CAPÍTULO 39
Um final indecente: Parte 2
O capítulo final não poderia ser de outra forma: carregado do atrevimento...
- Quero um bem grandão, para matar a minha fome!
-Vista essa calça logo, Ronald!!
...e das loucuras dessas garotas...
- Ela levantou um pouco da camisola, exibindo-lhe as coxas.
-Por que não tiraria proveito de algo tão suculento?
Ted estava deitado em um sofá, observando os manequins da loja enquanto sorvia fartos goles de hidromel, bebendo diretamente do gargalo. Estava exausto; ainda nem anoitecera e já providenciara os convites para a inauguração da loja, encomendara um traje de gala em um estabelecimento do Beco Diagonal, selecionara algumas vendedoras – as que possuíam seios fartos ou bundinhas empinadas, esse era o talento que contava – e selecionara as imagens que constariam no catálogo que seria distribuído às mulheres de Hogsmeade – mais seios e bundas empinadas, usando as lingeries mais sensuais!
A pressa tinha um motivo. Desde que contara à Lanísia tudo sobre a trama elaborada por ele e Frieda para eliminar o seu pai, Ted não tivera mais sossego. Lanísia e as amigas estavam em Hogwarts, e podiam dar um jeito de terem acesso aos pertences de Frieda, especialmente agora que a professora morrera. Se localizassem o Anel da Devoção, em que o feitiço do amor feito para encantar o Sr Bacon permanecia vivo, ou – pior ainda – a carta em que ele demonstrava abertamente que participara do plano, ou talvez – nisso ele nem queria pensar – encontrassem as duas coisas, ele estaria perdido. Azkaban seria o seu destino final; nem um pouco agradável para um jovem acostumado às coisas boas da vida, à mordomia e ao luxo.
A maldita velha batera as botas e, ainda assim, continuava apresentando uma ameaça! Tinha a impressão de que Frieda sempre o atormentaria. Amaldiçoava o dia em que concordara em participar do plano ao lado daquela mulher. Devia ter previsto que ela quebraria as regras do jogo, e que, se isso acontecesse, ele ficaria de mãos atadas para protestar.
Então, com as garotas irritantes à procura do anel e da carta, Ted precisava inaugurar a loja o quanto antes. Planejava levar os convites à direção de Hogwarts pessoalmente no dia seguinte, o que já lhe daria uma oportunidade de escapulir para dentro do dormitório da falecida Frieda – só de imaginar o perfume enjoativo da velha, que devia ainda impregnar o ar do dormitório como mais uma lembrança de que continuava presente para atrapalhar-lhe, ele sentiu um embrulho no estômago. Mas era necessário, pensou, enquanto sentia o hidromel descer suavemente pela garganta. Era necessário, se quisesse evitar a prisão. E quem sabe se durante a visita não conseguiria agarrar Lanísia, carregá-la até uma sala escura e violentá-la até a morte? Não era bem o que aquela vagabundinha merecia?
Ted sorriu ao imaginar Lanísia morrendo durante o ato sexual, definhando sob suas mãos, pagando um alto preço por sua intromissão. Apostava como ninguém daria maior atenção ao crime. Aquela vadia não ia fazer falta. Menos uma piranha no mundo, é o que cantariam os moralistas, deixando de lado qualquer tipo de investigação. E ele sabia bem que o que não faltavam eram moralistas no Ministério.
As batidas na porta o pegaram de surpresa. Um pouco tonto pela bebida, Ted ergueu-se do sofá, apoiando-se na parede. Fechou os olhos com força, respirou fundo e, ao abri-los novamente, sentiu-se melhor. Dessa vez, os manequins não pareceram girar ao seu redor. Recomposto, Ted caminhou até a porta.
Derrubou a garrafa ao deparar-se com Lanísia.
Deslumbrante como sempre, a jovem usava uma blusa de alça colada ao corpo, o que realçava o par de seios fartos e deixava à mostra o seu umbigo delicado. Uma saia bem curta completava o conjunto. As pernas expostas pareciam um convite à curiosidade, dando-lhe vontade de erguer aquela saia de uma só vez para conhecer o que estava escondido por ela. Com as duas mãos na cinturinha de violão, Lanísia o olhava da maneira que ele já conhecia muito bem – cheia de malícia, um convite para aventuras e loucuras.
Por um momento ele esqueceu-se completamente da ameaçava que a jovem agora representava.
Apenas por um momento.
-O que você quer? – perguntou, ríspido.
-Não vai me convidar a entrar? Posso não ser mais a grande estrela da Bruxetes, mas sei que ainda tiro você do sério...
-Você não vai me enganar com esses truques de sedução, garota. Acha que eu sou imbecil para acreditar que viria até aqui sozinha, depois das chicotadas que eu dei em seu corpo?
-Ah, quem sabe... Eu poderia gostar de umas chicotadinhas... Quem garante a você que isso não me deixou excitada?
Ele segurou o braço dela e apertou com força, deixando marcas vermelhas.
-Não brinque comigo, garota. Quem veio com você? Hein? Será uma das suas amiguinhas? E com qual intuito? Tentar me assustar? Ameaçar?
-Ai, não aperta desse jeito que eu acabo me apaixonando... – comentou Lanísia, fechando os olhos e soltando gemidos de satisfação.
Contra a sua própria vontade, Ted ficou desnorteado ao vê-la delirando daquela forma. A excitação demonstrada pela jovem acabou atingindo o seu próprio corpo. Ele ficou sem saber o que dizer...
-Vo-você está fingindo... – ele balbuciou, começando a suar.
-Não estou não... Assustaria-te saber que a Lanísia aqui gosta de um pouquinho de violência?
-Você nunca disse que gostava...
-Descobri depois do incidente em sua mansão. Percebi que estava assustada, com medo do que você ia fazer, mas ao mesmo tempo achei tudo maravilhoso, excitante. Lembrar da sua violência me deixa de pernas bambas...
Ele não perguntou mais nada. Puxou-a para dentro da loja e fechou a porta rapidamente. Ainda agarrando-a pelo braço, ele a jogou no sofá.
-Sei muito bem das armas que você usa pra conseguir o que quer, garota. Mas escute o que vou lhe dizer: não caio mais nos seus truques. Existe carne tão fresca quanto você dando sopa por aí, e sem segundas intenções...
-Eu com segundas intenções? Acha o quê? Que quero prejudicá-lo?
-Não acho, tenho certeza. E só não lhe dou uma lição agora mesmo porque sei que você não seria estúpida em vir até aqui sem avisar as suas amigas.
-Está errado – disse Lanísia com tranqüilidade. – Elas não sabem que estou aqui.
-Hum... – murmurou Ted, descrente.
-Estou falando sério, pô! Na verdade eu nem pude dizer a elas que vinha pra cá. Elas... Não concordariam com o que eu quero fazer...
A sobrancelha direita de Ted ergueu-se em desconfiança.
-E o que você pretende fazer?
-Entregar a você o que elas vêm chamando de "troféu". Elas enxergam como algo que pode destruir você, enquanto eu vejo as coisas de uma forma mais interessante. Uma forma que pode unir nós dois.
-O que seria...?
Ele não chegou a concluir a pergunta. Sem aviso, Lanísia abriu a bolsa e tirou algo que Ted esperava encontrar a muito tempo.
-O Anel... O Anel da Devoção! – exclamou, estendendo os dedos trêmulos e agarrando o anel dourado com carinho. – Onde conseguiram?
-No quarto da Frieda. Foi uma das minhas amigas quem encontrou. Estava bem guardado, num compartimento secreto dentro de um armário no quarto da falecida...
-E a carta? A carta também estava lá?
-Não encontramos nada até agora... Mas continuaremos a procurar. Está bem fácil entrar no quarto da Frieda...
-Por que me entregou isso?
-Eu já disse! Quero me unir a você... – ela cruzou as pernas, provocante. – Sinto-me profundamente atraída por todo esse seu mau-caratismo. Mas há diferenças entre nós dois: enquanto você procura apenas uma noite comigo, eu quero ter várias com você...
-Não sou um cara de compromissos...
-Não estou propondo a você um compromisso nos moldes tradicionais. Nada de fidelidade ou frases de amor. Esqueça tudo isso. Quero um relacionamento aberto... – ela ergueu um dos pés, tocando com a pontinha do dedão a região íntima de Ted. – Serei uma parceira fixa nas horas de prazer, mas deixando-o livre para viver aventuras com outras mulheres.
Ted não conseguia nem falar...
-E até mesmo poderei participar de brincadeirinhas com algumas delas... Eu, você e outras duas mulheres numa mesma cama... Humm, adoraria participar desses jogos sexuais... – ela baixou a perna e inclinou-se no sofá, de gatinhas, lançando a Ted seu olhar mais sensual. – Não vai querer viver esses sonhos pervertidos ao lado da sua diva?
Ela tocou-lhe o peito com a mão; sentiu as batidas aceleradas do coração de Ted. Erguendo-se, ela enlaçou o pescoço dele com os braços e beijou-lhe os lábios; as línguas tocaram-se, os corpos se aproximaram até ficarem colados um no outro.
Subitamente, Ted afastou-se.
-Mas ainda não estou livre de perigos... Você me entregou esse anel para que eu não corresse o risco de ser preso, não foi?
-Sim.
-Então... Ainda falta a carta. E ela pode me prejudicar mais do que isso.
-Nós encontramos uma caixa cheia de correspondências, em cima de um guarda-roupa. Talvez ela esteja entre elas... Qual era exatamente o conteúdo da carta?
-Ora, já lhe disse naquele dia... É uma das correspondências que troquei com Frieda, onde eu deixo claro que queria que meu pai morresse. Até o meu desejo de colocar as mãos no dinheiro dele... Percebe a gravidade? Está tudo naquela maldita carta: o que eu queria fazer, por quê queria fazer... Tudo. Já consigo ficar mais tranqüilo tendo o anel, mas, ainda assim, seria muito bom pôr as mãos na carta e destruí-la.
Ele respirou fundo e fitou o anel.
-Falando em destruição, eu preciso me livrar desse anel. Para o caso de suas amigas acharem a carta e me denunciarem. Só com a carta eu talvez encontre chances de me safar... Afinal, não haverá prova de que de fato meu pai estava enfeitiçado e se suicidou ao ser desprezado pela mulher que fora incitado a amar. A carta só ganha força destrutiva se a prova do anel existir, assim como o anel só ganha potencial destrutivo se a carta for lida por alguém.
-Ou se o conteúdo dela for revelado pela pessoa que a escreveu.
Ted deixou o anel cair no chão.
Uma voz masculina havia acabado de dizer aquilo. Ele virou-se.
A porta da loja estava escancarada e parados diante do portal estavam Lorenzo Martin e dois bruxos do Ministério da Magia – Calvin e Steve, que iam prender Clarissa antes do suicídio.
-Não... Não é possível... – balbuciou Ted, sem palavras diante da desagradável surpresa.
-É, caro amigo Ted, se uma provocação em forma de mulher não estivesse diante de você, talvez tivesse reparado nos pequeninos amplificadores de som grudados na vidraça da frente – disse Lorenzo, enquanto erguia os objetos.
-Eu já conheço bem esse aí – comentou Lanísia às costas dele. Ted olhou-a com frieza. – É só ver uma mulher se oferecendo para cometer um monte de burradas.
-Eu vou te MATAR, GAROTA!!
Ted grudou as mãos no pescoço de Lanísia e começou a apertar. Os bruxos correram na direção dos dois, de varinhas em punho, para separá-los.
Os três homens conseguiram livrar Lanísia, que caiu no sofá, respirando aceleradamente. As outras Encalhadas, que estiveram esperando do lado de fora, invadiram a loja e aproximaram-se da amiga.
