CAPÍTULO 32
Gritos e miados
Clarissa encolheu-se, sentindo-se desamparada em meio às garotas... Não adiantava mais repetir que não era Tarah; elas não iam escutar. Diante disso, notou que não tinha outra alternativa: precisava implorar para que não a machucassem.
-Por favor, meninas... Acalmem-se... Não me batam, por favor...
Não adiantou implorar por perdão. Ela sentiu duas mãos a empurrarem para frente; Clarissa não foi parar no chão, mas nas mãos de uma gorducha da Sonserina, que a recepcionou com o punho fechado que a golpeou no rosto.
Ela sentiu uma dor aguda no nariz. Cambaleou para trás, sem forças. Ao virar o rosto, recebeu um tapa da garota que estava mais próxima. A garota a empurrou novamente, fazendo com que Clarissa parasse nas mãos de outra jovem enfurecida, recebendo mais um tapa, agora do outro lado do rosto.
Ela foi passando de uma para outra, recebendo um tapa atrás do outro. Suas forças foram se esgotando; tornou-se um mero brinquedo nas mãos delas, não tinha nenhuma reação. Apenas gritava de dor, enquanto recebia mais e mais golpes no rosto.
Uma das garotas esbofeteou-a e cuspiu em sua face antes de empurrá-la para a próxima. Ao fazer isso, Clarissa acabou caindo sem ser amparada pelo tapa de alguma delas. Por alguns segundos, encolhida no chão, ela permitiu-se um sorriso, acreditando que o pesadelo havia acabado.
Mas foi erguida pelos cabelos.
Lágrimas de dor brotaram de seus olhos, incontroláveis.
Ela ficou de pé, mas as mãos não a soltaram. Só podia pedir...
-Por favor... Deixe-me em paz...
A garota que a segurava forçou-a a olhar para o seu rosto, movendo a cabeça dela pelos fios. Clarissa sentiu o sangue gelar ao deparar-se com o rosto de Hermione Granger.
-Mione... Fomos tão amigas... Para que continuar com isso??
-Ué, Clarissa, não foi bom pra você? – Mione sorriu, irônica. Em seguida, séria, completou. – Para mim foi ótimo, e vai melhorar ainda mais.
Hermione abriu caminho pelo círculo, puxando Clarissa pelos cabelos.
-Ai, ai, Mione, pare com isso... Solte-me...
Mione parou de repente.
-Sim, Clarissa, não se preocupe. Eu vou SOLTÁ-LA! – e a jogou contra uma das mesas.
Clarissa escorregou para o chão, batendo o queixo na quina do banco. Ela sentiu o gosto quente do sangue e percebeu que havia cortado a gengiva. Ela gritou, assustada ao ver o sangue pingando de sua boca para o piso do salão. Em seguida, as mãos de Hermione agarraram os braços dela e a ergueram do chão com violência, deixando-a em pé.
Mione dirigiu-se às garotas que observavam:
-CLARISSA PASSOU DOS LIMITES AO INVENTAR UMA PERSONAGEM COMO TARAH! OFERECEU-SE A TODOS OS RAPAZES! E, JÁ QUE ELA É TÃO OFERECIDA, JÁ QUE NÃO TEM VERGONHA NENHUMA...
Hermione rasgou o sutiã de Clarissa.
-...Por que não se expor para todo mundo??
Rasgando a calcinha de Clarissa, Mione a empurrou, passando pelo círculo de garotas. Ao passar pelas Encalhadas, Mione falou:
-Ajudem-me a colocar essa ordinária em cima da mesa!
Serena, Alone, Lanísia e Joyce assentiram e, juntamente com Mione, arrastaram Clarissa até uma das mesas, deixando-a em destaque, nua, exposta para todos os alunos e funcionários de Hogwarts.
-Podem olhar à vontade!! – gritou Mione.
Os rapazes berraram, satisfeitos. Assovios vinham de todos os cantos do salão. Clarissa, sem meios de cobrir todas as partes de seu corpo, encolheu-se, indefesa. Passou os olhos pelo salão, vendo que todos fitavam o seu corpo, e não resistiu: começou a chorar, as lágrimas rolando pelo rosto que ardia pela vergonha e humilhação.
Ela deixou-se cair sobre a mesa. A mão, ao deslizar pelo rosto, secou lágrimas e sangue. A visão do sangue assustou-a novamente, fazendo com que gritasse outra vez... Mas o que eram os seus gritos diante das vozes triunfantes de centenas de homens??
Hermione subiu na mesa e berrou para a multidão:
-NÃO ERA HOMEM QUE A TARAH QUERIA??
-SIM!! – responderam.
-Então... – ela agachou-se e levantou a cabeça de Clarissa pelos cabelos. Não havia piedade em sua face quando fitou o rosto ensangüentado. Olhando para Clarissa sem emoção, Mione completou. – ...É HOMEM QUE ELA TERÁ!!
E empurrou Clarissa na direção dos rapazes. Clarissa caiu da mesa diretamente nas mãos de dois marmanjos da Lufa-Lufa.
-É HORA DE APROVEITAR!! – gritou um deles.
-Vamos formar uma fila!! – sugeriu um Sonserino. – Assim, todo mundo tira uma casquinha dessa gostosa!
-É isso aí!
Eles se organizaram rapidamente, deixando um espaço livre para Clarissa passar de mão em mão. Horrorizada, ela sentia as mãos a apalparem em todas as regiões. Corpos se esfregavam sobre ela, alguns excitados. Outros apertavam os seus seios, cheiravam a sua pele, a lambiam.
Ela ficou tonta... Sentiu um dos rapazes apertar a carne de suas coxas, enquanto um garoto desprezível a beijava no pescoço.
Ela ouvia a voz da diretora, ordenando que parassem, mas, aparentemente, todos ignoravam as suas ordens...
O mundo começou a se tornar um mero borrão... Ela nem sentia mais os pés tocarem o chão... Apenas as mãos que a tocavam, as bocas que a lambiam, e os comentários canastrões...
Um garoto de hálito fedorento, depois de beijá-la à força, ignorando o sangue, comentou:
-Que boca deliciosa...
A qualquer momento ela ia desfalecer...
Seu corpo tremia...
-Gostosa!
-Cara, nunca tinha tocado em uma dessas!!
-Carne fresca a disposição!!
Estava tonta... Sendo acariciada e apertada por todos os lados... Era terrível... Não ia suportar...
Clarissa desmaiou.
Os rapazes se afastaram. O Salão ficou silencioso. As Encalhadas, sobre a mesa, observaram a traidora esparramada no chão, inerte.
