CAPÍTULO 34
Unidos
O cerco se fecha...
-Frieda... Vamos conversar...
-A diretora saberá que vocês a realizaram.
-Você não tem como fugir da verdade. E ninguém pode ajudá-la.
...as coisas estão cada vez mais complicadas para as Encalhadas.
As Encalhadas tiveram a sensação de que o chão havia sumido debaixo de seus pés; por alguns segundos, elas não souberam o que falar, como agir, por um motivo muito simples: não havia o que fazer.
-Eu acho que devo dar os parabéns a vocês... – falou Frieda, satisfeita com a reação das garotas. – Foram muito espertas. Escolheram um ritual perfeito para laçar os rapazes...
-Frieda... Vamos conversar... – Hermione adiantou-se, num apelo que provavelmente seria inútil.
E foi.
-Você acha que alguma coisa pode me convencer a não contar para a Minerva o que vocês fizeram? – ela perguntou, olhando para Mione com ar de desdém. – Oh, achei que você fosse mais inteligente, Srta Granger... O pânico nos deixa abobalhados, não é? – ela riu. – Até pessoas inteligentes cometem burrices quando estão assustadas, sim, eu compreendo. Não que eu tenha passado por um momento tão terrível como este, porque, ao contrário de vocês, eu sou muito mais razão do que emoção. É preciso agir sem deixar rastros, queridinhas, coisa que vocês não fizeram muito bem. Armaram a Fogueira, atraíram os machos, a apagaram, mas acabaram deixando um pouco de fumaça solta por aí... O livro, minha nossa, o livro em que vocês aprenderam o ritual solto nas prateleiras da biblioteca! E ainda com uma marca recente em uma das páginas! Tolas. Tolas demais, todas vocês. Amadoras! Uma coisa é certa no terreno das coisas erradas: se for para aprontar, apronte direito. Para a minha imensa felicidade, vocês não fizeram isso, e agora pagarão por esse erro.
Ela contemplou os cinco pares de olhos que a miravam com um misto de medo e ódio.
-Podem ficar irritadinhas... Hoje vocês já vão dormir em Azkaban!
Frieda afastou-se, deixando no ar o rastro enjoativo de seu perfume. Confusas e temerosas, as Encalhadas a seguiram. Augusto, parado ao lado da porta, estranhou a movimentação e resolveu verificar o que estava ocorrendo.
Passando por entre os alunos que tumultuavam os corredores, as Encalhadas ainda insistiam:
-Frieda, por favor...
Os alunos que passavam por elas nem prestavam atenção aos apelos das garotas e às negativas da professora. Ela citou o nome do ritual outra vez, mas os estudantes que estavam por perto também não acharam nada de interessante no título "Fogueira das Paixões"... exceto o professor Augusto, que continuava seguindo-as. O nome do ritual fez com que ele despertasse instantaneamente; ele também ouviu o que veio a seguir...
-A diretora saberá que vocês a realizaram.
Era Frieda Lambert quem dizia aquilo, olhando para Lanísia e para as amigas da garota. As palavras congelaram Augusto onde ele estava; se alguém tivesse olhado para ele naqueles três segundos, teria se assustado. Ele ficou imobilizado, a face empalidecendo, os olhos vidrados. Na mente de Augusto, o corredor desapareceu e ele viu apenas escuridão, como se tivesse desmaiado. Em sua mente, ele permaneceu parado, mas, na realidade, o seu corpo recomeçou a caminhar; estava agindo sozinho.
O corpo de Augusto contornou as pessoas que bloqueavam o caminho com extrema habilidade; em alguns momentos, precisou usar de força física para passar, dando pequenos empurrões. Por mais que o xingassem, o rosto do professor não desviou-se em momento algum; seus olhos permaneciam abertos, embora ele nada enxergasse.
Quando chegou suficientemente perto das Encalhadas, Augusto diminuiu o ritmo dos passos e continuou a segui-las, ouvindo atentamente...
-Um ritual como a Fogueira das Paixões merece punição perpétua – dizia Frieda naquele momento. – Vocês nunca mais sairão de Azkaban.
Os olhos de Augusto foram fechados quando o recado sobre a descoberta de Frieda foi transmitido para os outros quatro corpos que estavam dominados pelo poder da Fogueira das Paixões.
Juca Slooper observava o casal de papel d´O Manual Posicionado de Posições executarem uma posição denominada "Nem Aí". O boneco de papel apoiava o cotovelo direito no chão e colocava a mão direita sobre o queixo, como se estivesse pensativo; a mão esquerda ficava próxima ao quadril, que se remexia enquanto ele deflorava a sua parceira. A boneca arreganhava as pernas de papel enquanto ele não parava de se movimentar. Pelo modo como o pescoço do boneco estava posicionado, Juca percebeu que devia ficar com a cabeça um pouco de lado.
-Isso deve aumentar a sensação de que eu não estarei nem aí para o que está acontecendo... – supôs, enquanto deitava-se num colchão, tentando imitar a posição do boneco. – Mão esquerda aqui... Cotovelo direito no chão... É, como se eu estivesse pensando em algo mais interessante do que a minha vareta estará realizando... – ele terminou de se ajeitar e voltou a fitar o casal de papel. – Hum... Ótimo! Estou na mesma posição que ele. Agora, quando Joyce estiver comigo, eu começo a movimentar... – e ele começou, enquanto mordia o lábio. – E movimento... E vai... E vai... Ui... E vai...
De repente, a mente de Juca desligou-se e uma parte desconhecida que existia dentro dele sobrepôs-se a todos os seus sentidos. Essa parte recebeu o recado que havia partido do corpo de Augusto...
O corpo de Juca, controlado por aquela força misteriosa, vestiu-se, guardou o Manual na mochila e saiu da sala em passos rápidos.
Draco Malfoy ia aproveitar o intervalo entre as aulas para ver se conseguia encontrar o lugar ideal para encurralar Rony no que, segundo os seus planos, seria a última e definitiva investida para eliminar o seu inimigo.
Estava subindo a escadaria de mármore quando os pensamentos nebulosos que envolviam sua mente como nuvens negras foram dissipados instantaneamente, substituídos por idéias tão malignas quanto às suas, idéias que, no entanto, não eram dele, mas precisavam dele para serem postas em prática.
A mão de Draco fechou-se sobre o corrimão, com força, enquanto ele recebia o recado, os olhos fechados e apertados em concentração...
Ao abri-los, um murmúrio passou pelos lábios finos do rapaz...
-Não vai dizer... Não vai...
O corpo de Draco continuou a subir a escadaria de mármore até o topo, onde, com a expressão imutável, ele aguardou...
Distraído enquanto saía do banheiro, Harry foi pego de surpresa quando Colin Creevey molhou o seu rosto com um líquido esverdeado. Harry fechou os olhos e tirou os óculos para secá-los, enquanto o coração batia acelerado.
-O que... O que pensa que está fazendo?
Colin o observou, ansioso, enquanto o rapaz apontava a varinha para os óculos e secava as lentes. Ele enxugou os olhos com a manga das vestes e, colocando os óculos, fitou Colin, que ainda não havia respondido, com profunda irritação.
-O que pensa que está fazendo? – repetiu.
Colin passava a taça de onde saíra aquele líquido esverdeado de uma mão para a outra, sem perder o olhar de interesse.
-Você não está se sentindo... diferente?
-Diferente? Como assim? – Harry coçou a cabeça, confuso.
-Quanto ao que sente por mim... Não está sentindo algo mais forte por mim?
