Parte II
You in the dark (Você no escuro)
You in the pain (Você na dor)
You on the run (Você numa corrida)
Living a hell (Vivendo um inferno)
Living your ghost (Vivendo uma assombração)
Living your end (Vivendo o seu final)
Letting the Cables Sleep - Bush
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Eu sempre quis fazer a coisa certa.
Mas quando tudo ao seu redor parece confuso demais, você deixa de pensar no que realmente é certo. Eu deveria ter enfrentado, deveria ter lutado e nunca devia tê-lo abandonado. E a verdade é que eu não andava fazendo a coisa certa há muito tempo, então se fosse parar para pensar, mais uma coisa errada não seria nada.
Acho que esse foi meu maior erro.
Aprendi que se deve lutar pelos seus sonhos e que encarar seus medos de frente é a melhor solução. Não fiz nada disso. Mesmo rodeada de pessoas corajosas. Fugir era muito mais fácil. Fugir da minha vida era a coisa mais certa para mim naquele momento, ser covarde nunca me pareceu uma idéia boa até aquele momento. Eu só não sabia que iria arruinar outras pessoas com o meu ato egoísta de salvação.
Uma falsa salvação.
Apenas uma ilusão.
As vozes em minha cabeça me lembravam constantemente disso. Eu tinha uma vida e era a coisa mais importante que me pertencia, mesmo assim jogá-la fora foi extremamente fácil. Enganava-me dizendo a mim mesma que para mim tinha sido muito mais difícil do que para eles. Eu já me convencia disso. Com um tempo as feridas cicatrizam e eles tocam suas vidas com uma doce saudade, apenas isso. Percebi meu erro quando ele me achou.
"Ele esta aqui! Ele está aqui!"
Não reagi. Era como se fosse um desconhecido. Eu havia quebrado por dentro há muito tempo. Não existia mais, não tinha o que sentir. E mais uma vez eu escolhi o caminho mais fácil. Continuar, fingir estar morta. Era assim que eu era. Eu não existia e continuaria não existindo. Com um pouco de sorte ele se daria conta de que quem ele via não era a pessoa que ele conhecia.
As feridas de Draco não haviam cicatrizado. Eu as havia feito, deixando marcas profundas que insistiam em sangrar. Dilacerei. Essa nunca foi a minha intenção.
Sentir o abraço dele me fez perceber o quanto estive errada aquele tempo todo. E o pior de tudo era saber que eu não queria concertar isso, porque não seria fácil.
Então ele caiu e eu me vi obrigada a segurá-lo. Seus olhos sem vida presos aos meus. Indefeso. Eu tinha um Draco indefeso e arruinado. Voltar a ser Ginny e levá-lo para casa com o único pensamento de protegê-lo não iria concertar o que havia feito. Mesmo assim era a única coisa que eu podia fazer. E agora ele está deitado na minha cama, resmungando algo em seu sono perturbado, não resisto à vontade de suavemente encostar meus lábios em sua testa, e estranhamente Draco parece dormir com mais tranqüilidade.
Eu só queria ter feito a coisa certa.
O ar está pesado. Sempre detestei quando Draco me olha pedindo explicação. Sei que devo explicações, mas se ele continuar me olhando assim lanço um obliviate. Acho que ele não sabe que estou em posse da sua varinha. Não estou pronta para explicações, negar tudo talvez seja a melhor solução.
- Por quê?
Ia ser muito mais difícil do que eu imaginei. Não queria responder àquela pergunta e o que mais cortava ali era expressão dele. Havia decepção, mágoa e amargura. Eu queria gritar, pedir para ele parar de me olhar assim. Ele se levantou e meu corpo tremeu ligeiramente com a sua aproximação.
- Podemos esquecer isso por enquanto? – os olhos dele escureceram ao ouvir o que eu disse.
- Não.
- Você precisa de um banho – murmuro numa tentativa de adiar aquilo. Ele aperta meu braço com força, o rosto próximo demais, a barba por fazer arranhando de leve meu rosto.
- Eu só precisei de uma coisa todos esses anos – eu não quero ouvir mais nada, suas palavras machucam. – Você acabou com a minha vida – ele dá um sorriso vazio para depois me soltar como se eu o tivesse queimado.
- Você nunca entenderia...
