Richard levantou sem muita pressa e buscou as chaves do carro no bolso. Integra parecia muito mais ansiosa e o puniu pela falta de rapidez. Roubou-lhe a chave da mão e correu para a porta, passando por ela como se esta fosse uma barreira que lhe impedia de chegar na coisa que mais desejava. Berrara lá de fora que se Richard queria ir com ela, que se apressasse, pois não iria esperar. Isso foi o suficiente pra que ele apertasse o passo. Algo lhe dizia que não era bom deixar Integra sozinha com Alucard.
Os dois entraram no carro, a mulher deu a partida e saíram cantando pneu. Xingou os guardas da entrada pela demora em abrir o portão e acelerou a toda. Richard colocava o cinto agarrando-se ao banco. Integra estava grudada no volante e seus olhos estavam fixos na pista. Não fazia curvas a menos que oitenta por hora. Como era noite não haviam muitos carros na estrada.
A mansão Hellsing ficava um tanto afastada do resto da cidade, por motivos óbvios. Integra sempre considerara isso um trunfo, mas naquele momento estava sendo o motivo de sua angustia. Depois de trinta anos, perder Alucard, e desta vez para sempre? Não se pudesse impedir.
Adentrou nos subúrbios, sem desacelerar um minuto. Depois aproximadamente dez minutos de um caminho normalmente feito em meia hora, Integra parou em frente à Celes, que ainda matava ghouls desesperadamente tentando se livrar pra ir até seu mestre.
Duas coisas eram certas: Alucard, mestre de Celas, ainda estava vivo. O vampiro original, mestre daqueles ghouls, também.
- Continue o trabalho, policial. Se precisarmos de você, te ligo.
- Sim, mestra.
Integra acelerou novamente fazendo Richard colar no banco. Mais cinco minutos e chegaram a uma cena caótica.
Alucard estava sangrando no meio da pista. Havia levado muitos tiros. O tal Daniel permanecia de pé, porém também sangrava. Integra ainda chegou a tempo de ver que o vampiro original havia pego as duas pistolas de Alucard e mirava o mesmo.
O coração de Integra deu um salto e ela tinha certeza que podia ouvi-lo.
Daniel, ao ver que o carro parara, ousou desferir três tiros com a Jackal, mas Alucard desviara-se dos três a tempo, logo após ver que sua mestra havia chegado.
Alucard naquele momento se ergueu, como se um lapso de poder que invadia suas veias. Seu rosto se encheu de ódio, sendo que anteriormente estava repleto daquela ironia sempre presente. Alucard se virou na direção de Integra com os punhos fechados. A mulher por sua vez, saiu do carro apontando uma arma em Daniel.
- Parado! – mandou Integra – Não ouse se mover ou vou encher sua cabeça de prata!
Daniel apenas riu, apontando ambas as pistolas de Alucard na direção do dono.
- Acha que pode ser mais rápida que um vampiro?
- Você nem faz idéia. – murmurou Integra com a mira exatamente no meio dos olhos dele.
Alucard contorcia-se de ódio por dentro. Aquela situação era ridícula. Integra tendo de vir salvá-lo? Ou melhor, Integra achando que precisava ser salvo? Maldita hora em que foi chegar. E pior! Acompanhada daquele homem que provavelmente era o tal Richard. Humilhando-o novamente, agora na frente de seu "ótimo" marido.
- Integra. – murmurou Alucard – Posso estar fraco. Mas ainda sou Alucard.
Integra voltou os olhos na direção do servo e tal fizeram todos os presentes. Atônita, a mulher viu Alucard liberar restrições 3, 2 e 1, chamando e invocando por Cromwell.
O corpo de Alucard rapidamente se fundiu ao do cão do inferno, despedaçando-se e mesclando-se a numerosas lacraias venenosas.
O no life king havia perdido seu poder. Mas Cromwell ainda estava forte como sempre.
E assim, após tradicionalmente ser chamado de monstro, Alucard devorou Daniel em poucos segundos, tomando cuidado pra não levar junto Cassul e Jackal.
Graças ao poder provindo do sangue de Daniel, Alucard imediatamente se recuperou dos tiros, mas ainda estava com o ódio no rosto.
