CAPÍTULO 30
O Jogo da Verdade
Hermione começou a ler as regras do jogo...
O JOGO DA VERDADE
É uma ótima brincadeira realizada para descobrir segredos. Afinal, o encantamento do jogo não permite que os participantes mintam.
É definida uma punição para o caso de ocorrer uma mentira (a lista de penitências consta na página a seguir). O nome do castigo deve ser escrito em um pergaminho. Cada um dos participantes deve assinar o seu nome no pergaminho. Em seguida, um dos integrantes do grupo deve apontar a varinha para o pergaminho e pronunciar as palavras:
O FIO DA VERDADE ESTÁ FIRMADO.
Após essas palavras, a varinha que tocou o pergaminho absorve o encantamento e servirá como um fio de ligação. O grupo forma um círculo e coloca a varinha encantada no centro. O jogo começa.
É preciso girar a varinha encantada para definir quem fará a pergunta e quem irá responder. A primeira pessoa a girar a varinha é, obrigatoriamente, o dono do objeto. Quando a varinha parar, ela emitirá um fio de luz prateado que sairá das duas extremidades:
A ponta pergunta.
O topo responde.
O questionador pode realizar qualquer tipo de pergunta, sem restrições. Depois que obter a resposta, tem o direito de efetuar o Rebate, relacionado ao assunto em questão. Após a resposta do Rebate, a varinha encantada pode ser movida pelo questionador; assim sendo, uma nova rodada terá início.
Não é possível terminar o jogo sem concluir a rodada iniciada com o movimento da varinha; ao redor do grupo é formado um campo invisível que restringe a saída de qualquer participante enquanto o fio de ligação estiver ativo. A pessoa é obrigada a responder com a verdade; se mentir, será punido, e todos saberão que a verdade é o contrário do que a pessoa respondeu. Por este motivo, são recomendadas perguntas diretas, que exijam as respostas Sim e Não.
Quando o grupo decidir encerrar a brincadeira após uma das rodadas, o dono da varinha deve rasgar o pergaminho; o encanto é quebrado instantaneamente.
O Jogo da Verdade é uma ótima e divertida forma de descobrir segredos inusitados.
-E também de desmascarar falsas amigas... Faltou inserir isso aqui no texto – comentou Mione, virando a página para verificar a Lista de Penitências.
O rabo no rabo:
O mentiroso ganha um rabo de cavalo no traseiro.
O Lobisomem:
O corpo do mentiroso é coberto de pêlos enormes.
Os seios infláveis/Os testículos caídos:
Há um aumento impressionante nos seios da mentirosa; se for um mentiroso, arrastará os testículos no chão.
Clichê:
O nariz do mentiroso é alongado.
O fedor da mentira:
O mentiroso exala um cheiro repugnante.
Esses são os castigos que podem ser definidos no Jogo da Verdade.
Bom divertimento!
Hermione se desanimou um pouquinho; embora as punições fossem cruéis – imaginou como seria ruim desfilar pela escola com os peitos gigantescos – não impedia uma pessoa de mentir. Afinal, o mentiroso seria punido, porém a punição possuía um prazo.
Se o segredo que a pessoa guardava fosse muito grave – como seria, caso Joyce ou Alone a tivessem traído – essa pessoa poderia muito bem se sujeitar a um castigo.
-A não ser que eu fizesse perguntas diretas – disse ela para si mesma. – Mas dessa forma elas saberiam da minha desconfiança e, se nem uma nem outra tiverem algo a ver com isso...
Ficarão irritadas. Claro. O intuito de fazer um jogo era investigar as duas amigas sem que elas percebessem. Precisaria, então, de perguntas simples. No entanto, perguntas indiretas poderiam ser respondidas com uma mentira e, mesmo que Joyce ganhasse super-peitos e Alone um rabo sobre o outro rabo, ela não saberia a verdade.
Perguntas indiretas exigem respostas complexas; quando a pessoa diz Sim e é lograda, é óbvio que a resposta é Não; no entanto, quando ela muda o nome de algum lugar, ou de uma pessoa, ela sofre a punição, você sabe que ela está mentindo, no entanto fica sem saber a verdade; existem inúmeros lugares e inúmeras pessoas.
Conclusão...
A essência da verdade ficaria oculta da mesma forma.
-Esse jogo não serve... Droga! – Mione fechou o livro com força. – Se existisse algum castigo irreversível, poderia garantir que ninguém se sujeitaria à penitência, mas não há nenhum...
Ela apoiou os cotovelos contra a mesa e, com as mãos, começou a massagear as têmporas.
-O que faria uma pessoa dizer a verdade a qualquer custo? Qual o castigo que me daria essa certeza? – não foi preciso muito tempo para que ela encontrasse o castigo perfeito. – Todos temem a morte. Se eu pudesse definir isso... mentiu, morreu... – os olhos brilharam por um momento; em seguida, ela controlou-se. – Não... Não posso fazer uma coisa dessas. Acho que há uma restrição nas penitências. E, mesmo se conseguisse, vai que uma das meninas se esquece e acaba mentindo...
"Você não precisa definir a morte como penitência. Elas só precisam acreditar que o castigo para a mentira será este".
"Humm... Interessante".
Iniciou-se aí um debate entre Hermione e sua própria consciência; um lado pessimista trocando idéias com um lado otimista – o lado mais engenhoso de sua mente.
"E se alguma delas acabar mentindo, talvez sem querer? A mentirosa seria castigada e elas veriam que o preço não é a morte. Alguma delas pode esquecer algum fato...".
"Você esqueceria se a sua vida estivesse em jogo?".
"Provavelmente não. Na verdade, estou certa de que não...".
Ela respirou fundo, ainda debatendo com sua própria consciência:
"Mesmo assim, mesmo que eu as convencesse de que o castigo é a morte, elas não aceitariam participar do jogo se imaginarem que o preço pela mentira será a própria vida. E não tem como elas participarem do jogo sem saber qual é o castigo verdadeiro...".
"Abra o livro novamente, página 92, e veja se há algum parágrafo dizendo: 'Todos os participantes devem ter consciência do castigo para participarem do Jogo da Verdade".
Ela abriu e releu as regras; de fato, não havia parágrafo algum.
"Viu? Isso não está nas regras".
"E pelo que vejo nas regras... Na verdade, pelo que eu não vejo nas regras, eu poderia fazer com que elas assinassem e depois, somente depois, escrever a verdadeira penitência no topo do pergaminho. Quando elas assinarem, não há a necessidade de o castigo estar escrito no topo".
"Elementar, cara Srta Granger".
"Posso fazer de um modo que elas nem percebam o momento em que vou escrever o castigo no pergaminho. Elas acreditarão que o único castigo possível no jogo é a morte".
"É, é isso aí".
"Depois do jogo, o pergaminho precisa ser rasgado mesmo... Mas... Ainda assim... Elas ficariam com raiva de mim depois que eu contasse o castigo. Afinal, eu não ficaria contente se uma amiga me manipulasse para participar de um jogo onde, não seguindo as regras, eu poderia cair dura no chão...".
"Bole uma maneira de fazer com que elas pensem que você não teve conhecimento de que elas poderiam 'morrer' até o início do jogo. E, quem sabe, você não desmascara uma das duas, e, assim, pode falar a verdade para as outras... para quem merece".
"Serão necessárias algumas doses de audácia, falsidade e frieza para fazer tudo isso".
"E, olhe só, não são os ingredientes principais que compõem a essência de seu inimigo desconhecido?".
Eram. Mione fechou o livro novamente. Ia investigar as possíveis inimigas Joyce / Alone com as principais armas que uma delas devia utilizar para tramar as mais terríveis maldades.
O anoitecer se aproximava; aquele dia fora por demais exaustivo. Mione decidiu que o jogo seria realizado no dia seguinte; precisava, primeiro, dar a idéia às amigas.
Joyce deixou o cacho de uvas suspenso entre ela e Lorenzo. Lançando um olhar provocante ao bruxo, ela levou os lábios até um dos gomos e o retirou. Não o engoliu; mantendo-o entre os lábios, pediu, com as mãos, que Lorenzo se aproximasse.
O bruxo aproximou-se e puxou o gomo com a boca, deslizando os lábios na boca de Joyce...
-Que tipo de brincadeira você quer realizar?? – ele perguntou.
-Humm... Ah, na verdade, nenhum! – ela abriu as pernas. – Não gosto de joguinhos como uma das minhas amigas. Gosto de ação!!
-Ah, é pra já!!
E a ação teve início.
Em Hogwarts, Lanísia e Augusto começavam uma brincadeira em um local inusitado. O casal invadiu a despensa da cozinha da escola e, entre caixas de alimentos, frutas e conservas, começaram a se despir, enquanto roçavam os corpos um no outro.
