Parte V
Eu sou aquele feito para dançar
Você apenas me agita até machucar
Profundo e doloroso, até que não posso respirar
De novo e de novo, o "berço do gato", até que não haja mais nada
Por favor, perceba os suspiros rasgados
Que escorrega de meus lábios pressionados aos seus...
Um truque na noite de minha morte, alguém cujo nome não sei
Feridas expostas, gotejando com a falta de amor.
Toguro – the GazettE
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Trabalhar tinha se tornado um verdadeiro marasmo nas últimas semanas. Certo, aquilo nunca me pareceu algo divertido e que aplacasse meu tédio, principalmente quando eu tinha que ficar no escritório, mas naqueles últimos dias especificamente a situação chegou a ser sofrível de aturar.
Potter sempre que tinha uma oportunidade vinha me perturbar com aquela posse dele de herói do mundo e passando na minha cara de instante em instante que eu estou por um fio nessa droga de trabalho. Fora meus supostos colegas que me olham como se fosse uma bomba preste a explodir. Não que eu esteja realmente ligando pra isso.
Faz quase um mês que não vejo Ginny. Acho que realmente começo a enterrá-la, ainda que ela esteja viva e que não tenha me contado toda verdade. Eu quero esquecer que a encontrei. Quero manter guardada somente a Ginny que conheci em Hogwarts e que me tocou de alguma maneira. A que me fez sentir, a que quebrou algo dentro de mim.
Depois que você quebra uma vez, não dá pra juntar os pedaços e colar.
- Malfoy, você terminou o relatório da sua missão passada?
Lancei um olhar para porta da pequena sala onde Potter se encontrava encostado esperando o relatório. Peguei o meu sobretudo e vesti calmamente antes de responder:
- Aqui na mesa – ele me olhou como se esperasse mais alguma coisa, mas eu não me dei ao trabalho de saber o quê. Passei por ele sem dizer mais nada, seguindo para o saguão e poder aparatar em casa, mas antes que fizesse isso uma das recepcionistas se dirigiu a mim.
- Senhor Malfoy, uma moça esteve aqui deixando um bilhete – ela me entregou um pequeno papel lacrado e eu abri ali mesmo esperando que não fosse nada que me fizesse ter hora extra no trabalho.
"Draco, você pode aparecer na Babylon hoje antes das duas da manhã?"
Quase soltei um riso zombeteiro ao ler o bilhete, mas no segundo seguinte me dei conta de algo.
- Ruiva? – indaguei a recepcionista que me olhou confusa. – A moça. Ela era ruiva?
- Ah, não... não era ruiva – ela parou para pensar um pouco. – Era loira, tenho certeza disso – sorriu tentando ser eficiente e eu a ignorei confuso.
Aparatei no meu apartamento e joguei o bilhete no lixo. A única coisa que me intrigava era imaginar que ela tinha tido coragem de aparecer no ministério, mas ao que parece não foi ela quem esteve lá. Bom, eu não ia aparecer lá na boate que ela trabalhava e não sei como ela podia ter a cara de pau de me pedir para encontrá-la.
Não me importava com os problemas dela. Mas por que então essa droga de sensação de que eu precisava saber o que estava acontecendo? Comecei a imaginar em que tipo de problema ela tinha se metido. Problemas era o que não devia faltar no emprego dela, mas eu realmente não queria me importar com isso. Sentei na poltrona, jogando a cabeça pra cima e soltando um suspiro baixo. Iria tomar um banho, comer algo e cair na cama, sem ligar para o que quer que fosse que ela queria comigo.
Banho tomado e mais de três horas rolando na cama sem conseguir pegar no sono. E eu achando que os meus problemas em relação a Ginny já estavam muito bem resolvidos. Joguei os lençóis pro lado e me sentei, apoiando a cabeça nas mãos. Era só tentar controlar a vontade. Eu nem iria vê-la, aquilo havia acabado, eu só precisava focar meu pensamentos em outras coisas e pronto! Esqueceria que ela queria me ver. Mas por que diabos ela queria me ver? E no que ela teria se metido?