- Não tinha esse direito – o tom de voz muda, de gelado passa para alterado. – Você planejou tudo aquilo, não foi? Até a parte de me seduzir? Fazia parte do seu plano me responsabilizar por sua morte?
- Como pôde pensar nisso? – pergunto, sem conter a voz chorosa. Ele não sabia o quanto havia sido difícil, ainda mais depois de termos nos envolvidos.
- Vamos acabar logo com isso. Você me conta o por que e depois eu caio fora, você continua se fingindo de morta e eu finjo que você nunca existiu.
Aquilo machucou. Então ele desistiria tão fácil assim de mim? Era só eu contar os meus motivos e ele me deixari?. Draco não podia fazer isso comigo, era o único pensamento que eu tinha naquele momento. Assim como ele, eu também só queria uma coisa, mas não tinha mais esse direito e ele estava certo no final das contas. De qualquer forma, eu não ia dar nenhuma justificativa.
- O que eu fiz não é da sua conta – frisei bem a frase para que não houvesse dúvida, só não medi as conseqüências.
Draco avançou, dessa vez com brutalidade, raiva estampada em seus olhos gelados, machucando minhas costas de encontro à pequena cômoda do meu quarto.
- Não é da minha conta? Eu vou te dizer o por que de ser da minha conta – aquele não era o Draco que eu havia deixado para trás. – Porque você me abandonou, me fez mudar de lado, ver o quanto o mundo ao meu redor não tinha o menor significado, porque você me fez te amar... – terminou com a voz tão baixa, quase um sussurro, a pele dele tocando a minha. – Por isso é da minha conta.
Então ele me beijou. A raiva estampada em seu ato, minhas costas sendo pressionadas com mais força. Minhas mãos em sua nuca, trazendo-o para mais perto, ansiando por ele. Era tão diferente. Nada de ternura, saudade ou amor. Apenas raiva misturada com desejo. Mordeu meu lábio com força, o gosto metálico se misturando ao beijo. Um amargo castigo.
Parou de me beijar sorrindo de encontro a minha bochecha, o som do seu riso fez com que eu gelasse. Draco parecia morto, muito mais do que eu. Suas mãos geladas apertavam minha cintura e sua respiração estava entrecortada. Sem pensar em mais nada toquei seu abdômen com as pontas dos dedos por debaixo da blusa preta cheirando a whisky. O mesmo gosto do beijo.
Draco pareceu acordar com o toque, assumindo todo o controle a partir dali. Não havia mais perguntas, nem justificativas. Não queríamos saber de mais nada.
As mãos deles soltaram minha cintura e foram para os botões da blusa, os dedos ávidos desabotoando um por um com pressa. Arrancou a blusa com uma mão, enquanto a outra alisava minha barriga, subindo em direção aos seios. Esperei tanto tempo para ter Draco assim e sempre achei que nunca mais o sentiria tão perto.
Levantou-me, fazendo com que ficasse sentada na cômoda, os pequenos objetos caídos no chão, estilhaçados. Seus olhos não encontravam os meus, ele fazia questão de escondê-lo com a franja do cabelo, mas eu não iria pensar no por que, não quando acomodava o corpo da melhor forma possível de encontro ao meu e seus dedos passavam por meus seios ainda cobertos pelo sutiã. Minhas mãos em volta da cintura dele, queria livrá-lo da roupa, as mordidas em meu pescoço me deixavam sem ação e ele sussurrava algo incompreensível quando parava.
Fechei os olhos, essa era a melhor maneira de aguçar os sentidos. Sem perceber, já estava gemendo baixo com os toques dele. Draco não parecia satisfeito com aquilo, parou o que fazia, se afastando um pouco e me olhando com o semblante sério. Tive a nítida impressão dele mencionar algo como conforto e logo depois estava me segurando e me levando em direção a cama. Acho que a partir daí tomei consciência do que fazíamos, tentei me soltar, ir para longe, mas ele me apertou com força, caindo comigo na cama. Senti o quanto ele estava excitado, seus olhos em um cinza azulado começando esboçar alguma reação.
- Você quer tanto quanto eu – murmurou em meu ouvido, as mãos firmes na minha cintura. Perdi toda a minha razão com isso.