Hermione sorriu.
Rebecca trancou a porta. Ao virar-se, reparou que Clarissa despertava.
Confusa, a jovem sentou-se no sofá, apertando contra o corpo o cobertor que estava sobre si. Rebecca puxou uma cadeira com um movimento da varinha e sentou-se diante dela.
O olhar de Rebecca era severo e acusador. Ela batia o pé no chão, sem parar, enquanto fitava Clarissa, como se esperasse alguma coisa.
-Argh, aqueles caras nojentos, tocando em minha pele, passando a língua... – Clarissa teve um calafrio. Passou um dedo sobre os hematomas do rosto. – Ai... Cadê aquela enfermeira incompetente? Por que não cuidou dos meus ferimentos ainda? E quem me trouxe até aqui?? – perguntou Clarissa. – O que aconteceu depois que... desmaiei?
-Todos os rapazes abusados dessa escola sossegaram. A diretora conseguiu chegar até você e conjurou esse cobertor para cobrir o seu corpo e protegê-lo do olhar de todos... Como se todos no Salão já não tivessem visto mais do que o suficiente.
-Fala como se desaprovasse a atitude da diretora...
-E desaprovo, obviamente. Uma pessoa que se auto-intitula como "Tarah" não merece qualquer ato de bondade, apenas desprezo e punição. Por mim, você viria até aqui arrastada pelos cabelos, como tão corretamente fez uma das garotas enraivecidas.
-Hermione Granger... – murmurou Clarissa, irritada.
-É, ela mesma! Queria muito fazer o mesmo que ela fez, mas a diretora não permitiu. "Ah, vamos proteger a vagabunda".
-Veja como fala comigo!
-Trato as pessoas da maneira que elas merecem!
-Nem sempre, não é mesmo?? – Clarissa sorriu, irônica. – Como você mesma contou, não pôde me arrastar pelos cabelos até aqui. Existem pessoas que podem mais do que você nessa escola. Diante da diretora o seu cargo de inspetora de alunos não possui força alguma.
-Tire esse sorriso do rosto, menina. Será melhor para você.
-Oh, o que você poderia fazer? Como a diretora disse, é preciso proteger a... Como foi mesmo que me chamou? Ah, sim: vagabunda!! Mesmo sendo uma vagabunda eu preciso de proteção...
Ela riu, saboreando a provocação.
-As coisas não são bem assim, Clarissa. Acho que você não entendeu bem como funciona... Eu não pude castigá-la fisicamente, mas tenho a liberdade de puni-la da maneira que bem entender, desde que preserve o seu corpo, esse corpo no qual todos os rapazes de Hogwarts esfregaram as partes íntimas. Está em minhas mãos a maneira como você será castigada, por esse motivo acho que seria melhor deixar a ironia e o sarcasmo para depois, já que podem pesar na minha decisão.
-A diretora pode mudar o que você ordenar...
-...Não nesse caso! – ela a interrompeu, elevando a voz. – Está em minhas mãos a decisão da direção! Quem tem motivos para se divertir aqui sou eu.
Clarissa, assustada, sentiu a garganta secar. Rebecca abriu um largo sorriso.
-Vejo que finalmente percebeu o tamanho da enrascada em que se meteu.
-Não posso ser expulsa de Hogwarts – os olhos arregalados de Clarissa fitaram o fogo que ardia na lareira do aposento. – Seria uma afronta para os meus pais. Estaria arruinada. Eu e tudo o que planejei... – voltou os olhos para Rebecca. – Por favor, não me expulse!
-Hum... Parece que houve uma mudança por aqui. De uma hora para outra a garota que zombava começa a pedir "por favor"...
-Eu errei... Esqueça tudo o que eu fiz, por favor!
-Estou em dúvida... Não sei como poderei puni-la. Um caso como esse é inédito para mim. É a primeira vez que uma aluna constrói uma personagem para dormir com alunos...
-Eu não criei a Tarah!
-Não? Então, quem criou?
Clarissa ficou calada. Não adiantava dizer que havia sido Hermione Granger, soaria como uma falsa acusação. Rebecca ia rir, achando que ela estava tentando colocar a culpa na garota que a puxara pelos cabelos.
Não podia ser expulsa da escola. Como ia concluir o seu plano de eliminar Rony se não estivesse por ali? A manipulação de Draco era o meio mais eficaz que existia. Por isso, não podia sair de Hogwarts e, da mesma forma, não podia acabar com a alegria das Encalhadas denunciando que elas haviam realizado um ritual proibido. Precisava da Fogueira das Paixões para que Draco continuasse seguindo os seus conselhos até o momento em que eliminasse Rony...
-Pensando em quem colocar a culpa, não é? – perguntou Rebecca, trazendo-a de volta à realidade. – Não adianta, você foi apanhada no momento em que ia atacar o jovem Weasley!
-Eu sei. Sei que errei, mas preciso continuar na escola.
-Lamento, mas acho que não tenho como aplicar apenas uma detenção. Você fez a escola ficar de pernas para o ar. Não suportava mais capturar os garotos que ficavam perambulando pelos corredores à sua procura. Você torrou a minha paciência com esse seu comportamento ridículo e será expulsa por isso.
-Não! – Clarissa levantou-se, segurando o cobertor para cobrir o corpo. – Não pode fazer isso!
-Já disse que tenho poder para fazer o que bem entendo...
-Mesmo assim!! Não faça isso...
-Dê-me uma boa razão para não expulsá-la daqui. Acho que você não vai encontrar nenhuma, mas, se quiser tentar...
-Dinheiro!! Posso lhe pagar bem! Minha família é rica, como você deve saber. Posso pedir dinheiro ao meu pai e pagar a você valores grandiosos... É aí? O que acha disso?
-Lamento, querida Clarissa, mas o seu dinheiro não é capaz de comprar todo o mundo. Nenhum valor faria com que eu mudasse a minha decisão!
-Não pode ser... Você entendeu bem o que eu disse? Pode ser um valor grandioso, muito dinheiro na sua mão, você poderá comprar o que quiser...
-Você não me conhece, Clarissa. Na hora de punir comportamentos absurdos como o seu, nada faz com que eu volte atrás. Dinheiro algum tiraria o prazer que terei ao vê-la sendo expulsa diante de todos os seus colegas. Oh, posso ouvir os gritos de "vagabunda" nos meus ouvidos, os gritos que soarão quando você estiver saindo...
-Nada poderia mudar a sua decisão?
-Nada – respondeu Rebecca, fria, olhando-a. Estalou os dedos e, animada, caminhou em direção à porta da sala. – Bom, acho que a diretora deve estar ansiosa para saber qual será o destino da tão famosa Tarah...