Comprimi os lábios e passei a mão pelos cabelos, ainda relutando em ir até lá, mas eu era um fraco mesmo e aquele lance de força de vontade nunca funcionou comigo. Era frustrante saber que Ginny ainda exercia aquele tipo de poder sobre mim. Levantei e fui até o guarda-roupa pegando roupas limpas para trocar pela calça folgada do pijama. Me ajeitei demoradamente, esperando que a vontade de ir vê-la passasse, mesmo que minha mente dissesse que eu já tinha perdido aquela batalha.
Quando aparatei próximo à boate foi que finalmente me dei conta que minha história com Ginny não havia acabado. Minha obsessão por ela nunca iria passar e não pude deixar de sorrir com essa constatação. Não um sorriso feliz, eu estava longe de algo assim, mas um sorriso de quem sabe que só conhece uma solução para seu problema.
Andei até a boate me dirigindo direto para o bar, no palco era Ginny quem dançava. Assim que a vi olhei com reprovação, o corpo quase todo exposto e os quadris mexendo de maneira lânguida, ao som do jazz que tocava em uma dança erótica. Era vulgar sim. E isso excitava mais ainda os que a assistiam com olhares de cobiças. Acho que nem preciso dizer a vontade que tinha de arrastá-la pra fora dali.
Ginny podia dançar daquele jeito, mas eu queria que fosse só pra mim. Ela ainda era minha de alguma forma e o sentimento de posse estava presente fortemente naquele momento. Então me vi estranhamente querendo destruir aquilo que achava que me pertencia.
Desviei o olhar, antes que pensamentos mais mórbidos me tragassem por completo. Logo aquela dança terminaria e ela viria ao meu encontro. Pedi uma bebida, esperando o tempo passar e quando ela finalmente veio, a dança de minutos atrás já estava esquecida.
Ela se sentou e eu a olhei de lado, agora trajava uma calça e um casaco leve, os cabelos presos em um rabo de cavalo baixo e as maçãs do rosto extremamente coradas.
- Achei que você iria acabar não aparecendo – ela olhava para os lados enquanto falava, como se procurasse algo. – Vamos sair daqui, eu preciso falar com você. – Dei de ombros e ela me puxou pelo braço de maneira afobada.
- Espera, eu ainda tenho que pagar – resmunguei impaciente e me soltando dela, tirando algumas notas do bolso e pagando pela bebida. Segurei o braço dela e dei um sorriso malicioso. – No seu apartamento? – Ela me encarou como se não entendesse até responder segundo depois.
- É, lá... – murmurou, começando a andar e eu a segui.
- Você deve estar muito necessitada pra até conseguir alguém que fosse ao Ministério para você.
- Não mandei ninguém, eu mesma fui lá – e antes que eu questionasse como fez isso ela respondeu. – Poção Polisuco.
Ergui uma sobrancelha, me perguntando se Ginny usava daquele artifício constantemente quando queria freqüentar o mundo bruxo. Ela andava mais a frente, alerta e sem parecer querer puxar assunto enquanto eu a seguia com as mãos nos bolsos. Ainda havia tanta coisa que eu queria saber e perguntar a ela, mas sabia que seria inútil tentar. E talvez fosse melhor assim, eu realmente queria não ter mais nenhum tipo de ligação com Ginny.
Então por que estava ali?
Quando chegamos ao pequeno apartamento dela, olhei ao redor atentamente já começando a me familiarizar com o ambiente. Era apenas um quarto/sala, com uma porta que dava para o banheiro e a um canto um cubículo minúsculo com fogão e geladeira, tudo muito organizado e limpo e ao mesmo tempo sem vida. Não havia um toque pessoal dela ali, apenas um local para se esconder, era isso que parecia.
- Então... – Cruzei os braços, e me encostei a parede, esperando ela tomar iniciativa.
- Os pesadelos voltaram – estava de costas para mim e sua voz saiu baixa, não era exatamente isso que eu esperava. Eu não tinha nada haver com os malditos pesadelos dela e aquilo não me importava mais.
- E o que isso me interessa, Ginny? – ela se virou para mim, os grandes olhos achocolatados arregalados.
- E-eu... – mordeu o lábio inferior, me olhando como se estivesse perdida e eu senti uma pequena vontade de confortá-la. – Você não entende? Os pesadelos com Tom... eles voltaram. Isso não podia acontecer, ele está morto e isso não podia acontecer – ela se aproximou relutante, confusão estampa em seu rosto e eu soltei um suspiro baixo.