-Ah, sim – respondeu Harry; por um momento, os olhos de Colin brilharam, triunfantes; só por um momento. – Estou com muita raiva de você, e com certeza não sentia isso antes do que aconteceu aqui.
-Oh... – a animação de Colin desapareceu. Desanimado, ele jogou a taça contra a parede; ela se espatifou em inúmeros cacos. – Droga! Não serviu pra nada!
-A intenção não era me irritar? Porque, se fosse, essa sua brincadeirinha deu resultados!
-Não... Não era para deixá-lo nervoso... – Colin cruzou os braços.
Havia encontrado a receita para aquela poção e resolvera prepará-la. A poção prometia eliminar o poder de feitiços que mexiam com sentimentos, mas, pelo que Colin pôde constatar, não eliminava a força do que a galinha da Alone e suas amigas igualmente penosas haviam feito.
Antes que pudesse dar qualquer desculpa para Harry, o rosto dele se modificou de tal forma que Colin assustou-se. Ele empalideceu, e os olhos verdes arregalaram-se tanto que Colin achou que o garoto estava sofrendo algum colapso nervoso. De repente, fecharam-se com força. As dobras formadas na testa pareciam indicar que ele estava em profunda concentração.
Será que deu certo?, pensou Colin, sentindo a esperança retornar com força total. Será que a poção leva mesmo alguns segundos para surtir efeito?
Quando Harry reabriu os olhos, eles estavam da mesma forma: saltados, arregalados, concentrados.
Acreditando que Harry finalmente se libertara da paixão que sentia por Alone, Colin aproximou-se dele, estendo a mão para o seu rosto...
-Harry, que bom...
Harry empurrou-o com uma das mãos; Colin caiu no chão. Ao erguer o rosto, ele viu Harry afastando-se em passos rápidos, sem nem ao menos olhar para trás.
-Não deu certo... Que saco! – ele resmungou. – Mas o que será que deu nele para ficar daquele jeito? Porque... – ele franziu a testa. – Ele estava com uma força acima do normal. Não parecia ser o Harry...
Não, não parecia.
Nem um pouco.
Lewis causou irritação ao parar no meio do corredor, quando o recado transmitido pelo corpo de Augusto atingiu a sua mente.
-Ei, cara, está maluco? – foi um dos gritos de reclamação.
Indiferente aos protestos, Lewis abriu os olhos e começou a caminhar bem rápido; o motivo, contudo, não eram as reclamações dos colegas de escola.
Havia algo a fazer e o tempo era curto.
Conforme o que havia sido comunicado ao corpo de Draco, Frieda seguia para o Saguão de Entrada. O rosto do rapaz, desprovido de emoção, fixou o olhar na professora; fitá-la foi o bastante para transformar as feições pálidas de Draco numa máscara de fúria.
As Encalhadas continuavam atrás dela, fazendo apelos que eram ignorados.
-Escute uma coisa, Frieda: se nos denunciar, a gente fala o que você fez...
-Ah, Lanísia, você sabe que ninguém daria ouvidos a um bando de garotas safadas e que não possuem prova nenhuma do que estão dizendo.
Ela divertia-se com o pânico que provocava nas garotas.
Quando elas começaram a subir a escadaria, o corpo de Augusto parou no Saguão, deixando que Draco prosseguisse na vigilância. Quando elas atingiram o topo e seguiram para a esquerda, Draco foi atrás, fechando os olhos para comunicar aos outros a direção que Frieda havia tomado.
Eles já sabiam, pela direção, qual lance de escadas ela ia subir para chegar até a sala de Transfiguração. Comunicando-se mentalmente, o plano foi traçado.
Para que desse certo, precisavam que Frieda estivesse sozinha, mas as cinco garotas não deixavam de segui-la.
Coube a Juca Slooper e Harry Potter o papel de desviá-las.
Com gestos mecânicos, Harry e Juca explodiram dois vasos com as varinhas e, agachando-se, apanharam os dois cacos mais pontiagudos.
O som da explosão sobressaltou Frieda e as garotas.
-Que barulho foi este? – indagou a professora, irritada.
Ela olhou para o corredor que se abria à sua direita e viu os cacos de cerâmica espalhados pelo chão, sob os pés de dois rapazes que estavam de costas para ela. Frieda revirou os olhos e reclamou:
-Será que não podem ser menos barulhentos em suas brincadeirinhas ridículas? – respirou fundo e, em seguida, sorriu para as Encalhadas. – Sorte deles que estou com ótimo humor.
-Frieda, espere... – começou Lanísia, que já ia seguir a professora quando foi interrompida por Alone, que segurou o seu braço com força. – O que foi?
-Eu conheço o magricela ali.
-É, também acho que conheço o mais redondinho – falou Joyce.
Harry e Juca se voltaram para as garotas ao mesmo tempo.
Joyce gritou e Alone teve uma ligeira vertigem, sendo amparada antes de cair pelos braços de Mione e Serena.
Cada um dos garotos segurava um caco de porcelana, cujas pontas estavam próximas aos pescoços.
-O que estão pensando em fazer? – perguntou Hermione, assustada.
-Não agüento mais sentir tanto amor pela Alone – falou Harry. – Por mais que esse amor seja correspondido, parece que nunca é o suficiente para mim.
-Eu também, Joyce – disse Juca. – Gostar de você parece que é um sofrimento constante, por mais que você diga que ainda ficaremos juntos. Não suporto mais. Prefiro acabar com tudo de uma vez por todas – ele aproximou a ponta ainda mais, fazendo com que ela chegasse a tocar a pele.
-NÃO! – todas as Encalhadas gritaram ao mesmo tempo, apavoradas.
Frieda ouviu o grito de Joyce quando a garota gritou ao ver os rapazes, mas achou que era algo causado apenas pelo desespero das cinco amigas, por isso ignorou e continuou a caminhar.
Aproximava-se do lance de escadas que faria com que chegasse ao próximo andar...
No corredor para o qual essa escadaria a levaria, Lewis Lambert olhava para os dois lados, preocupado com uma possível aproximação. Naquele momento, Draco Malfoy surgiu, ofegante, na ponta do corredor, fazendo um sinal positivo com o dedo; a barra estava limpa.
Lewis, então, puxou a barra de ferro que havia conjurado e preparou-se.
Chegando ao outro corredor, Augusto, vendo a professora iniciar a subida dos degraus que a levariam para a morte, fechou os olhos e comunicou a Lewis que a inimiga estava a caminho.
Quando os sons dos passos estavam suficientemente próximos, Lewis saiu do canto em que estava escondido e, em um único golpe, brandiu a barra de ferro contra a cabeça da professora.
Frieda perdeu o equilíbrio e caiu rolando pelos degraus da escadaria.
O corpo só parou quando atingiu o piso do corredor, onde a cabeça da professora bateu com força.
As Encalhadas ouviram o impacto do corpo chocando-se contra o chão.
-Nossa, o que será que aconteceu agora? – perguntou Serena, sem tirar os olhos de Harry e Juca.
Para alívio das garotas, os dois soltaram os pedaços de cerâmica ao mesmo tempo, largando-os com extrema tranqüilidade.
Alone e Joyce correram até eles e os abraçaram. Serena, Mione e Lanísia dispararam para o outro corredor, onde, de longe, avistaram o corpo de Frieda estendido no piso, inerte.
-Oh, minha nossa... – falou Mione, sem ar. – Meninas! Meninas, corram aqui! – gritou para a direção em que Alone e Joyce estavam.
Elas aproximaram-se lentamente do corpo da professora; Alone e Joyce juntaram-se a elas. Encolhidas, elas fitaram o rosto de Frieda, que estava imóvel, com várias escoriações e um corte profundo na testa.