-Espero que não apareça nenhum elfo... – ofegou Augusto, enquanto arrancava a blusa de Lanísia.
-Não se preocupe, caro professor. Eles fazem coisas desse tipo... – ela levou a mão ao cinto de Augusto e abriu-o. – São movidos pelo mesmo instinto que está nos movendo...
Eles se libertaram das peças que restavam. Augusto conduziu-a até um balcão. Afastando os potes que estavam sobre o balcão, deitou Lanísia sobre o móvel. Olhou-a com malícia, mas Lanísia interrompeu-o.
-Você já está no ponto, mas não vamos degustar os aperitivos antes de chegarmos no prato principal?
-Ah... – ele ofegou. – O que quer dessa vez?
-Bom... Estamos em um local cheio de coisas gostosas...
-Você é uma delas...
-Obrigada. Digo o mesmo a você. Então, como estamos cercados por tanto sabor, podíamos brincar com a boca um pouquinho... Degustar... Humm... – ela inclinou-se sobre ele e, com a língua, descreveu um trajeto do peito até o umbigo. – Maravilha... – comentou.
-Posso saboreá-la também??
-Não precisa nem pedir... – ela deitou-se no balcão, as mãos para trás, deixando-se disponível para o professor "degustá-la". Augusto começou a dar pequenos beijos sobre o corpo de Lanísia, partindo do pescoço. Ao chegar aos seios, ele desviou o rosto na direção do mamilo direito. Começou a beijar o mamilo; beijando-o sem parar, ouviu os gemidos de Lanísia. O mamilo começou a endurecer, deixando o bico pontudo; Augusto passou a chupar o mamilo, ao mesmo tempo em que deslizava a língua ao redor da auréola. O corpo de Lanísia contorcia-se; ele sentia os arquejos da jovem, mal conseguindo controlar o prazer que sentia.
Augusto desviou os lábios para o outro seio, cujo mamilo já estava endurecido, pontudo, ansioso para ser sugado. Neste, ele agiu de maneira diferente; concentrou a língua no próprio mamilo, fazendo movimentos ininterruptos, deliciando-se com o sabor daquele corpo.
O corpo de Lanísia estremeceu com mais força.
-Você vai me enlouquecer... – ela gemeu. – O que achou do meu gosto?
-Você é deliciosa.
-Vamos incrementar a receita??
Augusto não entendeu de início. Lanísia remexeu nos potes que ele havia afastado; enquanto fazia isso, Augusto examinava o seu corpo nu. Ela era perfeita...
Por fim, Lanísia, sorrindo para ele, mostrou um dos potes, que estava cheio de leite condensado. Ela o abriu.
-A receita da vez é: torta Lanísia. Fique atento aos ingredientes, querido professor. Meio pote de leite condensado... – ela virou o pote sobre o próprio corpo; o doce infiltrou-se entre os seios, correu pelas curvas, deleitando Augusto. Lanísia pegou outro pote, abriu-o e continuou. – Alguns pedaços de chocolate... – ela espalhou pequenos quadrados de chocolate em alguns pontos do seu corpo; nas pernas, no umbigo, no pescoço.
Imóvel, tomando o cuidado para não derrubar os pedacinhos de chocolate, Lanísia o convidou.
-Pode provar, querido mestre.
Augusto começou pelos pés; lambeu o leite condensado que havia ali, e, em seguida, comeu um chocolate que estava próximo ao tornozelo. Após pegá-lo, encheu o tornozelo de beijos.
-Está muito gostosa... Parabéns...
-Tem muito mais. Aproveite...
Ele lambeu, beijou, cheirou. Saboreava os doces com os olhos fechados, enquanto, com as mãos, acariciava Lanísia.
-Permaneça com os olhos fechados... – ela falou, baixinho. – Apenas sinta o sabor...
Ele prosseguiu, lambendo-a, o gosto dos doces misturados ao sabor da pele. Sentiu que estava no pescoço; puxando o último pedaço de chocolate com a língua, ele perguntou:
-Posso abrir os olhos agora??
-Não... Ainda tem uma iguaria que você pode apreciar antes de prato principal... Digamos que seja a "entrada".
-Humm... Já imagino o que seja... Eu mesmo vou até lá, ou...?
-Não. Eu é que vou guiá-lo. Não sou eu que estou oferecendo a você este maravilhoso jantar??
-Claro. Apenas pensei...
-Shhh... – ela levou o dedo até os lábios dele, para silenciá-lo; Augusto mordeu o dedo de leve.
-Ei! Isso não faz parte do menu!
-Então me leve logo até essa iguaria tão especial! Estou faminto! Quero devorá-la o quanto antes, dá para sacar isso??
-Pode apostar que dá – ela apertou o membro de Augusto e, em seguida, ajeitou-se no balcão, ficando com as pernas abertas. – Bom, o prato está servido. É só aproximar a cabeça um pouco mais.
-Qual delas??
-A de cima... – ela riu.
-Tudo bem... – com as mãos, ele tocou as pernas de Lanísia. Inclinando-se, Augusto encontrou a iguaria que era oferecida. Seus lábios encontraram a intimidade dela e Augusto começou a explorá-la com a língua.
Lanísia, sobre o balcão, delirava...
-Diga, professor... – ela se interrompeu, incapaz de continuar por alguns segundos. Ao se recuperar, prosseguiu. – Qual é o prato mais gostoso que você comeu até agora??
-Este – ele respondeu, antes de mergulhar a língua novamente. – Com certeza... Este é o melhor...
-Deu pra perceber... Você está se servindo com uma vontade maior...
-É uma delícia...
-Oh... – ela ofegou. – Acho que já se serviu bem... Está na hora do prato principal...
Augusto abriu os olhos e parou de brincar com a "iguaria". Ele olhou para o rosto de Lanísia.
-O prato principal, é?? – ele perguntou, ansioso.
-Sim. Você já provou o suficiente. Agora, pode meter a colher.
Obediente, Augusto mergulhou a "colher" dentro de Lanísia; ia e voltava, ia e voltava, enquanto ambos deliravam e usufruíam daquela maravilhosa refeição, que terminou regada à algo que não era vinho nem hidromel, algo que, em sua fantasia de receita-erótica, Lanísia classificou como chantilly.
Mione caminhava para um encontro secreto com Rony. Enquanto isso, captava comentários à respeito de sua criação inexistente...
-Se eu pegar aquela vadia da Tarah... Eu acabo com ela!
-É, ela atacou o meu namorado também! Ai, que ódio!
-Aquela desgraçada!!
Também cruzou com Rebecca, que irradiava nervosismo. Os ataques de Tarah não paravam de acontecer. Meninos arranhados e de roupa rasgada não paravam de aparecer. Surgiam aos montes, cada um com uma história mais fantasiosa.
Mas todos acreditavam nos ataques de Tarah.
Ao encontrar Rony, beijou-o e apresentou a ele o Jogo da Verdade, bem como as idéias para enganar as garotas.
-Não serei muito legal com elas, mas é para o nosso bem, para o seu bem.
-Tem toda a razão. E achei a idéia do jogo excelente! Você arranjou diversas maneiras de driblar as garotas! Não tem como ficarem com raiva de você.
-É. Espero que dê tudo certo. Eu não sei se torço para descobrir as mentiras de Joyce ou Alone. Será péssimo descobrir que uma das minhas melhores amigas me enganou.
-Esse jogo vai revelar a verdade a você, Mione – ele a trouxe para perto de si e a abraçou. – Você não ficará tranqüila se não esclarecer tudo isso... Já sabe quando vão jogar?
-Amanhã, Rony – ela respirou fundo. – Amanhã.
Joyce estava confusa. Muito confusa.
-Oh, Lorenzo, isso foi...
Intrigante. Era esta a palavra que ela queria dizer. Afinal, ela não chegara ao orgasmo. E isso era muito estranho...
Porém, completou a sua frase com uma palavra que agradaria ao seu parceiro:
-...demais! – forçou um sorriso.
-Também achei maravilhoso – respondeu o bruxo. – Claro que poderíamos ter aproveitado muito mais. Brincado mais com as frutas, nos divertirmos nas preliminares, mas você não quis...
-Claro que não. Nem nisso eu gosto de enrolação. Pô, uma hora vai meter mesmo, mete logo!
Lorenzo arregalou os olhos.
-É, sua filosofia é bem surpreendente... Mas, enfim, agora que tudo já foi feito, posso fazer um carinho em você... – ele começou a beijá-la no pescoço, mas Joyce desvencilhou-se e pulou do balcão.