- Qualquer um pode ter pesadelos, você deve ter andado pensando muito no assunto ultimamente e acabou sonhando com ele – tentei soar o mais pragmático possível, ainda descrente que Ginny havia ido ao Ministério me procurar por conta de pesadelos.
- Você não entende? – me perguntou mais uma vez, sua voz quase histérica. – Não é qualquer pesadelo... ele voltou, Draco. Ele voltou!
Eu me desencostei da parede e me aproximei dela, uma das minhas mãos em seu ombro.
- Não, Ginny, ele não voltou. Isso é impossível. Potter o destruiu – vi toda a confusão passar por seus olhos, querendo acreditar que o que eu tinha dita era a verdade. E foi com surpresa que eu senti os braços dela me envolverem e seu rosto afundar em meu peito como se buscasse um refúgio.
Ela chorou como na vez em que se despediu de mim em Hogwarts e isso trouxe a velha sensação de algo quebrando dentro de mim. Eu me vi a consolando, sussurrando em seu ouvido que tudo ficaria bem, que eram só pesadelos e que Voldemort não existia mais, abraçando-a com força. O colar que ela havia me dado, esquentou contra minha pele, isso acontecia em algumas ocasiões.
- Você tem certeza disso? – sua voz saiu abafada e chorosa e eu sorri suavemente, acariciando seus cabelos.
- Tenho – sussurrei em seu ouvido vendo o quanto ela estava frágil e me sentindo extremamente vivo por estar passando uma segurança que há muito eu não tinha.
Ela se afastou, meio relutante, limpando as lágrimas com as pontas dos dedos em um jeito infantil, me olhando meio desconcertada. Eu desvie o olhar, surpreso com o meu próprio comportamento e percebendo o quanto era suscetível as ações dela. Me afastei um pouco mais, de maneira desconfortável e Ginny pareceu perceber, voltando a me abraçar.
- Não faz isso, Draco – ela sussurrou e eu voltei a olhá-la, seus olhos ameaçando marejar mais uma vez. – Não vai embora, eu preciso de você.
- Eu já disse que você morreu pra mim – tentei falar o mais frio possível e ela balançou a cabeça negativamente.
- Não, eu sei que não. Eu te machuquei e você está querendo fazer o mesmo. Eu deixo você me machucar, Draco, mas não vai embora – as lágrimas voltaram a cair e ela se agarrou com força na minha blusa.
Ginny nunca havia me implorado nada e naquele momento eu não seria capaz de negar qualquer coisa que ela me pedisse. E isso me irritava. Eu queria sim poder dizer não. Mandar ela encenar sua morte novamente e me deixar em paz.
- Posso te contar uma coisa, Ginny? – segurei seu rosto com as duas mãos, me aproximando um pouco. – Eu estava pensando antes de vir pra cá e cheguei a conclusão que só há duas formas de me livrar de você. Ou me mato ou eu mato você, então isso tudo terminaria. – ela fungou levemente e voltou a morde o lábio.
- Você... você me mataria? – apesar do rosto assustado sua voz saiu tão calma que achei que aquilo era o que ela mais desejava. Balancei a cabeça afirmando, mesmo não tendo certeza se teria coragem de fazer aquilo. Ela fechou os olhos. – Bom, você pode fazer isso agora, não é mesmo?
E agora eu era quem estava chocado. Não era possível que seus pesadelos apavorassem tanto ao ponto de fazê-la desejar a morte. Deslizei uma das minhas mãos até sua nuca, a trazendo mais perto ainda e pressionando meus lábios aos seus com força. Seus braços envolveram meu pescoço e quando me dei conta eu já a tinha deitado na cama e meus dedos procuravam os botões do seu casaco. A imagem dela dançando vindo a minha mente.
Desci os lábios pelo queixo dela até chegar ao pescoço e começar a sugar a pele pálida. Ginny arqueou a cabeça para trás, me acomodando melhor entre suas pernas, o rosto ainda manchado pelas lágrimas e os lábios entreabertos. Parei com os beijos em seu pescoço e me afastei um pouco para poder livrá-la do casaco. Ela me encarou, sem menção alguma de me impedir, apenas observando meus movimentos apressados e quando joguei a peça de roupa no chão, voltou a me abraçar, se sentando em meu colo, com as pernas ao redor da minha cintura.