-Você está bem? – indagou Mione, alarmada.
-Sim... Só assustada.
-Ah eu vou esfolar a cara desse marginal – gritou Joyce, avançando e desferindo um chute na virilha de Ted.
Mesmo com os braços imobilizados, o bruxo contorceu-se; ele perdeu o fôlego por alguns segundos, enquanto os olhos turvavam-se.
-Uh! – comentou Steve, assustado. – Doeu até aqui.
-Acho que depois dessa o "negócio" não sobe mais – disse Calvin.
-Nem... brinca... com isso! – disse Ted, em pânico.
-Mas que diferença fará se ele funciona ou não quando você estiver em Azkaban, Ted? – perguntou Alone, rindo.
-É, acho que você não vai usá-lo na prisão – disse Serena, divertindo-se com a expressão de pânico do bruxo.
-Na verdade, eu acho que vão é usar em você – falou Joyce, e todos (inclusive os guardas do Ministério) começaram a rir debochando de Ted.
-Aliás, acho bom você levar umas peças aqui da loja – disse Alone. – Tipo essa calcinha fio-dental hum? – ela pegou uma minúscula calcinha vermelha e colocou diante do corpo, enquanto fazia poses. – Vai deixá-lo ainda mais "feminino" para os machos da prisão – e jogou a calcinha na direção de Ted.
-Essa aqui também é linda – falou Hermione, mostrando uma calcinha cor-de-rosa. – Pega aí, Ted!
-Não... Só podem estar brincando comigo...
-Não, não estamos não – disse Joyce. – Você será carne fresca no pedaço!
-E veja só como a vida é irônica – comentou Lanísia, levantando-se do sofá. – Você receberá de volta tudo o que fez às mulheres que passaram por suas mãos. Porque pode ter certeza de que eles não serão nem um pouco carinhosos com a nova vagabunda de Azkaban.
-Ui, Ted será uma diva!! – disse Alone, provocando novo acesso de gargalhadas.
-Vamos indo – falou Steve, encaminhando-se para as portas da loja, flanqueando Ted junto com Calvin. – É, meu chapa, admire bem o mundo exterior enquanto vamos para Azkaban, porque você jamais sairá de lá.
-Não, eu não posso ser preso... Por favor, não... Eles vão me fazer de mocinha... Eu sou o grande Ted... Isso não pode acontecer... Não pode...
-Devia ter pensando nisso antes – falou Steve. – Achou que ninguém ia descobrir o que você aprontou? Estava enganado, meu amigo... Tudo de mal que fazemos nessa vida tem um preço. Uma hora somos cobrados pelo que fizemos. Mais cedo ou mais tarde, temos que pagar.
Assim que eles saíram, as Encalhadas entreolharam-se e suspiraram.
-Com esse também não precisamos mais nos preocupar – falou Serena.
-Ele era assustador – comentou Mione, abraçando Lanísia. – Quando ele foi para cima de você deu um medo tão grande.
-Ainda bem que não aconteceu nada tão grave – disse Lanísia. – Já pensou: ficar entrevada numa cama da ala hospitalar enquanto vocês se divertem na Festa da Fantasia Sexual? Ia ficar doida!
-Opa, opa... Tive uma idéia – falou Serena.
-Ui, é raro isso, hein? – debochou Alone.
-Raro? Eu acho que nem lembro da Serena tendo outra idéia – falou Joyce.
-Lanísia... Você vai ficar entrevada numa cama da enfermaria!!
-Ãh? Como assim, Serena?
-Finja que Ted a espancou... Sei lá, até a violentou!! Finja que correu risco de morte!
-Mas por que faria isso? E para enganar a quem?
-Augusto!
Duas horas depois, Augusto caminhava até a ala hospitalar, ao lado de Serena, Hermione, Joyce e Alone.
-Foi tão grave assim? – perguntou o professor.
-Muito!! – exclamou Hermione em tom dramático.
-O que ele fez?
-Várias coisas – respondeu Mione. – Bateu nela, deu alguns tapas em seu rosto e tentou esganá-la...
Para a surpresa de todas, Serena resolveu complementar...
-...também deu pontapés e chutes no estômago, depois rasgou a roupa dela e deu beliscões nos peitos, algumas mordidas também, aí desceu a saia dela, virou-a de costas, deu uns fortes tapas na bunda, depois mordeu de novo até deixar marcas no traseiro dela, em seguida virou-a de frente, e levou os dentões para morder a...
-Serena, chega!! – pediu Joyce, beliscando-a. – Desse jeito vai assustar o profe... Professor?
Augusto estava parado, o rosto branco como cera.
-Ela ainda está viva?
-Bom, depois do massacre que a Serena descreveu para o senhor... – Mione lançou à amiga um olhar furioso – podia-se pensar que a Lanísia está morta, mas não, ela não está. Mas ainda pode acontecer...
-Não pode... – e ele desatou a correr para a ala hospitalar.
-Espere aí! – gritou Serena. – Ainda falta contar o momento em que Ted bateu o rosto de Lanísia contra a cômoda e o sangue esguichou...
-CHEGA! – berraram as Encalhadas.
Houve um estrondo na ponta do corredor. Elas olharam.
Augusto estava caído no chão.
-Danou-se – comentou Joyce. – Agora conseguimos matar o professor.
Ao despertar, Augusto estava na ala hospitalar, ao lado da cama em que Lanísia repousava. Ele deu um salto da cama e, apavorado, olhou para a jovem, que estava acordada, sorrindo para ele.
-Oh! Você está bem? – ele tomou as mãos dela. – Pensei que... Nossa, mas cadê os hematomas?
-Que pergunta indecorosa, professor – replicou Joyce. – Até parece que queria vê-la cheia de marcas roxas!
-Não é isso, é que... Bom, jorrou sangue até... Não foi? – olhou, em dúvida, para as Encalhadas.
-Sim – respondeu Serena. – Mas a Madame Pomfrey já deu um jeito nos ferimentos... Mas Lanísia ainda está muito afetada.
-É... Estou – gemeu Lanísia, como se estivesse enfraquecida. – Não sei se vou sobreviver...
-Você tem que sobreviver – disse Augusto entristecido. – Precisa lutar. Se entregar jamais...
-"Se entregar jamais" – repetiu Joyce. – Podia ser o lema de um Clube de Virgens.
Augusto fitou-a com desprezo.
-Ui, foi mal, desculpe – ela percebeu que Hermione a olhava. – O que foi?
-Às vezes me pergunto se você realmente já foi virgem um dia.
-Não, não fui não, Mione. Eu já nasci violada. Dentro da barriga da minha mãe eu tive um caso com o meu cordão umbilical – respondeu Joyce, irritada.
-E você consegue se lembrar? – indagou Serena, os olhos brilhando.
Alone deu um tapa estalado na própria testa.
-Vai começar o papo de doido... – disse. – Meninas, vamos nos afastar e deixar que o professor converse tranquilamente com a Lanísia, antes que ele seja contaminado com essa loucura toda.
-E você colocava o cordão... – Serena insistia, antes de ser interrompida pelo grito de Alone.
-VAMOS NOS AFASTAR!!
Elas pararam ao lado das portas de entrada da enfermaria. Enquanto as garotas tentavam convencer Serena de que Joyce não seria capaz de se lembrar dos momentos passados antes do nascimento, Augusto chorava por Lanísia, ainda apertando-lhe as mãos.
-Eu nem sei o que dizer... Estou sem palavras...
Assim que ele baixou a cabeça, Lanísia libertou uma das mãos e fez sinal para as amigas. Elas olharam. Por mímica, Lanísia indicou o professor e fez um sinal de negação, mostrando a elas que o plano não estava dando certo; Augusto não queria falar.
Mione levou as mãos ao pescoço, enquanto com o movimento dos lábios dizia: "Drama. Drama".
No mesmo instante, Lanísia fechou os olhos e contorceu o corpo.
-Ai, eu to morrendo!
Augusto levantou-se, desesperado.
-Ah, minha nossa... A enfermeira... Cadê a enfermeira?? – olhou para as garotas. – Meninas, chamem a Madame Pomfrey!! A amiga de vocês está morrendo!
-Está?? – indagou Alone.
-Sim!!
-Hum... – fez Joyce, enquanto todas recuavam. – Azar o dela!!
Elas fecharam as portas da enfermaria, trancando-as em seguida.
Do outro lado, Augusto estava perplexo.
-O que... O que deu nelas?
-Eu tô morrendo... – gemeu a "convalescente" Lanísia.
-Preciso encontrar uma forma de salvá-la... Preciso... – murmurava o professor, andando de um lado para o outro diante da porta fechada, ainda ignorando os apelos da aluna. – Senão...
E ela perdeu a paciência:
-Cara, será que não percebe que não tem mais jeito? – indagou Lanísia, com voz chorosa. – Senta essa bunda aqui do meu lado e diz o que sempre quis dizer, mas nunca teve coragem, pô!
-Tu-tudo bem – gaguejou ele, aproximando-se da cama. – Você tem toda razão. É a hora de falar tudo... Tudo o que ficou preso até esse momento, porque... Eu não podia falar, não, não podia e...
-Se demorar muito eu morro, hein?
-Ah, sim, desculpe – ele pigarreou. Tomou fôlego e falou o que ela vinha esperando ouvir fazia muito tempo. – Eu amo você. Amo de verdade.
Aconchegada nos travesseiros, Lanísia suspirou.
Augusto baixou a cabeça, nervoso, lutando para libertar as confissões que sempre guardara. Lanísia percebeu gotículas de suor em sua testa.
-Foi tudo uma loucura... Eu sempre tão racional, de repente ver-me perdido, enfeitiçado pelos encantos de uma jovem mulher, a quem devia apenas educar. No começo era apenas atração, desejo, mas com o passar do tempo pude perceber que se tornou bem mais do que isso – ele ergueu o rosto e fitou-a nos olhos. – Estava saindo do sério por te amar, por te querer tanto, e não poder fazer nada. Toda a minha racionalidade estava em conflito com meus sentimentos... Porque eu sempre agi da maneira correta, da maneira que todos esperavam, e ter um envolvimento com uma aluna seria audácia demais. Por mais que além do nosso desejo, da nossa vontade de ter um ao outro, existisse algo mais forte, existisse amor... Se ficássemos junto as pessoas não enxergariam isso.
-Não mesmo. Enxergariam o lado ruim – concordou Lanísia. – Porque é o que as pessoas sempre procuram enxergar.
-Isso mesmo. Sem falar que eu poderia perder o emprego caso a direção da escola soubesse... Por Merlin, só o conhecimento do que eu sentia por você poderia levar a isso! Imagine então se eu cedesse aos seus encantos! Se começássemos a nos encontrar como era a sua vontade...
-Desculpe – falou Lanísia, com lágrimas nos olhos. – Eu fui muito impulsiva... Forçando você a admitir que me amava, que me desejava, querendo beijá-lo e amá-lo...Mas era tudo tão forte que eu não conseguia controlar...
-Exato. Eis a nossa diferença. Você segue suas emoções, eu sigo meus pensamentos.
-Mas você estava em conflito e eu não. Fui imatura demais, e agora consigo reconhecer. Estava levando em conta só um lado, sem pesar as conseqüências.
Augusto tentou controlar o choro, mas não conseguiu.
-É difícil... – ele parou, incapaz de prosseguir; após alguns soluços, conseguiu continuar – ...É difícil perceber que não posso perder você no momento em que isso está prestes a acontecer.
-Augusto, eu...
-Sei que temos uns dez anos de diferença, sei que não podia amar uma aluna, mas... Se você saísse dessa cama, se... Se sobrevivesse, eu ia ficar com você... Saciaríamos todos os nossos desejos de maneira singular porque nos queremos muito... ao mesmo tempo em que nos amamos...