-Ah nem vem – ela disse, começando a pegar as roupas, que estavam espalhadas em diversos pontos. – Lamento, mas preciso voltar para a escola.
-Por quê a pressa?? Tem algum compromisso por acaso?
-Nenhum. Mas já alimentei o coelhinho aqui com a sua cenoura, e agora eu e ele já estamos satisfeitos – ela apontou para o desenho da "amiguinha". – Chega de cenoura por hoje, seu coelho travesso!!
-É a primeira vez que vejo uma mulher conversando com a própria genitália...
-Qual é o problema?? Você não fala com o seu troço aí não?
-Não...
-Devia conversar. A minha coelhinha é uma boa ouvinte, e olha que ela nem tem cabeça como o seu... Aliás, será que "ele" ficou satisfeito?
-Pode ter certeza que ficou...
Lorenzo vestiu-se e ergueu as portas de entrada do bar, reabrindo o estabelecimento.
Às suas costas, Joyce suspirou, ainda preocupada por não ter atingido o ápice do prazer.
Estranho. Muito estranho...
-Quero uma bebida antes de voltar para Hogwarts... – ela disse, querendo afogar as mágoas em alguma bebida. – Um copo de cerveja amanteigada, pode ser??
-Sim, claro... – ele apanhou uma garrafa de cerveja amanteigada. Enquanto pegava um copo em um dos armários, brincou. – Achei que ia querer Demência...
-Não, já zoei o suficiente por hoje. Não quero voltar de porre.
Joyce pegou o copo que Lorenzo lhe estendia. Tomou alguns goles da cerveja.
-Está ótima...
-Olhe lá, alguns professores de Hogwarts... – apontou Lorenzo. – Flitwick... Sprout... Frieda... Ela era uma das poucas do corpo docente que freqüentava o Lorenzo´s, mas, de uns tempos pra cá, nunca mais apareceu... Você está bem?
Joyce foi tomada por um ataque de tosses; havia engasgado depois das palavras de Lorenzo: Ela era uma das poucas do corpo docente que freqüentava o Lorenzo´s...
-Frieda vinha muito aqui?
-Sim... Por quê o espanto?
-Por nada... Mas... O que ela costumava comprar??
-Comprava algumas bebidas de vez em quando... E conversava com um dos meus atendentes. Ele já tinha trabalhado para ela por um tempo...
-Qual atendente?
-Aquele que tentou matar um dos alunos da sua escola. O Walter.
Dessa vez, a informação a atingiu com maior intensidade; Joyce caiu da cadeira, indo estatelar-se no chão.
-Ai...
-Você está bem??
-Que pergunta idiota, claro que não estou! – ela levantou-se, apoiando-se nele.
-Quer que eu veja se não machucou em algum lugar?
-Não, obrigada, Lorenzo. Preciso voltar para a escola...
-Tem certeza?
-Sim. Agora eu tenho mesmo algo de importante para resolver...
Ela saiu em disparada pelas ruas de Hogsmeade; em questão de poucos minutos já se encontrava na estrada que levava à escola.
Depois de algumas horas refletindo sobre o que Lorenzo lhe contara – e sobre o que ele não provocara nela – Joyce começou a procurar as Encalhadas.
A primeira que encontrou foi Hermione, que estava sentada diante de uma das mesas de biblioteca, embora não lesse nenhum livro.
-Olá, Mione! – cumprimentou Joyce. – Está tão pensativa...
-Pois é... – ela sorriu, pouco à vontade; estava pensando no Jogo da Verdade. – Todas estamos com problemas, não é mesmo?
-Sim... Mas a solução parece estar a caminho... A reunião das Encalhadas começa dentro de alguns minutos, lá na Sala Precisa.
-Ok, daqui a pouco eu subo!
Joyce deixou Hermione e seus pensamentos de lado e foi atrás das outras Encalhadas. A próxima que encontrou foi Lanísia, que estava um tanto despenteada e parecia exausta.
-Humm... – Joyce sorriu, maliciosa. – Acho que o encontro com o professor rendeu!!
-Muito! – respondeu Lanísia. – Estou indo tomar um banho agora. Nossa, Joyce... Você nem imagina como foi!! Hoje ele quase acabou comigo!
-Você... chegou lá??
-Lá?
-É.
-Está me perguntando se cheguei ao clímax?
-Isso!
-Sim...
-Não! Que droga! – replicou Joyce, indignada.
-Ãh?? Não posso mais chegar lá, é isso?
-É... Quero dizer, não... Ah, deixa pra lá!!
-Epa, epa... – Lanísia segurou um das mãos da amiga. – O que houve, Joyce?? Posso ajudá-la?
-Não, não houve nada! Esquece!!
-Você ia atrás de um cara. Foi algum problema com esse cara??
-Não, o problema é comigo. Mas não é hora de falarmos dos meus problemas, e sim dos nossos. Mas tarde, talvez, a gente consiga conversar sobre isso. Por enquanto, não.
-Tudo bem. Quando estiver preparada, pode me procurar.
-Ok – Joyce abraçou a amiga. – Nos vemos daqui a pouco. Tenho que convocar outras meninas encalhadas e atrevidas para a nossa reunião.
A próxima a ser convocada foi Clarissa. Ela estava no Salão Principal, com dois livros abertos e um pergaminho.
-Aproveitando o tempo livre e fazendo os deveres. Que aluna aplicada!! – brincou Joyce, sentando-se ao lado da amiga.
-Nenhuma de vocês mostrou interesse em atualizar os deveres, então, resolvi fazer sozinha.
-Íamos fazer mais tarde, no salão comunal.
-Ah... Eu estava sem nada para fazer, então...
-Clarissa, minha amiga, está na hora de arrumar um namorado!
-É... Talvez...
-Ou pelo menos algum garoto para dar uns amassos. Olha, sei que você pode gostar de alguém, mas isso não significa que você não possa sair com outros rapazes!
-Jura, Joyce?? – Clarissa olhou para a amiga, desconfiada. – Sabe, eu nunca esperaria um conselho desses de uma pessoa como você.
Ela abandonou a seriedade e caiu na gargalhada, junto com Joyce.
-Engraçadinha... – disse Joyce. – Agora, se você quiser apenas uma pessoa, eu poderia ajudá-la a conquistá-lo. Se você contasse a mim o nome do felizardo...
-Não. Esquece – respondeu Clarissa. Resolveu mudar o assunto. – Veio me procurar por algum motivo específico?
-Preciso de motivos específicos para procurar minhas amigas??
-Veio?
-Sim – admitiu, a contragosto. – Foi para avisar que a reunião começa daqui a pouco, na Sala Precisa.
-Tudo bem, só vou concluir essa redação e subo. Estou quase no final.
-Ok!! Não demore!
Para encontrar Alone, não foi necessário muito esforço. Bastou seguir os gritos.
Eram duas vozes histéricas, a de Alone e a de alguma outra garota. Um círculo de alunos foi formado ao redor da confusão no Saguão de Entrada, de modo que Joyce só conseguiu ver quem era a outra garota quando abriu caminho entre os curiosos.
Não era uma garota, afinal. Era Colin Creevey.
A discussão foi interrompida quando Joyce surgiu. Alone, que estava de frente para a amiga, acenou e sorriu como se nada estivesse acontecendo.
-Algum problema, Joyce??
-Ei! – interrompeu Colin, exaltado, o indicador erguido. – Estamos no meio de uma discussão!! Não existem intervalos!
-Às vezes acontece – disse Joyce. – Uma vez, vi duas garotas interromperem uma briga porque uma delas precisava fazer xixi.
-Oh, a outra deixou a garota ir até um banheiro? – perguntou Colin.
-Não. Mas a menina começou a mijar na calça e a outra parou de bater nela.
-Ah, nossa – falou Colin, admirado.
-Diga logo o que aconteceu, Joyce! – insistiu Alone.
-Com licença! – ela pediu, invadindo o círculo e caminhando até Alone. Cochichou o recado no ouvido da amiga.
-Estarei lá – respondeu Alone, fechando a cara novamente. – Agora, sai do círculo. Eu e o Colin temos uma discussão para encerrar.
-Opa, to saindo, espera aí!! – avisou Joyce, saindo do centro de batalha.
Ela afastou-se, já se encaminhando para a Sala Precisa.
A discussão no Saguão recomeçou...
-Foi muito suja a sua armação com as fotos, Alone! Vou ter que cumprir uma porcaria de detenção por sua causa!
-Não fui a responsável pelo trabalho sujo. Quem tirou as fotos foi você. Eu só as divulguei, e fiz isso porque você tentou me ferrar antes!
