Capítulo V
A Decisão
A estação de King's Cross era maior do que Elizabeth imaginava. O trem para Dover sairia às 10:30h e as duas estavam atrasadas. Irmã Madeleine arrastando a mala procurava o trem em que a menina deveria embarcar. Finalmente as duas chegaram à plataforma 22 um pouco antes do horário marcado. A freira ajudou Elizabeth a guardar a mala no compartimento de bagagens e procurou uma cabine para ela se acomodar. Logo depois elas ouviram um funcionário avisando sobre a partida e irmã Madeleine beijou a pupila, desejou-lhe boa sorte e deixou o trem. Elizabeth ainda viu a religiosa acenando, virando as costas e deixando a plataforma.
Elizabeth estava sozinha na cabine. Ela tirou a carta da mochila e a leu mais uma vez. O trem para Hogwarts sairia daquela mesma estação. A menina olhou pela janela e o imenso relógio mostrava 10:28h. Dentro de 2 minutos o trem em que ela estava partiria. Ela abriu a caixa do presente misterioso, leu a lista de material de Hogwarts e exclamou:
- Isso é uma varinha mágica!
Então a carta não era uma brincadeira. Hogwarts havia de existir. O apito do trem soou avisando a sua partida. Elizabeth pegou a mochila e correu para a porta do vagão descendo segundos antes do trem começar a andar. Elizabeth estava ofegante. Ela havia tomado a sua decisão, iria desvendar o mistério de Hogwarts. Primeiro ela precisava encontrar a plataforma 9 ½ .
Enquanto andava pela estação meio perdida Elizabeth começou a perceber o tamanho da confusão que se metera. Perguntou a um guarda onde ficava a plataforma 9 ½ e o guarda lhe deu uma bronca dizendo para ela ir brincar em outro lugar. Ela havia deixado a mala no trem, logo não tinha mais nenhuma roupa. Ela não tinha dinheiro e não conhecia mais ninguém no mundo além das freiras e alunas de Saint Claire.
Sem perder a esperança continuou andando e encontrou a plataforma 9, viu também a placa indicativa da plataforma 10, mas nenhum sinal da plataforma 9½ . Ela sentou em um banco e olhou para o grande relógio da estação, faltavam 12 minutos para as 11 horas. Elizabeth pegou a caixa de madeira, tirou a varinha e a segurou entre as mãos. No mesmo instante ela passou a ver várias pessoas, adultos e crianças, usando roupas estranhas, andando na sua frente e entrando em uma parede. Isso mesmo, as pessoas estavam entrando na parede sólida de tijolos e desaparecendo. Prestando atenção ao que diziam pode captar algumas frases:
- "Estamos atrasados, o expresso de Hogwarts não espera."
- "Olá Howard, como foi de férias? Está com saudades da escola?"
- "Todo ano é a mesma coisa, cheio de trouxas."
- "Venha querido, a plataforma 9½ é por aqui."
Sem pensar Elizabeth seguiu aquelas pessoas que desapareciam na parede. E ao cruzá-la deparou-se com uma locomotiva vermelha a vapor parada à plataforma apinhada de gente. Um letreiro no alto informava: Expresso de Hogwarts, 11 horas.
- Consegui! – exclamou Elizabeth sem conseguir dominar seu contentamento.