Ali, diante delas, estava o cadáver de Frieda Lambert.
Alone saiu para pedir ajuda. Em questão de poucos minutos, uma multidão se formou no corredor, composta por alunos e professores.
Minerva perguntou às Encalhadas o que elas tinham visto e o que ouviram; elas explicaram à diretora que apenas escutaram o corpo da professora batendo no chão. A informação foi confirmada por Harry e Juca, assim como por duas garotas do segundo ano que caminhavam pelo corredor no momento em que ela caiu.
-A marca na testa indica que foi assassinato – informou Filch. Ele alteou a voz, olhando para os inúmeros rostos curiosos que observavam. – Alguém a golpeou no alto da escada, ou enquanto ela subia. Ninguém viu nada suspeito no corredor acima? – ele apontou para as escadas.
Houve silêncio na multidão. Draco e Lewis estavam presentes, mas sabiam tão pouco quanto os outros. Não tinham idéia do que havia acontecido.
-Se alguém lembrar-se de alguma coisa, me procurem – pediu Rebecca. – O culpado sofrerá a pior das punições!
Madame Pomfrey examinou o corpo rapidamente.
-A morte foi provocada pelas pancadas que ela sofreu na cabeça. Ela pode ter morrido logo com o primeiro golpe, ou quando bateu a cabeça em um dos degraus, ou até mesmo quando se chocou contra o piso do corredor. Vou levá-la até a ala hospitalar para confirmar.
A maca com o corpo passou por cima de todos os curiosos. Minerva comunicou que as aulas seriam canceladas naquela tarde e também no dia seguinte, quando seriam realizadas as cerimônias fúnebres. Ela ofereceu as condolências a Lewis, assim como várias pessoas que ali estavam; Lewis as recebia, agradecia, mas não derramava nenhuma lágrima. Diante da enorme paixão que sentia por Serena, a morte de sua mãe não representava uma grande perda.
As Encalhadas ainda estavam em estado de choque. Alone, que ainda tremia devido ao nervosismo, olhou para as amigas, e falou, lentamente:
-O segredo são as cinzas.
-Não entendemos nada – falou Mione, confusa.
-Para anular o poder da Fogueira... Eu já sei há algum tempo, mas não tinha coragem de contar. O segredo são as cinzas – repetiu.
Elas entreolharam-se, surpresas e aturdidas.
-Vamos para a Sala Precisa agora e você vai nos explicar tudinho! – disse Joyce, tão irritada quanto às outras Encalhadas.
-Alone... – Hermione estava sem palavras. – Por que nos escondeu isso? Você sabia como era importante descobrir a reversão da Fogueira!
-Importante pra você, Mione! – replicou ela, em tom de defesa. – Pra você, não pra mim! Sei que para a maioria das Encalhadas encontrar a reversão era essencial, mas para mim, não! Sem a Fogueira o Harry volta para a bicha do Colin e eu não tenho chance alguma de conquistá-lo, sabem por quê? Porque eu não posso dar pra ele o que ele procura; o que ele gosta!
As outras apenas a observaram, enquanto a garota, descontrolada, apontava o dedo indicador na direção de Lanísia.
-Vejam Lanísia, por exemplo! Ela também se deu bem com a Fogueira, mas se descobrisse algo importante contaria a vocês, não por ter um caráter melhor do que o meu, mas porque mesmo sem o ritual ela tem chances reais de fisgar o professor Augusto. Já eu, não! Não tenho chance nenhuma! Vocês entendem isso?
Ela aguardou a resposta das garotas. Foi Hermione quem quebrou o silêncio.
-Alone, o que você fez foi muito grave. Eu entendo a sua situação, mas, durante esse tempo em que você nos escondeu isso, o Draco podia ter matado o Rony e se não acontecesse essa fatalidade com a Frieda, estaríamos prontas para uma partida sem volta direto para Azkaban.
-Eu sei que fiz besteira, Mione. Sermão é o que eu menos preciso. Fiquei em dúvida várias vezes, mas em nenhuma delas tive coragem de contar a vocês. Afinal, uma reversão para a Fogueira significa abrir mão do Harry para sempre. E vocês sabem como eu gosto dele – ela fechou os olhos e respirou fundo. Não havia mais o que argumentar. Puxando uma das cadeiras que havia na sala, ela sentou-se e perguntou. – E então? Serei expulsa do grupo assim como a Clarissa?
-Não sei... – respondeu Joyce, fitando as outras com ar de dúvida. – O que você fez não foi tão grave...
-E não foram atos de psicopata – lembrou Serena.
-É, não mesmo – concordou Joyce. – Mas... Veja bem, Alone, agora que temos a idéia de procurar algo que envolva cinzas, vamos reiniciar a busca pelo ritual de reversão. Como poderemos confiar em você? Não me leve a mal, mas digo isso pensando que você pode encontrar algo que nos ajude e nos esconda outra vez... – constrangida, Joyce olhou para as amigas, pedindo ajuda. – Vocês também não pensam assim, meninas?
Mione, Lanísia e Serena concordaram. Alone não ficou ofendida com o receio das garotas.
-Entendo o que estão sentindo – disse ela. – Eu também me sentiria da mesma forma. Mas garanto a vocês que não esconderei mais nada. O susto que tomei hoje foi o suficiente para me despertar de uma vez por todas. E algo que vi recentemente também...
-O que você viu? – indagou Lanísia.
Ela começou a examinar as próprias unhas, como se tocar naquele assunto a incomodasse e ela precisasse procurar alguma função para distrair a mente enquanto falava.
-Observei o Colin de longe e vi como ele estava sozinho. Ele não tem amigos, não tem ninguém... Ele estava muito triste, por causa do Harry, é claro, e eu percebi que, se o poder da Fogueira terminar, eu é que sofrerei por causa dele, mas conseguirei me recuperar porque, ao contrário dele, eu tenho vocês... – ela diminuiu a voz no final da frase.
-Como é que é? – perguntou Mione.
-O que?
-Não entendemos o que você disse no final da frase... – explicou Serena.
Alone voltou à observação das unhas.
-Que ao contrário dele, eu tenho vocês.
-OHHH! – elas suspiraram, emocionadas.
-Que coisa meiga! – disse Mione, comovida.
-E então... – Alone ergueu o olhar. – Ainda faço parte do grupo?
-Depois do que você disse? – perguntou Lanísia, a voz falhando devido à emoção. – Você apelou, é sacanagem!
Ao mesmo tempo, Lanísia, Hermione, Serena e Joyce foram até Alone e a abraçaram, deixando claro que ela ainda era uma Encalhada.
-Agora só precisamos encontrar a reversão para nos livrarmos desse pesadelo de uma vez por todas – disse Joyce, enxugando as lágrimas. – E estou confiante de que vamos encontrar logo.
-As aulas da tarde foram canceladas devido à morte de Frieda – falou Mione. – Vamos para a biblioteca agora mesmo! Precisamos encontrar algo que envolva cinzas e que sirva para despertar os rapazes... Ah, não vejo a hora de nos livrarmos da Fogueira!
-Vamos almoçar primeiro – organizou Joyce. – Temos a tarde inteira para pesquisarmos. Então, fica marcado: depois do almoço, reunião na biblioteca!
E, naquele momento de esperança, elas sentiram, mesmo sem combinarem, que era hora de bradar o grito de guerra do grupo:
-Encalhadas, Encalhadas, tão lindas e apaixonadas!
Elas estavam sentadas na mesa da Grifinória, almoçando, quando Serena viu Lewis passar e, não encontrando um lugar disponível perto dela, ir sentar-se mais adiante.