Em desespero, Clarissa sentou-se no sofá. Precisava impedir aquela mulher... Mas como? Ela adorava punir os outros, não havia meios de impedi-la...
-Não... Existe um meio... – ela disse, de repente.
Rebecca ouviu e voltou-se.
-O que disse?
-Sei de algo que lhe dará mais prazer do que a minha expulsão!
-Posso saber o que é?
-Envolve a aluna que tem um caso com o seu ex-marido.
Rebecca cruzou os braços e, interessada, aproximou-se de Clarissa.
-O comportamento dela é desprezível, não é mesmo? – comentou Clarissa. – Dormindo com um homem bem mais velho, um professor... Merecia uma punição...
-O que você sabe sobre ela?
-Posso contar-lhe, desde que você saia agora e diga à diretora que receberei apenas uma detenção. Pode ser uma detenção terrível, só peço que não me expulse. Quando você voltar, eu lhe conto.
-Não pode adiantar do que se trata?
-Só posso lhe adiantar que, com essa informação nas mãos, você colocará Lanísia nas mãos de alguém muito perigoso. Alguém que poderia torturá-la, ou até matá-la... Não seria saboroso saber que Lanísia está pagando um alto preço pelo relacionamento que possui com o seu ex-marido? E como ele não irá sofrer ao perder a amada! Sofrimento que você poderá presenciar... Será bem divertido... Concorda comigo?
Rebecca respirou fundo.
-Vou dizer à diretora que você receberá apenas a detenção. Espere aqui.
Rebecca saiu da sala, encostando a porta à sua passagem. Clarissa, sozinha, gargalhou.
-Oh, como eu adoro o ciúme! – comemorou em meio à dor que provinha dos ferimentos. – Elas me expulsaram do grupo, mas esqueceram que eu conheço alguns segredinhos...
As Encalhadas estavam no saguão de entrada, à espera do momento em que Clarissa seria expulsa da escola.
-Está demorando muito, não está? – comentou Joyce, começando a ficar inquieta. – Achei que ela seria imediatamente banida do castelo!
-Talvez ela esteja insistindo muito para que isso não aconteça – supôs Mione.
-Acham que ela pode falar alguma coisa sobre aquilo que fizemos? – perguntou Alone, preocupada.
-Não acredito nisso – respondeu Hermione, tranqüila. – Ela não ia ganhar muita coisa ao nos denunciar. Vocês viram o que ela disse lá no dormitório durante o jogo: ela utilizou o que fizemos para conseguir eliminar o Rony. Se ela nos denuncia, com certeza encontram uma reversão e os planos dela vão por água abaixo.
-Não dá para se conformar com essa traição da Clarissa! – replicou Lanísia, revoltada. – Como ela pôde ser tão dissimulada?? Nos enganou direitinho, e ia continuar nos enganando se a Hermione não nos incentivasse a jogar o Jogo da Verdade!
-E nem me passava pela cabeça a possibilidade de Clarissa ser a pessoa que vinha tentando matar o Rony. Agora, depois que já sei que ela foi a responsável por tudo, me recordo de algumas impressões que tive a respeito dela, mas que acabei desconsiderando. Mas, mesmo assim, se não fosse o jogo, acho que jamais descobriria... – ela olhou para Alone e Joyce. – Peço desculpas a vocês pela minha desconfiança.
-Imagina, Mione – respondeu Joyce. – Você só tinha contado que estava se encontrando com o Rony para mim e para a Alone. É natural que você pensasse logo em nós.
-É, não esquenta, mané! – disse Alone, sorrindo.
-Você pegou pesado com a história de que quem mentisse ia morrer... – Joyce sentiu um calafrio. – Nossa... Só de lembrar, já fico desse jeito!
-Precisava fazer isso – justificou-se Mione. – Não tinha outro jeito. Clarissa ia mentir horrores se a punição para isso fosse apenas um rabo!
-Não seria apenas ela quem ia mentir muito – comentou Joyce.
-Ia mentir em que parte, Joyce? – perguntou Alone, interessada. – Naquela em que você disse que o Juca Slooper havia mexido com o seu coração??
Joyce riu.
-O que está querendo insinuar com isso, Alone? É o que estou pensando? Ah, por favor. Já justifiquei a minha resposta! Não tenho interesse algum no Juca. É uma piada ridícula insinuar que, de todos os caras com quem já fiquei, justamente o cdf ridículo do Juca Slooper teria conquistado o meu coração! E vocês sabem que não me ligo muito nesse negócio de sentimento...
-Mas participou do que fizemos para ficar ao lado dele para sempre! – lembrou Serena.
-Aquilo foi quando eu pensava que ele tinha uma varinha, agora sei que ele tem apenas uma pena! E penas nem cócegas são capazes de fazer!
-Mesmo que ele tenha uma pena minúscula no meio das pernas, Joyce, você pode ter se apaixonado por ele...
-Eu não me apaixonei por ninguém, ta legal?? Sou uma mulher livre, pronta para receber as varinhas mais largas e mais firmes! Não estou nem aí! Querem a prova? Vou dar a danada pro primeiro cara que passar.
Ajeitando os cabelos, ela parou ao lado do primeiro degrau da escadaria de mármore e, segundos depois, o minúsculo professor Flitwick parou na sua frente. O sorriso de Joyce desapareceu.
-Olá, Joyce! – cumprimentou o professor, risonho.
-Oh... – Joyce examinou-o de cima a baixo, constrangida. – Bom... Até logo, professor! – e correu até as amigas.
-Pensei que dormiria com o primeiro cara que passasse... – comentou Alone.
-Bom, esse não é exatamente "um cara"... Então, vou dormir com o segundo que passar! – ela virou-se e quase trombou com Harry Potter.
-Esse não! – gritou Alone, que correu até Harry, o agarrou pelo braço e afastou-se ao lado dele.
-Mas que droga! Que seja o terceiro!!
Naquele momento, um Sonserino passou por ela. Joyce indicou-o com a cabeça para as amigas e saiu no encalço do rapaz.
"Ah, com esse com certeza voltarei a explodir!", ela pensou, animada.
No meio da escadaria, Joyce passou à frente do rapaz e colocou-se diante dele.
-Olá!
-Oi – respondeu ele, confuso. – Desculpe, mas... eu conheço você??
-Não, mas acho que isso não importa muito – ela desceu um degrau e encostou-o contra o corrimão. Acariciando o peito do rapaz, ela continuou. – Eu, por exemplo, não sei o seu nome, mas quero ir para a cama com você, para fazermos loucuras e deliciosas sacanagens. Faz alguma diferença o fato de não nos conhecermos?
