Capítulo VI

O Expresso de Hogwarts

A plataforma estava tão cheia que ninguém achou estranho o fato de Elizabeth não ter nenhuma bagagem. Ela entrou no trem e procurou uma cabine vazia. Sentou e ficou esperando. Essa era a maior aventura da sua vida. Por um instante lembrou da irmã Madeleine, da Madre Superiora e de todos em Saint Claire, o que eles pensariam quando descobrissem que ela nunca chegou ao internato? Provavelmente ficariam muito preocupadas. Elizabeth se sentiu culpada por abandonar aquelas que haviam sido suas guardiãs e amigas durante tantos anos e por deixá-las angustiadas com seu desaparecimento.

O trem começou a se mover. Com um longo suspiro Elizabeth relaxou, agora estava verdadeiramente a caminho de Hogwarts e nada mais poderia ser feito para mudar isso. De repente ela sentiu fome e lembrou do lanche preparado pela Sra. Jones. Abriu a mochila e quando ia dar a primeira mordida no sanduíche a porta da cabine se abriu e uma cabecinha ruiva apareceu.

- Posso me sentar aqui? – perguntou a menina – meus irmãos acabam de me expulsar de junto deles. Você tem irmãos? Eu tenho seis. Você também trouxe lanche de casa, é? Minha mãe diz que o que vendem aqui no trem não é nada nutritivo. Você sabe, coisas como feijõezinhos de todos os sabores e sapos de chocolate. Meu nome é Gina Weasley e este é meu primeiro ano em Hogwarts.

Elizabeth não conseguiu entender metade do que a menina falava, mas ficou feliz em ter alguém com quem conversar. Gina devia ter a mesma idade que ela e apesar de ser seu primeiro ano ela tinha certeza que a outra conhecia tudo sobre a escola.

- Oi Gina, eu sou Elizabeth John e eu não tenho irmãos. Esse também é meu primeiro ano em Hogwarts mas eu não conheço nada sobre a escola. Para dizer a verdade eu nem sabia que Hogwarts existia até receber aquela carta. E até essa manhã, quando eu vi a plataforma 9½, eu achava que a carta era uma brincadeira de alguma amiga minha.

- Uau! Então você é trouxa – disse Gina, mas ao ver o rosto ofendido da outra resolveu se explicar melhor. – Nós chamamos de trouxas todos aqueles que não são bruxos. Não é uma ofensa.

- Você pode me ensinar alguma coisa sobre os bruxos e sobre a escola? – pediu Elizabeth timidamente.

Era exatamente a deixa que Gina precisava para contar todos os detalhes do mundo bruxo e as fofocas da escola que ela ouvia dos irmãos. As horas da viagem passaram voando enquanto Elizabeth sorvia cada palavra sobre aquele mundo maravilhoso onde parecia que todos eram felizes. Foi através de Gina que ela ficou sabendo sobre as quatro casas de Hogwarts, sobre o chapéu seletor, sobre os professores, o guarda-caça, o céu encantado no refeitório. Gina também falou sobre o Ministério da Magia, o trabalho do seu pai, contou sobre Você-Sabe-Quem e como Harry Potter, o melhor amigo de seu irmão, o havia derrotado. No melhor da conversa uma monitora abriu a porta da cabine e avisou:

- Vistam suas vestes, chegaremos a qualquer momento.

Gina trancou a porta e começou a trocar a roupa.

- Você não vai se vestir? – perguntou a ruiva.

- Eu não tenho vestes. A minha bagagem se extraviou – mentiu Elizabeth, não querendo contar que ela nunca teve bagagem alguma.

- Não se preocupe eles a encontrarão. Use essa capa por cima da sua roupa e ninguém vai perceber – decidiu Gina oferecendo a nova amiga uma de suas capas.