- Tivemos problemas com ghouls ultimamente. – informou Celas Victoria apoiando-se na parede e cruzando os braços. – Tem dado trabalho.
Alucard assentiu sem nada dizer. Sua cabeça estava distante e ele mantinha um mesmo sorriso irônico nos lábios.
- Integra diz que pode ter algo relacionado à um ataque que ocorreu 44 anos atrás. Ela desconfia do neto de um homem morto por um vampiro naquela época. – relatou Celas. – Os ataques tem acontecido pelos arredores de sua casa, e ele é a única pessoa com qualquer relação com vampiros que está naquela área. O senhor Richard – Celas disse baixinho o nome, limpando a garganta em seguida – foi para a Alemanha ter informações sobre o homem morto diretamente com a família dele, pois parece que apenas o neto continua morando em Londres. Depois da morte do homem decidiram levar outra vida.
- E quanto ao neto? – disse apenas.
- Uma pessoa comum, medrosa. Um tanto burro.
- Quando o senhor Richard voltará?
- Ele ligou ontem, um pouco antes do seu retorno, mestre. Disse que viria em uma semana, pois não conseguiu encontrar a família ainda.
O interesse de Alucard em ver Richard não tinha absolutamente nada a ver com os ataques de ghouls, mas o vampiro sabia disfarçar bem.
- O que tem sido feito até agora?
- Só conseguimos sair matando. Não achamos o vampiro original de forma alguma. Suspeitamos do neto daquele homem, mas fomos visitá-lo em pleno meio dia, e ele saiu ao sol normalmente. Não é um vampiro. – ela suspirou - Já virou rotina, todos os dias temos que exterminar cerca de 20 ghouls. Da última vez foram 34.
Alucard sorriu com a possibilidade de voltar à ação. Eram ghouls afinal, não haveria dificuldade nenhuma em matá-los.
- Algum idéia, mestre?
- A viúva daquele homem ainda está viva?
- Não tenho essa informação. Tudo que sabemos é que a família Rosefild já não mora em Londres, mas sim na Alemanha.
- Acha que hoje iremos matar ghouls?
- Muito provavelmente. Eles costumam aparecer por volta da uma da manhã, então nos aprontamos meia noite.
- Ótimo. Era exatamente disso que eu estava precisando. – sorriu, tomando um gole de sangue medicinal. – Parece que nem tudo mudou.
Celas não suportou o silencio que se preservou no local, observando que Alucard se perdia em seu sorriso maníaco e perturbador. Havia coisas que precisava perguntar.
- Ficou irritado por Integra estar casada, mestre? Por ela já ter uma filha?
- Por que deveria?
- Bem… - ela constrangeu-se – Achei que gostasse da senhora Integra.
- Acho que sou um cachorro muito leal e ciumento. – riu Alucard – Para que pense assim. – uma pausa – Celas, como é esse Richard?
- É um senhor muito bonito, mestre. – empolgou-se Celas, porém logo diminuindo o tom ao ver que Alucard franzira o cenho – Ele é mais novo que Integra em 5 anos. É educado e brincalhão.
- Integra está realmente feliz com ele?
- Por que pergunta a mim?
- Ela não me diria a verdade.
- Bem, eu acho que sim. – Celas não sabia se dizia que Integra estava contente, fazendo-o sentir-se triste por não ser com ele, ou se dizia que não, com medo de Alucard tentar matar o homem.
- Então deve estar tudo bem. A menina é linda.
- A senhorita Sarah é realmente um doce. Tem os olhos da mãe.
Outro novo silêncio. Celas se contorcia em seu canto.
- Ah, mestre! – ela soltou um muxoxo – Desculpe, mas preciso dizer! – ao ver que ele lhe encarara com certa seriedade no olhar, continuou – Integra chorou antes do casamento. Sei que depois nunca mais, e parecia que ela estava feliz. Mas a cena dela chorando me cortou o coração! Eu cheguei a rezar para que o senhor voltasse logo! Mas ainda demorou 15 anos!
Alucard desviou o olhar para o relógio pendurado na parede, que parecia fazer questão de tiquetaquear mais alto quando um silêncio queria predominar na sala.
- Está na hora, Celas. – disse ele, parecendo ter ignorado tudo que foi dito – Vamos caçar aqueles ghouls.
- S-sim! – ela aceitou, pegando seu velho Hallconnen.