Ele, sem fôlego, respondeu prontamente:
-Não, nenhuma!! Só precisamos achar algum lugar para ficarmos mais à vontade...
-Não precisa procurar! Já tenho um! Vem comigo!! – e, segurando a mão dele, ela continuou a subir a escadaria.
-Você é ansiosa! – ele comentou, surpreso. – Qual é o seu nome?
-Joyce!
-Ah agora está explicado...
-O quê?
-Não, não, nada... Pode continuar! Estou louco para começar...
-Eu também! Querido, você não faz idéia!
Clarissa já estava ficando impaciente quando Rebecca voltou à sala.
-Nossa, que demora!
-Não reclame! – resmungou Rebecca, com um dedo em riste. – A diretora já está ciente de que você receberá apenas uma detenção. Agora, espero que faça valer a pena a minha decisão e me forneça, de fato, uma informação importante.
-O que tenho para contar vai fazer aquela aluna safada que está com o seu ex-marido levar um castigo bem grande. Talvez até monstruoso, eu acho, porque ela está se metendo com alguém que não parece ser muito bonzinho...
-Quem?? – indagou a inspetora. – Diga, sem rodeios...
-Já ouviu falar sobre Ted Bacon?
-Sim, claro. A família possui lojas muito famosas. Ele está em Hogsmeade preparando uma loja de roupas íntimas femininas.
-Ele mesmo. Lanísia está fazendo visitas freqüentes a Ted, que está interessado na moça... Tudo isso eu sei porque fazia parte do grupo de amigas fiéis de Lanísia. Então... Ted sente muita atração por ela, por isso a recebe sempre que ela bate em sua porta.
-E ela também sente interesse por ele?
-Não. Lanísia só tem olhos para o seu ex-marido. Já confessou achar Ted atraente, mas jamais teria algo com ele. Ted não interessa a ela como homem; o que é interessante é o que ele parece esconder no passado.
-Como assim??
-Lanísia e as amigas têm fortes razões para acreditar que Ted esconde algo tenebroso. Lanísia, então, está usando o seu poder de sedução para investigá-lo e descobrir que segredo é esse. E posso adiantar a você que ela está bem perto de descobrir...
-E qual o interesse dessas meninas em descobrir o que ele fez? Fazer justiça?
-Poderia ser em um livro colorido de contos de bruxas, mas não é isso. Elas têm interesses próprios. O que acontece é que tudo leva a crer que o que pode levar Ted para Azkaban deve arrastar outra pessoa... A elegante professora Frieda Lambert.
-Nossa... – Rebecca teve que se sentar no sofá, ao lado de Clarissa. – A prisão de Frieda seria interessante para elas porque Frieda está perseguindo-as.
-Isso mesmo. E, olha, parece ser um segredo bem cabeludo... Lanísia deve visitar o Ted nos próximos dias, talvez hoje mesmo. Se você contar a ele o que ela está fazendo, Ted, com certeza, não a receberá de braços abertos. Só podemos imaginar como seria essa recepção...
-É, ele com certeza não deixará barato – Rebecca sorriu.
-Pois é. Você não gosta de Lanísia, e ela receberá uma bela punição. Talvez pague até mesmo com a própria vida...
-Sim... – os olhos dela faiscavam. – É, valeu a pena ouvi-la. Vou agora mesmo atrás de Ted Bacon para que ele fique preparado para receber a sua antiga amiga.
-Isso, não perca tempo! Quero sair daqui e mostrar a todos que não serei expulsa. Preciso de roupas...
-O armário ao lado tem algumas peças. Pode vesti-las.
Clarissa abriu a porta do armário e examinou as roupas penduradas nos cabides. Enquanto as escolhia, perguntou para Rebecca o que teria que fazer na detenção.
-Você trabalhará, durante dois dias, na cozinha da escola.
-O quê? – Clarissa derrubou um dos cabides. – Lá só trabalham elfos!
-A humilhação em ser a única bruxa no meio dos elfos faz parte do castigo, assim como o esforço necessário no desempenho da função – explicou Rebecca, sorrindo com tranqüilidade.
-Achei que pegaria mais leve com a detenção!
-Eu só havia prometido que você não seria expulsa, e as safadezas que você fez merecem uma boa punição. Espero que aprenda a lição e não ataque mais nenhum colega!
-Isso não é justo!
-Nada é justo, querida. Vou indo, preciso passar em Hogsmeade. Sua detenção começa hoje à noite, antes do jantar. Não deixe de ir, ou será pior para você.
Ela mandou um beijo para Clarissa, que a olhava com ódio.
Assim que ela saiu, Clarissa bateu a porta do armário, irritada.
-Vadia! – xingou.
-Estou começando a ficar incomodada com essa demora... – comentou Hermione, examinando o saguão de entrada. – Por que essa demora em expulsá-la?
-É estranho mesmo – concordou Serena. – Rebecca estava doida para capturar a Tarah. Achei que ela não ia deixar a Clarissa nem fazer as malas...
-Ei, ei! – Lanísia apontou para a escadaria de mármore. – Ela está descendo!
Hermione e Serena olharam para cima. Clarissa descia os degraus lentamente, uma das mãos deslizando pelo corrimão. O rosto estava cheio de hematomas. Alguns alunos começaram a gritar ofensas. De cabeça baixa, ela prosseguiu.
-Não há nenhuma mala com ela! – observou Mione.
-Sim, a única mala que estou vendo ali é ela mesma – concordou Lanísia.
-Não dá para entender – disse Serena.
Clarissa prosseguiu, parando apenas ao chegar no fim da escadaria e deparar-se com as três garotas. Nesse momento, ela ergueu o rosto e, através do rosto marcado, apareceu um sorriso.
-Devem estar se perguntando: onde estão as coisas dela? Vai para casa sem levar uma única mala? Fiquem tranqüilas. As respostas para essas perguntas são simples demais.
-Não a expulsaram? – perguntou Mione, direta.
-Não! – Clarissa riu. – Quem pode entender, não é mesmo? Eu também achei que aconteceria o pior, mas, para a tristeza de vocês, continuarei a estudar em Hogwarts.
-Vê-la sendo humilhada diante de toda a escola já valeu a pena – disse Hermione. – Pegaram muito em você??
-Seu rosto está horrível – comentou Serena.
-É verdade – concordou Mione. – E mesmo assim parece que os rapazes adoraram.
-O Rony também gostou muito.