Deitado sobre mim, começou a beijar meu pescoço enquanto eu tentava desabotoar a blusa dele. O colar que eu havia dado a ele pendurado em seu pescoço. Ele mordia e sugava a minha pele, fazendo com que eu amolecesse o corpo sobre a cama. As mãos dele passavam pelos meus ombros abaixando a alça do sutiã, desceu os lábios pelo meu pescoço, chegando ao ombro esquerdo e beijando ali, as mãos agora procurando o fecho do sutiã nas minhas costas.
- Draco – sussurrei e ele afastou o corpo do meu, ignorando meu chamado e terminando de tirar meu sutiã. As mãos deslizaram suavemente pelos meus seios, descendo em direção a minha calça. Olhando em meus olhos diretamente pela primeira vez, ele desceu o zíper e puxou a calça para baixo me livrando dela.
Sentei na cama e ele se aproximou tirando a blusa e me envolvendo em seus braços logo em seguida, a familiar sensação de borboletas no estômago me atingindo. Eu sentia os toques dele na minha pele, marcando cada pedaço. Tentei chamá-lo pela segunda vez, sendo impedida com os lábios dele passando pela minha bochecha, chegando ao canto da boca a beijando ali de leve. Sem me conter mais, segurei seu rosto e pressionei os lábios com força nos dele, querendo sentir seu gosto mais uma vez.
Draco voltou a me deitar, caindo por cima e parando o beijo. Algo estava errado ali, meu cérebro gritava para que eu parasse, mas não queria escutar e, mesmo com a sensação de erro, deixei-o continuar, a boca deslizando pelo meu colo enquanto os dedos brincavam com um dos meus mamilos eriçados. Afundei as mãos em seus cabelos, entregue a ele. Arfando baixo ao sentir os lábios quentes envolverem o outro mamilo, mordiscando com força e levantando os olhos para me encarar. Tinha me esquecido o quanto ele gostava de provocar.
Passou a sugar e lamber um dos meus mamilos, deixando o dolorido e repetindo o mesmo no outro. Sugava com mais intensidade de acordo com os meus gemidos e por fim passou a língua de leve, me arrepiando. As mãos dele apertavam minhas coxas, enquanto ele passava a ponta da língua pela minha barriga provocando arrepios. Com as pontas dos dedos ele puxou minha calcinha pra baixo, tirando-a e deixando-a de lado. Estremeci. Ele beijava a parte interna das minhas coxas, intercalando com mordidas, um dos dedos fazendo círculos em volta do meu umbigo, em uma brincadeira. Comprimi os lábios para não rir.
Até que ele parou e eu me controlei a tempo para não demonstrar minha frustração. Vi quando ele tirou o cinto da calça e me sentei para ajudá-lo, mas ele me empurrou de leve para que voltasse a me deitar. Quando já estava livre das suas roupas, voltou a se deitar sobre mim, o rosto próximo ao meu e seus olhos desviando para o lado. Antes que eu dissesse alguma coisa, ele escondeu o rosto na curva do meu pescoço e disse, me fazendo estremecer mais uma vez:
- Quero sentir você, Ginny... Ouvir você.
Beijei seu ombro e ele se posicionou melhor, fazendo com que minhas pernas ficassem uma de cada lado de seus quadris. Mordendo o meu pescoço, me penetrou devagar enquanto eu mordia os lábios com força, contendo um gemido. Nossas peles pressionadas uma contra a outra, e eu sentindo-o entrar mais em mim.
- Eu disse que queria ouvir você – sussurrou em meu ouvido e sugou o lóbulo da minha orelha, saindo de dentro de mim e entrando novamente. Não contive mais os gemidos, nossos corpos se tocando, as mãos dele firmes em minha cintura.
- Draco... – arfei de olhos fechados. Ele sorriu de encontro com o meu pescoço, como se aprovasse o som da palavra. – Mais...
E como se quisesse me contrariar, recomeçou a ir mais devagar, suas mãos ficando debaixo de mim.
- Mais? – perguntou baixo. Não iria pedir de novo se era isso que ele estava querendo, mas quando ele levantou minha cintura para ir de encontro com ele, não segurei um gemido um pouco alto de prazer e surpresa. Ele sorriu mais uma vez – Assim? – e soltou a minha cintura, voltando a investir intensamente.