-Escute aqui. Você pode ter se saído melhor dessa vez, mas os seus tempos de maioral não vão durar muito tempo. Logo a Frieda descobre o que você fez para ter o Harry e...
Alone se descontrolou. Alguns dos espectadores se retesaram, tensos, achando que ela socaria Colin, pela maneira súbita como ela avançou para o garoto e pela expressão furiosa em seu rosto.
Na verdade, ela apertou o braço de Colin e, encarando-o de perto e falando baixo, exigiu uma explicação:
-Como sabe sobre a Frieda??
-E-eu não sei de na-nada... – gaguejou Colin.
-Sabe sim! Sabe o que ela vem tentando fazer... Como pode saber disso?
-Já disse que...
-É amiguinho dela, por acaso? Já ajudou a Frieda a fazer algum trabalhinho sujo? Algo para prejudicar a mim e as minhas amigas?
-Não fiz nada. Solta o meu braço, Alone...
-Você não vai confessar, mas saiba que estarei de olho em você. Se alguma coisa acontecer comigo, ou com uma das minhas amigas, por sua causa, vou lhe dar a maior surra da sua vida.
Ela soltou o braço de Colin, que caiu no chão. Saindo do círculo, Alone encerrou a discussão.
Os espectadores demoraram alguns minutos para se dispersarem. Todos discutiam o que Frieda teria a ver com a briga dos dois e o que Alone teria cochichado para Colin Creevey.
Serena passou horas na Sala Precisa, sentada ao lado da cama de Lewis, segurando a mão do irmão que amava mais do que devia.
A maldita exposição que Frieda havia armado a atingira com impacto. Passaram uma mensagem a ela, algo que tinha esquecido, não sabia como...
A maior parte dos filhos nascidos de uma relação entre irmãos nascem com problemas genéticos.
Ela havia lido isso uma vez em um livro que havia apanhado na biblioteca dos trouxas. O livro trazia imagens assustadoras que comprovavam a informação. Também mostrava como o incesto não era aceito pela sociedade; que, em alguns lugares, era considerado crime. E mesmo nos locais em que era permitido, o permitido da vez merecia ser inserido entre aspas, já que a sociedade em si considerava o incesto um absurdo, uma prática inaceitável.
Ela poderia enfrentar as pessoas em nome do seu amor por Lewis? Provavelmente... Não era a isso que estava disposta antes de contemplar os bonecos deformados por Frieda? Em nome de sua felicidade, ela enfrentaria a todos. Mas, agora, conseguia entender que não era apenas a sua felicidade (e a de Lewis) que estava em jogo. O relacionamento dos dois poderia gerar uma nova vida, e esta nova vida, muito provavelmente, nasceria com algum problema.
Se não fosse o primeiro filho, poderia ser o segundo. E se dois viessem em condições normais, quem garantiria que o terceiro também viria assim?
O produto podia vir com defeito, e um defeito de fábrica.
Algo que ia carregar aquele defeito pelo resto da vida, sem ter culpa disso, enquanto os responsáveis deitavam e rolavam sob edredons, pouco ligando para a opinião alheia, perfeitamente saudáveis, enquanto a criança inocente (não foi este o termo que Frieda utilizou?) paga o preço pelo relacionamento incestuoso.
Ela não podia arriscar. Jamais ia perdoar a si mesma se desse à luz a uma criança com problemas físicos, sabendo que foi ela – e Lewis – quem provocou aquilo.
Mas o amava tanto...
Quando achava que, finalmente, ia poder namorar Lewis sem preocupação ou peso na consciência, surgira algo para fazer com que voltasse atrás.
Uma coisa com o poder intransponível da verdade.
Era verdade, era fato, não importa quantas lágrimas ela derramasse por isso, era algo que não ia mudar. Não podia ter filhos com Lewis, e nem se arriscar a tê-los, ponto final.
A porta da sala se abriu e Joyce entrou, afoita.
-Joyce! – exclamou Serena, espantada. – Está tão pálida, aconteceu alguma coisa??
Joyce devolveu o olhar assustado da amiga.
-Pergunto o mesmo a você! Está beirando à transparência de tão pálida. Daqui a pouco o Barão Sangrento aparece para convidá-la para dançar um tango.
-Não exagera... – ela sorriu, cabisbaixa.
-Olha que acontece, hein!
-Por quê?? O Barão já... convidou você?
Joyce apenas assobiou em resposta, disfarçando. Serena, percebendo que não teria resposta, disse:
-Acho que nós duas estamos com problemas...
-Eu estou com um problema fixo e miúdo chamado Juca, isso você já sabe, mas o que me deixou nesse estado não foi ele nem a coisinha em miniatura, o mindinho que ele tem no meio das pernas... Foi algo pior. Fui até o Lorenzo´s e descobri uma coisa importante... Pelo menos, acredito que seja...
-Lanísia também fez descobertas importantes hoje – comentou Serena. – Ela conseguiu ir até a mansão de Ted e tem coisas para contar.
-É, eu sei. E já convoquei todas para a reunião!
-Por que não vieram com você??
-Hermione estava na biblioteca, Lanísia ia tomar banho, Clarissa estava adiantando alguns deveres e Alone estava no meio de uma discussão com Colin Creevey... Aliás, nem tenho certeza se ela prestou atenção no meu recado.
-Espero que não demorem.
Não demoraram. Após dez minutos, as seis Encalhadas estavam reunidas na Sala Precisa. Fizeram um círculo com as cadeiras que estavam dispostas na sala, tendo a companhia do adormecido Lewis.
-Não está demorando muito para ele "acordar"? – perguntou Joyce.
-Acho que não – respondeu Lanísia. – Ele dá alguns sinais de vez em quando.
-Ah, entendo – disse a sábia Joyce, solenemente. – Ficou duro, não é?
-O quê??
-Bom, ele está dormindo, então deve ter ficado com o "troço" duro.
-Não, Joyce, não foi esse tipo de sinal... Acontece que fiquei sozinha aqui por algum tempo, e teve um momento em que ele começou a chamar por você, Serena.
-É... É mesmo?? – ela não podia conter a ansiedade, a emoção.
-Sim... – Lanísia ficou um pouco constrangida por ter provocado aquela reação na amiga; ela havia dito para Serena esquecer Lewis e agora contribuía para aproximá-la do rapaz novamente.
-Espero que acorde o quanto antes para contar a nós o que a mamãezinha andou aprontando – disse Alone; ao surpreender o olhar irritado de Serena, completou. – Claro, também espero que ele fique bem, saudável...
Hermione olhava, inquieta, para Joyce.
-Quer perguntar alguma coisa, Mione? Não se acanhe.
-É, tenho uma dúvida, sim... – ela enrubesceu. – Assim... Por quê o "troço" do Lewis estaria... rígido? Ele está dormindo... Como poderia estar?
-Sei lá, só sei que fica.
-Mas ele não precisa estar consciente para que isso aconteça?
-Que nada! Quer ver só como não precisa? – ela levantou-se da cadeira. – Vou baixar a calça dele e...
-Pára com isso, Joyce – disse Serena. – Você nem sabe se ele vai estar duro!
-Não tem problema! Se não tiver, eu faço ficar rapidinho e...
-Não!! – Serena puxou-a pelo braço; puxou com tanta força que as duas caíram no chão.
-Droga, Serena, veja o que você fez...
-Fui obrigada! Você não me escuta!
-Qual é o problema de dar uma mexidinha nele? – ela levantou-se com a ajuda de Lanísia. – É só uma experiência...
-Mesmo assim... Não é certo fazer isso...
-Deixa, Serena... – soou a voz de Mione, tímida.
Serena fitou a amiga, perplexa:
-Você concorda com essa barbaridade, Mione??
-Não é que eu concordo, mas, você sabe, tudo isso é muito novo para mim... Só tive contato com esses seres que pendem do meio do corpo masculino há pouco tempo... Queria ver... Ver como funciona...
-Ter uma experiência, é isso aí, Mione também quer fazer a experiência!
-É!! Quero sim!! – Mione bateu palmas.
-Vocês vão ver como, mesmo adormecido, ele vai erguer que nem...
-Joyce, controle-se!! – pediu Alone. – Isso vai contra a opinião da outra Encalhada e você precisa manter a postura! Afinal, isso aqui é uma reunião ou não? Tem que manter o nível!
Silêncio...
Alone:
-Peguei na bengala do Harry hoje!
-Ohhhh!! – coro das Encalhadas.
-No meio do Salão Principal! Foi divertido, ele ficou excitado...
-Ei, ei, cadê o tal nível?? – perguntou Joyce, indignada.
Alone mostrou a língua.