-Claro que gostou, ele pensava que estava comigo. Se você não estivesse se passando por mim, ele nunca teria tocado em você, sabe disso.
-Para mim também foi maravilhoso... Enfim, estou muito contente por ter ficado na escola. Acho que o Draco terminaria o serviço sem mim, mas comigo por perto será melhor. Ele precisa ser orientado, para que consiga abrir os olhos. Espero que isso aconteça o mais rápido possível, por isso, recomendo, aproveite os últimos dias com Rony.
-Sempre aproveito muito os momentos em que estou com ele.
-É mesmo? Cuidado para não passar muito dos limites. Draco poderia flagrar vocês dois, e isso o deixaria maluquinho.
-Terei muito cuidado, Clarissa. Você não conseguirá convencer o Draco de que estou com Rony.
-É o que veremos.
Ela afastou-se. Mione suspirou profundamente.
-Ela não foi expulsa, mas descobri algo que me deixou aliviada.
-O que, Mione? – perguntou Serena.
-Draco ainda não sabe que estou encontrando o Rony. Enquanto ele tiver apenas a minha palavra contra a de Clarissa, ele vai acreditar na minha. É só evitar que ele nos veja juntos, e isso não será tão difícil.
Clarissa lançou um breve olhar para trás. Provavelmente, a inocente Hermione havia mordido a isca.
Alone arrastou Harry para o jardim, onde ele encostou-a contra um tronco de uma árvore e a cobriu de beijos calorosos e apalpadelas em regiões indecentes.
-Você é bom demais, mané! – ela exclamou, contente, quando Harry fez uma pausa. – Fico até sem fôlego!
-É bom se acostumar, porque será assim todas as vezes em que eu pegá-la de jeito – ele beijou-a outra vez.
Quando Harry parou, Alone observou o jardim e viu Colin Creevey, sentado no gramado, sozinho, olhando para o horizonte. Aquela imagem despertou nela um sentimento nostálgico; veio à sua mente momentos engraçados passados ao lado de Colin; ela recordou-se da maneira como eram cúmplices... Ou como ela pensava que eram cúmplices.
Havia um segredo guardado por Colin; o maravilhoso segredo que a beijava e a enlouquecia nesse exato momento.
Vendo Colin sozinho, ela sentiu pena. Ele estava sofrendo; e será que merecia isso? Ela havia mudado o rumo dos acontecimentos com a Fogueira das Paixões. Se não tivesse participado da Fogueira, quem estaria beijando Harry ali, sob a sombra da árvore? E quem seria a figura solitária a sentar-se no gramado para sofrer sozinha?
"Não. Não seria eu. Jamais sofreria sozinha. Eu tenho as... minhas amigas".
As amigas de quem ela estava ocultando o segredo para anular o poder do ritual. Ela fechou os olhos por dois segundos, e viu as garotas em fogo, naquele pesadelo que era cruel por ser verdadeiro. Ao abrir os olhos, sentiu as lágrimas rolarem pelo rosto; as duas foram interrompidas pela mão de Harry, que as secou carinhosamente.
-O que aconteceu? – ele perguntou, preocupado. – Ficou estranha de repente...
-Não sei explicar – ela respondeu. – Apenas me abrace, me pegue desse jeito que só você sabe, para que eu entenda que você é único – ela segurou a gola da camisa dele e o trouxe para perto, até colar os corpos. – Vamos, Harry Potter, acabe comigo!
Eles reiniciaram os beijos e as carícias, até que a situação tornou-se forte demais para que continuassem a se agarrar em um local público. Determinada a se entregar para Harry e esquecer o sentimentalismo barato, Alone o arrastou até as estufas desertas, onde se amassaram loucamente.
Enquanto o rapaz fazia movimentos frenéticos dentro dela, Joyce analisava a situação:
"É, está indo bem... O cara sabe o que faz! Acho que hoje chego lá...".
Fechou os olhos, procurando manter a calma e passar toda a concentração para a amiguinha, que recebia nesse momento um visitante insaciável.
Ela começou a dar pequenos gemidos, ao mesmo tempo em que começou a arranhar as costas dele. Esperava que ele melhorasse ainda mais com esses estímulos.
"Nossa! Vai estraçalhar a danada!", pensou, quando notou que o resultado havia sido positivo.
-Oh, tô quase... – avisou John Lazarus, o rapaz que estava sobre Joyce e que ela nem sabia que tinha esse nome.
-Quase o quê??
-Quase lá!!
-Lá aonde... Está brincando? Quer dizer que já está quase chegando ao orgasmo?
-Não, na África! É claro que é no orgasmo!
-Mas já? Eu ainda não...
-Não está chegando lá também?
"Não estou vendo nem a placa sinalizando que o lá está próximo", ela pensou, desgostosa.
-Sim! – respondeu. – Eu nunca deixo de chegar lá! Lá é tão bom que se pudesse eu não saía de... lá.
-Vou fazer você chegar de uma maneira como nunca chegou...
"É, de fato, nunca fingi antes...".
Era hora de começar a sessão de gritinhos que havia aprendido ao escutar o casal se amando por trás da porta. Ela tomou fôlego e iniciou o falso orgasmo...
-Ah miiiiii...
O rapaz parou de se mover.
-Ah móóóó...
Ele olhou para o rosto de Joyce, confuso. Ela, com os olhos fechados, entregou-se ao último grito, o mais prolongado e intenso:
-Ah muuuuuuuu...
Engasgou-se durante os "u" e não pôde prosseguir. Quando conseguiu controlar o acesso de tosse, fitou o rosto do rapaz.
-Foi maravilhoso – disse ela, achando que havia sido o máximo. – Viu só como eu adorei?
-Que sons foram esses? "Ah mi, ah mó, ah mú"?
-É o que eu grito quando atinjo o clímax, querido.
-Isso é o que o casal de elfos lá de casa gritam quando atingem o clímax!
-Casal de elfos? Eu ouvi esse som quando um casal de humanos estava...
-Então você simulou o seu orgasmo, é isso? Ouviu como a elfa chegou lá e utilizou os sons dela comigo?
-Eu não sabia que era uma elfa! Droga, não é possível que eu tenha escutado o casal errado! Por que elfos fazem sexo, que saco! O pior é que gostam da coisa. Você precisava ouvir como o "Ah mu" da elfa foi prolongado.
-Sei... – John saiu de cima dela. Apanhou as roupas no canto da sala e começou a vestir-se. – Que perda de tempo isso aqui. E que vergonha... Não posso acreditar que não consegui fazer Joyce Meadowes chegar lá! Todo mundo consegue!
-Escute, o problema não está em você. Está em mim...
