Capítulo X
A mudança das Estações
O outono chegou rapidamente trazendo um vento gelado e cortante. Da sua janela Elizabeth podia ver claramente a mudança de estação. Ela estava pensando em Gina. A menina que parecia tão simpática e falante nos primeiros dias do ano agora estava completamente mudada. Gina vivia sozinha e mesmo suas amigas mais antigas não a reconheciam. Elizabeth não sabia o que pensar, ela também se sentia sozinha e pensou que Gina talvez tivesse saudades de casa.
O inverno trouxe os preparativos para as férias, mas para Elizabeth não fazia muita diferença porque não tinha para onde ir no feriado de Natal. A escola estava envolvida em um Mistério, uma câmara secreta, lar de um monstro, havia sido aberta e os alunos nascidos trouxas estavam convivendo com o medo se serem mortos. Elizabeth sentia medo, mas isso não a impedia de gostar cada dia mais da nova escola. As comemorações natalinas em Hogwarts eram famosas e a menina gostou do banquete. Admirou-se ao encontrar, na manhã de Natal, um presente debaixo da árvore com seu nome. A menina abriu o pacote rapidamente e encontrou um livro antigo, encadernado em couro e onde se lia – "Poções e Encantamentos da Terra dos Druídas". Dessa vez ela soube que o Professor Dumbledore era o responsável pela surpresa, porque o cartão trazia seus votos de Feliz Natal.
A primavera podia ser apreciada em todo o seu esplendor nos jardins de Hogwarts. Entretanto os alunos estavam mais preocupados com a possibilidade do fechamento da escola, porque ninguém conseguia deter os ataques do monstro da câmara secreta. Para Elizabeth aquela primavera nunca seria esquecida porque ela trouxe sua primeira detenção.
Depois de uma poção particularmente difícil, que nenhum aluno conseguiu completar com perfeição, o professor Snape foi até a mesa de Elizabeth e olhou para o seu caldeirão com desdém.
- Bem John, parece que seus esforços tem sido inúteis. Notas boas nas provas não são o suficiente se você não possui o dom. A arte das poções não é uma habilidade que possa ser obtida através dos livros, é necessário instinto, perspicácia, intuição – expôs o professor com um olhar arrogante – e isso todos nós já observamos que você não possui. Classe, dispensada.
Os alunos de Sonserina explodiram em risadinhas de aprovação enquanto deixavam a sala. Elizabeth sentia seu rosto arder, e não era pela vergonha, mas porque sabia que o professor estava mentindo.
Depois que a sala ficou vazia Elizabeth foi até a mesa de Severo Snape e declarou:
- Isso não é verdade. Eu já preparei todas as poções do livro do primeiro ano com sucesso. Eu sinto que cada parte do meu corpo tem uma função ao preparar uma poção. Meus olhos medem as quantidades com mais precisão que a balança. Minhas mãos percebem a qualidade das ervas. Meu nariz me diz quanto tempo uma infusão deve maturar. Eu sou a melhor aluna da sua classe e o senhor sabe disso.
- A soberba não faz parte das qualidades necessárias ao preparo de uma poção, Srta. John. Dez pontos a menos para a sua casa e uma semana de detenções – declarou o professor.
No decorrer do dia Elizabeth foi se arrependendo de ter explodido. Quando chegou o momento de cumprir sua detenção o medo era muito maior que a satisfação momentânea de ter enfrentado o professor.
Entrar na sala do professor era aterrador. Uma grande mesa de carvalho era rodeada por prateleiras sem fim, tomadas de frascos de todas as cores e tamanhos. No fundo da sala uma estante dominava o ambiente. No canto direito, sobre uma mesa pequena sete livros a aguardavam.
- Sente-se ali, John. Você tem um livro para cada dia de detenção. Quero um resumo sobre a vida desses bruxos no fim da semana – ordenou secamente o professor.
Elizabeth foi abrindo os livros e cada um deles era a história de um bruxo famoso, todos reconhecidos por seu talento em poções. Suas vidas foram emocionantes e seus feitos muitos. As horas de detenção não eram suficientes para suprir a curiosidade de Elizabeth. Ela levou os livros com ela e durante sete dias se dedicou a eles.
Ao entregar o trabalho para o professor no final da semana ela não tinha coragem de olhar diretamente para ele. Elizabeth se sentia uma tola por ter sido tão orgulhosa. Estudar a biografia daqueles grandes bruxos lhe dava a real dimensão da sua ignorância. Ser a melhor aluna numa turma de crianças de 11 anos não queria dizer muita coisa.
O verão trazia a expectativa de férias e felizmente trouxe a solução do mistério da câmara secreta. Os alunos ficaram eufóricos com a boa notícia e também com o fato do Diretor ter cancelado todas as provas finais. Para Elizabeth isso não afetava sua rotina, mas ela ficou feliz ao ver que Gina voltara ao normal.
O verão guardava um presente inesperado. Em um dos últimos dias de aula, Elizabeth estava lendo sob uma árvore quando viu o Professor Snape e o Professor Flitwick caminhando juntos para o castelo. Quando passaram por ela, pôde ouvir um pedaço da conversa.
- Severo, você é muito rigoroso com seus alunos. Eles tem que cumprir tantas detenções com você que nenhum outro professor consegue lhes dar castigo. E eu não sei como você consegue motivos para punir mesmo os alunos mais dedicados – reclamava Flitwick num tom brincalhão.
- São apenas os melhores alunos que merecem a nossa atenção – respondeu sério o professor de poções – mantê-los sob estrita vigilância fará com que desenvolvam todo seu potencial.
O mundo de Elizabeth era feito de pequenos bons momentos, e aquele era um deles. Ela deleitou-se com o comentário do professor como se ele tivesse sido feito diretamente para ela. Daquele dia em diante cada vez que Snape fizesse uma censura ela se lembraria da frase: "Somente os melhores merecem a minha atenção."
Ela estava entre eles.