-Vou falar com o Lewis rapidinho, meninas... – ela avisou.
-Humm... Conhecer o Feitiço da Prevenção te animou um pouquinho, não foi? – disse Lanísia, maliciosamente.
-É... Digamos que sim... Mas o assunto não é esse. Ele acabou de perder a mãe. Preciso consolá-lo.
-Eu não sei se ele está muito triste com isso – comentou Hermione, apontando para o lugar onde o rapaz estava sentado.
Serena olhou.
Lewis almoçava despreocupadamente.
-É, parece que não – concordou Serena. – Então, posso voltar ao assunto sujo...
-Delícia! – exclamou Joyce, animada.
-Estive pensando, e esse Feitiço da Prevenção pode facilitar as coisas. Pensei bem e, tomando cuidado, poderia dormir com ele a vida inteira e não correr o risco de termos um filho.
-E ainda economiza com iluminação – lembrou Joyce. – Já disse, fica um cone iluminado muito útil. Mesmo quando o cone estiver sem uso...
-Não estamos falando em economia doméstica – avisou Mione.
-É, Joyce, essa não é a questão – disse Serena. – Sei que agora estou mais inclinada a ficar com o Lewis. Mesmo depois que ele voltar ao normal, quando tudo acabar, ele vai aceitar o início do nosso namoro, agora que a mãe dele não está mais entre nós. E acho que quero continuar ao lado dele... Mas, enquanto isso, vou perguntar como foi a reação dos colegas ao vê-lo aparecer de repente... Até logo, meninas!
Ela levantou-se e foi até ele.
-Estava pensando na tentativa de suicídio do Juca e do Harry... – começou Joyce. – Percebi uma coisa curiosa. Assim que ele soltou o caco, o rosto dele se modificou. Antes não parecia que era o Juca... Ele falava as coisas de uma maneira diferente, como se estivesse lendo um texto... Era como se fosse uma cena ensaiada.
-É... – Alone concordou. – Harry também estava assim. Mas achei que era pela tensão do momento...
-Não acho que tenha sido – discordou Joyce. – Tudo aconteceu de uma maneira... – ela procurou a palavra exata – ...sincronizada. Vejam bem: eles olharam para nós no mesmo momento; ficaram posicionados do mesmo jeito; soltaram os cacos no mesmo instante; e, depois disso, eles voltaram ao normal. Eu tinha, diante de meus olhos, o Juca outra vez; mas, enquanto estava ameaçando se matar, eu tive a impressão de que o cara que estava na minha frente não era o Juca! É meio absurdo, mas era como se o corpo dele estivesse lá e não fosse controlado por ele mesmo...
-Também pensa assim, Alone? – perguntou Lanísia.
-Harry estava estranho, sim... Mas, também, não há nada de normal em tentar se matar, não é mesmo? – ela voltou a olhar para o seu prato e tomou um susto. – Ei, onde foi parar o meu pedaço de torta? – ela olhou em volta; quando observou Joyce, percebeu um estranho movimento debaixo da blusa da garota. – Joyce, você por acaso trouxe a Chana pra almoçar?
-Que pergunta absurda... – Joyce riu. – Está certo que eu gosto de transar, mas não tenho hora marcada para essas coisas acontecerem...
-Joyce, não disfarça! Você entendeu muito bem o que eu disse! Tira essa blusa, anda!
-Por quê? Está ficando doida, Alone?
-Tira a blusa, Joyce!
-Não, não vou tirar, sabe por quê? Porque o que está dizendo não tem fundamento!
-Estou perdendo a paciência, mané! – Alone levantou-se e, irritada, pediu outra vez. – Mostra logo essa gata! Eu sei que ela está aí!
Joyce cruzou os braços.
-Não, não tenho nada pra mostrar...
-Ah, mas tem sim... – ela passou por cima da mesa e, alcançando o lado de Joyce, estendeu as mãos para a blusa. – Agora eu pego...
-Ei, me solta! Alone, sai daqui! – Joyce protestava, enquanto tentava se desvencilhar da garota.
-Alone, pare com isso – pediu Mione.
-HERMIONE, A CHANA ESTÁ ALI EMBAIXO E EU PROVAR A VOCÊS! – gritou Alone, perdendo a paciência. Voltou para a luta, tentando tirar a blusa de Joyce. – ANDA. DEIXE-ME ABRIR! A CHANA ESTÁ AÍ!
-Ei, Alone...
-NÃO INTERROMPA, MIONE! SÓ PARO QUANDO PÔR AS MÃOS NA CHANA!
Ela levantou a cabeça para olhar para Hermione e, quando o fez, teve uma surpresa...
Todos no Salão a fitavam com a mesma expressão de espanto. Um silêncio absoluto pairava no local. Corando, Alone baixou a voz e perguntou à Mione.
-Diga-me que estão fazendo um minuto de silêncio em homenagem à Frieda.
-Não. Estão em silêncio graças ao estado de choque de verem uma jovem doida para ver as partes íntimas da outra em pleno Salão Principal!
-Está vendo o que você fez, Joyce? Por sua causa agora todos pensam que sou uma lésbica desesperada!
-Claro, fica gritando o que não deve... – disse Joyce, ignorando-a.
Em um tom de voz cheio de animação, Alone olhou na direção da Mesa Principal e exclamou:
-Olha, a calça de Hagrid caiu e o membro é proporcional ao tamanho dele!
-Não brinca! Cadê? – Joyce virou-se no mesmo instante. Os braços que estavam cruzados sobre a blusa mudaram de posição e, dessa maneira, Alone ergueu a blusa dela e libertou a gata que estava escondida.
Chana pulou em cima da mesa da Grifinória. As pessoas no Salão voltaram a olhar para elas quando Alone, em desespero, apontou para a gata que fugia e começou a gritar:
-VIRAM? ESSA É A CHANA! CHANA É UMA GATA! NÃO DISSE?
-Isso foi golpe baixo, Alone! – resmungou Joyce, empurrando-a.
-Ei, ei, tira as mãos de mim! Ficou irritadinha por que enganei você? Bem feito...
-Não! Não se brinca com o desejo dos outros – Joyce parecia à beira das lágrimas. – Sabe como quero ver um membro de gigante, poxa...
-Ô Joyce, acho melhor você se lamentar depois... – avisou Lanísia, acompanhando a fuga de Chana com o olhar. – Não é por nada não, mas a sua gata está se mandando.
-Oh, não! CHANA! – ela largou o almoço e precipitou-se pelo Salão; Chana tinha acabado de cruzar as portas. – Meninas, venham me ajudar!
-Eu nunca imaginei que um dia sairia correndo atrás de uma Chana – comentou Alone. – A vida às vezes nos surpreende...
-Vamos achar essa gata logo, senão a Joyce não vai ter nem cabeça para participar da reunião – disse Hermione, esperando que as amigas se levantassem.
Começava, então, a busca pela gata.
Serena viu toda a confusão do lugar onde estava sentada com Lewis. Vendo que as amigas saiam correndo do Salão no encalço de Chana, ela decidiu ajudá-las.
-Poxa, não pode ficar aqui mais um pouquinho? – Lewis deu-lhe um beijo, tentando convencê-la.
-Não, preciso ir – respondeu Serena carinhosamente. – Fique por aqui. Provavelmente vai ocorrer algum comunicado da diretora em homenagem à sua mãe... É importante que esteja aqui para ouvir.