Ele repousou a cabeça sobre a barriga de Lanísia, chorando como uma criança.
-Mas agora... É tarde demais para ter essa coragem...
-Não é não.
Ele ergueu-se. Lanísia jogou os lençóis para longe e, inclinando-se na cama, grudou-se nos lábios do professor.
As Encalhadas abriram as portas da enfermaria e ficaram observando-os, admiradas e contentes.
Lanísia sorriu.
-Ai, essa sensação da sua barba roçando na minha pele é uma coisa de louco!
-O beijo foi maravilhoso, mas pensei que estivesse morrendo – disse Augusto, confuso.
-Foi uma brincadeirinha, professor. Considere como a minha última travessura. E veja só: foi a mais puritana de todas, e a única que surtiu efeito.
-Puxa... Você me assustou de verdade... Tudo bem, sua brincadeirinha puritana deu certo, mas não pense você que vou abrir mão dos seus ataques, ou das aberturas de pernas em que eu via que você estava sem calcinha... Ah, seus jogos eróticos são de matar...
-Você inteiro é de matar – ela colou-se ao corpo dele e os dois beijaram-se novamente. – Augusto... Eu agora estou bem mais compreensiva...
-Mesmo?
-Sim. E agora estou disposta a segurar todo o meu fogo até depois da formatura, quando nos tornarmos apenas uma mulher e um homem livres, sem essa frescura de aluna e professor...
-Ótimo. Eu também vou esperá-la o tempo que for preciso.
-Entramos em período de castidade até que eu saia de Hogwarts – ela estendeu a mão para ele. – Fechado?
-Sim – ele apertou-lhe a mão. – Mas não me incomodaria se algum dia você não usasse calcinha e resolvesse apanhar alguns livros no chão da minha sala, oferecendo a mim visões magníficas!!
-Humm, eu já me contento em ver o volume de sua calça, guardando aquilo que eu vou usar e abusar quando sair daqui.
Ela abanou-se com a mão.
-Que calor...
-Já sou todo seu... – ela sentiu-o enrijecendo junto ao seu corpo. – Seremos felizes em todos os sentidos.
-É... Já percebi que seremos... – ela levou um dedo aos lábios e depois o grudou nos lábios dele. Augusto fez que ia morder-lhe, mas ela afastou o dedo antes, rindo. Saltou da cama e foi juntar-se às amigas. – Obrigado por ajudar-me na recuperação, Professor Augusto.
-Não tem de quê, aluna Lanísia. Tenho certeza de que serei bem recompensado por isso.
Ela levantou um pouco da camisola, exibindo-lhe as coxas.
-Tem alguma dúvida disso? Lanísia na cama pela vida toda... Não é pra qualquer um não, queridinho.
Saltitante, para que a camisola se erguesse a alturas em que o professor poderia apreciar seu corpo, ela saiu da ala hospitalar ao lado das amigas.
No corredor, todas comemoraram.
-Finalmente!! – gritou Joyce. – Além da Mione, desencalhamos mais uma!!
-Opa, o sol já esta se pondo – observou Hermione. – Que dia movimentado nós tivemos...
-Mas temos que guardar fôlego para a Festa da Fantasia Sexual – lembrou Alone. – É nessa madrugada, não esqueçam! Aliás, preciso distribuir o restante dos convites.
-Quero só ver as fantasias que o Lorenzo deixará a disposição dos convidados – comentou Lanísia.
-Hum, daqui a pouco encontro vocês... – falou Joyce, ao ver Juca sentado em um banco no corredor, lendo. – É hora de atacar o CDF.
Joyce ia afastando-se quando Alone perguntou:
-CDF é sigla para "cú-de-ferro"... O dele é de ferro mesmo, Joyce?
-Não sei, Alone. Ao contrário do seu querido Potter, o Juca não gosta de ser estimulado por trás.
-Ai eu te pego! – ela quis avançar para a amiga, mas foi contida por Lanísia e Mione.
-Mas, se te interessa, existem outras partes do corpo dele que ficam sólidas como ferro – Joyce continuou. – E é isso que ele vai começar a aprender novamente. A usar a ferramenta!!
Ela puxou o Manual Posicionado de Posições da bolsa e exibiu às amigas.
-Aqui está a cartilha!
Dito isso, ela foi até Juca, sentando-se ao lado do rapaz.
-Oi, querido, lembra de mim?
-Claro. Foi a garota que eu comi no mato.
Os dois alunos do segundo ano que estavam sentados ali perto se afastaram imediatamente, olhando horrorizados para Joyce e Juca.
-Queridinho, tente ser só um pouquinho mais discreto, pode ser?
-Sim, desculpe. É que eu sou tão destrambelhado em relação às garotas que acabo me empolgando ao lembrar que "peguei" você... Mesmo que não possa recordar os detalhes... Você sabe... Se nos beijamos na hora... Se eu acariciei seus peitos... – ele olhou envergonhado para os seios dela. O rosto ficou corado. – Você tem um... Um belo par de... Você entende né?
-Oh sim, obrigada. Você também tem um belo par.
-Como assim? Eu sou homem.
-Sim. Eu disse que tinha um belo par, mas não disse que eram seios. Vai me dizer que você não tem um certo par escondido debaixo da cueca?
O vermelho no rosto de Juca ficou mais intenso.
-Você... Lembra? Achei que todo mundo que tomou aquela tal poção tinha ficado com amnésia!
-E foi todo mundo mesmo... – respondeu Joyce, tentando corrigir o erro. – É que eu tive um sonho... E tenho certeza de que foi relacionado ao que tivemos e acabamos esquecendo...
-E você via nós dois fazendo coisas??
-Ah sim – ela resolveu usar o próprio erro para apresentar o manual a Juca. – O engraçado é que estávamos numa posição bem diferente. Não era papai-e-mamãe.
-Nossos pais estavam no sonho também?
Joyce suspirou.
-Não, querido, incesto é problema da Serena, não nosso... Papai-e-mamãe é o nome da posição sexual mais comum, a que todos os casais costumam fazer. Mas no nosso sonho estávamos de um jeito bem diferente.
-Como estávamos?
-Posso mostrar a você, porque está nesse livro aqui – ela estendeu-lhe o manual.
-O Manual Posicionado de Posições – leu Juca, admirado.
-Isso mesmo. É um guia de posições sexuais. Veja só... – ela folheou até o índice. – A posição que praticamos no sonho foi esta...
-O Caranguejo Atrevido?
-Isso!
-E descobriu só pelo nome?
-Não. É que com esse manual você fica sabendo muito bem como funciona cada posição. Depois, quando estiver num lugar adequado, você seleciona essa posição aqui no índice, toque a varinha no livro e diga: "Posicione". E pronto! O livro demonstrará a você tudo o que precisa saber para praticar a posição.
-Entendi... Mas por que deveria aprendê-la?
-Para fazer comigo, ué! – disse Joyce, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
-Você quer... comigo??
-Sim! E desse jeito que você vai aprender aí. E tem mais: vamos fazer hoje de madrugada, durante a tal Festa da Fantasia Sexual.
-Puxa, então não tenho muito tempo pra aprender...
-Tenho certeza de que consegue aprender rapidinho.
-Joyce... Eu já sei sobre a sua fama... Os garotos falam muito... Então devo pensar que só teremos uma noite e pronto?
-Não, Juca – ela sorriu para ele. – Não, porque você é diferente de todos eles. Você é especial.
Ele riu, duvidando.
-Nunca fui especial para ninguém...
-Mas para mim é. Acredite – ela deu-lhe um beijo no rosto. – Eu gosto de você.
Os dois trocaram um sorriso afetuoso. Joyce levantou-se.
-Conto com você – falou Joyce, piscando para o rapaz.
-Pode deixar. Não vai se arrepender.
-Com você nunca haverá arrependimento.
Juca observou-a afastar-se, sentindo algo poderoso e maravilhoso ardendo dentro do coração. Era a primeira vez que sentia a força do verdadeiro amor.
Assim como Joyce.
Hermione, Joyce, Lanísia e Serena comiam deliciosos chocolates no salão comunal quando Alone apareceu, finalizando a entrega dos convites.
-O Lorenzo pode ter se tornado um amigão, mas acho que todo esse meu esforço merece um pagamento – disse, exausta, afundando-se em uma poltrona. – O grande problema é entregar os convites sem que os professores percebam.
-O pessoal ficou animado ao saber da festa? – perguntou Joyce, enquanto passava um tablete de chocolate para a amiga.
-Pelo visto, sim... Obrigada, Joyce – ela mordiscou o chocolate. – Mas não sei se terão fôlego para uma festa depois de um dia tão movimentado.
-Tem razão – concordou Mione. – Hoje houve até suicídio.
-Não estamos errando em participar de uma festa no mesmo dia em que a Clarissa se matou? – perguntou Serena.
-Acho que não – respondeu Lanísia. – Tirando esse acontecimento, temos muitos motivos para entrarmos em clima de comemoração. A Fogueira foi desfeita; Ted foi preso; Hermione está com Rony; eu já me acertei com o Augusto... Humm, o que mais??
-Eu descobri que o Harry é bissexual – incrementou Alone. – Saber que ele gosta pelo menos um pouquinho de mulher já foi um grande avanço!
-Já decidiu se vai topar dividi-lo com o Colin? – indagou Serena.
-Sim, já tenho a minha resposta.
-Por que não dá a eles agora? Os dois acabaram de chegar – informou Joyce, apontando para a entrada da sala comunal.
Alone virou-se. Harry e Colin acenaram e sorriram, nervosos. De longe, ela sentiu a ansiedade que giravam em torno de sua decisão.
-Bom, meninas, chegou a hora de resolver esse confuso triângulo amoroso.
Elas observaram a amiga aproximar-se de Harry e Colin.
-Só quero ver no que isso vai dar – disse Hermione.
-A festa de hoje tem um tema bem indecente, não é mesmo? – disse Joyce. – Acha que vai rolar com o Rony hoje?
-Talvez – respondeu Mione, misteriosa.
-Talvez? – Lanísia olhou descrente para a amiga. – Francamente, Mione, eu vi você se depilando antes do jantar!
-Oh!!! – fizeram Serena e Joyce ao mesmo tempo.
-Isso não significa nada! Ter me depilado não quer dizer que eu esteja com segundas intenções!!
-Mas ter escrito "Rony" na amiguinha quer dizer sim!
-Você escreveu Rony na amiguinha? – indagou Joyce. – Que coisa brega.
-Eu achei muito romântico – Hermione defendeu-se.
-É broxante, isso sim! Só torça que não seja broxante para o Rony, porque isso ia acabar com a noite de vocês... – Joyce levantou-se. – Bom, chega de chocolates, agora preciso dar um banho na chana – ela fez uma pausa para dar uma risadinha. – Vocês precisam ver como a chana anda ficando arrepiada quando toma banho. Os pêlos ficam eriçados, todos em pé, uma loucura!
Serena, em voz alta, voltou-se para as pessoas que estavam mais próximas.
-E para aqueles que se horrorizaram com esse comentário, aí vai um aviso: a Chana é uma gata.
Joyce gargalhou.
-Quem disse pra você que agora eu estava falando da gata?
Serena olhou para Hermione e Lanísia, com o rosto avermelhando-se.
-Eu não achei que ela estivesse falando da própria...
-Sim, deu pra perceber – falou Mione. – Mas é aquilo: com a Joyce você deve considerar todas as possibilidades... Hum, que horas são?
-Dez horas – respondeu Lanísia.
-Daqui a pouco precisamos nos arrumar. Cuidar do cabelo, maquiagem, porque da roupa não será tão necessário. Afinal, vamos com uma roupa e participaremos da festa com outra! Duvido que o Lorenzo deixe alguém entrar sem usar uma das tais fantasias.