Alucard aproveitava cada mínima gota de sangue para fortalecer-se. Na metade da noite já não era uma única alma, mas sim quinze. Pedira autorização de Integra pra também poder absorver mendigos que estivessem pelas ruas e já eram dois ao total. Ficara até um tanto tonto devido à alta quantidade de álcool em seu sangue.
Celas nem ousava tomar o sangue das vitimas. Deixava tudo ao seu mestre, que parecia estar tendo orgasmos com a sensação de tiros e sangue para todos os lados. 30 anos sem as coisas que Alucard mais gostava. Uma delas era Integra. Outra era matar.
Eram bastante ghouls. Cerca de 4 da manhã tinham vistoriado quinze quarteirões, e Alucard já somava 40 novas vidas dentro de si. Passaram meia hora sem nada encontrar e decidiram que haviam acabado pela noite.
Assim que voltaram à organização, foram ambos dar o relato do trabalho feito. A velha burocracia não tinha mudado. E era muito estranho voltar ao trabalho após tantos anos, como se nada tivesse acontecido. Talvez a maior prova de que muito tempo tinha se passado era que Integra agora penteava os cabelos de uma menininha chamada Sarah, de 10 anos. Sua filha com Richard Loire.
- Não encontramos o vampiro original. – informou Celas. – Sinto muito.
- Divertiu-se, Alucard?
Ele não disse nada. Olhou para a menininha e deu-lhe um sorriso.
- Alucard absorveu 40 ghouls e dois mendigos. – informou Celas.
- Não descobriram nada de novo?
Alucard olhava para os lados, como se toda aquela conversa não fosse com ele.
- Não senhora. – negou Celas.
- Certo. Parece que teremos que continuar matando os ghouls até Richard chegar com algo de útil.
Alucard franziu o cenho e mirou os olhos de Integra com ódio. Parecia querer dizer algo, como se as palavras fossem uma criatura se contorcendo pra querer sair por sua boca, porém as conteve. E mais que isso, saiu do aposento batendo a porta atrás de si.
- Senhora… - balbuciou Celas.
- Acredite, Celas. Alucard já sabe onde está o vampiro original. Mas pra fazê-lo falar, preciso dar-lhe alguns estímulos.
- Fazê-lo de inútil perto do homem que lhe roubou a mulher que ama não é exatamente algo muito humano, senhora. – acusou Celas, saindo rapidamente.
Integra assustou-se com a ousadia da draculina, porém nada disse. Suas palavras ainda reverberavam em sua consciência. Por uns instantes, a escova de cabelos parou no meio do caminho, e ela ficou atônita, com o pensamento distante.
- Mamãe! – chamou a pequena Sarah – Tudo bem?
Integra pareceu voltar a si e fez que sim com a cabeça, voltando a pentear sua filha, com os olhos mais brilhantes. Alguns podiam dizer que era um sinal de lágrimas. Mas os que conheciam a dama de ferro sabiam que era impossível.
Ou não…
Uma semana se passou rapidamente e ao fim dela Alucard já possuía 180 vidas dentro de si. Um bom número para tão pouco tempo. Já sentia-se bem melhor, porém não estava nem na metade do poder de sua serva. Não que isso importasse. E na verdade, Alucard não parecia ligar a mínima. Apenas fazia seu trabalho medíocre, sem reclamar, sem se dramatizar ou qualquer coisa. Muito pelo contrário. Adorava tudo aquilo. Suas sensações eram indescritíveis. Ir à rua para matar era esquecer que Integra estava casada com um homem qualquer. Mas naquela noite, esse homem voltaria. Traria as informações que tanto ela precisava. E por causa disso naquele dia sabia de muitas coisas. A primeira delas é que levaria uma bronca épica de Integra. A segunda é que não poderia mais absorver tantas vidas com tanta facilidade.
Assim, à uma da manhã, quando os ghouls começaram a aparecer como de costume, Alucard pediu a Celas que cuidasse destes, e avisou que iria até a casa do neto do homem morto.
No caminho ainda absorveu cinco vidas. Parou em frente à casa e observou a luz acesa no andar superior. Ele estava em casa, como previra.
Abriu o portão sem pedir licença. Parou sobre o tapete de boas vindas e tocou a campainha.
A voz que saiu do interfone era incrivelmente asmática e a respiração excessivamente sonora. Como um velho senhor que necessita de aparelhos e esse fora desligado. Entretanto a voz não era de alguém com mais de 20 anos.
- Quem é?
- Sou da polícia. – sorriu Alucard deliciosamente – Preciso que preste um depoimento.