Ela sabia que as homenagens, assim como todas as condolências que Lewis já havia recebido pela morte da mãe, não fariam a menor diferença para ele – pelo menos, não agora. Mas era importante ele participar de todas elas, ou o seu comportamento seria considerado estranho. E se alguém percebesse que Lewis estava um tanto fora do comum, poderia chegar onde ela e as Encalhadas não queriam que ninguém chegasse...
-Até logo – ela beijou-o uma última vez e afastou-se.
Estava perto das portas de saída quando as mãos de Clarissa seguraram o seu braço e a interromperam. Serena olhou-a com impaciência.
-O que você quer?
-Nada. Só queria dar-lhe os parabéns.
-Pelo quê? – perguntou Serena, embora soubesse onde Clarissa queria chegar.
-Ora, pela morte da Frieda. Ela foi uma pedra no sapato das meninas, mas no seu, principalmente. Sei bem o quanto deve estar contente pela morte dela. Os dias de ajoelhar-se em cacos de vidro fazem parte do passado... – ela riu.
-Sei disso. Claro que estou com a sensação de que agora minha vida terá um pouco de paz, mas jamais ficaria contente com a morte de outra pessoa. Não sou como você, Clarissa.
-Ah, então também não era como a Frieda...
-Nem um pouco, e sinto orgulho disso.
-Vi você só nos carinhos e beijos com o Lewis. Decidiu ficar com ele?
-Sim, Clarissa, e, pelo que me consta, você não tem nada a ver com isso.
-Calma, calma... Não precisa ficar nervosa. Só acho curioso você ter optado por continuar com ele. Não só pelo parentesco que existe entre vocês, mas pela desgraça que esse relacionamento já causou.
-Ao que você está se referindo? – Serena ficou intrigada.
-Oh, você ainda não sabe que foi culpa sua? – Clarissa fingiu que estava espantada.
-O quê exatamente?
-A morte dos seus pais, queridinha. Afinal, Frieda só os matou para atingir você.
Serena estremeceu.
-Do que está falando, Clarissa? Como pode saber isso?
-Acho melhor irmos até o Saguão de Entrada – disse Clarissa, indiferente ao horror que Serena sentira. – Podemos conversar mais à vontade.
-S-sim... – Serena gaguejou, desnorteada.
Clarissa levou-a pela mão até o Saguão. Sem perguntar se Serena estava melhor, foi logo dizendo tudo o que sabia.
-Frieda matou os seus pais. A única razão era ter a sua guarda para atormentar a sua vida à vontade e, claro, deixá-la órfã, sofrendo pela perda dos dois.
-Mas... Pensei que tinha sido um acidente...
-Todos pensaram, não é mesmo? Acha que Frieda fazia as coisas de qualquer jeito? Era isso mesmo que ela queria! Ela contratou o Walter, que trabalhava no Lorenzo´s, pra fazer o serviço. E ele fez muito bem feito.
-Não... Não posso acreditar em você! Não teria como você saber disso...
-Tem sim. Eu ouvi uma conversa entre Frieda e Walter. Oh, Serena, sei como é difícil pra você – ela estendeu a mão para o rosto da garota, como se quisesse consolá-la; Serena, triste, virou o rosto, desvencilhando-se. – É difícil, mas é um fato que você precisa aceitar. Você foi responsável pela morte dos seus pais, e não tem como mudar isso... – sua voz estava fria.
-Não, não fui...
-Como não? Afinal, você acha que Frieda teria tanto ódio de você se não tivesse começado a correr atrás do filho dela? A partir do momento em que você se envolveu com o Lewis, você adiantou a ida dos dois para o cemitério.
-Pare, Clarissa, pare! – ela começou a chorar, as mãos frias sobre os olhos. – Por favor...
-Não adianta fugir... Sempre que olhar para Lewis, verá o seu erro. Você não tem como fugir da verdade. E ninguém pode ajudá-la.
-Pare... – Serena agachou-se no chão, escondendo o rosto e chorando copiosamente. – Não fale mais nada...
-Você ajudou a matar os seus pais.
-Pare!
-E não tem como voltar no tempo e corrigir o seu erro. Vai carregar isso para sempre, sua assassina.
-VÁ EMBORA! – Serena berrou, perdendo o controle.
-Está bem. Já falei tudo o que tinha para falar mesmo... – Clarissa suspirou. Serena, com o rosto oculto, não pôde ver o sorriso enviesado que surgiu no rosto dela, nem mesmo o estranho brilho que havia em seus olhos – brilho que refletia um prazer maligno. – Boa sorte, Serena... – ela disse, por fim, antes de voltar ao Salão Principal.
O preço por sua expulsão do grupo seria amargo para as Encalhadas. Serena provou de seu veneno e, para seu imenso prazer, Clarissa percebeu que ela não havia gostado nem um pouco.
Elas se separaram para ver se conseguiam encontrar Chana com mais facilidade. Hermione seguia perguntando para um ou outro aluno se não tinham visto uma gata, e passava, em seguida, as características de Chana.
Seguindo as indicações, ela foi parar perto da sala de Feitiços, onde Charles Márquez, um aluno do sétimo ano da Sonserina, estava parado ao lado da porta, com as mãos no bolso.
-Oi, Charles – ela cumprimentou. – Por acaso você viu a Chana da Joyce por aqui?
-É, eu já vi algumas vezes, mas não foi por aqui... – comentou ele, rindo com malícia. – Como sabe disso? Ela contou a você?
-Não, não estou perguntando sobre o que você está pensando... Refiro-me à gata da Joyce. O nome dela é Chana. Sinto muito, mas às vezes eu esqueço que isso não é encarado com naturalidade pelas outras pessoas...
-Sei... – ele fitou-a com apreensão. – Você e suas amigas formam um grupo bem esquisito... – ainda encarando-a com estranheza, ele caminhou alguns metros e postou-se ao lado de outra sala. Na certa estava esperando uma garota para um encontro.
Ela abriu a porta da sala de Feitiços e entrou. Agachou-se para espiar por debaixo das carteiras; nem sinal da gata. Levantando-se, Mione encaminhou-se para a porta, a fim de continuar a sua busca. Não pôde prosseguir, já que, naquele momento, Rony apareceu, alarmado, e, segurando o braço dela com força, puxou-a para dentro da sala outra vez.
-Preciso falar com você – disse ele, sério.
-Epa, epa, calma! – ela pediu, mas ele já havia soltado o seu braço e encostado a porta. Ela não gostou muito do que viu; Rony estava com as bochechas vermelhas e ofegava como se tivesse corrido por quilômetros. Esperando o pior, ela fechou os olhos e falou. – Já deu pra perceber que aconteceu alguma coisa...
-Eu não sei bem se aconteceu, mas acho que sim – falou Rony, aproximando-se dela com seu olhar assustado. – Acho que o Draco ajudou a matar a professora Frieda.
-Como? Espere um pouco, Rony, você não deve estar no seu estado normal...
-O Draco estava perto do corredor para onde a professora estava indo no momento em que recebeu o golpe na cabeça. Eu o vi lá.
Mione não conseguiu dizer nada. Ela parou por alguns segundos, assimilando a informação, e depois balançou a cabeça em negação.
-Não faz sentido. Deve ter sido coincidência. Rony, você sabe tão bem quanto eu que Draco está enfeitiçado pela Fogueira.
-Sim, foi por isso que não falei nada para a direção e resolvi procurá-la primeiro.
-Escute: Draco não está agindo como uma pessoa normal. Ele, assim como os outros, vive apenas para a garota que jogou o nome dele no fogo, no caso, eu. Ele tentou matar você, mas apenas porque você estava envolvido comigo. Ele não sai matando qualquer um, ao acaso, como um psicopata qualquer...