-Como serão as fantasias?
-Não sei, Serena. Mas acho que não será nada muito vulgar – palpitou Mione, pensativa. – O Lorenzo não pegaria pesado com as fantasias.
-Mas essas fantasias são muito indecentes!!
Foi o comentário assustado de Hermione, ao ver-se diante dos manequins que vestiam as fantasias. Havia diversas opções, como a curandeira decotada e a professora sadomasoquista.
Lorenzo coçou o queixo, tentando controlar-se.
-Hermione, essas são as fantasias permitidas dentro da festa, apenas essas.Há uma fila gigantesca atrás de você, as pessoas querem usar isso, querem participar da festa e só estão esperando que você se decida por uma e se fantasie!
-Podia ter colocado fantasias mais discretas. Já vi muitas festas à fantasia, e as pessoas se vestem de fada, gnomo...
-Temos uma fantasia de fada, olhe aí! – Lorenzo estendeu diante dela uma roupa rosa, cheia de brilhantes.
Mione examinou a peça com um olhar crítico.
-E então, gostou dessa?
-Ou a fada é muito pobre ou muito vagabunda, porque está faltando pano nisso aqui! – ela jogou a roupa de volta para Lorenzo.
-Desisto! DESISTO!! – vociferou ele, impaciente. – O nome da festa diz tudo: Festa da Fantasia Sexual. SEXUAL! Não é uma festa infantil! Se quer se vestir de bobo-da-corte, sugiro que vá a um aniversário de cinco anos e seja feliz, porque aqui não pode entrar vestindo algo decente. O que me diz? Veste uma das fantasias ou passa a madrugada em Hogwarts?
Ela hesitou. Enquanto isso, as pessoas na fila começaram a reclamar:
-Vai logo, dentuça!
-Escolhe logo!!
-Vão se ferrar! – ela respondeu de volta, recebendo uma pedrada na cabeça por essa resposta.
Mione desabou no chão, sendo socorrida por Joyce que estava logo atrás.
-Desmaiou – informou Joyce a Lorenzo.
-Vai levá-la de volta ao castelo?
-Que nada! Vou é aproveitar que ela não está vendo nada e enfiar uma dessas fantasias nela. Quando acordar, ela já usará uma fantasia depravada e nem vai lembrar-se de como colocou uma!
Lorenzo sorriu.
-Você não vale nada, Joyce.
-Eu sei. É por isso que nunca cobrei para dar a minha amiguinha.
Lanísia e Serena ajudaram-na a carregar Mione para dentro de um dos vestiários.
-Está dando esse trabalhão só para levá-la até o vestiário... – reclamou Joyce, ofegando. – Imaginem como vamos sofrer para vesti-la!
-A Alone podia nos ajudar também – lembrou Lanísia. – Onde ela se meteu?
-Como saber se ela desapareceu desde que foi conversar com o Harry e o Colin? – disse Serena, ajeitando o braço esquerdo de Hermione em seu ombro. – Eu não vi nem sinal dela enquanto vínhamos para cá.
-Vamos, garotas... Só mais um pouco... – Joyce procurava incentivá-las. Afastou a cortina do vestiário, revelando o espaço onde havia um espelho de parede, um cabide e uma cadeira estofada. – É melhor deixarmos sentada nessa cadeira aqui... Isso, cuidado... Lanísia, não vá derrubá-la! Isso... E... Pronto! Ufa... – ela respirou fundo. – E olhem que a Hermione é magra. Já pensou ter que carregar uma elefanta como a Margareth da Lufa-Lufa?
-Olá, Joyce – disse alguém que acabava de passar na frente do vestiário.
-Oi, como vai, Margareth? – Joyce acenou com um sorriso amarelo.
-Ih, que fora! – Serena debochou.
-O pior é que ela estava carregando uma fantasia árabe – disse Joyce. – Quero só ver as banhas pulando pra fora...
-Estou me trocando agora, Joyce – soou a voz de Margareth, vinda do vestiário ao lado. Joyce encolheu-se, envergonhada. – Quer ver as "banhas"?
-Não... Eh... Obrigada, depois eu vejo, Maggie...
Lanísia, que espiava por entre as cortinas, comentou:
-Temos que ver qual das fantasias vamos usar, e qual vamos vestir na Mione... Hum, olha só, Serena! Lewis vai se vestir com uma armadura bem curtinha...
-Ah, ótimo... – Serena desanimou-se. – Ele veio para a festa. Com todo esse clima liberal, dá pra saber o que ele vai tentar...
-E se tentar? – indagou Joyce.
-Saberá a verdade – respondeu Serena, os olhos marejados de lágrimas fitando as amigas. – E juntos vamos decidir o que será feito com nossas vidas...
Lanísia abraçou a amiga.
-Não fique assim. Hoje é noite de festa!
-É. Venha ver a depilação brega da Mione para se animar um pouquinho! – falou Joyce, tirando as vestes de Hermione e, ao retirar a calcinha, revelando o nome de Rony escrito com genuínos pêlos pubianos.
-Oh... Ai, minha cabeça...
Hermione abriu os olhos. Luzes e silhuetas espalhavam-se ao seu redor, movimentando-se. Pouco a pouco, a visão começou a entrar em foco, e as silhuetas ganharam forma.
Joyce, Lanísia e Serena olhavam-na, sorridentes. Serena estava fantasiada de veela, os longos cabelos dourados soltos e ondulados, trajando uma roupa branca e decotada. Ao seu lado, Lanísia usava uma camiseta azulada colada ao corpo, uma saia da mesma cor e asas postiças nas costas – a fantasia de fada. Joyce, por sua vez, vestia apenas um top e minissaia cheios de pedrinhas brilhantes; uma maquiagem forte coloria as bochechas, e os cílios estavam alongados. A boca fora pintada com um batom rosa-choque.
-É um pesadelo? – foi a primeira pergunta de Hermione, enquanto tentava levantar-se. Encolheu-se de frio. – Por que estou nua? Cadê as minhas roupas?
-Você não está nua – respondeu Lanísia. – Está quase...
Mione baixou os olhos para o corpo. Assim como Joyce, os seios estavam cobertos por um top esverdeado. Na parte inferior do corpo, usava apenas uma tanga verde, coberta de folhas, e um par de sandálias nos pés.
-Que roupas são essas??
-Sua fantasia de sereiana! – anunciou Joyce, de forma tão pomposa que parecia estar apresentando algo muito bom.
-Claro... Estou na Festa da Fantasia Sexual – recordou Hermione. – Lembro que estava em dúvida se entrava ou não e de repente senti uma pancada na cabeça...
-O que mais você queria? Recebeu uma pedrada na cabeça porque mandou o povo se ferrar – disse Lanísia.
-Tudo bem terem me trazido para a festa enquanto estava desacordada, mas não podiam ter escolhido uma fantasia melhor? Onde já se viu uma sereiana vestir algo assim?
-Ai, Mione, você tem que entrar no espírito da festa! – replicou Lanísia. – Todas as roupas são mais curtas do que o normal. A única fantasia fiel ao que representa é a da Joyce.
-É... – confirmou Joyce, sorridente. – Estou vestida de prostituta.
Mione olhou-a incrédula.
-Você gosta de estar assim?
-Por que não gostaria? É só uma festa, Mione! Vamos nos divertir!
Hermione levantou-se. Deixou de tentar tapar o corpo com as mãos ao passar os olhos pelo salão.
Centenas de corpos seminus requebravam na plataforma de dança. Uma garota esquálida, seminua, requebrava o corpo diante de um jovem gorducho, cuja tanga já estava de pé.
-É, até que dá pra se divertir – falou Mione. – Vamos pegar taças de hidromel?
-Sim, mas depois quero alguns goles de Demência! – disse Joyce, animada.
O bar estava organizado do outro lado da plataforma. Elas iam começar a atravessá-la quando um movimento nas escadas que desciam para o salão subterrâneo do Lorenzo´s chamou-lhes a atenção. Eram murmúrios; comentários; exclamações de espanto.
Tudo porque Alone, Harry e Colin tinham acabado de chegar.
-O... Que... É... Aquilo? – indagou Mione, pausadamente.
-Estou enxergando direito ou é efeito das bebidas que ainda nem tomei? – perguntou Joyce.
Alone estava parada diante das escadas. Vestia uma roupa egípcia, e na cabeça trazia uma tiara de ouro encimando os cabelos que estavam presos em um coque. Nas mãos, carregava duas coleiras, presas ao redor dos pescoços dos rapazes. Harry e Colin usavam apenas tangas marrons e sapatos surrados. No peito de ambos os garotos havia um nome pintado em tinta preta: ALONE, com uma seta apontando na direção da jovem – a de Harry para o lado esquerdo e a de Colin para o lado direito.
Depois de passado o instante de furor com sua chegada, Alone disse aos dois:
-Vamos, escravos! – e puxou-os pelas coleiras, fazendo com que Harry e Colin se curvassem um pouco e começassem a caminhar.
-Ai, Alone, tá doendo... – gemeu Harry.
-Quieto! – ela ordenou, altiva, sem olhá-lo. – Não tem o direito de reclamar.
Ela obrigou-os a caminhar até onde as amigas estavam. Diante das outras Encalhadas, Alone abriu um largo sorriso.
-Gostaram da nossa fantasia?
-É linda, e nos pegou de surpresa – respondeu Lanísia.
-Pelo que estamos vendo, já dá pra ter noção de qual foi a sua decisão – disse Serena.
-Sim. Eu aceitei. Harry, Colin e eu viveremos um relacionamento a três a partir de hoje. Como bem podem ver, eles agora estão nas minhas mãos – e ela deu uma puxada forte nas duas coleiras.
-Ai! – os dois gemeram de dor.
-Os dois são meus queridos servos. Fazem o que eu mandar – ela soltou as coleiras para acariciar o peitoral de Harry. Passou os dedos pelas letras que formavam seu nome. – A-L-O-N-E. Posso mandá-lo fazer qualquer coisa, não é, Harry?
-Claro... – respondeu o rapaz, beijando a mão que Alone colocou diante de sua boca. – É só pedir...
Ela arranhou-lhe o braço com as unhas compridas.
-Pedir?? Eu peço alguma coisa, por acaso?
-Não!! Desculpe... Você jamais pede, você ordena.
-Assim está melhor – e, com um sorriso malicioso, ela agarrou-se ao outro escravo.
-Não é por nada não, mas eu e as meninas pensávamos que o seu interesse era apenas no Harry – falou Mione.
-Era, mas veja só como o Colin também é uma delícia – ela acariciou o corpo do rapaz. – E além do material externo é uma pessoa maravilhosa. Por que não tiraria proveito de algo tão suculento? – ela beijou-o nos lábios, depois voltou a Harry e beijou-o também. – Me divirto com um, me divirto com o outro e às vezes deixo os dois divertirem-se entre si.
Ela retomou as coleiras.
-Comecei Encalhada e saio com dois homens que gostam de mim. Dois homens prontos a me servir... Ah, não poderia estar mais satisfeita, meninas.
-Se está satisfeita, nós também estamos – falou Hermione, sorrindo para a amiga. – Tá, é meio estranho, mas vamos nos acostumar.
-Sei que vão... Bom, agora eu e meus servos aqui vamos dar uma volta pelo salão – ela olhou para Harry e Colin. – Depois procuraremos um cantinho para ficarmos mais à vontade.
-Será um prazer, Alone – disse Colin, piscando-lhe um olho.
-Mal posso esperar – falou Harry, olhando-a desejoso.
Alone soltou as coleiras novamente para cochichar às Encalhadas:
-Em Hogwarts não andaremos com as coleiras, mas é óbvio que eu continuarei no comando do relacionamento. Podem ter dois, três ou quatro homens, a mulher sempre é a mais esperta.