Integra ainda observava tão chocada quanto seu marido. E nem se mexeu quando Alucard passou por ela, ignorando o carro, andando pela rua agora vazia.
- Alucard? – ela chamou quando passou o espanto – Venha, vamos no carro.
O servo ignorou e continuou andando.
- Alucard? Estou falando com você!
Nenhuma resposta. Ele já estava no fim da rua.
Nervosa, Integra entrou no carro e acelerou, novamente fazendo Richard colar no banco, e parou cantando pneu ao lado de Alucard.
- Entre nesse carro, é uma ordem.
O servo parou, mordeu o lábio de ódio, suspirou como se dissesse que ela estava lhe incomodando e entrou no banco traseiro do carro.
Ótimo, Alucard agia como uma criança birrenta. Um vampiro de 600 anos, teimoso feito pedra, podia ser pior que um burro empacado.
- Vamos conversar na organização. – disse Integra, dirigindo mais devagar agora.
Richard podia facilmente sentir algo pesando sobre sua nuca, de tão firmemente que Alucard o mirava. O marido de Integra sentia calafrios sabendo que era alvo dos olhos tenebrosos daquele vampiro.
- Richard. – a voz forte de Alucard soou finalmente – Eu matei um Richard um dia.
O homem parecia assustado, mas manteve-se calmo para responder-lhe.
- Tenho certeza que matou muita gente.
- Não. Não com tanto prazer.
Integra virou-se para trás dando um olhar que fuzilou Alucard.
Passaram por Celas, que contente pelos ghouls terem sido eliminados, entrou no carro ao lado de Alucard.
- O senhor venceu, mestre?
Alucard não respondeu o óbvio. E agora parecia que ele realmente só falava o estritamente necessário.
Celas esperou a resposta até ver que o mau humor no rosto de Alucard era devido ao homem sentado no banco de passageiro, ao lado de Integra. Quando notou isso, desistiu de falar com o mestre até o fim da viagem.
***
O ar estava tenso. Celas podia sentir ondas de raiva saírem dos olhos de seu mestre. Presentes estavam: ela, Integra, Alucard, Richard e o homem que anotaria os relatos do serviço feito.
- Celas, Alucard. – começou Integra – Relatem.
Ao ver o que o mestre não diria nada, pois não tirava os olhos de Richard, Celas deu inicio.
- Os ghouls começaram a surgir por volta da uma da manhã. O que é estranho já que pelas duas eles ainda surgiam, mas o mestre já havia encontrado o vampiro original em casa, como se ele mordesse as pessoas à distancia. – Celas parou pra pensar no que tinha dito e achou absurdo, mas não tinha outra hipótese.
- Não compreendo. – disse Richard – Ele era mesmo o vampiro original, uma vez que ao ser morto todos os ghouls sumiram.
- Daniel queria se fortalecer. – a voz de Alucard cortou o lugar – De inicio queria apenas poder sair à luz do dia, pra visitar sua família. Quando pode fazer isso ficou seduzido pelo poder e começou a morder o máximo de pessoas possível, mesmo sob a luz do sol. Entretanto, os ghouls morriam durante o dia, e apenas os que se transformavam à noite sobreviviam. O que significa que havia um imenso numero de ghouls já formados quando chegávamos, ele não os mordia enquanto lutávamos. Então quando cheguei em sua casa, ele já estava limpando-se do sangue. Daniel tinha hábitos diurnos, procurava agir como um humano depois que vocês foram procurá-lo, com medo de ser descoberto. Era óbvio que era ele o vampiro original desde quando Celas me contou que descartaram essa hipótese simplesmente por ele sair à luz do dia. Eu pude fazer isso após 13 anos como vampiro, por que ele, com 44 não poderia? – Alucard dizia como se tudo fosse óbvio e ridículo.
- Meus parabéns, Alucard. – disse Richard, atraindo o mais profundo ódio do vampiro – Descobriu sem ir a campo algo que tentávamos desvendar há 3 anos.
- Não com tanta eficácia, não é, Alucard? – provocou Integra – Afinal, se já sabia desde o começo, por que não matou logo o desgraçado? – puxou um charuto calmamente.
- Você sabe o porquê.