-Mas a pessoa que ele matou estava envolvida com você. Não como um casal, mas fazia parte de sua vida. Frieda não era "qualquer uma".
-Sim, mas não existia um motivo para ele querer matá-la. No seu caso, o foco era matar você para ficar comigo. Em relação à Frieda, ele não tinha por que fazer... – ela interrompeu-se. – Oh, por Merlin...
-Achou um motivo?
-Talvez... Não tenho certeza... – Hermione sentou-se. Rony sentou ao lado e tomou-lhe uma das mãos, enquanto esperava que ela prosseguisse. – Foi tudo tão rápido, mas... É possível.
-Diga-me, o que é?
-Pouco antes de morrer, a Frieda descobriu que eu e as meninas tínhamos armado a Fogueira. Se o Draco, de alguma forma, ouviu isso, ele pode ter tentado impedir que ela nos prejudicasse.
-Sim... – Rony concordou, pensativo. – Deve ter sido isso... Mas será que ele ia escolher um modo tão brutal para impedi-la?
-Bom, se ficasse viva ela na certa ia nos denunciar. Ele viu que não tinha jeito e... – a voz dela falhou – ...a matou...
-Mas não fez isso com as próprias mãos. Como eu disse a você, ele ajudou a matá-la, porque vi o Draco na curva que levava ao corredor onde o assassino deu o golpe na cabeça dela. Era como se ele estivesse dando cobertura à pessoa que a golpeou... Mione... Será que não foi a Clarissa quem matou a professora?
-Não... Nem pense nisso. Esqueceu que ela manipulou o Draco para matá-lo por que não conseguia fazer o serviço sozinha? Ela com certeza não queria que Frieda revelasse que a Fogueira foi realizada, mas jamais conseguiria matar a professora.
-Mas, se não foi ela, quem ajudaria o Draco num plano sujo como este? Ninguém mais teria razões fortes o suficiente para matá-la...
-Exceto aqueles que tinham as mesmas razões que ele... – ao dizer isso, Hermione arregalou os olhos. – Os outros rapazes enfeitiçados!
-Sério? – indagou Rony. – Acha que eles se uniram para não deixar que Frieda as prejudicasse?
-Sim! Talvez um tenha falado para o outro, e eles tenham combinado!
-Você não viu nenhum deles antes da Frieda morrer?
-Sim. O Harry e o Juca. Eles estavam ameaçando se matar...
-O Harry?
-É! Ele e o Juca disseram que não podiam agüentar tanto amor... Mas houve algo de estranho aí, Rony, eu e as meninas até comentamos sobre isso. Harry e Juca estavam estranhos, como se não controlassem os próprios movimentos. E foi só a professora cair da escada para eles perderem a vontade de se matar. Era como se estivessem ali para evitar que eu e as garotas continuássemos a seguir a professora... sim, porque a seguimos de perto, e íamos seguir até que ela chegasse à Minerva... E, perto da escada de onde ela caiu, os dois apareceram, com essa conversa de que iam tirar a própria vida.
-Se eles estavam lá, eles não conversaram com o Draco e com o outro que golpeou a cabeça da professora.
-Que provavelmente foi o Lewis. Estávamos saindo da sala do Augusto quando ela contou que havia descoberto tudo, e ele não passou por nós, tenho certeza disso. Não teria como ele chegar lá em cima antes dela.
-Acho que foi o Augusto quem ouviu tudo!
Ela considerou a hipótese.
-É... É possível... Mas, ainda assim, não faz sentido. Esse plano em conjunto não pode ter acontecido. Eles estavam espalhados em diferentes pontos da escola, não teriam como se comunicar...
-A não ser que eles estejam ligados de uma forma que desconhecemos.
Mione fitou-o.
-No que está pensando?
-Veja bem: eles estão ligados pelo mesmo ritual. Talvez isso crie algum vínculo mágico entre eles, e possibilite que eles se comuniquem à distância.
-Tem razão, Rony. Eles conseguiram comunicar-se através do pensamento e, assim, armaram o plano! Nunca imaginei que pudesse existir esse tipo de união entre os enfeitiçados pela Fogueira...
-É, parece que vocês escolheram um ritual um tanto assustador para executarem...
-Mas já vamos nos livrar dele.
-Ei, tem novidade, é? – ele beijou-a. – Conte pra mim. Tem reversão à vista?
-Sim – ela sorriu, acariciando-lhe os cabelos ruivos. – Acredito que encontraremos a maneira de acabar com tudo isso, e bem rápido.
-Ótimo! Não vejo a hora de podermos andar pelo castelo à vontade, juntinhos...
-Eu também – eles se beijaram novamente. – Seja o que for que una os cinco rapazes enfeitiçados, não vai durar muito tempo. Vamos deixar tudo isso para trás e poderemos nos agarrar até no Salão Principal.
-Ah, não vejo a hora... – ele abraçou-a e a cobriu de beijos.
Joyce espiava atrás de uma estátua, tentando encontrar a gata, quando ouviu os gemidos vindos da sala mais próxima.
-Tem gente se divertindo... – ela sorriu. – Será que são elfos outra vez? Hum, veremos...
Ela colou o ouvido esquerdo na porta e ouviu os gemidos. Estava curiosa para saber quem estava lá dentro, mas, quando o rapaz falou, ela soube de imediato quem era.
-Isso... Vai... Blenda, que delícia...
"Juca", pensou, irritada. Ela escancarou a porta, pronta para esfolar a cara da garota que estava enroscada com ele.
-AH-AH! PEGUEI VOCÊS! – ela berrou.
Juca deu um pulo. Estava nu, ao lado de uma boneca esquisita. A boca da boneca formava um O e ela também estava pelada.
-O que é isso? – ela perguntou, apontando para a boneca.
-Blenda... Uma boneca inflável – respondeu Juca, forçando um sorriso. – Gostou?
-Que pergunta mais absurda, Juca! Achou que eu ia gostar de vê-lo ao lado dessa boneca tosca?
-Não é uma mulher de verdade... – explicou ele, enquanto se enrolava em um lençol.
-Mas é feita para parecer uma!
-Eu pedi emprestada ao Dino, para encerrar o meu treinamento nas artes sexuais.
-Nossa, mas o Dino outra vez? Ele já deu a você esse manual depravado que você vem utilizando. Daqui a pouco monta um sex shop aqui em Hogwarts.
-Na verdade, ele já vem fazendo algumas vendas...
-Oh... – ela exclamou, espantada.
-Por que o espanto? Vai contar para a diretora?
-Não. Só queria verificar o que ele tem para vender...
-Ah, então você não tem o direito de me censurar!
-Tenho sim. Quero comprar alguns acessórios para usar quando estiver com um homem, e não comprar um homem de mentira!
-Eu já disse, tente entender. Eu só comprei a Blenda para treinar as posições com mais realismo.
Joyce engoliu em seco. Não se conformava com aquela boneca inflável. Não era uma mulher de verdade, mas deixar Juca sozinho com ela a incomodava demais.
-Sabe o que eu vou fazer com a sua "amiga" Blenda? – perguntou Joyce, pegando a varinha.
-O que?
Ela conjurou uma tesoura afiada e, em seguida, avançou para a boneca, ensandecida.
-Vou furar aqui... E aqui... – enquanto falava, ela desferia diversos golpes de tesoura na boneca, que começou a murchar. – Pronto! – Joyce, ofegante, contemplou o resultado. – Blenda se foi.
-Uau – disse Juca, admirado. – Que ciúme, hein? Imagine se fosse uma mulher de verdade!