-Bom proveito, amiga! – disse Lanísia.
-Pode deixar, vou aproveitar e muito!!
Arrastando os rapazes pela coleira, Alone começou a passear pelo salão com a sua fantasia de rainha egípcia e os seus dois servos, apresentando o trio que se tornaria o mais polêmico que Hogwarts já vira em toda a sua existência.
-Agora vamos até o bar? – indagou Mione.
Elas serviram-se com taças de hidromel. Alguns estudantes que já haviam se arriscado com algumas doses de Demência reviravam os olhos nas proximidades do bar; um deles contava uma história absurda, dizendo que havia visto a diretora Minerva sem roupa, e que a "velha era um espetáculo".
Rony e Lewis aproximaram-se no mesmo instante.
Lewis usava a armadura que deixava expostos seus braços e pernas – praticamente uma armadura inacabada. Rony usava uma tanga e uma camisa de botões aberta – afinal, não havia botões para fechá-la; era a sua fantasia de elfo doméstico.
-Humm, se todos os elfos fossem assim, eu viveria correndo atrás deles – disse Mione, abraçando-o e beijando-o.
-E se todas as sereianas dessem beijos como este eu não sairia do lago – ele sorriu para ela, fitando-a com desejo e paixão. – Está linda, meu amor.
-Obrigada... – ela pigarreou. – O que acha de passearmos um pouco?
-Adoraria, querida sereiana mais sexy do mundo – ele enlaçou-a pela cintura, puxou-a de encontro ao corpo dele e beijou-lhe o pescoço. Hermione perdeu o fôlego.
-Vamos com calma, Rony...
-Sou louco por você – ele fez um esforço para afastar-se. – Desculpe, mas acabo perdendo o controle.
-Num ambiente desses não é difícil de perder – ela comentou, lançando um olhar desdenhoso para o salão. – Mas esperei muito por esse momento para...
-Esse... Esse momento? Foi isso o que disse?
Ela sorriu diante do atordoamento dele.
-Sim – acariciou-lhe o rosto. – Sim, Rony, eu sinto que chegou a nossa noite. A nossa primeira noite de amor.
Ele beijou a mão que o acarinhava no rosto e, em seguida, sem que Mione esperasse, tomou-a nos braços, tirando-a do chão.
-Rony!! Enlouqueceu? – ela perguntou, mas entre risos. – Ponha-me no chão!
-Nem pensar! Vou tirá-la daqui assim, em meus braços, e guiá-la para a noite mais linda de sua vida.
Diante de alguns olhares curiosos, Rony subiu as escadas que saíam do salão subterrâneo, carregando Mione, sorrindo e dando-lhe beijos apaixonados.
Lewis, que discutia com Serena, apontou-os.
-Por que não fazemos o mesmo? Eu não entendo porque você está tão diferente, mas tenho certeza de que a Serena que eu conhecia antes de perder os sentidos por causa daquela poção infeliz toparia sair comigo para um lugar mais reservado.
Serena olhou, constrangida, para Joyce e Lanísia, que sacudiram os ombros diante de seu olhar.
Era ela quem devia resolver aquela situação.
-Está bem – ela pegou uma das mãos de Lewis. – Vamos lá pra fora.
-Mas você ainda está nervosa... Não consigo entender...
-Venha comigo, Lewis, e você vai entender.
De mãos dadas, os dois caminharam até as escadas e subiram-na em direção ao salão térreo do Lorenzo´s. Lanísia encheu a taça com uma nova dose de hidromel.
-Espero que eles consigam encontrar a melhor solução para esse problema.
-Eu também... Ah! Mas que pirata charmoso!
Juca Slooper usava uma camisa aberta no peito e uma calça de pirata cheia de furos – colocados propositalmente para exibir o corpo de quem a usasse. O tapa-olho negro dos piratas cobria-lhe a lente de um dos óculos, causando um efeito engraçado que arrancou risinhos de Lanísia. Para que Joyce não percebesse, ela tapou a boca com um guardanapo.
-Conseguiu aprender a posição que mostrei a você?
-Sim. Já podemos praticá-la! Ou melhor... Quero dizer... É para praticarmos agora, não é mesmo?
-Isso! Por que perder tempo, não é verdade?
Ela desceu do banco onde estivera sentada. Juca contemplou sua fantasia.
-Puxa... Está fantástica...
-Obrigada.
-Mas pensei que só pudéssemos entrar fantasiados.
Dessa vez Lanísia não manteve o controle. Quase se engasgou com o hidromel, e recebeu um olhar furioso de Joyce por suas risadas.
-Ai, foi mal, Joyce. Não deu pra segurar...
Ela nem respondeu; olhou novamente para Juca.
-Eu não uso esse tipo de roupa. Quem usa são prostitutas. Aquelas bruxas que vendem o corpo em troca de galeões. Por isso, você já deve ter visto a irmã mais velha da Lanísia numa esquina do Beco Diagonal com esses mesmos trajes.
Ela deu o braço a Juca e acenou para Lanísia, despedindo-se e dando pouca importância ao dedo médio que a jovem lhe exibia.
-Irmãos? Tem certeza disso?
Lewis não olhava para Serena enquanto fazia essas perguntas. Os dois estavam sentados sobre o gramado de uma pequena elevação, próximos ao Lorenzo´s. Lewis observava o horizonte, as estrelas minúsculas que pontilhavam a imensidão negra do céu, refletindo em tudo o que Serena acabara de lhe contar e no quanto isso ia modificar o relacionamento deles.
Aquelas duas perguntas eram necessárias. Ele precisava daquela confirmação.
-Sim – foi a resposta de Serena, que segurou firme em uma das mãos dele. – Eu queria desmentir, mas não posso. Somos irmãos, Lewis, e precisamos lidar com isso.
Ele permaneceu calado. Serena observava seu rosto de perfil, e somente quando ele encarou-a ela percebeu como os seus olhos estavam brilhantes, fartos de lágrimas.
-Você é a mulher que escolhi para ser minha esposa. Temos... Tínhamos... Tínhamos planos para uma vida a dois... – vendo-o chorar e sofrer diante dela, Serena não resistiu e também se entregou a dor. – Lembra de uma tarde em que ficamos agarradinhos vendo o pôr-do-sol, lá em Hogwarts, na beira do lago? Nós praticamente construímos a casa em que viveríamos juntos, com o gramado cheio de anões-de-jardim, a varanda com plantas por todos os lados, porque você sempre gostou de cuidar das plantas... E o campo nos fundos, para jogarmos quadribol, só nós dois...
-Lewis... – ela tentou interrompê-lo, mas Lewis permanecia absorto nas lembranças.
-...a árvore que plantaríamos para simbolizar o nosso amor. Faríamos a cada ano de casados uma nova inscrição no tronco, colocando nossas iniciais, L e S, e ao termos nossos filhos plantaríamos uma árvore para cada um...
-Lewis, por favor...
-...e sempre deitaríamos no gramado para observar centenas, milhares de entardeceres, juntinhos, unidos, da mesma forma como estávamos na beira daquele lago... O nosso futuro juntos...
-Pare... – ela colocou a mão sobre os lábios dele. Os olhares lacrimosos encontraram-se. Lewis não teve como lutar com a súplica sofrida que recebeu dos belos olhos de Serena. – Isso... Não lembre essas coisas.
-Ninguém tem o direito de tirar esses sonhos de nós dois...
-Eu sei que não – ela aproximou o rosto, colocando a testa junto a de Lewis.
Assim, tão próximos, os dois choraram, de mãos dadas, por tudo aquilo que jamais se tornaria realidade.
-O que faremos? – ele perguntou, desconcertado.
-Continuaremos a nos amar. Mas não da mesma maneira como antes... – ela sorriu-lhe. – Somos irmãos. Vamos transformar esse sentimento tão bonito num amor fraternal.
Ela acariciou-lhe os cabelos.
-Perdi meus pais, você também. Não temos outros irmãos, temos apenas um ao outro.
-Olhando dessa forma, dá até para entender porque nossos destinos se cruzaram – disse Lewis, um sorriso despontando por entre as lágrimas. – O amor nos uniu para que passássemos juntos por todos esses problemas...
-Por todas essas ausências... – completou Serena, a emoção dominando-a por completo. – Isso mesmo. Foi essa a razão de tudo. Sem meus pais, o que faria quando chegasse o Natal? Os feriados? Quando saísse de Hogwarts? Para onde iria?
-Estávamos sozinhos no mundo. Mas temos o mesmo sangue e juntos podemos construir...
-...Um lar. Somos tudo o que restou. O desejo carnal que existia entre nós vai passar, porque somos irmãos. E quando ele acabar só vai restar o...
-Amor – ele beijou-a no rosto úmido. – Eu vou cuidar de você, minha irmã. Vou te amar mais do que nunca.
-Eu também, meu querido.
Os dois abraçaram-se, iluminados pelas estrelas.
-Rony, para onde está me carregando?
-Para um lugar em que podemos ficar bem à vontade... Esqueceu que passei um tempo aqui no Lorenzo´s depois que o Draco quase me matou dentro da cabine Ou Vai ou Racha?
-Claro que não. Como poderia esquecer um momento terrível como aquele?
-No tempo em que fiquei aqui, Lorenzo me falou sobre um espaço que seria reservado para os casais se amarem, se é que você me entende... – deu uma risada cínica. – Na época estava em construção, mas já deve ter ficado pronto.
Eles saíram das escadas. Diante dos corredores, Rony hesitou.
-Esqueceu onde fica o tal lugar, seqüestrador de donzelas??
-Espere aí que eu lembro... Era atrás do palco do salão subterrâneo... Por aqui, então – carregando-a, ele caminhou até o final do corredor em que estavam.
-Acho que se enganou – comentou Mione, fitando as paredes nuas. – Não há nenhuma porta.
-Querida, é um local secreto para os casais. Logo, não há porta. Será acessível apenas àqueles que conhecem a entrada... – e, tocando de leve na madeira da parede, revelou um espaço aberto, triangular. – Encontramos!
Rony entrou no aposento com Hermione nos braços. Quando chegou num ponto em que podia ver o local por completo estancou, estupefato.
As paredes eram coloridas de vermelho. A iluminação era baixa, e havia uma música leve e sensual tocando ao fundo. Uma cama gigantesca ficava no centro, coberta por um lençol violeta. Curiosamente, a cama estava de lado, com os pés voltados em direção a porta pela qual entraram.
-É lindo – murmurou Hermione. – Só acho que devíamos mudar a posição da cama e...
-Não – ele colocou-a sobre os lençóis, enquanto deitava-se por cima dela. Acariciou-lhe a cintura, exposta pelo traje minúsculo de sereiana que ela usava. – Quero te amar o quanto antes.
Ele beijou-a. Mione sentiu-se desmanchar-se diante da pressão daqueles lábios. As mãos de Rony exploravam os contornos desnudos do seu corpo, ao mesmo tempo em que ela abraçava-o, agarrando-lhe as costas.
Carinhosamente, Rony deixou-a nua, parando por um instante para contemplar-lhe o corpo.
-Você é maravilhosa – comentou, descendo o rosto para a barriguinha de Mione e aplicando vários beijos ao redor do umbigo. Mione gemeu de prazer.
-Tire suas roupas, meu amado... – ela pediu. – Quero que me revele seu corpo.
Rony arrancou as roupas de elfo doméstico e voltou para a cama. Sedento, começou a beijar Mione inteirinha, a partir dos pés. A jovem ofegava e se contorcia sobre a cama, murmurando que o amava, enquanto a língua do rapaz explorava todos os cantos do seu corpo.