-Meninas, comportem-se!! Ou não teremos reunião? – disse Lanísia, cruzando os braços.
Joyce resmungou.
-Está bem. Vamos começar a reunião e deixar a experiência pra lá...
-Ah... – lamentou-se Mione; diante dos olhares repreensivos, ela apressou-se em completar. – Se é pelo bem da nossa reunião, não tem problema... Vamos ao que interessa, não é?
Joyce pigarreou e, empertigando-se, deu início a reunião:
-Quero começar contando a vocês algo que descobri hoje. Talvez seja cisma minha, mas acredito que não. Deve ter alguma relação...
-O que descobriu? – perguntou Mione.
-Fui até o Lorenzo´s durante a tarde...
-Aposto que abriu as pernas para um dos atendentes... – sugeriu Clarissa.
-Não! – replicou Joyce, horrorizada. – Que absurdo! Como pode dizer uma coisa dessas?? Acha que eu apareceria no Lorenzo´s apenas em busca de sexo com um dos atendentes?? Está me ofendendo, é isso?
-Desculpe, Joyce, mas você é tão liberal que pensei...
-Eu fui é atrás do dono do bar, meu bem! Peixe graúdo, entende?
Clarissa nem soube o que comentar.
-Eu, hein, parece que vocês não conhecem o meu potencial, apesar de tudo o que conto a vocês... Pegar os atendentes sendo que não experimentei o dono ainda?? Até parece...
-E o que você descobriu de tão importante lá? – perguntou Lanísia. – Que o Lorenzo é o superdotado que você tanto queria?
-Não, não foi isso, engraçadinha... Foi outra coisa. Bem intrigante...
-Desembuche! – pediu Serena.
-Bom... Lorenzo viu a Frieda passando, e comentou comigo que ela nunca mais tinha aparecido lá, que antigamente aparecia com certa freqüência. E mencionou que Frieda mantinha contato com o falecido Walter, aquele que quis fazer picadinho do Rony Weasley...
-Nossa... – comentou Hermione, abismada. – Frieda conversava com aquele louco??
-Bota louco nisso – incrementou Alone. – Foi divulgado que ele era um serial killer.
-Lorenzo me contou que Walter já trabalhou para Frieda – continuou Joyce. – Talvez fosse apenas um contato entre velhos conhecidos, mas não acho que Frieda ia se tornar amiga de alguém que trabalhou para ela. Com toda a superioridade que ela adora exibir...
-Ela o procuraria, sim, se precisasse dele – disse Alone.
-Acha que ela pagava por sexo? – perguntou Joyce.
Alone revirou os olhos.
-Ai, Joyce, só se passa isso na sua cabeça, minha amiga?? Não é disso que estou falando!! Talvez ela precisasse dele para ele fazer justamente o que mais sabia...
Mione olhou para a amiga.
-Acha que Frieda procurou o Walter para encomendar o assassinato de Rony?
-É... Acho possível... Ela não presta, e procurou outra pessoa que não valia nada. Gente desse tipo se reconhece. E quando pessoas que não prestam estão juntas, não sai boa coisa.
-Isso é verdade – comentou Joyce, rindo. – Eu, por exemplo, quando me junto com minhas vizinhas, saímos para caçar homens, e acontece cada coisa...
Joyce se interrompeu ao ver que nenhuma das Encalhadas sorria.
-Desculpem... Podem continuar o raciocínio...
-O Lorenzo falou para a Joyce que ela ia até o bar freqüentemente – lembrou Lanísia. – É como se estivessem tramando alguma coisa...
-Ele era um assassino – disse Alone. – Se Frieda sabia disso, pode muito bem ter ido atrás dele para solicitar um serviço.
-Esperem um pouco – interrompeu Mione. – Tudo isso faz muito sentido, concordo com vocês. Mas vocês estão esquecendo de um detalhe importantíssimo: quem o Walter tentou eliminar naquele dia. Meninas, qual seria o interesse da Frieda em contratar alguém para matar o Rony?? Se fosse uma de nós, ou um dos garotos que foram encantados pelo que fizemos, Frieda faria algo do tipo. Mas foi o Rony quem sofreu esse atentado. Frieda não ganharia nada com isso!
Elas ficaram pensativas. Joyce quebrou o momento de reflexão, e demonstrou que ainda não estava convencida:
-É... Mas, mesmo assim... Eu não sei, ainda acho coincidência demais...
-Pode ser que não seja – admitiu Mione – mas, com o que sabemos até o momento, é o que parece. Podemos discutir isso novamente em outra reunião.
-Sim – concordou Joyce. Apontou para Lanísia. – Agora é sua vez, Lanísia. Conte ao restante das Encalhadas as descobertas inquietantes que você fez.
-Claro! Encalhadas, conforme tínhamos combinado na reunião de ontem, consegui convencer o Ted a me levar até a mansão da família dele!
-O que descobriu lá? – perguntou Clarissa.
-É melhor se segurarem, porque o negócio é surpreendente...
-Fala!!
-Calma, Alone! Então, fui até a mansão de Ted... Uma mansão magnífica.
-Claro, né, se é uma mansão, é claro que é magnífica... – desdenhou Serena.
-Não precisa do adjetivo. É bem óbvio, sabe? – provocou Clarissa.
-É tão desnecessário quanto relacionar a Joyce com perversão... – disse Alone, rindo.
-E você com celulites.
-Chega!! – pediu Lanísia. – Continuando... Saí na lareira da sala, e, enquanto dava uma olhada no ambiente, vi um quadro... Alone, dá pra parar de tentar olhar pra sua bunda??
As outras olharam. Alone se erguera da cadeira, baixara a calça e lutava para examinar o bumbum.
-A Joyce disse que tenho celulites...
-Não ligue! Muitas mulheres têm...
-Você tem?
-Não, mas sei de algumas mulheres que possuem também, e encaram isso numa boa. É muito comum, Alone...
-Quais mulheres?? – perguntou ela, esperançosa.
-Humm... McGonagall, Frieda, Madame Hooch...
Alone decepcionou-se.
-Continuando... Meninas, vocês nem imaginam o que estava pintado no quadro...
-Uma cena de sexo sadomasoquista? – perguntou Alone.
-Alone, querida... – Joyce deu um tapinha nas costas da amiga. – Não é a sala da casa da sua mãe...
-Ah é. Esqueço que nem todas as bruxas são tão liberais quanto mamãe.
-Não, não era isso. Quem estava no quadro era a Frieda.
-Nããão!! – exclamou Serena, espantada. – Por que ele teria um quadro da Frieda pendurado na sala?
-Para espantar maus espíritos? – perguntou Alone.
-Ou para matar mosquitos? – zombou Mione.
-Acho que ele vem conseguindo as duas coisas com o quadro, mas o motivo não é esse. Na verdade, Frieda foi casada com o falecido pai de Ted.
-Não acredito!
-Pode acreditar, Serena, é isso mesmo. Esse é o vínculo entre os dois. Frieda foi, um dia, a madrasta de Ted. Por pouco tempo, mas foi.
-Ele morreu enquanto estavam casados? – perguntou Clarissa.
-Sim. Mas não foi morte natural...
-Oh! – Serena levou as mãos à boca, espantada. – Foi "morte matada"!!
-Ah! – Lanísia deu um tapa na própria testa. – Deve ter dedo da Frieda nisso!
-É – apoiou Alone. – Ela deve ter "fritado" o Sr Bacon, com o perdão do trocadilho...
-Isso também me passou pela cabeça, mas acontece que o Sr Bacon "fritou" ele mesmo, e em público.
-Como uma pessoa morre "frita"?? – perguntou Serena, confusa.
Clarissa sorriu, irônica:
-Havia uma frigideira gigante, cheia de óleo, em cima de uma fogueira, e o Sr Bacon mergulhou para dentro dela!!
As outras garotas riram. Como Serena continuava confusa, Alone explicou-lhe que era apenas modo de dizer.
-Então, ele se matou? – indagou Mione, tentando restabelecer a seriedade da reunião.
-Sim – respondeu Lanísia.
-Hum...Aposto que não agüentou mais ficar casado com a Frieda – especulou Clarissa. – Se tivesse que conviver com aquela coisa o tempo inteiro, também não suportaria...
-Foi justamente o que pensei na hora em que ele me contou.
-E não existe a possibilidade de não ter sido suicídio?
-Não, Serena, nenhuma. Ele golpeou o corpo com um machado diante de várias pessoas. Ele ficou casado com Frieda por apenas um mês.