Seus lábios buscavam os meus de maneira afoita, enquanto suas mãos acariciavam minhas costas e eu passava as mãos por debaixo da fina blusa branca que ela usava, sentindo sua pele quente. Ela gemeu entre o beijo e se afastou um pouco, seus olhos presos aos meus.
Eu sorri, fazendo com que ela voltasse a deitar, me erguendo um pouco e tirando a roupa, enquanto ela me observava. Voltei a me aproximar, minhas mãos puxando sua blusa para cima, enquanto ela desabotoava a própria calça e eu ajudei a tirá-la. Era como se soubéssemos que poderíamos perder a coragem a qualquer momento e estivéssemos aproveitando aquela trégua das nossas feridas.
Meus lábios acariciavam sua pele, seu pescoço e seus seios, me permitindo sentir a sensação de estar vivo durante alguns segundos. As mãos dela presas em meus cabelos e nossos corpos nus pressionados um contra o outro. Meus dedos contornaram seus lábios, descendo pelo seu pescoço. Ginny fechou os olhos e eu estaquei uns segundo a contemplando, sabendo que a partir dali não haveria mais volta, que eu iria revivê-la e ela faria o mesmo comigo.
- Abre os olhos... quero ver o que você sente – pedi, com os lábios próximos aos dela e ela sorriu, abrindo os olhos em seguida, me dando certeza de que o que eu mais queria era viver.
Nossos movimentos não foram calmos. Nós tínhamos a necessidade de sentir e provar que existíamos e só conhecíamos um jeito de fazer isso. Tinha que ser intenso e até mesmo agressivo. Ela não reclamou quando a penetrei sem muito cuidado e de maneira sôfrega, como se minha vida dependesse daquele gesto. Eu não reclamei quando ela mordeu com força meu ombro e suas unhas cravaram na minha cintura. Nós queríamos exatamente daquele jeito. Queríamos mostrar um ao outro que estivemos ali e que aquele momento não seria esquecido. As marcas não deixariam.
Ela sussurrou algo inteligível antes que eu desabasse sobre seu corpo, já me sentindo sonolento e registrando vagamente sua mão acariciando meus cabelos. Ainda tínhamos muito o quê curar e talvez algumas das feridas nunca cicatrizassem por completo. Eu ainda duvidava que o que tinha se quebrado pudesse ser colado, mas ao menos naquela hora eu decidi me iludir um pouco. Dormi como há muito tempo não fazia, sem sonhos e com uma sensação de que estava em casa após tanto tempo.
Mas o meu sono não durou muito tempo. Umas duas horas depois eu acordei, ouvindo sussurros estrangulados e uma pequena agitação ao meu lado. Olhei para Ginny sem entender de imediato, até perceber que ela estava tendo um pesadelo. Ela parecia chorar e sua voz saia em um tom infantil, falando algo desconexo em meio a palavras que tinham um vago sentido.
Tentei abraçá-la, mas ela se debateu em meio ao pesadelo. Tentei mais uma vez, não deixando que ela me afastasse, mantendo seus braços presos e sussurrando em seu ouvido que era só um pesadelo. Ela pareceu se acalmar e eu soltei seus braços, me sentando e apoiando as costas dela em meu peito.
- Ginny? – Chamei suavemente, acariciando seus cabelos. Ela relaxou mais sobre os meus braços ainda de olhos fechados. Esperei em silêncio que ela se recuperasse, ainda acariciando seus cabelos e ao suspirar suavemente, se aconchegou mais nos meus braços.
Um tempo depois ela saiu dos meus braços e virou pra mim, me encarando com seriedade. Um incômodo silêncio ficou entre nós, enquanto Ginny parecia me avaliar. E a sensação que eu tive é de que estávamos nós afastando a cada segundo naquela minuciosa avaliação. Quando ela desviou o olhar e se deitou, ainda de olhos abertos foi que eu percebi que naquele momento o que ela menos precisava era de alguém agindo racionalmente.
-Vamos dormi, Draco. Foi só um pesadelo.