Houve uma vibração momentânea no chão. Mione olhou para Rony, intrigada.
-Sentiu isso?
-Sim. Mas não deve ser nada... – ele beijou-lhe os seios, fazendo com que Mione voltasse a aproveitar aquele momento delicioso.
Rony era um amante perfeito. Ao mesmo tempo em que procurava sentir prazer, ele procurava satisfazê-la, usando a boca e as mãos para fazê-la alcançar sensações que ela jamais imaginou existir.
No momento em que seus corpos uniram-se, Rony fixou o olhar dentro dos olhos de Hermione, observando, fascinado, o quanto a jovem estava emocionada com aquele momento. A expressão de paixão e emoção nos olhos dela fizeram com que Rony sentisse a própria emoção tomar conta de si.
Enquanto a beijava e a acariciava, Rony começou a mover o corpo. Fechou os olhos, apenas ouvindo a respiração acelerada de Hermione, seus sussurros apaixonados e os gritinhos prazerosos que a jovem não conseguia conter.
Os dois alcançaram o clímax ao mesmo tempo, os corpos bem agarrados enquanto experimentavam juntos aquela sensação impressionante.
Exaustos, abraçaram-se e fecharam os olhos, deitados na cama, saboreando aquele momento.
Foi nesse instante que o som de palmas e urros pareceram soar à distância.
-Que engraçado – disse Mione, rindo. – Estou com a impressão de estar ouvindo centenas de vozes...
-Devem vir do salão lá embaixo. Talvez tenha aparecido alguma atração especial, uma stripper, sei lá... O Lorenzo é muito criativo nesses assuntos.
-Ou colocou um casal pra transar na frente de todo mundo, já pensou? Eu não duvido que ele consiga encontrar pessoas dispostas a isso.
-Mas seria preciso muita coragem para fazer isso, não acha?... Oh-oh...
Mione fitou-o com uma sobrancelha erguida.
-Por que fez "oh-oh"?
O rosto de Rony começou a avermelhar-se, enquanto seus olhos arregalavam-se em direção a um ponto que ficava ao lado esquerdo de onde estavam.
-Ai, não, Rony, quando você fica desse jeito é porque está morrendo de vergonha... – ela baixou a cabeça e fechou os olhos, com medo do que ia ver. – O que está vendo?
-Acho que, sem saber, eu e você fomos a atração principal da noite.
-O que quer dizer com isso?
Rony virou a cabeça dela à força. Mione abriu os olhos. O que viu a fez gemer de humilhação.
A parede do fundo, que anteriormente parecera feita de madeira, como todas as outras, era, na realidade, vidro. E a transparência do vidro abria-se para o salão subterrâneo, onde os convidados da Festa da Fantasia Sexual vibravam diante deles, acenando e aplaudindo.
Lewis havia retornado ao Lorenzo´s, mas Serena ainda não tivera ânimo para voltar à festa. Parada sobre o gramado, observando a noite, ela sobressaltou-se quando Draco Malfoy surgiu ao seu lado.
-Cansou-se da festa? – ele perguntou.
-Sim. Precisava tomar um ar fresco... – fitou-o, curiosa. – E você?
-Estou desanimado... – ele sentou-se no gramado, enquanto tomava goles de suco de abóbora. – Você sabe... Também esteve envolvida naquela história da poção que endoidou os nossos hormônios sexuais...
-Sim.
-E está sabendo que, no meu caso, o final não foi muito legal. Acabei sendo... sendo... – pigarreou. – "Atacado" pelo Potter...
Serena não soube o que comentar.
-Isso... Acabou com a minha reputação de macho...
-Oh, claro que não – ela segurou a mão dele. – Não tem culpa do que aconteceu quando estava fora de si, inconsciente. Quando não sabemos o que estamos fazendo, somos inocentes... – a expressão pensativa da garota perturbou-o.
-Está falando isso em relação a si própria?
-Também – respondeu, e um sorriso fraco despontou em seus lábios. – Eu amei por muito tempo uma pessoa que não poderia amar. Mas não me culpo, porque sei que todo o meu envolvimento, tudo o que pensei em fazer e viver ao lado daquela pessoa... Todas essas coisas aconteceram porque eu não tinha idéia de que estaria errando se fizesse tudo isso.
-Sinto muito.
-Obrigada. Mas, sabe de uma coisa? Sempre aprendemos algo com o que nos acontece. Você, por exemplo... Teve que ouvir esse desabafo dramático de uma garota para falar "sinto muito" pela primeira vez na vida.
Draco arregalou os olhos cinzentos.
-Puxa, tem razão... Eu não devia ter...
-Falado que sente muito? Por que não? Ser educado e gentil não faz você ser menos homem do que um brutamontes briguento.
-Sim, mas as pessoas...
-Existem muitas pessoas, Draco. Você precisa ver quem você quer agradar – ela acariciou o rosto dele. – No meu caso, prefiro o Draco gentil.
-Hum, acho que vou começar a agir assim... Sabe que gostaria muito de agradá-la?
-Não... Não pode ser verdade... – Hermione cobriu o rosto com as mãos. – Eles viram tudo. Oh, que vergonha...
-Deve ter sido na hora em que sentimos aquela vibração no chão... Isso deve ser uma plataforma que desce para o salão subterrâneo... Não vimos que aquela parede era feita de vidro porque ela abria-se para um local fechado...
-É muita humilhação – Mione continuava lamentando-se. – Servimos de material para esses jovens tarados se satisfazerem...
-É mesmo, olhe lá o Simas Finnigan – Rony apontou. – Ou ele está batendo palmas por baixo da mesa ou está fazendo outra coisa... Hermione, vista-se logo!!
-Oh, é mesmo... – ela curvou-se para pegar o traje de sereiana; com esse movimento, empinou-se e revelou as curvas para a platéia.
-Mione, cuidado!! – berrou Rony, cobrindo-a com o lençol, enquanto fazia caretas raivosas para o público. – Os movimentos do Simas até se aceleraram.
-Tome a sua calça de elfo doméstico – ela jogou a peça para ele. – Não se esqueça de que também estão te olhando... – ela observou o salão. – O Blás Zabini não para de lançar beijinhos pra você... Vista essa calça logo, Ronald!!
-Tá bom, tá bom, calma... – ele começou a vestir a calça com movimentos bem lentos. Mione, que já colocara a roupa de sereiana, fitou-o perplexa.
-O que pensa que está fazendo?
-Me vestindo, ué...
-Devagar desse jeito?
-Ah, eles já viram tudo mesmo...
Ela cobriu-o com o lençol. Com o movimento súbito, os dois se desequilibraram e caíram na cama novamente. Houve comemoração na platéia.
-Olhe lá como ficaram contentes – comentou Rony. – Estão achando que vamos fazer de novo...
-Vista essa calça, cale essa boca, ou nunca mais vamos fazer de novo! – e, após esse aviso ríspido, ela levantou-se e caminhou até a porta.
A saída agora se abria para o salão.
Mione foi ovacionada; o som das palmas fizeram o chão estremecer. De cabeça baixa, ela procurou uma das amigas, mas nem foi preciso grande esforço; Alone e Lanísia aproximaram-se, cercando-a e protegendo-a dos fãs mais ousados.
-O que deu na sua cabeça para se exibir daquele jeito? – perguntou Lanísia.
-Francamente, estão pensando que eu fiz tudo aquilo de propósito?
-Você parecia bem à vontade... – comentou Alone.
-Eu não sabia que tínhamos platéia!
Lanísia deu uma risadinha.
-Do que está rindo?
-É que... Bom... Estão dizendo que você é a nova Tarah...
-Mas Rony é o meu namorado... Ai... – ela largou-se em um banco, desolada. – A minha reputação foi pro espaço.
-Que nada! – discordou Alone. – Eles logo esquecem o que aconteceu, e todos perceberão que você não tem intenção alguma de sair capturando rapazes por aí.
-Ainda assim, ninguém devia ter visto eu e o Rony em um momento tão íntimo... Isso eles jamais vão esquecer...
Rony aproximou-se da namorada.
-O Lorenzo disse que ele chama esse espaço de Aquário dos Prazeres. Um casal contratado por ele ia simular uma relação lá dentro.
-Vocês passaram na frente e fizeram mais do que uma simulação – zombou Alone; a expressão irada de Rony e Hermione fez com que ela se calasse. – Desculpem.
-Acho que vou beber uns goles de Demência. Quem sabe ajuda a passar a vergonha – disse Rony. – Até logo, meu amor – ele beijou Mione e caminhou até o bar.
-Lá vem a Joyce... – Lanísia apontou para a escada. – Ei, por que será que ela está andando daquele jeito?
Joyce estava mancando, com as pernas bem afastadas uma da outra. O cabelo estava despenteado e a maquiagem toda borrada.
-Foi atropelada por um gigante? – perguntou Alone.
-Não... Foi o Juca... O Juca acabou comigo – ela sorriu, enquanto despencava num banco ao lado de Hermione.
-E o que houve com suas pernas? – indagou Lanísia.
-A posição que praticamos deixou-as dormentes. Foi a Posição do Caranguejo... Muito complexa, por sinal. Mas Juca seguiu-a com maestria... Meninas, o cara é inteligente até na hora de aprender formas de fazer sexo!
-Já estão namorando? – perguntou Alone, ansiosa.
-Ah sim!! Depois que terminamos, Juca pediu-me em namoro. Tinham que ver a alegria dele quando eu aceitei! – ela percebeu que Hermione não partilhava de sua felicidade. – O que deu nela? – perguntou às outras Encalhadas.
-Passou por uma vergonha e tanto – explicou Alone. – Ela e Rony fizeram amor, mas não imaginavam que eram vistos por todos que estavam aqui.
-Ui, que trágico.
-Não faz idéia do quanto – murmurou Mione.
Joyce estalou os dedos.
-Acho que estamos precisando de mais animação. E sei de um lugar que pode melhorar o ânimo da Hermione... – Serena chegou naquele instante.
-Que sorriso maravilhoso! – comentou Lanísia. – Pelo visto, deu tudo certo com o Lewis?
-Sim. Decidimos manter uma relação normal entre irmãos. E, pra completar, acho que encontrei um garoto especial.
-Quem?? – indagou Alone.
-Draco Malfoy!!
-Malfoy?? – indagaram As Encalhadas, espantadas.
-Sim! – Serena era só entusiasmo. – Trocamos alguns beijos e combinamos de sair amanhã. Acho que finalmente vou desencalhar de vez!
-Então temos mais um motivo para nos divertirmos no lugar em que estou pensando em levá-las... – disse Joyce.
-Que lugar?
-Ora, Mione, a Mansão Lingüiça!!
As Encalhadas estavam reunidas em uma das mesas do movimentado e barulhento saguão da Mansão Lingüiça. Diante delas, as canecas estavam cheias de cerveja amanteigada, que elas sorviam aos poucos, enquanto conversavam.
Apesar de ser madrugada, o local estava lotado e barulhento, de modo que elas escolheram uma das mesas mais isoladas, onde, além de serem privadas da movimentação, não eram obrigadas a assistirem o show de pessoas nuas que dançavam e se esfregavam no palco.
-Para que servem essas plataformas? – perguntou Mione à Joyce, aos berros para fazer-se ouvir.
-No dia em que viemos, as plataformas também eram ocupadas por casais.
-A essa altura devem estar nos quartos da mansão – supôs Serena, que ainda tinha bem nítidas na mente as imagens que presenciou naquele verdadeiro "antro de perdição".
-Vão comer alguma coisa? – perguntou uma garçonete seminua, que se aproximou com um bloquinho e uma pena.
-Estava precisando de um doce – disse Mione. – Quais as sobremesas que vocês possuem?
-Temos várias opções – respondeu a garçonete. – Chocolates, sorvetes, tortas...