-Ah, todo mundo sabe que é só colocar um dedo em você que você já explode tudo aí embaixo!
-Oh! Quem falou uma barbaridade dessas?
-Deixa pra lá...
-Não, eu quero saber quem foi o infeliz? Lawrence Felps? Leo Underwood? Conrad Buckley? Frederico...
-Puxa, todos esses colocaram o dedo?
Joyce deu um tapa no braço dele, irritada.
-Idiota! Quer saber? Cai fora! Você é um grosseiro!
-E você é uma mulher que goza como uma elfa velha! – ele fechou o cinto da calça e, terminando de vestir-se, saiu da sala.
-Que ousadia! – reclamou Joyce, começando a vestir-se na sala vazia. – Me chama de elfa velha na maior cara-de-pau! Ai, o que será que está acontecendo comigo? Por que não sou mais a mesma?
Ela terminou de vestir-se e saiu da sala. O rapaz já havia sumido de vista. Envergonhada por, mais uma vez, não ter conseguido ir até o fim, Joyce caminhava, cabisbaixa, pelos corredores.
De repente, deu um encontrão com uma garota da Lufa-Lufa.
-Ei, está sonhando, é? – perguntou a menina, irritada.
-Desculpe... – ela olhou com maior atenção e reparou que, além da garota, outras pessoas encontravam-se paradas no corredor, diante de uma porta. – O que está acontecendo?
-Ouviram gritos de socorro vindos aí de dentro – explicou a menina. – Estamos esperando a diretora aparecer para descobrir o que está acontecendo lá.
-Por que vocês mesmos não abriram?
-Da última vez em que alguém se adiantou à direção da escola, a inspetora Rebecca fez a pessoa limpar as fezes de um hipogrifo que estava com diarréia.
-Argh – Joyce fez uma careta. – Acho que é melhor esperar mesmo.
-Aí vem a diretora! – gritou um dos curiosos.
Minerva apareceu, assustada, já com a varinha em punho.
-Afastem-se! – ela pediu, fazendo com que um grupo que estava praticamente colado à porta se deslocasse um pouco.
Com a varinha, a diretora abriu a porta e invadiu a sala, sendo seguida de perto pela horda de curiosos.
-O que está... Oh, MINHA NOSSA!!
A diretora cobriu os olhos com as mãos. As pessoas que a seguiam fizeram o mesmo; uma das garotas desmaiou. Joyce, curiosa, conseguiu, empurrando alguns colegas, entrar na sala. Ela também gritou:
-OH, JUCA!!
Juca Slooper estava pendurado de cabeça para baixo em uma das vigas que cruzavam o teto, com as calças arriadas e os pés seguros sobre a viga.
-Oi, Joyce! – ele acenou para ela, tranqüilo.
-Seu anormal! – ela respondeu, pasma, enquanto se aproximava dele, passando pelos alunos que não conseguiram prosseguir. – O que pensa que está fazendo?
-Eu estava treinando uma posição sexual para praticar com você...
-Desse jeito? Que raios de posição é essa?
-Também nunca vi desse tipo – comentou Minerva. Joyce virou-se para ela e viu que, passado o susto inicial, a diretora parecia muito interessada na maneira curiosa como Juca estava pendurado.
-É só uma amostra do que está por vir! – comentou Juca, orgulhoso. – Agora, por favor, será que podem me tirar daqui? Estou sem a varinha...
Minerva o ajudou a descer. Assim que pousou no chão, Juca estendeu a mão para ela, agradecido:
-Muito obrigado, diretora!
-Você não vai levantar? – ela apontou para baixo.
-Oh, não, agora não, preciso de uns estímulos para ele levantar...
-Estou falando da calça.
-Nossa, já estava me esquecendo! – ele ergueu a calça devagar, como se não estivesse diante de várias pessoas.
-Espero que isso não se repita, Sr Slooper – avisou Minerva. – Tenha mais cuidado quando for treinar esse... tipo de coisa – ela lançou um olhar crítico e saiu da sala.
-Que vergonha, Juca – disse Joyce, balançando a cabeça. – Um monte de gente vendo você pelado.
-Não precisa ficar com ciúmes – falou ele, colocando os óculos. – Elas vêem o meu negócio, mas só você é que pega nele.
-Eu nunca peguei nessa coisinha.
-Ainda vai pegar. O manual mostrou truques excelentes para fazer com as mãos.
Ela mordeu o lábio, ficando zonza por alguns segundos. Depois, fechou os olhos e bateu na própria cabeça.
-Acho que estou ficando maluca – comentou para si mesma.
-Por quê?
-Deixa pra lá... Pode continuar com o seu treinamento. Lembre-se: só toca em mim outra vez quando se tornar um predador na cama.
-Já estou me tornando. Não falta muito para que você sinta a fúria do novo Juca Slooper! – ele passou a mão por cima da calça e sorriu com malícia.
-Até logo, Juca – Joyce acenou com a mão e deixou a sala. Subiu correndo para o dormitório e, ao encontrar-se sozinha, pôde conversar consigo mesma. – Minha nossa! O que está acontecendo comigo?? O que?? – ela sentou-se próxima à janela. – Senti desejo quando ele falou sobre os truques com as mãos... E a "amiguinha" deu sinais quando me imaginei fazendo coisas com as minhas mãos... Como é possível? Minhas mãos pegando aquela coisa minúscula... Como posso sentir desejo ao pensar nisso?
Ela cobriu o rosto com as mãos.
-Cheguei ao fundo do poço. Um cara dentro de mim não consegue me fazer sentir o que a minha imaginação conseguiu... Talvez esteja precisando usar as mãos quando ficar com um garoto...
Hermione entrou no quarto.
-Joyce! Como foi com o garoto?
-Péssimo – ela suspirou, desanimada. – Não estou sentindo mais prazer quando durmo com um garoto.
-Está pensando em virar lésbica?
-Não! Isso nunca! Sabe como sonho com um superdotado, e mulheres não têm pênis.
-Não entre as bruxas, mas entre os trouxas... – Mione comentou, com um sorriso debochado.
-Algumas mulheres trouxas têm pênis? – perguntou Joyce. – Estou chocada!
-Na verdade não são mulheres; são homens que se vestem como mulheres. Mas alguns deles conseguem enganar muito bem, parecem mulheres de verdade.
-Nossa, já pensou o susto do cara que sai com uma dessas por engano? Acha que está com mulher e, quando vê, ela veio com um brinde no meio das pernas.
As duas gargalharam.
-Não gostaria de sair com um desses – falou Joyce, rindo. – Quero um superdotado, mas quero que o negócio venha com um homem de verdade.