E eu obedeci. Ou fingi obedecer. Porque naquela noite não consegui pegar no sono.
Quando acordei na manhã seguinte, não senti o corpo quente de Ginny encostado e seu lado da cama estava frio. Sentei ainda com a visão embaçada por conta do sono, mas distingui um borrão perto da janela e em seguida ouvi sua voz.
- Pelo visto você precisava mesmo de uma boa noite de sono.
- Que horas são? – perguntei com a voz um pouco rouca e ela se levantou vindo até a cama.
- Já passam das dez.
- Merda! – Xinguei, pensando no trabalho e na bronca quer levaria do maldito Potter.
- Soube que você trabalha como auror – ela se sentou na cama, tirando um cigarro de um maço que trazia na mão e o acendeu em seguida. Me levantei, pegando minhas calças no chão e vestindo sem olhá-la.
- Pra quem estava morta você sabe bastante. Não sou exatamente um auror.
- É, soube também que só está lá por conta da sua participação na guerra.
- Será que você poderia apagar esse maldito cigarro? – resmunguei e ela sorriu em resposta, dando uma tragada demorada e soltando a fumaça lentamente deixando bem clara a sua resposta.
- Como você me achou? – olhei um pouco surpreso com a pergunta, mas respondi sem hesitar.
- Por acaso. O que é uma grande ironia. Passei esses anos procurando você e achando que sua morte não tinha passado de uma brincadeira de mau gosto, e quando finalmente desisto disso acabei te encontrando... por acaso.
- Você desistiu de mim? – Ginny perguntou, soando em um misto de manha e mágoa e eu balancei a cabeça afirmando.
- Já estava na hora de deixar flores na sua lápide – ela sorriu amargamente ao ouvir minha frase, voltando a dar mais uma tragada.
- Não deixou flores no meu enterro?
Senti um mal estar com a pergunta dela e lancei um olhar irritado, mas ao mesmo tempo apreensivo.
- Você se diverte com isso tudo, não é? Acha divertido o que fez?
- Não – ela falou baixo e desviou o olhar. – Mas queria que você tivesse me deixado flores. Bom, acho melhor você ir.
A olhei um pouco incrédulo com sua resposta e não disse mais nada. Terminei de me arrumar em silêncio, enquanto Ginny ajeitava a cama do pequeno quarto em que morava.
Não nos despedimos, não precisávamos disso. Sabíamos que nos veríamos de novo. Era uma questão de necessidade, muito mais do que de amor.
Naquela manhã, quando cheguei ao Ministério, Potter não se deu ao trabalho de dar mais um dos seus sermões. Ele simplesmente me disse que eu estava demitido, que não podia fazer mais nada e que eu era o único culpado disso. Não me importei, aquele emprego não tinha mais finalidade.
Quando sai do Ministério a única vontade que eu tinha era de voltar para casa e dormir. Ao invés disso eu andei pela cidade durante um bom tempo. Eu não tinha uma casa para voltar, não tinha um lugar que me desse conforto e eu estava cansado de todo aquele vazio. Acho que por isso a necessidade de estar perto de Ginny era tão grande. Ela me passava a sensação de 'lar', o conforto que eu buscava. Ao mesmo tempo em que me trazia uma sensação de que tudo ao meu redor não passava de uma mentira, que ela me faria perder tudo mais uma vez.
Ainda assim eu não queria mais lutar contra aqueles sentimentos. Se durante esses anos o que eu mais desejei é que ela estivesse viva, então por que relutar tanto em me envolver novamente? Por que não esquecer tudo e reconstruir o que começamos? E foi pensando assim que eu decidi que não adiantava mais fugir.
Continua...
N.A: Finalmente voltando a atualizar. Desculpem os eventuais erros, mas o capítulo não foi betado. Eu perdi contato com a Li que era quem betava a fic no começo, e a Lou não teve tempo de betar esse aqui. Eu quero terminar de publicar todos os capítulos daqui pro dia 20, por conta das minhas provas, assim é uma coisa a menos pendente na minha cabeça além do que se eu continuasse demorando a postar acho que ia acabar tendo raiva e deletando Delicate.
Essa semana ainda posto de novo.
Obrigada pelas reviews no capítulo anterior.