-Isso também cheira mal... – comentou Alone, inquieta. – Tipo... Não há dúvidas de que o cara se matou... ou melhor, se trucidou na frente de todo mundo, mas... Envolve a Frieda... E muito dinheiro, com certeza, ela deve ter herdado uma bolada depois disso... Tem também o pouco tempo que ficaram casados antes disso acontecer... Aí tem coisa, mané. Pode ser coincidência também, como no caso do quase-assassinato de Rony, mas não acho que seja...
-Dois acontecimentos, onde a mesma pessoa parece estar envolvida, parece demais até, e nos dois nós não conseguimos encontrar um motivo, uma prova, de que ela esteja realmente envolvida – Joyce começou a caminhar ao redor das amigas. – Simples coincidência? Ou uma habilidade para não deixar marcas?
Essas perguntas às levaram a um novo momento de reflexão. Após esse intervalo, Serena perguntou à Lanísia:
-Há quantos anos aconteceu isso?
-Não faço a menor idéia... Na hora, Ted não me falou, e eu mesma esqueci de perguntar.
-Precisamos saber mais... – disse Serena. – Não gostei nada dessa história. Deve ter algo por baixo disso tudo... Só alguém que viu tudo de perto pode nos responder, e nos levar a verdade. Lewis presenciou o relacionamento de Frieda e o Sr Bacon, se ele acordasse...
-Estou acordado – falou uma voz cansada às costas de Serena.
Ela e as Encalhadas olharam para a cama; Lewis, ainda deitado, olhava para elas, despenteado, com um sorriso tranqüilo no rosto.
-Lewis!! – gritou Serena, exultante, agachando-se ao lado da cama e abraçando o rapaz.
-Nunca fiquei tão feliz em vê-lo bem! – disse Joyce, contente, olhando para as outras Encalhadas, que também estavam exultantes.
-O que aconteceu, Serena? Por que estou aqui??
-Bom, fui eu quem lhe trouxe até aqui. Só para conversarmos um pouco... – ela não viu necessidade em mencionar as doses de Poção da Tortura, e tinha a plena consciência de que qualquer coisa dita por ela seria aceita sem contestações.
-Desculpem, mas acabei ouvindo um pouco da conversa. Ouvi vocês mencionarem o nome da minha mãe...
-Isso, e o do Sr Torresmo.
-Não é Torresmo, Joyce. É Bacon!! – corrigiu Serena.
-Ah, é tudo comida mesmo... – retrucou Joyce, sacudindo os ombros.
Serena voltou-se para Lewis.
-Eles foram casados e, pelo que fiquei sabendo, o casamento durou um mês, não é isso?
-Isso mesmo – respondeu Lewis.
-Faz muito tempo?
-Sim. Eu tinha onze anos na época.
-Certo... – ela segurou as mãos dele.
-É, isso se encaixa – comentou Clarissa às amigas. – Vocês sabem, eu conheço o Ted há algum tempo, mas ele sempre apareceu em minha casa com o irmão e os tios. Já havia perdido o pai. Eles começaram a nos visitar quando eu tinha onze anos, a mesma idade do Lewis.
-Tinha acabado de acontecer – disse Mione.
-Lewis – Serena continuou com as perguntas – ...você se lembra de algumas coisas? Do tempo em que conviveu com a família Bacon?
-Lembro muita coisa.
-Perfeito! Quero que saiba que é muito importante para mim que você me diga algumas coisas sobre aquela época. Vou lhe fazer as perguntas, e quero que você faça o máximo de esforço para se recordar dos mínimos detalhes. Pode fazer isso por mim??
-O que não faço por você, meu amor? – ele perguntou, e seu sorriso foi acompanhado pelo sorriso de todas as Encalhadas.
Ali estava a fonte das informações, pronta a falar tudo o que queriam saber!
-Diga, Lewis... Como era o relacionamento da sua mãe com o Sr Bacon? Ele era feliz?
Lewis fechou os olhos e Serena sentiu as mãos do rapaz apertando as suas. Ele se concentrava, fazendo um mergulho no passado, vasculhando os arquivos da memória...
Ele encontrou um fragmento que respondia à pergunta...
Um piquenique no jardim da mansão. Frieda e o Sr Bacon estão em pé, próximos à uma amoreira, conversando.
Ele aproxima-se com uma folha de papel na mão.
-Ei! Olhem só o que eu desenhei!! – diz ele, pedindo atenção.
Sua mãe e seu padrasto elogiam, mas de maneira ausente, de modo que Lewis não fica satisfeito com os elogios e grava em sua mente aquele momento de frustração.
Não ligavam para ele, mas, entre os dois, havia total ligação...
-Eu amo você – dizia o Sr Bacon, mirando nos olhos de sua mãe. – Você é perfeita. Linda...
E eles começaram a se beijar, o que o levou a virar o rosto, enojado e concluir que...
-...ele era feliz – Lewis abriu os olhos.
-E meio insano – comentou Joyce. – Frieda linda?
-Joyce, silêncio, por favor... – pediu Serena. – Lewis, preciso saber de mais uma coisa... Queria que você recordasse alguns momentos do dia em que o Sr Bacon se matou. Nada chamou sua atenção naquele dia?? Não aconteceu nada estranho?
Ele fechou os olhos novamente, e um novo mergulho na consciência teve início, agora buscando nos arquivos uma data específica...
Sim, algo estranho havia acontecido; tão estranho que ele armazenara aquela cena.
Ele começou a se lembrar; simultaneamente, relatava às garotas o que via em suas lembranças...
Ele já estava arrumado para a festa de aniversário. Vestia uma roupa elegante e queria mostrar a sua mãe.
Admirou-se no espelho do quarto e, correndo, escancarou a porta e disparou pelos corredores da mansão.
Ele corria na direção do maior quarto da mansão, o quarto que sua mãe dividia com o Sr Bacon.Achava que sua mãe estaria fechada no quarto, se produzindo, mas não estava; Frieda estava parada em frente ao quarto, conversando com o filho mais velho do seu marido.
Ele continuou correndo; sabia que sua mãe pararia de falar com aquele rapaz para lhe dar atenção. Ficou surpreso quando Frieda pediu que ele parasse, e ainda mais surpreso ao ver que a felicidade que a acompanhara nos últimos dias fora substituída por outro sentimento; ele não sabia definir. Não era raiva, nem tristeza, mas uma coisa era certa: o rosto de sua mãe estava "estranho".
-Filho, você pode esperar um momento? Estou conversando com o Ted.
-Ah... – ele lançou um olhar para o jovem Ted. – Tudo bem... Eu espero...
O sorriso que Ted lançou para ele também não tinha definição, mas arrepiou os cabelos dele.
Obediente, foi até um banco no meio do corredor, rente a parede, e sentou-se. Não prestava atenção à conversa dos dois, mas conseguiu ouvir algumas coisas...
Frieda: -...o que devia ser feito!
Ted: - ...ele deve perceber. Está bem visível.
Frieda: E o conselheiro?
Ted: ...sem perguntas, pode ter certeza.
Frieda (em tom normal): Vou verificar se já arrumaram a mesa do bolo. Até logo, Ted!
Ted: Até logo!
Ted passou por ele sem fitá-lo, mas o sorriso continuava lá. Ele passou tranqüilo, as mãos nos bolsos, despreocupado. Finalmente, Frieda veio até ele e elogiou a sua roupa, dizendo várias vezes que ele seria o mais belo da festa, e não havia vestígio algum daquela expressão que vira anteriormente...
-...e que agora eu conseguiria definir – disse ele, abrindo os olhos. – A de minha mãe, como preocupação, e o sorriso de Ted... um sorriso de vitória.
-Vai ver o time dele ganhou aquele dia, vai saber... – comentou Joyce.
-Você viu mais alguma coisa esquisita no dia da festa, Lewis?? – perguntou Serena.
-Aconteceram outras três coisas estranhas... Incluindo o suicídio do Sr Bacon, é claro, que também foi estranho e, ao mesmo tempo, assustador.
-Pode nos contar?
-Sim. Não foi nenhuma conversa que eu presenciei, na verdade foram mais impressões que tirei, de coisas que vi...
O que o empregado, que se chamava Walter, fazia na sala de estar? Tudo bem, estava só de passagem, mas a festa já tinha começado, e Walter não foi censurado por passar entre os convidados – coisa que sua mãe não suportava.
Empregado devia saber o seu lugar, este era o lema, algo que ele ouvia desde pequeno, algo que todos os empregados sabiam muito bem.
E, até mesmo em jantares com poucos convidados, esta regra não podia ser quebrada. Em festas, então...
Mas sua mãe nada fez. Ela havia visto – nada passava despercebido pelos olhos dela – mas permaneceu no mesmo lugar.
Ele sorriu levemente. O que será que deu nela para ser tão bondosa??