-Hum, eu quero um chocolate! – Joyce adiantou-se, erguendo a mão.
-No seu caso, acho que vai satisfazer-se com um pênis de chocolate – sugeriu a garçonete, com um sorriso cheio de malícia.
-OBA, EU QUERO! – Joyce comemorou. – Um pinto feito de chocolate, meninas!! Ah, não to nem acreditando... Que coisa deliciosa!
-E ainda recheamos com leite condensado.
-Hum, então fica perfeito!!
-OH!! – Serena exclamou, de repente.
-O que foi? – indagou Alone, já se preparando para uma pergunta imbecil.
-Eu não sabia que aquilo que os homens soltam dos "instrumentos" é leite condensado.
A garçonete olhou-a com pena, enquanto as Encalhadas balançavam a cabeça diante daquele comentário ignorante.
-Tão inocente – comentou a garçonete, suspirando. – É algo raro hoje em dia.
-Obrigada – Serena agradeceu, toda pomposa.
-Não é um elogio – devolveu a garçonete, secamente. Voltou a atenção à Joyce. – Temos de diversos tamanhos: pequeno, médio e...
-GRANDE!! Quero um bem grandão, para matar a minha fome! – o entusiasmo assustou às amigas. – Qual é o problema? – perguntou, ao notar os olhares de espanto que lhe lançavam.
-Achamos que a fixação por algo imenso tinha passado – disse Hermione.
-Em relação aos "verdadeiros", sim, agora que só penso no que o Juca possui. Mas... Encalhadas, acordem! Esses aqui são feitos de chocolate! Quanto maior, melhor!
-Esse é meu lema! – disse a garçonete, pigarreando em seguida para corrigir o próprio entusiasmo. – Querem mais alguma coisa?
-Acho que vou preferir um sorvete – falou Mione. – Não me sentiria muito bem comendo um chocolate com formato tão indecente... Quais são os sabores de sorvete?
-Temos chocolate, morango, limão, uva...
-Morango, por favor.
-Hum, os sorvetes fazem um sucesso, sabia?
-É mesmo? Algum motivo especial para gostarem tanto?
-Sim. Você vai descobrir assim que lhe trouxer o sorvete... – comentou a garçonete, enigmática, anotando o pedido no bloquinho. – Mais algum pedido?
-Nós também queremos sorvetes – disse Alone, respondendo por ela, Lanísia e Serena. – Eu quero de uva, e vocês meninas?
Lanísia e Serena pediram sorvetes de chocolate.
Enquanto as Encalhadas aguardavam o retorno da garçonete, notaram que uma movimentação se iniciava no amplo saguão da Mansão Lingüiça.
-Muita gente está chegando agora... – observou Lanísia. – Deve ter alguma apresentação especial.
-Será que é a Hermione e o Rony na cama mais uma vez? – zombou Alone, recebendo um olhar frio de Mione, enquanto as outras Encalhadas gargalhavam.
-Deve ser a sua mãe que vai fazer um showzinho – respondeu Mione, secamente.
Alone deu um tapa na mesa.
-Minha mãe não faz shows aqui na Mansão Lingüiça, só em prostíbulos de luxo!
Ouviram um pigarro. Era a garçonete, que retornava com uma bandeja.
-Voltou rápido, hein? – comentou Serena, sorridente.
-Sim. Ao contrário dos pênis reais, não é preciso esperar os de chocolate ficarem firmes – e riu da própria piadinha, acompanhada apenas por Joyce. – Ele já estava lá, embaladinho, recheadinho e durinho para o seu próprio prazer... – e estendeu o doce à jovem.
-Oh, obrigada... – agradeceu Joyce, segurando-o em pé diante de si e admirando-o. – Puxa... Parece tão saboroso...
-Então caia de boca! – aconselhou a garçonete. – Os sorvetes agora...
Ela distribuiu as taças na mesa.
-Bom apetite! – desejou, perdendo o entusiasmo ao ver que nenhuma das garotas começou a tomar os sorvetes. – Algum problema?
Hermione, Alone, Lanísia e Serena fitavam um sorvete em formato sugestivo. Duas bolas de sorvete estavam unidas no fundo das taças, e entre elas erguia-se um picolé do mesmo sabor.
-Vocês não fazem nada aqui que não lembre um pênis? – perguntou Hermione, irritada.
-Fazemos sim... Temos a Torta Siliconada, a Calcinha Doce, os Mamilos de Chocolate. Se você preferir, pode comer um desses. Mas não estranhe se começar a receber cantadas de mulheres...
-Não quero um sorvete genital, nem uma torta em formato de peitões, quero alimentos normais! – replicou Mione.
-Todos aqui adoram os formatos dos alimentos! E os sorvetes nem tem um formato tão explícito, o problema é a mente de quem está comendo, que acaba vendo maldade nas coisas!
-Está dizendo que tenho a mente indecente?
-Sim!
-Ah, por favor... Até a Serena, que é a mais inocente entre nós, sabe o que esse sorvete lembra!
-Sim... – disse Serena, confirmando a observação de Hermione. – Fico até enjoada ao pensar em comer isso aqui.
-Se não gostam do que servimos, então fiquem com fome – disse a garçonete, petulante. – Deviam fazer como a amiga de vocês... – ela indicou Joyce – ...que está gostando muito do nosso chocolate.
Joyce estava toda lambuzada de chocolate. Ao ver que se tornara o centro das atenções, acenou com os dedos melados para as amigas.
-É muito gostoso, meninas! Alguém quer o saco?
As Encalhadas não responderam. A garçonete, vendo que não havia mais o que oferecer às meninas – nem mesmo o que argumentar – deixou-as com as taças de sorvete, que começavam a se derreter.
-Vamos esperar um pouco mais, logo eles perdem o formato indecente – disse Alone.
-Enquanto isso, vamos usar os copos de cerveja amanteigada para brindarmos à nossa vitória! – falou Lanísia, erguendo o seu copo.
Joyce, que limpava as mãos em um pano, perguntou:
-Como líder do grupo, posso fazer o brinde?
Todas concordaram. Joyce, recompondo-se, ergueu o próprio copo e iniciou seu discurso:
-Alone, Hermione, Serena, Lanísia e Joyce. Cinco garotas, unidas por um mesmo propósito: o de conquistar os rapazes que amavam. Assim surgiu o nosso grupo, As Encalhadas. E após tentativas e mais tentativas frustradas, acabamos nos envolvendo com algo muito perigoso quando insistimos em utilizar magia. E agora é fácil perceber porque tudo deu errado.
"Talvez não se lembrem do quanto a Hermione foi contra o uso de magia para conquistarmos os rapazes. Ao invés de ouvirmos o conselho dela, o que fizemos? Agimos da mesma forma! Encontramos o ritual que considerávamos perfeito, a convencemos a participar e nos metemos numa bela enrascada".
"Naquela altura já havíamos deixado de ser apenas colegas, unidas por uma mesma intenção, por um mesmo ideal, para nos tornarmos amigas. E amigas escutam umas às outras, porque uma sempre quer o bem da outra. Pergunto a Alone, Serena e Lanísia... Ouvimos a nossa amiga?".
Todas fitaram Mione e sacudiram a cabeça em negação.
-Ao mesmo tempo em que erramos, ter realizado o ritual nos fez crescer, e muito. Se erramos no começo, corrigimos esse erro, essa desunião, no final. Foi em conjunto que decidimos, por exemplo, usar a morte de Frieda para condenar Clarissa. Foi em conjunto que selecionamos os objetos que utilizaríamos no ritual de reversão. A nossa união provocou grandes resultados, e quanto mais os problemas resultantes da Fogueira aumentavam, mais unidas nós ficávamos.
Joyce respirou fundo antes de prosseguir.
-Aprendemos que a amizade pode mais do que todas as magias do mundo... Ou melhor: a própria amizade é algo encantador, com resultados que nos surpreendem... E, no final de tudo, com a base de nossa amizade, finalmente "desencalhamos" e da maneira mais simples possível: a conquista. Conquista, pura e simples... Conquista.
Ela sorriu.
-E mesmo como mulheres comprometidas, a nossa amizade permanece. Porque, tenho certeza, nossa amizade é para sempre... Um brinde às atuais Desencalhadas!!
Elas gargalharam, enquanto brindavam, emocionadas e felizes a um só tempo.
Acomodaram-se em seus lugares. Enquanto bebiam, Hermione comentou:
-Sabem, fico muito feliz por nossa amizade continuar. Só tenho medo da época em que nos formarmos. Acabaremos perdendo esse contato diário, freqüente.
-Tem razão – concordou Serena. – Talvez fique difícil de reunir o grupo todo. Cada uma com suas responsabilidades, seu emprego, seus problemas...
-E reunir duas ou três não é a mesma coisa – ressaltou Alone. – A coisa só fica divertida quando estamos nós cinco.
-Podemos encontrar formas de nos encontrarmos com freqüência – disse Lanísia.
-Tem alguma idéia em mente? – perguntou Hermione.
-Vocês se lembram quando brincamos que poderíamos virar heroínas, resolvendo os problemas amorosos das pessoas?
-Sim – foi a resposta de todas.
-Podíamos colocar essa idéia em prática! Montarmos um grupo de apoio às mulheres com problemas amorosos. Acho que aprendemos o suficiente com nossos próprios erros para darmos ótimos conselhos!
-Estou gostando da idéia – Joyce manifestou-se.
-Mas onde funcionaria esse grupo? – perguntou Alone. – Porque estamos pensando em algo que nos uniria depois da formatura, logo, não seria em Hogwarts.
-Não seria em Hogwarts, mas poderia ser para as alunas de Hogwarts! – Serena intrometeu-se. – Meninas, que tal fundarmos esse grupo em Hogsmeade??
-Hogsmeade? – Mione ficou espantada. – Seria um grande investimento...
-Vou receber a herança de meus pais no próximo mês, quando completar dezessete anos. Posso usar esse dinheiro para comprarmos um espaço em Hogsmeade!
Entusiasmada com a idéia que lhe ocorreu naquele instante, Alone deu um tapa na mesa.
-Já sei até que espaço poderemos comprar. A Bruxetes!
-Tem razão! – disse Mione. – Com a prisão do Ted, a Bruxetes ficará às moscas. Poderemos montar o nosso grupo de apoio!
-Podemos cobrar uma taxa por cada consulta, mas não muito, porque o lucro não será o principal objetivo no nosso grupo – falou Joyce. – O objetivo será ajudar às jovens apaixonadas enquanto nos divertimos juntas!
-Então... Fundaremos esse grupo de apoio às jovens encalhadas? – indagou Mione.
-SIM! – foi a resposta coletiva, brindada com as canecas quase vazias.
Naquele momento, a movimentação no saguão da Mansão Lingüiça aumentou e soaram aplausos. Elas ouviram uma voz ampliada que vinha do palco.
-E agora, com vocês, o show que todos esperavam! No palco, a mais linda, a mais ousada, a mais gostosa... Madame Delícia!
-Ah, quero só ver se é tudo isso mesmo... – disse Joyce, abandonando a mesa; as amigas seguiram-na, igualmente curiosas.
Quando alcançaram um ponto em que podiam visualizar o palco, elas pararam. MadameDelícia dançava, usando apenas um tapa-sexo, enquanto os seios eram expostos, acariciados e apertados por ela mesma.
Ela chamou um dos homens que assistiam à performance. Quando o homem subiu no palco, ela começou a agarra-se nele, os seios sendo pressionados.
Foi quando, em um movimento súbito, o bruxo acabou arrancando a peruca de MadameDelícia, revelando-lhe os longos cabelos. O rosto dela tornou-se mais visível, e quando um facho de luz iluminou a sua face, as cinco Encalhadas gritaram, em uníssono:
-REBECCA!!