A primeira quantidade de cinzas caiu da ponta do charuto antes que ela o fuzilasse com o olhar, novamente, tal qual no carro.
- Poder. – balbuciou Integra. – Ele lhe foi uma ótima fonte de vidas fácil.
- Além dos ghouls, o sangue das centenas de pessoas que ele tomou veio a mim quando o mordi. – justificou Alucard finalmente sorrindo.
- Richard, Celas, escrivão… Saiam.
- Mas querida…
- Já ouviu, Richard.
Alucard baixou a cabeça dando seu costumeiro sorriso enquanto os três passavam por ele. Ao fecharem a porta atrás de si, o servo finalmente encarou a mestra.
- Deixou um total de 200 pessoas morrerem.
Finalmente a bronca épica.
- Sim.
- Tudo porque queria ficar mais forte! – bradou Integra batendo as duas mãos sobre a mesa.
- Sim.
- Que tipo de monstro você se tornou? 30 anos mexeram com a sua cabeça? Quem você pensa que é pra decidir assim a vida de inocentes!? Podia tê-los salvo antes de se transformarem em ghouls! Onde está o Alucard que salvava vidas? Onde está o Alucard que conseguia o menor número de baixas possíveis!?
- Desapareceu trinta anos atrás.
- Então está fazendo tudo livremente. Por mero prazer.
- Prazer? Não tem nada a ver com prazer.
- Então tem a ver com quê!?
Alucard silenciou-se. Integra levou os dedos à têmpora, massageando-a.
- O que aconteceu com você, Alucard? O que o levou a ir enfrentar um vampiro muito mais poderoso?
- O que a levou a acreditar que eu precisava de ajuda? O vampiro só queria me enfrentar, ele se fortaleceu pra isso. Acha que indo até lá ia conseguir me salvar?
- Então é isso? Está bravo por que fui até você?
Isso não era nem a ponta do iceberg.
- Eu não precisava de ajuda.
- Eu me preocupei com você, Alucard! Tive medo de perder você dessa vez pra sempre!
Alucard a mirou nos olhos, mas não deixou a expressão mudar.
- Já não faço muita diferença de qualquer forma. Não sirvo como lixeiro, já que preciso que uma humana e seu ótimo marido venham me salvar. Não sirvo como mais nada.
- Faz diferença pra mim.
- Não parece.
- Não parece, mas faz!
- Durante o tempo que fiquei fora… você releu aquele diário?
Integra se sentiu acuada de alguma forma.
- Sim. – confessou, com a voz baixa.
- Então não aja como se nada tivesse acontecido! – berrou Alucard, assustando Integra, que nunca o tinha visto daquela forma.
Integra acalmou-se do susto e tomou uma expressão dura.
- Não aja como se tivesse acontecido algo. – repeliu, caminhando para fora da sala.
- Quantas vezes por semana faz sexo com seu marido, Integra? – um sorriso pervertido tomou conta de seu rosto.
- Isso definitivamente não é da sua conta. – disse ela, com a mão na maçaneta da porta, sem ao menos corar.
Alucard riu com aquele jeito irritante e ar de deboche.
- Tudo bem Integra. Mas façamos uma aposta. Eu aposto que você vai implorar pelo meu corpo no dia do seu aniversário de casada.
- Não diga besteira, seu idiota!
- Tudo que você disser agora será usado contra você no dia em que eu ganhar a aposta. E eu terei o prazer de dizer "eu avisei".
- Você não vai tocar em mim.
- Vou tocar e você vai adorar.
Finalmente corando, Integra deixou a sala.
***
Autora: mas é um capítulo pior que o outro -.-..... Mas pra quem não sabia se ia continuar, pelo menos já tah no terceiro capitulo!
Leitores: podia não ter saído do primeiro.
Autora: (chorando)
Leitores: emo e-e
Autora: HÁ! Eu vou colocar um hentai nervoso aqui!
Leitores: *-*/ somos sua fã, Sorah-sama!
Autora: pervertidos e-e
Leitores: mas se for com o richard nós te tacamos fogo *-*/
Autora: Quem ta com fogo é a Integra... xD
Leitores: e o alucard.
Autora: A coisa vai arder...