Em outro momento da festa...
Ele se aproximou da porta do quarto. Vira sua mãe subir as escadas ao lado do Sr Bacon. O que eles estariam fazendo lá dentro?
-Estavam fazendo baconzitos!! – Joyce interrompeu o relato, rindo com a própria piada.
A tensão do momento não gerou nem mesmo sorrisos amarelos nos rostos das outras Encalhadas. Lewis prosseguiu:
Ele já estava se aproximando da porta quando algo inesperado aconteceu...
Houve um estrondo dentro do quarto. Assustado, Lewis acabou caindo no chão acarpetado. Com os olhos arregalados, ele olhou na direção da porta.
Por baixo da porta, ele pôde enxergar a luminosidade prateada que parecia envolver toda a parte interna do dormitório. Era uma luz tão intensa que ele não conseguia encará-la de frente; ele baixou a cabeça e protegeu os olhos com as mãos.
Depois de quatro ou cinco segundos, olhou para a porta novamente.
Não havia nenhuma luz prateada dentro do quarto. Por baixo da porta, apenas escuridão.
Confuso, Lewis achou melhor se esconder. Talvez tivesse presenciado algo indevido; por isso, ocultou-se atrás das cortinas da janela mais próxima.
Sua mãe e seu padrasto passaram por ele, sem perceberem que havia alguém escondido.
Ele ouviu a voz do Sr Bacon e percebeu que ele estava... chorando. Chorando e gemendo:
-Por favor, Frieda... Por favor...
Nenhuma palavra da parte de Frieda.
Os dois se afastaram.
Sentindo-se seguro, Lewis os espiou. Franziu o cenho ao olhar para o Sr Bacon.
O que o estaria atormentando tanto?
E na hora do suicídio, os sons...
Ele viu o Sr Bacon aparecer no palco, diante de todos os convidados. Trazia um enorme machado em uma das mãos e, sem pestanejar, baixou a arma na direção de seu próprio corpo.
Lewis fechou os olhos. Não queria ver aquilo; apenas ouvia...
O ruído da carne sendo esmigalhada. Os jatos de sangue caindo sobre o piso do palco. E...
Os gritos.
-Eu te amo, Frieda...
-Te amo muito...
-Você é tudo para mim...
-Minha querida...
-É tudo...
-Te amo, te amo, TE AMO...
-Ainda escuto esses gritos em alguns pesadelos... – ele suspirou. – Embora a mensagem em si seja bela, vocês não fazem idéia da combinação terrível que formou com o desespero dele, o esguichar do sangue, o impacto do machado, rasgando a carne... E ficou nisso até ele não ter mais forças e desabar no palco. Tentaram socorrer, mas não adiantou... Dentro de minutos, ele estava morto.
-E a sua mãe foi a herdeira de toda a fortuna?? – perguntou Hermione.
-Praticamente... Apesar de ter dois filhos, o Sr Bacon não deixou nada para o mais novo, e Ted recebeu uma ninharia e ficou com a mansão.
As Encalhadas se entreolharam.
-Então, o nome do Ted também estava no testamento? – indagou Alone.
-Sim. Mas, comparado com o que a minha mãe recebeu, foi muito pouco. Ted não se conformou muito com isso, eu acho...
-Por que diz isso? – perguntou Serena. – Você viu alguma coisa?
-É... No enterro do Sr Bacon, ele olhava feio para minha mãe. Eu percebi porque estava ao lado dela...
-Ele já sabia que tinha ficado com muito menos? – questionou Mione.
Lewis pensou por um momento.
-Sim. O testamento foi lido no dia anterior.
Elas se entreolharam novamente. Nenhuma outra pergunta foi feita a Lewis naquela noite. A reunião estava encerrada.
Últimos comentários no corredor...
-Para mim, Frieda e Ted conseguiram fazer com que o Sr Bacon se matasse – opinou Mione, aos cochichos. – Lewis viu os dois conversando no mesmo dia em que ocorreu o suicídio... O dinheiro é que devia estar em jogo. Ao ver que lucrou bem menos do que Frieda, Ted ficou com raiva da madrasta e deve odiá-la até hoje.
-Isso pode explicar o hematoma que apareceu no rosto dela – lembrou Lanísia. – Talvez Ted a atacou fisicamente.
-Será complicado descobrir como eles fizeram o Sr Bacon se matar – disse Clarissa.
-Podem tê-lo forçado de alguma forma – sugeriu Alone.
-É, tem o lance da luz misteriosa que o Lewis viu por baixo da porta – lembrou Joyce. – Talvez Frieda estivesse executando algum feitiço naquele instante!!
-Concordo que houve magia naquele momento, mas, talvez, não foi algo para controlar – opinou Hermione. – Ela pode ter usado alguma outra coisa para manipulá-lo...
-Chantagem?? – perguntou Joyce.
-Não! Eu não acabei de concordar que houve magia?
-Sim...
-Então! Foi executado algum feitiço, sim, ou algum ritual, mas o intuito não era ter controle sobre o Sr Bacon. Poxa, o Lewis viu o cara passando, chorando como uma criança. Não é típico de alguém que está sendo controlado. Nem mesmo os berros que ele deu quando estava se matando... Parece como se ele não quisesse se matar, mas estava se matando. Se eles estivessem controlando-o, o Sr Bacon ia querer se matar!
-Sim, faz todo sentido! – concordou Serena, entusiasmada. – Agora, já pensou se a Frieda utilizou algum tipo de magia ilegal e existir alguma forma de provarmos isso?
-É, temos que descobrir o que ela fez – disse Joyce. – Infelizmente, o Lewis não sabe... Mas ainda temos o Ted...
-Vai sobrar pra mim... – comentou Lanísia, balançando a cabeça.
-O que podemos fazer?? Você é a musa da loja do Ted Bisteca...
-Bacon – corrigiu Alone.
-Oh, o sobrenome dessa família me confunde!! – Joyce resmungou. – Enfim... Pode investigá-lo um pouco mais??
-Posso, né... É para o bem de todas as Encalhadas, então, eu topo. Antes nós descobrirmos qual foi a magia que a velha Frieda fez do que ela descobrir qual nós fizemos.
-E, se for ilegal, colocamos a velha "baranga" na cadeia! – comemorou Alone. – Estamos avançando enquanto a múmia está estagnada! E qual é o grito de guerra mais perfeito do universo??
E o coro feminino bradou:
-Encalhadas, Encalhadas, tão lindas e apaixonadas!!
Após o jantar, Joyce aproximou-se de Lanísia, procurando por ajuda. Elas estavam no salão comunal, adiantando alguns deveres. Joyce, que fazia os deveres na mesma mesa que Hermione, pediu licença à amiga e informou que precisava conversar com Lanísia.
-Não posso ajudá-la, Joyce? – perguntou Hermione, educadamente.
-Não. É sobre sexo. Você não manja nada do assunto.
Depois daquele "fora", Mione não tirou os olhos dos livros.
Agora, ao lado de Lanísia, Joyce começou a desabafar:
-Acho que estou com algum problema...
-No seu corpo?
-Sim...
-Em que lugar?
-Não sei... Talvez na "amiguinha".
-Nossa! Mas o que pode ter de errado nela?
-Bom, eu... Aconteceu hoje, quando estava com o Lorenzo. Quero dizer... Não aconteceu, e por isso é tão estranho.
-Você não chegou ao orgasmo, é isso?
-É, isso aí – confirmou Joyce, desanimada. – Tenho algum problema, não tenho?
-Claro que não, Joyce!! Que absurdo! Isso é normal, acontece.
-Não comigo, Lanísia! Eu sou uma bomba orgasmática... Ou era...
-Você chegou ao orgasmo em todas as vezes que dormiu com um homem?
-Sim.
-Joyce, você é um fenômeno!
-Não sabia que isso era incomum...
-É incomum pra caramba, você nem faz idéia!
-Que estranho isso. Mas, mesmo assim, o incomum pra mim é não ter um orgasmo. Já cheguei a atingi-lo só em ouvir histórias picantes.
-Oh! Aquele verão em que fui até a sua casa e fizemos um piquenique com as suas primas!! Lembro que uma delas começou a contar uma aventura com o namorado e de repente você começou a pular e gritar feito doida! Não era uma formiga na sua saia então?
Joyce corou.
-Não, não era... – respondeu, envergonhada.
-Nossa... Isso nem me passou pela cabeça...
-É, mas eu sou assim. Ou melhor, era assim... Mas hoje, nada aconteceu! Lorenzo foi incrível, mas eu não cheguei nem perto da detonação.
-Talvez você esteja preocupada com alguma coisa. Cá entre nós, as Encalhadas têm problemas de sobra.