-Ciúme? Eu? – Joyce gargalhou. – Ah, Juca, como você é engraçado...
-Ué, se não foi ciúme, então por que você massacrou a coitada?
-Como eu posso sentir ciúme de uma boneca?
-Ah, vai saber. Digamos que ela já estava sentindo o que você ainda não pode sentir... – ele apontou para o meio das pernas. – Isso a irritou, não?
-Quer saber de uma coisa? – perguntou Joyce, empurrando-o. – Apenas eu tenho o direito de lhe dar prazer. Você não pode obter prazer de outra forma! – ela empurrou-o com mais força e, dessa vez, Juca caiu no chão, ainda enrolado no lençol. Os óculos caíram ao seu lado e, confuso, ele choramingou.
-Poxa, Joyce, por que fez isso? Isso dói...
Ela debruçou-se sobre o corpo dele.
-Você não entende nada sobre ser sexy, não é? – disse com desprezo, acariciando-o no baixo ventre, passando os dedos sobre o lençol. – Mas, tudo bem, o que você ainda não sabe, eu ensino.
Ela beijou-o e, enquanto fazia isso, começou a movimentar os quadris sobre o baixo ventre de Juca, criando um contato que criou ondas de prazer que se propagaram por todo o corpo do rapaz. Ele chegou a estremecer com aquela sensação.
-Uau, Joyce... Você é realmente fantástica...
-Espere só até você atingir o ápice, queridinho... Você ainda não viu nada.
-Nem você... – ele girou o corpo, ao mesmo tempo em que, segurando os braços dela, fez o mesmo com o corpo dela. Agora era Juca quem estava por cima e, deslizando as mãos para dentro da blusa de Joyce, ele falou, sorridente. – Você também não sabe do que sou capaz. Está certo que eu queria terminar o treinamento, mas...
-Você já deve ter aprendido o suficiente. Vamos, faça a avaliação final aqui dentro do meu corpo – ele apalpou-lhe os seios; Joyce fechou os olhos, ofegante. – Depois eu digo se você foi aprovado ou não.
-Vou adorar essa prova – disse ele, tirando a blusa dela.
Juca a despiu e, em seguida, tirou o lençol que cobria o seu corpo. Ele passou a língua em diversos pontos do corpo de Joyce, acendendo-a. Em seguida, o rapaz a tirou do chão sem aviso e carregou-a nos seus braços, soltando-a apenas quando chegaram perto de uma parede. Prensando-a contra a parede, Juca começou a beijá-la e pediu:
-Levante uma das pernas... – Joyce obedeceu. – Isso... Agora você vai levantar a outra pra ficar sentadinha no meu colo...
-Juca, isso não vai dar certo.
-Só precisa de um pouco de habilidade, mas vai dar certo – disse ele, confiante. – Erga a outra perna, eu ajudo você.
Ele firmou-a e sentou-a em seu membro; os dois ofegaram quando houve o contato.
-Agora segure firme no meu pescoço para se apoiar melhor... Isso... Agora podemos brincar.
-Sim, mostre o que você aprendeu.
Ter Juca dentro de si foi mais prazeroso do que ela esperava; ao mesmo tempo em que a penetrava, Juca beijava o seu pescoço. O que ele oferecia não era apenas sexo; era muito mais completo.
Envolvida por aqueles toques adicionais e por aquela posição um tanto mirabolante, Joyce explodiu em poucos segundos, experimentando uma sensação inédita. Juca percebeu que ela estava no clímax e apertou-a com maior intensidade.
Quando os gemidos prolongados de Joyce cessaram, foi ele quem começou a sentir que estava chegando ao ponto alto do prazer, e segundos depois foi atingido pelo furor do clímax.
Com os corpos um tanto doloridos – mas nem um pouco arrependidos – Joyce e Juca desabaram em cima de uma das carteiras. Juca, com o rosto molhado de suor e com os cabelos desgrenhados, olhou para Joyce e perguntou:
-E aí? Fui aprovado?
-Sim, e com louvor! – ela estava muito satisfeita; o período que havia ficado sem atingir o orgasmo finalmente havia terminado. Com Juca, experimentou um dos melhores de sua vida. Ela não podia acreditar que Juca Slooper havia causado tanto furor em seu corpo; mas, não podia negar. Ali estava ela, nua, ao lado dele, sentindo vontade de que ele a tocasse novamente. – Não, não é hora...
-O que disse?
-Deixa pra lá... É que preciso achar a minha gata. Já ia me esquecendo... – ela foi até onde as roupas foram largadas e vestiu-se. – Agora que já o aprovei, não vá comprar outra Blenda.
-Não. Não preciso mais. Tenho você. E você gostou do que fizemos – ele sorriu, tão abobalhado que Joyce chegou a suspirar.
-É, gostei bastante... – até para ela era estranho dizer aquilo. – E aí, esqueceu mesmo aquela história de suicídio?
-Suicídio?
-Sim.
-Que suicídio?
Joyce aproximou-se dele.
-Juca, você não lembra que tentou se matar?
-Não... Isso foi quando?
-Hoje.
-Eu me senti um pouco estranho hoje de manhã, mas não me lembro disso...
-Estranho?
-É. Eu estava treinando uma posição com o manual... E de repente, tudo ficou branco... Depois, quando voltei ao normal, estava no corredor e você veio me abraçar.
-Que estranho...
-Ãh?
-Nada. Esquece... Até logo, Juca. Ah, já ia me esquecendo – com a varinha, ela apagou o Feitiço da Prevenção que envolvia a parte íntima do rapaz e, em seguida, saiu da sala.
-Joyce! Encontrei a Chana! – ela olhou para o lado; Alone vinha ao seu encontro com a gata enroscada em seus braços.
-Oh, minha filhinha – Alone passou a gata para ela. – Onde a encontrou?
-No pátio. Ela estava se enroscando com o gato de um aluno da Corvinal... – ela olhou Joyce dos pés à cabeça. – Será que os animais puxam os donos?
-Não enche, Alone. Vamos avisar às meninas que já encontramos a Chana. Agora já podemos nos reunir na biblioteca.
-Entrem!
Filch e Rebecca entraram na sala da diretora. Minerva estava de pé, caminhando a esmo por sua sala; não conseguira sossegar desde que Frieda fora assassinada.
-Descobriram alguma coisa? – ela perguntou, ansiosa.
-Nada – respondeu Rebecca. – Parece que a pessoa que a matou agiu com cuidado. Ninguém viu nada, ninguém ouviu nada... Continuamos no escuro, embora eu tenha as minhas próprias suspeitas...
-Pode me contar de quem desconfia? – indagou Minerva.
-De um certo grupinho de amigas que não gostava nem um pouco da professora Frieda.
-Se está se referindo ao grupo formado por Hermione Granger, Serena Bennet, Alone Bernard, Joyce Meadowes e Lanísia Burns, está perdendo o seu tempo. Informaram-se pessoalmente de que elas estavam ao redor da professora, pouco antes do momento fatal; no entanto, a informação dada por elas, de que estavam no corredor inferior, foi confirmada por Harry Potter e Juca Slooper, além de Amanda e Tina, duas alunas do segundo ano, e, finalmente, pelo professor Augusto, que entrava no corredor no instante em que o corpo de Frieda caiu.
-Mas Harry e Juca são namorados de duas delas...
-Só que o professor Augusto, Amanda e Tina não são. Como pode ver, Rebecca, elas têm um álibi bem convincente, e não teriam como ter dado o golpe que fez com que Frieda rolasse escada abaixo. Ainda acha que tem motivos para desconfiar delas?