-Mas o que será que está acontecendo com todo aquele fogo que você tinha?
-Eu não sei... Imagino algumas coisas, mas não faz sentido... Quer saber? Acho que vou dar uma volta em Hogsmeade para esfriar a cabeça. Vou ver se compro algo para me distrair.
-Isso! Vai lhe fazer bem!
Joyce levantou-se e apanhou a mochila.
-Vem comigo, Mione?
-Não. Preciso ficar um tempo com o Draco. É importante que ele "saiba" o quanto eu o amo para não acreditar na Clarissa.
-Entendo. Boa sorte com o loirinho! – desejou Joyce, despedindo-se da amiga.
Hermione olhou-se no espelho, ajeitou os cabelos e deixou o dormitório. Encontrou Draco sentado nas arquibancadas do campo de quadribol.
-Demorei muito? – ela perguntou, beijando-o e sentando-se ao lado dele.
-Um pouco, mas não importa – ele respondeu, os olhos brilhando só por tê-la por perto. – Você está linda.
-Obrigada. Está com fome? Trouxe alguns Sapos de Chocolate para nós dois.
Eles degustaram alguns chocolates em silêncio. Draco fez um comentário sobre as ótimas condições do tempo para uma partida de quadribol e, em seguida, Mione falou:
-Draco... Preciso lhe dar alguns avisos.
Ele parou de mastigar o chocolate e fitou-a assustado. Teria alguma coisa a ver com Rony Weasley? Será que ela havia resolvido ficar apenas com Rony?
-Que avisos? – ele indagou, o rosto pálido. – Por favor, Mione, diga...
-Acalme-se! – ela pediu, assustada com a reação dele. – Não é nada sério, fique tranqüilo! – ela segurou uma das mãos dele e a acariciou. – Pode chamar de conselho o que tenho para falar. O que acontece é que existem pessoas que podem querer atrapalhar o nosso namoro... Talvez seja inveja da nossa felicidade, não sei dizer ao certo... Mas essas pessoas querem atrapalhar, e farão de tudo para nos separar.
Ela fez uma pausa; Draco aguardou em silêncio.
-Já estou lhe avisando: pessoas podem aproximar-se de você com mentiras, tentando convencê-lo de que algo que não existe está acontecendo. Por isso, não se esqueça de que essas pessoas não dizem a verdade.
-Quem são essas pessoas?
-Sei de uma que com certeza vai procurá-lo. Se essa garota aparecer, não dê ouvidos a ela, a dispense de uma vez: a Clarissa Stuart. A Tarah.
-Certo... Se ela aparecer, não escutarei os conselhos dela.
-Isso! É a sua Hermione quem está pedindo isso! – ela o agarrou pela nuca. – Eu amo você, querido. Não tenho olhos para mais ninguém.
-Eu também amo você – ele beijou-a.
Seguiria o conselho de Hermione; não daria ouvidos para Clarissa. Mas ele sabia muito bem o que ela já havia provado a ele; ele vira com os próprios olhos; sabia que havia um concorrente, e que Mione não acreditava que ele seria capaz de se livrar de Rony; ela não levava fé em seus métodos.
Não havia problema. O método agora era outro. Era agir silenciosamente. Fazer-se de desentendido. Dar o bote fatal. Enterrar o concorrente. Ficar com Hermione.
O crepúsculo se aproximava quando Joyce entrou animada no salão comunal.
-Olá, meninas!!
-Olá! – elas cumprimentaram.
Joyce sentou-se. Estava segurando algo nos braços, algo que estava embrulhado em um pano roxo. Alone, estranhando, indagou:
-Joyce, o que é isso?
-Estava precisando de algo que me distraísse, então fui até Hogsmeade comprar alguma coisa. Então, para que eu consiga relaxar e voltar a sentir muito prazer novamente, comprei um animalzinho... – ela retirou um pano, revelando um gato branco e felpudo.
-Minha nossa! – Serena levou as mãos à boca. – O que você pretende fazer com esse gato??
Joyce fez uma careta de repugnância.
-Nada!! Acha que eu faria algo? Ela é fêmea, pô!
-Se fosse macho você faria? – perguntou Mione.
-Bom, deixa pra lá... – Joyce pigarreou, tentando mudar de assunto; as Encalhadas entreolharam-se, espantadas. Joyce ergueu a gata sobre as patas dianteiras e apresentou. – Meninas, essa é a Chana!
-Eu sei – disse Lanísia. – Não precisa ficar arreganhando as patinhas da coitada. Eu, pelo menos, conheço bem a anatomia das gatas.
-Não estou falando disso! O nome dela é Chana! O nome da gata!
-Pra mim isso é nome de uma coisa bem diferente... – comentou Serena.
-Como vocês são maliciosas! Chana vêm de Bichana. É apenas um nome carinhoso!
-Acho bem grosseiro – comentou Hermione.
-Porque vocês possuem as mentes infestadas de pensamentos ruins! Não há maldade alguma nesse nome. Pessoas com pensamentos puros nem levarão o nome para o mau caminho... Querem ver? – ela passou os olhos pelo salão. – Ah! Margarida está vindo. Sabem como ela é toda certinha, toda estranha. Observem!
Ela levantou-se e foi até Margarida, uma aluna tímida do sexto ano.
-Olá! Tudo bem?
-Tudo...
-Certo – ela ergueu a gata, que miou, incomodada. – Margarida, você quer fazer carinho na Chana??
-Não. Não faço isso na frente dos outros! – ela afastou-se, apressada e horrorizada.
Joyce olhou para as amigas, que estavam gargalhando.
-Não tem jeito, Joyce! – disse Mione. – Ninguém vai pensar coisas boas ao ouvir esse nome!
-Fiquem sabendo que é um nome muito digno! Ah, vocês estão querendo me perturbar hoje! Vou subir com a minha Chana!
-Nós vamos ficar com as nossas por aqui mesmo... – comentou Alone, sorrindo.
Joyce olhou para ela, furiosa, e subiu para o dormitório, levando a gata no colo.
-Está escurecendo... – comentou Lanísia, espiando as janelas. – Preciso me arrumar. Vou ver se descolo um jantar com o Ted. Em jantares sempre rolam vinhos e doses de Demência, então provavelmente ele ficará bêbado o bastante para responder as últimas perguntas que nos faltam para desvendarmos o mistério que envolve ele e Frieda.
-E se ele pegar no sono, você pode vasculhar alguns pertences dele – sugeriu Serena.
-Sim! Estou confiante de que esclareceremos hoje! Já pensaram? Frieda ainda pode dormir na cadeia!