-Não, não levo problema para a cama. Mas eu venho sentindo que alguma coisa mudou em mim nos últimos dias. Eu não consigo identificar o que é, mas mudou. Talvez seja isso que alterou as minhas emoções íntimas.
-Não tem como me descrever?
-Não... Mas estou morrendo de medo de não acontecer outra vez, Lanísia. Lorenzo quase percebeu que eu não tinha chegado lá.
-Por que não fingiu?
-Fingi?
-É! Existe esse truque quando não conseguimos chegar ao orgasmo. Você finge que chegou lá e o cara fica satisfeitíssimo. Nem percebe.
-Humm... Interessante. Mas ainda não resolve o meu problema.
-Eu sei que não, mas, como você está com medo de acontecer outra vez, da próxima você pode fingir para não decepcionar o seu parceiro... Seja ele quem for, não sei qual será o próximo...
-Nem eu... Pode me ensinar a fingir?
-Eu não, mas sei de alguém que sempre finge, e sei onde essa garota se amassa com o namorado. Podíamos ir até lá e você a escuta.
-Boa idéia! E quem sabe a bomba orgasmática não volta a explodir??
-Mas nós só vamos...
-Ah, Lanísia! Se uma historinha a detonou você acha que não pode acontecer se eu ouvir um casalzinho se amassando??
Lanísia balançou a cabeça, perplexa.
-Logo, logo os dois devem sair juntinhos do salão e nós os seguimos... – ela observou o casal de longe.
-Enquanto isso, vamos adiantar os deveres...
As duas se concentraram nas lições. Lanísia, ocasionalmente, desviava a atenção dos livros para o casal. Assim que os dois se levantaram, ela puxou Joyce pelo braço.
-Ei, o que...?
-Eles estão saindo! É agora!
As duas saíram do salão comunal. O casal já tinha sumido, mas Lanísia sabia onde devia ir. Joyce, curiosa por esse conhecimento, perguntou:
-Como você sabe aonde eles vão?
-Não descobri porque quis. Estava só passando pelo lugar, ouvi uns ruídos estranhos, e espiei. Aí, lá estavam os dois, se amando.
-E posso saber que lugar é esse??
-É sempre em uma sala. Lembro bem onde fica.
-Mas... Como sabe que ela finge??
-Escutei quando ela contava às amigas...
-Nossa, Lanísia, você tem que passar a cuidar mais da sua vida.
-Fica quieta, Joyce! Isso vai ajudar você!
Lanísia apontou o corredor. As duas pararam.
-É este aqui.
-Em qual das salas??
-É a quarta ou a quinta porta da direita...
-Poxa, você falou que sabia onde ficava!
-Eu sei onde fica! Fica aí nesse corredor! Só não sei qual é...
-Vamos voltar, então...
-Claro que não, Joyce! É só você grudar o ouvido em cada uma das portas! Acha o quê? Que todo mundo vem se amassar nessas salas?? Quando você ouvir gemidos estranhos, pode parar que são os dois.
-Ok – ela começou a entrar no corredor; percebendo que Lanísia não a seguia, voltou para perguntar, aos cochichos. – Não vai vir comigo?
-Não. Vou dar boa noite ao Augusto.
-Certo... Nos vemos daqui a pouco!
-Ok. Agora ache onde eles estão e ouça bem. A técnica dessa garota engana qualquer um! Parece que ela está sentindo de verdade, e muito.
Joyce confirmou e retornou ao corredor. Primeira porta... silêncio. Segunda porta... idem. Terceira... ah, aqui havia alguma coisa!
Corpos se esfregando... Bem rápido... Gemidos... Oh... Ah... Isso... Ahhhh...
Sim, eram os dois.
Sorrindo, com aquela sensação de quem fazia alguma coisa errada, Joyce sentou-se ao lado da porta e ficou escutando...
"Nossa, quanta rapidez. Vai matar a moça!", pensou, espantada.
Era um ritmo surpreendente. Ou os caras com quem ela dormia eram muito lerdos, ou esse rapaz era um fenômeno! Como já havia dormido com muitos, ela achava que ele era, de fato, fora do comum.
"É preciso fôlego! Mas, nessa velocidade, deve terminar rapidinho".
Estava enganada. Os Ahhh continuaram por vários minutos, e o ritmo permanecia. Ela começava a pensar que um dos dois ia acabar morrendo de tanto esforço quando os gemidos da mulher começaram a ficar mais fortes.
Ela estava chegando lá...
O lugar onde Joyce não chegou com Lorenzo...
"Como adoro esse lugar", ela pensou, procurando espantar a frustração e se concentrar nos gemidos.
De repente, começou...
Vários gritinhos histéricos...
-Ah miiiiiiiii...
Joyce engoliu em seco, espantada.
-Ah móóóóó...
E os "ó" só morreram quando deram lugar ao grito final:
-Ah MÚÚÚÚÚ...
Quando os "Ú" terminaram, o rapaz continuou os movimentos frenéticos e os gemidos, procurando chegar lá também. Mas Joyce já tinha escutado o que precisava ouvir, e estava simplesmente perplexa.
O que foi aquilo??
Ela nunca emitira tais sons. Será que para fingir precisava ser daquela maneira tão exótica?? Bom, se a garota enganara o rapaz por tanto tempo, o deixando satisfeito com o Ah mi, ah mó, ah mú, era assim que ela ia fazer. Treinaria bastante para alcançar o nível daquela garota esperta!
Levantando-se, ela se afastou.
Na quinta sala à direita, o casal de jovens que ali se amava saiu dois minutos depois que Joyce foi embora. Estavam bem cansados – a jovem, principalmente. Fingir também cansava...
Já a agitação que Joyce ouviu continuou por uns cinco minutos.
Depois disso, a porta foi aberta e o casal de elfos que estava lá dentro saiu sem mostrar sinais de cansaço.
Na manhã seguinte, as Encalhadas começaram a conversar no próprio dormitório – Serena havia dormido no salão comunal, alegando que não suportaria dormir sozinha perto de Frieda. Cada uma delas ocupou uma cama. Só havia as seis dentro do quarto.
-Pelo que estou vendo, ninguém conseguiu imaginar o que Frieda fez para levar o Sr Lingüiça ao suicídio...
-Bacon, Joyce...
-Não, obrigada, estou sem fome.
Mione enfiou a cara no travesseiro.
-Só não podemos esquecer que Lewis citou o tal Walter que trabalhava lá no Lorenzo´s – lembrou Alone. – Talvez ele fosse o tal conselheiro... Mas não sei para quê ele serviria.
-Conselheiro é aquele que dá conselhos – ensinou Serena.
-Jura?? – Alone fingiu admiração. – Não sabia disso!! Aff... Eu sei para que serve um conselheiro, mané! Acontece que não consigo imaginar qual tipo de conselho Walter daria ao Sr Bacon!
-Nem eu... – disse Hermione.
-Estou precisando relaxar um pouco – falou Serena.
-Estamos precisando... – emendou Clarissa.
-Ah! Tive uma idéia!! – exclamou Mione, aproveitando a abertura. – Já sei como podemos nos distrair!
-Transando?
-Não, Joyce. Jogando.
Um travesseiro voou pelo quarto e bateu no rosto de Hermione, derrubando-a da cama; ela caiu de bunda no chão.
-Ei! – ela olhou, nervosa, para Lanísia, a autora do ataque. – O que está fazendo?
-Jogando travesseiro!! Não era essa a sua idéia?? Ai!! – ela gemeu, ao receber no rosto o travesseiro lançado por Clarissa.
-Parem, parem!! – ela gritou, enquanto travesseiros voavam por todos os lados do quarto. Ela precisou berrar para fazer com que as garotas se acalmassem. – PAREM!!
Elas pararam.
-Obrigada.
-De nada, mamãezinha... – respondeu Joyce, emburrada.
Mione lançou um olhar de esguelha e prosseguiu:
-Vamos jogar algo mais interessante. E tenho a impressão de que vamos nos divertir à beça jogando...
-Que jogo é esse?? – perguntou Clarissa.
-Vou explicar a vocês. Mas, primeiro, queria saber se vocês topam. Vamos nos divertir??
As Encalhadas se entreolharam, indecisas.
Frieda Lambert saía da biblioteca de Hogwarts com diversos livros de magia. Pretendia examinar cada um deles e destacar quais rituais amorosos aquelas garotas podiam ter executado.
Com a pressa, derrubou um deles sobre o chão de pedra do corredor.
Agachou-se e, cuidadosamente, colocou, entre os outros, o livro intitulado A alquimia do amor.
N/A: Aguardando reviews!!