- Ah, sim, polícia, isso. – disse, como se raciocinasse direito. – Estou indo.
Alucard inalou profundamente o ar da noite, virando-se para rua enquanto esperava. Sabia perfeitamente que ele demoraria uns cinco minutos. Estava tão plenamente seguro do que faria ali que nem parecia um mistério.
Passados alguns longos instantes, a porta se abriu. E parado na soleira estava um rapaz de aproximados vinte anos, dos cabelos longos e negros, um tanto mais baixo e esguio.
- Você não é da polícia. – afirmou o jovem.
- Não, sou da organização Hellsing.
- Seus bastardos, já falei um milhão de vezes que não tenho nada a ver com esses ghouls!
- Ah não? – riu Alucard – E se eu lhe dissesse que sou Alucard. Isso muda sua resposta?
O sangue pareceu fugir da face do jovem. No mesmo instante todas os músculos do rosto contraíram-se, dando lugar a outra personalidade. Lentamente um sorriso fino formou-se, puxando mais de um lado das bochechas ossudas. Estava contente. Satisfeito.
***
- Olá querida. – o senhor alto, dos cabelos castanhos claro, curto, muito bem penteados, adentrou na casa. Tira um ar de bom moço e era realmente muito bonito. O aroma de perfume masculino caro entrou junto a ele.
- Bom dia, Richard. – cumprimentou Integra, que lia um jornal enquanto fumava, sentada no sofá.
O homem aproximou-se e roubou-lhe um beijo, dando a volta no sofá e sentando-se no braço do mesmo, apoiando o braço no encosto atrás da cabeça de Integra.
- E então, descobriu algo?
- Ah, sim. – ele afirmou – Algo valiosíssimo. Melhor dizendo, resolvi o caso.
Integra olhou para ele com descrença, porém pedindo que lhe explicasse.
- Encontrei a família Rosefild, e eles disseram que o homem morto 44 anos atrás, Daniel, sequer teve filhos.
- Como assim sequer teve filhos? E quanto ao neto dele?
- Bem, eles disseram naquela época que ele estudava pra ser padre.
As coisas se conectaram imediatamente na cabeça de Integra. Agora estava óbvio. Quando o vampiro lhe atacou anos antes, o rapaz era virgem. Ele nunca teve um neto, sequer um filho. Quem estava naquela casa era mesmo Daniel.
- Mas ele pode sair à luz do sol! – estremeceu Integra.
- Honestamente, querida. – lamentou Richard – Um vampiro de 44 anos que se alimenta de tantas vidas diariamente quanto ele… Não me surpreende que ele saia à luz do sol.
- Tem razão. – disse, pegando o celular – Preciso avisar Celes e Alucard.
- Celes e quem!?
Integra dissera com tanta naturalidade que esquecera que seu marido ainda não sabia do retorno do no life king.
- Alucard retornou, Richard.
- Retornou!? Como!?
- Livrou-se de suas almas. Você não passada de um adolescente naquela época, então não deve se lembrar bem da guerra. Enfim, ele voltou a ser nosso soldado.
Richard tomou a expressão de desconfiança, mas não disse nada.
Integra discou o número do celular que Celas carregava com ela. A Draculina atentou rápido, e pode-se ouvir tiros altíssimos do outro lado da linha, dados certamente por ela, que conversava normalmente ao telefone.
- Celas, já sabemos quem é o vampiro original.
"Quem, senhora?"
- O neto do senhor Rosefild, na verdade é o próprio senhor Rosefild. Apenas sai a luz do dia porque é forte o suficiente para tal.
"Oh não…" – parecia realmente um lamento de angustia.
- O que houve, draculina?
"Alucard saiu há meia hora e foi para a casa do senhor Rosefild."
O telefone caiu das mãos de Integra, que tremendo levantou-se com expressão de terror.
- Richard, nós vamos até lá.
Alucard não era praticamente um vampiro novato. Jamais teria chance contra um vampiro de 44 anos.
WAAAAAA que bósnia!!! Eu odiei esse capitulo e se pá vou deletá-lo! e-e
Leitores: nem devia ter escrito e-e
Eu: ah, fiquem quietos aí e-e
Leitores: ta, não mando review
Eu: naaaaaaaaaaooo .___. Ah, vcs não mandam mesmo u_ú
Leitores: não mandaremos.
Eu: ok!
Leitores: ok!
Eu: OK!!
Leitores: OK!!! (vão embora)
Eu: ah, vai gente, vcs não tavam falando sério, né? '-'