Rebecca engoliu em seco, sem argumentos.
-Não... Mas, ainda assim, não confio nelas.
-Entendo a sua ansiedade em punir esse assassino, e pode acreditar que também estou muito interessada em condená-lo, mas não cabe a nós investigarmos. Lembram do Lorenzo Martin, o dono do Lorenzo´s?
-Sim – respondeu Filch.
-Ele mandou-me uma coruja dizendo que está interessado em investigar o crime. Apesar de não ser um profissional, Lorenzo é esperto e, com ele investigando, vocês poderão continuar exercendo as suas tarefas cotidianas.
-Mas eu pensei que poderia investigar... – reclamou Rebecca.
-Não – Minerva interrompeu-a. – Essa será uma tarefa para o Lorenzo. Por não trabalhar em Hogwarts, ele saberá investigar sem colocar o lado pessoal na investigação, como você faria – ela apontou para Rebecca, que grunhiu. – Não fique brava. Pode deixar que, antes do assassino ir para Azkaban, você terá a oportunidade de castigá-lo pelo "comportamento inadequado".
Minerva parecia confiante.
-Com a ajuda de Lorenzo, vamos descobrir tudo o que está por trás desse assassinato.
Em volta de uma das mesas, com os livros que haviam retirado das prateleiras, as garotas pesquisavam rituais e encantamentos que, de alguma forma, envolvessem cinzas.
Apesar de sentir-se muito mal pelas monstruosidades que Clarissa lhe disse, Serena compareceu à reunião. Enquanto isso, Hermione relatou o que havia concluído ao lado de Rony.
-Nossa... No fim ela acabou morta pelo próprio filho – comentou Lanísia, em voz baixa.
-Na verdade, ele não sabia o que estava fazendo; nenhum deles sabia. Não podemos dizer que foi ele quem matou, porquê, afinal, ele não agiu por vontade própria.
-É, mas ela não deve ter morrido com essa impressão... – disse Joyce.
-Não tenho nem um pouco de pena – soou a voz de Serena, rancorosa. Ela esteve quieta desde que chegaram ali, porém, ao ser questionada se tinha acontecido alguma coisa, havia negado. Agora, inesperadamente, soltava este comentário cheio de rancor. E, no mesmo tom, completou. – Ela mereceu.
As garotas permaneceram alguns segundos em um silêncio constrangido. No fundo, achavam o mesmo, mas optaram por não concordarem.
Mergulharam nos livros novamente. Joyce, que não havia comentado nada sobre o que ela e Juca tinham feito, lembrou-se do papo sobre o suicídio e resolveu comentar:
-Sabem, esqueci de contar uma coisa a vocês...
Ela não pôde prosseguir; entusiasmada, Alone gritou:
-ACHEI!
A garota deixou o livro na mesa e, curiosas, as outras Encalhadas espremeram-se para lerem o conteúdo... As letras negras que encimavam o texto anunciavam...
AS CINZAS DO DESPERTAR.
Rituais e poções que utilizaram fogo ou objetos inflamáveis em sua realização, e que foram feitos para atraírem outros bruxos, podem ter o efeito anulado com este ritual. Recomendado para casos em que a alienação chega a tal ponto em que o enfeitiçado só vê importância na pessoa que o enfeitiçou, ficando desorientado diante do resto do mundo.
O objetivo do ritual é fazer com que o enfeitiçado desperte para o fato de que seu mundo não gira em torno da pessoa que ama, o que anula o efeito de algumas mágicas que lidam com sentimentos – já que muitas delas estão focadas justamente neste ponto.
O ritual consiste em destruir um objeto que pertença ao enfeitiçado e que tenha feito a diferença para ele em sua vida anterior ao encantamento. A destruição deve ser feita com fogo; a perda do objeto causará uma reação no enfeitiçado. Assim que o fogo se apagar e restarem apenas as cinzas, aponte a varinha para o enfeitiçado e diga:
"Desperte".
Em seguida, aponte a varinha para as cinzas. Elas circundarão o indivíduo, trazendo-o novamente para a realidade e eliminando o amor e a devoção causados pela magia que o dominava anteriormente.
Tome nota: o resultado só é obtido se os três passos forem seguidos:
-o ritual precisa ser feito pela pessoa que encantou o enfeitiçado;
-esta pessoa deve estar postada ao lado do objeto que será destruído;
-é preciso apanhar um objeto que represente um grande valor para o enfeitiçado, seja sentimental ou material.
Se não funcionar, provavelmente o feitiço que domina o enfeitiçado não o deixa alienado em relação ás outras pessoas e ao mundo. Neste caso, você pode tentar o Chifre Sadio, cujas dicas para a realização estão disponíveis na página 78.
-E então? – perguntou Alone, quando elas terminaram a leitura. – Agora devo ser totalmente absolvida por ter escondido a dica das cinzas. Eu encontrei a reversão!
-Sim, tenho certeza de que vai funcionar! – comemorou Hermione. – Acredito que a Fogueira seja o ritual que mais tire a razão da pessoa que foi enfeitiçada.
-É, e o que é preciso para que as cinzas funcionem é justamente a alienação! – falou Lanísia, sorridente.
-E parece tão simples – comentou Serena, olhando admirada para o livro. – Só precisamos reunir os objetos, mas isso deve ser fácil.
Hermione olhou curiosa para Joyce, que era a única que não parecia muito empolgada.
-O que houve, Joyce? Não ficou feliz por termos encontrado a reversão?
-Sim, claro que fiquei. Só acho que não será tão simples quanto parece...
-Por que acha isso? – indagou Lanísia.
-Por causa do que ia comentar com vocês antes da interrupção feita pela Alone... Quando a Mione contou sobre essa estranha união dos rapazes que foram enfeitiçados, lembrei da resposta que o Juca me deu quando perguntei a ele sobre a tentativa de suicídio.
-O que ele disse a você? – questionou Serena, curiosa.
-Disse que não se lembrava de nada. Que havia um vácuo em sua memória; simplesmente, em um momento ele estava em uma sala de aula treinando com seu manual pornográfico e, depois, já estava no corredor, recebendo o meu abraço e com os cacos espalhados próximos aos seus pés.
-Então eles estavam fora de si naquele momento! – disse Mione. – A impressão de que não eram os dois agindo se confirma!
-Exatamente. Eles foram controlados por outra força. E, se Harry e Juca estavam dessa forma, é lógico afirmar que todos eles estavam.
Hermione sentiu o coração disparar.
-Ah, Joyce, entendi aonde você quer chegar...
-Aonde? – perguntou Lanísia, confusa. – Expliquem, não estou entendendo nada...
-Augusto ouviu que a Frieda ia nos denunciar, e houve o contato por pensamento, mas como eles ficaram fora de si durante a trama que culminou na morte da professora, o motivo para o crime não está relacionado a nós – explicou Mione, séria. – A mesma força que os une também pode controlá-los! A Fogueira é mais poderosa do que imaginávamos e o poder dela pode agir por eles! A força da Fogueira os movimentou para que Frieda morresse antes de contar à direção o que nós tínhamos feito, porque, se isso acontecesse, o ritual seria cancelado.
-É... É isso aí... – concordou Joyce. – Por isso disse que não será fácil eliminarmos o poder da Fogueira. Porque, se ela os manipulou para que isso acontecesse com a Frieda...
-Pode fazer o mesmo com a gente – concluiu Alone, sentindo dificuldade em respirar.
N/A: E assim a fic entra em sua reta final. Falta pouco, pessoal! Espero que me acompanhem até o final. Obrigado!