-Seria maravilhoso – comentou Alone, cruzando os dedos. – Ficaremos na torcida.
-Vou colocar um conjunto vermelho que vai deixá-lo maluquinho – disse Lanísia, levantando-se. – Venham comigo, preciso de ajuda na maquiagem.
E, assim, todas ajudaram Lanísia a se arrumar para uma noite de pesadelos.
Clarissa passou as poções indicadas por Madame Pomfrey para que os hematomas em seu rosto causados pelas agressões que sofreu desaparecessem. Em seguida, saiu do banheiro e tomou o caminho até a cozinha para iniciar a sua detenção.
Apesar de não estar animada para trabalhar ao lado de seres tão desprezíveis quanto os elfos domésticos, ela não podia conter uma certa satisfação ao imaginar que Ted Bacon já devia saber toda a verdade sobre Lanísia. Se uma das Encalhadas morresse ou desaparecesse, o grupo ia se desestruturar, e ela ia presenciar os acontecimentos com imenso prazer.
-Qual é a graça?
Era Rony. Clarissa parou de caminhar e voltou-se para fitá-lo.
-Depois de tudo o que fez, você não foi expulsa e ainda caminha pela escola com esse sorriso grotesco! – ele comentou. – Já está planejando alguma outra coisa?
-Não interessa – ela respondeu, irritada.
-Se estiver querendo dormir comigo outra vez, é melhor tomar outra dose de Polissuco, porque, cá entre nós, você não me desperta interesse algum!
-Você é ridículo – falou Clarissa, corada. – Jamais deixaria suas mãos imundas tocarem em mim...
-Só se estiver no corpo de outra garota, não é? Aí você delira, mas em outro corpo...
-Não vou perder meu tempo ouvindo essas idiotices. Com licença!
Quando ela sumiu de vista, o sorriso desdenhoso de Rony desapareceu para ceder lugar ao pânico. A felicidade de Clarissa não enganava: ela estava tramando alguma coisa.
Ele precisava falar com as Encalhadas.
Em seu quarto, Frieda havia colocado os livros retirados da biblioteca em uma prateleira. Eles estavam enfileirados, e ela os retirava seguindo a ordem.
Ela puxou o exemplar de Feitiços apaixonantes, percebendo, antes de sentar-se para examinar o livro, que o próximo a ser verificado era um livro intitulado A alquimia do amor.
Rony entrou correndo no salão comunal. As Encalhadas, agora reunidas ao redor de uma mesa, o fitaram, tensas.
-Nossa, Rony. Você está péssimo – comentou Alone.
-Cruzei com a Clarissa... – ele parou para tomar fôlego.
-Isso nós já sabemos – disse Serena.
-Não precisa ficar lembrando – falou Hermione, despejando a raiva na pena que segurava.
-Não é esse tipo de cruzamento! – reclamou Rony.
-Vocês fizeram outra vez?? – indagou Mione, quebrando a pena.
-Eu preciso falar! – pediu Rony. Nova pausa para descansar. – Não interrompam!
Elas ficaram em silêncio e aguardaram.
-Cruzei com ela... E ela estava sorrindo... Indo para a detenção, eu acho... E sorrindo...
-Acabou? – perguntou Mione.
-Sim...
-É, isso não parece boa coisa – comentou Hermione. – Será que essa safada já está aprontando outra vez? Será que não pode fazer uma pausa depois dos sopapos e encoxadas que levou hoje?
-Para mim, já foi estranho ela não ter sido expulsa – disse Rony, puxando uma cadeira e sentando-se.
-Não entendo porque a Minerva não expulsou...
-Não foi ela quem decidiu, Alone – falou Rony. – Fiquei sabendo que ela nem opinou. A decisão foi da Rebecca.
-E olha que ela vive fazendo os discursos de que "não tolera comportamentos inadequados"... Argh! – Serena fez uma careta. – Na hora de agir, não serve pra nada!
-Mas ela é cruel mesmo – disse Mione. – Vocês sabem bem como ela estava perseguindo a Lanísia e o Augusto, querendo um belo flagrante dos dois. Era tudo para castigar os dois pela relação proibida entre professor e aluna. O que ela pudesse fazer para ferrar os dois, ela faria... – de repente, Hermione perdeu a voz e empalideceu.
-Mione?? – perguntou Rony, estalando os dedos em frente aos olhos da garota.
-Ah, será que ela está passando mal? – indagou Serena.
-Não sei – disse Alone, preocupada. – Das vezes em que a vi entrando em transe, era porque ela tinha visto o pinto do Rony. E agora ele está bem guardado, não está? – ela espiou por baixo da mesa.
-Está – ele respondeu, sério. – E esse transe é diferente. Ela não está babando!
-Pessoal... – Hermione falou de repente. – A Clarissa falou para ela!
-Para quem e o quê? – perguntou Serena.
-Para não ser expulsa, a Clarissa deve ter falado que a Lanísia está investigando o Ted! Com isso, a Rebecca poderá contar a ele o que a Lanísia está fazendo! Ele é louco, pode fazer as maiores atrocidades com a Lanísia! Seria o castigo perfeito, na visão da Rebecca!
-Então, sua amiga não pode mais ver esse cara! – disse Rony. – Cadê ela?
-Foi encontrá-lo!
-Precisamos impedir! – falou Rony, exaltado.
-Acho que dá tempo – disse Alone, afastando a cadeira e levantando-se.
-Vou chamar a Joyce! – falou Serena, correndo para os dormitórios.
-Oh, espero que dê para impedi-la – Hermione suspirou, esperançosa.
Serena logo apareceu, trazendo uma Joyce um tanto contrariada.
-Ela não queria largar a Chana – explicou Serena.
Enquanto corriam para o buraco do retrato, Mione explicou para Rony.
-Chana é o nome de uma gata.
-Ah! Achei que ela estivesse se divertindo sozinha!
Eles atravessaram a passagem. Rony apontou:
-Acho que por esse corredor conseguimos ir mais rápido!
Joyce, agora concentrada, com a varinha em uma das mãos, incentivou as amigas:
-Vamos, Encalhadas! Missão de resgate!
Elegante e perfumada, indiferente aos perigos que corria, Lanísia atravessava os portões da escola naquele instante.
Na loja, Ted sorvia dois goles de champanhe, enquanto aguardava a sua visita.
No silêncio, começou a falar sozinho, como se já tivesse Lanísia diante de si.
-Minha diva querida... Vamos ver quem é o otário agora... Você vai, literalmente, morrer de tanto prazer...
Com a mão, ele acariciou a alça do chicote.
