e os dois se beijaram. Quando se desgrudaram, Rony lançou um olhar desaprovador para o ambiente. – Lugar nem um pouco elegante para um momento romântico...
-Ah não importa... Agora, vou indo, Rony. Por mais que o fato de termos reatado o nosso namoro tenha sido resultado das armações provocadas por essa ridícula desconhecida, ela me humilhou e me deixou por baixo, sem falar nas vezes em que tentou matá-lo. Vou descobrir quem é ela.
-Tudo bem, mas tome cuidado.
-Você também – ela o beijou novamente e saiu do banheiro.
Durante todo o caminho, Hermione não parou de pensar... Joyce ou Alone: uma delas podia ter feito tudo isso – era muito provável. Qual delas? Mione não sabia de qual suspeitar... Eram amigas...
No entanto, ela tinha que desconfiar. E ia tirar a prova de maneira discreta, para que as amigas nem percebessem. Ia encontrar a maneira ideal de descobrir a verdade.
Joyce decidiu ir até Hogsmeade. Não viu nenhum rapaz muito interessante em Hogwarts; a maioria ela já havia levado para a cama, e não estava interessada em umreplau, como costumava chamar esses momentos – um replay depravado. Era dia de algo inédito.
Foi esse o motivo que a levou ir até o povoado. Já tinha conhecido a cama de alguns habitantes do vilarejo, e foram ótimas experiências.
Lançou uns olhares para alguns homens que estavam na Rua Principal, mas ela não foi até eles; ainda não era o que ela procurava.
Entrou no Lorenzo´s para beber alguma coisa e verificar os homens que estavam presentes no recinto. Aproximou-se do balcão. O atendente estava de costas.
-Oi... – ela chamou.
O atendente virou-se. Era Lorenzo. Já havia visto Lorenzo antes, mas, como estava com o desejo à flor da pele, examinou-o com atenção. Achou-o interessante; com certeza, bem experiente. Continuava usando o penteado moderno e o seu jeito jovem cativou Joyce. Encontrou o que estava procurando.
-Olá, Lorenzo – ela cumprimentou-o, abrindo alguns botões da camisa para chamar a atenção.
-Olá – ele sorriu, lançando um breve olhar para os seios da garota. – O que deseja?
-Humm... Deixe-me pensar... Ah! Já sei! Acho que vou querer um orgasmo... Será que pode me levar a um?
-Claro que sim – ele respondeu, embasbacado. – Puxa, você é bem direta mesmo.
-É, sou sim.
-Mas se descobrirem... Isso pode me render problemas...
-Por quê? Sou maior de idade, você não tem relação alguma com a escola, estou livre, você também está. Qual é o problema? Vamos transar!!
-Shh... Fale mais baixo.
-Como é, não vai atender o meu pedido? Se não encontrar um orgasmo aqui, vou até outro bar, ou até mesmo ali na esquina. Aposto que muitos caras adorariam receber uma proposta como esta.
-Não, não precisa procurar em outro lugar. Você já me deixou excitado, agora vai, com certeza, receber o seu pedido, danada. E eu também vou receber um.
-Não tenha dúvidas, Lorenzo. Eu faço de tudo... – ela passou a mão pelo peito dele; Lorenzo tirou-a rapidamente.
-Vamos com calma... Olha, tenho alguns quartos no bar, e poderíamos usar um deles...
-Não, não...
-Quer fazer aonde, então?
-Aqui no saguão principal do bar.
-O quê? Mas isso é impossível!
-Pára, você é o dono do bar, faça ser possível e pronto. Não complique as coisas. Quero fazer aqui – ela passou a mão pelo balcão.
-Tudo bem, vou dar um jeito.
Conversando amistosamente com os poucos clientes que estavam no bar, Lorenzo conseguiu dispensá-los. Não deixaria o bar fechado por muito tempo, apenas por duas horas, só precisava resolver alguns assuntos internos com os funcionários, depois eles poderiam voltar.
Quando conseguiu dispensar todo mundo, os três funcionários se aproximaram, ansiosos.
-Fiquem tranqüilos, não há nenhum assunto interno para resolver...
-Mas você disse...
-Se vocês olharem bem, vão perceber que não foram todos os clientes que saíram... – ele indicou Joyce aos rapazes; ela continuava sentada diante do balcão. – Quero ficar a sós com ela.
-É a Joyce Meadowes! – disse o mais velho dos funcionários. – Muito gostosa! Poxa, Lorenzo, podia nos ajudar também... Que tal dar a idéia para ela, hein? A gente pode se revezar. Você a traça primeiro e depois...
-Nem pensar.
-Acha que ela não ia aceitar?
-Não ia? Ela ia adorar. Mas esqueçam. Hoje eu quero a Joyce só pra mim. Podem dar uma volta pelo povoado e só voltem dentro de duas horas.
Os três saíram. Lorenzo baixou as portas metálicas do bar.
-Pronto – ele voltou-se para Joyce. – Agora somos só nós dois... – ele começou a despir a camisa do uniforme. – Qual é o seu pedido mesmo, senhorita?
-Humm... – ela gemeu, acariciando os seios fartos por cima da blusa. Joyce subiu no balcão e, sensualmente, repetiu o pedido. – Um orgasmo intenso.
-É pra já! – ele disse, pulando no balcão e a beijando.
-Espere aí... – falou Joyce, apanhando um cacho de uvas de uma das caixas que Lorenzo armazenava debaixo do balcão. – Vamos brincar com frutas??
Hermione estava diante de uma das prateleiras da biblioteca, sem saber exatamente o que procurar.
Antes de pegar um livro ela devia ter pelo menos a noção do método que ia utilizar para descobrir a verdade. Imersa em pensamentos, começou a caminhar entre as prateleiras...
Ela precisava manter a concentração, mas era muito complicado. Todos os eventos ocorridos a abalaram, e, com freqüência, ela via a mente retornar para as imagens... o que ouvira... o que acontecera...
Mas foi em uma dessas recordações que ela encontrou uma ótima forma de descobrir tudo. Ela lembrou-se da reação ao ver a intimidade de Rony; a maneira como ficou espantada, de boca aberta, até mesmo babando um pouquinho... E, ao lembrar-se de que fora a mesma reação que ela teve ao vê-lo nu diante de seus olhos após o Jogo do Cabide, veio a idéia...
"Um jogo! Alguma brincadeira em que elas digam o que eu preciso saber".
Ela procurou algum livro que falasse sobre jogos; pediu orientação para Madame Pince para localizar um bom livro. A bruxa recomendou um volume inteiramente dedicado às brincadeiras.
Logo no índice, dentre os inúmeros jogos, Hermione encontrou um título que a atraiu: O Jogo da Verdade.
Com as mãos trêmulas de excitação, encontrou a página.
Diante dela, estava um texto com as regras do jogo.
N/A: Pois é, o capítulo não saiu tão rápido como eu esperava e havia prometido... Acho que vou parar de prometer hehe.
Estou postando logo depois que terminei de escrever o capítulo. Ainda não o reli para corrigir os erros, por isso, se passou algum erro de digitação peço desculpas - o erro será corrigido logo. Alguns personagens acabaram ficando sem muito destaque no capítulo, mas não existe maneira de dar destaque para todos em um único capítulo.
Obrigado, e aguardo os comentários!!