Sussurrava algo que nem mesmo eu sabia o que era. Talvez estivesse implorando por mais ao ver que ele voltava a diminuir os movimentos, mandando todo o orgulho as favas por estar sendo subjugada a ele, deixei que me ouvisse como queria, gemendo e sussurrando palavras desconexas, pedidos soltos. Queria sentir Draco por completo e deixá-lo me sentir também. A saudade finalmente nos atingindo. Os movimentos se tornaram rápidos e eu já não conseguia abrir os olhos, a língua dele passeando pela minha orelha e minhas mãos espalmadas em suas costas com força, como se pedisse por mais contato. Até que meu corpo amoleceu e minhas pálpebras se fecharam com mais força.
Draco tremeu levemente ao perceber que eu tinha chegando no limite, mas continuou se movendo rápido, murmurando algo incompreensível, alguns segundos depois ele soltou um gemido rouco, largando o corpo por cima do meu com a respiração irregular.
- Senti sua falta – ele murmurou antes de adormecer com a cabeça entre meus seios. Não segurei a lágrima que teimava em cair e alisei seus cabelos.
Talvez eu conseguisse voltar a viver.
Quando acordei, Draco já não estava na cama. Olhei para o lado e o vi terminando de abotoar a camisa. Enrolei-me mais no lençol e olhei para ele interrogativa, sendo ignorada.
- Draco?
- Quê? – sua voz saiu fria.
- Aonde você vai? – já havia amanhecido, mas ainda parecia ser muito cedo.
- Para casa – respondeu e tirou algo do bolso jogando em seguida na cama. Ouvi o barulho tilintante de varias moedas. – É o suficiente?
Vi os vários galeõs próximos ao meu pé e voltei a olhá-lo sem entender.
- É o suficiente pelos seus serviços? – esclareceu.
Senti minhas bochechas corarem, não sei se de raiva ou de vergonha. E, com toda a dignidade que possuía, respondi:
- Sou apenas uma dançarina, Draco, não o que você está pensando.
Ele sorriu com deboche.
- Sério? Não sabia que dançarina era o novo nome para pu...
Mas não deixe que ele concluísse a frase, peguei as moedas e lancei contra ele.
- NÃO PRECISO DISSO! – berrei com toda força, não acreditando que ele pudesse dizer aquilo.
- Morando em lugar como esse – olhou em volta do quarto. – Acho que você precisa sim. Não faça cerimônia só porque somos velhos... amantes.
- Éramos muito mais do que isso, Draco – tentei falar firme, mas o que saiu foi uma voz chorosa. – Nós nos...
Ele avançou contra mim, segurando meu braço com força.
- Não conclua essa frase – disse em um tom cortante. – Ou não sei o que seria capaz de fazer com você.
- Você mesmo disse ontem que...
- Achei que fosse outra pessoa – me interrompeu e eu encolhi, temendo o que ele iria dizer. – Mas ela está morta, você não passa de uma mera cópia – e me soltou com se tivesse nojo.
Saiu da cama e andou até a porta sem olhar para trás. Deixando-me ali em pedaços. Mas ele estava certo. Eu estava morta. Quem estava ali não era quem ele amava.
Continua...
N.A: Eu sei que eu mereço todas as pedradas e xingamentos possíveis por não atualizar nada a séculos, mas os dois últimos meses que antecederam o final do ano foram bastante tumultuados por conta do vestibular. E quando eu finalmente tenho todo tempo do mundo minha inspiração tava um zero total. Mas eu acho que agora as coisas comecem a andar, ok? Esperam que tenham gostado do capítulo que eu demorei horrores pra escrever por conta da NC. O próximo não deve demorar tanto assim, acho que daqui as uns quinze dias eu devo tá atualizando essa fic de novo.
Comentem, please. Reviews são o que sustentam nós, ficwriters.
Bjus!!!
No próximo capítulo:
- Eu faço meu trabalho muito bem, Potter! – respondi entre dentes.
- Você fazia o seu trabalho muito bem. Mas parece que se cansou de brincar de querer se vingar da morte da Ginny.
Soltei a porta pronto pra partir pra cima dele, mas Granger se colocou no meio tentanto me empurrar inutilmente para dentro do meu apartamento.
- Será que podemos entrar? – ela pediu. – E Harry você me prometeu que não viria aqui pra isso.