A reação foi instantânea. Enquanto os rostos no saguão voltavam-se para as jovens que haviam gritado, Rebecca se encolhia no palco, horrorizada pela descoberta.
-Então é isso que ela chama de comportamento adequado? – indagou Lanísia, satisfeita pela descoberta. Olhou para as amigas com visível prazer. – Eu não disse que essa daí tinha um podre? Descobrimos!
-Vamos espalhar essa fofoca pela escola? – indagou Serena.
-Não. Agora temos um trunfo nas mãos... – Joyce lembrou a todas. – Podemos utilizá-lo.
TRÊS MESES DEPOIS...
* * *
(Narração de Hermione)
Ainda estamos longe da formatura, mas a nossa ansiedade com relação ao grupo de apoio nos fez inaugurá-lo antes do previsto. Serena completou dezessete anos, colocou as mãos no dinheiro dos pais e utilizou uma parte – ínfima, por sinal, em comparação à fortuna dos Bennet – na compra do salão onde funcionaria a Bruxetes.
O nome Encalhadas foi colocado no topo do estabelecimento, ao lado de um desenho feito por Joyce, onde uma mulher olha desejosa para um homem que está parado ao seu lado, mas não pode alcançá-lo porque sua bunda está presa dentro de um vaso de plantas – Joyce achou o significado do desenho encantador.
Funcionamos três vezes por semana, sempre à noite, depois das aulas. Aproveitamos muito do que já havia sido construído para a loja de Ted e dividimos o salão em diferentes espaços, cada um separado por paredes coloridas e temáticas.
As Encalhadas formaram diferentes grupos especiais.
Joyce ficou encarregada das "Garotas que Querem Demais" – uma alusão às jovens que procuram desesperadamente por rapazes superdotados...
No espaço de paredes vermelhas, Joyce estava sentada numa poltrona, segurando a mão da garota que desabafava diante dela.
-Eu não sei mais o que fazer, Joyce... Ando olhando para os pés dos rapazes, vendo quais deles tem o pé maior, mas ainda não encontrei o meu Pé-Grande... – a garota começou a chorar.
-Não, querida, esqueça... Olhar para o pé não adianta, acredite em mim... Um pé grande não é garantia de nada...
-Qual o seu conselho?
-Tente encontrar um rapaz que você goste de verdade! Procure por um cara legal, não por um pinto gigante!
-E se eu preferir escolher pelo pinto?
-Então, deixe os pés de lado, espere ele coçar o saco e vê se consegue ver o volume!
Serena atende àquelas que sofrem com amores incestuosos – seu setor é chamado de "Garotas que Amam quem não deviam amar"...
-Não pode ficar olhando seu primo tomar banho! – disse Serena à jovem que chorava diante dela.
-Se você desse uma espiada nele, ia ver que é impossível não olhá-lo tomando banho...
-Mas isso só aumenta o seu desejo por ele, e ele é seu primo, tem o sangue da sua família!
A jovem sacudiu os ombros.
-Eu não quero usar o sangue mesmo...
-Mas isso é ERRADO!!
Em sua sala cor-de-rosa, Lanísia presta socorro às jovens apaixonadas por homens mais velhos; sim, temos o espaço para as "Garotas que amam Tiozinhos"...
-Ele tem 87 anos, Lanísia, mas eu acho aquele velho muito do gostoso! – a mulher apertou o braço do sofá, ao mesmo tempo em que apertava os lábios, tentando controlar a excitação. – Olha, só de lembrar na maneira como ele manca... Ai... É um sacolejar tão delicioso...
Lanísia engoliu em seco.
-Sei... E qual é o problema na relação de vocês?
-Ele não levanta mais a bengala!
-Qual delas? A que usa pra andar ou a que usa dentro de você?
-A que usa dentro de mim! Ou melhor... A que devia usar! Ele tem 87 anos e não levanta mais.
-É... Dá pra imaginar...
Alone ensina táticas àquelas apaixonadas por rapazes que não gostam da fruta (ou que parecem não gostar), aquelas "Garotas que amam Garotos que amam Garotos"...
-Ele não me quer de jeito nenhum, Alone!
-Mas espere um instante... Você disse que ele a viu de calcinha, não foi?
-Sim!
-E qual foi a reação dele?
-Bom, ele achou bonita e perguntou onde eu tinha comprado.
-Xi... – ela murmurou. – Teremos um longo trabalho pela frente.
E eu ajudo as garotas que são apaixonadas por amigos e têm medo de se declarar, temendo um abalo na amizade ou alguma outra conseqüência – as "Garotas que querem mais que um Amigo". Atualmente, ajudo duas garotas, que já foram embora.
Rebecca continua como inspetora em Hogwarts, mas após a nossa ameaça de espalhar a todos que ela atende por Madame Delícia na Mansão Lingüiça, começou a nos ajudar aqui no grupo, sendo uma espécie de faz-tudo: lava a louça, prepara quitutes para as nossas clientes, varre o chão... Ela deve voltar mais tarde, quando já não estivermos aqui, para limpar e organizar tudo para o próximo dia em que abrirmos.
Como estou sem nada para fazer, estou escrevendo nesse caderno e aguardando que as outras Desencalhadas terminem as suas "consultas"...
-Hermione? – uma voz chamou-a; ela voltou-se, fechando o caderno e sorrindo para Alone. – Encerramos os nossos trabalhos por hoje.
-Que horas são? – indagou Mione.
-Quase nove horas – respondeu Lanísia. – Bem no horário combinado!
-Sim, os rapazes logo devem chegar – falou Joyce, animada. – Os "nossos" rapazes!!
-Ai, é tão bom falar isso, não é? – disse Serena, suspirando.
-É... Agora temos homens que se arrastam a nossos pés – falou Alone, com ar superior.
-Desencalhamos, mas continuamos lindas... – disse Lanísia.
-Apaixonadas... – incrementou Mione.
-Encantadoras... – ajudou Serena.
-Inesquecíveis... – falou Joyce.
Elas ouviram batidas na porta, anunciando a chegada dos rapazes. Elas abriram e lá estavam Rony, Draco, Harry e Colin, Juca e Augusto – que vinha acompanhado da pequena Karen para não levantar suspeitas.
O grupo saiu caminhando pelas ruas de Hogsmeade em direção a Hogwarts.
De mãos dadas com Rony, na retaguarda, Mione observava as amigas e seus acompanhantes, enquanto caminhavam pela estrada que levava ao castelo.
Alone entre Harry e Colin, às gargalhadas; Augusto mantendo certa distância de Lanísia, enquanto a jovem agradava a sua futura enteada; Joyce e Juca analisando um livro que ela reconheceu como o Manual Posicionado de Posições; Serena parando por um momento para receber um longo e apaixonado beijo de Draco Malfoy.
Muita coisa havia mudado na vida das cinco garotas.
Já outras...
-Joyce, levanta essa calça porque o cofrinho está aparecendo – avisou Alone.
-Eh... – reclamou Joyce, erguendo a calça. – Não tem mais o que olhar não?
-É que a Alone tá acostumada a olhar para essa região quando os dois namoradinhos dela estão se pegando – disse Lanísia, rindo.
-Pelo menos eu já posso olhar, pegar e fazer alguma coisa! – retrucou Alone, uma ironia ao fato de que Lanísia devia esperar a formatura para se relacionar com o professor.
-Meninas, controlem-se! – pediu Serena.
-Fique quieta, ô loirona – replicou Joyce. – Continua a beijar que você fica sem falar besteira.
-Eu nunca falo besteiras! Só não entendo algumas coisas...
-Por isso que deu tão certo com o Draco! – zombou Alone. – Ficarei surpresa se o filho desses dois não nascer com orelhas de burro!
-GAROTAS! – berrou Mione, interrompendo a discussão que se iniciava.
Houve silêncio.
-Eu adoro vocês! – exclamou Hermione, sorridente, estendendo os braços, convidando-as para um abraço coletivo.
Enquanto as amigas abraçavam-se, esquecendo instantaneamente dos desentendimentos, seus acompanhantes aguardavam, observando em silêncio aquelas jovens malucas, mas irresistíveis.
Após o abraço, todas tinham lágrimas nos olhos e sorrisos afetuosos nos rostos.
-Como posso gostar de garotas tão chatas? – brincou Joyce.
-Eu não sei – disse Alone – mas o cofrinho ainda está aparecendo...
-PAREM!!!
F I M
SEQÜÊNCIA "REFLEXOS - A FOGUEIRA DAS PAIXÕES 2" já disponível aqui no Fanfiction!
AGRADECIMENTOS:
Encerro aqui essa fic, que foi muito especial para mim. Muitas pessoas contribuíram para que minha motivação crescesse ainda mais, enviando seus comentários, seus elogios, suas críticas. E deixo aqui os nicks e nomes dessas pessoas, além dos nomes daqueles que participam da comunidade no Orkut:
Esther (criadora da comunidade, mais um obrigado especial por isso!), Marina, Thaty, julia3d, Cah, Bella Moscovitz, Brino, Serena, Nathalie, Vinny, Luis Gustavo, Rogério, Milt´s, Ligia, Marisims, Angel, Gabriella, Mila Potter Evans, Encalhada´s Fan, Robson, Carol, Bruna, Lika Tesamma, Vinicius Magnun, Nanda Sophya, Stephanne, Carla, Arthur, Alline, Gabie, Kaliope S. Black, Gui Potter, Vanessitahh, Melody, Matias Luzzietti, Guguxd, Taahty, Bitriz, Lah, Lulu Cavalcanti, Bia, Gabi Miloch, Hamano Miharu, Stacy Snape Slytherin, Tata C. Evans, Chris Granger, LuisAO, Lalinha, Priscila, Dora, Humildemente Ju, Moemita, Amábilis, Luana, Leandro, JuH-Hime, Bel, Miss., Keks, Juliana, Marcella, Fadinha, Luanna, Anne Baudelaire, Nanny, Pulga Malfoy, GesiWesley, Alessandra Mendes, Bella M, Mari!,Estrela Verspertina, Florilicious, Gabby Luppin, Diana Prallon, Night, Lari Diggory, Isa M., Hi Chang, Lility, Mireille Malfoy, Nanda Sophya, SeaSky,GabieBoo, Steph W, Tekaa, Alice, Totallycarol, Trashchic, Mymin.
Para aqueles que também acompanharam as Encalhadas, mas não encontraram seus nomes ou nicks aqui, sintam-se dentro desses agradecimentos.
Encerrar "A Fogueira das Paixões" me faz sentir um vazio que jamais experimentei antes com o fim de uma história escrita por mim. As Encalhadas me divertiram muito, sendo em muitos momentos válvulas de escape para meus próprios problemas. Era começar a dar continuidade ás loucuras dessas garotas para que todos os problemas e preocupações desaparecessem em meio a risos e emoções.
Adoro escrever, e a história das Encalhadas eu adorei MUITO mais. Acho que é possível sentir isso em cada linha da fic. E por ter feito isso com tanto prazer, espero ter dado alegrias e muitas gargalhadas a todos vocês. Porque as Encalhadas me fizeram feliz. Muito feliz.
Quem quiser pode me adicionar no Orkut, faço parte da comunidade da fic e será ótimo, porque gosto muito de conhecer pessoas que lêem minhas histórias. Espero futuramente escrever uma história totalmente original e realizar o sonho de ter um livro publicado.
Foram vocês que fizeram com que eu sentisse que esse sonho é possível.
Obrigado a todos, um ótimo Natal e um 2009 repleto de realizações.
São votos sinceros.
DANIEL DIGGORY
A FOGUEIRA DAS PAIXÕES:
Setembro/ 2006
Dezembro/ 2008
